QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL DOS JOVENS DE ILHABELA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES EM FORMAÇÃO TÉCNICA E EMPREGABILIDADE
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18776193
Denise Normino de Oliveira1
Elisângela Magalhães Chaves2
Luyara Victória Correia de Oliveira3
Josué Mario de Oliveira4
Robson Jeremias5
Adriane Akemi Zenke6
RESUMO
O presente estudo investiga a qualificação profissional dos jovens de Ilhabela, analisando como os cursos oferecidos pelo Instituto de Educação Tecnológica (IETEC) podem impactar suas oportunidades no mercado de trabalho. Para isso, por meio de um questionário, foram coletadas opiniões de 40 jovens da região, de idade entre 14 a 24 anos, identificando-se desafios como acesso à informação, custos dos cursos e a necessidade de parcerias estratégicas para inserção profissional. Também foram coletados dados junto ao diretor da Instituição sobre o modo como atuam no oferecimento dos cursos. Os resultados indicam que, apesar da infraestrutura do IETEC e da oferta de cursos, a ocupação dos programas ainda não atinge sua capacidade máxima, evidenciando um potencial de expansão. Além disso, foram propostas ações para melhorar a divulgação dos cursos, utilizar espaços ociosos da instituição e promover eventos que conectem os jovens ao mercado local. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas que apoiem a qualificação e empregabilidade juvenil, garantindo inclusão produtiva e desenvolvimento social.
Palavras-chave: Qualificação profissional, jovens, mercado de trabalho, vulnerabilidade social.
ABSTRACT
This case study analyzes the professional qualification of young people in Ilhabela, emphasizing the importance of training and development programs for their integration into the job market. The research considers the social vulnerability of young individuals, seeking to understand how vocational training can mitigate the negative impacts of migration and tourism in the region. The study examines the availability of courses and training, including internship programs at the city hall and partnerships with institutes and companies to connect young people with employment opportunities. This initiative aims to foster talent development and promote productive inclusion through technological education, recognizing the need for specific public policies to address the demands of this population segment.
Keywords: Vocational training, youth employment, job market, social vulnerability, technological education.
1. INTRODUÇÃO
O emprego e o desenvolvimento social estão diretamente interligados e desempenham um papel fundamental na construção de oportunidades para os jovens do município de Ilhabela, localizado no litoral norte do estado de São Paulo. Embora a cidade seja reconhecida por suas belezas naturais e sua forte vocação turística, enfrenta desafios significativos relacionados ao desemprego juvenil e à oferta limitada de qualificação profissional. Esses fatores dificultam a inserção dos jovens no mercado de trabalho e limitam suas perspectivas de crescimento econômico e social.
De acordo com Mello (2023), a ausência de cursos técnicos e profissionalizantes representa um dos principais entraves para a empregabilidade dos jovens na região. Essa problemática também foi apontada por organizações da sociedade civil, que destacaram a necessidade de iniciativas voltadas para a formação profissional como estratégia para reduzir as desigualdades no acesso ao trabalho. Dados do Instituto Pólis (2013), indicaram que a qualificação da mão de obra em Ilhabela apresenta lacunas, não atendendo plenamente às demandas dos empregadores locais, especialmente em setores como a construção civil, que se encontra em expansão, mas carece de trabalhadores capacitados.
Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo propor ações que possam auxiliaro IETEC na atuação com os jovens do município de Ilhabela, entre 14 e 24 anos, no aprimoramento de suas habilidades profissionais e na inclusão no mercado de trabalho. Assim, a pesquisa concentra-se no IETEC, que oferece cursos em áreas estratégicas como turismo e tecnologia. O presente trabalho busca oferecer subsídios para que o IETEC amplie e adapte sua oferta de cursos, tornando-os mais acessíveis e alinhados aos anseios dos jovens da região. Embora o impacto direto no desenvolvimento social e econômico de Ilhabela dependa de múltiplos fatores, espera-se que tais ações contribuam positivamente para a formação dos jovens e para sua inserção no mercado de trabalho local.
Dessa forma, este estudo procura responder à seguinte questão de pesquisa: De que forma a melhoria e ampliação da oferta de cursos profissionalizantes na IETEC pode ampliar as oportunidades para os jovens no mercado de trabalho de Ilhabela?
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. O Papel do Emprego e da Educação na Inclusão Social
O desenvolvimento social abrange o progresso das sociedades em aspectos como a inclusão, equidade e bem-estar. Segundo Dalto, Pires e Aguiar (2021), iniciativas de desenvolvimento social ajudam a reduzir desigualdades e fortalecer comunidades. Para jovens de 14 a 24 anos em Ilhabela, o emprego é importante nesse processo.
Durkheim (2002), destacou o mercado de trabalho como central para a coesão social, integrando indivíduos às dinâmicas econômicas e sociais. No Brasil, o emprego, definido como atividade remunerada (Ministério do Trabalho e Emprego, 2023), pode ser formal, com direitos assegurados pela CLT (2023), ou informal, sem regulamentação, conforme o IBGE (2023).
Para jovens, existem mecanismos como a Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000) e o estágio (Lei nº 11.788/2008), que promovem experiências práticas e proteção aos direitos. O voluntariado também contribui, desenvolvendo competências sociais e promovendo cidadania (Instituto Brasileiro de Voluntariado, 2021).
A formação profissional é um alicerce do desenvolvimento social e da empregabilidade dos jovens. Pessoa et al. (2014), afirmaram que a qualificação técnica é uma oportunidade de transformação social para jovens vulneráveis.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (2018), programas técnicos reduzem desigualdades ao capacitar jovens para cargos qualificados. Cenci e Souza (2021), destacaram a necessidade de alinhar os cursos às demandas do mercado, enquanto Dornelles et al. (2021) defenderam o desenvolvimento de competências técnicas e sociais para uma formação integral.
2.2. Gestão Participativa e Planejamento Urbano na Promoção da Juventude
Pequenas cidades, como Ilhabela, enfrentam desafios na geração de emprego e qualificação profissional. Teodósio (2013), apontou a importância de estratégias integradas entre governos, comunidades e setor privado para superar esses obstáculos.
Mendes (2019), destacou a gestão participativa como essencial para políticas públicas eficazes e alinhadas às realidades locais, promovendo maior inclusão e coesão social
A participação juvenil no planejamento urbano é crucial para o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Franca (2021), ressaltou que "pequenas cidades enfrentam problemas urbanos significativos", reforçando a necessidade de políticas específicas para jovens.
Teodósio (2013), enfatizou que programas de capacitação alinhados às demandas locais são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social. Erikson (1968), argumentou que a adolescência é uma fase crucial para o desenvolvimento de habilidades e tomada de decisões, destacando a relevância de políticas públicas que apoiem essa transição
2.3. Saúde Mental e Políticas para o Bem-estar Juvenil
Outro aspecto importante é a saúde mental e o bem-estar dos jovens. A promoção de ambientes seguros e de apoio psicológico é essencial para que eles possam enfrentar os desafios dessa fase de transição. Atividades físicas e de lazer também desempenham um papel vital no desenvolvimento integral dos adolescentes (WHO, 2020). Aliás, estratégias como o desenvolvimento de programas de educação emocional nas escolas e a implementação de serviços de aconselhamento e terapia acessíveis, podem proporcionar aos jovens as ferramentas necessárias para lidar com o estresse e a ansiedade, promovendo uma vida mental saudável.
A formação em cidadania e o engajamento em comunidades locais foram apontados como importantes para fortalecer o senso de pertencimento dos jovens e sua responsabilidade social. Franca (2021), argumentou que a participação ativa em projetos sociais, atividades de voluntariado e organizações comunitárias estimulou a coesão social, além de desenvolver habilidades de liderança e promover um senso de propósito pessoal.
2.4. Participação Cívica Como Ferramenta de Transformação Social
Reconhecer as vulnerabilidades enfrentadas pelos jovens, como desigualdade, violência e problemas familiares, que podem afetar seu desenvolvimento. A criação de programas que ofereçam estágios, intercâmbios e experiências que ampliem os horizontes dos jovens é importante para promover o desenvolvimento social e econômico da região de Ilhabela. Da mesma forma, implementar políticas que forneçam apoio emocional e psicológico, além de iniciativas de prevenção à violência e combate à discriminação. A colaboração entre escolas, famílias e organizações da sociedade civil pode criar um ambiente de suporte e segurança, permitindo que os jovens superem suas dificuldades e alcancem seu pleno potencial. Tais esforços são fundamentais não apenas para o bem-estar individual, mas também para o fortalecimento da comunidade como um todo.
Erikson (1968), destacou a importância do suporte emocional para adolescentes, etapa da vida em que enfrentavam questões relacionadas à formação de identidade e à inclusão social. Políticas públicas voltadas para o combate à desigualdade e à violência foram consideradas relevantes para a criação de ambientes seguros que promovessem o bem-estar dos jovens e fortalecessem suas comunidades.
3. METODOLOGIA
3.1. Tipo de Pesquisa
Esta pesquisa caracteriza-se como aplicada, com o propósito de investigar os desafios enfrentados pelos jovens de Ilhabela no acesso à qualificação profissional. Adotou-se uma abordagem mista, combinando métodos quantitativos para análise estatística e qualitativos por meio da interpretação das respostas abertas dos participantes. A investigação é descritiva e exploratória, buscando identificar barreiras à formação profissional e sugerir intervenções que possam aprimorar os programas existentes.
3.2. Ambiente da Pesquisa e Contextualização do IETEC
O estudo foi realizado no município de Ilhabela, que apresenta uma economia fortemente impulsionada pelo turismo, mas enfrenta dificuldades na inserção dos jovens no mercado de trabalho devido à escassez de cursos técnicos e profissionalizantes. O Instituto de Educação Tecnológica (IETEC) desempenha um papel central na capacitação desses jovens, oferecendo programas de formação em áreas como turismo, tecnologia e construção civil. No entanto, desafios como baixa taxa de ocupação dos cursos e ausência de parcerias formais limitam sua eficácia na empregabilidade juvenil. A pesquisa busca analisar o impacto das iniciativas do IETEC e propor ajustes que possam tornar seus cursos mais acessíveis e alinhados às demandas do mercado local.
3.3. Instrumentos e Técnicas para Coleta de Dados
Foram utilizados dois questionários estruturados. O primeiro foi destinado à equipe do IETEC e abordou questões relacionadas ao número de alunos matriculados, corpo docente, taxa de conclusão dos cursos, adequação ao mercado local, empregabilidade dos egressos e sugestões para novas ofertas de formação. Além disso, levantou dados sobre custos, parcerias, eventos de empregabilidade e fatores que influenciam a desistência dos alunos.
O segundo questionário foi aplicado aos jovens de Ilhabela, contando com 40 participantes dentro da faixa etária de 14 a 24 anos. Foram investigados aspectos como nível de escolaridade, ocupação, áreas de interesse profissional, incluindo tecnologia, saúde e turismo, barreiras de acesso à qualificação e sugestões de melhorias nos cursos existentes. Também se analisou o interesse dos jovens em programas de orientação profissional e suas percepções sobre oportunidades de emprego na região.
3.4. Análise dos Resultados
Os dados foram analisados por meio de ferramentas estatísticas e qualitativas. A análise descritiva destacou barreiras de acesso e alinhamento com as demandas do mercado. Respostas abertas foram agrupadas em temas, identificando padrões e tendências relevantes para a formulação de estratégias de aprimoramento. Os achados resultaram em recomendações práticas para a melhoria dos cursos, promovendo inclusão social e integração dos jovens ao mercado de trabalho.
3.5. Proposta do Trabalho
A pesquisa analisou as práticas de gestão do IETEC para identificar seus pontos fortes e fragilidades. Com base nas informações coletadas, foram propostas melhorias na divulgação dos cursos, fortalecimento das conexões entre instituição e empregadores e desenvolvimento de estratégias de comunicação acessíveis, como campanhas em mídias digitais e parcerias com escolas da região. Além disso, sugere-se um sistema de monitoramento e avaliação para medir a eficácia dos programas de qualificação e garantir que o IETEC continue contribuindo ativamente para o desenvolvimento social e econômico de Ilhabela.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A fim de avaliar o impacto do IETEC na qualificação profissional dos jovens de Ilhabela, a pesquisa coletou dados por meio de questionários aplicados tanto à equipe do instituto quanto aos jovens da região. A análise dos resultados permitiu identificar desafios e oportunidades para aprimorar os programas de formação oferecidos, além de propor estratégias para melhorar a conexão entre a capacitação profissional e o mercado de trabalho local.
4.1. Dados Institucionais do IETEC
Para compreender o papel do IETEC na formação profissional dos jovens, foi necessário investigar sua estrutura e funcionamento. Os dados coletados indicam que a instituição oferece cursos em áreas estratégicas como turismo, tecnologia e construção civil. No entanto, a taxa de ocupação dos cursos ainda está abaixo da capacidade máxima, variando entre 50% e 75%, o que sugere a necessidade de maior divulgação e estímulo à participação dos jovens.
Outro desafio identificado foi a falta de acompanhamento dos egressos, dificultando a avaliação do impacto dos cursos na empregabilidade juvenil. Segundo Cenci e Souza (2021), o monitoramento pós-formação é essencial para garantir a eficácia dos programas educacionais. Além disso, a ausência de parcerias formais entre o IETEC e o setor privado limita a conexão entre estudantes e empregadores da região, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas para essa integração (Mendes, 2019).
O quadro a seguir apresenta um resumo das informações coletadas:
PERGUNTA | RESPOSTA DO IETEC |
Número total de alunos matriculados | Entre 300 e 500 |
Número de professores/instrutores | Entre 5 e 10 |
Taxa de desistência dos cursos | Entre 10% e 20% |
Instituição acompanha egressos? | Não há acompanhamento |
Áreas de atuação dos cursos | Turismo, Informática, Náutica, Gastronomia e Hospedagem |
Taxa de ocupação do IETEC | Entre 50% e 75% |
Parcerias formais para empregabilidade | Não possui |
Realização de feiras de empregabilidade | Não realiza |
Fonte: Autores (2026)
Os dados coletados revelam que, apesar da infraestrutura disponível, o IETEC ainda enfrenta desafios na adesão dos jovens aos cursos oferecidos. A baixa taxa de ocupação e a ausência de acompanhamento dos egressos evidenciam oportunidades de melhoria na gestão educacional. Diante desse cenário, faz-se necessário o desenvolvimento de estratégias de divulgação mais eficientes e o fortalecimento de parcerias para ampliar a inserção profissional dos estudantes. Além disso, é essencial que haja um acompanhamento contínuo dos alunos após a conclusão dos cursos, permitindo uma avaliação mais precisa do impacto da formação na empregabilidade juvenil e na economia local.
4.2. Perfil e Percepções dos Jovens
Além dos dados institucionais do IETEC, foi essencial compreender o perfil e as percepções dos jovens entrevistados em relação à qualificação profissional e às oportunidades de emprego em Ilhabela. Os participantes da pesquisa pertencem à faixa etária de 14 a 24 anos e apresentam diferentes níveis de escolaridade e ocupação.
Os jovens demonstraram grande interesse por cursos técnicos, especialmente nas áreas de administração, turismo e tecnologia da informação. No entanto, enfrentam barreiras significativas para acessar a qualificação profissional, incluindo custos elevados, dificuldades de transporte e falta de divulgação das oportunidades existentes. Segundo Pessoa et al. (2014), a formação técnica é uma ferramenta de inclusão social para jovens em situação de vulnerabilidade, permitindo que adquiram competências profissionais para melhorar suas condições de trabalho e renda.
Os resultados do questionário indicam que a maioria dos participantes está na faixa etária de 17 a 20 anos.
E cursam o Ensino Médio.
Grande parte indicou estar apenas estudando, enquanto outros conciliam trabalho e estudo.
Os jovens demonstram grande interesse por cursos técnicos em áreas como administração, turismo, tecnologia da informação, construção civil e saúde. A busca por capacitação reflete a necessidade de qualificação profissional alinhada ao mercado local, evidenciando oportunidades para aprimoramento e expansão da oferta de cursos.
Apesar do forte interesse dos jovens por capacitação profissional, desafios como custo elevado dos cursos, dificuldades de transporte e pouca divulgação ainda limitam o acesso à formação. Além disso, muitos precisam conciliar trabalho e estudos, o que reduz sua disponibilidade para a qualificação. Essas barreiras reforçam a necessidade de políticas públicas e iniciativas institucionais que facilitem a inclusão produtiva da juventude.
Além disso, há uma percepção variada sobre as oportunidades de emprego na região.
Os setores de Comércio, Turismo e Construção Civil foram apontados como os que mais oferecem vagas, mas os jovens consideram que há uma carência de cursos que realmente capacitem para essas áreas.
4.3. Relação Entre os Dados do IETEC e dos Jovens
A comparação entre os dados do IETEC e as respostas dos jovens revela importantes desafios e oportunidades. Apesar do interesse dos jovens em áreas que já são atendidas pelos cursos oferecidos, a taxa de ocupação dos programas continua abaixo da capacidade máxima, o que sugere que ajustes na divulgação e no modelo de ensino podem aumentar a adesão dos jovens aos cursos. Além disso, a falta de parcerias formais entre o IETEC e empresas locais dificulta a inserção dos alunos no mercado de trabalho após a formação.
Para mitigar esse problema, os jovens sugeriram ações como a criação de programas de estágio e aprendizagem em parceria com o setor privado, a ampliação da divulgação dos cursos por meio de palestras e campanhas informativas em escolas da região, a oferta de bolsas ou descontos para estudantes em situação de vulnerabilidade social e a implementação de horários mais flexíveis para atender jovens que trabalham e estudam simultaneamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2020), aspectos como educação e inserção profissional têm forte impacto no bem-estar psicológico dos jovens, demonstrando que o desenvolvimento de políticas voltadas à qualificação pode contribuir diretamente para a qualidade de vida dessa população.
4.4. Exploração de Soluções e Sugestões de Aprimoramento
Com base nos dados levantados, este estudo propõe ações estratégicas para fortalecer a capacitação profissional dos jovens de Ilhabela. Entre as sugestões apresentadas, destaca-se a necessidade de uma divulgação mais eficiente dos cursos, utilizando redes sociais, rádio comunitária e parcerias com escolas locais para alcançar um maior número de interessados. Além disso, o aproveitamento de espaços ociosos do IETEC pode ser uma alternativa para transformar esses ambientes em áreas de estudo colaborativo e laboratórios práticos, proporcionando melhores condições para o aprendizado.
A promoção de eventos de empregabilidade, como feiras de recrutamento e workshops sobre desenvolvimento profissional, também surge como uma medida essencial para conectar os jovens ao mercado de trabalho. Outro ponto relevante é a formalização de parcerias entre o IETEC e empresas da região, garantindo oportunidades concretas de estágio e primeiro emprego para os estudantes. Mendes (2019), destaca que iniciativas como eventos de conexão entre estudantes e empregadores são fundamentais para fortalecer vínculos e criar oportunidades de trabalho. Além disso, França (2021) afirma que a gestão participativa pode impulsionar ações voltadas à juventude, garantindo que as políticas educacionais atendam às reais necessidades da população.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo analisou os desafios enfrentados pelos jovens de Ilhabela no acesso à qualificação profissional e sua inserção no mercado de trabalho. Os resultados destacaram que, apesar do interesse dos jovens por cursos técnicos e profissionalizantes, fatores como custos elevados, dificuldades de transporte e falta de divulgação ainda limitam sua participação em programas de formação. O Instituto de Educação Tecnológica (IETEC), principal referência em qualificação profissional na região, desempenha um papel essencial na capacitação da juventude. No entanto, desafios como baixa taxa de ocupação dos cursos e ausência de parcerias formais com empresas locais comprometem seu impacto na empregabilidade juvenil.
Diante desse cenário, este estudo propôs algumas estratégias para aprimorar a atuação do IETEC, incluindo a ampliação da divulgação dos cursos por meio de redes sociais, campanhas escolares e eventos comunitários; a criação de programas de estágio e aprendizagem em Parceria com o setor privado; o aproveitamento de espaços ociosos para atividades de prática profissional e desenvolvimento de projetos colaborativos; e a flexibilização dos horários dos cursos, permitindo maior adesão de jovens que trabalham e estudam simultaneamente.
A pesquisa reforça a importância de políticas públicas e ações institucionais voltadas para a formação profissional dos jovens, garantindo que a oferta de cursos esteja alinhada às demandas do mercado local e acessível a diferentes perfis socioeconômicos. Além disso, recomenda-se que futuras investigações explorem o impacto das parcerias institucionais no aumento das oportunidades de emprego para os jovens de Ilhabela, bem como a viabilidade de subsídios financeiros para facilitar o acesso à formação profissional. Embora o desenvolvimento social e econômico da região dependa de múltiplos fatores, espera-se que as ações sugeridas neste estudo contribuam significativamente para a capacitação da juventude e sua inclusão no mercado de trabalho, promovendo uma sociedade mais equitativa e preparada para os desafios da economia local.
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1 Pedagoga e Tecnóloga em Gestão Empresarial com Especialização em RH – E-mail: [email protected]
2 Tecnóloga em Gestão Empresarial e Logística – E-mail: [email protected]
3 Advogada e Tecnóloga em Gestão Empresarial – E-mail: [email protected]
4 Docente do Curso Superior de Gestão da Gestão Industrial da FATEC - Campus Ferraz de Vasconcelos. E-mail: [email protected]
5 Discente do Curso de Pós-Graduação Stricto Sensu em Engenharia de Produção da UNIP - Campus São Paulo. E-mail: [email protected]
6 Docente do Curso Superior de Gestão Empresarial da FATEC - Campus Itu. E-mail: [email protected]