“QUEM CUIDA DE QUEM CUIDA?”: O RECONHECIMENTO E A INVISIBILIDADE SOCIAL DAS MÃES DE PESSOAS AUTISTAS

“WHO CARES FOR THE CAREGIVERS?”: THE SOCIAL RECOGNITION AND INVISIBILITY OF MOTHERS OF AUTISTIC PEOPLE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792104886

RESUMO
A maternidade de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve demandas contínuas de cuidado que podem repercutir na vida pessoal, familiar, social e emocional das mães, contribuindo para experiências de sobrecarga, invisibilidade social e redução do espaço destinado ás suas próprias necessidades. Objetivos: analisaras repercussões sociais e emocionais vivenciadas por mães de pessoas com TEA, com enfoque na sobrecarga materna, no autoestigma, na invisibilidade social, nas redes de apoio e reconhecimento de suas necessidades. Metodologia: trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, realizada a partir da análise de produções científicas recentes sobre maternidade, cuidado, saúde mental, redes de apoio e reconhecimento social no contexto do TEA. Considerações e resultados: a literatura analisada evidencia que as mães frequentemente assumem parcela significativa das responsabilidades relacionadas ao cuidado, acompanhamento e organização da rotina dos filhos, podendo vivenciar sobrecarga, isolamento, sofrimento emocional, autoculpabilização e dificuldades para conciliar o cuidado com outras dimensões da vida. Os estudos também apontam que redes de apoio familiares, sociais e institucionais, bem como a corresponsabilização do cuidado, podem contribuir para a redução da sobrecarga e para a promoção do bem-estar materno. Conclui-se que o reconhecimento das mães como sujeitos que também necessitam de cuidado é fundamental para a construção de práticas de atenção mais abrangentes às famílias de pessoas com TEA.
Palavras-chave: Maternidade Atípica; Transtorno do aspectro autista; Sobrecarga materna; Saúde mental; Rede de apoio.

ABSTRACT
The motherhood of people with Autism Spectrum Disorder (ASD) involves continuous caregiving demands that may affect mothers’ personal, family, social, and emotional lives, contributing to experiences of burden, social invisibility, and reduced space for their own needs. Objectives: to analyze the social and emotional repercussions experienced by mothers of people with ASD, focusing on maternal burden, self-stigma, social invisibility, support networks, and recognition of their needs. Methodology: this is a bibliographic study with a qualitative approach, based on the analysis of recent scientific literature on motherhood, caregiving, mental health, support networks, and social recognition in the context of ASD. Considerations and results: the literature analyzed shows that mothers often assume a significant share of responsibilities related to caregiving, monitoring, and organizing their children’s routines, which may result in burden, isolation, emotional distress, self-blame, and difficulties in reconciling caregiving with other areas of life. The studies also indicate that family, social, and institutional support networks, as well as shared responsibility for caregiving, may contribute to reducing maternal burden and promoting maternal well-being. It is concluded that recognizing mothers as individuals who also require care is essential for developing more comprehensive care practices for families of people with ASD.
Keywords: atypical motherhood; Autism spectrum disorder; Maternal burden; Mental health; Support networks.

1. INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui uma condição do neurodesenvolvimento marcada por diferentes manifestações relacionadas à comunicação e à interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, apresentando grande heterogeneidade entre as pessoas diagnosticadas. Embora o diagnóstico e o acompanhamento estejam centrados na pessoa autista, as demandas decorrentes do cuidado também repercutem diretamente sobre a dinâmica familiar, especialmente sobre as mães, que frequentemente assumem parte significativa das tarefas relacionadas ao acompanhamento terapêutico, à organização da rotina e à busca por serviços e direitos. Estudos brasileiros têm identificado sobrecarga, dificuldades na conciliação entre cuidado, trabalho e vida pessoal, redução do autocuidado e necessidade de maior suporte social às mães de pessoas autistas (Vilanova et al., 2022; Luna et al., 2023).

Nesse contexto, o presente estudo delimita-se à análise do reconhecimento e da invisibilidade social vivenciados por mães de pessoas autistas, com enfoque nas repercussões sociais do trabalho de cuidado e nas necessidades dessas mulheres. Cuidar de uma pessoa autista envolve não apenas tarefas práticas, mas também disponibilidade, organização da rotina, acompanhamento e mobilização de recursos familiares e sociais. Dessa forma, as mães podem acumular responsabilidades relacionadas ao cuidado, às atividades domésticas e ao trabalho, além de vivenciarem cansaço, estresse, culpa e desamparo (Guckert; Oliveira; Belaunde, 2024).

A relevância desta pesquisa está relacionada à necessidade de ampliar a discussão sobre as pessoas que exercem o cuidado cotidiano e, particularmente, sobre as mães de pessoas autistas, considerando que suas necessidades podem permanecer pouco reconhecidas diante da centralidade atribuída às demandas da pessoa autista. No âmbito social, discutir essa realidade pode contribuir para a valorização do cuidado, para o reconhecimento das necessidades das mães e para a reflexão sobre redes de apoio mais adequadas. No âmbito acadêmico, o estudo possibilita reunir produções científicas sobre sobrecarga, redes de apoio, autocuidado e reconhecimento social. Para a Psicologia, a discussão permite compreender o cuidado considerando também o contexto social e relacional das cuidadoras, evitando que suas dificuldades sejam analisadas de forma isolada de suas condições de vida. Estudos apontam, ainda, a necessidade de redes de apoio e espaços de escuta que considerem as necessidades das mães de pessoas com TEA (Luna et al., 2023).

Diante dessa problemática, a questão norteadora deste estudo é: como a literatura científica aborda o reconhecimento e a invisibilidade social das mães de pessoas autistas, considerando as demandas do cuidado, a sobrecarga vivenciada e a presença ou ausência de redes de apoio?

O objetivo geral é analisar, com base na literatura científica, aspectos relacionados ao reconhecimento e à invisibilidade social das mães de pessoas autistas, considerando as repercussões do cuidado em suas vivências sociais e pessoais. Como objetivos específicos, busca-se identificar as principais demandas e formas de sobrecarga relacionadas ao cuidado; discutir como as redes de apoio e o contexto social interferem na experiência dessas mães; e analisar contribuições da Psicologia para a valorização, o acolhimento e o fortalecimento das redes de apoio destinadas às cuidadoras.

Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida a partir do levantamento e da análise de produções científicas relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista, à maternidade, ao trabalho de cuidado, à sobrecarga, ao reconhecimento social e às redes de apoio. A pesquisa bibliográfica possibilita reunir e analisar conhecimentos já produzidos sobre a temática, buscando compreender como a literatura científica aborda as experiências e necessidades das mães de pessoas autistas. A análise das produções selecionadas será direcionada aos aspectos relacionados às demandas do cuidado, à sobrecarga, às redes de apoio, ao autocuidado e ao reconhecimento ou invisibilidade social dessas mulheres.

Quanto às limitações, por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, não serão coletados dados diretamente com mães de pessoas autistas. Assim, o estudo estará condicionado às características e aos recortes das produções selecionadas, não permitindo acessar experiências individuais que não estejam registradas na literatura consultada. Além disso, a diversidade das experiências familiares e das necessidades de suporte exige cautela na interpretação dos achados, evitando generalizações sobre todas as mães de pessoas autistas.

Como proposição, considera-se que a literatura científica poderá evidenciar a presença de sobrecarga e de necessidades relacionadas ao reconhecimento, ao autocuidado e às redes de apoio dessas mães, contribuindo para ampliar a compreensão sobre o cuidado para além das demandas da pessoa autista. Pretende-se, portanto, reunir e analisar produções que possibilitem compreender de que maneira essas mulheres são reconhecidas ou permanecem invisibilizadas no contexto social do cuidado, destacando a importância da escuta, da valorização e do fortalecimento das redes de apoio.

1.1. Maternidade, Cuidado e Sobrecarga no Contexto do Transtorno do Espectro Autista

A maternidade de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode envolver mudanças significativas na organização da rotina familiar e na distribuição das responsabilidades de cuidado. Após o diagnóstico, muitas mães precisam reorganizar atividades pessoais, profissionais e familiares para atender às necessidades da criança, assumindo uma participação intensa no acompanhamento terapêutico e nas demandas cotidianas. Nesse processo, a experiência da maternidade pode passar a ser marcada pela centralidade do cuidado e pela redução de outros papéis sociais anteriormente desempenhados.

Estudos qualitativos evidenciam que as famílias vivenciam diferentes etapas após o diagnóstico, envolvendo desde o impacto inicial e a dificuldade de compreensão da condição até processos de adaptação e aceitação. Nesse percurso, as mães frequentemente assumem posição central no cuidado, o que pode produzir mudanças na dinâmica familiar e nos projetos pessoais. (Magalhães et al., 2021).

A sobrecarga materna também aparece como uma dimensão importante dessa experiência. Vilanova et al. (2022), em estudo de método misto realizado com 51 mães na etapa quantitativa e seis na etapa qualitativa, identificaram a presença de sobrecarga relacionada às demandas do cuidado de filhos diagnosticados com TEA. Os resultados mostram que essa sobrecarga precisa ser compreendida considerando não apenas as características da criança, mas também as condições sociais, econômicas e familiares nas quais o cuidado acontece.

Além disso, intervenções direcionadas às necessidades da criança podem repercutir na experiência das mães. Ferreira et al. (2022), ao analisarem a implementação do Picture Exchange Communication System (PECS), investigaram sua repercussão no índice de sobrecarga materna, demonstrando a importância de considerar também o bem-estar dos cuidadores durante o acompanhamento terapêutico da criança.

Assim, a maternidade no contexto do TEA não deve ser compreendida exclusivamente a partir das responsabilidades relacionadas à criança. É necessário considerar a mulher que exerce o cuidado, seus projetos, necessidades e demais papéis sociais. Zapata, Rodrigues e

Ferreira (2025), ao investigarem experiências de mães de autistas durante a transição dos filhos para a vida adulta, reforçam a necessidade de compreender a continuidade das demandas de cuidado ao longo do desenvolvimento dos filhos.

A centralização das responsabilidades de cuidado pode contribuir para que as necessidades das próprias mães permaneçam em segundo plano. Nesse contexto, a invisibilidade social pode ser compreendida como um processo no qual o trabalho cotidiano realizado pelas mães é pouco reconhecido socialmente, apesar de envolver tempo, esforço físico e emocional e reorganização de diferentes dimensões da vida.

O autoestigma constitui outra dimensão relevante dessa experiência. Lima et al. (2024) investigaram o autoestigma em mães de crianças com TEA, evidenciando a importância de compreender como julgamentos sociais, expectativas relacionadas à maternidade e experiências de preconceito podem ser incorporados pelas próprias mulheres. Dessa forma, o sofrimento não está relacionado somente às demandas objetivas do cuidado, mas também à maneira como essas mães passam a perceber a si mesmas diante das expectativas sociais.

As repercussões psicossociais também foram identificadas em estudos recentes. Teixeira et al. (2024), em pesquisa qualitativa com 22 mães de crianças com TEA, encontraram relatos relacionados a medo, ansiedade, angústia, preocupações e sobrecarga física, emocional e psicológica. O estudo também evidenciou situações de solidão associadas à fragilidade ou inexistência de redes de apoio durante o período investigado.

Reis e Rodrigues (2024), por sua vez, entrevistaram 12 mães de crianças autistas e identificaram experiências marcadas por sofrimento psicossocial, exclusão, sobrecarga, isolamento e sensação de insuficiência diante das múltiplas demandas de cuidado. O estudo também destacou a importância de espaços institucionais de acolhimento e de redes de apoio para essas mulheres.

Nesse sentido, reconhecer as mães como sujeitos que também necessitam de cuidado é fundamental. O estudo de Vale et al. (2024), sobre a implementação dos acordos de cuidado do programa CACTO, identificou entre as participantes necessidades relacionadas ao autocuidado insuficiente, à autoculpabilização, aos conflitos familiares e aos sinais de sobrecarga. Os autores destacam ainda que a escassez de tempo e as relações consideradas opressoras podem constituir barreiras para o cuidado de si.

1.2. Redes de Apoio, Reconhecimento Social e Corresponsabilização do Cuidado

Diante das demandas associadas ao cuidado de crianças com TEA, as redes de apoio assumem papel relevante na experiência das mães. Essas redes podem envolver familiares, companheiros, amigos, profissionais de saúde, instituições e grupos de apoio, contribuindo para a divisão das responsabilidades e para a redução do isolamento vivenciado por algumas mulheres.

A literatura aponta que a participação de outras pessoas no cuidado pode favorecer uma distribuição mais equilibrada das responsabilidades. Nesse sentido, o apoio não deve ser compreendido apenas como auxílio eventual, mas como uma forma de corresponsabilização que reconhece que o cuidado da criança não deve permanecer concentrado exclusivamente na mãe.

Reis e Rodrigues (2024) identificaram que, durante a pandemia, muitas mães assumiram múltiplas demandas de cuidado na ausência de parcerias e recursos institucionais. Ao mesmo tempo, espaços como o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e grupos on-line de ajuda mútua apareceram como possibilidades de acolhimento e suporte.

Da mesma forma, o estudo de Ponte e Araujo (2022) mostrou que as experiências de mães de crianças com TEA envolvem dificuldades relacionadas ao exercício de diferentes papéis e à participação do pai no cuidado, destacando a importância das redes de suporte e da participação ativa dos companheiros.

A necessidade de ampliar o cuidado para além da criança também aparece no estudo de Vale et al. (2024), sobre a implementação dos acordos de cuidado do programa CACTO. A pesquisa identificou que as necessidades de saúde das mães podem não receber atenção suficiente, enquanto o cuidado profissional precisa considerar também as necessidades individuais dessas mulheres. O estudo destaca, portanto, a importância de iniciativas que reconheçam as mães como pessoas que também necessitam de cuidado.

Portanto, o reconhecimento social das mães de pessoas com TEA envolve não apenas valorizar o trabalho de cuidado que realizam, mas também promover condições para que outras pessoas, instituições e políticas públicas compartilhem essa responsabilidade. A corresponsabilização pode favorecer maior possibilidade de autocuidado, participação social e continuidade de projetos pessoais e profissionais, sem desconsiderar as necessidades específicas da criança.

2. CONSIDERAÇÕES E RESULTADOS

A análise da literatura científica brasileira permitiu identificar que a experiência das mães de pessoas autistas é marcada por diferentes repercussões sociais, emocionais e familiares. Entre os principais resultados encontrados estão a sobrecarga relacionada ao cuidado, as dificuldades de autocuidado, os impactos na qualidade de vida, o sofrimento psicossocial, o autoestigma e a fragilidade das redes de apoio.

Os estudos analisados demonstram que a sobrecarga materna não pode ser compreendida apenas pela quantidade de tarefas realizadas. Ela também está relacionada à responsabilidade contínua pelo acompanhamento da criança, à necessidade de articulação com diferentes serviços e à preocupação com o desenvolvimento e o futuro do filho. Vilanova et al. (2022) evidenciam essa relação ao identificarem sobrecarga entre mães de crianças diagnosticadas com TEA.

Outro resultado importante refere-se à invisibilidade do trabalho de cuidado. Embora a dedicação materna seja frequentemente valorizada socialmente, essa valorização nem sempre significa reconhecimento das necessidades da própria mulher. A mãe pode ser vista como essencial para o desenvolvimento do filho, mas suas necessidades de descanso, saúde, lazer, trabalho e autocuidado podem permanecer em segundo plano.

A literatura também evidencia a presença do autoestigma. Lima et al. (2024) identificaram relação entre o autoestigma e aspectos relacionados à saúde mental, ao estresse do cotidiano de cuidado e à qualidade de vida. Esse resultado demonstra que a experiência de julgamento social pode repercutir não apenas nas relações externas, mas também na maneira como a mãe percebe a si mesma.

As redes de apoio aparecem como outro elemento central. Os estudos indicam que a presença de familiares, profissionais e instituições capazes de compartilhar responsabilidades pode contribuir para diminuir o isolamento e favorecer melhores condições de cuidado. Por outro lado, a fragilidade dessas redes pode intensificar a sobrecarga e concentrar ainda mais responsabilidades sobre a mãe.

Dessa forma, os resultados reforçam a necessidade de uma perspectiva de corresponsabilização. A atenção à pessoa autista não deve ser construída exclusivamente sobre o esforço materno. Família, serviços de saúde, escola, assistência social e comunidade precisam participar, dentro de suas responsabilidades, da construção de uma rede de suporte.

Também se evidencia a necessidade de compreender a mãe como sujeito de cuidado. Estratégias de acompanhamento que considerem apenas as necessidades da criança podem deixar de contemplar aspectos importantes da realidade familiar. A escuta das mães, o acompanhamento de sua saúde mental e o fortalecimento de suas redes de apoio devem integrar uma perspectiva de atenção integral.

Como limitação, destaca-se que este estudo foi desenvolvido a partir da análise da literatura disponível, estando sujeito aos recortes metodológicos e às características das pesquisas selecionadas. Além disso, parte dos estudos encontrados foi realizada em contextos específicos, como o período da pandemia da COVID-19, o que exige cautela ao generalizar seus resultados para todas as mães de pessoas autistas.

Para pesquisas futuras, recomenda-se ampliar a investigação para diferentes regiões do Brasil e considerar a diversidade das experiências maternas, incluindo aspectos socioeconômicos, condições de trabalho, composição familiar, acesso aos serviços, presença ou ausência de redes de apoio e diferentes fases do desenvolvimento dos filhos. Também são relevantes estudos que avaliem intervenções destinadas diretamente ao bem-estar e à saúde mental das mães.

Conclui-se que discutir o reconhecimento e a invisibilidade social das mães de pessoas autistas significa ampliar o olhar para além das necessidades da criança e considerar também a mulher que participa cotidianamente do processo de cuidado. O reconhecimento dessas mães não deve se limitar à valorização simbólica de sua dedicação, mas envolver apoio, escuta, corresponsabilização e acesso a recursos que favoreçam sua qualidade de vida. Assim, compreender quem cuida de quem cuida torna-se fundamental para uma abordagem mais integral do TEA. A mãe não deve ser percebida apenas comocuidadora, mas como sujeito que também necessita de cuidado, reconhecimento e espaço para exercer diferentes dimensões de sua vida.

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1 Acadêmico(a) do Curso de Psicologia da Faculdade de Educação Santa Terezinha – FEST, Imperatriz-MA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Professora Especialista do Curso de Psicologia da Faculdade de Educação Santa Terezinha – FEST, Imperatriz-MA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail