PLANTAS MEDICINAIS COM AÇÃO REPELENTE COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO CONTEXTO ESCOLAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA

MEDICINAL PLANTS WITH REPELLENT ACTION AS A TOOL FOR ENVIRONMENTAL EDUCATION IN THE SCHOOL CONTEXT: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/774074758

RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar o potencial das plantas medicinais com ação repelente como ferramenta de Educação Ambiental no contexto escolar, a partir de uma revisão sistemática da literatura científica. A Educação Ambiental, enquanto prática pedagógica crítica e interdisciplinar, constitui-se como elemento fundamental para a formação de sujeitos conscientes das relações entre sociedade, saúde e meio ambiente. Nesse cenário, o uso pedagógico de plantas medicinais destaca-se por possibilitar a articulação entre saberes tradicionais e conhecimentos científicos, além de promover a valorização da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais. A metodologia adotada baseou-se nas diretrizes do protocolo PRISMA, contemplando estudos publicados entre 2016 e 2026, disponíveis em bases de dados nacionais e internacionais. Os resultados evidenciam que as plantas medicinais com ação repelente apresentam eficácia no afastamento de insetos vetores, atribuída principalmente à presença de metabólitos secundários, como os óleos essenciais e seus compostos voláteis. Além de seus benefícios à saúde e ao meio ambiente, essas plantas demonstram significativo potencial educativo, especialmente quando inseridas em práticas pedagógicas interdisciplinares e participativas. Conclui-se que a abordagem das plantas medicinais repelentes no ambiente escolar contribui para o fortalecimento da Educação Ambiental, da promoção da saúde e da sustentabilidade, ampliando a formação crítica e cidadã dos estudantes.
Palavras-chave: educação ambiental; plantas medicinais; repelentes naturais; sustentabilidade; saúde ambiental.

ABSTRACT
This article aims to analyze the potential of medicinal plants with repellent properties as a tool for Environmental Education in the school context, based on a systematic review of the scientific literature. Environmental Education, as a critical and interdisciplinary pedagogical practice, plays a fundamental role in the development of individuals who are aware of the relationships between society, health, and the environment. In this perspective, the pedagogical use of medicinal plants stands out for enabling the integration of traditional knowledge and scientific understanding, as well as for promoting biodiversity conservation and the sustainable use of natural resources. The methodology followed the PRISMA guidelines, including studies published between 2016 and 2026 and indexed in national and international databases. The results indicate that medicinal plants with repellent activity are effective in repelling insect vectors, mainly due to the presence of secondary metabolites such as essential oils and volatile compounds. Beyond their health and environmental benefits, these plants demonstrate significant educational potential when incorporated into interdisciplinary and participatory pedagogical practices. It is concluded that addressing repellent medicinal plants in the school environment strengthens Environmental Education, health promotion, and sustainability, contributing to the critical and civic education of students.
Keywords: Environmental Education; Medicinal plants; Natural repellents; Sustainability; Environmental health.

1. INTRODUÇÃO

No contexto contemporâneo, marcado pela intensificação dos processos de globalização e pelo agravamento das problemáticas socioambientais, a escola assume um papel estratégico na formação de sujeitos críticos, conscientes e comprometidos com os princípios da sustentabilidade. Nesse cenário, torna-se imprescindível que os docentes incorporem princípios socioambientais às práticas pedagógicas, adotando uma postura reflexiva e contextualizada, capaz de articular os conteúdos curriculares às demandas ambientais atuais. Ao inserir temas socioambientais de forma aplicada ao cotidiano escolar, a educação consolida-se como um espaço privilegiado para a construção da consciência ambiental e para a promoção de mudanças de atitudes.

A Educação Ambiental, quando integrada ao contexto escolar, deve ultrapassar ações pontuais ou restritas a datas comemorativas, assumindo um caráter contínuo, crítico e participativo. Para que essa perspectiva se efetive, é fundamental o desenvolvimento de projetos e atividades que envolvam ativamente os estudantes e a comunidade escolar, promovendo a compreensão das interações entre sociedade e natureza e das consequências das ações humanas sobre o meio ambiente. A atuação conjunta de professores, alunos, instituições de ensino, poder público e demais setores da sociedade é essencial para fortalecer a Educação Ambiental como um instrumento integrador dos sistemas educativos e promotor da sustentabilidade (Marques, 2022).

Nesse sentido, a escola configura-se como um espaço formativo comprometido com a construção de valores, atitudes e competências voltadas à sustentabilidade. A realização de ações e projetos educativos com a participação da comunidade escolar favorece o desenvolvimento de uma postura crítica diante das questões ambientais, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e para a promoção da saúde e da qualidade de vida, aspectos indissociáveis de uma sociedade ambientalmente justa (Perruzo et al., 2025).

Entre as diferentes estratégias pedagógicas que podem ser exploradas nesse contexto, destaca-se o uso das plantas medicinais como recurso didático interdisciplinar. As plantas medicinais são espécies vegetais, cultivadas ou não, utilizadas por diferentes vias ou formas, que exercem ação terapêutica no organismo humano. Dentre suas aplicações, os repelentes naturais têm sido amplamente empregados por proporcionarem proteção individual e por reduzirem o contato do ser humano com insetos vetores, o que os torna ferramentas relevantes na prevenção de doenças transmitidas por esses organismos (Carvalho, 2023).

A maioria das plantas medicinais com atividade repelente apresenta características aromáticas e elevada concentração de óleos essenciais. Esses compostos, embora apresentem boa eficácia e baixa toxicidade, possuem limitações relacionadas à volatilidade e à baixa estabilidade química, o que resulta em um tempo de ação reduzido e na necessidade de reaplicações frequentes. Além disso, desafios como a padronização química e o controle de qualidade ainda representam obstáculos para sua ampla utilização, aspectos que podem ser explorados de forma educativa no ambiente escolar (Viotto et al., 2025).

A abordagem desse tema no contexto educacional favorece o desenvolvimento da percepção ambiental, entendida como um instrumento fundamental para que os estudantes compreendam a realidade local de forma integrada e sistêmica. Ao refletirem sobre o uso de plantas medicinais e suas aplicações, os educandos são estimulados a analisar criticamente a complexidade das questões ambientais, relacionando saberes científicos e conhecimentos tradicionais. Esse processo contribui para a formação do sujeito-cidadão consciente de seu papel social e de sua responsabilidade na conservação do meio ambiente (Marques, 2022).

Apesar do potencial das plantas medicinais como recurso educativo e sustentável, ainda são limitados os estudos que discutem de forma sistematizada sua utilização como ferramenta pedagógica no contexto da Educação Ambiental escolar. Dessa forma, torna-se relevante investigar como esses recursos naturais podem ser incorporados às práticas educativas, contribuindo para a integração entre conhecimentos científicos, saberes tradicionais e ações voltadas à promoção da saúde e da sustentabilidade.

Diante da relevância do tema e da diversidade de abordagens presentes na literatura científica, este estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, o potencial das plantas medicinais com ação repelente como ferramenta pedagógica no contexto da Educação Ambiental no ambiente escolar. Busca-se compreender como esses recursos naturais podem contribuir para a promoção da saúde, para o fortalecimento da sustentabilidade e para a construção de práticas educativas interdisciplinares que integrem conhecimentos científicos e saberes tradicionais.

2. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão sistemática da literatura, cujo objetivo foi identificar, analisar e sintetizar estudos científicos que abordam o uso de plantas medicinais com ação repelente e suas possíveis contribuições para a Educação Ambiental no contexto escolar. A revisão sistemática foi escolhida por permitir a organização e análise crítica das evidências científicas disponíveis sobre o tema, contribuindo para a construção de uma compreensão mais ampla e fundamentada acerca da relação entre plantas medicinais, saúde e educação ambiental.

Para a condução da revisão, foram seguidas as diretrizes metodológicas do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), conforme atualização proposta por Matthew J. Page et al. (2020). amplamente utilizadas em pesquisas científicas para orientar o processo de identificação, seleção e análise de estudos. A adoção desse protocolo contribui para garantir maior rigor metodológico, transparência e reprodutibilidade no processo de investigação, permitindo a sistematização das etapas de busca, triagem e inclusão dos estudos analisados.

A busca bibliográfica foi realizada entre janeiro e fevereiro de 2026, contemplando publicações científicas disponíveis no período de 2016 a 2026, com o objetivo de reunir estudos recentes e relevantes relacionados ao tema investigado. A pesquisa foi realizada em bases de dados acadêmicas de reconhecida relevância científica, como PubMed, SciELO e Portal de Periódicos CAPES, de modo a ampliar o alcance das fontes consultadas e reduzir possíveis vieses de seleção.

Para a identificação dos estudos, foram utilizados descritores em português e inglês relacionados ao tema da pesquisa, tais como: “plantas medicinais”, “repelentes naturais”, “educação ambiental”, “medicinal plants”, “natural repellents” e “environmental education”, combinados por meio de operadores booleanos (AND/OR). A utilização desses termos permitiu ampliar a busca e identificar pesquisas que abordassem tanto os aspectos científicos quanto educacionais relacionados ao uso de plantas medicinais com ação repelente.

Como critérios de inclusão, foram considerados artigos científicos publicados entre os anos de 2016 e 2026, disponíveis na íntegra e que apresentassem relação direta com o tema da pesquisa, abordando o uso de plantas medicinais com propriedades repelentes, seus aspectos químicos ou biológicos, bem como suas possíveis aplicações nos campos da saúde, sustentabilidade ou educação ambiental. Foram aceitos estudos publicados em português, inglês e espanhol, o que possibilitou uma visão mais abrangente da produção científica internacional sobre o tema.

Foram adotados como critérios de exclusão os artigos duplicados nas bases de dados consultadas, estudos que não apresentavam relação direta com o objeto da pesquisa, publicações sem acesso ao texto completo e trabalhos que não apresentavam fundamentação científica adequada ao escopo da investigação.

O processo de identificação, seleção e inclusão dos estudos analisados nesta revisão foi organizado conforme as etapas recomendadas pelo protocolo PRISMA. Inicialmente, foram identificados artigos nas bases de dados consultadas. Após a remoção de estudos duplicados, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para verificação de relevância. Em seguida, os artigos potencialmente elegíveis foram analisados na íntegra, resultando na seleção final dos estudos que compuseram esta revisão. O fluxo de seleção dos estudos está apresentado na Figura 1.

Figura 1. Fluxograma no modelo do Protocolo Prisma

Fonte: Dado dos autores (2026).

Após a seleção final dos estudos, foi realizada a leitura completa dos artigos incluídos na revisão, com o objetivo de identificar as principais informações relacionadas ao uso de plantas medicinais com propriedades repelentes. Durante essa etapa, foram analisados aspectos como as espécies vegetais investigadas, os compostos ativos responsáveis pela ação repelente, as formas de utilização descritas nos estudos e suas possíveis contribuições para a saúde e para a educação ambiental. As informações extraídas dos artigos foram organizadas em tabelas e categorias temáticas, permitindo a comparação entre os estudos e a identificação das principais evidências científicas sobre o tema. Essa etapa possibilitou a sistematização dos resultados e contribuiu para a construção da análise apresentada na seção de resultados e discussão deste trabalho.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

3.1. Plantas Medicinais e Saberes Tradicionais

A utilização de plantas medicinais constitui uma prática milenar, profundamente vinculada aos saberes tradicionais e à relação histórica das comunidades com o meio ambiente. Esses conhecimentos são construídos socialmente e transmitidos ao longo das gerações, configurando sistemas complexos de cuidado em saúde e representando um importante patrimônio cultural e biológico (Albuquerque et al., 2016). No contexto brasileiro, tais saberes permanecem presentes, sobretudo em comunidades tradicionais e rurais, onde as plantas medicinais são amplamente utilizadas como recurso terapêutico complementar ou, em alguns casos, como principal forma de cuidado (Badke et al., 2016).

Mesmo com os avanços da medicina científica e a ampliação do acesso aos serviços de saúde, as práticas populares relacionadas ao uso de plantas medicinais continuam desempenhando papel relevante. Esse cenário ocorre tanto por fatores culturais quanto econômicos, além da valorização dos conhecimentos tradicionais acumulados ao longo do tempo (Veiga Júnior; Pinto, 2016). Nesse contexto, a etnobotânica assume papel fundamental ao investigar, registrar e valorizar esses saberes, contribuindo para a conservação da biodiversidade e para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde (Mendonça et al., 2019).

A adoção de plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS) representa um importante reconhecimento institucional dessas práticas, especialmente por meio das políticas relacionadas às práticas integrativas e complementares. Estudos indicam que essa integração favorece o diálogo entre o saber popular e o conhecimento científico, ampliando as possibilidades de cuidado e promoção da saúde (Maciel et al., 2017; Oliveira et al., 2018). Além disso, o uso de plantas medicinais no Brasil apresenta ampla diversidade de espécies e formas de preparo, refletindo a riqueza cultural e ambiental do país (Almeida et al., 2017; Feijó et al., 2018).

Diversas pesquisas realizadas com diferentes grupos sociais demonstram que o conhecimento sobre plantas medicinais é amplamente difundido entre a população, sendo transmitido principalmente por meio da oralidade e das relações familiares e comunitárias (Leão; Eduardo, 2020; Silva et al., 2021). Assim, esses saberes, passados de geração em geração, não representam apenas uma forma de cuidado com a saúde, mas também constituem elementos fundamentais da identidade cultural de diferentes comunidades.

No âmbito da atenção primária à saúde, o uso de plantas medicinais tem sido associado à promoção do autocuidado, à prevenção de doenças e à valorização das práticas populares, contribuindo para uma abordagem mais integral do processo saúde-doença (Santos et al., 2020; Costa et al., 2021). Pesquisas recentes também destacam a relevância do uso popular destas plantas como prática complementar, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, nos quais o acesso aos serviços de saúde é mais limitado (Pereira et al., 2022).

No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde reconhece a importância da medicina tradicional e do uso de plantas medicinais como parte essencial dos sistemas de saúde, ressaltando a necessidade de pesquisas que garantam sua eficácia, segurança e sustentabilidade (WHO, 2019). Dessa forma, o diálogo entre saberes tradicionais e conhecimento científico torna-se fundamental para a valorização cultural, a conservação da biodiversidade e o fortalecimento das políticas públicas de saúde (Ribeiro; Silva, 2019).

A Tabela 1 apresenta uma síntese de estudos encontrados na literatura que abordam a relação entre plantas medicinais, saberes tradicionais e sua relevância para a promoção da saúde e conservação da biodiversidade.

Tabela 1. Estudos sobre plantas medicinais e saberes tradicionais

Autor/Ano

Tema do estudo

Principais contribuições

Albuquerque et al., 2016

Etnobotânica e saberes tradicionais

Destacam a importância do conhecimento tradicional na conservação da biodiversidade e no uso terapêutico das plantas.

Badke et al., 2016

Uso popular de plantas medicinais

Evidenciam que comunidades rurais utilizam plantas como principal recurso terapêutico.

Veiga Júnior; Pinto, 2016

Plantas medicinais na cultura popular

Demonstram a permanência dessas práticas mesmo com a expansão da medicina científica.

Mendonça et al., 2019

Etnobotânica aplicada

Ressaltam a importância do registro científico dos conhecimentos tradicionais.

Maciel et al., 2017

Plantas medicinais no SUS

Apontam a integração entre saber popular e científico nas práticas de saúde.

Oliveira et al., 2018

Práticas integrativas em saúde

Destacam o papel das plantas medicinais na promoção da saúde.

Leão; Eduardo, 2020

Transmissão de saberes

Mostram que o conhecimento é transmitido principalmente pela oralidade.

Silva et al., 2021

Conhecimento popular

Identificam forte influência familiar e comunitária na difusão desses saberes.

Santos et al., 2020

Autocuidado e plantas medicinais

Relacionam o uso das plantas à promoção da saúde na atenção básica.

Pereira et al., 2022

Uso em contextos vulneráveis

Apontam a importância dessas práticas onde o acesso à saúde é limitado.

WHO, 2019

Medicina tradicional

Reconhece a importância global das plantas medicinais nos sistemas de saúde.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

3.2. Plantas Medicinais com Ação Repelente

As plantas medicinais que apresentam propriedades de afastamento de insetos têm sido amplamente investigadas como alternativas aos produtos sintéticos utilizados no controle de vetores de doenças. Esse interesse científico está relacionado, sobretudo, à busca por estratégias mais seguras e ambientalmente sustentáveis. Conforme destacado por Isman (2017), substâncias de origem botânica apresentam potencial significativo por associarem eficácia biológica a menores níveis de toxicidade para o meio ambiente e para a saúde humana, quando comparadas aos compostos químicos convencionais. Esses aspectos têm impulsionado pesquisas voltadas ao uso de recursos vegetais no manejo integrado de pragas e vetores.

Evidências científicas indicam que óleos essenciais extraídos de plantas aromáticas apresentam elevada capacidade repelente, atuando principalmente por meio da interferência nos sistemas sensoriais dos insetos (Benelli; Pavela, 2018). Esse efeito está associado à presença de compostos voláteis, como monoterpenos e sesquiterpenos, que alteram o comportamento dos insetos e reduzem sua aproximação de potenciais hospedeiros (Nerio; Olivero-Verbel; Stashenko, 2016).

Ensaios experimentais demonstram que extratos vegetais e óleos essenciais apresentam eficácia significativa contra mosquitos vetores, como o Aedes aegypti, contribuindo para a redução do risco de transmissão de arboviroses (Lima et al., 2016; Pavela, 2019). Além disso, alguns compostos de origem vegetal podem apresentar não apenas efeito repelente, mas também ação inseticida, ampliando seu potencial no controle das populações de mosquitos (Benelli et al., 2020).

No contexto brasileiro, pesquisas evidenciam que o uso de plantas com propriedades repelentes está associado tanto às práticas tradicionais quanto às iniciativas científicas voltadas à saúde pública. A eficácia dos extratos vegetais pode variar conforme a espécie utilizada, o método de extração e a concentração aplicada, o que reforça a importância de estudos padronizados e contextualizados (Morais et al., 2017). Em diversas comunidades, especialmente em regiões com acesso limitado a produtos industrializados, o uso de plantas repelentes constitui uma estratégia tradicional de proteção contra insetos (Silva et al., 2020).

Algumas investigações também destacam a relevância dessas plantas no âmbito da saúde pública, ressaltando seu papel no controle de vetores e na promoção de práticas preventivas sustentáveis (Carvalho et al., 2019; Costa et al., 2021). Nesse cenário, o uso de produtos naturais contribui não apenas para a redução da exposição a substâncias químicas, mas também para a valorização dos saberes populares e o fortalecimento de estratégias comunitárias de prevenção de doenças transmitidas por insetos (Santos et al., 2022).

Além dos benefícios relacionados à saúde, os repelentes de origem vegetal apresentam importância ambiental, pois possibilitam a diminuição do uso de compostos químicos persistentes no ambiente. Estudos indicam que essas alternativas estão alinhadas aos princípios da sustentabilidade e podem ser incorporadas a políticas públicas de controle de vetores de forma mais ecológica e integrada (Tavares et al., 2020). A Organização Mundial da Saúde também reconhece a relevância dos métodos de proteção pessoal, incluindo o uso de repelentes, como componentes importantes das estratégias de controle vetorial (WHO, 2017).

Por fim, pesquisas no campo da agroecologia e da extensão universitária destacam o potencial das plantas aromáticas com ação repelente como ferramentas educativas e práticas. Essas iniciativas favorecem a articulação entre conhecimento científico, ações comunitárias e saberes tradicionais, ampliando o alcance das estratégias de controle de vetores e promoção da saúde (Souza et al., 2018; Ribeiro; Merola, 2021).

A Tabela 2 apresenta algumas espécies de plantas medicinais descritas na literatura científica que apresentam potencial repelente e que podem ser utilizadas em estratégias de prevenção de insetos vetores.

Tabela 2. Plantas medicinais com potencial repelente descritas na literatura

Planta medicinal

Nome científico

Compostos principais

Potencial repelente

Citronela

Cymbopogon nardus

Citronelal, geraniol

Repelente contra mosquitos e insetos voadores

Capim-limão

Cymbopogon citratus

Citral, limoneno

Afastamento de mosquitos e insetos domésticos

Eucalipto

Eucalyptus spp.

Eucaliptol

Repelente natural contra mosquitos

Lavanda

Lavandula angustifolia

Linalol

Ação repelente e aromática

Hortelã

Mentha piperita

Mentol

Repelente contra insetos e mosquitos

Cravo-da-índia

Syzygium aromaticum

Eugenol

Repelente e inseticida natural

Fonte: Adaptado de Nerio et al. (2016); Benelli e Pavela (2018); Pavela (2019).

3.3. Compostos Químicos Responsáveis Pela Ação Repelente

A capacidade de afastamento de insetos observada em diversas plantas medicinais está diretamente relacionada à presença de metabólitos secundários, compostos produzidos pelas plantas como mecanismos naturais de defesa contra herbívoros e organismos patogênicos. Esses compostos químicos podem interferir no comportamento dos insetos por diferentes mecanismos, atuando como repelentes, deterrentes ou até mesmo substâncias tóxicas (Regnault-Roger et al., 2017).

Entre os principais grupos de substâncias associadas à atividade repelente destacam-se os óleos essenciais, caracterizados como misturas complexas de compostos voláteis, como monoterpenos, sesquiterpenos, aldeídos, álcoois e fenóis. A elevada volatilidade dessas substâncias favorece sua dispersão no ambiente, interferindo nos estímulos olfativos dos insetos e reduzindo sua aproximação aos hospedeiros (Lang; Buchbauer, 2021; Miguel, 2017).

Dentre esses compostos, os monoterpenos apresentam grande relevância para a atividade repelente. Substâncias como limoneno, citronelal, citronelol e geraniol demonstram elevada eficácia no afastamento de insetos, interferindo em processos comportamentais relacionados à orientação, alimentação e reprodução (Nerio et al., 2016; Tong et al., 2019). Esses compostos atuam principalmente sobre os receptores químicos dos insetos, comprometendo sua capacidade de localizar hospedeiros ou fontes de alimento (Zhu et al., 2017).

A composição química dos óleos essenciais pode variar conforme a espécie vegetal, as condições ambientais, o manejo do cultivo e os métodos de extração utilizados. Essa variabilidade influencia diretamente a eficiência repelente dos compostos presentes, evidenciando a importância de estudos químicos e biológicos para a avaliação do potencial bioativo das plantas medicinais (Bizzo et al., 2017; Silva et al., 2020).

Diversas espécies vegetais constituem fontes naturais desses metabólitos bioativos. A Cymbopogon nardus (citronela), por exemplo, apresenta elevada concentração de citronelal, citronelol e geraniol, compostos amplamente utilizados na produção de repelentes naturais e reconhecidos por sua eficácia contra mosquitos (Pavela; Benelli, 2018; Tong et al., 2019). Já o Azadirachta indica (neem) possui como principal composto bioativo a azadiractina, substância capaz de interferir no desenvolvimento e no comportamento alimentar dos insetos, conferindo propriedades repelentes e inseticidas à espécie (Singh et al., 2018).

Espécies aromáticas como Rosmarinus officinalis (alecrim), Ocimum basilicum (manjericão) e plantas do gênero Mentha (hortelã) também apresentam ação repelente associada à presença de compostos como 1,8-cineol, linalol, eugenol, mentol e mentona, os quais influenciam os mecanismos sensoriais dos insetos (Lang; Buchbauer, 2021; Nerio et al., 2016).

De modo geral, esses compostos podem atuar de forma sinérgica, potencializando o efeito repelente quando combinados em misturas naturais, como ocorre nos óleos essenciais. Essa característica amplia o espectro de ação contra diferentes espécies de insetos e reforça o potencial desses compostos no desenvolvimento de repelentes naturais ambientalmente seguros (Benelli; Mehlhorn, 2016; Pavela; Benelli, 2018).

A Tabela 3 apresenta alguns dos principais compostos químicos encontrados em plantas medicinais com atividade repelente descritos na literatura científica.

Tabela 3. Compostos químicos associados à ação repelente em plantas medicinais

Planta

Compostos principais

Ação repelente

Citronela (Cymbopogon nardus)

Citronelal, citronelol, geraniol

Repelente contra mosquitos

Neem (Azadirachta indica)

Azadiractina

Repelente e inseticida

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

1,8-cineol, cânfora

Repelente de insetos

Manjericão (Ocimum basilicum)

Linalol, eugenol

Afasta mosquitos e insetos

Hortelã (Mentha spp.)

Mentol, mentona

Repelente natural

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

3.4. Educação Ambiental: Conceitos e Fundamentos

A discussão sobre o uso de plantas medicinais, seus compostos químicos e suas aplicações no controle de insetos vetores evidencia a necessidade de abordagens educativas que promovam a compreensão crítica das relações entre sociedade, saúde e meio ambiente. Nesse contexto, a Educação Ambiental constitui um campo fundamental para a formação de sujeitos capazes de compreender essas interações e atuar de forma responsável diante dos desafios socioambientais contemporâneos (Carvalho, 2016).

Mais do que a simples transmissão de informações, a Educação Ambiental assume um papel formativo voltado à construção de uma consciência crítica acerca dos impactos das ações humanas sobre o ambiente. Essa perspectiva busca desenvolver valores, atitudes e práticas que favoreçam a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental (Layrargues; Lima, 2017).

Ao ser compreendida como um processo educativo contínuo e transformador, a Educação Ambiental promove a articulação entre teoria e prática, incentivando a participação social e o desenvolvimento da cidadania. Nesse sentido, o debate sobre alternativas sustentáveis, como o uso de plantas medicinais e repelentes naturais, pode contribuir para a construção de conhecimentos contextualizados e significativos (Loureiro, 2018).

A inserção da Educação Ambiental no currículo escolar possibilita abordagens interdisciplinares que integram conteúdos das áreas de Ciências, Saúde e Meio Ambiente. Essa integração favorece a compreensão sistêmica das questões socioambientais e estimula o desenvolvimento de práticas educativas voltadas à sustentabilidade (Tristão, 2019; Vasconcellos, 2020).

Além disso, a formação docente constitui elemento central para a efetivação dessas práticas no ambiente escolar. Professores preparados para trabalhar a temática ambiental podem desenvolver metodologias participativas e contextualizadas, capazes de integrar conhecimentos científicos e saberes locais no processo educativo (Zuin, 2018; Vieira, 2021).

3.5. Educação Ambiental, Saúde e Sustentabilidade

A articulação entre Educação Ambiental, saúde e sustentabilidade constitui um eixo fundamental para a compreensão dos desafios relacionados à qualidade de vida e à preservação ambiental. A saúde humana está diretamente relacionada às condições ambientais, sendo influenciada por fatores como poluição, degradação dos ecossistemas e uso inadequado de substâncias químicas (Buss; Pellegrini Filho, 2017).

Nesse contexto, a Educação Ambiental contribui para a promoção da saúde ao estimular práticas sustentáveis e comportamentos responsáveis em relação ao meio ambiente. A adoção de alternativas naturais, como o uso de plantas medicinais no controle de insetos, representa uma estratégia que integra conhecimentos científicos e práticas sustentáveis (Freitas et al., 2019).

Além disso, estudos apontam que os impactos ambientais afetam de forma desigual diferentes grupos sociais, evidenciando a importância de abordagens educativas que promovam justiça socioambiental e equidade no acesso à saúde (Porto, 2018).

Organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde, destacam que ambientes saudáveis são fundamentais para a prevenção de doenças e para a promoção do bem-estar das populações (WHO, 2017; OPAS, 2018).

Assim, a integração entre Educação Ambiental e saúde coletiva fortalece processos educativos voltados à prevenção de doenças, à promoção da qualidade de vida e à construção de sociedades mais sustentáveis.

3.6. Plantas Medicinais e Educação Ambiental: Abordagens Pedagógicas

O uso pedagógico das plantas medicinais tem sido reconhecido na literatura científica como uma estratégia relevante para integrar conhecimentos científicos, saberes tradicionais e práticas sustentáveis no contexto educativo. Ao incorporar essa temática às atividades escolares, a Educação Ambiental possibilita aos estudantes compreender de forma crítica as relações entre natureza, saúde e sociedade, promovendo reflexões sobre o uso sustentável dos recursos naturais e sobre os conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. Nesse sentido, estudos apontam que a inserção de temas relacionados às plantas medicinais no ambiente escolar contribui para o desenvolvimento de uma consciência socioambiental crítica e para a valorização dos saberes locais (Guimarães, 2021; Oliveira, 2019).

Diversas pesquisas realizadas no contexto brasileiro evidenciam o potencial educativo das plantas medicinais quando utilizadas em práticas pedagógicas que aproximam os estudantes da realidade socioambiental em que estão inseridos. Rodrigues et al. (2019) destacam que atividades educativas envolvendo o reconhecimento e o estudo de espécies medicinais favorecem o desenvolvimento de aprendizagens significativas e estimulam o interesse dos estudantes pelo conhecimento científico e pelos saberes tradicionais. Além disso, tais práticas contribuem para fortalecer a relação entre escola, comunidade e meio ambiente, ampliando as possibilidades de construção coletiva do conhecimento (Rodrigues et al. (2019).

Entre as estratégias pedagógicas mais utilizadas nesse contexto destaca-se a implantação de hortas medicinais escolares. Esses espaços educativos permitem o contato direto dos estudantes com a biodiversidade e com práticas de cultivo sustentável, possibilitando experiências de aprendizagem que articulam teoria e prática no ensino de Ciências e Educação Ambiental. De acordo com Ferreira et al. (2019), a utilização de hortas medicinais como recurso didático favorece o desenvolvimento de atividades investigativas e estimula o protagonismo dos estudantes no processo de aprendizagem. Resultados semelhantes são apresentados por Oliveira et al. (2024), que evidenciam que a implantação de hortas medicinais em ambientes escolares contribui para ampliar a compreensão dos estudantes sobre a importância da conservação da biodiversidade e do uso sustentável das plantas.

A abordagem interdisciplinar também se destaca como um elemento fundamental no desenvolvimento dessas práticas educativas. Ao integrar conteúdos de áreas como Ciências, Geografia, História e Saúde, as atividades envolvendo plantas medicinais possibilitam uma compreensão mais ampla das relações entre sociedade, cultura e natureza. Moura e Lima (2020) ressaltam que a Educação Ambiental, quando trabalhada de forma interdisciplinar, favorece a construção de conhecimentos contextualizados e promove uma visão sistêmica das questões socioambientais. De forma semelhante, alguns autores apontam que práticas pedagógicas desenvolvidas a partir de hortas escolares ampliam o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e contribuem para fortalecer o aprendizado significativo (Santos e Silva, 2024)

Além disso, atividades educativas envolvendo plantas medicinais favorecem o diálogo entre saberes populares e conhecimentos científicos, contribuindo para o reconhecimento da cultura local e para a valorização da biodiversidade. Nesse contexto, a etnobotânica tem sido amplamente utilizada como ferramenta pedagógica no ensino de Ciências e Educação Ambiental, pois possibilita investigar as relações entre as comunidades humanas e as plantas utilizadas em seu cotidiano. Essa abordagem etnobotânica no ambiente escolar contribui para a valorização dos conhecimentos tradicionais e para o desenvolvimento de uma postura crítica em relação ao uso dos recursos naturais (Ribeiro, 2018).

Experiências educativas envolvendo plantas com propriedades repelentes também têm sido descritas na literatura como estratégias eficazes para discutir temas relacionados à prevenção de doenças, sustentabilidade e saúde ambiental. Ao abordar o controle de insetos vetores por meio de alternativas naturais, essas atividades possibilitam integrar conhecimentos científicos e práticas sustentáveis no processo educativo. Nesse sentido, Peruzzo et al. (2025) destacam que projetos escolares envolvendo plantas repelentes favorecem a compreensão dos estudantes sobre a relação entre saúde e meio ambiente, além de estimular a adoção de práticas preventivas no cotidiano. De forma complementar, Tavares et al. (2020) ressaltam que atividades educativas relacionadas à promoção da saúde no ambiente escolar contribuem para o desenvolvimento de atitudes responsáveis em relação ao cuidado com o ambiente e com a saúde coletiva.

De modo geral, estudos recentes indicam que práticas educativas baseadas no cultivo e no estudo de plantas medicinais apresentam grande potencial para o desenvolvimento de metodologias ativas no ensino. Barreiros e Farias (2024) destacam que atividades pedagógicas envolvendo hortas escolares favorecem a participação dos estudantes, estimulam o aprendizado contextualizado e fortalecem o vínculo entre escola e comunidade. Dessa forma, a utilização pedagógica das plantas medicinais no contexto da Educação Ambiental configura-se como uma abordagem integradora capaz de promover a valorização da biodiversidade, o reconhecimento dos saberes tradicionais e o desenvolvimento de práticas educativas voltadas à sustentabilidade.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão de literatura possibilitou analisar, de forma integrada e crítica, o potencial das plantas medicinais com ação repelente como ferramenta pedagógica no âmbito da Educação Ambiental no contexto escolar. A partir do levantamento e da análise dos estudos selecionados, verificou-se que o uso dessas plantas vai além de sua aplicação prática no controle de insetos, configurando-se como um recurso educativo capaz de articular conhecimentos científicos, saberes tradicionais, saúde coletiva e sustentabilidade.

Os resultados analisados demonstram que as plantas medicinais com ação repelente estão fortemente associadas aos saberes populares e às práticas culturais historicamente construídas pelas comunidades, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Esses conhecimentos, ao serem incorporados ao ambiente escolar, favorecem o diálogo entre ciência e tradição, promovendo a valorização da biodiversidade, da cultura local e do uso consciente dos recursos naturais. Tal integração contribui para a formação de sujeitos críticos, capazes de compreender as relações entre sociedade, meio ambiente e saúde.

Do ponto de vista científico, os estudos evidenciam que a ação repelente das plantas está relacionada, principalmente, à presença de metabólitos secundários, como os óleos essenciais e seus compostos voláteis. A compreensão desses aspectos químicos amplia as possibilidades de abordagens interdisciplinares no ensino, permitindo a articulação entre conteúdos das áreas de Química, Biologia, Ciências Ambientais e Saúde. Além disso, a discussão sobre fatores como volatilidade, estabilidade química e necessidade de padronização reforça a importância do pensamento crítico e da problematização científica no processo educativo.

No campo da Educação Ambiental, as evidências indicam que práticas pedagógicas fundamentadas no uso de plantas medicinais e repelentes naturais favorecem aprendizagens significativas, especialmente quando orientadas por uma perspectiva crítica e participativa. A inserção dessas temáticas no currículo escolar contribui para superar abordagens fragmentadas do conhecimento, promovendo uma compreensão sistêmica das questões socioambientais e fortalecendo a formação cidadã dos estudantes. Ademais, tais práticas podem colaborar para a promoção da saúde e para a prevenção de doenças, ao estimular alternativas sustentáveis ao uso indiscriminado de produtos químicos sintéticos.

A articulação entre Educação Ambiental, saúde e sustentabilidade, discutida ao longo deste trabalho, evidencia a relevância de estratégias educativas que integrem esses campos de forma indissociável. Ao abordar o controle de vetores por meio de recursos naturais, a escola amplia seu papel social, promovendo reflexões sobre responsabilidade socioambiental, equidade em saúde e preservação ambiental.

Como limitação deste estudo, destaca-se a escassez de pesquisas que relacionem diretamente o uso de plantas medicinais com ação repelente às práticas pedagógicas no contexto escolar. Grande parte dos estudos encontrados concentra-se nos aspectos químicos, biológicos ou farmacológicos dessas plantas, havendo menor número de investigações voltadas às aplicações educacionais. Nesse sentido, ressalta-se a necessidade de novas pesquisas empíricas que explorem experiências pedagógicas com plantas medicinais no ambiente escolar, ampliando o diálogo entre ciência, educação e sustentabilidade.

Por fim, embora a literatura apresenta avanços significativos sobre o tema, ainda existem lacunas relacionadas à sistematização de práticas pedagógicas e à avaliação de seus impactos no contexto educativo. Dessa forma, recomenda-se o desenvolvimento de estudos e experiências educativas que aprofundem a aplicação das plantas medicinais com ação repelente como ferramenta didática em diferentes realidades escolares. Espera-se, assim, que este estudo contribua para o fortalecimento da Educação Ambiental crítica, interdisciplinar e contextualizada, reafirmando o potencial das plantas medicinais como recurso educativo voltado à promoção da sustentabilidade, da saúde e da cidadania ambiental.

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1 Discente do Curso Superior de Licenciatura em Química da Universidade Estadual de Alagoas Campus Palmeira dos índios. E-mail: [email protected] 

2 Docente do Curso Superior de Licenciatura em Química da Universidade Estadual de Alagoas Campus Palmeira dos índios. E-mail: [email protected] 

3 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [email protected]

4 Discente do Curso Superior de Licenciatura em Química da Universidade Estadual de Alagoas Campus Palmeira dos índios. E-mail: [email protected]

5 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [email protected]

6 Especialista em  Ensino da Biologia pela Universidade de Pernambuco. E-mail: [email protected] 

7 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [email protected] 

8 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [email protected] 

9 Discente do Curso Superior de Licenciatura em Química da Universidade Estadual de Alagoas Campus Palmeira dos índios. E-mail: [email protected]

10 Discente do Curso de Pós-graduação em Energias Renováveis na Universidade Federal de Alagoas CECA. E-mail: [email protected] 

11 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [email protected]

12 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [email protected]