O EGOÍSMO DE UMA SOCIEDADE QUE É MESTRA EM “ME DÁ, ME DÁ, ME DÁ”, MAS QUE TEM DIFICULDADE EM DIVIDIR. UM ENSAIO E UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA DO FILME “O POÇO”


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10442917


Antônio Adônnis Sátiro de Souza1


RESUMO
Estudar o comportamento de uma sociedade que está cada vez mais preocupada com os interesses individuais, é o que motiva um pesquisador a realizar trabalho no campo das atitudes de grupos específicos. Quando se observa o pensamento acerca da ‘origem da desigualdade entre os homens’ em Rousseau (1712-1778), faz-se um contraste com os interesses políticos de uma sociedade que está se formar no âmbito da individualidade e do crescimento da ambição e dos sentimentos de orgulho e poder. Assistir ao “O Poço” é um exercício de compreensão do comportamento de uma sociedade marcada pela desigualdade normalizada por conceitos políticos de décadas de opressão e de divisões injustas de renda e de direitos. O materialismo histórico, trabalhado em Marx e a dialética discutida em Weber são postas à prova quando se observa que em 2020 um filme é lançado e apresenta conceitos relacionados à formação e a consciência social de uma sociedade que se preocupa unicamente no interesse individual, e que demostra que se ‘a farinha for pouca, farei primeiro o meu pirão’ ainda é um atributo intrínseco do ser humano, que não deixa de ser individualista, mesmo quando as mazelas da sociedade atual depõem contra.
Palavras-chave: Individualismo. Sociedade em decadência. Estado primitivo. Canibalismo.

ABSTRACT
Studying the behavior of a society that is increasingly concerned with individual interests is what motivates a researcher to carry out work in the field of attitudes of specific groups. When one observes the thought about the 'origin of inequality between men' in Rousseau (1712-1778), a contrast is made with the political interests of a society that is being formed within the scope of individuality and the growth of ambition and feelings of pride and power. Watching “O Poço” is an exercise in understanding the behavior of a society marked by inequality normalized by political concepts from decades of oppression and unfair divisions of income and rights. Historical materialism, worked on in Marx, and the dialectic discussed in Weber are put to the test when it is observed that in 2020 a film is released and presents concepts related to the formation and social consciousness of a society that is concerned solely with individual interests, and that demonstrates that 'if there is little flour, I will make my pirão first' is still an intrinsic attribute of the human being, which remains individualistic, even when the ills of current society speak against it.
Keywords: Individualism. Society in decadence. Primitive state. Cannibalism.

Introdução

Nas duas últimas décadas o Brasil viveu um cenário político que pouco se compara ao que já foi vivenciado na história da sua ascensão democrática que começou com a redemocratização no início dos anos 1980. Nasceu no país uma coragem de romper com o silêncio que havia sido posto pela Constituição Federal, no sentido de coibir atos que atentasse contra os bons costumes e contra aquilo que inflamasse o ego do indivíduo médio. O ponto de vista do outro, a aceitação do que pensa diferente, o respeito ao desejo daqueles que tem particularidades pessoais e convicções próprias além do que já foi criado e produzido cada vez mais deixou de ser levado em consideração. As pessoas têm escolhido deturpar os ideais que até então, por força de lei, eram considerados consenso, e tem restado para último plano a barbárie. Essa falta de respeito com princípios e acordo antes estabelecidos, tem causado a quebra destes protocolos de civilidade sem nenhum pudor ou receio, o que implica na quebra de um contrato social, que deveria ser soberano ou pelo menos um balizador do comportamento humano.

Este ensaio, objetiva estudar o enredo da história e o individualismo dos personagens do filme “O Poço”, estreado em 2020 na plataforma de stream Netflix, e fazer uma comparação do comportamento social dos personagens deste filme com o posicionamento político e social da sociedade brasileira nos últimos anos, referendando esses ideais de liberdade de respeito mútuo.

Serão feitas comparações de comportamentos sociais com o séculos anteriores pelo mundo, estudadas através das de histórias contadas por personagens como JJ Rousseau e Thomas Hobbes ao definirem o conceito de igualdade e convivência entre as pessoas, fazendo alguns comparativos com os acontecimentos representados no filme em questão, e aludidos aos fatos da atualidade, em uma abordagem política evidenciada pelos fatos sociais contemporâneos em uma espécie de materialismo dialético, de base materialista, que procura, por meio de um método dialético, compreender as transformações sociais que ocorrem na sociedade, sendo este de alguma forma indissociável do materialismo histórico.

No decorrer do texto, será possível observar as ações e o comportamento de uma sociedade marcada pelo “estado natural” caótico e destrutivo sob o qual a existência humana tem sido construída, seja pelo jogo de interesses ou pela falta dele, seja pela alienação ideológica observada por Marx no sentido de acreditar nos ideais alheios, e quando este falhar, buscar puramente o desejo pessoal e obsessivo de querer tudo para si, sem observar que é possível haver o respeito ao pensamento diverso.

Este trabalho é descrito em três momentos: situação, detalhe e resultado, cada um destes momentos permeiam o filme e as suas principais cenas. Foi utilizada a pesquisa bibliográfica de caráter exploratória quanto aos objetivos. Com relação à fonte de informação utilizado o enredo do filme “O Poço” em epígrafe, e quando aos estudos de resultados, compreende-se a busca pela dialética com base na história e nos acontecimentos recentes o que faz o estudo tornar-se material e histórico. Os resultados fazem um apanhado do sentido do filme e do entendimento a partir do ponto de vista de uma sociedade contemporânea com resquícios de cansaço político, marcado pelo abuso de poder econômico da sociedade que já não acredita mais que é possível haver mudança.

O filme. O que esperar?

Um choque de realidade para a sociedade! Este é o primeiro sentimento ao assistir a este filme na Netflix em uma tarde de sábado.

Crítica social, metáforas, verdades embutidas, entrelinhas sobre as quais precisamos nos sentar e durante alguns minutos tentar digerir, porque além de verdades jogadas na cara do ‘cidadão provinciano’ de classe média, que não gosta de ser chamado de classe trabalhadora (Chauí, 2015) que se acha dono do conhecimento do sistema. Este filme traz um senso de moral e de compaixão tão grandes que nos diz exatamente o que é óbvio: que nós não somos tão bons o quanto achamos que somos e nem temos comportamentos tão justos como queremos ter, ou com pelo menos o que sonhamos ter.

O Poço, desperta no telespectador a incrível capacidade de sensibilizar-se diante de um fato crítico social presente, mas muito bem camuflado no ser humano do século XXI: o de ser essencialmente mau, dadas as circunstâncias, capaz de epistemologicamente apresentar a tipificação de uma sociedade ainda primitiva, desprovida de evolução, com problemas sociais tão bem analisados por Auguste Comte quando catalogou a evolução inevitável da natureza humana, e logo depois mais a fundo investigado por Durkheim que pôde comparar os típicos objetos de estudo no campo da sociologia moderna.

É um filme espanhol, que tem uma narrativa diferente de tudo o que já foi visto.

Situação: Em uma prisão vertical, tem um cubículo onde duas pessoas são enjauladas, cada uma de um lado da sala, com uma abertura no centro por onde passa uma plataforma que ‘serve as refeições’ uma vez por dia de acordo com o andar da em que a cela se localiza e que decresce em escala vertical. Os prisioneiros, são colocados em celas escolhidas pelo sistema de acordo com o algoritmo próprio, este julga em qual andar o indivíduo deve ser alocado. À medida que aprofunda da superfície em celas cujo números sejam mais altos, aumenta o grau de dificuldade para se alimentarem, pois os prisioneiros que estão imediatamente mais acima, se alimentam antes. Estes recebem a mesa farta, arrumada, posta toda sorte de pratos, mas estes comem tudo, até mesmo o que não precisa, e depois, passam a sobejar à mesa, e os últimos passam fome. Não adianta tentar se comportar como um bom colega para o colega da cela, pois de todo modo no dia seguinte, amanhecer-se-á em uma posição diferente na sela e quase sempre mais abaixo do que a posição atual. Se em um dia era 40, no dia seguinte poderia ser 80, sem explicações adjacentes.

Detalhe: em ordem crescente o banquete é encaminhado de forma indubitavelmente impecável, em quantidade suficiente para todos os presos, com pratos destinados especificamente à preferência cada um, de acordo com o seu desejo apresentado na entrevista de ingresso ao poço, conforme o seu paladar lhe agrade. Em tese, se quem está no vigésimo andar inferior gosta de macarrão, lhe é colocado um caprichado espaguete na plataforma ao sair da cozinha.

O caos começa logo no primeiro andar: quem está acima, com ganância e muito egoísmo se farta, de tudo o que tem na mesa, e depois de fartos, desperdiça, joga fora, pisa em cima, sapateia, na comida que vai para os outros, e tantas outras nojeiras mais... enquanto aqueles dos níveis inferiores, comem o que sobra, faz ainda pior do que fora feito na sua comida, e esta continua descendo. E tudo acontece mesmo sabendo que no dia seguinte, por ordem de sorteio do algoritmo, poderão estar em qualquer um dos andares, até mesmo no último, em que a comida não chega.

Resultado: A grande maioria passa fome e não tendo mais o que comer se tornam suscetíveis à toda sorte de aventura para se alimentar, e por faltar comida, a situação os torna essencialmente o que são: pessoas com senso limitado de tolerância, desumanos, obstinados pela fome, pelo desespero e desprezo que se tornam, em uma escala surpreendente, canibais! Neste momento o ser humano retorna ao seu estado de natureza: mau, violento, destrutivo, caótico que esquece todos acordos e condições morais que receberam. O indivíduo passa a agir como uma fera, puramente instintiva.

O que mais choca neste longa, é a convicção de que tudo pode ser real, a aceitação de que os fatos contados através da tela, é essencialmente o desejo de boa parte da sociedade.

É possível refletir quanto ao número de pessoas não pensam apenas em si, ajuntam tudo o que pode, que nem precisam, ou desperdiça o que não pode ser seu, para que outros não tenham acesso.

Esta cena faz relembrar um cenário de caos pela sobrevivência que ocorreu em um passado próximo, com invasões e saques em supermercados2, um fato na história recente do país, e que de vez em quando se repete.

A iminente possibilidade de tornar escasso ou nulo o fornecimento de alimentos em supermercados ou combustíveis, traz à tona o instinto de selvageria do homem, de aumentar o preço a condições estratosféricas, (a exemplo do preço do álcool em gel 70% , no início da crise sanitária da pandemia do novo Coronavírus em março de 2020), arrancar à força, saquear e por fim assassinar para satisfazer os seus desejos e necessidades básicas pessoais ou do grupo social em que se abriga, seja sua casa, sua família ou seu bando, ou seja, as pessoas que têm um laço de afinidade. Esse tipo de atitude tem sido discutido por muitas pessoas de muitas formas, como se fosse uma opção, pois no campo político, essa atitudes se repetem quando um partido político não aceita a derrota do outro, neste cenário o partido derrotado, se recusa a aceitar o bom senso que emana da coletividade.

O cenário de falta de comida nos andares mais profundos de “O Poço”, desencadeou o mesmo sentimento de desespero pela fome das pessoas que se alimentaram de carne humana3 em 1972, sobreviventes do voo 571 da Força Aérea Uruguaia em 13 de outubro daquele ano e ficou conhecido como “Tragédia dos Andes”. O avião caiu sobre as montanhas de gelo, e as pessoas sobreviventes, em um cenários de caos e total desespero pela falta de comida, se alimentaram de carne humana em um movimento antropofágico.

Aquele ‘Contrato Social’ que Rousseau (1712-1778) menciona, que deveria conter a liberdade natural do homem, o seu bem estar e a segurança preservados, passa a ser impossível e caracteriza ainda mais o instinto de maldade diante destes cenários e extrema escassez de comida ou de violência.

A sociedade como se conhece hoje, com limitações impostas e mesmo com esforços nulos tenta driblar o caos e de algumas formas diferentes tentam corrigir a falha da massa e o egoísmo desta, são abordados neste filme com vãs tentativas de mostrar que o interesse coletivo pode ser preservado desde que cada um faça a sua parte.

Por fim, a imposição da força como forma de estabelecer a ordem, o diálogo e a manipulação são abordados da forma como as sociedades se comportam, e este filme veio mostrar que, mais do que nunca é possível que todos tenham o necessário para se manter, e ajudar o outro a fazer o mesmo, desde que cada um faça a sua parte, evite o desperdício e pense no bem-estar do próximo. Este é o papel do Leviatã proposto por Hobbes (1651), sendo uma forma - diga-se de passagem, profética para se analisar a política e o poder do século XXI, pois se no início do século XVII, a Europa, mais precisamente a Inglaterra passou por um período conturbado, na política, na religião e em seu cenário cultural, o Brasil vem passando pelas mesmas crises no início do século XXI, quando observa-se que parte da igreja cristã vem tomando posicionamentos incompatíveis com o que tem sustentado a respeito da paz e do amor ao próximo ao longo de mais de dez séculos, a democracia no campo político vem sendo atacada como nunca foi nos últimos [quase] quarenta anos, desde a redemocratização do país em 1985, a cultura tem sido alvo de desmonte se não pior, o que é incompatível com as ideias que a fundaram na década de 1930 quando o pensamento da Escola de Frankfurt era combater as ideias radicais e conectar o criticismo social, ao formato de pensamento libertário que viria emancipar o livre pensamento.

No momento que Hobbes pensa o Leviatã como homem, uma figura humana que fosse capaz de estabelecer a paz por meio de pulso firme, que estabeleça o que fora acordado em um “Pacto Social”, através do qual, as pessoas concedem poderes a este “ser mitológico”, que nesta alegoria ensaísta bem pode ser chamado de “Constituição Federal” que regula e dá as instruções para a ação do ser escolhido para tomar as decisões e justificar os seus feitos com uma justificativa teórica que vem adequar a lógica de poder de toda a sua estrutura.

Este “leviatã” no filme está implícito, mas é possível compreender que ‘alguém’ está ali por trás de tudo estabelecendo regras e limites inclusive para regular os desejos das pessoas que ali entraram, ainda que para experimento e que tenham se submetido a isso como o caso do protagonista Goreng, interpretado pelo ator espanhol Ivan Massagé.

Considerações Finais

O Poço é um filme para assistir despido de preconceitos. É preciso deixar de lado por um momento as convicções políticas, e deixar que a história lhe transporte para um mundo em que a empatia esteja presente, contra a o egoísmo, que de acordo com Hobbes, - é papel do Leviatã, - lutar contra a sua própria vontade e os seus desejos desde que este seja uma vontade da maioria.

Da mesma forma que o personagem Trimagasi, aceita as regras, as compreende e as aceita para sobreviver, ele tenta de uma forma amistosa ensinar ao colega que deve aceitar o “óbvio” ou seja, deve seguir as regras para continuar vivo. O ancião da cela, tentou ensinar ao novo hóspede que a trapaça não era tolerada no sentido de mostrar que existem consequências para desobediência ao que está posto, da mesma forma que há a punição para os contraventores das regras postas por aquele sistema carcerário.

E se ao fim deste filme, ainda não sentir nada que lhe toque ou lhe faça refletir, compare as cenas do filme ao cenário da sociedade atual, analise o contexto de disputa pela terra, pelo poder, por ter e observe a história vivida em “O Poço” assista de novo e de novo. Reveja quantas vezes forem necessárias, até compreender que não adianta olhar para o próprio umbigo quando estão todos submersos em um único sistema, que para ser minimamente perfeito, é necessário que cada um compreenda qual o seu papel e o seu propósito na sociedade organizada. É preciso que cada um toma consciência do seu papel e de todas as formas, respeite o ponto de vista do outro indivíduo, sem tomar partido sobre o que o outro gosta, come, defende, apoia, se relacione, viva ou sinta. Ao fazer observação deste princípio, pode-se evitar o cenário de “O Poço”.

Esse filme se encerra mostrando o significado de democracia, sem a necessidade de definições literárias e sem romper os limites do bom senso, do respeito e das decisões de maioria. As leituras de Rousseau, Hobbes, Chauí, servirão como base para dar a sustentação às razões pelas quais toda sociedade é composta de diversidade que precisa se reunir em torno de um contrato social eficaz e justo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6022: artigo em publicação periódica científica impressa-apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

CHAUÍ, Marilena. 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. São Paulo : Boitempo Editorial, 2015.

HOBBES, Thomas. Leviatã. Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. (Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva). 3. ed. São Paulo: AbrilCultural, 1983. Col. Os Pensadores.

MARX, Karl. Manuscritos EconómicoFilosóficos. Lisboa : Grupo Almedina (Portugal), 2017.

O POÇO. (Filme). Produção de Galder Gaztelu-Urrutia. Roteiro: David Desola, Pedro Rivero. Título original El hoyo. Lançamento no Brasil: 2019, Netflix (94min) / Filmes de suspense. Classificação, 16 anos.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. A origem da desigualdade entre os homens [tradução de Eduardo Brandão]. 1ª ed. São Paulo : Penguin Classics Companhia das Letras, 2017.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social [tradução Ana Resende]. São Paulo : Martin Claret, 2013.

WEBER, Max. Metodologias das Ciências Sociais. Tradução Augustin Wernet; introdução à edição brasileira de Maurício Tragtenberg. São Paulo : 1ª ed. Cortez, 2022.


1 Professor Assistente no Centro Universitário de Goiás/Goiânia-GO. Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação pela MUST University, Flórida, EUA. Licenciado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário ETEP/SP. Graduado em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade de Educação e Ciências Humanas da Universidade Metropolitana de Santos - FECH/UNIMES-SP. Tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos pela UNIDERP. Lattes:  http://lattes.cnpq.br/3701750444824795 - Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7147-8093. E-mail: [email protected]

2 https://www.msnoticias.com.br/editorias/geral-ms-noticias/fome-provoca-caos-no-rj-pessoas-invadem-e-saqueiam-supermercado/136481/

3 https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/10/13/acidente-aereo-que-obrigou-sobreviventes-a-comer-carne-humana-para-nao-morrer-completa-50-anos.ghtml