REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789947416
RESUMO
O presente trabalho aborda o desenvolvimento de materiais paradidáticos contextualizados ao Semiárido brasileiro, buscando articular arte, literatura, agroecologia e convivência. O estudo tem como objetivo analisar e sistematizar o processo de desenvolvimento do universo narrativo iniciado com o livro Caquito e posteriormente ampliado para o Caquito e o Sinal do Mandacaru, a Trilha dos Solos, a Trilha Ecológica e o Livro Dente de Leão no Sertão. A pesquisa fez uso da abordagem qualitativa e quanto aos seus objetivo optou-se pela perspectiva descritiva para a sistematização de todas as etapas realizadas pela pesquisadora. Os materiais apresentam personagens do bioma Caatinga e tecnologias sociais para convivência com o semiárido, com linguagem acessível e enfoque artístico. O processo incluiu transposição didática, ilustração digital e diagramação independente. Os resultados evidenciam o amadurecimento do universo artístico-pedagógico compartilhado, que possibilita diferentes mediações acerca dos conhecimentos relacionados ao território. Conclui-se que a integração entre arte, literatura e agroecologia amplia as possibilidades de criação de materiais contextualizados, buscando o fortalecimento do vínculo das crianças com seu território, promovendo letramento, educação ambiental e valorização da cultura local.
Palavras-chave: educação contextualizada; agroecologia; materiais paradidáticos; literatura infantil; transposição didática.
ABSTRACT
This study addresses the development of educational materials contextualized to the Brazilian Semiarid region, seeking to articulate art, literature, agroecology, and coexistence. The study aims to analyze and systematize the development process of the narrative universe initiated with the book Caquito and subsequently expanded to Caquito e o Sinal do Mandacaru, Trilha dos Solos, Trilha Ecológica, and the book Dente de Leão no Sertão. The research adopted a qualitative approach and, regarding its objectives, a descriptive perspective was chosen to systematize all the stages carried out by the researcher. The materials feature characters from the Caatinga biome and social technologies for coexistence with the Semiarid region, using accessible language and an artistic approach. The process included didactic transposition, digital illustration, and independent layout design. The results demonstrate the maturation of a shared artistic-pedagogical universe that enables different forms of mediation concerning knowledge related to the territory. It is concluded that the integration of art, literature, and agroecology broadens the possibilities for creating contextualized materials, seeking to strengthen children’s connection with their territory while promoting literacy, environmental education, and the appreciation of local culture.
Keywords: contextualized education; agroecology; educational materials; children’s literature; didactic transposition.
1. INTRODUÇÃO
Durante muito tempo, o Semiárido brasileiro foi representado a partir da seca, expondo apenas a escassez, o que contribuiu para a construção de estereótipos acerca da região, reduzindo a sua grande biodiversidade, potencialidades e saberes desenvolvidos em cada território.
Quando partimos para o campo educacional, essa representação se faz presente e é reforçada à medida que os materiais adotados pelas escolas se apresentam descontextualizados com a realidade dos estudantes. Por mais que esses materiais sejam importantes para a organização do que cada turma precisa aprender, infelizmente nem sempre contemplam as particularidades existentes nos diferentes territórios, principalmente quando voltamos o nosso olhar para o contexto do semiárido. Esse distanciamento pode dificultar o desenvolvimento e reconhecimento dos estudantes como espaço de produção de conhecimento e comprometer também as aprendizagens significativas. Ao buscar a contextualização desses conhecimentos, as potencialidades e fragilidades do território transformam-se em objetos de estudo socialmente referenciados, com vistas ao desenvolvimento integral em suas dimensões humana, social, econômica, cultural e política (Reis; Silva, 2026).
Diante disso, a educação contextualizada para a convivência com o Semiárido apresenta-se como um dos caminhos de valorização dos saberes locais, práticas culturais, biodiversidade e dos conhecimentos construídos ao longo dos anos pelas comunidades, permitindo que os estudantes sejam inteirados dos desafios e das potencialidades que existem na região, sejam nas formas de organização, tecnologias desenvolvidas e/ou conhecimentos e práticas relacionados à convivência.
A agroecologia, mais do que um conjunto de práticas produtivas, dialoga com essa compreensão, pois busca compreender o território de maneira integrada, objetivando a valorização dos conhecimentos científicos e os saberes construídos pelos sujeitos. Nesse sentido, temas relacionados à água, solo, meio ambiente, tecnologias sociais, alimentação, conservação e dentre outros podem ser levados para a sala de aula, não como uma realidade distante, mas articulado com as experiências e vivências dos estudantes e comunidade.
Todavia, reconhecer a necessidade de uma educação que considere a realidade do estudante não é o suficiente, e sim o ponto de partida para reflexões e práticas de uma educação contextualizada e para o planejamento e desenvolvimento de materiais capazes de abordar conhecimentos e experiências educativas sensíveis e significativas. É importante destacar que esse processo não se limita apenas a seleção do que aprender (conteúdos), mas também como o território é representado, assim como também os sujeitos que fazem parte das narrativas e a linguagem utilizada, seja ela escrita ou visual.
Nesse contexto, os materiais paradidáticos podem contribuir para a expansão das possibilidades de ensino-aprendizagem, contextualizando as práticas, a partir do diálogo entre os conteúdos escolares das experiências vivenciadas pelos estudantes. A literatura e a arte apresentam papel importante nesse processo, à medida que viabilizam a transformação dos conhecimentos e saberes em narrativas, personagens, imagens, conflitos e situações capazes de favorecer a imaginação, a observação e a construção e o fortalecimento de sentidos sobre o território.
A experiência analisada neste trabalho teve início com o desenvolvimento do livro paradidático Caquito, produzido a partir das vivências na disciplina Agroecologia, Territórios e Desenvolvimento, no Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial. A proposta inicial buscava articular literatura infantil, ilustração e conhecimentos relacionados à agroecologia e à convivência com o Semiárido. A partir desse processo, os personagens e temas desenvolvidos foram ampliados para outros materiais.
O que inicialmente se apresentava como um livro paradidático isolado passou, ao longo do processo criativo, a constituir um universo narrativo compartilhado. Esse universo incorporou novas narrativas e jogos de tabuleiro: Caquito e o Sinal do Mandacaru, a Trilha dos Solos, a Trilha Ecológica e o livro Dente de Leão no Sertão, este último integrado ao produto desenvolvido no âmbito da pesquisa de doutorado da autora.
A ampliação desses materiais possibilitou também experimentar diferentes formas de transposição dos conhecimentos construídos no ambiente acadêmico para linguagens destinadas ao público infantil e infanto-juvenil. Temas relacionados à conservação dos solos, à biodiversidade, às tecnologias sociais de convivência, à água e às práticas agroecológicas passaram a ser abordados por meio da narrativa, da ilustração e dos jogos de tabuleiro.
Diante disso, este trabalho parte da seguinte questão: de que maneira a arte, a literatura e a agroecologia podem contribuir para o desenvolvimento de materiais paradidáticos contextualizados ao Semiárido brasileiro, capazes de articular conhecimentos científicos, saberes e experiências de vida dos estudantes?
Considerando essa questão, o presente trabalho foi delineado como pesquisa do tipo qualitativa e abordagem descritiva, apontando como objetivo, analisar e sistematizar o processo de desenvolvimento de materiais paradidáticos contextualizados ao Semiárido, considerando a construção do universo narrativo composto por diferentes materiais. Como objetivos específicos, busca-se descrever o processo a criação do livro Caquito; analisar a ampliação desse universo por meio de Caquito e o Sinal do Mandacaru, Trilha dos Solos, Trilha Ecológica e de Dente e Leão no Sertão; identificar as estratégias de transposição didática que foram utilizadas no desenvolvimento dos materiais e discutir as possibilidades de articulação entre arte, literatura, educação contextualizada e agroecologia na abordagem e conhecimentos e saberes relacionados ao território e a convivência .
Busca-se discutir também como a arte, a literatura, a agroecologia e a educação contextualizada podem atuar de maneira integrada na criação de experiências educativas relacionadas ao território, à biodiversidade e à convivência com o Semiárido.
Ao final, os materiais são apresentados e analisados, evidenciando a possibilidade da construção de propostas paradidáticas por educadores, pesquisadores independentes, ocorrendo de forma contínua por meio da investigação, planejamento, desenvolvimento e experiências no âmbito escolar e de vida.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Considerando o contexto, onde a população cresce significativamente, surge a necessidade de aumentar a produção de alimentos e com isso, a demanda de preparar áreas para o plantio e a criação de animais. Essa preparação ocorre muitas vezes por meio de queimadas, contribuindo com a emissão de gases, o que intensifica as mudanças climáticas, ocasionando alterações no clima, nos microclimas, redução da água e em muitos casos, levando à desertificação.
Essas consequências são bem mais acentuadas quando consideramos o bioma Caatinga, pois em condições normais possui um clima com temperatura elevada e marcado por longos períodos de estiagem, o que já afeta a vida no campo e a produção agrícola, caso não exista a adoção das tecnologias de convivência, principalmente as que auxiliam na captação de água nos períodos chuvosos.
Com as mudanças climáticas, o bioma Caatinga apresenta sinais cada vez mais evidentes de vulnerabilidade ambiental. A elevação da temperatura intensifica os processos de evaporação, resultando na diminuição da água disponível em lagos, açudes e reservatórios. Além disso, as chuvas, quando ocorrem, tendem a ser torrenciais e concentradas em períodos curtos, provocando enchentes ou, ao contrário, longos períodos de seca, ambos com consequências graves para o equilíbrio ecológico da região. Observa-se também o aumento da frequência de dias extremamente secos e de ondas de calor, o que afeta diretamente a vegetação local, favorecendo espécies típicas de regiões áridas, como as cactáceas. Essa mudança de cenário ambiental contribui para a dificuldade de permanência das populações no campo, levando à migração para centros urbanos e agravando os problemas sociais nas cidades. Essas constatações estão alinhadas aos apontamentos da Associação Caatinga (2012), que já alertava para tais impactos em decorrência da intensificação das mudanças climáticas no Semiárido.
As “projeções climáticas para o Nordeste e o Semiárido indicam o aumento de temperatura, com impactos negativos previstos de redução da produtividade das culturas agrícolas, da renda dos agricultores, da segurança hídrica e alimentar”. (Cunha, Braga 2022, p. 6).
Quanto à desertificação, ela pode ocorrer por consequência das mudanças climáticas, mas também pela ação do homem, tornando o solo improdutivo. Segundo a Associação Caatinga, alguns fatores contribuem com a desertificação: Pisoteio do gado que compacta o solo e diminui a capacidade de infiltração da água; pastoreio intensivo, sobretudo de caprinos; Retirada da cobertura vegetal; Culturas agrícolas com manejo inadequado, empobrecimento do solo. (Associação Caatinga, 2012, p. 24)
É importante considerar que existe a necessidade de produzir alimentos, desenvolver o local, todavia o homem precisa voltar o seu olhar para dentro, pois ele faz parte do meio, e não permanecer com a concepção de que os recursos naturais estão a “[...]disposição do ser humano, e sua tarefa é “conquistar” e “civilizar”, para torná-los produtivos (Gudynas, 2003 p. 30).
Relatório de 1972, citado por Francisco Assis Costa (IPEA, 2012), alerta para os limites físicos do planeta diante do crescimento populacional e defende políticas de controle e consumo consciente. Nesse contexto, a análise territorial torna-se fundamental para o planejamento sustentável, permitindo compreender as dinâmicas do território e orientar políticas diante de desafios como as mudanças climáticas e a desigualdade. A ausência desse planejamento pode resultar em uso inadequado dos recursos, desigualdade regional e perda da identidade cultural.
Historicamente, a escola que atende populações do Semiárido brasileiro tem se baseado em abordagens tradicionais, com conteúdos descontextualizados da realidade local, muitas vezes reforçando os limites e desafios vivenciados, sem apresentar caminhos possíveis para a convivência com o território. Essa lacuna pedagógica tem comprometido a formação de sujeitos críticos, criativos e atuantes em suas comunidades, especialmente quando desconsidera os saberes locais, as práticas sustentáveis e as tecnologias sociais já existentes. Diante disso, torna-se urgente repensar o papel da escola na formação de indivíduos que não apenas reconheçam os problemas socioambientais, mas que também sejam capazes de propor soluções a partir das potencialidades do seu lugar. Nesse cenário, surge a proposta do livro paradidático como ferramenta pedagógica que rompe com a lógica da escassez e da negação do território, ao mesmo tempo em que propõe a valorização da cultura local, da biodiversidade e das práticas agroecológicas.
Inteirados nesses estudos, acreditamos na importância de mediar momentos teóricos e práticos com estudantes, objetivando o desenvolvimento de aprendizagens necessárias e relevantes para o seu território, por meio da abordagem da contemporaneidade, permitindo “[...] ao estudante compreender questões diversas, tais como cuidar do planeta a partir do território em que vive (Brasil, 2022, p. 8).
Em vista disso, torna-se importante a adoção de materiais que possam contribuir com a inserção de discussões, reflexões e produções que viabilizem uma potencialização desse cuidado com o meio ambiente e considerem o desenvolvimento a partir dos recursos presentes no território.
Historicamente, a educação ofertada para os sujeitos que residem no campo não dialoga com o contexto que eles vivem e esse distanciamento pode levar a não aprendizagem transformadora e até mesmo ao abandono dos estudos.
De acordo com os autores Cipriano, Rodrigues e Moura (2025, p.3) “A educação nas escolas do campo enfrenta desafios históricos relacionados à exclusão simbólica e à negação das culturas locais.” e complementa:
[...]esse cenário se traduz na predominância de abordagens descontextualizadas, centradas em modelos urbanos e eurocentrados, que ignoram os repertórios expressivos das comunidades rurais. Tal descompasso compromete o potencial formativo da arte enquanto linguagem sensível, crítica e identitária. (CIPRIANO; RODRIGUES; MOURA, 2025, p. 3)
Para discutir sobre essa educação, é importante refletir sobre as concepções históricas, políticas e pedagógicas que envolvem a Educação Rural, Educação do Campo e a Escola do Campo, que infelizmente, são mencionados como sinônimos, no entanto existe uma grande diferença.
Historicamente, a Educação Rural estava associada a políticas estatais voltadas para a adaptação da população rural ao modelo capitalista agrário e geralmente não considerava os saberes e a cultura da comunidade do campo. A partir das lutas sociais, surge a Educação do campo, defendendo uma educação em que a sua construção acontecesse não “para”, mas “com” os povos do campo, objetivando a emancipação social e a Escola do Campo, materializa essas concepções no ambiente escolar, com práticas pedagógicas contextualizadas com a realidade presente no território dos sujeitos.
Compreender as diferenças entre Educação Rural, Educação do Campo e Escola do Campo torna-se importante para analisar a educação no meio rural brasileiro e entender muitas das fragilidades que encontramos, as quais utilizam, geralmente, materiais e metodologias universais o que distancia os educandos dos conteúdos escolares e dificulta a construção de uma aprendizagem significativa.
Para essa educação do campo ocorrer, é necessário que os educadores estejam imersos no contexto dos seus alunos e essa imersão poderá contribuir para uma mediação que busca dialogar com os conteúdos presentes nos materiais universais disponibilizados para as escolas e as particularidades de cada contexto. Visto que não é uma tarefa fácil, principalmente porque muitas das escolas que partem do local para o global, não adotam os livros que são distribuídos ou buscam usá-los apenas para nortear o ano letivo, todavia, em ambos os casos, existe uma necessidade de ter em mãos materiais que foram desenvolvidos considerando a realidade dos sujeitos.
Reflexões acerca dessa necessidade estão ocorrendo nas graduações, programas de pós-graduação e até mesmo nos âmbitos escolares, todavia ter a concretização e o apoio para a sistematização e produção desses materiais ainda acontece de forma tímida.
2.1. Materiais Paradidáticos Contextualizados: Arte Literatura e Território
A necessidade de contextualizar os conteúdos escolares à realidade dos sujeitos evidencia a importância da reflexão e do desenvolvimento de materiais que dialoguem com essa realidade, buscando contemplar as particularidades ambientais, culturais e sociais presentes em cada território. Mesmo existindo livros de grandes editoras de abrangência nacional, elaborados com base nas diretrizes nacionais da Educação Básica, é necessário considerar as especificidades locais
Nesse cenário, os materiais paradidáticos podem atuar como recursos complementares a mediação pedagógica, viabilizando a abordagem de temas, vivências e conhecimentos relacionados ao cotidiano dos estudantes. No Semiárido, os materiais desenvolvidos podem conter elementos como a biodiversidade do bioma da Caatinga, as tecnologias sociais de convivência, os saberes das comunidades e as diferentes formas de relação com o território.
Todavia, é importante ressaltar que desenvolver materiais contextualizados com o Semiárido não significa inserir apenas elementos locais nos textos e ilustrações. Contextualizar, exige uma reflexão sobre os conteúdos que os sujeitos precisam aprender, como o território será representado e de que forma os conteúdos podem dialogar com as experiências de vida dos leitores.
Nesse processo, a arte e a literatura podem contribuir significativamente para a construção dos materiais paradidáticos, por meio do desenvolvimento de narrativas, criação de personagens e cenários à medida que conceitos relacionados à agroecologia e à convivência com o Semiárido fazem parte da história, tornando-se parte dos conflitos e base para as descobertas, contribuindo assim, com a jornada de transformação do personagem ao longo da narrativa.
De acordo com Barbosa (2005), a arte precisa ser vinculada com o contexto, objetivando a contribuição para o desenvolvimento crítico e emancipador dos sujeitos, com a valorização estética e cultural, pois “[...]Quando desvinculada da vida cotidiana dos alunos, a arte torna-se mero adorno curricular, esvaziada de seu potencial formativo, crítico e emancipador” (BARBOSA, 2005, p. 42) , assumindo a função descolonizadora.
Dessa forma, a arte também não ocupa apenas uma função ilustrativa, mas sim como uma linguagem capaz de aproximar o leitor do seu território, viabilizando a observação, o reconhecimento e a concepção de novos sentidos e significados aos elementos que estão presentes no seu território.
A literatura infantil pode ampliar essas possibilidades, à medida que temas complexos são abordados por meio da experiência dos personagens e da fantasia presente no universo, sem que a narrativa se transforme em texto exclusivamente informativo e essas viabilidades favorecem o diálogo natural entre os conhecimentos científicos e os saberes das comunidades.
Portanto, mais do que reconhecer a necessidade da produção de materiais contextualizados, torna-se necessário compreender como se dá o planejamento, desenvolvimento e a validação por especialistas que estão imersos e comprometidos no desenvolvimento e na prática pedagógica com significado. Essa reflexão conduz ao processo apresentado neste trabalho, que parte da experiência de construção de um livro paradidático e se amplia para o desenvolvimento de diferentes materiais vinculados a um mesmo universo artístico-pedagógico.
3. METODOLOGIA
Para a elaboração deste trabalho, foi necessário adotar o tipo de pesquisa qualitativa, que segundo Lakatos e Marconi (2003), se preocupa com a análise e a interpretação do que está sendo estudado de maneira mais intensa. A abordagem empregada foi a descritiva, concentrando-se na apresentação do processo de construção dos materiais desenvolvidos.
O processo analisado teve início durante a disciplina Agroecologia, Territórios e Desenvolvimento, do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial, quando foi desenvolvido o livro paradidático Caquito. A obra apresenta como protagonista o personagem Caquito, que posteriormente passou a integrar o livro Dente de Leão no Sertão, no qual acompanha a personagem Maria. Este último constitui parte do produto desenvolvido no doutorado da autora.
A partir das vivências construídas ao longo das disciplinas e amadurecimento do processo criativo, a proposta inicialmente concebida como um material paradidático isolado foi ampliado para um universo narrativo compartilhado. Esse universo passou a incorporar diferentes materiais, personagens, experiências e possibilidades de uso pedagógico, entre eles o livro Dente de Leão no Sertão, Caquito, Caquito e o Sinal do Mandacaru e duas trilhas educativas vinculadas à mesma proposta.
Na experiência inicial, o desenvolvimento da narrativa ocorreu a partir das discussões realizadas na disciplina e da definição dos conhecimentos relacionados à agroecologia, ao território e à convivência com o Semiárido que se pretendia abordar. Nessa etapa, buscou-se realizar uma transposição didática, conceito desenvolvido por Yves Chervallard. Conforme o autor, “a transposição didática é precisamente a transição de um conhecimento, considerado como uma ferramenta a ser colocada em uso, para algo a ser ensinado e aprendido” (Yves Chervallard apud Lopes e Macedo, 2011, p.96)
A narrativa foi construída em três etapas principais:
Definição da trama: inicialmente, a autora delineou o que desejava contar, estabelecendo o enredo central da história. Esse passo serviu como guia para toda a estrutura narrativa.
Criação dos personagens (Fichas): a partir da trama definida, foram criados os personagens principais e secundários. Antes mesmo de definir a aparência visual, foi feita uma descrição detalhada da personalidade de cada personagem, o que norteou a construção de suas características físicas e comportamentais.
Definição do contexto: com os personagens já estruturados, foi definido o ambiente onde a história se desenvolveria. Essa definição guiou o planejamento e a organização de cada página do livro, articulando narrativa, cenário e ilustrações de forma coesa.
Para o desenvolvimento das ilustrações, foram adotados o aplicativo Procreate, as tecnologias Ipad e a caneta Apple Pencil. O Procreate possui pincéis que simulam a pintura em aquarela e o lápis tradicional, viabilizando o desenvolvimento de traços e pintura não vetorizados. O WPS Office, também foi utilizado para a edição das páginas: inserir textos e diagramar as páginas, possibilitando a exportação em PDF, para a impressão.
Na etapa da produção textual, foi adotada a plataforma digital Narra4. Essa plataforma, permite que todo o processo criativo referente a escrita aconteça no mesmo espaço, evitando que informações fiquem espalhadas, desde a criação das fichas de cada personagem ao último parágrafo da obra. A utilização viabilizou a sistematização de todo o processo criativo e o acompanhamento de forma mais clara das relações estabelecidas entre os elementos de ficção e os elementos relacionados à convivência com o Semiárido e a agroecologia presente nos materiais.
Já a criação das trilhas, a etapa de ilustração aconteceu também no Procreate5, mas toda a organização dos textos e posicionamento dos elementos presentes no material, ocorreu no Adobe Photoshop6. Posteriormente, a Trilha dos Solos e a Trilha Ecológica foram impressas e fixadas no material de MDF, viabilizando uma melhor jogabilidade e uso pedagógico no ambiente escolar.
Nos materiais desenvolvidos em seguida, Caquito e o Sinal do Mandacaru e Dente de Leão no Sertão, o processo artístico aconteceu de forma semelhante, alterando apenas a técnica de ilustração do Caquito e o Sinal do Mandacaru, que seguiu com o desenho em grafite no papel. Todavia, por mais que alterasse a tecnologia ou técnica utilizada para a criação dos materiais, sempre era considerado a representação dos personagens, paisagens, espécies vegetais, as tecnologias de convivência e dentre outros materiais relacionados ao Semiárido e ao cuidado com a terra.
Para a sistematização do processo de criação analisado neste trabalho, foram consideradas quatro dimensões:
A definição dos conhecimentos a serem abordados;
Construção das narrativas, personagens, objetos e ambientes;
Transposição dos conhecimentos para a linguagem artístico-literária;
Desenvolvimento das ilustrações e a diagramação dos materiais.
Na primeira dimensão, foram considerados como princípios orientadores a educação contextualizada, a agroecologia e a convivência com o Semiárido, assim como também a valorização dos saberes locais, as tecnologias sociais e a biodiversidade da Caatinga. Esses elementos orientaram as escolhas realizadas durante a criação dos materiais e contribuíram para definir os conteúdos, conflitos e situações apresentados nas narrativas.
A segunda dimensão, correspondeu à etapa para o desenvolvimento de Maria, Caquito, Sabiazinho, Tatuzinho e a da avó de Caquito, a partir da criação das fichas detalhadas, rascunhos das artes conceituais e da breve escrita inicial de suas jornadas, buscando estabelecer relações entre os temas definidos e as experiências vivenciadas pelos personagens.
Por fim, na terceira e quarta dimensão, os conhecimentos selecionados foram amadurecidos, resultando na representação narrativa e visual. Na terceira dimensão, temas relacionados à água, tecnologias sociais, convivência, cuidados com o solo foram inseridos na trama e nas trilhas. Buscou-se, apresentar esses conhecimentos de forma envolvente para o leitor ou jogador. Na quarta dimensão, esse processo foi materializado por meio do desenvolvimento das ilustrações e da diagramação dos materiais. Durante todo o processo, a pesquisadora procurou distanciar-se das propostas de materiais que adotam como principal abordagem à transmissão de informações descontextualizadas.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1. Experiência Inicial: Caquito
A narrativa inicia com a apresentação do personagem Caquito, um pequeno cacto que conheceu uma nova maneira de conceber o meio ambiente, através da contação de história realizada por sua avó, que traz os saberes tradicionais da sua família. O cacto, encantado com a história, inicia uma jornada para realizar o seu mais novo sonho: transformar o seu lugar.
Considerando todos os desafios, diferentes conhecimentos e aprendizagens necessárias para essa transformação, a narrativa enfatiza a importância da equipe interdisciplinar. A autora busca representar essa interdisciplinaridade diversificando os personagens: Caquito, o pequeno cacto, o pássaro e o tatu. A linguagem é simples e não aprofunda nos assuntos abordados. Essa escolha foi feita ao considerar o público-alvo: pequenos leitores.
Para enriquecer mais na história contada pela avó do pequeno cacto, será necessário que o contador(a) da história, consiga adentrar na agroecologia. Além da Agroecologia, é possível apresentar e aprofundar as tecnologias de convivência com o Semiárido que aparecem na narrativa: o pluviômetro, a cisterna de placas e a barragem subterrânea.
Figura 1. Pluviômetro e Cisterna de placas
No final da narrativa, foi desenvolvido um Dicionário Ilustrado, buscando destacar algumas palavras, potencializando compreensão dos leitores a partir de uma experiência visual, O dicionário pretende fornecer ao contador da história a possibilidade de revisitar as palavras que aparecem no texto, instigando uma compreensão mais profunda.
A horta e o reflorestamento são pontos importantes apresentados na narrativa.
Figura 2. Horta agroecológica
Introduzir a horta e o reflorestamento na narrativa, teve como objetivo fornecer ao professor/contador de história o ponto de partida, para o despertar de reflexões sobre práticas que colaboram com o bem viver, considerando o meio ambiente e a alimentação saudável, utilizando o espaço que muitos possuem em suas casas: quintais e/ou terreiros.
A presença desses elementos na narrativa evidencia uma iniciativa de aproximação entre alguns conteúdos e os usos das aprendizagens conquistadas presentes nas diretrizes nacionais da Educação Básica e o contexto dos sujeitos que vivem no Semiárido, buscando romper com abordagens descontextualizadas, uma vez que, de acordo com Cipriano, Rodrigues e Moura (2025), práticas universais podem contribuir para a negação das culturas presentes nos territórios das comunidades.
O uso de diferentes fontes também é explorado, tencionando que o leitor conheça as diferentes formas de escrever a mesma palavra, buscando atender ao que preconizam os marcos nacionais que garantem o direito à alfabetização, no que se refere ao reconhecimento e à diferenciação entre letras em formato de imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas, na etapa inicial do Ensino Fundamental.
As fontes utilizadas representam a letra bastão e a cursiva, “[...] o uso simultâneo dos dois tipos concretiza o fato de que os símbolos podem ser múltiplos, enquanto aquilo que é representado é sempre único.” (Grossi, 1990, p. 172) A autora ainda defende e ressalta a importância do contato com a letra cursiva desde o início da apresentação das primeiras letras. Segundo Grossi (1990), auxilia na identificação da palavra completa.
A dimensão visual também contribui para esse processo. A representação das cenas amplia a função da ilustração para além do decorativo, busca-se aproximar da compreensão de Barbosa (2005) acerca da necessidade de relacionar a arte ao contexto dos alunos. Diante disso, os elementos presentes no material, texto e imagem atuam em conjunto na construção e sentidos e na valorização do território.
A construção do livro paradidático demonstra como a arte e a educação contextualizada podem transformar a realidade do Semiárido, ao promover, desde a infância, o vínculo com o território, a valorização da agroecologia e dos saberes locais. A proposta contribui para a formação de sujeitos críticos, criativos e comprometidos com a sustentabilidade.
4.2. Ampliação do Universo: Caquito e o Sinal do Mandacaru Trilhas e Desenvolvimento do Livro Paradidático
A partir das etapas desenvolvidas durante o processo de criação em Caquito, surgiu a necessidade de ampliação da narrativa e esse foi o momento que Caquito e o Sinal do Mandacaru foi concebido.
Figura 3. Mockup do livro
Além da ampliação da narrativa, surgiu a necessidade do Caquito sair das páginas dos livros. Em vista disso, foi desenvolvida a Trilha dos Solos e posteriormente a Trilha Ecológica. Ambas as trilhas nasceram a partir de transposições didáticas que ocorreram nas aulas do PPGADT. A autora tinha como proposição, levar para os alunos do Ensino Fundamental os conteúdos que ela estava aprendendo nas aulas do programa de pós-graduação.
Os jogos de tabuleiro foram intitulados como Trilha Ecológica e Trilha dos solos. De acordo com a autora, o desenvolvimento da Trilha dos Solos foi voltado ao ensino de Geografia no Ensino Fundamental:
[...]voltado ao ensino de geografia no Ensino Fundamental, com ênfase no Semiárido Brasileiro e nas práticas agroecológicas. Os objetivos específicos são: criar um recurso didático gamificado para o aprendizado ativo e contextualizado; destacar a conservação do solo no Semiárido; discutir a gamificação como ferramenta pedagógica na educação básica; e avaliar a adequação da "Trilha dos Solos" [...] às práticas agroecológicas (Ramos, 2024, p. 02).
Além de toda a jogabilidade que existem nos jogos de tabuleiro, é possível que o aluno/jogador, acesse mais informações a partir dos QRCodes que estão presentes em ambas as trilhas. O percurso das trilhas é guiado por Caquito, ele interage com o jogador em todas as etapas, as quais estão repletas de desafios de escrita, desenho, colagem, jogo de cartas, observação da natureza e questões que precisam de respostas para seguir até o final do caminho. Para jogar, é necessário o uso de um dado e o peão marcador da trilha. Para esse peão, a impressão 3D do personagem foi feita e é utilizada no momento do jogo.
O Jogo da Memória é composto por 6 cartas, sendo que além da ilustração, possui uma legenda com informações sobre Coquetel Vegetal, Cobertura dos Solos e Adubação Verde:
Figura 4. Cartas do Jogo da Memória
Figura 5. Trilha Ecológica
Figura 6. Trilha dos Solos
A criação dos jogos de tabuleiro ampliou o universo desenvolvido, uma vez que os conhecimentos passaram a ser organizados não apenas em narrativas literárias, mas também em experiências que demandam participação ativa do estudante, buscando potencializar a imersão e consequentemente a aprendizagem e o fortalecimento dos conhecimentos relacionados ao território, biodiversidade, convivência com a região e às práticas agroecológicas, por meio de práticas que buscam viabilizar a observação, interação, investigação e a tomada de decisão. Essa organização aproxima-se a perspectiva de uma educação contextualizada que parte das vivências dos sujeitos e das características presentes no território, contribuindo, conforme apontam Reis e Silva (2026), para o desenvolvimento integral os sujeitos, à medida que amplia as possibilidades de mediação pedagógica.
Finalizando as trilhas, foi iniciado o desenvolvimento do livro paradidático Dente de Leão no Sertão, no qual as tecnologias sociais de convivência é o tema central da narrativa, atuando como base para toda a jornada da personagem principal.
Figura 7. Mockup do livro em desenvolvimento
Essa articulação entre conteúdo e narrativa é aprofunda por meio da composição e estrutura dos conflitos e descobertas da personagem principal. Esse processo evidencia que a contextualização não ocorre apenas porque foi inserido no material elementos que fazem parte do contexto, mas pela forma como os conhecimentos são integrados à narrativa. Nessa perspectiva, a convivência com o Semiárido não aparece nas páginas como um conteúdo complementar, ela faz parte da jornada dos personagens. Esse caminho escolhido pela autora reforça a compreensão do território como espaço de produção de conhecimentos, dialogando com a Educação contextualizada e a Educação o Campo.
A ampliação observada durante o desenvolvimento dos materiais contextualizados demonstra a possibilidade de criação e expansão do universo, ultrapassando a elaboração de produtos isolados, viabilizando que os temas sejam abordados e retomados por meio de diferentes linguagens e experiências, mantendo sempre como eixo comum o território. Nesse sentido, a arte, literatura, agroecologia e educação contextualizada para a convivência com o Semiárido passam a atuar de maneira integrada, possibilitando que esses temas complexos sejam abordados por meio da leitura, imaginação, observação e participação dos leitores e jogadores.
4.3. Recursos Complementares e Possibilidades de Mediação
Além das narrativas e das experiências propostas nos jogos de tabuleiro desenvolvidos até o presente momento, os materiais incorporam recursos complementares, objetivando a ampliação das possibilidades contextualizadas de uso pedagógico e aprofundamento dos conteúdos.
Desde a proposição inicial com o livro do Caquito, a autora buscou construir um material que viabilizasse ao professor estabelecer ao longo da narrativa as conexões com o território e o cotidiano dos estudantes. Neste material, o professor tem como recurso complementar o Dicionário Ilustrado, o qual foi desenvolvido com o objetivo de retomar e destacar as palavras que surgiram na história, buscando fortalecer a compreensão a partir da relação entre o texto e a imagem. Esse recurso também permite uma revisão de determinados conceitos após a leitura, o que pode oferecer ao educador um ponto de partida para a ampliação das discussões.
Outro recurso foi o uso de diferentes formas de representação da escrita, incluindo o formato cursivo. Essa escolha teve como objetivo aproximar o material das aprendizagens previstas para os anos iniciais do Ensino Fundamental e ampliar o contato da criança com diferentes formas gráficas.
Nas trilhas educativas, os recursos complementares foram potencializados por meio da utilização de QR Codes, jogo da memória, atividades de escrita, desenho, colagem e observação da natureza. Os QR Codes inseridos no material permitem ao estudante acessar informações adicionais durante o percurso, enquanto os desafios encontrados ao longo do caminho estimulam a participação ativa, possibilitando que os conteúdos sejam retomados por diferentes linguagens.
Nas últimas páginas do livro Caquito e o Sinal do Mandacaru, o leitor tem o Glossário com algumas palavras que aparecem na narrativa. Logo em seguida, é possível encontrar Atividades Interativas para realizar no ambiente escolar ou familiar, além de reflexões no formato de perguntas voltadas para quem reside no campo e na área urbana. Essas reflexões têm como objetivo principal, instigar ao leitor o olhar para o bioma que o cerca, em que a sua cidade está inserida, mesmo que não esteja no campo.
O que motiva a autora, é desenvolver materiais que possam auxiliar o mediador, a partir do uso de materiais contextualizados como ponto de partida para as discussões e atividades práticas, permitindo que temas como a agroecologia e a convivência com o Semiárido possam ser trabalhados de acordo com a faixa etária, o contexto e os objetivos pedagógicos definidos.
Nesse sentido, é importante ressaltar que os materiais desenvolvidos não apresentam uma proposta fechada de utilização, por mais que existam os recursos pós leitura, porque as realidades são múltiplas. Portanto, é de suma importância que o professor realize as conexões com os conhecimentos existentes nas comunidades e as experiências de vida dos seus alunos e familiares.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos materiais evidencia que a construção de propostas paradidáticas pode ser realizada também por pesquisadores, educadores e iniciativas independentes, e que essa produção pode ocorrer de forma contínua por meio da investigação, do planejamento, da criação e das experiências pedagógicas e de vida, inclusive na relação direta com o exercício da docência.
A experiência iniciada com o livro Caquito possibilitou o diálogo entre literatura infantil, ilustração, agroecologia e conhecimentos relacionados à convivência com o Semiárido. A partir desse material, o processo criativo se expandiu, dando origem a novas narrativas e possibilidades educativas conectadas ao mesmo universo, entre elas Caquito e o Sinal do Mandacaru, a Trilha dos Solos, a Trilha Ecológica e o livro Dente de Leão no Sertão.
Os produtos analisados demonstram que a contextualização dos materiais não ocorre apenas pela inserção de elementos relacionados à região, mas pela forma como o território, os sujeitos, os saberes e os conhecimentos são incorporados às narrativas e às experiências propostas. A arte e a literatura assumem, nesse processo, uma função que ultrapassa a dimensão estética, atuando na construção de sentidos e na aproximação entre os conteúdos e a realidade vivenciada pelos estudantes.
As trilhas educativas reforçam essa perspectiva ao ampliar a participação dos sujeitos, estimulando a construção ativa dos conhecimentos a partir da jogabilidade presente nos jogos de tabuleiro: observação, escrita e pesquisa.
Os recursos complementares oferecem também sua contribuição durante a mediação pedagógica. Os professores podem utilizá-los como ponto de partida para atividades e reflexões de aprofundamento conceitual, criando novas experiências educativas a partir do próprio território.
Conclui-se que a elaboração de materiais paradidáticos contextualizados ao Semiárido brasileiro pode contribuir para ampliar as formas de abordar a região nos espaços educativos, valorizando suas potencialidades e reconhecendo suas especificidades. Ao promover, desde a infância, o vínculo com o território, a valorização da agroecologia e dos saberes locais, acredita-se contribuir para a formação de sujeitos críticos, criativos e comprometidos com a sustentabilidade das comunidades em que a escola está inserida e onde vivem os sujeitos da aprendizagem.
Por se tratar de um processo em curso, etapas posteriores deste trabalho poderão ser ampliadas a partir da análise de especialistas e da aplicação dos materiais em ambientes educativos como escolas, organizações sociais, movimentos sociais que realizam atividades vinculados à proposta de Educação para a Convivência com Semiárido Brasileiro.
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1 Uneb. Doutorana do Programa de Pós graduação Agroecologia e Desenvolvimento Territorial - PPGADT. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: https://lattes.cnpq.br/2271474048585230. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5241-3427.
2 Professor Pleno da Universidade do Estado da Bahia Campus III. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4799013495727395. Orcid: http://orcid.org/0000-0003-3153-6759.
3 Professor da Universidade do Estado da Bahia UNEB/PPGADT. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5108816345823701. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2679-864X.
4 Plataforma Narra: https://utiliboxapp.com.br/tools/narra/?narraMock=work&utm_source=artigo
5 Procreate: https://procreate.com/
6 Adobe Photoshop: https://www.adobe.com/br/