REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/788230459
RESUMO
O estudo intitulado políticas educacionais no combate ao analfabetismo e evasão escolar na EJA em Breves/PA visou contribuir com políticas públicas concretas ao professor da rede regular no atendimento de alunos com EJA no ensino fundamental, nas escolas públicas do meio urbano do Município de Breves-PA e, teve como objetivo principal, analisar as contribuições das políticas de apoio ao professor da classe regular no atendimento de alunos com EJA. Isso porque, muito embora a construção de uma sociedade que prime pela inclusão não seja papel somente do professor, mas de toda sociedade. Essa responsabilidade recai com maior cobrança, ao contexto educacional escolar, e consequentemente aos profissionais que atendem estes estudantes na sala de aula comum. Vale ressaltar que não estamos falando de questões de cunho pedagógico, mas sim, de informações que possam contribuir para que estes professores, possam atender os alunos que muitas vezes apresentam saúde fragilizada, ou outras situações que podem fazer com que estes tornem-se desmotivados, agressivos, apresentem mudanças repentinas de aprendizagem, entre outros, sem motivos aparentes no período de aula. Dessa forma, por mais capacitados que sejam os profissionais que atuam nesses espaços, existem situações para as quais, principalmente o professor da sala regular, precisa da colaboração de profissionais de outras áreas. Neste sentido, para um maior entendimento, contamos com os estudos de Paulo Freire (2008), Fuck (1994), Montoan (2006), Vovio (1998), Arroyo (2011), Vale (2007), Teixeira e Nunes (2014), entre outros. No entanto, para que possamos compreender melhor a atual realidade dos contextos escolares, dos professores da sala comum e dos alunos da EJA, foi preciso realizar uma abordagem histórica, nos diferentes modelos de sociedades. Para isso, contamos com os trabalhos de Miranda 2003, Aranha 2004, Honoro e Frizanco 2008, e Estrella, 2017. Além destas autoras apresentam aspectos relacionados aos fundamentos históricos, filosóficos, políticos e culturais, também apresentam abordagens da atual situação do cenário social. Dessa maneira, embasando e aprofundando as discussões sobre a responsabilidade social na construção do modelo de sociedade e de escola. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa. O tipo de problema é teórico-prático; exploratória, bibliográfica e documental de abordagem qualitativa não experimental transversal. Como instrumentos de coletas de dados nos apropriar da entrevista. Sendo assim, o estudo foi dividido em quatro momentos: Pesquisa Bibliográfica, Pesquisa de Campo e Análise dos dados e elaboração do trabalho final. Como resultados, observou-se que nas escolas pesquisas, não existem os apoios externos considerado necessário e adequado ao professor da sala regular. Fato que vem reforçar as dificuldades e responsabilidades que deveriam ser compartilhadas, de maneira a criar uma rede de apoio articulada e colaborativa, na medida que fossem oferecidas aos professores, todas as informações e formações necessárias, para um melhor desempenho nas práticas de sala de aula, favorecendo um atendimento de qualidade a todos os alunos, mais principalmente aos alunos da EJA, que necessitam de uma atenção diferenciada as necessidades e potencialidades psicológicas, cognitivas orgânicas e sociais.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Ensino e Aprendizagem; direitos; educação de qualidade.
ABSTRACT
The study entitled Educational policies in the fight against illiteracy and school dropout in the EJA in Breves / PA aimed to contribute with concrete public policies to the regular school teacher in the care of students with EJA in elementary school, in the public schools of the urban area of Breves- PA and its main objective was to analyze the contributions of policies of support to the regular class teacher in the care of students with EJA. This is because, although the construction of a society that excels in inclusion is not only the role of the teacher, but of the whole society. This responsibility falls more heavily on the school educational context, and consequently on the professionals who serve these students in the common classroom. It is noteworthy that we are not talking about issues of pedagogical nature, but information that can contribute to these teachers, can meet students who often have poor health, or other situations that can make them become demotivated, aggressive, have sudden learning changes, among others, for no apparent reason in the classroom. Thus, however skilled the professionals who work in these spaces, there are situations for which, especially the regular classroom teacher, needs the collaboration of professionals from other areas. In this sense, for greater understanding, we rely on the studies of Paulo Freire (2008), Fuck (1994), Montoan (2006), Vovio (1998), Arroyo (2011), Vale (2007), Teixeira and Nunes (2014). , among others. However, in order to better understand the current reality of school contexts, common room teachers and EJA students, it was necessary to take a historical approach in different models of societies. For this, we rely on the works of Miranda 2003, Aranha 2004, Honoro and Frizanco 2008, and Estrella, 2017. In addition to these authors present aspects related to historical, philosophical, political and cultural foundations, also present approaches to the current situation of the social scenario. Thus, basing and deepening the discussions on social responsibility in the construction of the model of society and school. The research was developed from a qualitative approach. The type of problem is theoretical and practical; exploratory, bibliographical and documentary approach of qualitative non-experimental cross-sectional approach. As data collection instruments we appropriate the interview. Thus, the study was divided into four moments: Bibliographic Research, Field Research and Data Analysis and preparation of the final work. As a result, it was observed that in research schools, there is no external support deemed necessary and appropriate to the regular classroom teacher. This reinforces the difficulties and responsibilities that should be shared in order to create an articulated and collaborative support network, as teachers are provided with all the necessary information and training for a better performance in classroom practices. , favoring a quality service to all students, especially the students of EJA, who need a differentiated attention to the needs and psychological, cognitive organic and social potentialities.
Keywords: Youth and Adult Education; Teaching and Learning; rights; quality education.
INTRODUÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos – EJA, no Brasil possui uma trajetória histórica de ações descontinuadas, marcada por uma diversidade de programas, muitas vezes não caracterizada como escolarização.
A Educação de Jovens e Adultos só foi efetiva com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/1988, em que já se definiam como responsabilidades do estado o “ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria“ no artigo 208 e que, para todas as modalidades, o que inclui a Educação de Jovens e Adultos, deve prevalecer a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” no artigo 206, para que se promova o “ bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer formas de discriminação” no artigo 3º. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira - LDB 9.394/96 e das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação de Jovens e Adultos, Parecer nº 11/2000, a EJA é caracterizada como modalidade da educação básica correspondente ao atendimento de jovens e adultos que não frequentaram ou não concluíram a educação básica.
Com a LDB, a Educação de Jovens e Adultos passa a ser caracterizada como modalidade de ensino, no entanto, somente após a implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB 11.494/07, que a EJA consegue caminhar como modalidade, pois é garantido repasse do fundo aos estados e municípios que começou a vigorar em 20 de junho de 2007.
Plano Nacional de Educação - PNE 13.005/14, com vigência de dez anos, teve início no ano 2014, constituiu um documento que define diretrizes, metas e estratégias que devem conduzir as iniciativas na área da educação.
O PNE tem como objetivo central induzir e articular os entes federados na elaboração de políticas públicas capazes de melhorar a qualidade da educação brasileira.
As dez diretrizes do Plano Nacional de Educação são transversais e se referenciam todas as metas, buscando sintetizar consensos sobre os grandes desafios educacionais do País e podendo ser categorizadas em cinco grandes grupos. Também é semelhante a uma relação mais ou menos intensa de cada conjunto de metas com alguma diretriz em particular.
A segunda diretriz que aborda a promoção da qualidade educacional, no sub item quatro do desafio da melhoria da qualidade da educação e também no sub item cinco do desafio da formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade que também se relaciona com a metas dez, está direcionada a Educação de Jovens Adultos - EJA.
A Base Nacional Comum Curricular - BNCC/17 é um documento de caráter normativo que orienta o conjunto relativo e progressivo de aprendizagem essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica.
Conforme definido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), a Base deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em todo o Brasil.
A Base Nacional Comum Curricular orienta os princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, a Base soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
Deve se considerar a BNCC na proposta pedagógica da EJA no de 2019, mas com atenção ao documento que se restringe a informar determinados eixos e conteúdo que se aplicam aos jovens, adultos e idosos.
De acordo com a Conferência Nacional da Educação Básica, ocorrida em 2008, para que a Educação de Jovens e Adultos possa ocorrer efetivamente é necessário consolidar:
- A necessidade de isonomia da EJA em relação as demais etapas de formação da educação básica;
- A criação de um sistema nacional integrado para a EJA no tocante a avaliação e monitoramento;
- Formação permanente e específica para profissionais de educação com foco em EJA;
- Destinação de verbas para estados e municípios especificamente para aplicação em EJA;
- Contratação de professores licenciados para atuação em EJA.
Ao considerar esses aspectos faz-se necessário perceber o ontem, o hoje e o amanhã, o ser humano entende a consequência da sua ação sobre o mundo, nas diferentes épocas históricas e, se torna o sujeito da sua história e por isso responsável por ela. Faz hoje o que se tornou possível pelo ontem. Fará amanhã o que está semeando hoje (Freire, 2000, p. 67).
O presente trabalho foi elaborado a partir da necessidade de analisar alguns momentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil e em especial o Município de Breves-PA. Considerando a educação como uma produção cultural individual, e o sujeito “agente de transformação”, como importante integrante/construtor da história, dos valores fundamentais da cidadania e das relações sociais.
Por esta razão não podemos nos dar por satisfeito quando dizemos que a Educação de Jovens e Adultos (EJA), tem feito o seu papel. O que importa saber, para distinguir tal passagem, é que a EJA, não foi criada apenas para educar jovens e adultos, e sim, para remodelar, reestruturar e corrigir, uma sociedade moldada por muitos séculos. Moldada na forma do esquecimento, da escravidão, da violência, do autoritarismo e interesses políticos variados, atrelados às mudanças do tempo.
No Brasil em nenhum momento da sua história, houve interesse da elite, Colonial, agrária, latifundiária e industrial, em construir realmente uma sociedade igualitária aos valores das grandes revoluções como a americana e a francesa, ou seja, na qual as pessoas pudessem desfrutar de maneira semelhante os bens e as oportunidades da vida social.
As evidências históricas mostram que a cultura, da sociedade brasileira sempre esteve intimamente ligada, a ideia da distinção e da discriminação entre os grupos sociais.
O processo histórico revelou-se como tendência, marcante a diferenciação e a crescente complexidade da sociedade.
É inevitável não afirmar, que a sociedade brasileira se formou pela sua pluralidade, e por isso, quando a EJA foi criada e constituída, teve como principal referência nas suas ações, a conscientização dos brasileiros desprovidos de direitos, deveres e privilégios, possibilitando a estes o acesso à produção cultural, social e econômica.
A Educação de Jovens e Adultos no Brasil se originou muito mais como produto para o combate da miséria social do que como desenvolvimento. É consequência dos males do sistema público regular de ensino e das precárias condições de vida de grande parte da população brasileira, que acabam por interferir no aproveitamento da escolaridade na época apropriada. (Haddad, 1994).
Destacando que é dever do Estado garantir a universalidade dos direitos do cidadão, superando as desigualdades sociais e incorporando a diversidade, independente de raça, gênero, etnia, orientação sexual, dentre outros eixos descriminatórios que norteam as políticas afirmativas, que reforçam as políticas universais de combate à discriminação e desigualdade.
Diante disso, é cada vez mais necessário um trabalho colaborativo entre as unidades de ensino com todo seu corpo de profissionais e a secretaria de educação do referido município, para que se possa oferecer um atendimento de qualidade, respeitando e atendendo as particularidades de todos, e de cada um dos estudantes que é atendido na rede municipal de ensino de Breves
Problema:
A educação de modo geral e especificamente a formação do professor da Educação de Jovens e Adultos vem assumindo posição de destaque nas discussões relativas às políticas públicas. Perrenoud (2000), quando propõe as dez famílias de competência, contempla esta necessidade em uma das famílias: administrar a formação contínua, que se refere em conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos a serem ensinados e a sua tradução em objetivos de aprendizagem. Portanto, a partir dos diversos efeitos visíveis na prática escolar, este projeto questiona: Quais tem sido as causas, efeitos e impactos da implementação de políticas públicas voltadas para a alfabetização na Educação de Jovens e Adultos em Breves-PA?
Perguntas de investigação
Considerando as características atuais do contexto escolar e as exigências dos alunos da EJA, que muitas vezes colocam em dúvida as habilidades e competências, principalmente dos professores que os atendem na classe regular e partir dos diversos efeitos visíveis na prática escolar e considerando as características atuais do contexto escolar e as exigências dos alunos que são atendidos na Educação de Jovens e Adultos, que muitas vezes colocam em dúvida as habilidades e competências, principalmente dos professores que os atendem faz-se necessário questionar-se,
Quais as principais causas da evasão escolar na EJA no município de Breves?
O que levou a diminuição dos espaços escolares que ofertam a eja em Breves/PA?
Quais as ações voltadas a formação do professorado no sentido de favorecer a qualidade do ensino e aprendizagem dos discentes da EJA?
Quais os avanços e/ou retrocessos na educação brevense após a implementação da EJA?
Quais os impactos ocasionados na vida do alunado em decorrência da diminuição da oferta da EJA?
Qual o modelo de currículo é implementado na educação de jovens e adultos no sistema municipal de ensino? E como está estruturado?
Com a oferta da educação de jovens e adultos no município houve diminuição do analfabetismo?
Qual/ais o/s modelos e os instrumentos de avaliação aplicado no sistema de ensino que melhor se identifica a qualidade do ensino e aprendizagem na EJA? E nas instituições escolares?
Objetivo Geral:
Avaliar até que ponto a Educação de Jovens e Adultos está contribuindo para a erradicação do analfabetismo em Breves/PA e compreender as razões dos altos índices de evasão escolar e diminuição de oferta nesta modalidade de ensino.
Objetivos específicos:
Identificar e analisar as causas da evasão escolar;
Identificar se houve ou não, redução do analfabetismo a partir da implementação da EJA em Breves;
Identificar as causas da diminuição da oferta e de espaços escolares para o atendimento da EJA no âmbito local;
Analisar as principais políticas de educação no atendimento aos docentes e discentes em Breves;
Identificar os principais instrumentos avaliativos e se estão adequados a de melhorias da educação de jovens e adultos.
Refletir sobre as possíveis vantagens para o professor da classe regular na criação de estratégias que atentam as particularidades do aluno da EJA a partir da colaboração com as redes de apoio.
Neste sentido, para alcançarmos nossos objetivos, contamos com um estudo do tipo de problema teórico-prático; o tipo de pesquisa exploratória, bibliográfica e documental de abordagem qualitativa não experimental transversal. De início realizamos uma pesquisa bibliográfica dos assuntos que discutem as relações de como foi se construindo o atendimento aos alunos da educação de jovens e adultos nos diferentes momentos históricos, e em diferentes contextos e sociedades, sobre a função das redes da escola regular pública, e as teorias na perspectiva da Educação do atendimento de jovens e adultos e na perspectiva inclusiva, mediante uma leitura sistemática, com fichamento de cada obra, de modo a ressaltar os pontos pertinentes ao assunto.
A pesquisa de campo foi realizada nas unidades escolares que atendem aos jovens e adultos na rede municipal de ensino e na Secretaria Municipal de Educação do município em foco, a partir de um agendamento prévio com professores, e demais profissionais que atua como coordenadora da Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de educação e demais profissionais por unidade de ensino todos residentes e localizados no meio urbano no município de Breves, no 2º semestre de 2019, obedecendo a disponibilidade destes. Os dados foram coletados através de uma entrevista semiestruturada, como forma de garantir à fidedignidade das informações, utilizamos, com a devida autorização dos sujeitos, o recurso da gravação, em áudio e vídeo. Em seguida as entrevistas foram transcritas para que se pudessem ser feitas as análises dos dados.
Diante disso, este estudo está organizado em três capítulos para uma melhor compreensão das ideias apresentadas, discutidas e analisadas ao longo do trabalho. O primeiro capítulo está composto de uma pesquisa bibliográfica dos assuntos que discutem as relações de como foi se deu as variações no atendimento aos educandos da educação de jovens e adultos nos diferentes momentos históricos e contextos diversificados das sociedades. A princípio este levantamento considerou o âmbito mundial, de acordo com os autores pesquisados. Em seguida, foi considerado o contexto a nível nacional. Além de contar com uma fundamentação sobre a função da escola regular pública na formação da sociedade e do aluno com deficiência, da família e do professor. Assim como as teorias na perspectiva da Educação de Jovens e Adultos, as bases legais da educação da EJA e os atuais desafios escolar a partir da condição do professor da classe comum de ensino.
No segundo capítulo, apresenta-se os procedimentos metodológicos da pesquisa, que contou para o seu desenvolvimento com uma abordagem qualitativa de cunho não experimental transversal. Para instrumentalizar os dados nos apropriamos da entrevista, por se apresentar como um instrumento que configurou-se em uma coleta flexível, que oportunizou ao pesquisador e aos pesquisados uma maior liberdade para expressar suas ações e emoções, tornando a interação no ato da pesquisa mais participativa e completa. A partir dos dados coletados, inicialmente todas as entrevistas foram transcritas para arquivo digital (Microsoft Word) e classificadas de acordo com as categorias definidas no início do estudo.
No terceiro e último capítulo, foram apresentadas, confrontadas e analisadas as colocações para mostrar as diferentes opiniões e perspectivas dos participantes, que pudessem descrever a realidade e concepções de cada participante. As conclusões foram precisas para esclarecer as principais relevâncias das relações colaborativas entre os diferentes setores, os principais fatores que facilitam ou dificultam essa colaboração de informações ao professor da sala regular, sobre o papel da rede de ensino do aluno da EJA, e possíveis vantagens ao professor da classe regular na criação de estratégias que atentam as particularidades do aluno, a partir da colaboração da rede de ensino como possíveis redes intersetoriais para apoio educacional em projetos voltados ao atendimentos do educando da EJA em Breves-Pá.
Método
A pesquisa tem um caráter quantitativo e qualitativo de nível descritivo e explicativo. A pesquisa quantitativa a mesma caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto das modalidades de coleta de informação, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas. São mais adequadas para apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utilizam instrumentos estruturados (questionários). Devem ser representativas de um determinado universo de modo que seus dados possam ser generalizados e projetados para aquele universo.
Seu objetivo é permitir o teste de hipóteses, já que os resultados são mais concretos e, consequentemente, menos passíveis de erros de interpretação. As pesquisas qualitativas são exploratórias, ou seja, estimulam os entrevistados a pensarem livremente. Elas fazem emergir aspectos subjetivos e atingem motivações não explícitas, ou mesmo conscientes, de maneira espontânea. São usadas quando se busca percepções e entendimento sobre a natureza geral de uma questão, abrindo espaço para a interpretação. Parte de questionamentos tem se afirmado como promissora possibilidade de investigação em pesquisas realizadas na área da educação. Uma pesquisa com essa abordagem caracteriza-se pelo enfoque interpretativo.
Elegemos abordar a pesquisa quantitativa e qualitativa, e escolhemos entrevistas e questionários para esclarecer as nossas interrogações, essa pesquisa tem como foco identificar os principais desafios das políticas educacionais no combate ao analfabetismo e evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos em Breves-PA tanto da zona urbana, quanto da zona rural. Nesta pesquisa descritiva não há interferência do investigador, nos motivos das evasões e nas possibilidades para tornar motivador o ato de estudar, superando assim, as inúmeras dificuldades impostas pela realidade sociocultural dos educandos desta modalidade de ensino. Além disso,
As técnicas qualitativas, por consequência, proporcionam uma maior profundidade na resposta e uma maior compreensão do fenômeno estudado. Essas técnicas normalmente acarretam um menor custo que as técnicas quantitativas, são de execução mais rápida, permitem maior flexibilidade em sua aplicação favorecem estabelecer um vínculo mais direto com as pessoas (Velasco e Villa, 2017, p. 94).
No entanto, mesmo diante de tantas vantagens, este método de pesquisa também pode gerar alguns problemas. Diante disso, Goldenberg (2004, p. 55) alerta que, a pesquisa qualitativa depende da biografia do pesquisador, das opções teóricas, do contexto mais amplo e das imprevisíveis situações que ocorrem no dia-a-dia da pesquisa.
Um dos principais problemas a ser enfrentado na pesquisa qualitativa diz respeito à possível contaminação dos seus resultados em função da personalidade do pesquisador e de seus valores.
O pesquisador interfere nas respostas do grupo ou indivíduo que pesquisa. A melhor maneira de controlar esta interferência é tendo consciência de como sua presença afeta o grupo e até que ponto este fato pode ser minimizado ou, inclusive, analisado como dado da pesquisa.
Sendo assim, é claro que temos que tomar alguns cuidados, pois, “O pesquisador deve estabelecer um difícil equilíbrio para não ir além do que pode perguntar, mas também, não ficar aquém do possível”. (Goldenberg, 2004, p. 56).
Mesmo assim, destacamos que o enfoque qualitativo nos oportunizou melhores possibilidades de análises e conclusões dos nossos objetivos, considerando nossos sujeitos participantes.
Reforçando, o presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e descritiva. Segundo Marconi e Lakatos (1992, p. 43) a pesquisa bobliográfica “é o levantamento de toda a bibliografia já publicada, em formas de livros, revistas, publicações e imprensa escrita”.
A pesquisa qualitativa “se caracteriza pela qualificação dos dados coletados, durante a análise do problema”. E a pesquisa descritiva se dedica a descrição dos dados coletados durante a realização do estudo.
Resultados
A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa, e teve como instrumento para a coleta de dados a entrevista semiestruturada, por ser um método mais flexível, e que oportunizou os participantes expressarem não somente suas opiniões, mas também seus anseios e emoções diante das discussões. Diante disso, utilizou-se como recursos para a coletas dos dados o áudio e vídeo, com a devida autorização dos entrevistados.
As entrevistas foram agendadas com antecedência e foi utilizado o questionário como recurso. As entrevistas duraram em média 60 minutos. O contato anterior às entrevistas foi realizado para estabelecer uma relação de cordialidade necessária para se obter depoimentos relevantes para o trabalho de pesquisa realizado. Posteriormente as entrevistas foram transcritas para procedermos à análise do discurso.
No que tange as formações discursivas que compõem a dissertação representam o produto dos discursos de 01 (um) Coordenador Municipal da EJA, 03 (três) professores entrevistados a qual identifico por Professor A, Professor B e Professor C e 06 Alunos os quais são identificados como Aluno A, Aluno B, Aluno C, Aluno D, Aluno E e Aluno F.
Portanto, a pesquisa contou com 10 participantes diretos. Quero antes ressaltar que por razões não identificadas encontrei muita rejeição de profissionais em se dispor contribuir com o trabalho em foco o qual não se atingiu o total previsto na pesquisa.
Nesta formação discursiva (FD) buscamos saber dos técnicos e coordenadores pedagógicos os desafios que são enfrentados na Educação Jovens e Adultos em Breves-Pá, portanto, foi realizado e apresentado questionário para compreendermos a melhor forma de organização da Eja no município e como está estruturada em vários aspectos no que tange a formação específica para a modalidade e também como enfrentam os desafios do cotidiano.
O questionário a seguir nos mostra uma breve realidade da EJA em seu contexto atual os desafios enfrentados quanto aos aspectos de evasão e erradicação do analfabetismo.
1. Quais as principais causas da evasão escolar na EJA no município de Breves?
Resposta: Falar de evasão escolar é pensar em vários fatores que permeiam a educação de jovens e adultos (EJA), uma delas são os novos alunos dessa modalidade até o ano de 2016 o público do meio urbano era de adultos e idosos hoje é público de 15 anos em diante. No meio rural ainda temos o público de idosos e adultos. Mesmo com esse público mais jovem ainda se tem uma evasão em grande proporção. As principais causas dessa evasão ao meu ver enquanto Tecnica de referência da EJA:
Falta de incentivo por parte do governo tanto federal quanto municipal;
Aula conteudista sem dinâmicas, sem prática de experiencia. O processo avaliativo continua no quantitativo que preza que busca o que o aluno absorveu ao longo da aula tradicional;
Falta de política voltada ao público da EJA;
O valor aluno sempre menor que o aluno dia;
Falta de compromisso de alguns professores da EJA, a carga da EJA não pode ser complementação de carga horária.
1. O que levou a diminuição dos espaços escolares que ofertam a eja em breves/pa?
Resposta: não respondida
2. Quais as ações voltadas a formação do professorado no sentido de favorecer a qualidade do ensino e aprendizagem dos discentes da EJA?
Resposta: nesse ano ainda não foi proporcionado nenhuma formação direcionado aos professores da EJA.
3. Quais os avanços e/ou retrocessos na educação brevense após a implementação da EJA?
Resposta: Essa pergunta não tenho como responder com precisão por que estou no cargo desde de junho de 2019, mas creio que um dos avanços a conclusão dos alunos que chegaram ao final das etapas e retrocesso penso que foi a diminuição de instituições de ensino que deixam de ofertar a modalidade de EJA.
5. Quais os impactos ocasionados na vida do alunado em decorrência da diminuição da oferta da EJA?
Resposta: esses discentes deixaram de ter oportunidades de se empregar se por falta de oportunidade de estudar a noite em escolas perto de sua residência.
6. Qual o modelo de currículo é implementado na educação de jovens e adultos no sistema municipal de ensino? E como está estruturado?
Resposta: O currículo da EJA está defasado por que é do ano de 2013, hoje a equipe técnica juntamente com os coordenadores pedagógicos da EJA está fazendo uma reelaboração do currículo escolar da modalidade.
7. Com a oferta da educação de jovens e adultos no município houve diminuição do analfabetismo?
Resposta: De acordo com o que se tem de evasão na EJA não há.
8. Qual/ais o/s modelos e os instrumentos de avaliação aplicado no sistema de ensino que melhor se identifica a qualidade do ensino e aprendizagem na EJA? E nas instituições escolares?
Resposta: hoje ainda continuamos com os instrumentos de avaliação do governo federal e nas instituições escolares se faz avaliação diagnóstica no início do ano letivo e avaliação somativa que proporciona os resultados das aprendizagens em números.
Tudo na vida é construído em função de um objetivo, na educação não é diferente, o nosso aluno precisa entender o que está estudando qual a relevância para sua vida, qual o sentido real de sua aprendizagem e parafraseando Gadotti:
O professor precisa saber, contudo, que é difícil para o aluno perceber a relação entre o que ele está aprendendo e o legado da humanidade. O aluno que não percebe essa relação não verá sentido naquilo que está aprendendo e não aprenderá. (Gadotti, 2011, p. 59)
Sem dúvida esse é um entrave para que o aluno EJA fique desestimulado, sendo necessária motivação externa para que perceba a importância de concluir os estudos, as mudanças tão desejadas para vida social e financeira, melhoria da qualidade de vida e sucesso profissional devem estar bem explicito e sempre lembrado pelos educadores, das mais diferentes formas, o papel relevante da educação na vida de todos os indivíduos, Gadotti lembra bem “A educação, para ser transformadora, emancipadora, precisa estar centrada na vida.” (Gadotti 2011, p. 109)
Diante dessa situação, temos que compreender e ponderar sobre as responsabilidades dos setores que devem prestar apoios aos professores, e especificamente nesse caso, aos professores que atendem os educandos da EJA=em suas turmas regulares. Já que na atualidade, parece utopia querer que seja oferecido formação e informações a todos os profissionais da escola, e do município de modo em geral uma vez que o próprio sistema não está adequadamente estruturado para ofertar com qualidade um modelo de educação que atenda aos jovens e adultos desse município. Pois o correto, seria formações na área de forma integral para todos os profissionais da escola.
Para Batista (2006), “Na escola a construção do conhecimento é predefinida, intencional e deliberada”. E concluiu a autora afirmando que, “A escola é a instituição responsável pela passagem da vida particular e familiar para o domínio público, tendo assim uma função social reguladora e formativa para os alunos”.
De acordo com as pesquisas os professores que atuam na EJA em sua maioria são pedagogos, porém, possuem graduações diferenciadas são profissionais que trabalham com matéria especifica no Ensino Fundamental e Médio, porém dos professores entrevistados houve bastante divergência de pensamentos em relação aos questionamentos.
Contudo, temos que saber a grande relevância dessa modalidade para o resgate dos jovens e adultos que pararam ou desistiram de estudar na idade regular de ensino, esse educando precisa de educadores preparados para canalizar o conhecimento necessário para a formação do aluno como cidadão atuante e confiante na sociedade em que vive, de acordo com o pensamento de Paulo Freire, “...ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” (Freire, 2010. p. 22).
É partindo de ideias como a dele entre outros que o aluno EJA será um sucesso, então é preciso investir na formação dos professores de forma específica, educadores não preparados, em grande maioria não terá argumentos para manter o aluno na sala e aula, e despertar nele o interesse a motivação para desenvolver habilidades necessárias para a construção do conhecimento.
A seguir apresenta-se o questionário das entrevistas realizadas com os docentes da EJA no Município de Breves, e a partir de então percebe-se que há em algumas assertivas, dicotomia de ideias a qual fica evidenciado nas respostas apresentadas.
1) Você conhece a história de vida de seus alunos, de alguns deles?
Respostas:
Professor A: Sim
Professor B: De alguns alunos eu conheço sim
Professor C: Sim
2) Você acredita que eles vêm a aula porque gostam ou porque precisam?
Respostas:
Professor A: Uma parcela considerável frequenta por que precisa.
Professor B: Alguns estudam por que gostam, mas a grande maioria vem para a escola pela necessidade de adquirir condições de ter um emprego melhor e, consequentemente melhor condição de vida.
Professor C: Acredito que na sua maioria ele vem porque gostam.
3) Eles demonstram perceber necessidade de estudar? Por objetivos profissionais ou para a vida?
Respostas:
Professor A: Mais por objetivos profissionais
Professor B: Os alunos que demonstram dedicação aos estudos são justamente aqueles que buscam objetivos profissionais.
Professor C: Sim, também acredito que a maioria é por objetivo profissional.
4) Acontece alguma atividade em que eles tenham vós para falar de si?
Respostas:
Professor A: Na minha prática docente damos a oportunidade para se expressarem.
Professor B: É feito sim algumas atividades nesse intuito, porém a maioria deles não gostam de falar de sua vida particular.
Professor C: Não da escola, mas sempre estou conversando individualmente com eles.
5) O currículo “ouve” e “vê” as necessidades/interesses dos alunos?
Respostas:
Professor A: Infelizmente, ainda não contempla as reais necessidades.
Professor B: Dificilmente encontramos um currículo que trabalhe diretamente com a vivencia, necessidade e interesse dos alunos.
Professor C: Acredito que não
6) Dá para fazer uma costura entre os saberes curriculares e os saberes informais das experiências dos alunos?
Respostas:
Professor A: com toda certeza.
Professor B: Dá pra fazer sim.
Professor C: Sim.
7) Se sim, com qual periodicidade isto pode se dar?
Respostas:
Professor A: Temos que estabelecer essa conexão por meio de um diálogo contínuo e o planejamento.
Professor B: Se for trabalhado bimestralmente, ao final do ano letivo o professor já faria uma avaliação mais detalhada de vida de cada aluno da sua turma.
Professor C: anualmente, no início de cada ano letivo.
Para que o aluno possa ser resgatado e receba as orientações necessárias com o objetivo de desenvolver habilidades em que possam exercer sua cidadania com competência e eficiência é necessário que o professor tenha a preparação adequada para a vivência de sala de aula na EJA, já que nessa modalidade de ensino não cabe um professor senhor dos saberes, onde o que aprendeu em sua graduação seja o alicerce definitivo de sua prática pedagógica, é fundamental que esteja sempre em formação onde a experiências dos colegas e o pensamento de pedagogos e pensadores possam contribuir com uma metodologia mais adequada às salas da EJA, onde o professor e o aluno possam usufruir do ensino aprendizagem satisfatório, observemos o pensamento de Gadotti descrito abaixo:
Acredito que a formação continuada do professor deve ser concebida como reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização, fundamentação, revisão e construção teórica e não como mera aprendizagem de novas técnicas, atualização de novas receitas pedagógica ou aprendizagem das últimas inova ações tecnológicas. (Gadotti, 2011, p. 41)
Ao refletirem sobre suas práticas de sala de aula no atendimento aos alunos da EJA, é bastante perceptível as dificuldades, principalmente no começo do ano letivo, momento que ainda estão se conhecendo os alunos da turma. Conhecimento este que se dá através de observações e diagnoses ou pelo menos se deveria ocorrer, para identificar os níveis de aprendizagens e as dificuldades e potencialidades de cada estudante.
Nesse caso o professor regente acaba sendo, e nem deveria ser de outra maneira, o maior responsável por todas as ações pedagógicas da sala de aula comum. Segundo Marchesi, (2010, p. 42). “Tal reconhecimento mostra a importância da formação do professor, se completa com uma reflexão mais profunda sobre como enriquecer o currículo, como adaptar o ensino à diversidade dos alunos e como favorecer a aprendizagem cooperativa”.
Nesse sentido, os professores apresentam a consciência de que atuam de maneira a oferecer o melhor de acordo com aquilo que está ao seu alcance. Alguns apresentam uma boa vontade de disponibilizar um atendimento de melhor qualidade, mas muitas das vezes esbarram em questões que não dependem somente da escola, ou do professor da classe regular de ensino. Esses casos refletem bastante a partir de dados coletados a partir das informações do corpo discente que são público alvo da referida modalidade de ensino, a qual podemos observa a partir de então. É importante atentarmos que para preservar a identidade dos alunos não apresentamos os nomes dos mesmos e sim foram identificados a partir de dados fictícios.
8) Qual seu nome, idade?
Aluno A: 23 anos
Aluno B: Não informado pelo docente
Aluno C: 16 anos
Aluno D: 37 anos
Aluno E: 25 anos
Aluno F: 17 anos
9) Você trabalha? Qual sua profissão? Você pode me dizer qual sua renda?
Aluno A: Não, tenho renda mensal de um salário mínimo que recebo de auxílio doença.
Aluno B: Sim, mototaxista e músico, ganho aproximadamente R$ 1.500,00 mensal.
Aluno C: Por enquanto não, eu vivo com meus avós.
Aluno D: Eu sou dona de casa não tenho renda salarial só meu esposo.
Aluno E: Trabalho em casa de família, minha renda mensal é de r$ 700,00 reais.
Aluno F: Eu não trabalho, minha meta é chegar em uma profissão e por enquanto recebo bolsa família, mas no nome de minha mãe.
10) Você já tinha estudado antes de entrar para a EJA?
Aluno A: Sim, estudei aqui mesmo (faz referência a unidade escolar pesquisada) durante 6 anos, depois, parei por 9 anos e passado 2018 voltei a estudar em uma outra escola Manoel Sena e agora tô aqui novamente.
Aluno B: Sim.
Aluno C: Sim. Cheguei a estudar de manhã e de tarde.
Aluno D: Sim.
Aluno E: Sim, a 8 anos atrás.
Aluno F: Já sim, estudei ano passado no turno da tarde
11) Qual foi o motivo que te levou a desejar estudar, ou, voltar a estudar?
Aluno A: Meu principal motivo querer conseguir me formar e dar um futuro melhor as minhas filhas e minha mãe.
Aluno B: Voltei a estudar novamente porque resolvi traçar planos e projetos ousados pra mim e sei que só posso realizar os mesmos com formação escolar.
Aluno C: O motivo é que com a minha idade um pouco avançada, eu decidi passar para o turno da noite.
Aluno D: Meu motivo maior é fazer uma faculdade e da um futuro melhor para os meus filhos.
Aluno E: O motivo foi porque trabalhar em casa de família não é fácil, então decidi estudar pra no futuro ter um trabalho melhor e um bom salário.
Aluno F: Meu motivo foi a minha vontade de ser alguém na vida, de ter uma profissão.
12) O que você mais gosta nas aulas e/ou na sala de aula?
Aluno A: O que mais gosto são minha interação com meus colegas e professores o prazer de aprender, de star em sala de aula novamente.
Aluno B: Bom, sei que ninguém gosta mesmo de estudar, isso é realidade, mas sem estudo não há capacitação. Levo em conta que gosto sim da sala de aula e dos colegas e construir novas amizades aqui.
Aluno C: Bom, eu gosto de todos as aulas, por que nós podemos discutir sobre os assuntos, eu e o professor.
Aluno D: Eu gosto de todos as aulas.
Aluno E: Gosto das explicações do professor, conversar com meus colegas e do todas matérias.
Aluno F: Gosto de quando os professores explicam bem o assunto que está sendo passado.
13) Tem alguma coisa que te incomode ou que você não goste na escola?
Aluno A: Sim, não gosto quando a minha turma tem que se juntar com a outra quarta etapa para termos aula, gosto do silêncio para me concentrar e com eles é impossível.
Aluno B: Sim, a temperatura na sala de aula isso incomoda muito o calor nos tira mesmo a concentração e a capacidade de raciocínio.
Aluno C: A única coisa que me incomoda e que as vezes os professores chegam atrasados e também a bagunça na sala de aula.
Aluno D: Sim, os outros alunos que não respeitam a escola eles fumam dentro da escola.
Aluno E: Sim, tem alguns alunos que não levam o estudo a sério então acabam atrapalhando um pouco nós que queremos.
Aluno F: Sim, me incomoda a falta de muitos professores.
14) De que maneira você acredita que aprende mais/melhor?
Aluno A: Eu aprendo mais quando faço trabalhos em grupo, quanto tenho mais interação com os meus colegas, assim tenho mais facilidade.
Aluno B: Se dedicando muito isso é óbvio para obter o desempenho e se torna mais fácil quando há esforço.
Aluno C: A maneira é prestando atenção nas aulas, sem se entreter com outras pessoas, mas com nossos esforços, podemos conseguir um ótimo diálogo.
Aluno D: Nos trabalhos em grupos
Aluno E: Conversando com as pessoas da classe, professores, colegas, assim você pode ter muitos aprendizados interagindo com outras pessoas.
Aluno F: Na minha opinião na maneira de acreditar em mim mesma e acreditar no que está sendo ensinado.
15) Qual tipo de formação você teve?
Aluno A: Minha formação foi muito básica, até porque fui mãe muito nova, sou de família bem humilde.
Aluno B: Tive primeiramente formação familiar que é essencial para nos ternarmos um bom cidadão e na igreja me formei musicalmente.
Aluno C: Formação familiar tudo que eu sei foi graças aos meus avós, eles cuidaram bem de mim.
Aluno D: Eu sou casada, sou mãe, eu amo minha família.
Aluno E: Familiar, tenho marido e filho, sou da igreja.
Aluno F: Não respondeu.
16) Você consegue aprender com facilidade ou não? Como e/ou por quê?
Aluno A: Eu sempre digo que me esforço bastante sobre as matérias quase todas tenho facilidade, menos matemática, não entendo, mas me atrapalho com os números.
Aluno B: Sim, consigo, tenho essa virtude, procuro focar naquilo que faço e faço com muita dedicação.
Aluno C: Sim, com minha atenção, com todas as explicações e também com muito esforço para aprender e ser alguém na vida algum dia.
Aluno D: Mais ou menos
Aluno E: Sim, consigo facilmente aprender, presto atenção nas explicações do professor. Apesar de muitos anos sem estudar consigo aprender facilmente.
Aluno F: E algumas matérias sim, em outras não por que tem professores que não tem paciência de ensinar, de explicar.
17) Você acredita que os aprendizados que teve em sua vida o(a) ajudam a aprender na escola? Como?
Aluno A: Sim, por que muitas das coisas que já passei hoje na escola já me fazem dar cada vez ais valor a tudo que aprendo na escola... o que aprendo com meus professores.
Aluno B: Sim, pois meus pais me ensinaram principalmente a respeitar o próximo, na igreja também os ensinamentos do pastor eu coloco em prática no dia a dia na escola e isso tem feito de mim o que eu sou.
Aluno C: Sim ajudam, com o comportamento que a pessoa tem, isso ajuda a facilitar no jeito do aprendizado e algumas vezes também chamando a atenção do aluno, contar alguma história para eles refletirem.
Aluno D: Sim, eu sou evangélica e como leio bastante a bíblia e outros livros isso me ajuda muito.
Aluno E: Com certeza ajudam bastante tudo o que eu passei, trabalhando por ai me ajudou muito tenho muita força de vontade.
Aluno F:Eu acredito que sim, por que na minha opinião a vida é uma escola então desde o nascimento, na verdade desde quando surgimos na barriga de nossa mãe já estamos preste a estudar.
18) Você acha que podemos aprender mais nas experiências que temos ou na educação escolar. Por quê?
Aluno A: Com asa duas coisas, uma coisa sempre levam a outra.
Aluno B: Por que nossos governantes não dão condições necessárias para uma educação de qualidade.
Aluno C: Bom os dois, por que com os dois podemos adquirir mais sabedoria para a nossa vida pessoal e educacional.
Aluno D: Sim, porque tudo na vida é um aprendizado.
Aluno E: Nas duas coisas, porque você pode levar para a escola as experiencias que você tem e isso ajuda ainda mais na educação escolar.
Aluno F:Acho que depende da experiencia. Tipo temos várias experiencias na vida, umas só vem fazer nós aprender.
19) Quais são seus sonhos ou expectativas a partir dos aprendizados na EJA?
Aluno A: Terminar a EJA e o ensino médio e me especializar em educação física e cada vez mais ter sucesso.
Aluno B: Eu desejo me tornar um futuro advogado.
Aluno C: Com a facilidade do aprendizado da EJA, podemos conseguir a realizar os nossos sonhos mais rápidos, porque se fecha em EJA muitas pessoas não vão adquirir o conhecimento o bastante para prosseguir com os seus estudos e a sua vida.
Aluno D: Meu sonho é me formar e conseguir um bom trabalho.
Aluno E: Meu sonho é terminar meus estudos me formar e dar um futuro melhor para mim e minha família.
Aluno F: Meus sonhos são, como agora estudo na EJA é concluir e ir pro ensino médio e me formar como advogada.
Considerando que os educandos da EJA em Breves-Pá possuem uma gama de habilidades, potencialidades, expectativas e sonhos, muito ainda tem que ser feito. Portanto, esse é maior desafio, fazer que os diferentes setores atuem de maneira colaborativa, e diante disso, auxilie a escola e professor em ter aos seus domínios informações que lhes sejam compartilhadas por profissionais especializados na área, tornando profissionais entusiasmados a criarem ações eficazes e eficientes a prática pedagógica que se traduza em perspectivas reais a aprendizagem do aluno de forma que tenhamos realmente uma sociedade justa e inclusiva.
Diagnóstico Escola e perfil da EJA em Breves-Pá
As unidades de ensino que ofertaram a modalidade de EJA no ano de 2018 foram: Emerentina Moreira de Souza, Rossilda Ferreira, Manoel Sena, Ruth Helena, Margarida Nêmer e Professor Estevão Gomes. Os dados foram disponibilizados pela Coordenação do Censo Escolar dos anos de 2015 a 2018, esses dados são instrumento importante para auxiliar na reorganização do planejamento da oferta e demanda da EJA, nas ações administrativas e pedagógicas.
Esses dados estatísticos do rendimento dos estudantes são indispensáveis para reorganização das turmas de EJA e as dificuldades sobre a nossa realidade para buscarmos intervenções na garantia da permanência e continuidade dos estudantes da modalidade de EJA.
Abaixo temos um breve resumo do último relatório de visita feito pelos eminentes técnicos da EJA no mês de novembro de 2018. Está em anexo relatório de visita e os quadros gráficos do Censo Escolar 2018 como figuras demonstração de matrícula ao longo dos de 2015 a 2018.
Código do Inep:15024750, Escola Municipal de Ensino Fundamental Emerentina Moreira de Souza, no ano de 2018 atendeu 12 turmas, sendo 1 (uma) de 1ª etapa, 2 (duas) de 2ª etapas, 5 (cinco) de 3ª etapas e 4 (quatro) de 4ª etapas. Abaixo destacamos as Observações de acordo com os objetivos da visita de novembro:
Média de frequência nas turmas:
1ª etapa: frequência 6 a 7 alunos;
2ª etapas: 22 alunos;
3ª etapas: média no máximo 18 alunos;
4ª etapas: 22 alunos.
Gráfico 1. Descrição do Rendimento Escolar da EJA na EMEF Emerentina
Código do INEP:13143071, EMEF Rossilda Ferreira atendeu 6 turmas, sendo 1 (uma) turma de 2ª etapa, 3 (três) turmas de 3ª etapas e 2 (duas) turmas de 4ª etapas.
Média de frequência do dia da visita:
2ª etapa: frequência 27 alunos;
3ª etapas: 25 alunos;
4ª etapas: oscila de 20 a 25 alunos.
Gráfico 2. Descrição do Rendimento escolar da EJA na EMEF Rossilda.
Código do INEP: 14114545, EMEF Manoel Sena Atende 4 turmas, sendo 1 (uma) de 2ª etapa, 2(duas) de 3ª etapas e 1 (uma) de 4ª etapa.
Média de frequência:
2ª etapa: frequência de 5 a 8 alunos, sendo um especial (DA);
3ª etapas: uma turma com 14 e outra com 16 alunos;
4ª etapas: 28 alunos.
Gráfico 3. Descrição do Rendimento escolar da EJA na EMEF Manoel Sena.
Código do INEP:14243839, EMEIF Ruth Helena da Silva Fernandes atende 6 turmas, sendo 1 (uma) turma de 1ª etapa, 1 (uma) turma de 2ª, 2 (duas) turmas de 3ª etapas e 2 (duas) de 4ª etapas.
Média de frequência:
1ª etapa: 5 alunos.
2ª etapas: 6 alunos;
3ª etapas: uma turma com 25 alunos e outra 17.
4ª etapas: média de 18 alunos por turma.
Gráfico 4. Descrição do Rendimento escolar da EJA na EMEF Ruth Helena
Código do INEP:13188642, EMEF Margarida Azevedo Nêmer sendo 1(uma) de 2ª etapa, 1(uma) de 3ª etapas e 2 (duas) de 4ª etapas.
Média de frequência:
2ª etapas: 20 alunos;
3ª etapas: média de 28 alunos/turma;
4ª etapas: média de 25 aluno/turma
Gráfico 5. Descrição do Rendimento escolar da EJA na EMEF Margarida.
Código do INEP: 14100000, EMEF Professor Estevão Gomes atende 5 (cinco) turmas de EJA a noite e 2 (duas) turmas de 3ª etapas no turno da tarde.
Média de frequência:
3ª etapas: as 3 turmas de 15 a 18 alunos/turma.
4ª etapas: uma turma com 30 alunos e outra com 22 alunos.
Gráfico 6. Descrição do Rendimento escolar da EJA na EMEF Estevão Gomes.
Os dados referem-se ao rendimento escolar dos educandos da modalidade de ensino em estudo, apontando dados importantes acerca de aprovação, reprovação e desistência fatores que afetam diretamente a realidade atual de ensino nesta área educacional desafiando o sistema de ensino a criar nossos projetos educacionais que seja atraentes a clientela de alunos e que possa garantir a permanência do aluno na escola que que oferte um proposta de ensino de qualidade, que perpasse por novos modelos de avaliação uma etapa fundamental, que envolva a comunidade escolar e técnico de referência da EJA em momentos de reflexão crítica sobre práticas de aprendizagens significativas.
Neste sentido, o processo de avaliação integra o caráter diagnóstico, facilitando a percepção dos atos e situações, para que se tenha condições de encontrar o caminho para obter melhores resultados, tornando a avaliação uma prática contínua, observando, registrando e analisando as ações que foram feitas nos anos anteriores.
Assim sendo, procuramos realizar um estudo para demonstrar o diagnóstico e o perfil real da Eja no Município de Breves para tanto estes dados constitui-se documento que orienta o planejamento de ensino dos professores, que leve a priorizar atividades capazes de propiciar aprendizagens significativas e dessa forma estabelecer estratégias para melhorar a qualidade do ensino e o sucesso da aprendizagem articulando a um novo referencial curricular de ensino que atenda as reais e atuais necessidades dos educandos. O conceito fundamental do Referencial Curricular para as escolas do município é que a educação seja vivida no dia a dia das pessoas, para que se incorporem no aluno os princípios da cidadania. Este referencial foi elaborado pelos professores, técnicos educacionais e coordenadores pedagógicos, dentro da nossa realidade e necessidade. Visa atender especificamente a modalidade de Educação de Jovens e Adultos-EJA e com base neste Referencial, a escola poderá elaborar o seu currículo adequando-o às especificidades e peculiaridades, de acordo com a etapa de ensino ofertada e/ou modalidade de ensino atendida, considerando também os aspectos regionais e locais, para que fique com a real cara da comunidade.
Tabela 1. Descrição do Mapa curricular da educação de jovens e adultos - EJA.
MATRIZ CURRICULAR APROVADO PELO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO EM 22/12/2006 | |||||||||||
AMPARO LEGAL | BASE NACIONAL COMUM | DISCIPLINAS ESTUDOS OBRIGATÓRIOS | SEMANAL | ANUAL | |||||||
1ª ETAPA | 2ª ETAPA | 3ª ETAPA | 4ª ETAPA | 1ª ETAPA | 2ª ETAPA | 3ª ETAPA | 4ª ETAPA | ||||
LEI Nº 9.394/96 DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL E RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 1 DE 05/07/2000 | LÍNGUA PORTUGUESA | 06 | 05 | 05 | 05 | 240 | 200 | 200 | 200 | ||
MATEMÁTICA | 05 | 06 | 05 | 05 | 200 | 240 | 200 | 200 | |||
CIÊNCIAS | 02 | 02 | - | - | 80 | 80 | - | - | |||
CIÊNCIAS FÍSICAS E BIOLÓGICAS | - | - | 03 | 03 | - | - | 120 | 120 | |||
ENSINO DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA | 03 | 03 | - | - | 120 | 120 | - | - | |||
HISTÓRIA | - | - | 03 | 03 | - | - | 120 | 120 | |||
GEOGRAFIA | - | - | 03 | 03 | - | - | 120 | 120 | |||
EDUCAÇÃO ARTÍSTICA | 02 | 02 | 02 | 02 | 80 | 80 | 80 | 80 | |||
EDUCAÇÃO FÍSICA | 02 | 02 | 02 | 02 | 80 | 80 | 80 | 80 | |||
PARTE DIVERSIFICADA | LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA | - | - | 02 | 02 | - | - | 80 | 80 | ||
CARGA HORÁRIA SEMANAL | 20 | 20 | 25 | 25 | - | - | - | - | |||
TOTAL DE CARGA HORÁRIA | - | - | - | - | 800 | 800 | 1000 | 1000 | |||
Fonte: Secretaria Municipal de Educação/SEMED-BREVES-PA
É um Referencial Curricular histórico da Educação do Município de Breves e partir dele, acreditamos que o ensino e a aprendizagem serão diferentes e certamente, ao longo do tempo, ajustes serão necessários a fim de que ele fique ainda melhor e o mais importante é que os professores também necessitarão de aperfeiçoamento permanente para o entrosamento com o presente documento.
Ressalta-se que, a matriz curricular é um documento que tem por objetivo nortear a organização pedagógica das escolas a fim de contribuir com a formação dos estudantes e que a partir da organização da matriz os coordenadores pedagógicos e os professores(as) deverão planejar as atividades previstas para os componentes curriculares, usando como referências: os Temas Transversais, Parâmetros Curriculares Nacionais/PCNs, e a Base Nacional Comum Curricular/BNCC, no desenvolvimento dos objetivos de aprendizagem que se quer alcançar, por meio da definição de competências e habilidades no trabalho pedagógico. Esses documentos são abertos e resiliente, podendo ser adaptados à realidade de cada unidade escolar.
Logo, a matriz curricular da Educação de Jovens e Adultos - EJA, seguindo as orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, está organizada em uma base nacional comum e em uma parte diversificada. As disciplinas sistematizadas que fazem parte do currículo são denominadas componentes curriculares e se articulam em áreas de conhecimento.
Conforme determina a LDB, o Ensino Religioso é um componente curricular de matrícula facultativa, parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil. Na Educação de Jovens e Adultos, o Ensino Religioso será ofertado para Etapa 1ª, 2ª Etapa, 3ª Etapa e 4ª Etapa.
Na busca de contemplar a proposta aspirada para a formação integral do estudante, o currículo da EJA deverá incluir nos componentes curriculares do primeiro e segundo segmentos os temas transversais, tais como: cidadania, trabalho, cooperativismo, empreendedorismo, economia solidária, ética, saúde, sexualidade, família, sociedade, meio ambiente, tecnologia, cultura e outros.
Logo, a 1ª Etapa da EJA terá como foco o processo de alfabetização e contemplará principalmente o domínio da leitura, da escrita e da Matemática. A 2ª Etapa da EJA consolidará o processo de alfabetização e reforçará os conhecimentos de Língua Portuguesa, buscando a fluência e a compreensão leitora, o desenvolvimento da produção de textos, além do desenvolvimento da Matemática.
A modalidade de ensino aqui apresentada baseia-se nas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para EJA, que orientam que a modalidade da EJA deve pautar-se pela flexibilidade tanto no currículo, quanto no tempo e espaço escolares, visando romper a semelhança com o ensino regular para crianças e adolescentes, de modo a permitir percursos individualizados e conteúdos significativos para os jovens e os adultos.
No Segundo Segmento, os componentes curriculares são ministrados por professores (as) de áreas especificas do conhecimento tais como nas áreas das exatas e de linguagens e códigos.
Todavia, o processo educativo é formado pelo binômio ensino/aprendizagem e por uma infinidade de interações que fazem com que o aluno seja sujeito, e não apenas objeto desse processo. Além disso, a educação permite que o educando, ao crescer intelectualmente, também possa interferir no meio social em que vive, ajudando a incorporar inovações e até mesmo modificar padrões culturais estabelecidos, ou seja, contribuindo para transformar a sua própria realidade. Isso se dá muitas vezes através do contato diário com a assimilação dos hábitos de cada grupo social, pela observação do comportamento dos mais experientes e pela convivência com os outros membros da sociedade.
Portanto, a partir de tais objetivos a principal questão desenvolvida pela escola e do próprio sistema de ensino investigados a partir desta modalidade de ensino é tornar claro o conteúdo e as disciplinas conceituais que se localizam desligadas da prática profissional. Fazer uma associação entre teoria e prática, incrementada com a análise de programas e provas aplicadas. Se nos detivermos em analisar as propostas curriculares de grande parte dos países, poderemos verificar de que forma a pressão dos futuros estudos universitários, por um lado, e uma concepção generalizada sobre o valor intrínseco dos saberes teóricos, por outro, deram lugar a uma educação que prioriza os conhecimentos sobre a capacidade do educando, a ser aplicada na prática, apesar de o Poder Público defender um ensino baseado na formação integral, esta entendida como o desenvolvimento de todas as capacidades da pessoa para poder intervir de modo eficaz nos diferentes âmbitos da vida.
Então, essa dinâmica educacional, baseada na superação de níveis, que determina que os conteúdos prioritários do ensino não são aqueles que deverão desenvolver todas as capacidades do ser humano, mas sim os necessários para superar os exames seletivos que ora são desenvolvidos e aplicados. O resultado é um sistema escolar que, ao fim, forma nas capacidades para poder responder de modo eficaz a alguns obstáculos impostos pelo sistema vigente, de forma geral, na reprodução por escrito, de forma mais ou menos literal, de alguns conhecimentos e alguns procedimentos os quais se transformaram em rotineiros. Como consequência, a escola se reduziu a um simples instrumento de transmissão das necessidades que surgem no caminho da universidade ou anterior ao mercado de trabalho. Nesse contexto, aparece um ensino centrado em matérias ou disciplinas selecionadas com critérios arbitrários, muitas vezes como resultado da tradição, quando não como resultado dos interesses de determinados coletivos profissionais e, posteriormente o desenvolvimento de cada disciplina sob critérios da lógica da própria matéria, a partir da concepção do saber pelo saber, provocando a depreciação da prática sobre a teoria. A modalidade EJA tenta romper com esse paradigma, aperfeiçoando cada vez mais um saber humanístico e dotado de conteúdo prático, levando em consideração a experiência de vida dos educandos, como enfatizava Freire (1996, p.30). A tudo isso devemos acrescentar que, como dispomos e aprendemos e a capacidade que temos para transferir e aplicar esse conhecimento em diferentes contextos. Atualmente, sabemos que a aprendizagem da maioria dos conteúdos é uma tarefa árdua, na qual a simples memorização de enunciados é insuficiente para sua compreensão, e que a transferência e a aplicação do conhecimento adquirido a outras situações diferentes somente é possível se, ao mesmo tempo, tenham sido realizadas as estratégias de aprendizagem necessárias e bem objetivas para que ela tenha resultados satisfatórios e que garanta resultados positivos e qualitativos a partir de tais objetivos.
As unidades de ensino que ofertam a modalidade de EJA no meio urbano 2019
EMEF. Margarida Azevedo Nêmer;
EMEF. Manoel Sena;
EMEF. Rossilda Ferreira;
EMEF. Maria de Lourdes.
Contribuições para a erradicação do analfabetismo e ao combate da evasão escolar na EJA para o município de Breves-PA.
Diante do cenário atual e que perpassa a política educacional brasileira e local faz-se necessário apontarmos ações que possam servir de pontos referenciais para a melhoria e consequentemente a qualidade do modelo atual de ensino na EJA no município de Breves. Para tano, a nossa contribuição para a solução dos problemas apresentados na realidade é a seguinte:
1. Assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveram acesso à educação básica na idade própria;
1.1. Assegurar a oferta de educação de jovens e adultos, equivalente aos 5 (cinco) anos iniciais do Ensino Fundamental para população de 15 anos e mais que não tenha atingido este nível de escolaridade;
1.2. Ofertar e garantir a EJA no turno diurno para atendimento a um público específico (trabalhadores noturnos, donas de casa, portadores de deficiência e outros).
2. Realizar diagnóstico dos jovens e adultos com ensino fundamental e médio incompletos, para identificar a demanda ativa por vagas na educação de jovens e adultos e o ensino profissionalizante;
2.1. Realizar o levantamento e incluir a população analfabeta do município por bairro/distrito e/ou locais de trabalho visando programar a oferta de educação de jovens e adultos para essa população, a curto prazo.
3. Implementar ações de alfabetização de jovens e adultos com garantia de continuidade da escolarização básica;
3.1. Ampliar a oferta dos programas de alfabetização de jovens e adultos, haja vista a dificuldade dos professores em alfabetizar nas turmas de 1ª etapa, bem como é um fator que ocasiona constrangimentos para aqueles que entram pela primeira vez na escola, causando um abandono precoce nos estudos.
4. Criar benefício adicional, em regime de colaboração, no programa nacional de transferência de renda para jovens e adultos que frequentarem cursos de alfabetização, a partir do 5º ano;
5. Realizar chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos, promovendo-se busca ativa em regime de colaboração entre entes federados e em parceria com organizações da sociedade civil;
5.1. Promover chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos e avaliação de alfabetização por meio de exames específicos, que permitam aferição do grau de analfabetismo de jovens e adultos com mais de 15 anos de idade, a curto prazo.
6. Realizar avaliação, por meio de exames específicos, que permita aferir o grau de alfabetização de jovens e adultos com mais de 15 (quinze) anos de idade;
7. Executar, em regime de colaboração, ações de atendimento ao (à) estudante da educação de jovens e adultos por meio de programas suplementares de transporte, alimentação e saúde, inclusive atendimento oftalmológico e fornecimento gratuito de óculos, em articulação com a área da saúde;
7.1. Executar em articulação com a área da saúde, a expansão do programa nacional de atendimento oftalmológico e fornecimento gratuito de óculos para estudantes da educação de jovens e adultos, a médio prazo.
8. Assegurar a oferta de educação de jovens e adultos, nas etapas de ensino fundamental e médio, às pessoas privadas de liberdade em Centro de Recuperação Regional de Breves, assegurando-se formação específica dos professores e implementação de diretrizes nacionais em regime de colaboração;
8.1. Ofertar e garantir programas de alfabetização aos jovens infratores e adultos privados de liberdade, em regime de convênio com Centro de Recuperação Regional de Breves a fim de ressocializar essa população carcerária e reintegrá-los à sociedade, a médio prazo.
9. Apoiar tecnicamente e financeiramente os projetos inovadores na educação de jovens e adultos que visem o desenvolvimento de modelos adequados às necessidades específicas dos discentes;
9.1. Garantir material didático pedagógico regionalizado aos alunos da EJA adequado à nossa clientela, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais, a partir a curto prazo.
10. Estabelecer mecanismos e incentivos que integrem os segmentos empregadores, públicos e privados, e os sistemas de ensino, para promover a compatibilização da jornada de trabalho dos empregados e das empregadas com a oferta das ações de alfabetização e de educação de jovens e adultos;
11. Em regime de colaboração implementar programas de capacitação tecnológica da população jovem e adulta, direcionados para os segmentos com baixos níveis de escolarização formal para os docentes com deficiência, articulando os sistemas de ensino, a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, as universidades, as cooperativas e as associações, por meio de ações de extensão desenvolvidas em centros vocacionais tecnológicos, com tecnologias assistivas que favoreçam a efetiva inclusão social e produtiva dessa população;
11.1. Em regime de colaboração ofertar cursos de formação profissional: informática, línguas estrangeiras e outros cursos, a jovens e adultos, em parcerias com instituições profissionalizantes ou empresas locais, a médio prazo;
11.2. Garantir e implementar o acesso dos educandos de EJA através das unidades de ensino a variados ambientes de aprendizagem, às novas tecnologias de informação e comunicação através de parcerias e/ou implantação de bibliotecas, videotecas, laboratórios e centros de informática educativa, vídeos-aula e teleconferências, a curto, médio e longo prazo.
12. Considerar, nas políticas públicas de jovens e adultos, as necessidades dos idosos, com vistas à promoção de políticas de erradicação do analfabetismo, ao acesso a tecnologias educacionais e atividades recreativas, culturais e esportivas, à implementação de programas de valorização e compartilhamento dos conhecimentos e experiência dos idosos e à inclusão dos temas do envelhecimento e da velhice nas escolas;
13. Construir e garantir a implementação da Proposta Curricular, Planos de Estudos para a educação de jovens e adultos, de acordo com as Diretrizes Curriculares do Nacionais e Base Nacional Comum Curricular, respeitando-se as características individuais dos educandos e possibilitando o prosseguimento nos estudos, a curto, médio e longo prazo;
14. Garantir a efetiva realização dos jogos da Educação de Jovens e Adultos, com intuito de promover a integração dos alunos da EJA, a curto prazo;
15. Garantir o acompanhamento escolar aos alunos da EJA, através de profissionais capacitados (Pedagogos e Assistentes Sociais), especificamente com as famílias, afim de articular com o setor responsável meios de inclusão em programas sociais aos mais vulneráveis, a curto prazo;
16. Em regime de colaboração promover a capacitação dos professores da EJA, principalmente daqueles que não possuem nível superior, para que até 2022 todos os professores estejam graduados ou cursando faculdade;
17. Possibilitar encontros dos professores que atuam na EJA para compartilharem experiências de sala de aula;
18. Criar cursos de capacitação para os professores ingressos na EJA, bem como para aqueles já atuantes com os jovens e adultos;
19. Buscar parcerias com as instituições superiores instaladas no município para promover a formação continuada aos professores que não possuem graduação;
20. Promover anualmente, a realização de seminários temáticos interinstitucionais para socialização das experiências e produção de conhecimentos em EJA;
21. Universalizar o atendimento na Educação de Jovens e Adultos assegurando a matrícula em aproximadamente 80% até 2022 e, aproximadamente, 100% em 9.22 dos jovens, adultos e idosos que ainda não tiveram acesso a escolarização básica, e, consequentemente, diminuir em 70% o analfabetismo no município até o ano de 2022;
22. Instituir metodologias que contribuam para o aumento progressivo das taxas de alunos aprovados e, consequentemente, reduzir o índice de evasão da EJA, de forma que atinja, aproximadamente, 20% em 2020 e, aproximadamente, 10% 2022;
23. Criar alternativas de organização pedagógica e tempo escolar de modo a diminuir a evasão escolar na EJA;
24. Fortalecer a coordenação da EJA com a formação de uma equipe composta por assistentes administrativos e técnicos pedagógicos.
25. Os componentes curriculares deverão estar organizados nas seguintes áreas de conhecimento:
Linguagens e Códigos e suas Tecnologias: Língua Portuguesa, Língua Estrangeira e Arte;
Ciências Humanas e suas Tecnologias: História, Geografia e Ensino Religioso;
Ciências da Natureza e Matemática: Matemática e Ciências.
Esses pontos vão de encontro com a pressão do saber teórico acadêmico e das ideias errôneas sobre a aprendizagem e a transferência dos saberes que determinam a preponderância dos conhecimentos factuais e conceituais, tanto é assim que para a maioria dos professores a expressão “conteúdos de ensino” se limita apenas aos conhecimentos, ou seja, ao saber, dando por certo que os procedimentos, as habilidades, as estratégias, as atitudes e aos valores são outra coisa, quer dizer, não são objetos da educação e, portanto, não são conteúdos de ensino. A EJA entra aí como uma modalidade com um diferencial: construir o conhecimento juntamente com o educando, levando em conta sempre suas vivências e suas experiências como fator importante nesse processo de aprendizagem mútua, onde tanto o educando aprende quanto o educador. E o que se vê na realidade são ações construídas sem a participação da comunidade, principalmente o corpo docente e discente.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
A Educação de Jovens e Adultos nos últimos tempos tomou forma, cresceu bastante e de forma significativa, Estados e Municípios abraçam a causa mutuamente e se comprometem com essa modalidade de ensino que nesse momento é o caminho que muitos jovens e adultos recorrem para mudar sua história de vida. Mas isso não é o caso do que se tem presenciado no Município de Breves.
Quando falamos em educação num contexto geral, ficamos de frente com um problema que realmente preocupa ou ainda leva os agentes da educação ao limite da preocupação, o analfabetismo e a evasão escolar, que é um mal que assola o desenvolvimento educacional de todas as modalidades de ensino. Contudo, estudos a respeito da evasão escolar e o analfabetismo em diversos aspectos foram concluídos e os resultados estudados, analisados e publicados, não são satisfatórios, mesmo assim vemos a situação se repetir anos após anos e a luta para mudar esse quadro continua na forma de pesquisa, arma utilizada pelos cientistas da educação na tentativa de identificar os motivos que levam os alunos a se evadirem da escola, é preciso então mobilizar esforços que possam ajudar a mudar o quadro que permeia as escolas, principalmente na rede pública de educação.
A pesquisa feita nas escolas públicas da cidade de Breves-PA no intuito de entender o porquê da evasão escolar e o alto índice de analfabetismo que acontece nas turmas da EJA, nos dá em troca informações que possibilitam uma reflexão mais acentuada a respeito da ausência dos alunos na sala de aula das escolas pesquisadas, onde observamos através dos dados coletados e organizados alguns motivos que levam os alunos a se distanciarem da escola. E retornarem nos anos seguintes formando um ciclo vicioso em quase 50% ou mais dos alunos matriculados no início do ano letivo, isso, forma um público que possuem pensamentos semelhantes em relação aos motivos que os faz deixar a sala de aula, na hora de decidir escola ou trabalho ficam com o trabalho mesmo sendo provisório, pois o bem estar da família fala mais alto.
Conhecer as razões da ausência desses alunos na sala de aula nos ajuda na luta para combater a evasão escolar e o analfabetismo, porque o problema de um pode ser problema de vários, então em conjunto com outros agentes da educação se pode trilhar caminhos para compreender o que pode ajudar o aluno da EJA, de imediato se ver a necessidade de despertar neles interesse que relacionem os estudos a sua realidade, utilizando como ponte de aproximação a metodologia, a avaliação os recursos e a formação dos seus professores.
Refletir sobre os métodos utilizados na prática pedagógica que envolve o principal fator que é o planejamento educacional, é o primeiro passo, de acordo com um dos entrevistados em certos momentos tornava-se difícil fazer o educado permanece na sala de aula. Essa é uma boa razão para o educador considerar novas perspectiva e usar uma metodologia e recursos que valorize sua experiência de vida e relacione os conteúdos programáticos com o cotidiano do aluno.
O educador precisa ter também muita atenção no processo avaliativo adotado, o que é de suma importância, pois é uma faca de dois gumes à medida que pode incentivar e valorizar pode também desmotivar e até prejudicar o desenvolvimento no processo de aprendizagem, se não tiver critérios bem definidos e um processo contínuo de avaliação, que identifique a dificuldade do aluno, e o trabalho pedagógico seja redirecionado, trabalhando as deficiências e posteriormente superando as dificuldades. Ao invés de melhorar irá prejudicar a aprendizagem do educando da EJA que é por consequência muito sensível e na sua concepção vai se achar incapaz e desiste.
No transcorrer das entrevistas, os professores entrevistados expressavam uma preocupação que exige uma reflexão acentuada, é a falta de preparação do professor para assumir a sala de aula nessa modalidade de ensino, pelo que ficou entendido alguns professores vão para a salas da EJA porque estão com baixa carga horária e olham a turma para complemento de carga horaria outros não são consultados, simplesmente lotados por falta de espaço nas salas de aula nos demais níveis de ensino do município, em uma sala de EJA.
Para se atingir o objetivo principal que é um ensino-aprendizagem, onde o aluno EJA possa ocupar seu lugar no mercado de trabalho com competência e exercer sua cidadania com dignidade, é necessário preparar o professor que não se sente apto porém está disposto a abraçar a causa e enfrentar o desafio, e promover formação continuada para todos os agentes envolvidos motivando-os a novas descobertas necessárias a suprir o dito fracasso escolar, que se trata do principal motivo de nosso trabalho de pesquisa, o analfabetismo e a evasão escolar.
Então fazendo uma leitura de todo o trabalho pesquisado, entendemos que o fracasso escolar depende de fatores socioeconômicos e políticos, e na tentativa de erradicar o analfabetismo e a evasão nas turmas de EJA e ajudar na solução do problema se faz necessário alterações na política educacional, promovendo transformações que favoreçam as camadas menos favorecidas, que deverão resultar em professores melhores preparados, alunos motivados e conscientes de sua responsabilidade com sua família, com a sociedade e com ele mesmo.
Além disso, ficou evidente a necessidade de que a escola esteja amparada por meios que contribuam para que todos a ela tenham acesso, nela possam permanecer e através dela alcancem os seus objetivos pessoais de formação. Para finalizar, constatou-se que é possível observar o cotidiano com um olhar diferenciado quando se propõe entender um problema e buscar meios para amenizar os seus efeitos cotidianamente.
Todavia, um dos primeiros passos para que isso seja é identificar o problema e compreendê-lo no interior da instituição. O segundo seria envolver um grupo para trabalhar com base em evidências e implementar ações para minimizá-lo. Para tal tarefa, torna-se necessário eleger e utilizar instrumentos de coleta de dados e buscar informações e interpretações que possibilitem um olhar mais apurado para o trabalho da escola como um todo e da gestão escolar por consequência, como entrevistas, questionários, estudo de índices, dentre outros. Essas estratégias podem modificar a gestão escolar da condição de tarefeira para promotora de ações que elevem a qualidade da EJA no município de Breves-PA.
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