SCREENAGERS E O AMBIENTE ESCOLAR: REPENSANDO A MEDIAÇÃO DOCENTE E AS TECNOLOGIAS PARA A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18218789


Rivanei Moura de Figueiredo1
Simone Oliveira Figueiredo2
Ricardo Aparecido Tanaka3


RESUMO
O presente artigo discute o fenômeno dos screenagers – adolescentes que cresceram imersos em ambientes digitais –, analisando como a tecnologia se tornou um marcador identitário e transformador de suas formas de aprender, comunicar e interagir socialmente. A pesquisa, de abordagem qualitativa e fundamentada em revisão bibliográfica, estrutura-se em três eixos: (1) o perfil e os hábitos digitais do discente contemporâneo; (2) os desafios do uso de tecnologias móveis no ambiente escolar, e (3) as perspectivas para o uso pedagógico da tecnologia na aprendizagem. O conceito de screenagers destaca a centralidade das telas, que molda um perfil de estudante que, habituado ao acesso imediato e à praticidade digital, diverge do modelo educacional tradicional. Embora a familiaridade com a tecnologia ofereça vantagens, como a ampliação da interação social e o acesso ágil à informação, o texto aponta os desafios decorrentes da hiperconexão e do uso indiscriminado de dispositivos móveis, como a distração e possíveis prejuízos cognitivos. A Lei nº 15.100/2025 é citada como medida regulatória que restringe o uso de aparelhos pessoais em escolas, buscando preservar o foco na aprendizagem e na socialização. O estudo defende que a educação deve aliar a mediação docente às potencialidades tecnológicas, utilizando metodologias ativas para promover uma aprendizagem mais reflexiva, colaborativa e emancipatória preparando os estudantes para serem sujeitos críticos e autônomos na sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Screenagers; Geração Digital; Tecnologia na Educação; Hiperconexão; Metodologias Ativas.

ABSTRACT
This article discusses the phenomenon of screenagers – adolescents who have grown up immersed in digital environments – analyzing how technology has become an identity marker that transforms their ways of learning, communicating, and socially interacting. The research adopts a qualitative approach and is based on a literature review, structured around three main axes: (1) the profile and digital habits of the contemporary student; (2) the challenges of using mobile technologies in the school environment, and (3) perspectives for the pedagogical use of technology in learning. The concept of screenagers highlights the centrality of screens, which shapes a student profile that, accustomed to immediate access and digital practicality, diverges from the traditional educational model. Although familiarity with technology offers advantages, such as expanding social interaction and quick access to information, the text points out the challenges arising from hyperconnection and the indiscriminate use of mobile devices, such as distraction and potential cognitive damage. Law No. 15.100/2025 is cited as a regulatory measure that restricts the use of personal devices in schools, aiming to keep the focus on learning and socialization. The study argues that education must combine teacher mediation with technological potential, using active methodologies to promote more reflective, collaborative, and emancipatory learning, preparing students to be critical and autonomous subjects in contemporary society.
Keywords: . Screenagers; Digital Generation; Technology in Education; Hyperconnection; Active Methodologies.

1. INTRODUÇÃO

O termo screenagers refere-se a adolescentes que cresceram imersos em um ambiente profundamente mediado por tecnologias digitais, no qual telas, dispositivos eletrônicos e plataformas virtuais se constituem como elementos estruturantes da vida cotidiana. Diferentemente de gerações anteriores, esses sujeitos estabelecem contato com recursos tecnológicos desde a primeira infância, muitas vezes antes mesmo do processo de alfabetização formal, desenvolvendo habilidades intuitivas no uso de dispositivos móveis, sistemas touchscreen, aplicativos interativos e assistentes virtuais. Tal familiaridade precoce evidencia que a tecnologia não é percebida apenas como ferramenta, mas como parte integrante de sua experiência de mundo, influenciando diretamente suas formas de perceber a realidade, construir conhecimento, comunicar-se e estabelecer vínculos sociais.

Nesse contexto, a cultura digital assume papel central na constituição identitária dos screenagers, moldando comportamentos, valores, expectativas e modos de aprendizagem. A lógica da conectividade permanente, da instantaneidade da informação e da comunicação em rede redefine práticas sociais e educacionais, exigindo novas competências cognitivas e socioemocionais. O acesso contínuo a conteúdos multimodais — textos, imagens, vídeos, jogos e redes sociais — favorece formas não lineares de aprendizagem, marcadas pela simultaneidade de estímulos e pela personalização das experiências. Contudo, esse mesmo cenário suscita questionamentos relevantes quanto à atenção, à profundidade do aprendizado, à autonomia intelectual e ao desenvolvimento crítico desses adolescentes.

A escola, enquanto espaço historicamente organizado a partir de modelos pedagógicos tradicionais, encontra-se diante do desafio de dialogar com essa nova geração hiperconectada. As práticas educativas, muitas vezes centradas na transmissão de conteúdos e na linearidade do ensino, contrastam com a dinâmica interativa e fragmentada que caracteriza o cotidiano digital dos screenagers. Essa tensão evidencia a necessidade de repensar metodologias, currículos e estratégias didáticas, de modo a integrar as tecnologias digitais de forma crítica, ética e pedagogicamente fundamentada, superando tanto o tecnicismo acrítico quanto a resistência ao uso de recursos tecnológicos no ambiente escolar.

A relevância deste estudo reside, portanto, na necessidade de compreender os impactos da hiperconexão sobre os processos educacionais, especialmente diante do avanço exponencial das tecnologias digitais e das transformações socioculturais delas decorrentes. A presença constante de smartphones, tablets e outros dispositivos móveis no cotidiano escolar suscita debates sobre seus potenciais pedagógicos, bem como sobre os riscos associados ao uso excessivo ou inadequado dessas tecnologias, tais como a dispersão da atenção, a superficialidade do conhecimento, a dependência digital e as implicações para a saúde mental dos estudantes.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível refletir sobre o papel do educador e da instituição escolar na mediação do uso das tecnologias, considerando que a simples inserção de recursos digitais não garante inovação pedagógica nem melhoria da aprendizagem. Ao contrário, faz-se necessária uma compreensão aprofundada do perfil do discente contemporâneo, de seus hábitos digitais e de suas formas de interação com o conhecimento, a fim de promover práticas educativas que estimulem o pensamento crítico, a criatividade, a colaboração e o uso consciente das tecnologias.

Metodologicamente, esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e reflexiva, fundamentada em revisão bibliográfica de autores que discutem cultura digital, educação e juventude. A análise busca articular contribuições teóricas que permitam compreender o fenômeno dos screenagers em sua complexidade, considerando aspectos pedagógicos, sociais e tecnológicos. Para tanto, o estudo organiza-se em três eixos principais: (1) a análise dos hábitos digitais que configuram o perfil do discente contemporâneo, evidenciando como a hiperconectividade influencia comportamentos e processos de aprendizagem; (2) os desafios relacionados ao uso de tecnologias móveis no ambiente escolar, problematizando limites, possibilidades e tensões entre práticas tradicionais e inovadoras; e (3) as perspectivas para as próximas gerações diante da tecnologia e da educação, refletindo sobre caminhos possíveis para uma integração pedagógica mais crítica, inclusiva e alinhada às demandas da sociedade digital.

Ao aprofundar essas discussões, o presente estudo pretende contribuir para o debate acadêmico e educacional acerca da relação entre juventude, tecnologia e escola, oferecendo subsídios teóricos que auxiliem professores, gestores e pesquisadores na compreensão dos desafios e das oportunidades que emergem com a presença dos screenagers no contexto educacional contemporâneo.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A expressão screenagers resulta da fusão dos termos ingleses screen (tela) e teenagers (adolescentes), sendo utilizada para designar jovens que nasceram e se desenvolveram em um contexto histórico profundamente marcado pela presença das tecnologias digitais. Trata-se de uma geração cuja experiência de mundo é mediada, de forma quase contínua, por telas, dispositivos eletrônicos e ambientes virtuais, os quais exercem papel central não apenas no entretenimento, mas também nos processos de comunicação, socialização, aprendizagem e construção da identidade. Diferentemente de gerações anteriores, os screenagers não precisaram adaptar-se ao advento da tecnologia, pois esta sempre esteve presente em seu cotidiano, configurando-se como elemento estruturante de suas práticas sociais e culturais.

Nesse cenário, a centralidade das telas extrapola o caráter instrumental e passa a influenciar diretamente a forma como esses jovens percebem a realidade, constroem conhecimento e se relacionam com o outro. O uso constante de smartphones, tablets, computadores e demais dispositivos digitais promove uma lógica de acesso imediato à informação, de comunicação instantânea e de múltiplas possibilidades de interação simultânea. Tal dinâmica contribui para a formação de sujeitos com elevada familiaridade tecnológica, capazes de transitar com desenvoltura por diferentes plataformas digitais, mas que, ao mesmo tempo, apresentam modos específicos de atenção, aprendizagem e engajamento, muitas vezes incompatíveis com os modelos pedagógicos tradicionais ainda predominantes nas instituições de ensino.

A educação formal, historicamente estruturada a partir de práticas conteudistas, lineares e centradas na figura do professor como detentor do saber, revela-se pouco alinhada ao perfil dos screenagers. Para esses sujeitos, habituados à interatividade, à autonomia e à personalização das experiências digitais, metodologias baseadas exclusivamente na exposição oral prolongada, na cópia mecânica de conteúdos e na avaliação padronizada tendem a ser percebidas como pouco atrativas e descontextualizadas. Essa discrepância entre o perfil do discente contemporâneo e as práticas educacionais tradicionais evidencia a necessidade urgente de repensar os processos de ensino e aprendizagem à luz das transformações tecnológicas e socioculturais em curso.

Diante dessa realidade, torna-se imperioso equilibrar o uso das tecnologias digitais para fins educacionais, de modo que suas potencialidades não se convertam em entraves ao processo formativo, mas, ao contrário, constituam-se como caminhos para uma aprendizagem mais significativa, crítica e promissora. O desafio não reside apenas na inserção de recursos tecnológicos no ambiente escolar, mas na construção de propostas pedagógicas intencionalmente planejadas, capazes de integrar tecnologia, conteúdo e metodologia de forma coerente e alinhada aos objetivos educacionais. Nesse sentido, a compreensão aprofundada do perfil dos screenagers assume papel estratégico para a elaboração de práticas pedagógicas mais assertivas, que potencializem os benefícios da tecnologia e minimizem seus impactos negativos na relação entre docentes e discentes.

Identificar as características dessa geração, portanto, não se limita a um exercício descritivo, mas configura-se como uma condição fundamental para a inovação pedagógica. Ao reconhecer os hábitos digitais, as habilidades tecnológicas e as formas de interação dos screenagers, a escola pode desenvolver estratégias educativas que dialoguem com suas experiências cotidianas, promovendo maior engajamento, participação ativa e sentido no processo de aprendizagem. Assim, a tecnologia deixa de ser vista como ameaça à educação e passa a ser compreendida como aliada na construção de uma prática pedagógica mais contextualizada e emancipadora.

2.1. Screenagers: Perfil e Habilidades

A geração dos screenagers é composta por sujeitos que não vivenciaram um mundo dissociado da tecnologia, uma vez que os recursos digitais se incorporaram de forma natural, contínua e progressiva às suas rotinas desde a infância. Nascidos, em sua maioria, a partir dos anos 2000, esses jovens cresceram em um ambiente marcado pela rápida evolução tecnológica, no qual dispositivos como computadores pessoais, tablets, e-readers, smartphones e outros aparelhos digitais passaram a integrar o cotidiano familiar, escolar e social. Tal contexto contribuiu para o desenvolvimento de um perfil caracterizado pela familiaridade intuitiva com as tecnologias, pela agilidade no acesso à informação e pela capacidade de realizar múltiplas tarefas de forma simultânea.

Essas habilidades, no entanto, não se restringem ao domínio técnico dos dispositivos, mas envolvem também novas formas de interação cognitiva e social. Os screenagers tendem a privilegiar linguagens multimodais, que combinam texto, imagem, som e vídeo, bem como processos de aprendizagem não lineares, baseados na exploração, na experimentação e na autonomia. Esse perfil contrasta significativamente com o modelo educacional tradicional, ainda marcado por estruturas rígidas, currículos engessados e metodologias pouco flexíveis, que não dialogam com as formas contemporâneas de produção e circulação do conhecimento.

Para sujeitos acostumados ao acesso imediato à informação por meio de um simples toque na tela, a espera prolongada por instruções, a passividade em sala de aula e a repetição de conteúdos descontextualizados podem configurar-se como fatores de desmotivação e desengajamento. Nesse sentido, embora persistam resistências à adoção de metodologias inovadoras, torna-se cada vez mais evidente que propostas pedagógicas pautadas na aprendizagem ativa, na resolução de problemas, na colaboração e no protagonismo discente apresentam maior potencial de eficácia junto a essa geração.

A perspectiva de Paulo Freire (2012) mostra-se particularmente pertinente nesse contexto, uma vez que sua concepção de educação emancipadora dialoga com o perfil dos screenagers ao defender uma prática pedagógica centrada no sujeito, no diálogo e na construção crítica do conhecimento. A tecnologia, quando utilizada de forma intencional e mediada pelo educador, pode atuar como ferramenta de apoio para o desenvolvimento da autonomia intelectual, da consciência crítica e da participação ativa do estudante em seu próprio processo formativo.

Dessa forma, a articulação entre mediação docente e potencialidades tecnológicas abre espaço para práticas educativas mais dinâmicas, críticas e transformadoras. Ao reconhecer o discente como sujeito ativo e produtor de conhecimento, a escola pode ressignificar o uso da tecnologia, promovendo experiências de aprendizagem que dialoguem com as demandas e expectativas dessa geração multifacetada e conectada.

2.2. Screenagers: Desafios Quanto Ao Uso de Tecnologias Móveis no Ambiente Escolar

Apesar das inúmeras possibilidades que as tecnologias digitais oferecem ao processo educativo, a relação intensa dos screenagers com os dispositivos móveis também apresenta desafios significativos que não podem ser negligenciados. Entre os principais benefícios, destacam-se a ampliação das interações sociais para além das barreiras geográficas, a personalização das experiências de aprendizagem — especialmente em contextos de ensino híbrido e a distância — e o acesso rápido a múltiplas fontes de informação. Contudo, o uso excessivo e pouco orientado das tecnologias pode gerar impactos negativos nos processos cognitivos, sociais e emocionais dos estudantes.

Um dos principais desafios no ambiente escolar refere-se à distinção entre o uso pedagógico da tecnologia, mediado pelo docente, e a utilização indiscriminada de dispositivos móveis, sobretudo dos smartphones. Quando não orientado, o uso do celular tende a deslocar o foco da aprendizagem para o entretenimento digital, interferindo na concentração, na interação presencial e na construção coletiva do conhecimento. Redes sociais, vídeos curtos, jogos e notificações constantes competem pela atenção dos estudantes, dificultando o engajamento em atividades que exigem maior esforço cognitivo e concentração prolongada.

Esse cenário tem suscitado debates relevantes acerca dos impactos do uso abusivo de telas, incluindo possíveis prejuízos cognitivos, como dificuldades de atenção, superficialidade no processamento das informações e redução da capacidade reflexiva. Em alguns casos, observa-se inclusive a confusão entre comportamentos de desatenção associados ao uso excessivo de tecnologias e diagnósticos clínicos, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o que reforça a necessidade de análises mais criteriosas e contextualizadas.

Nesse contexto, a promulgação da Lei nº 15.100/2025, sancionada em 13 de janeiro, representa uma tentativa de regulamentar o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nas escolas públicas e privadas, restringindo sua utilização a fins pedagógicos e sob a supervisão do docente. A normativa reflete preocupações crescentes com os efeitos da hiperconectividade no ambiente educacional e busca preservar a escola como espaço de socialização, interação presencial e construção coletiva do conhecimento, sem, contudo, negar o potencial pedagógico das tecnologias digitais.

Conforme destaca Moran (2021), a inserção das tecnologias móveis na educação envolve tensões, riscos e possibilidades que precisam ser enfrentados por meio de metodologias críticas, intencionais e contextualizadas. Mais do que proibir ou liberar indiscriminadamente o uso dos dispositivos, faz-se necessário promover uma cultura digital responsável, que valorize o uso consciente da tecnologia e sua integração significativa aos processos de ensino e aprendizagem.

2.3. Perspectivas para a Próxima Geração Diante da Tecnologia e da Educação

As perspectivas para a próxima geração no campo educacional estão intrinsecamente relacionadas à interação entre necessidade, estímulo, ação e curiosidade humana, mediadas pelas tecnologias digitais. Embora esse cenário já se manifeste no presente, marcado pela crescente integração tecnológica, espera-se que, no futuro, aspectos como conectividade global, inclusão digital e equidade no acesso aos recursos educacionais sejam efetivamente consolidados. Para que isso ocorra, torna-se fundamental promover uma educação que vá além do acesso à informação, priorizando o desenvolvimento de competências críticas, analíticas e reflexivas.

Nessa direção, Moran (2015) enfatiza que o uso pedagógico da tecnologia não deve restringir-se à transmissão rápida de conteúdos, mas precisa favorecer processos de aprendizagem mais profundos.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo teve como objetivo analisar o fenômeno dos screenagers no contexto educacional contemporâneo, buscando compreender de que maneira a cultura digital e a hiperconectividade influenciam os processos de ensino e aprendizagem. A partir da revisão bibliográfica realizada, foi possível identificar que a tecnologia digital ocupa posição central na constituição identitária dessa geração, interferindo diretamente em suas formas de comunicação, interação social, acesso à informação e construção do conhecimento. Os achados indicam que os screenagers não percebem a tecnologia apenas como recurso instrumental, mas como elemento estruturante de sua experiência de mundo.

Constatou-se que há uma significativa dissonância entre o perfil do discente contemporâneo e os modelos pedagógicos tradicionais, ainda fortemente marcados pela centralização do saber no docente, pela linearidade do ensino e por práticas conteudistas. Tal incompatibilidade tende a gerar desmotivação, dispersão e baixo engajamento dos estudantes, sobretudo quando as práticas educativas desconsideram os hábitos digitais, a linguagem multimodal e a necessidade de protagonismo discente. Em contrapartida, a literatura analisada aponta que metodologias ativas, mediadas de forma intencional pelas tecnologias digitais, apresentam maior potencial para promover aprendizagens significativas, autonomia intelectual e desenvolvimento do pensamento crítico.

Outro achado relevante refere-se à dualidade do uso das tecnologias móveis no ambiente escolar. Embora esses recursos ampliem as possibilidades pedagógicas e favoreçam o acesso rápido à informação, seu uso excessivo ou descontextualizado pode ocasionar prejuízos cognitivos, como a superficialidade do aprendizado e dificuldades de atenção, além de impactos socioemocionais. Nesse sentido, o estudo evidencia que a tecnologia, isoladamente, não garante inovação pedagógica, sendo indispensável a mediação consciente do docente, o planejamento pedagógico e a construção de uma cultura digital responsável no contexto escolar.

Como limitações, destaca-se o caráter teórico da pesquisa, fundamentada exclusivamente em revisão bibliográfica, o que restringe a análise a perspectivas conceituais. Dessa forma, sugerem-se como estudos futuros investigações empíricas, de abordagem qualitativa e quantitativa, que analisem a percepção de professores e estudantes sobre o uso das tecnologias digitais no processo educativo. Recomenda-se, ainda, a realização de pesquisas de campo que avaliem os impactos das metodologias ativas mediadas por tecnologia no desempenho acadêmico e no engajamento dos screenagers, bem como estudos comparativos entre instituições com diferentes políticas de uso de dispositivos móveis. Por fim, indicam-se investigações voltadas à formação docente, à cidadania digital e aos efeitos da hiperconectividade na saúde mental e no desenvolvimento cognitivo dos adolescentes, ampliando o debate sobre os desafios e as possibilidades da educação na sociedade digital.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. (2025, 13 de janeiro). Lei n. 15.100, de 13 de janeiro de 2025: Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica (Diário Oficial da União).

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. Mangualde: Pedago, 2012

MORAN, José. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.

MORAN, José Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II, Carlos Alberto de Souza e Ofelia Elisa Torres Morales (orgs.). Ponta Grossa: - PROEX/UEPG, 2015,


1 Graduado em Matemática Faculdade Castelo Branco. Pós graduado em Matemática Faculdade de Filosofia Campo Grande – FEUC. Mestrando Must University Florida - Master of Science in Emergente Tecnologies in Education. E-mail: [email protected].

2 Graduação em Turismo – Universidade Plínio Leite, Pós Graduação Lato Sensu Pedagogia Empresarial – UCAM, Pós graduanda em psicopedagogia institucional e clínica – PROMINAS. Mestranda Must University Florida – USA – Master of Science in Emergent Technologies in Education E-mail: [email protected].

3 Graduado em Ciências Econômicas e Ciência Contábeis pela FECAP. Especialista em Controladoria pela FECAP. Especialista em Gestão Empresarial – Executivo Internacional pela FGV. Mestrando em Administração de Empresas pela Must University. E-mail: [email protected].