TECNOLOGIA ASSISTIVA COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO NO AMBIENTE EDUCACIONAL

ASSISTIVE TECHNOLOGY AS A TOOL FOR INCLUSION IN THE EDUCATIONAL ENVIRONMENT

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790539009

RESUMO
A Tecnologia Assistiva (TA) constitui um importante recurso para a promoção da inclusão educacional, contribuindo para reduzir barreiras e ampliar o acesso, a participação, a autonomia e a aprendizagem de estudantes com diferentes necessidades educacionais. Este estudo teve como objetivo analisar as contribuições, os desafios e as perspectivas relacionadas ao uso de Tecnologias Assistivas no contexto educacional. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, orientada pelas recomendações do protocolo PRISMA 2020. As buscas foram realizadas nas bases Google Scholar, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, ERIC e Scopus, considerando publicações entre 2021 e 2026, nos idiomas português e inglês. Os estudos selecionados evidenciaram ampla diversidade de recursos, incluindo sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa, leitores de tela, displays Braille, tecnologias de apoio à escrita, plataformas adaptativas e ferramentas baseadas em inteligência artificial. Os resultados indicaram contribuições para a comunicação, autonomia, acesso ao currículo, participação, engajamento e personalização da aprendizagem. Entretanto, foram identificados desafios relacionados à infraestrutura, conectividade, custos, formação docente, suporte técnico, acessibilidade digital e políticas institucionais. Conclui-se que a TA apresenta potencial significativo para fortalecer práticas educacionais inclusivas, desde que articulada ao planejamento pedagógico, à formação profissional, à acessibilidade e às necessidades concretas dos estudantes.
Palavras-chave: Tecnologia assistiva; acessibilidade; inclusão educacional; aprendizagem; tecnologias digitais.

ABSTRACT
Assistive Technology (AT) is an important resource for promoting educational inclusion, helping to reduce barriers and expand access, participation, autonomy, and learning opportunities for students with different educational needs. This study aimed to analyze the contributions, challenges, and perspectives related to the use of Assistive Technologies in educational contexts. A systematic literature review was conducted using a qualitative approach and descriptive-analytical design, guided by the recommendations of the PRISMA 2020 protocol. Searches were conducted in Google Scholar, SciELO, CAPES Journals Portal, ERIC, and Scopus, considering publications from 2021 to 2026 in Portuguese and English. The selected studies revealed a wide range of resources, including Augmentative and Alternative Communication systems, screen readers, Braille displays, writing support technologies, adaptive platforms, and artificial intelligence-based tools. The findings indicated contributions to communication, autonomy, curriculum access, participation, engagement, and personalized learning. However, challenges related to infrastructure, connectivity, costs, teacher training, technical support, digital accessibility, and institutional policies were identified. It is concluded that AT has significant potential to strengthen inclusive educational practices, provided that it is integrated with pedagogical planning, professional training, accessibility, and the specific needs of students.
Keywords: Assistive technology; accessibility; educational inclusion; learning; digital technologies.

1. INTRODUÇÃO

A educação inclusiva constitui um princípio fundamental para garantir que todos os estudantes tenham acesso, participação e oportunidades de aprendizagem em condições de equidade. Entretanto, estudantes com deficiência ainda podem enfrentar barreiras relacionadas ao acesso aos conteúdos, à comunicação, à realização de atividades e à interação no ambiente educacional. Nesse contexto, o desenvolvimento de recursos tecnológicos tem ampliado as possibilidades de participação e acessibilidade, especialmente por meio das Tecnologias Assistivas (TA), que podem favorecer o acesso ao currículo e reduzir obstáculos presentes nos processos de ensino e aprendizagem (Fernández-Batanero et al., 2022; Lynch et al., 2022).

A Tecnologia Assistiva compreende recursos, dispositivos, estratégias e serviços destinados a ampliar a funcionalidade, a autonomia e a participação das pessoas em diferentes contextos. No ambiente educacional, sua utilização pode incluir sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa, leitores de tela, displays Braille, tecnologias de apoio à escrita, reconhecimento de voz, recursos de acessibilidade digital e plataformas adaptativas. A diversidade dessas ferramentas permite atender diferentes necessidades e formas de interação com os conteúdos, contribuindo para tornar as experiências educacionais mais acessíveis (Fernández-Batanero et al., 2022; Mikropoulos; Iatraki, 2023).

A utilização de tecnologias no ensino também pode favorecer o engajamento, a comunicação, a autonomia e a participação dos estudantes. Estudos indicam que recursos digitais podem apoiar o acesso ao currículo e proporcionar diferentes formas de interação e representação das informações, inclusive em áreas específicas como o ensino de Ciências. Contudo, os benefícios não dependem exclusivamente da disponibilidade dos recursos, mas também da forma como são selecionados e incorporados às práticas pedagógicas (Mikropoulos; Iatraki, 2023). Além disso, fatores como formação docente, infraestrutura, acessibilidade dos recursos e suporte institucional podem limitar sua implementação (Fernández-Batanero et al., 2022; Fernández-Cerero et al., 2023).

O avanço de ferramentas digitais, plataformas adaptativas e soluções baseadas em inteligência artificial amplia as perspectivas de personalização e acessibilidade no ensino. Entretanto, a incorporação dessas tecnologias deve considerar aspectos relacionados à equidade, acessibilidade, formação profissional, proteção de dados e condições de uso, evitando que novas soluções tecnológicas produzam ou intensifiquem desigualdades educacionais (UNESCO, 2023). Dessa forma, compreender as contribuições e as limitações da Tecnologia Assistiva é relevante para fortalecer práticas educacionais efetivamente inclusivas.

Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo analisar as contribuições, os desafios e as perspectivas relacionadas ao uso de Tecnologias Assistivas no ambiente educacional, considerando seus impactos sobre a inclusão, o acesso ao currículo, a aprendizagem, a autonomia e a participação dos estudantes.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Educação Inclusiva e Acessibilidade no Ambiente Educacional

A educação inclusiva fundamenta-se na educação como direito humano e na garantia de participação, aprendizagem e pertencimento de todos os estudantes no ensino regular, independentemente de suas características. Assim, não se limita à matrícula, mas envolve a oferta de condições equitativas e apoios adequados, favorecendo resultados acadêmicos, sociais e psicológicos, inclusive para estudantes com deficiências moderadas, severas ou necessidades complexas (Krämer et al., 2021; Dell’Anna et al., 2022). A convivência entre estudantes com e sem deficiência também pode fortalecer relações interpessoais, reduzir atitudes discriminatórias e promover o respeito à diversidade (Genovesi et al., 2022). Sua efetivação, contudo, exige mudanças estruturais, pedagógicas e atitudinais, com identificação e eliminação contínua das barreiras ao currículo e às experiências educacionais (Mendoza et al., 2022; Kamran et al., 2023).

A acessibilidade educacional envolve dimensões arquitetônicas, comunicacionais, metodológicas, instrumentais, digitais, programáticas e atitudinais. Barreiras físicas e recursos digitais inacessíveis, como materiais incompatíveis com leitores de tela, vídeos sem legendas ou ausência de audiodescrição, comprometem a autonomia e o acesso à informação (Fernández-Batanero et al., 2022). Currículos rígidos, avaliações padronizadas e metodologias pouco flexíveis também podem gerar exclusão, mesmo em instituições fisicamente acessíveis (Bray et al., 2024). Por isso, a acessibilidade deve ser incorporada ao planejamento pedagógico, garantindo diferentes formas de apresentação, participação e demonstração da aprendizagem (Lawan et al., 2023). No ensino superior, persistem dificuldades relacionadas às adaptações, às políticas institucionais e à dependência de iniciativas individuais dos docentes (Oswal et al., 2025). Dessa forma, instituições inclusivas devem antecipar a diversidade no planejamento de espaços, serviços e práticas (Masuku et al., 2024).

A consolidação da inclusão também depende da formação docente, do trabalho colaborativo e do compromisso institucional. A insegurança dos professores diante das necessidades educacionais específicas relaciona-se à formação insuficiente, à escassez de recursos e à falta de apoio especializado (Schwab et al., 2022). A formação inicial e continuada deve contemplar flexibilização curricular, avaliação inclusiva, uso de tecnologias assistivas e estratégias adequadas a diferentes ritmos e formas de aprendizagem (Fernández-Cerero et al., 2024). Recursos digitais, inteligência artificial, realidade aumentada e plataformas adaptativas podem ampliar a comunicação, a autonomia e a personalização do ensino, desde que associados à acessibilidade, infraestrutura e mediação pedagógica qualificada (Navas-Bonilla et al., 2025). Ambientes inteligentes também devem articular desenho universal, proteção de dados e políticas de inclusão, evitando novas desigualdades digitais (Dhouib et al., 2025). Portanto, a educação inclusiva requer atuação integrada de gestores, professores, profissionais de apoio, famílias e estudantes, acompanhando continuamente as condições de acesso, participação e aprendizagem (Zakaria et al., 2023).

2.2. Conceitos e Fundamentos da Tecnologia Assistiva

A Tecnologia Assistiva (TA) constitui uma área interdisciplinar que reúne conhecimentos, produtos, equipamentos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços destinados a ampliar a funcionalidade, autonomia e participação de pessoas com deficiência ou limitações funcionais. Sua definição ultrapassa o dispositivo utilizado, envolvendo também processos de avaliação, seleção, adaptação, disponibilização, treinamento e acompanhamento. Assim, é necessário distinguir o produto assistivo, como cadeira de rodas, leitor de tela, prótese, teclado adaptado ou software de comunicação, da TA enquanto campo de conhecimento e estrutura de serviços (Smith, 2024; Lourenço et al., 2025).

No contexto educacional, a TA contribui para reduzir barreiras ao acesso ao currículo, à comunicação, à mobilidade e à participação, atuando como mediadora entre as capacidades do estudante e as demandas do ambiente de aprendizagem (Fernández-Batanero et al., 2022). Seu fundamento não consiste em corrigir o indivíduo, mas em favorecer a interação entre pessoa, tarefa, tecnologia e contexto, considerando as barreiras e os facilitadores presentes no ambiente (Mishra et al., 2024). Dessa forma, a TA relaciona-se à equidade, à participação social e à educação inclusiva, integrando políticas, profissionais, recursos e serviços de apoio (Smith, 2022).

Os recursos assistivos podem ser classificados conforme as funções apoiadas, incluindo comunicação, mobilidade, audição, visão, cognição, autocuidado e acesso às tecnologias digitais. No ambiente educacional, abrangem desde recursos de baixa tecnologia, como engrossadores de lápis, planos inclinados, pranchas de comunicação e materiais táteis, até recursos de alta tecnologia, como leitores de tela, sintetizadores de voz, rastreamento ocular, sistemas de comunicação aumentativa e alternativa e softwares baseados em inteligência artificial (Putri et al., 2025). A complexidade tecnológica, entretanto, não determina sua efetividade, pois recursos simples podem apresentar maior funcionalidade quando adequados às características do estudante e aos objetivos pedagógicos (Navas-Bonilla et al., 2025).

A efetividade da TA depende da correspondência entre as necessidades funcionais do usuário, as atividades a serem realizadas e as condições do ambiente (Mukhtarkyzy et al., 2025). Por isso, sua avaliação deve ser individualizada, considerando habilidades, preferências, faixa etária, contexto sociocultural e demandas curriculares, além do diagnóstico clínico (Lynch et al., 2024). A participação do próprio usuário na escolha dos recursos também é fundamental, pois decisões que desconsideram suas experiências, expectativas e competências podem favorecer o uso inadequado ou o abandono da tecnologia (Papadopoulos et al., 2024).

A TA mantém relação com a acessibilidade e o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), embora sejam conceitos distintos. Enquanto a acessibilidade busca garantir condições de uso seguro e autônomo de ambientes, informações, comunicações e serviços, a TA oferece recursos individualizados ou especializados para superar barreiras funcionais específicas (Sánchez et al., 2024). O DUA, por sua vez, propõe o planejamento de materiais, estratégias e avaliações considerando diferentes formas de engajamento, representação e expressão da aprendizagem desde sua concepção (Samaniego López et al., 2025).

A comunicação aumentativa e alternativa exemplifica essa aplicação ao utilizar símbolos, pranchas, aplicativos e dispositivos de geração de fala para ampliar a comunicação de estudantes com limitações na expressão oral ou escrita (Dumitru, 2025). Entretanto, a presença do recurso não garante, por si só, a inclusão, pois sua efetividade depende da formação docente, do suporte técnico, da compatibilidade com os materiais e da integração ao planejamento pedagógico (Abdelwahab et al., 2025). Assim, os fundamentos contemporâneos da TA valorizam funcionalidade, participação, usabilidade, personalização e acompanhamento contínuo, compreendendo que uma tecnologia se torna efetivamente assistiva quando promove autonomia e participação significativa no contexto real do usuário (Zhang et al., 2025).

2.3. Tecnologia Assistiva Aplicada à Educação

A Tecnologia Assistiva (TA) compreende produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços destinados a ampliar a funcionalidade, autonomia e participação de pessoas com deficiência. No contexto educacional, sua aplicação envolve a superação de barreiras ao acesso ao currículo, à comunicação e às atividades escolares. A literatura demonstra que sua efetividade está relacionada à adequação dos recursos às características dos estudantes, aos objetivos pedagógicos e ao ambiente de utilização (Fernández-Batanero et al., 2022). Entre os recursos empregados destacam-se leitores de tela, linhas Braille, sistemas de comunicação aumentativa e alternativa, teclados adaptados, reconhecimento de voz, dispositivos móveis, materiais audiovisuais acessíveis e aplicativos educacionais (Mukhtarkyzy et al., 2025). Integrados às práticas pedagógicas inclusivas, esses recursos possibilitam diversificar as formas de apresentação dos conteúdos, realização das atividades e avaliação da aprendizagem (Navas-Bonilla et al., 2025). Ambientes inteligentes também podem incorporar tecnologias adaptativas, interfaces multimodais e mecanismos de personalização para atender às necessidades sensoriais, motoras e cognitivas dos estudantes (Dhouib et al., 2025).

A utilização da TA pode favorecer autonomia, comunicação, participação e acesso aos materiais didáticos. No ensino superior, esses recursos contribuem para o engajamento acadêmico e a participação social, embora os resultados dependam da adequação dos dispositivos e do suporte institucional (McNicholl et al., 2021). Na educação básica, tecnologias aplicadas ao ensino de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática apresentam potencial para apoiar estudantes autistas na realização de tarefas, compreensão de conceitos e desenvolvimento de habilidades acadêmicas e funcionais (Yakubova et al., 2024). Sistemas de comunicação aumentativa e alternativa ampliam as possibilidades de expressão e interação de estudantes com necessidades complexas de comunicação (Crowe et al., 2021), enquanto recursos como predição de palavras, conversão de fala em texto e apoio digital à escrita podem auxiliar estudantes com dificuldades específicas de aprendizagem (Barbetta, 2024). Paralelamente, inteligência artificial, legendagem automática, tutores inteligentes e plataformas adaptativas ampliam as possibilidades de personalização do ensino (Fitas et al., 2025).

Apesar desses avanços, a implementação da TA enfrenta desafios relacionados a custos, infraestrutura, conectividade, manutenção e formação profissional. Professores universitários reconhecem seu potencial para facilitar o acesso aos conteúdos e a comunicação, mas sua utilização depende das competências digitais e do apoio institucional (Castellano-Beltrán et al., 2024). A percepção de utilidade, facilidade de uso, experiência anterior e confiança docente também influencia a integração desses recursos ao planejamento pedagógico (Şahin et al., 2024). Na educação básica, conhecimento sobre as ferramentas e disponibilidade de recursos favorecem sua utilização, enquanto dificuldades de acesso, formação, conexão e motivação dos estudantes podem limitar sua continuidade (Lamond et al., 2023).

Barreiras financeiras, falta de capacitação e estigmatização também podem restringir o acesso à TA, especialmente em instituições com menor capacidade de investimento e suporte especializado (Ndibalema; Kambona, 2025). Por isso, sua implementação requer políticas institucionais, formação continuada, suporte técnico e participação dos usuários na escolha e avaliação dos recursos. A tecnologia, isoladamente, não garante inclusão, pois soluções descontextualizadas podem reproduzir desigualdades e desconsiderar aspectos sociais, culturais e econômicos dos estudantes (Bulathwela et al., 2024). Assim, a aplicação educacional da TA deve estar fundamentada em evidências, acessibilidade, desenho centrado no usuário e avaliação contínua dos resultados pedagógicos.

2.4. Principais Recursos e Tecnologias Assistivas

A Tecnologia Assistiva compreende recursos, dispositivos, estratégias e serviços destinados a promover funcionalidade, autonomia, acessibilidade e participação das pessoas com deficiência. No contexto educacional, sua utilização contribui para superar barreiras ao acesso, à permanência e à participação dos estudantes, em consonância com a LDB, a Lei Brasileira de Inclusão e a BNCC, que estabelecem princípios relacionados à educação especial, à acessibilidade e à garantia da participação de todos no processo educativo (Brasil, 1996; Brasil, 2015; Brasil, 2018).

Entre os principais recursos utilizados estão leitores e ampliadores de tela, displays Braille, teclados e mouses adaptados, acionadores, softwares de reconhecimento de voz, sistemas de legendagem e transcrição, aplicativos de comunicação alternativa e aumentativa e ferramentas de conversão de texto, áudio e imagem. Esses recursos podem atender diferentes necessidades relacionadas às deficiências visual, auditiva, física, intelectual e às limitações de comunicação. Sua seleção deve considerar as características do estudante, a atividade proposta e as condições do ambiente escolar, de modo que o recurso esteja articulado às demandas pedagógicas (Brasil, 2009; Galvão Filho, 2022; WHO, 2022).

Os recursos digitais e aplicativos educacionais acessíveis também apresentam relevância diante da expansão do uso de computadores, tablets, smartphones e plataformas virtuais. Ferramentas de ampliação de textos, alteração de contrastes, conversão de formatos, transcrição e interação multimodal podem reduzir barreiras e ampliar a participação dos estudantes. Essa abordagem aproxima-se dos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem, que propõe diferentes formas de representação, ação, expressão e engajamento. Além disso, a acessibilidade dos próprios conteúdos digitais é indispensável, pois plataformas e materiais inacessíveis podem limitar a utilização dos recursos assistivos (CAST, 2024; Brasil, 2018; W3C, 2023).

As tecnologias emergentes, especialmente a inteligência artificial, ampliam essas possibilidades por meio de ferramentas de reconhecimento de fala, descrição de imagens, transcrição automática, adaptação textual, tradução e interação por linguagem natural. Esses recursos podem favorecer experiências mais personalizadas e ampliar o acesso à informação, embora sua utilização exija atenção à inclusão, equidade, acessibilidade, privacidade, segurança dos dados e uso responsável das tecnologias (UNESCO, 2023; Brasil, 2015).

A diversidade de recursos evidencia que a Tecnologia Assistiva não se limita a equipamentos, constituindo instrumento de mediação entre o estudante, o conhecimento e o ambiente educacional. Sua efetividade depende da adequação às necessidades do usuário, da acessibilidade dos materiais, da infraestrutura e da preparação dos profissionais. Assim, a integração planejada desses recursos às práticas pedagógicas pode contribuir para ampliar a autonomia, a comunicação, o acesso ao currículo e a participação, favorecendo ambientes educacionais mais acessíveis e inclusivos (Brasil, 1996; Brasil, 2015; Brasil, 2018; Galvão Filho, 2022).

2.5. Tecnologia Assistiva e Aprendizagem

A Tecnologia Assistiva pode ampliar as oportunidades de aprendizagem ao possibilitar que estudantes com diferentes necessidades educacionais tenham acesso aos conteúdos, atividades e interações escolares, reduzindo barreiras e favorecendo condições mais equitativas de participação. A inclusão, portanto, ultrapassa a presença física na escola e envolve a participação efetiva nas experiências de aprendizagem e o desenvolvimento das potencialidades dos estudantes (Anjos et al., 2026; Nunes et al., 2026; Mantoan, 2023).

A TA também favorece a personalização das experiências educacionais ao oferecer diferentes formas de apresentação, interação e produção de respostas, como texto, áudio, imagens, recursos ampliados e sistemas de comunicação. Essa flexibilidade permite atender diferentes ritmos, formas de interação e necessidades funcionais, contribuindo para a diversificação das estratégias pedagógicas e para a ampliação das possibilidades de aprendizagem (Nunes et al., 2026; Anjos et al., 2026).

A autonomia constitui outra contribuição relevante, uma vez que recursos de comunicação, tecnologias de acesso ao computador, ferramentas de leitura e sistemas adaptados podem possibilitar maior independência na realização de atividades, expressão de conhecimentos e tomada de decisões. Assim, a TA deixa de ser compreendida apenas como instrumento compensatório e passa a atuar como recurso de promoção da participação e do protagonismo educacional (Mantoan, 2023; Cook; Polgar, 2020).

O engajamento e a participação também podem ser ampliados por aplicativos interativos, ferramentas multimodais e recursos digitais adaptados, especialmente quando articulados a metodologias que valorizam a resolução de problemas, a colaboração, a produção de conteúdos e a comunicação. A integração entre recursos assistivos e práticas pedagógicas inclusivas favorece a participação ativa e o reconhecimento das diferentes necessidades presentes no contexto escolar (Nunes et al., 2026; Anjos et al., 2026).

A TA apresenta ainda contribuições para a comunicação e a interação, permitindo que estudantes com limitações na comunicação oral, escrita ou no acesso a determinados recursos expressem ideias, respondam às atividades e estabeleçam relações com colegas e professores. A ampliação das possibilidades comunicativas favorece tanto a participação curricular quanto a interação social e o pertencimento ao ambiente educacional (Alper; Raharinirina, 2022).

Entretanto, seus benefícios não dependem exclusivamente da disponibilidade dos recursos. A mediação docente é fundamental para identificar necessidades, selecionar tecnologias adequadas, adaptar atividades e acompanhar os resultados. Dessa forma, a tecnologia não substitui a ação pedagógica, mas amplia as possibilidades de acesso ao currículo e de intervenção educativa, especialmente quando associada a práticas flexíveis e centradas nos estudantes (Mantoan, 2023; Nunes et al., 2026).

Quanto ao desempenho acadêmico, a TA pode facilitar a realização de tarefas que anteriormente representavam obstáculos, possibilitando acessar textos, registrar respostas, comunicar-se, organizar informações e utilizar diferentes modalidades de aprendizagem. Seus resultados, contudo, devem ser avaliados não apenas pelo desempenho acadêmico, mas também pela participação, autonomia, interação e satisfação do usuário (Cook; Polgar, 2020; Alper; Raharinirina, 2022).

Dessa forma, a contribuição da Tecnologia Assistiva para a aprendizagem é multidimensional, envolvendo acessibilidade, autonomia, comunicação, participação, engajamento e desenvolvimento acadêmico e social. Seus resultados tendem a ser mais efetivos quando os recursos são selecionados de forma individualizada, articulados ao planejamento docente e acompanhados por estratégias pedagógicas inclusivas (Anjos et al., 2026; Nunes et al., 2026; Mantoan, 2023).

2.6. Formação Docente, Desafios e Perspectivas

A efetiva incorporação da Tecnologia Assistiva ao ambiente educacional depende não apenas da disponibilidade de recursos, mas também da formação dos profissionais para reconhecer as necessidades dos estudantes e integrar as tecnologias aos objetivos pedagógicos. O conhecimento sobre acessibilidade, tecnologias digitais e estratégias inclusivas possibilita selecionar ferramentas adequadas, planejar seu uso e avaliar suas contribuições para a aprendizagem. A ausência dessa preparação pode limitar o potencial dos recursos e favorecer uma utilização meramente instrumental da tecnologia (Bersch, 2023; Galvão Filho, 2022).

A formação docente deve, portanto, ultrapassar o domínio operacional dos equipamentos, abrangendo necessidades educacionais, acessibilidade, planejamento e avaliação das tecnologias. A adequação de um recurso depende da relação entre as características do estudante, a atividade proposta e o contexto escolar, favorecendo práticas flexíveis e centradas no aluno. Dessa forma, a tecnologia atua como mediadora do processo educativo, contribuindo para ampliar a participação e a aprendizagem (Mendes, 2023; Nunes et al., 2026).

A implementação da Tecnologia Assistiva ainda enfrenta barreiras estruturais, econômicas, pedagógicas e institucionais, como insuficiência de equipamentos, infraestrutura inadequada, custos de aquisição e manutenção, dificuldade de acesso a serviços especializados e ausência de suporte técnico. As desigualdades socioeconômicas também podem ampliar as diferenças no acesso às tecnologias digitais, tornando necessárias políticas que assegurem aquisição, manutenção, atualização e orientação para seu uso adequado (CGI.br, 2024; Cetic.br, 2024).

Outro aspecto fundamental é a acessibilidade dos próprios recursos educacionais. Interfaces inadequadas, conteúdos sem descrição de elementos visuais, ausência de legendas, incompatibilidade com leitores de tela e dificuldades de navegação podem criar novas barreiras. Assim, a acessibilidade deve ser incorporada desde o planejamento e desenvolvimento de materiais, plataformas e ambientes digitais, especialmente diante da crescente digitalização das práticas educacionais (Cetic.br, 2024; CGI.br, 2024).

As novas tecnologias também ampliam as perspectivas de utilização da Inteligência Artificial e de sistemas adaptativos para a inclusão. Recursos capazes de reconhecer voz, interpretar imagens, produzir descrições, converter informações entre formatos e adaptar conteúdos podem favorecer o acesso ao conhecimento e soluções mais personalizadas. Entretanto, sua utilização exige atenção à privacidade, segurança dos dados, vieses algorítmicos, acessibilidade e desigualdades de acesso (Zawacki-Richter et al., 2021; Crompton; Burke, 2023).

Nesse contexto, a consolidação da Tecnologia Assistiva como instrumento de inclusão requer a articulação entre formação docente, infraestrutura, políticas institucionais, acessibilidade digital e participação dos estudantes na escolha e avaliação dos recursos. Sua efetividade está relacionada à adequação às necessidades dos usuários e à integração com as práticas pedagógicas e o ambiente escolar, superando a concepção da TA como simples disponibilização de equipamentos e compreendendo-a como estratégia para reduzir barreiras à participação e à aprendizagem (Mendes, 2023; Nunes et al., 2026).

3. METODOLOGIA

3.1. Tipo de Estudo

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática da literatura, de abordagem qualitativa e natureza descritiva e analítica, desenvolvida com o objetivo de reunir, analisar e discutir produções científicas sobre a utilização da Tecnologia Assistiva (TA) como ferramenta de inclusão no ambiente educacional. Foram consideradas suas contribuições para acessibilidade, autonomia, comunicação, participação e aprendizagem, bem como os principais desafios relacionados à sua implementação.

O estudo foi conduzido mediante procedimentos sistematizados de busca, seleção, avaliação e análise das produções científicas, seguindo as recomendações do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), conforme Page et al. (2021), contemplando as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos

3.2. Bases de Dados e Estratégia de Busca

O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases PubMed, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, Web of Science, Springer Nature e Scopus. Foram utilizados descritores em português e inglês relacionados à Tecnologia Assistiva e à inclusão educacional, combinados pelos operadores booleanos AND e OR, incluindo: “tecnologia assistiva”, “educação inclusiva”, “acessibilidade educacional”, “aprendizagem”, “autonomia”, “participação”, “recursos assistivos”, “formação docente”, “assistive technology”, “inclusive education”, “educational accessibility”, “learning”, “student participation”, “assistive devices” e “teacher training”.

Entre as combinações empregadas destacaram-se: (“tecnologia assistiva” AND “educação inclusiva”); (“tecnologia assistiva” AND “aprendizagem”); (“tecnologia assistiva” AND “acessibilidade”); (“tecnologia assistiva” AND “autonomia” OR “participação”); e (“tecnologia assistiva” AND “formação docente” OR “prática pedagógica”), com estratégias equivalentes em inglês.

O recorte temporal compreendeu publicações de 2021 a 2026, nos idiomas português e inglês. Complementarmente, foram verificadas as referências dos estudos selecionados para identificação de produções potencialmente relevantes, desde que atendessem aos critérios de elegibilidade.

3.3. Critérios de Inclusão e Exclusão

Foram incluídos artigos científicos, estudos empíricos e revisões de literatura publicados entre 2021 e 2026, disponíveis na íntegra, em português ou inglês, que abordassem diretamente a Tecnologia Assistiva no contexto educacional e suas relações com inclusão, acessibilidade, autonomia, comunicação, participação ou aprendizagem de estudantes com deficiência ou necessidades educacionais específicas.

Também foram considerados estudos sobre recursos de baixa e alta tecnologia, tecnologias de apoio à comunicação, mobilidade, visão, audição, cognição e acesso às tecnologias digitais, além de pesquisas relacionadas à integração desses recursos às práticas pedagógicas e às condições necessárias para sua implementação.

Foram excluídos estudos sem relação direta com a Tecnologia Assistiva e a inclusão educacional, pesquisas exclusivamente clínicas, terapêuticas ou de reabilitação, registros duplicados, resumos de eventos, artigos de opinião, publicações sem acesso ao texto completo e estudos que não apresentassem informações suficientes para análise.

3.4. Processo de Seleção dos Estudos

A seleção foi realizada conforme as etapas do PRISMA: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Inicialmente, foram identificadas as produções recuperadas nas bases consultadas e removidos os registros duplicados. Em seguida, foram analisados títulos, resumos e palavras-chave, considerando a relação dos estudos com a Tecnologia Assistiva e o contexto educacional.

Os trabalhos potencialmente relevantes foram submetidos à leitura integral e avaliados conforme os critérios de inclusão e exclusão. Após essa etapa, os estudos elegíveis constituíram o corpus final da revisão, sendo posteriormente submetidos à extração, organização e análise das informações. O processo de seleção será apresentado em fluxograma elaborado conforme as recomendações do PRISMA (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma do processo de identificação, seleção e inclusão dos estudos na revisão sistemática.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

3.5. Avaliação das Produções Selecionadas

Os estudos selecionados foram analisados qualitativamente considerando autoria, ano de publicação, objetivo, abordagem metodológica, contexto educacional, público investigado, recursos de Tecnologia Assistiva utilizados e principais resultados. Foram observadas especialmente as contribuições da TA para acessibilidade, autonomia, comunicação, participação, engajamento e aprendizagem, além das barreiras relacionadas à formação docente, infraestrutura, conectividade, custos, manutenção, suporte técnico e apoio institucional.

As informações foram organizadas em um quadro-síntese e submetidas à categorização temática. Os achados foram distribuídos em quatro eixos: I) Tecnologia Assistiva, inclusão e acessibilidade; II) recursos e aplicações da Tecnologia Assistiva no ambiente educacional; III) contribuições da Tecnologia Assistiva para aprendizagem, autonomia e participação; e IV) formação docente, barreiras e perspectivas para implementação da TA.

Por fim, realizou-se uma síntese qualitativa e interpretativa, buscando identificar convergências e divergências entre os estudos, bem como benefícios, limitações e condições necessárias para a utilização efetiva da Tecnologia Assistiva nas práticas pedagógicas. Considerou-se, ainda, a relação entre recurso tecnológico, necessidades do estudante, planejamento pedagógico e contexto institucional, reconhecendo que a simples disponibilidade da tecnologia não garante, isoladamente, a inclusão educacional.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. Tecnologias Assistivas Identificadas nos Estudos

A análise dos estudos selecionados evidenciou uma diversidade de recursos de Tecnologia Assistiva empregados no ambiente educacional, desde tecnologias de baixa complexidade até ferramentas digitais e sistemas baseados em inteligência artificial. Entre os recursos identificados destacam-se sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa, leitores de tela, displays Braille, teclados adaptados, reconhecimento de voz, tecnologias de apoio à escrita e aplicativos educacionais acessíveis (Crowe et al., 2021; Fernández-Batanero et al., 2022; Mukhtarkyzy et al., 2025).

Os recursos identificados apresentaram diferentes finalidades, principalmente relacionadas à comunicação, ao acesso aos conteúdos, à realização de atividades e à interação com professores e colegas. Os sistemas de comunicação, por exemplo, ampliam as possibilidades de expressão de estudantes com necessidades complexas de comunicação, enquanto tecnologias de acesso e apoio à escrita podem facilitar a realização de atividades acadêmicas (Crowe et al., 2021; Barbetta, 2024). Também foram identificadas aplicações em áreas específicas do ensino, incluindo atividades relacionadas às Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, demonstrando que a TA pode ser incorporada a diferentes componentes curriculares (Yakubova et al., 2024).

Outro achado refere-se à expansão de recursos digitais, plataformas adaptativas e ferramentas baseadas em inteligência artificial. Esses recursos possibilitam adaptar conteúdos, reconhecer comandos de voz, realizar transcrições e oferecer diferentes formas de interação com as informações. Dhouib et al. (2025) e Fitas et al. (2025) destacam o potencial dessas tecnologias para ampliar a personalização das experiências educacionais. Entretanto, os estudos também indicam que a escolha do recurso deve considerar as necessidades do estudante, as características da atividade e as condições do ambiente, não sendo a complexidade tecnológica um indicador suficiente de sua efetividade (Navas-Bonilla et al., 2025; Mukhtarkyzy et al., 2025).

De modo geral, os estudos analisados demonstram que as tecnologias assistivas identificadas possuem funções distintas, mas convergem para um objetivo comum: reduzir barreiras e ampliar as possibilidades de participação dos estudantes no processo educacional. A variedade de recursos encontrados reforça, portanto, a necessidade de uma seleção individualizada e articulada ao planejamento pedagógico, considerando que diferentes estudantes podem demandar diferentes estratégias e tecnologias.

4.2. Contribuições da Tecnologia Assistiva para a Inclusão

A Tecnologia Assistiva apresenta contribuições relevantes para ampliar o acesso, a participação e a autonomia dos estudantes no ambiente educacional. Entre os principais benefícios, destacam-se o apoio à comunicação, a realização de atividades e o acesso aos conteúdos pedagógicos, favorecendo maior envolvimento dos estudantes nas práticas escolares (McNicholl et al., 2021; Fernández-Batanero et al., 2022).

A ampliação da comunicação e da autonomia constitui outro aspecto recorrente, especialmente por meio de recursos de comunicação alternativa e aumentativa e de tecnologias voltadas ao apoio à leitura, à escrita e à interação. Esses recursos podem favorecer maior independência na realização das atividades e ampliar as possibilidades de participação dos estudantes (Crowe et al., 2021; Barbetta, 2024; Mukhtarkyzy et al., 2025).

Também se destacam recursos capazes de adaptar conteúdos e formas de interação às necessidades individuais, contribuindo para uma aprendizagem mais acessível e personalizada. Entretanto, esses resultados dependem da adequada seleção dos recursos, do planejamento pedagógico, da formação docente e das condições de infraestrutura e suporte oferecidas pela instituição (Navas-Bonilla et al., 2025; Dhouib et al., 2025; Fitas et al., 2025).

Tabela 1. Contribuições da Tecnologia Assistiva para a inclusão educacional

Contribuição

Principais benefícios

Autores

Comunicação

Ampliação da expressão e interação

Crowe et al. (2021)

Autonomia

Maior independência nas atividades

Barbetta (2024); Mukhtarkyzy et al. (2025)

Acesso ao currículo

Facilitação do acesso aos conteúdos e atividades

Fernández-Batanero et al. (2022); Navas-Bonilla et al. (2025)

Participação

Maior envolvimento nas atividades educacionais

McNicholl et al. (2021); Yakubova et al. (2024)

Personalização

Adaptação de conteúdos e formas de interação

Dhouib et al. (2025); Fitas et al. (2025)

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

De modo geral, a Tecnologia Assistiva contribui para reduzir barreiras entre as necessidades dos estudantes e as exigências do ambiente educacional. Contudo, sua utilização não garante, isoladamente, a inclusão, sendo necessária a articulação entre recursos acessíveis, práticas pedagógicas adequadas, formação docente e suporte institucional (Castellano-Beltrán et al., 2024; Şahin et al., 2024).

4.3. Impactos no Processo de Ensino e Aprendizagem

No processo de ensino e aprendizagem, a Tecnologia Assistiva amplia as possibilidades de acesso aos conteúdos, realização das atividades e expressão dos conhecimentos. A utilização de diferentes recursos e formas de interação permite adequar as experiências educacionais às características e necessidades dos estudantes, favorecendo práticas mais flexíveis e condições mais acessíveis para a construção da aprendizagem (Anjos et al., 2026; Nunes et al., 2026).

Entre os principais impactos identificados, destaca-se a ampliação do engajamento dos estudantes nas atividades pedagógicas. Recursos interativos, multimodais e adaptativos podem tornar a participação mais ativa, especialmente quando associados a estratégias que envolvem resolução de problemas, colaboração e produção de conhecimentos. Em diferentes contextos educacionais, essas ferramentas também podem favorecer o desenvolvimento de habilidades acadêmicas e funcionais, incluindo a realização de tarefas e a compreensão de conceitos (Yakubova et al., 2024; Navas-Bonilla et al., 2025).

A personalização constitui outro impacto relevante, principalmente com o uso de plataformas adaptativas e ferramentas baseadas em inteligência artificial. Esses recursos podem modificar conteúdos, formatos de apresentação, sistemas de interação e formas de resposta conforme as necessidades dos estudantes, contribuindo para experiências de aprendizagem mais flexíveis. Entretanto, a personalização tecnológica apresenta melhores resultados quando associada à mediação docente e ao planejamento pedagógico, uma vez que a tecnologia não substitui a tomada de decisões do professor (Dhouib et al., 2025; Fitas et al., 2025).

Os estudos também apontam efeitos sobre a comunicação e a interação durante o processo educativo. Sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa e tecnologias de apoio à leitura e à escrita podem ampliar a capacidade dos estudantes de responder às atividades, expressar conhecimentos e interagir com professores e colegas. Dessa forma, os impactos da TA não se restringem ao desempenho acadêmico, alcançando também aspectos relacionados à comunicação, interação e desenvolvimento da autonomia no contexto escolar (Crowe et al., 2021; Barbetta, 2024; Alper; Raharinirina, 2022).

Apesar dos resultados favoráveis, a efetividade desses recursos está relacionada à adequação às necessidades dos estudantes, à acessibilidade dos materiais, à formação docente, à infraestrutura e ao suporte institucional. Quando esses fatores não são considerados, a utilização da tecnologia pode ser limitada e não produzir os resultados esperados (McNicholl et al., 2021; Castellano-Beltrán et al., 2024; Şahin et al., 2024).

Assim, os impactos da Tecnologia Assistiva no ensino e na aprendizagem são multidimensionais, envolvendo não apenas o desempenho acadêmico, mas também engajamento, comunicação, interação, autonomia e participação nas atividades educacionais. Seu potencial pedagógico é ampliado quando os recursos são selecionados de forma individualizada e integrados às estratégias de ensino, às características dos estudantes e às condições do contexto educacional (Mantoan, 2023; Nunes et al., 2026).

4.4. Desafios e Limitações para Implementação

A implementação da Tecnologia Assistiva no ambiente educacional ainda é marcada por limitações relacionadas à infraestrutura, formação profissional, disponibilidade de recursos e suporte institucional. A ausência ou insuficiência de equipamentos, conectividade, manutenção e assistência técnica pode comprometer a continuidade do uso das tecnologias, sobretudo em instituições com menor capacidade de investimento (Castellano-Beltrán et al., 2024; Lamond et al., 2023).

A formação docente constitui outro desafio relevante. Embora os professores reconheçam o potencial das tecnologias assistivas, dificuldades relacionadas ao conhecimento das ferramentas, à segurança para utilizá-las e à integração dos recursos ao planejamento pedagógico podem limitar sua efetividade. A percepção de utilidade, facilidade de uso e experiência anterior também influencia a disposição dos docentes para incorporar essas tecnologias às práticas educacionais (Şahin et al., 2024; Schwab et al., 2022).

Também foram identificadas barreiras econômicas e institucionais que afetam o acesso e a permanência dos recursos. Custos de aquisição e manutenção, escassez de capacitação, ausência de políticas institucionais consistentes e desigualdades no acesso às tecnologias podem dificultar sua implementação, especialmente em contextos socialmente vulneráveis (Ndibalema; Kambona, 2025; CGI.br, 2024). Além disso, a dependência de iniciativas individuais dos professores pode resultar em práticas descontínuas e desiguais entre estudantes e instituições (Oswal et al., 2025).

A acessibilidade dos próprios recursos tecnológicos representa outra limitação. Interfaces incompatíveis com leitores de tela, ausência de legendas ou audiodescrição, materiais digitais inadequados e dificuldades de navegação podem criar novas barreiras ao invés de eliminá-las. Dessa forma, a adoção de uma tecnologia não deve ser considerada suficiente sem verificar sua acessibilidade, compatibilidade com os recursos utilizados pelos estudantes e adequação às atividades pedagógicas (Cetic.br, 2024; W3C, 2023).

Outro aspecto observado refere-se à possibilidade de que soluções tecnológicas sejam adotadas sem considerar as necessidades reais dos usuários. A escolha inadequada dos recursos, a ausência de participação dos estudantes e a falta de acompanhamento podem favorecer dificuldades de utilização ou abandono da tecnologia. Além disso, recursos baseados em inteligência artificial apresentam desafios relacionados à privacidade, segurança dos dados, vieses algorítmicos e desigualdade de acesso (Papadopoulos et al., 2024; Zawacki-Richter et al., 2021).

Portanto, os desafios para implementação da Tecnologia Assistiva não estão restritos à aquisição de equipamentos, envolvendo aspectos pedagógicos, técnicos, econômicos e institucionais. A superação dessas limitações exige formação continuada, infraestrutura adequada, suporte técnico, políticas de acessibilidade e acompanhamento sistemático, de modo que os recursos sejam efetivamente incorporados às práticas educacionais (Mendes, 2023; Nunes et al., 2026).

4.5. Tendências e Perspectivas Futuras

As perspectivas futuras para a Tecnologia Assistiva na educação apontam para a ampliação de soluções digitais capazes de oferecer maior personalização, acessibilidade e autonomia aos estudantes. Entre as tendências destacam-se a inteligência artificial, plataformas adaptativas, interfaces multimodais, reconhecimento de voz, conversão automática de conteúdos e ferramentas de comunicação, que podem ampliar as formas de acesso e interação com o conhecimento (Dhouib et al., 2025; Fitas et al., 2025).

A inteligência artificial apresenta potencial para adaptar conteúdos, identificar diferentes formas de interação e oferecer respostas mais compatíveis com as necessidades individuais. Recursos de reconhecimento de fala, descrição de imagens, transcrição, tradução e adaptação textual podem contribuir para reduzir barreiras sensoriais, comunicacionais e cognitivas. Entretanto, sua expansão deve estar acompanhada de princípios de acessibilidade, equidade, proteção de dados e uso responsável, evitando que novas tecnologias reproduzam desigualdades existentes (UNESCO, 2023; Zawacki-Richter et al., 2021).

Outra tendência consiste na aproximação entre Tecnologia Assistiva e Desenho Universal para a Aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento de materiais e ambientes educacionais acessíveis desde sua concepção. Essa integração pode reduzir a necessidade de adaptações posteriores e ampliar as possibilidades de participação de diferentes perfis de estudantes, especialmente em ambientes educacionais cada vez mais digitais (Samaniego López et al., 2025; Cetic.br, 2024).

Também se observa uma perspectiva de maior integração entre tecnologias, práticas pedagógicas e participação dos usuários. A seleção e avaliação dos recursos tendem a valorizar cada vez mais a experiência dos estudantes, a usabilidade, a funcionalidade e a adequação ao contexto, substituindo modelos centrados exclusivamente na disponibilidade do equipamento por abordagens orientadas às necessidades reais dos usuários (Lynch et al., 2024; Papadopoulos et al., 2024; Zhang et al., 2025).

As principais tendências identificadas na literatura, bem como suas possibilidades de aplicação e as condições necessárias para sua efetivação, são sintetizadas na Tabela 2.

Tabela 2. Tendências e perspectivas futuras da Tecnologia Assistiva na educação

Tendência

Possibilidades para a educação

Condições necessárias

Inteligência artificial

Personalização, reconhecimento de voz, descrição de imagens e adaptação de conteúdos

Acessibilidade, segurança e proteção de dados

Plataformas adaptativas

Adequação de conteúdos e atividades às necessidades dos estudantes

Infraestrutura e mediação docente

Interfaces multimodais

Diferentes formas de interação e acesso às informações

Compatibilidade e acessibilidade digital

Desenho Universal para a Aprendizagem

Materiais e estratégias acessíveis desde o planejamento

Formação docente e planejamento inclusivo

Participação do usuário

Maior adequação, usabilidade e aceitação dos recursos

Escuta e envolvimento dos estudantes

Integração institucional

Continuidade e ampliação das práticas assistivas

Políticas, financiamento e suporte técnico

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

Diante dessas tendências, o futuro da Tecnologia Assistiva na educação está relacionado não apenas ao desenvolvimento de novas ferramentas, mas à construção de ecossistemas educacionais mais acessíveis, personalizados e centrados nos estudantes. A consolidação dessas perspectivas dependerá da articulação entre inovação tecnológica, formação docente, políticas institucionais, acessibilidade digital e avaliação contínua dos resultados, garantindo que o avanço tecnológico esteja efetivamente associado à inclusão e à aprendizagem (Navas-Bonilla et al., 2025; Dhouib et al., 2025; Nunes et al., 2026).

5. CONCLUSÃO

A presente revisão sistemática permitiu compreender a Tecnologia Assistiva como importante recurso para a promoção da inclusão educacional, contribuindo para reduzir barreiras e ampliar as possibilidades de acesso, participação, comunicação, autonomia e aprendizagem de estudantes com diferentes necessidades educacionais. Os estudos analisados demonstraram que a TA envolve uma ampla diversidade de recursos, desde tecnologias de baixa complexidade até ferramentas digitais, plataformas adaptativas e soluções baseadas em inteligência artificial.

Os resultados evidenciaram impactos positivos no processo de ensino e aprendizagem, especialmente quanto à ampliação do acesso aos conteúdos, à realização das atividades, à comunicação, ao engajamento e à personalização das experiências educacionais. Entretanto, a efetividade desses recursos não está relacionada apenas à sua disponibilidade, mas à adequação às necessidades dos estudantes, à acessibilidade dos materiais, à mediação docente e à integração das tecnologias ao planejamento pedagógico.

Também foram identificados desafios que ainda limitam a implementação da Tecnologia Assistiva, entre eles a insuficiência de infraestrutura, conectividade e suporte técnico, os custos de aquisição e manutenção, a formação docente insuficiente e a ausência de políticas institucionais consistentes. Tais fatores demonstram que a inclusão tecnológica exige ações articuladas entre professores, gestores, profissionais de apoio, estudantes e demais integrantes da comunidade escolar.

As tendências identificadas apontam para a expansão da inteligência artificial, das plataformas adaptativas, das interfaces multimodais e de recursos voltados à personalização e à acessibilidade digital. Contudo, o avanço tecnológico precisa estar acompanhado de princípios de equidade, acessibilidade, proteção de dados, participação dos usuários e uso responsável, de modo a evitar a reprodução ou ampliação de desigualdades educacionais.

Conclui-se, portanto, que a Tecnologia Assistiva possui potencial significativo para fortalecer práticas educacionais inclusivas, mas não constitui uma solução isolada para os desafios da inclusão. Seus benefícios dependem da articulação entre tecnologia, planejamento pedagógico, formação profissional, infraestrutura, políticas institucionais e necessidades concretas dos estudantes. Como perspectiva, destaca-se a necessidade de ampliar pesquisas que avaliem os resultados da utilização dessas tecnologias em diferentes contextos educacionais, considerando não apenas o desempenho acadêmico, mas também autonomia, participação, comunicação, engajamento e qualidade da experiência educacional.

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1 Graduada em ciências biológicas pelo Instituto Federal de Alagoas na Universidade Aberta do Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Doutoranda em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Doutora em Ciências da Educação da Universidad de la Integración de las Américas Campus Paraguai. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Especialista em Educação Infantil e Anos Iniciais pela (FACULESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Especialista em Atendimento Educacional Especializado (IFPI). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Mestrando em Educação pelo PPGED Universidade do Estado do Amazonas - UEA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Doutorando em Proteção de Plantas Pela Universidade Federal de Alagoas (CECA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

8 Doutorado em Química e Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas - UFAL Campus A.C Simões. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail