VIOLÊNCIA DE GÊNERO NAS ESCOLAS: ANÁLISE DO VIÉS NEUROBIOLÓGICO

GENDER VIOLENCE IN SCHOOLS: AN ANALYSIS OF THE NEUROBIOLOGICAL BIAS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776462545

RESUMO
A violência de gênero nas escolas, manifestando-se através de assédio, comentários sexistas, importunação sexual e bullying, muitas vezes normalizados como "brincadeiras". Essa violência afeta a segurança e o desempenho escolar, exigindo intervenção pedagógica e políticas de prevenção. Além disso, a violência de gênero no contexto do bullying escolar envolve agressões físicas, psicológicas ou sexuais motivadas por preconceitos, afetando desproporcionalmente meninas e pessoas LGBTQIAPN+, resultando em exclusão e evasão escolar. Diante do exposto, o presente estudo investigou da violência de gênero nas escolas tendo em vista as contribuições da Neurociência Afetiva para educação não sexista com o propósito de combater estereótipos que perpetuam a desigualdade. Para tanto, os fundamentos teórico-metodológicos partem da neurociência afetiva em um diálogo entre epistemologia qualitativa, materialismo histórico-dialético e pesquisa ação- participação. As fontes de informações foram registradas e analisadas em um processo construtivo-interpretativo com ações preventivas que contribuíram para a criação de espaços reflexivos, expressivos e participativos tendo em vista o desenvolvimento integral dos estudantes. Em um segundo momento, foi realizada a metodologia qualitativa através da revisão sistemática com objetivo de reunir e analisar criticamente as publicações que investigam os ensinamentos da neurociência afetiva para entender as bases neurobiológicas envolvidas na violência de gênero. A busca tem as combinações dos seguintes descritores: “Affective Neuroscience”; “Neurophysiology of Emotions”, “Gender Education in Schools”; “Dysfunctional Stress”; “Gender Violence” nas bases de dados PubMed, Redalyc, SciELO, Pepsic e Bireme.
Palavras-chave: Afeto; Emoções; Gênero; Neurociência; Violência.

ABSTRACT
Gender-based violence in Brazilian schools is a critical and frequent problem, manifesting itself through harassment, sexist comments, sexual harassment, and bullying, often normalized as "jokes." This violence affects safety and school performance, requiring pedagogical intervention and prevention policies. Furthermore, gender-based violence in the context of school bullying involves physical, psychological, or sexual aggression motivated by prejudice, disproportionately affecting girls and LGBTQIAPN+ individuals, resulting in exclusion and school dropout. Given this, the present study investigated gender-based violence in schools considering the contributions of Affective Neuroscience to non-sexist education with the purpose of combating stereotypes that perpetuate inequality. To this end, the theoretical and methodological foundations are based on affective neuroscience in a dialogue between qualitative epistemology, historical-dialectical materialism, and participatory action research. The sources of information were recorded and analyzed in a constructive- interpretative process with preventive actions that contributed to the creation of reflective, expressive, and participatory spaces aimed at the integral development of students. In a second phase, a qualitative methodology was employed through a systematic review with the objective of gathering and critically analyzing publications that investigate the teachings of affective neuroscience to understand the neurobiological bases involved in gender-based violence. The search used the following descriptors: “Affective Neuroscience”; “Neurophysiology of Emotions”; “Gender Education in Schools”; “Dysfunctional Stress”; “Gender Violence” in the PubMed, Redalyc, SciELO, Pepsic, and Bireme databases.
Keywords: Affect; Emotions; Gender; Neuroscience; Violence.

INTRODUÇÃO

A violência de gênero expressa uma forma particular de violência global mediatizada pela ordem patriarcal, que delega aos homens o direito de dominar e controlar suas mulheres, podendo para isso usar a violência. Nesse viés, a ordem patriarcal é vista como um fator preponderante na produção da violência de gênero, uma vez que está na base das representações de gênero que legitimam a desigualdade e dominação masculina internalizadas por homens e mulheres.

Conforme a neurociência afetiva, algumas linhas de pesquisa têm estabelecido que a amígdala, estrutura localizada lobo temporal, como uma das mais importantes regiões cerebrais para as emoções. A amígdala tem um papel chave no processamento emocional e de sinais sociais das emoções e no condicionamento emocional e consolidação de memórias emocionais (PAVLIDES, 1989; RIBEIRO, 2004).

A neurociência afetiva na violência de gênero investiga como emoções básicas e sistemas cerebrais subcorticais influenciam o comportamento violento e o trauma. As bases neurais envolvem o conflito entre a amígdala (reação de ameaça/raiva) e o córtex pré-frontal (controle inibitório), frequentemente agravado por traumas que alteram o processamento emocional. Portanto, os abusos físicos e psicológicos alteram a estrutura e o funcionamento cerebral, com foco na amígdala e no córtex pré-frontal (CPF) responsável pelas tomadas de decisão, planejamento e controle de impulsos. Esse trauma crônico modifica a plasticidade cerebral, criando dependência emocional e dificultando a saída da relação abusiva, com impactos duradouros afetando a química cerebral, incluindo dopamina e sistemas de estresse, alterando comportamentos e crenças (PANKSEPP, 2012).

O distanciamento somado ao presente momento histórico de silenciamento das pautas de gênero nas políticas da educação e a redução de investimentos nas políticas sociais, coloca em evidência a omissão do Estado brasileiro frente às violências sofridas por meninas, mulheres e outros indivíduos que não estão em conformidade com a ideologia de gênero dominante.

Cabe destacar os avanços em termos de equidade de gênero e do aumento no número de políticas públicas de fomento ao respeito às mulheres, em contrapartida, o noticiário mundial expôs uma série de atos violentos contra meninas e mulheres desde tentativas até realizações concretas de feminicídio. Neste cenário, a educação tem uma missão importante a cumprir: educar para o combate à violência de gênero.

Tendo em vista as diferentes áreas temáticas e correntes teóricas, há um consenso de que a categoria gênero abre caminho para um novo paradigma no estudo das questões relativas às mulheres. Enquanto o paradigma do patriarcado pressupõe papéis sociais rígidos, condicionados culturalmente pelas diferenças biológicas entre o homem e a mulher, a nova perspectiva de gênero enfatiza a diferença entre o social e o biológico.

Neste espaço de formação e reflexão, é fundamental que a escola atue no enfrentamento dessas desigualdades de gênero, contribuindo com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, em que meninas e meninos tenham as mesmas oportunidades e possam se desenvolver plenamente. Desse modo, o presente estudo investigou a desconstrução da violência de gênero tendo em vista as contribuições da Neurociência Afetiva para educação não sexista com o propósito de combater estereótipos que perpetuam a desigualdade.

METODOLOGIA

Foram encontrados 336 artigos que tratam da temática violência de gênero. No entanto, poucos artigos abordaram o conhecimento advindo da neurociência afetiva no combate a violência de gênero. Após a leitura dos resumos, 223 artigos foram selecionados com as temáticas: “Neurofisioanatomia das Emoções”, “Educação de Gênero nas Escolas”, “Estresse Disfuncional e seus desdobramentos no Sistema Nervoso Central, Endócrino e Imunológico”. Por outro lado, apenas 14 artigos descreveram as contribuições da neurociência afetiva no combate da violência de gênero. Apesar da limitação, 197 preencheram todos os critérios de inclusão de acordo com os descritores e compuseram a amostra final do presente estudo.

Esses Estudos Foram Organizados em Três Categorias Principais:

  • Estudos com ressonância magnética funcional e outras técnicas de neuroimagem para detectar a atividade e o volume das áreas cerebrais envolvidas no trauma tais como o Córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo.

  • Pesquisas envolvendo a Neurociência Afetiva para compreender a neurofisioanatomia das emoções primárias implicadas na violência de gênero tanto da vítima quanto do agressor;

  • Importância da educação de gênero nas escolas tendo como premissa inicial as contribuições da Neurociência Afetiva para Educação;

Limitações do Estudo:

  • Amostras reduzidas e heterogêneas; Falta de padronização metodológica; Predominância de estudos com crianças; poucos com adolescentes e adultos;

  • Pouca investigação longitudinal; Necessidade de maior integração entre medidas neurobiológicas e comportamentais.

Critérios de Inclusão:

  • Ensaios clínicos, estudos observacionais, experimentos com neuroimagem

Critérios de Exclusão:

  • Revisões narrativas ou sistemáticas sem dados primários;

  • Estudos com populações não humanas

  • Artigos duplicados

  • Trabalhos sem acesso ao texto completo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Neurociência Afetiva na violência de gênero revela que traumas crônicos alteram a estrutura cerebral, ativando intensamente a amígdala (medo/alerta) e reduzindo o controle do CPF (racionalidade). Essas alterações, movidas pelo estresse crônico, podem dificultar a ruptura do ciclo de violência, causando danos emocionais, redução da autoestima e prejuízos no desenvolvimento.

A neuroplasticidade permite que o cérebro se modifique em resposta a experiências, incluindo o impacto das violências, que podem levar a configurações cerebrais. Assim, a compreensão dessas bases neurobiológicas é fundamental para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes, abordando tanto o sofrimento psicológico quanto as mudanças cerebrais estruturais (DUARTE, 2024).

O estresse crônico advindo da violência de gênero pode produzir deterioração da memória; lentificação no desenvolvimento do raciocínio; alteração nas funções executivas; comprometimento das tarefas motoras; diminuição da atenção; aumento da irritabilidade; fadiga e aumento da possibilidade de desenvolvimento de distúrbios psiquiátricos, neurológicos e cognitivos. A resposta humoral é regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). O hormônio cortisol, é liberado pela glândula adrenal em resposta a um aumento nos níveis sanguíneos do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), liberado pela hipófise anterior devido ao estímulo do hormônio liberador de corticotrofina (CRH) do hipotálamo. Os neurônios hipotalâmicos que secretam CRH são regulados pela amígdala e pelo hipocampo (WHARTIN, 2007).

O hipocampo contém receptores para glicocorticóides que são ativados pelo cortisol, e com altos níveis de cortisol circulante, participa da regulação por retroalimentação do eixo HPA, inibindo a liberação de CRH e consequentemente de ACTH e cortisol. A exposição contínua ao cortisol, em períodos de estresse crônico, pode levar à disfunção e à morte dos neurônios hipocampais (BEAR, 2006).

Por conseguinte, o hipocampo começará a apresentar falhas em sua capacidade de controlar a liberação dos hormônios do estresse e de realizar suas funções de rotina. O estresse também influencia a aptidão de induzir a potenciação de longo prazo no hipocampo, o que provavelmente explica o porquê da falha de memória (LEDOUX, 2001).

A atividade elevada do córtex pré-frontal também tem sido relatada nos transtornos de ansiedade ocasionados pela violência. Em resumo, a amígdala e o hipocampo regulam o sistema HPA e a resposta ao estresse de uma maneira coordenada, tanto com a hiperatividade da amígdala (BEAR, 2006),

Nos achados de Almeida (2015 apud Moura, 2026), o giro do cíngulo anterior dorsal desempenha um papel chave no monitoramento e avaliação emocional. Ele integra informações autonômicas, emocionais e atencionais, com intuito de regular os estados emocionais e selecionar a resposta mais adequada e as prioridades sendo um ponto de integração de informações viscerais, atencionais e emocionais, que está crucialmente envolvido na regulação afetiva. Além disso, alguns autores têm sugerido que essa área cerebral é um componente determinante para a experiência emocional consciente e para a representação central da estimulação autonômica. Ele monitora conflitos entre o estado funcional do organismo e qualquer nova informação que tem potencial de consequências afetivas.

As representações da dor física, causada por lesão corporal, e da dor social, decorrente da perda dos laços sociais são sobrepostas no córtex cingulado anterior, indicando haver uma possível coincidência de mecanismos cerebrais. Esse sistema seria responsável por detectar prováveis riscos à sobrevivência, bem como recrutar a atenção e promover a aquisição de recursos para minimizar o perigo EISENBERGER, 2004 apud MOURA, 2026).

De acordo com Duarte (2024), a violência de gênero é um fenômeno que transcende as dimensões física e psicológica, alcançando o nível neurocientífico em uma relação estreita e multifacetada com a saúde mental, pois as vítimas são mais propensas a desenvolver transtornos mentais como depressão, ansiedade, transtorno do estresse pós-traumático e abuso de substâncias. Estudos recentes mostram que o trauma decorrente desse tipo de violência pode provocar alterações significativas no funcionamento cerebral particularmente em estruturas como hipocampo, amígdala e o córtex pré-frontal responsáveis pela memória, regulação emocional e controle de impulsos.

Estudos indicam que fatores como pobreza e desigualdade influenciam a violência devido ao acesso limitado a serviços como saúde, educação e segurança perpetuando ciclos de vulnerabilidade e reprodução da violência ao longo das gerações (PEREIRA, 2024).

Segundo Malta et al., (2025) estudar em escolas públicas esteve associado a uma menor chance de sofrer violência física intrafamiliar e violência sexual. Esse achado demanda uma análise mais aprofundada, pois, inicialmente, esperava-se uma associação oposta, considerando que desigualdades sociais influenciam a distribuição da violência e que estudantes de escolas públicas, em geral, tendem a estar mais expostos a contextos de maior vulnerabilidade.

Na percepção de Broseguini, (2022) apesar dos desafios socioeconômicos, a presença de redes de apoio comunitário, como programas de assistência social, serviços de proteção e suporte escolar, mais frequentes nesse contexto, pode atuar como fator de proteção. Além disso, a relação entre o tipo de escola e a ocorrência de violência não se resume a um simples indicador socioeconômico, mas envolve uma interação complexa entre fatores familiares, sociais e culturais, que precisam ser mais bem compreendidos.

Por outro lado, Cunha (2025) assevera que a menor prevalência de violência física intrafamiliar observada entre as adolescentes da Região Sul, em comparação com as da Região Norte, pode estar relacionada aos elevados índices de desenvolvimento econômico e social da região. De acordo com o autor, as diferenças regionais reforçam a necessidade de intervenções públicas mais abrangentes, sustentadas e territorializadas, com foco na promoção de um desenvolvimento educacional e social mais equitativo entre as diferentes regiões brasileiras.

No processo de análise de campo produzidos a partir dos desafios e possibilidades que surgiram durante o processo de pesquisa com os estudantes foi possível perceber o desenvolvimento dos significados como nomear a violência de gênero a partir das informações dos estudantes. Sendo assim, a metodologia construtivo-interpretativa é desenvolvida de acordo com as situações que emergem no cotidiano escolar. Isso significou considerar o espaço escolar como local para o treinamento de habilidades e competências a serem supridas.

Os fundamentos teórico-metodológicos partem da neurociência afetiva em um diálogo entre epistemologia qualitativa, materialismo histórico-dialético e pesquisa ação- participação. As fontes de informações foram registradas e analisadas em um processo construtivo-interpretativo com ações preventivas que contribuíram para a criação de espaços reflexivos

A participação como processo ativo, crítico e de livre expressão de vivências e problemas dos atores sociais envolvidos para encontrar ações coletivas de transformação da realidade nas escolas públicas ao contribuir para a prevenção da violência de gênero. Por fim, ocorreu o relato de experiências dos participantes e o impacto promissor ocasionado pelas mudanças no comportamento dos estudantes.

Para Minayo (2020), a violência de gênero corresponde a uma das formas mais recorrentes e prejudiciais enfrentadas por meninas adolescentes. De acordo com Rates et al., (2015), tal violência representa uma grave questão de saúde pública e uma violação dos direitos humanos ao comprometer o desenvolvimento físico, emocional e social das vítimas.

De acordo com Tonet (2006), discutir a violência de gênero no âmbito escolar constitui como uma proposta absolutamente necessária e oportuna, na medida em que se busca, através disso, desenvolver uma postura crítica em relação aos processos de naturalização e banalização da violência, em todas as suas formas. Isso, considerando que a educação deve formar integralmente as pessoas, estimulando sua capacidade crítica, criativa e participativa. Desse modo, a educação deve formar indivíduos capazes de pensar com lógica, de ter autonomia moral; indivíduos que se tornem cidadãos capazes de contribuir para as transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas.

Moura (2026) assevera que a violência de gênero analisada sob o viés da neurociência afetiva no âmbito escolar constitui-se como uma proposta necessária e oportuna na medida em que se busca desenvolver uma postura crítica em relação aos processos de naturalização e banalização da violência de gênero em todas as suas formas considerando que a educação deve formar integralmente os indivíduos ao estimular a capacidade crítica, criativa e participativa para prevenir e romper com a violência ao estimular a autoproteção, a autoestima e a autoconfiança. Sendo assim, compreender as alterações neurobiológicas é fundamental para o desenvolvimento de intervenções eficazes, abordando o sofrimento não apenas psicológico, mas as mudanças estruturais e funcionais no cérebro das vítimas.

Reitera-se, portanto, a necessidade de ações que contemplem as demandas específicas considerando as particularidades de cada tipo de violência vivenciada. Embora frequentemente interligadas, essas formas de violência apresentam dinâmicas distintas e complexas, que demandam respostas integradas e articulações entre os setores da saúde, educação, segurança pública e assistência social.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A neurociência afetiva na violência de gênero revela que traumas crônicos alteram a estrutura cerebral, ativando intensamente a amígdala (medo/alerta) e reduzindo o controle do CPF (racionalidade). Essas alterações, movidas pelo estresse crônico, podem dificultar a ruptura do ciclo de violência, causando danos emocionais, redução da autoestima e prejuízos no desenvolvimento.

O conhecimento advindo da neurociência afetiva direcionou o olhar para o paradigma relacional como gênese da natureza humana em um processo de tornar-se humano. Na construção da lógica configuracional dialógica, a partir da psicologia crítica, é preciso estar diariamente no campo escolar com vistas a contribuir no processo de rompimento de silêncios e de transformação das condições opressivas que emergem da realidade concreta e não à adaptação dos indivíduos.

As estratégias de prevenção devem envolver o fortalecimento dos vínculos familiares, a promoção de práticas educativas nas escolas, a criação de ambientes seguros e acolhedores, além da consideração das desigualdades de gênero e da situação de vulnerabilidade social a que estão expostas. Somente por meio de políticas públicas efetivas e iniciativas coordenadas será possível romper os ciclos de violência e garantir proteção, respeito e dignidade.

Neste espaço de formação e reflexão, é fundamental que a escola atue no enfrentamento dessas desigualdades de gênero, contribuindo com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, em que meninas e meninos tenham as mesmas oportunidades e possam se desenvolver plenamente. Desse modo, o presente estudo investigou a desconstrução da violência de gênero tendo em vista as contribuições da Neurociência Afetiva para educação não sexista com o propósito de combater estereótipos que perpetuam a desigualdade.

A escola é um espaço fundamental de questionamento, reflexão e desconstrução de estereótipos de gênero, padrões culturais violentos e de desvalorização do feminino que são a base para a violência de gênero. Logo, a discussão sobre os papéis de gênero deve estar cada vez mais presente no âmbito educacional. Isso pode fazer a diferença quando se trata de problematizar um conjunto de comportamentos, atitudes, expectativas, valores e estereótipos associados ao papel dos homens e das mulheres na sociedade atual.

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