REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/774073956
RESUMO
Com os avanços tecnológicos e, em especial, o crescimento da Inteligência Artificial (IA), surge a necessidade de integrar novas ferramentas e métodos pedagógicos ao ensino contábil. A IA, ramo da Ciência da Computação, simula processos de raciocínio humano, automatiza rotinas e oferece suporte à análise de grandes volumes de dados financeiros (Quaresma; Capeça; Fialho, 2017). Este estudo analisa o papel da IA no ensino de contabilidade na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), buscando compreender seus benefícios para os estudantes e até que ponto pode auxiliar no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em revisão de periódicos e plataformas como Google Acadêmico e Scielo, no período de 2013 a 2024. Espera-se que os resultados contribuam para a melhoria do ensino e da aprendizagem da contabilidade, oferecendo propostas educacionais inovadoras e preparando os alunos para as demandas do mercado de trabalho atual.
Palavras-chave: contabilidade, inteligência artificial, redução de tempo, tecnologia.
ABSTRACT
With technological advances, and especially the growth of Artificial Intelligence (AI), the need arises to integrate new tools and pedagogical methods into accounting education. AI, a branch of Computer Science, simulates human reasoning processes, automates routines, and supports the analysis of large volumes of financial data (Quaresma; Capeça; Fialho, 2017). This study analyzes the role of AI in accounting education at the State University of Northern Paraná (UENP), seeking to understand its benefits for students and the extent to which it can assist in the teaching-learning process. The methodology adopted is qualitative, based on a review of journals and platforms such as Google Scholar and Scielo, from 2013 to 2024. The results are expected to contribute to improving accounting teaching and learning, offering innovative educational proposals and preparing students for the demands of the current job market.
Keywords: Accounting, artificial intelligence, time reduction, technology.
RESUMEN
Con los avances tecnológicos, y en particular el auge de la Inteligencia Artificial (IA), surge la necesidad de integrar nuevas herramientas y métodos pedagógicos en la formación contable. La IA, una rama de la informática, simula los procesos de razonamiento humano, automatiza rutinas y facilita el análisis de grandes volúmenes de datos financieros (Quaresma; Capeça; Fialho, 2017). Este estudio analiza el papel de la IA en la formación contable de la Universidad Estatal del Norte de Paraná (UENP), buscando comprender sus beneficios para los estudiantes y en qué medida puede contribuir al proceso de enseñanza-aprendizaje. La metodología adoptada es cualitativa, basada en una revisión de revistas y plataformas como Google Scholar y SciELO, de 2013 a 2024. Se espera que los resultados contribuyan a la mejora de la enseñanza y el aprendizaje de la contabilidad, ofreciendo propuestas educativas innovadoras y preparando a los estudiantes para las demandas del mercado laboral actual.
Palabras-clave: Contabilidad, inteligencia artificial, reducción de tiempos, tecnología.
1. INTRODUÇÃO
O ensino da Contabilidade ao longo da história tem desempenhado um papel central na formação de profissionais responsáveis pela organização, análise e interpretação de informações financeiras de indivíduos e organizações. No Brasil, esse processo formativo tradicionalmente esteve pautado em normas legais e técnicas, com forte ênfase na legislação contábil e tributária, o que, segundo Carvalho e Salotti (2012), limitou a formação crítica e tecnológica dos discentes. Esse modelo, embora eficiente em determinados momentos, mostra-se insuficiente diante das demandas contemporâneas, em que a inovação tecnológica redefine constantemente os papéis e as competências profissionais.
Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) desponta como tecnologia disruptiva capaz de modificar substancialmente a forma como futuros contadores aprendem, ensinam e se preparam para o exercício profissional; podendo ser compreendida como o desenvolvimento de algoritmos e sistemas que simulam o raciocínio humano, automatizam rotinas e oferecem suporte à análise de grandes volumes de dados (Quaresma; Capeça; Fialho, 2017). Mais do que ganhos de eficiência, trata-se de uma inovação que altera processos, práticas e até mesmo a própria identidade da profissão contábil (Carvalho, 2021; Camargo, 2022).
Os primeiros esforços de integração da IA ao ensino da Contabilidade remontam aos anos 1990; Baldwin (1995) apresentou um dos pioneiros frameworks para a inserção de tecnologias inteligentes nos currículos, enfatizando o uso de sistemas especialistas em auditoria e análise financeira, bem como a proposta de simulações assistidas por IA como recurso didático. Desde então, a literatura tem reconhecido que a IA não se restringe a uma ferramenta técnica, mas atua como agente de mudança pedagógica, redefinindo currículos, métodos e práticas avaliativas.
Nesse sentido, Ballantine, Boyce e Stoner (2024) defendem que a ascensão da IA representa uma “crise que induz mudanças” no ensino contábil; a automatização de tarefas básicas desloca o foco da formação para competências humanas complexas, como análise crítica, raciocínio ético e reflexão social; para esses autores, a adoção da IA exige uma reorientação da Educação Contábil, que vá além das funções financeiras e gerenciais e incorpore uma dimensão humana e crítica.
Na América Latina a discussão adquire contornos particulares, o estudo de Quiraque et al. (2024) demonstrou que a adoção da IA nos cursos de Contabilidade depende tanto de fatores internos, como infraestrutura tecnológica e capacitação docente, quanto de fatores externos, como regulação estatal e pressões do mercado. Apesar dos avanços, persistem obstáculos como escassez de recursos financeiros e resistência de docentes ainda pouco familiarizados com tecnologias emergentes, o que evidencia a necessidade de políticas públicas consistentes e de parcerias institucionais.
A aplicação da IA à avaliação educacional também tem ganhado relevância, Souza (2023) desenvolveu um modelo classificador de pensamento crítico baseado em processamento de linguagem natural, que alcançou 85% de acurácia na análise de respostas discursivas. Tal experiência ilustra como a IA pode fornecer feedback imediato e personalizado, liberando o docente para funções de maior valor agregado; ainda assim, o autor ressalta a importância da mediação humana, sobretudo em avaliações que envolvem raciocínio crítico e questões éticas.
Diante desse contexto, formula-se o seguinte problema de pesquisa: como a Inteligência Artificial tem impactado o ensino de Contabilidade e de que forma pode ser integrada, de maneira crítica e responsável, à formação acadêmica e profissional? Já que o impacto da IA não se limita a técnicas de ensino: Barrios-Tao, Díaz e Guerra (2023) argumentam que a evolução da tecnologia exige uma reconfiguração dos próprios propósitos da educação; mais do que preparar técnicos para operar ferramentas automatizadas, a educação deve promover autonomia, consciência ética e alfabetização digital. Esse movimento reflete a compreensão de que a aprendizagem em tempos de IA implica desenvolver habilidades humanas complexas que as máquinas não substituem.
Ainda assim, revisões sistemáticas recentes evidenciam lacunas, Tandiono (2024) demonstrou que grande parte da literatura concentra-se em ferramentas específicas, mas pouco se discute sobre modelos pedagógicos integrados que articulem IA, metodologias ativas e soft skills. Essa ausência de propostas holísticas abre espaço para novas pesquisas, sobretudo em países em desenvolvimento.
Do ponto de vista profissional, estudos de Stancu e Duțescu (2023) e Trincão (2023) Abdo-Salloum e Al-Mousawi (2025), confirmam que a IA já está alterando a atuação do contador. Funções repetitivas são progressivamente automatizadas, enquanto cresce a demanda por habilidades analíticas, interpretativas e estratégicas; esse novo perfil exige que a formação acadêmica prepare profissionais não apenas para registrar fatos contábeis, mas para atuar como consultores capazes de interpretar dados e apoiar decisões organizacionais.
Al-Hajaya et al. (2024) acrescentam que ferramentas generativas também favorecem o desenvolvimento de competências socioemocionais, como comunicação, empatia e trabalho em equipe; ao explorar a criação de estudos de caso personalizados e simulações realistas, os autores demonstram que a IA pode humanizar o ensino, desde que professores atuem como mediadores críticos.
Esse papel docente, aliás, encontra-se em transformação; Durso (2023) destaca que o professor deixa de ser mero transmissor de conteúdos para se tornar mediador do aprendizado, exigindo formação continuada e adaptação metodológica. Avelar, Durso e Ferreira (2023) reforçam que a combinação entre gamificação e IA amplia o engajamento discente, torna o ensino mais dinâmico e contribui para reduzir a evasão.
Sendo preciso considerar a percepção dos próprios profissionais da contabilidade; Grácio (2023) evidencia que, embora os ganhos da IA (eficiência, redução de erros e agilidade) sejam reconhecidos, persistem preocupações em relação à segurança de dados, à ética e ao risco de substituição de funções. Nesse sentido, a autora conclui que a IA deve ser encarada como tecnologia complementar, que amplia, mas não substitui, a atuação humana.
Esse trabalho, ao analisar o papel da Inteligência Artificial no ensino de Contabilidade, toma como objeto a realidade da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Pretende-se compreender de que forma a IA pode ser integrada ao processo de ensino-aprendizagem, quais são seus limites e suas potencialidades, bem como propor reflexões que subsidiem a construção de currículos inovadores.
A relevância da pesquisa decorre da necessidade de alinhar o ensino contábil às exigências do mercado contemporâneo, marcado por rápidas mudanças tecnológicas, e da escassez de estudos aplicados ao contexto brasileiro e latino-americano. Ao investigar a IA como fenômeno multidimensional, este estudo busca contribuir para uma formação em Ciências Contábeis mais crítica, inovadora e alinhada às demandas do século XXI.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico foi construído a partir de categorias temáticas que emergiram da revisão sistemática, contemplando definições conceituais, experiências internacionais e latino-americanas, modelos pedagógicos, impactos profissionais e dilemas éticos.
2.1. Conceitos e Fundamentos de Inteligência Artificial
A Inteligência Artificial (IA) dedica-se à construção de sistemas capazes de simular a inteligência humana. Embora não exista consenso absoluto sobre sua definição, é possível compreendê-la como o conjunto de algoritmos e técnicas que permitem a máquinas aprender, raciocinar, tomar decisões e resolver problemas complexos (Quaresma; Capeça; Fialho, 2017).
As principais áreas da IA incluem o aprendizado de máquina (machine learning), que permite a sistemas aprender a partir de dados; o processamento de linguagem natural (NLP), voltado para a compreensão e geração de linguagem humana; os sistemas especialistas, que reproduzem processos de tomada de decisão de especialistas; a inteligência artificial generativa, capaz de criar textos, imagens e simulações. No campo educacional, essas tecnologias possibilitam aplicações diversas: desde a personalização do ensino com plataformas adaptativas, até a automatização da avaliação, o fornecimento de feedback em tempo real e a simulação de cenários complexos. Barrios-Tao, Díaz e Guerra (2023) argumentam que a IA não deve ser vista apenas como ferramenta auxiliar, mas como um agente transformador que redefine a própria finalidade da educação, exigindo equilíbrio entre inovação tecnológica e formação ética e crítica.
2.1.1. A IA na Educação Contábil Internacional
Ao discutir a inserção da IA na educação contábil em nível internacional, torna-se possível identificar as primeiras experiências, os modelos pioneiros e as tendências globais que têm moldado a área; tal recorte permite compreender como a temática foi desenvolvida fora do Brasil e serve como base comparativa para os estudos regionais e nacionais.
Os primeiros registros acadêmicos sobre IA aplicada ao ensino contábil datam da década de 1990. Baldwin (1995) foi pioneira ao propor o uso de sistemas especialistas para apoiar o aprendizado em auditoria e análise de relatórios financeiros; embora rudimentar, essa abordagem já apontava para o potencial da IA em expandir os métodos de ensino e romper com práticas tradicionais centradas na memorização.
Nas décadas seguintes, a literatura internacional evoluiu para explorar não apenas as aplicações técnicas da IA, mas também seus impactos pedagógicos. Ballantine, Boyce e Stoner (2024) descrevem a ascensão da IA como uma “crise que induz mudanças” na Educação Contábil, para os autores, a automatização de tarefas desloca a ênfase do ensino de atividades repetitivas para competências cognitivas superiores, como pensamento crítico, julgamento ético e visão estratégica.
Tandiono (2024), em uma revisão de literatura, destaca que grande parte dos estudos internacionais concentra-se em ferramentas isoladas, como robôs de software e sistemas de recomendação. Contudo, ainda são raras as abordagens que propõem modelos pedagógicos integrados, capazes de articular IA, metodologias ativas de aprendizagem e desenvolvimento de soft skills; essa lacuna aponta para a necessidade de repensar a IA como parte de ecossistemas educacionais mais complexos.
2.1.2. A IA na Educação Contábil na América Latina e no Brasil
Ao voltar o olhar para a América Latina e para o Brasil, observa-se um cenário marcado por desafios específicos, como limitações estruturais e culturais; essa análise é essencial para entender como a IA tem sido adotada no ensino contábil em países em desenvolvimento e quais barreiras precisam ser superadas.
Nessas localidades, o processo de integração da IA à educação contábil apresenta especificidades. Quiraque et al. (2024) identificaram que fatores como infraestrutura tecnológica, capacitação docente, cultura institucional e políticas regulatórias impactam diretamente a adoção de tecnologias nos cursos de graduação. Apesar dos avanços, persistem desafios significativos: muitas universidades ainda carecem de investimentos em laboratórios digitais, redes de internet de alta velocidade e programas de capacitação docente.
No Brasil, o cenário revela tanto avanços quanto limitações. Souza (2023), por exemplo, desenvolveu um modelo de classificação do pensamento crítico baseado em NLP, alcançando acurácia de 85% na análise de respostas discursivas. Esse resultado mostra que a IA pode apoiar a avaliação de competências complexas, fornecendo feedback automatizado e eficiente. Contudo, a pesquisa também ressalta a importância da mediação docente, uma vez que algoritmos dificilmente capturam nuances éticas e subjetivas do raciocínio humano.
2.2. Evolução do Ensino de Contabilidade e Tecnologias Educacionais
Compreender a evolução histórica do ensino de Contabilidade é fundamental para analisar como novas tecnologias, incluindo a IA, podem contribuir para superar lacunas do modelo tradicional; com esse panorama permitindo a visualização da transição de um ensino focado na técnica para uma formação que integra competências críticas, estratégicas e tecnológicas.
A Contabilidade, enquanto ciência social aplicada, historicamente priorizou a técnica em detrimento da reflexão crítica e da interdisciplinaridade. Como destacam Carvalho e Salotti (2012), o ensino contábil brasileiro concentrou-se, por décadas, em transmitir normas fiscais, societárias e tributárias, valorizando a execução de rotinas e procedimentos normativos; garantindo uma contribuição para a formação de profissionais competentes em atividades operacionais, mas deixando lacunas na formação analítica, crítica e tecnológica.
A partir dos anos 1980 e 1990, com a intensificação da globalização e a disseminação das tecnologias da informação, o ensino de Contabilidade começou a enfrentar pressões para se modernizar. O avanço da internet, da automação contábil e do uso de softwares especializados introduziu novas demandas para a formação acadêmica; nesse contexto, surgiram debates sobre a necessidade de desenvolver competências mais amplas, que incluíssem não apenas habilidades técnicas, mas também competências cognitivas, comunicacionais e éticas.
Marcelino e Morales-Acosta (2022; 2025) e Durso (2023) observam que a transformação do papel do contador no século XXI exige que o ambiente de ensino vá além da mera transmissão de conteúdo. O profissional contemporâneo é chamado a atuar como consultor estratégico, integrando informações financeiras, contábeis e não contábeis, e auxiliando organizações na tomada de decisão; implicando que as instituições de ensino superior devem revisar seus currículos, introduzindo metodologias inovadoras, tecnologias educacionais e perspectivas críticas sobre a profissão.
2.2.1. Evolução do Ensino de Contabilidade e Tecnologias Educacionais
Detalhando de forma mais aprofundada como a evolução do ensino contábil se articulou com o avanço das tecnologias educacionais, destacam-se mudanças curriculares e metodológicas ao longo das décadas; tal abordagem permite identificar os elementos que preparam o terreno para a inserção da IA no processo formativo.
A Contabilidade, enquanto ciência social aplicada, historicamente priorizou a técnica em detrimento da reflexão crítica e da interdisciplinaridade. Como destacam Carvalho e Salotti (2012), o ensino contábil brasileiro concentrou-se, por décadas, em transmitir normas fiscais, societárias e tributárias, valorizando a execução de rotinas e procedimentos normativos; garantindo uma contribuição para a formação de profissionais competentes em atividades operacionais, mas deixando lacunas na formação analítica, crítica e tecnológica.
A partir dos anos 1980 e 1990, com a intensificação da globalização e a disseminação das tecnologias da informação, o ensino de Contabilidade começou a enfrentar pressões para se modernizar. O avanço da internet, da automação contábil e do uso de softwares especializados introduziu novas demandas para a formação acadêmica; nesse contexto, surgiram debates sobre a necessidade de desenvolver competências mais amplas, que incluíssem não apenas habilidades técnicas, mas também competências cognitivas, comunicacionais e éticas.
Durso (2023) observa que a transformação do papel do contador no século XXI exige que o ambiente de ensino vá além da mera transmissão de conteúdo. O profissional contemporâneo é chamado a atuar como consultor estratégico, integrando informações financeiras, contábeis e não contábeis, e auxiliando organizações na tomada de decisão; implicando que as instituições de ensino superior devem revisar seus currículos, introduzindo metodologias inovadoras, tecnologias educacionais e perspectivas críticas sobre a profissão.
2.3. Modelos e Ferramentas de IA Aplicadas Ao Ensino-aprendizagem
Após compreender os fundamentos da IA e o contexto histórico da educação contábil, torna-se pertinente examinar as ferramentas práticas já utilizadas no ensino; esse tópico contribui para evidenciar como a tecnologia vem sendo aplicada em sala de aula e quais resultados têm sido alcançados.
Diversas ferramentas de IA vêm sendo aplicadas ao ensino de Contabilidade. Souza (2023) demonstrou a eficácia de classificadores automáticos em avaliações, enquanto Al-Hajaya et al. (2024) exploraram ferramentas generativas para criar estudos de caso personalizados, promovendo aprendizagem colaborativa. Já Avelar, Durso e Ferreira (2023) destacam que a gamificação associada à IA aumenta o engajamento dos estudantes, reduz a evasão e aproxima a sala de aula das demandas do mundo digital. Esses exemplos evidenciam que a IA pode atuar em diferentes dimensões: na avaliação, ao automatizar a análise de respostas; na mediação do ensino, ao criar ambientes adaptativos; na aprendizagem ativa, ao gerar simulações realistas e cenários de tomada de decisão.
2.3.1. Impactos da IA na Profissão Contábil e Implicações Curriculares
Além de influenciar diretamente o ensino, a IA também redefine a prática profissional da Contabilidade; essa discussão contribui para evidenciar como as mudanças tecnológicas impactam as competências exigidas pelo mercado e, por consequência, pressionam as instituições a atualizar seus currículos.
A aplicação da IA também já está transformando a prática profissional da Contabilidade. Han et. Al (2023), Stancu e Duțescu (2023) e Trincão (2023) apontam que tarefas como escrituração, conciliações bancárias e auditoria preliminar são progressivamente automatizadas; em contrapartida, cresce a valorização de competências interpretativas, como análise de dados, pensamento crítico e visão estratégica. As mudanças citadas impõem pressões sobre os currículos universitários, que precisam preparar estudantes para um mercado em que a técnica por si só não é suficiente. O contador contemporâneo deve ser capaz de interpretar informações em contextos complexos, dialogar com múltiplas áreas do conhecimento e tomar decisões baseadas em dados e julgamentos éticos.
2.3.2. Desafios, Dilemas Éticos e Perspectivas Futuras
Nenhuma inovação tecnológica está isenta de desafios, discutir os dilemas éticos e as perspectivas futuras da IA é essencial para garantir que sua adoção ocorra de forma crítica, responsável e equilibrada, sem comprometer valores humanos e acadêmicos.
Embora os benefícios da IA sejam amplamente reconhecidos, seu uso também levanta dilemas éticos e desafios práticos. Grácio (2023) evidencia que muitos profissionais da contabilidade temem pela segurança de dados, pela transparência dos algoritmos e pela possibilidade de substituição de funções humanas; esses receios reforçam a necessidade de adotar uma perspectiva crítica, que reconheça a IA como tecnologia complementar e não como substituta do trabalho humano.
Durso (2023) reforça que o papel docente deve ser constantemente repensado, exigindo formação continuada, domínio tecnológico e postura crítica diante das ferramentas digitais. Nesse sentido, a capacitação de professores torna-se um dos principais desafios para a efetiva integração da IA ao ensino contábil.
No horizonte futuro, Barrios-Tao, Díaz e Guerra (2023) defendem que a educação deve repensar seus próprios propósitos, privilegiando a formação ética, crítica e socioemocional, ao lado da capacitação técnica. Essa perspectiva sugere que os currículos de Ciências Contábeis precisam adotar abordagens híbridas, que combinem inovação tecnológica, humanização do ensino e compromisso com valores éticos.
3. METODOLOGIA
O presente trabalho caracteriza-se como de natureza aplicada, uma vez que busca refletir sobre a utilização da Inteligência Artificial (IA) no ensino de Contabilidade, propondo alternativas que possam auxiliar tanto no contexto acadêmico quanto profissional. Trata-se de um estudo qualitativo, sustentado por revisão sistemática de literatura, que privilegia a interpretação crítica da produção científica já existente, a fim de identificar tendências, lacunas e possíveis implicações pedagógicas para a formação em Ciências Contábeis. Essa escolha metodológica justifica-se pela complexidade do objeto de estudo: a integração da IA ao ensino não se reduz a números ou indicadores objetivos, mas envolve fatores pedagógicos, éticos, sociais e culturais que só podem ser devidamente compreendidos por meio de uma análise interpretativa.
A revisão sistemática de literatura foi adotada como estratégia central, permitindo reunir e organizar de forma crítica os principais achados acadêmicos sobre a temática. Inspirada em protocolos internacionais adaptados para as Ciências Sociais Aplicadas, como os de Kitchenham (2004), essa metodologia busca assegurar rigor, transparência e replicabilidade; o levantamento bibliográfico foi realizado em bases de dados nacionais e internacionais, como Google Acadêmico, Scopus, Web of Science e Scielo, privilegiando trabalhos publicados entre 2013 e 2024. O recorte temporal foi definido de modo a contemplar o período em que a Inteligência Artificial se consolidou como área de inovação tecnológica mais próxima do cotidiano acadêmico, sem deixar de considerar obras de caráter clássico, como a de Baldwin (1995), pioneira na discussão sobre o uso da IA no ensino contábil.
As palavras-chave utilizadas nas buscas foram definidas a partir de combinações em português, inglês e espanhol, contemplando termos como “Inteligência Artificial e Contabilidade”, “Artificial Intelligence in Accounting Education”, “Educação Contábil e tecnologia” e “AI and critical thinking in accounting”. Essa estratégia teve como objetivo ampliar o espectro de resultados e incorporar produções de diferentes contextos culturais e linguísticos, condição necessária para a compreensão de um fenômeno global como a IA. Após a coleta inicial, os trabalhos foram submetidos a critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Foram incluídos os artigos que tratassem especificamente da aplicação da IA na educação, especialmente no ensino de Ciências Contábeis, bem como aqueles que abordassem modelos pedagógicos inovadores, implicações curriculares ou impactos na formação profissional. Além dos artigos publicados em periódicos de relevância, também foram considerados trabalhos apresentados em eventos científicos, dissertações, teses e relatórios técnicos, desde que cumprissem padrões mínimos de qualidade acadêmica. Por outro lado, foram excluídos estudos que tratassem da IA de maneira tangencial, sem relação direta com a educação ou com a contabilidade, bem como publicações que não apresentassem revisão por pares ou que se mostrassem meramente opinativas.
Os dados obtidos foram organizados de acordo com informações como autor, ano de publicação, país de origem, objetivo, metodologia empregada, principais resultados e contribuições para a área. Essa sistematização permitiu a construção de categorias temáticas que orientaram a análise crítica, tais como: fundamentos conceituais da IA; aplicações da IA no ensino de Contabilidade; impactos curriculares e profissionais; dilemas éticos e limitações; perspectivas para a integração tecnológica no futuro.
A análise seguiu os princípios da análise de conteúdo, conforme Bardin (2011), o que possibilitou a interpretação não apenas dos conteúdos explícitos, mas também das dimensões implícitas nos textos, como preocupações éticas, tensões entre inovação e tradição e as diferentes visões de professores, estudantes e profissionais da contabilidade. Essa abordagem foi combinada com a triangulação teórica, buscando confrontar estudos de contextos diversos, de modo a evitar vieses regionais e ampliar a validade dos resultados. Ainda que a pesquisa tenha se pautado em protocolos sistemáticos, reconhece-se que a revisão bibliográfica carrega limitações inerentes; a primeira diz respeito ao próprio recorte temporal, que pode ter excluído contribuições relevantes anteriores a 2013, embora referências clássicas tenham sido resgatadas. Outra limitação está associada ao acesso às bases de dados: ainda que tenham sido utilizadas plataformas de ampla cobertura, é possível que determinados trabalhos não tenham sido localizados, especialmente em periódicos de circulação restrita. Soma-se a isso o caráter interpretativo da análise, que, por mais rigorosa que seja, não elimina a presença de subjetividade do pesquisador.
Apesar dessas limitações, a metodologia escolhida mostra-se adequada aos objetivos da investigação. Como defendem Creswell (2014) e Sampieri et al. (2013), a pesquisa qualitativa é apropriada para explorar fenômenos emergentes e em constante transformação, como é o caso da adoção da IA no ensino de Contabilidade. Ao sistematizar os achados da literatura e interpretá-los criticamente, o estudo não apenas descreve o estado da arte, mas também propõe reflexões que podem orientar docentes, gestores e formuladores de políticas públicas na construção de currículos mais inovadores, críticos e alinhados às demandas contemporâneas.
Assim, a metodologia adotada cumpre dupla função: de um lado, organiza e sintetiza o conhecimento já produzido sobre a relação entre IA e Educação Contábil; de outro, fornece subsídios para que novas pesquisas, especialmente de caráter empírico, possam aprofundar a compreensão sobre como essa tecnologia pode ser aplicada de forma ética, eficaz e humanizada na formação de futuros profissionais da área.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A revisão sistemática da literatura, realizada entre 2013 e 2024, evidencia que a Inteligência Artificial (IA) tem um impacto multifacetado no ensino de Contabilidade, redefinindo o papel de docentes e discentes e exigindo uma reestruturação curricular.
Autor(es) | Ano | País/origem | Objetivo | Resultados |
Baldwin, A. A. | 1995 | Estados Unidos | Integrar IA ao currículo | Proposta de sistemas especialistas em auditoria e análise financeira |
Avelar; Durso; Ferreira | 2023 | Brasil | Associar gamificação e IA no ensino | Gamificação com IA aumenta engajamento e reduz evasão |
Grácio, L. C. | 2023 | Portugal | Percepções de contabilistas sobre IA | Reconhece eficiência, mas aponta riscos (dados, ética, substituição) |
Souza, M. C. | 2023 | Brasil | Aplicar IA na avaliação de pensamento crítico | 85% de acurácia na classificação de respostas |
Stancu & Duțescu | 2023 | Romênia | Impactos da IA na profissão | Mostram automação crescente em tarefas repetitivas |
Trincão, I. N. | 2023 | Portugal | Mudanças e perspectivas da profissão | IA transforma funções tradicionais do contador |
Al-Hajaya et al. | 2024 | Internacional | Avaliar IA generativa no ensino | IA generativa estimula soft skills (colaboração, empatia, resolução de problemas) |
Ballantine, J.; Boyce, G. | 2024 | Internacional | Revisar papel da IA na educação | IA como “crise indutora de mudanças” no ensino |
Tabela 1 - Panorama da produção científica sobre IA na Contabilidade
Em alguns casos, a origem geográfica das produções não pôde ser definida com precisão, razão pela qual determinadas pesquisas foram classificadas de forma geral como “internacional”, essa limitação decorre da própria natureza das bases de dados consultadas e não compromete a análise dos resultados. Fonte: autoral.
Os resultados obtidos a partir da análise dos artigos categorizados podem ser agrupados em cinco dimensões principais: otimização do processo de ensino-aprendizagem; integração curricular; desenvolvimento de competências socioemocionais; desafios e limitações; o impacto na profissão contábil e na formação acadêmica.
A primeira dimensão, a otimização do processo de ensino-aprendizagem, é o impacto mais evidente, já que o uso da IA possibilita um feedback personalizado e em tempo real, um dos principais benefícios apontados na literatura. Modelos como o proposto por Souza (2023) demonstram a eficácia da IA em classificar o nível de pensamento crítico em respostas discursivas de estudantes, alcançando 85% de acurácia em comparação com avaliações manuais. Essa capacidade de automação da avaliação formativa libera o docente de tarefas repetitivas, permitindo que ele se concentre em atividades de maior valor agregado, como a mediação de debates e a elaboração de estratégias pedagógicas mais eficazes. Além disso, a IA pode identificar dificuldades específicas dos alunos e sugerir materiais de estudo complementares, personalizando a trajetória de aprendizado de cada um. A pesquisa de Avelar, Durso e Ferreira (2023) reforça essa ideia, mostrando que a combinação de gamificação e IA aumenta o engajamento dos estudantes, tornando o aprendizado mais atrativo e imersivo.
O estudo de Grácio (2023) mostra que, embora os profissionais da área reconheçam os ganhos de eficiência, eles expressam preocupações com esses riscos. Nesse sentido, é crucial que as instituições de ensino adotem uma abordagem consciente, que integre a IA sem perder o foco crítico e ético. A análise de Stancu e Duțescu (2023) reforça que a formação ainda está muito ligada à abordagem técnica, o que gera uma pressão para que as universidades incorporem habilidades em análise de dados, inteligência cognitiva e pensamento estratégico. Esse panorama dialoga diretamente com a prática acadêmica da UENP, apontando para a necessidade de atualização metodológica e curricular para alinhar o ensino às demandas do mercado global.
A segunda dimensão, a integração curricular, mostra que a IA está redefinindo o que se espera de um profissional de contabilidade. A literatura revisada destaca que o uso da IA em cursos de Ciências Contábeis fortalece a interdisciplinaridade, preparando os alunos para contextos mais dinâmicos e tecnológicos; a automação de tarefas de baixa complexidade, como escrituração e conciliações, exige que o foco da formação seja deslocado para habilidades analíticas, estratégicas e de tomada de decisão. Nesse sentido, o currículo tradicional, focado na legislação e em procedimentos técnicos, é considerado insuficiente, a nova proposta curricular deve incorporar não apenas o domínio de softwares inteligentes, mas também a capacidade de interpretar grandes volumes de dados (big data) e aplicar a IA em funções como auditoria e análise financeira. A pesquisa de Quiraque et al. (2024) sobre a adoção de tecnologias na América Latina reforça a necessidade de revisão periódica do currículo para incorporar novas ferramentas.
A terceira dimensão, o desenvolvimento de competências socioemocionais (soft skills), emerge como um impacto relevante. Estudos recentes, como o de Al-Hajaya et al. (2024), indicam que o contato com ferramentas de IA, especialmente as generativas, estimula competências como adaptabilidade, colaboração e resolução de problemas; ferramentas generativas podem ser usadas para criar estudos de caso personalizados, simulações de clientes e roteiros de apresentações orais, o que favorece o desenvolvimento de habilidades de comunicação e trabalho em equipe. Essa perspectiva humaniza o ensino ao utilizar a tecnologia como meio para o desenvolvimento de habilidades que complementam o conhecimento técnico e são essenciais no mercado de trabalho. A análise dos resumos reforça que a IA não elimina a necessidade de habilidades humanas, mas as valoriza, pois o profissional precisa de capacidade interpretativa, interação humana e ética profissional para ter sucesso em um ambiente automatizado.
A quarta dimensão, os desafios e limitações, é uma constante na literatura. A falta de infraestrutura tecnológica adequada e a resistência de alguns docentes ainda constituem barreiras significativas para a implementação plena da IA no ensino. Muitos docentes, por não estarem familiarizados com as novas tecnologias, podem ter dificuldade em integrá-las de forma eficaz. A dependência tecnológica e a falta de políticas claras também são pontos de atenção e, além disso, surgem dilemas éticos, como a segurança de dados, a transparência dos algoritmos e o risco de substituição de funções humanas.
Por fim, a quinta dimensão, o impacto na profissão contábil, é a mais significativa e serve de base para as demais. A IA está transformando a profissão contábil, movendo-a de uma base operacional para uma base analítica e estratégica. Tópicos como automação de tarefas repetitivas, análise de dados e consultoria ganham importância, enquanto a contabilidade tradicional se torna cada vez mais automatizada. A transição do papel do contador de “guarda-livros” para “consultor de negócios” é um tema central na literatura, esse novo perfil profissional exige que a formação acadêmica prepare os alunos para assumir um papel de maior valor agregado, marcado pelo pensamento crítico, tomada de decisão e suporte consultivo às organizações.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo analisou os impactos da Inteligência Artificial no ensino de Contabilidade a partir de uma revisão sistemática de literatura nacional e internacional publicada entre 2013 e 2024. O problema de pesquisa proposto, compreender como a IA tem influenciado o ensino contábil e de que maneira pode ser integrada de forma crítica e responsável, foi respondido por meio da sistematização de evidências que apontam para uma tecnologia ao mesmo tempo promissora e desafiadora. Constatou-se que a IA contribui para personalizar a aprendizagem, potencializar o pensamento crítico e aproximar a formação acadêmica das exigências do mercado. Contudo, também se verificou que a sua adoção enfrenta barreiras estruturais, como falta de infraestrutura e capacitação docente, além de dilemas éticos relacionados à privacidade e autonomia profissional.
A partir da análise detalhada da literatura, conclui-se que a Inteligência Artificial (IA) não é apenas uma ferramenta auxiliar, mas um agente transformador no ensino de Contabilidade. Seus impactos vão além da otimização de processos, alcançando a reestruturação curricular, o desenvolvimento de habilidades essenciais e a redefinição da própria identidade profissional do contador.
Considerando que a IA otimiza significativamente o processo de ensino-aprendizagem, já que oferta a capacidade de fornecer feedback personalizado e instantâneo (como demonstrado por modelos que classificam o pensamento crítico dos alunos), libera os docentes de tarefas rotineiras, permitindo que eles se dediquem a atividades de maior valor pedagógico. Essa personalização torna o aprendizado mais eficaz, pois a IA pode identificar as dificuldades individuais de cada estudante e sugerir materiais complementares específicos. Além disso, a integração da IA com a gamificação aumenta o engajamento dos alunos e torna o ensino mais dinâmico e atrativo.
Em conjunto com essa otimização, a IA impõe uma revisão curricular profunda; com a automação de tarefas operacionais, o foco da formação contábil deve migrar de habilidades técnicas repetitivas para competências humanas complexas, como o pensamento crítico, o raciocínio ético, a análise de dados e a visão estratégica. A literatura revisada destaca que o contador do futuro não será apenas um executor, mas um consultor capaz de interpretar informações, dar suporte à tomada de decisão e lidar com os desafios complexos das organizações. Nesse sentido, as instituições de ensino, como a UENP, precisam alinhar seus programas de graduação às demandas do mercado global, que valorizam a interdisciplinaridade e o domínio de novas tecnologias.
A pesquisa ressalta que o contato com a IA no ambiente de aprendizagem contribui para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais; ao utilizar ferramentas generativas em simulações e estudos de caso personalizados, os alunos aprimoram competências como comunicação, colaboração e criatividade. A IA, nesse contexto, atua como um catalisador para a aprendizagem ativa, colocando o estudante no centro do processo e incentivando uma postura proativa e adaptável. O papel do docente, por sua vez, evolui para o de mediador e facilitador, um guia que auxilia os alunos a navegarem pelo vasto volume de informações e a desenvolverem uma reflexão crítica sobre o uso da tecnologia.
No entanto, a plena integração da IA não está isenta de desafios: a pesquisa aponta para a falta de infraestrutura tecnológica e para a resistência de alguns professores como barreiras importantes; trabalhando com as questões éticas, como a segurança de dados e a transparência dos algoritmos, estas exigem uma abordagem cautelosa e a criação de políticas institucionais claras para o uso ético da tecnologia. A IA deve ser vista como uma ferramenta que complementa e amplia as capacidades humanas, e não como uma substituta do julgamento profissional e do raciocínio crítico.
Em suma, a Inteligência Artificial é um vetor de inovação para a educação contábil, já que a sua integração no currículo contribui para a formação de profissionais mais completos, capazes de lidar com o dinamismo do mercado e de agregar valor às suas atividades. Este estudo reforça a relevância de se alinhar o ensino superior às inovações tecnológicas, de forma a preparar futuros contadores para uma realidade onde a interação homem-máquina será cada vez mais necessária. O caminho a seguir envolve um esforço conjunto de instituições de ensino, docentes e estudantes, com investimento em infraestrutura, capacitação contínua e a adoção de uma postura crítica e humanizada diante da tecnologia. O futuro da profissão contábil dependerá, em grande parte, da capacidade do ambiente acadêmico de formar profissionais com um novo perfil, que una a excelência técnica à capacidade analítica, estratégica e ética, essenciais no século XXI.
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1 Docente, Doutor em Educação, Universidade Estadual do Norte do Paraná, Cornélio Procópio, Paraná, Brasil. E-mail: [email protected].
2 Graduanda em Ciência da Computação, Universidade Estadual do Norte do Paraná, Bandeirantes, Paraná, Brasil. E-mail: [email protected]
3 Graduando em Ciências Contábeis, Universidade Estadual do Norte do Paraná, Bandeirantes, Paraná, Brasil. E-mail: [email protected]