REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783546285
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo propor o uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica para o desenvolvimento do letramento digital nas aulas de Língua Portuguesa, considerando as demandas da educação contemporânea e a crescente presença das tecnologias digitais no cotidiano dos estudantes. Parte-se da problemática que envolve o distanciamento entre a linguagem utilizada nos ambientes digitais e a norma padrão ensinada na escola, o que pode comprometer o interesse e a participação dos alunos no processo de aprendizagem. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e de cunho bibliográfico. Fundamenta-se em autores como Kleiman (1995), Marcuschi (2010) e Rojo (2012), que discutem o letramento como prática social e os multiletramentos no contexto digital. Além disso, foram considerados dados do IBGE (2024), que evidenciam o uso intensivo da internet e de aplicativos de comunicação entre os jovens brasileiros. Como resultado, elaborou-se uma proposta pedagógica baseada em uma sequência didática estruturada em quatro módulos, com atividades voltadas à leitura, interpretação e produção de textos multimodais, utilizando o WhatsApp como recurso didático. Conclui-se que a integração de ferramentas digitais ao ensino de Língua Portuguesa contribui para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico, significativo e alinhado à realidade dos alunos, favorecendo à formação de sujeitos críticos e participativos na sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Letramento digital; Ensino de Língua Portuguesa; Tecnologias digitais.
ABSTRACT
This study aims to propose the use of WhatsApp as a pedagogical tool for developing digital literacy in Portuguese language classes, considering the demands of contemporary education and the growing presence of digital technologies in students' daily lives. It starts from the problem of the gap between the language used in digital environments and the standard norm taught in school, which can compromise students' interest and participation in the learning process. The research is characterized as qualitative, exploratory, and bibliographic. It is based on authors such as Kleiman (1995), Marcuschi (2010), and Rojo (2012), who discuss literacy as a social practice and multiliteracies in the digital context. In addition, data from the IBGE (2024) were considered, which highlight the intensive use of the internet and communication applications among young Brazilians. As a result, a pedagogical proposal was developed based on a didactic sequence structured in four modules, with activities focused on reading, interpreting, and producing multimodal texts, using WhatsApp as a teaching resource. It is concluded that the integration of digital tools into the teaching of Portuguese contributes to making the teaching-learning process more dynamic, meaningful, and aligned with the students' reality, favoring the formation of critical and participatory individuals in contemporary society.
Keywords: Digital literacy; Portuguese language teaching; Digital technologies; WhatsApp; Didactic sequence.
1. INTRODUÇÃO
Na contemporaneidade, marcada pela intensa presença das tecnologias digitais, observa-se que os adolescentes estão cada vez mais inseridos em ambientes virtuais de comunicação. O WhatsApp destaca-se como uma das principais ferramentas utilizadas por esse público, constituindo um espaço de interação constante, no qual circulam diferentes formas de linguagem, como textos breves, áudios, imagens, emojis e memes.
Nesse contexto, a presente pesquisa insere-se no campo do letramento digital, com foco no ensino de Língua Portuguesa, considerando as práticas sociais de linguagem mediadas pelas tecnologias. A relevância do tema fundamenta-se na necessidade de a escola acompanhar as transformações da sociedade contemporânea, incorporando novas formas de comunicação ao processo de ensino-aprendizagem, de modo a torná-lo mais significativo e contextualizado.
Entretanto, evidencia-se um conflito entre a linguagem utilizada no ambiente digital caracterizada pela informalidade, dinamismo e uso de abreviações e as normas da escrita formal, exigidas no contexto escolar. Diante disso, muitas instituições de ensino ainda tratam essas práticas como inadequadas, desconsiderando seu potencial pedagógico. Assim, elaborou-se o seguinte problema de pesquisa: como utilizar o WhatsApp para desenvolver práticas de letramento digital nas aulas de Língua Portuguesa?
A justificativa deste estudo está ancorada na necessidade de integrar o letramento digital às práticas pedagógicas, considerando que os estudantes demonstram maior engajamento quando o ensino dialoga com seu cotidiano. Durante o Estágio Supervisionado, foi possível observar que o uso de recursos multimodais, como vídeos, imagens e ferramentas digitais, contribuem significativamente para a participação ativa dos alunos, evidenciando a importância de metodologias inovadoras no contexto educacional.
Além disso, dados do IBGE (2024) evidenciam a ampla utilização da internet e de aplicativos de mensagens entre os jovens brasileiros, reforçando a pertinência de estudos que busquem integrar essas ferramentas ao ensino. Dessa forma, o uso do WhatsApp em sala de aula apresenta-se como uma estratégia pedagógica capaz de aproximar as práticas escolares das práticas sociais de linguagem vivenciadas pelos estudantes.
O presente trabalho tem como objetivo geral promover o letramento digital e o desenvolvimento das competências linguísticas dos alunos por meio do uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica nas aulas de Língua Portuguesa. Como objetivos específicos, buscou-se: investigar, com base em dados do IBGE, os hábitos de uso do aplicativo por adolescentes; selecionar gêneros textuais que circulam nesse ambiente digital, como memes, áudios, emojis,
GIFs e notícias curtas; e elaborar uma sequência didática que utilize o WhatsApp como recurso pedagógico no ensino de Língua Portuguesa.
No que se refere à fundamentação teórica, o estudo apoia-se em autores que discutem o letramento e as práticas de linguagem no contexto contemporâneo, como Kleiman (1995), que compreende o letramento como prática social; Marcuschi (2010), que aborda os gêneros textuais e a linguagem em uso; Rojo (2012), que discute os multiletramentos e as novas práticas digitais; além de Alexandre (2019), que contribui para a reflexão sobre o uso das tecnologias na educação.
Quanto aos procedimentos metodológicos, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e de cunho bibliográfico, tendo como foco a análise teórica do uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica. De acordo com Gil (2010), a pesquisa bibliográfica possibilita ao pesquisador o acesso a diferentes contribuições teóricas, fundamentais para a compreensão e aprofundamento do tema investigado.
Por fim, este trabalho está organizado em seções que visam apresentar, de forma sistematizada, a discussão proposta. Inicialmente, apresenta-se a fundamentação teórica, abordando conceitos de letramento digital, gêneros textuais e o uso das tecnologias na educação. Em seguida, descrevem-se os procedimentos metodológicos adotados. Posteriormente, apresenta-se a proposta de sequência didática estruturada em quatro módulos, voltada ao uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica. Por fim, são apresentadas as considerações finais, nas quais se discutem os resultados e as contribuições do estudo.
2. LETRAMENTO DIGITAL: CONCEITOS E RELEVÂNCIA NA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA
A sociedade contemporânea caracteriza-se por profundas transformações impulsionadas pelo avanço das tecnologias digitais, que tem redefinido as formas de comunicação, interação social e produção de conhecimento. Nesse contexto, o letramento digital assume papel central na formação dos sujeitos, uma vez que amplia as práticas tradicionais de leitura e escrita para o ambiente virtual, incorporando novas linguagens, suportes e formas de interação.
De acordo com Kleiman (1995, p. 19), “o letramento não se reduz ao domínio do código escrito, mas envolve as práticas sociais de leitura e escrita em diferentes contextos”. Essa concepção desloca o foco do ensino da mera decodificação para o uso social da linguagem, o que se torna ainda mais relevante.
O letramento digital pode ser compreendido como a capacidade de utilizar, compreender e produzir textos em ambientes digitais, considerando suas especificidades e múltiplas linguagens. Trata-se, portanto, de uma competência que envolve habilidades cognitivas, sociais e tecnológicas, permitindo ao indivíduo atuar de forma crítica e participativa na sociedade contemporânea.
Complementando essa discussão, Rojo (2012, p. 23) afirma que “os multiletramentos contemplam a diversidade cultural e a multiplicidade de linguagens presentes na sociedade contemporânea”. Isso significa que o ensino deve incorporar diferentes formas de expressão, como imagens, sons, vídeos e textos híbridos, ampliando as possibilidades de aprendizagem.
Além disso, Marcuschi (2010, p. 22) destaca que “os gêneros textuais são formas de ação social, historicamente situadas”, evidenciando que os gêneros digitais, como mensagens instantâneas, memes e áudios, também devem ser considerados no ensino. Letramento digital não apenas amplia o conceito de letramento, mas também redefine as práticas pedagógicas, exigindo uma abordagem mais dinâmica, contextualizada e alinhada às demandas da sociedade atual.
Diante dessa necessidade de reconfiguração das práticas pedagógicas, torna-se fundamental considerar os documentos oficiais que orientam a educação básica no Brasil, especialmente a BNCC, que estabelece diretrizes para o desenvolvimento de competências essenciais no contexto contemporâneo. Nesse sentido, a BNCC reconhece a cultura digital como elemento estruturante do processo educativo, destacando a importância do uso crítico, reflexivo e significativo das tecnologias.
2.1. O Letramento Digital na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece diretrizes fundamentais para a educação básica no Brasil, reconhecendo a cultura digital como uma das competências essenciais a serem desenvolvidas pelos estudantes. De acordo com o documento, é necessário que os alunos sejam capazes de “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa, reflexiva e ética” (Brasil, 2018, p. 9). Essa orientação evidencia que o uso das tecnologias no contexto educacional deve ir além da dimensão instrumental, promovendo o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes.
No componente curricular de Língua Portuguesa, a BNCC propõe o trabalho com práticas de linguagem que contemplem diferentes gêneros textuais, incluindo aqueles que circulam nos ambientes digitais. Essa proposta reforça a importância de integrar às práticas escolares as práticas sociais de linguagem, aproximando o ensino da realidade dos alunos.
A BNCC destaca a necessidade de desenvolver competências relacionadas à análise crítica de informações, à produção de conteúdos digitais e à participação em ambientes virtuais de forma ética e responsável. Nesse sentido, o letramento digital torna-se um elemento importante para a formação integral dos estudantes.
Nesse contexto, destaca-se a presença crescente de textos que integram diferentes linguagens verbal, visual e sonora caracterizando a multimodalidade como elemento central da comunicação contemporânea. Assim, analisar como essas múltiplas linguagens se articulam nos processos comunicativos digitais é fundamental para o ensino de Língua Portuguesa, conduzindo à discussão sobre a multimodalidade e suas implicações pedagógicas.
2.2. Multimodalidade e Comunicação Digital
A comunicação digital caracteriza-se pela presença da multimodalidade, ou seja, pela articulação de diferentes linguagens em um mesmo texto. Essa característica amplia as possibilidades de expressão e exige novas formas de leitura e interpretação.
Segundo Rojo (2012, p. 25), “os textos contemporâneos são cada vez mais multimodais, exigindo novas competências de leitura e interpretação”. Isso implica que o leitor precisa mobilizar diferentes habilidades para compreender a mensagem, considerando não apenas o texto verbal, mas também elementos visuais e sonoros.
Ambientes digitais favorecem à circulação de textos multimodais, como vídeos, memes, infográficos e mensagens instantâneas. O WhatsApp, por exemplo, possibilita a integração de diferentes recursos comunicativos, como textos, áudios, imagens, emojis e GIFs, tornando-se um espaço rico para o desenvolvimento do letramento digital.
Ao trabalhar com a multimodalidade em sala de aula contribui para ampliar a competência comunicativa dos estudantes, preparando-os para interagir de forma eficaz nos diversos contextos sociais.
A crescente presença de textos multimodais nos ambientes digitais e a necessidade de desenvolver novas competências de leitura e produção, evidencia-se que o domínio dessas práticas vai além da simples utilização de ferramentas tecnológicas. Trata-se, sobretudo, da formação de sujeitos capazes de compreender, interpretar e produzir sentidos de maneira crítica em diferentes contextos digitais. Nesse cenário, o letramento digital assume papel central no processo educativo, sendo reconhecido como uma competência essencial para a participação ativa na sociedade contemporânea. Tal perspectiva está em consonância com as orientações da BNCC, que destaca a importância do uso consciente e significativo das tecnologias, conduzindo, à discussão sobre o letramento digital como competência fundamental na era tecnológica.
2.3. Letramento Digital: Uma Competência Essencial na Era Tecnológica
Na era tecnológica, o letramento digital configura-se como uma competência indispensável para a formação do cidadão, uma vez que a participação social está cada vez mais mediada pelas tecnologias digitais.
De acordo com dados do IBGE (2024), o acesso à internet no Brasil tem se expandido significativamente, especialmente entre os jovens, que utilizam com frequência aplicativos de comunicação e redes sociais. Esse cenário evidencia a necessidade de a escola preparar os estudantes para atuarem de forma crítica nesse ambiente.
O letramento digital não se limita ao uso técnico das ferramentas mas, envolve a capacidade de avaliar informações, identificar fontes confiáveis e produzir conteúdo de forma ética. Trata-se, portanto, de uma competência que contribui para o desenvolvimento da autonomia, da criticidade e da participação social.
Além disso, o desenvolvimento do letramento digital favorece à inclusão social, ao possibilitar que os indivíduos tenham acesso a diferentes formas de conhecimento para participação consciente e crítica na sociedade.
Considerando o letramento digital como uma competência essencial na formação dos estudantes, torna-se necessário refletir sobre como essa perspectiva tem impactado o ensino de Língua Portuguesa na atualidade. A incorporação das tecnologias digitais no cotidiano escolar exige uma revisão das práticas pedagógicas, especialmente no que se refere às formas de ensinar leitura, escrita e interpretação. O ensino da língua materna deve ultrapassar abordagens tradicionais, passando a contemplar as múltiplas formas de linguagem presentes na sociedade contemporânea. Assim, à luz dessas transformações e das orientações da BNCC, torna-se pertinente discutir as novas configurações do ensino de Língua Portuguesa, conduzindo às reflexões sobre suas práticas, desafios e possibilidades.
2.4. Reflexões sobre o Ensino de Língua Portuguesa
O ensino de Língua Portuguesa tem passado por significativas transformações ao longo das últimas décadas, especialmente no que se refere às concepções de linguagem e às práticas pedagógicas adotadas em sala de aula. Tradicionalmente, o ensino esteve centrado na memorização de regras gramaticais e na valorização da norma padrão, desconsiderando, muitas vezes, os contextos reais de uso da língua. No entanto, com o avanço das teorias linguísticas e educacionais, passou-se a compreender a linguagem como uma prática social, dinâmica e situada.
Nesse sentido, Marcuschi (2010, p. 30) afirma que “ensinar língua é ensinar a agir socialmente por meio da linguagem”, o que implica considerar os diferentes contextos comunicativos em que os sujeitos estão inseridos. Essa perspectiva desloca o foco do ensino da língua como sistema fechado para a língua em uso, valorizando as práticas reais de comunicação.
Corroborando essa visão, Kleiman (1995, p. 20) destaca que “a leitura e a escrita devem ser compreendidas como práticas sociais”, reforçando a necessidade de um ensino contextualizado e significativo. Assim, o ensino de Língua Portuguesa deve promover o desenvolvimento de competências que permitam ao aluno participar ativamente das práticas sociais de linguagem.
Bakhtin (2003, p. 262) contribui para essa discussão ao afirmar que “a linguagem é essencialmente dialógica”, ou seja, constrói-se na interação entre os sujeitos. Essa concepção reforça a importância de práticas pedagógicas que valorizem o diálogo, a troca de ideias e a construção coletiva do conhecimento.
Sob outra perspectiva, Freire (1989, p. 11) afirma que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, indicando que o processo de ensino deve partir da realidade do aluno. Portanto, o ensino de Língua Portuguesa precisa considerar o contexto sociocultural dos estudantes, valorizar seu conhecimento prévio e suas experiências.
Ao articular essas concepções, percebe-se uma convergência entre os autores ao defenderem um ensino de língua centrado no uso, na interação e na contextualização. Entretanto, enquanto Freire enfatiza a dimensão crítica e emancipatória da educação, Bakhtin destaca o caráter dialógico da linguagem, e Marcuschi enfatiza a função social dos gêneros textuais. Essa articulação teórica permite compreender o ensino de Língua Portuguesa como um processo complexo, que envolve múltiplas dimensões.
Tais contribuições teóricas tornam-se ainda mais relevantes diante da presença das tecnologias digitais. O uso de aplicativos como o WhatsApp evidencia novas formas de comunicação, marcadas pela rapidez, pela informalidade e pela multimodalidade. Nesse cenário, o ensino de Língua Portuguesa precisa ampliar seu escopo, incorporando os gêneros digitais e promovendo o letramento digital.
De acordo com Rojo (2012, p. 23), “os multiletramentos envolvem a diversidade de linguagens e culturas presentes na sociedade contemporânea, exigindo do aluno a capacidade de interpretar e produzir textos em diferentes formatos”. Isso implica que o ensino deve ir além do texto escrito, incorporando imagens, sons e outros recursos multimodais.
Além disso, Coscarelli (2016, p. 45) destaca que “o uso das tecnologias na educação deve ser intencional e pedagógico, evitando a simples reprodução de práticas tradicionais em ambientes digitais”. O desafio do professor é integrar as tecnologias de forma crítica e significativa, promovendo aprendizagens relevantes.
O professor de Língua Portuguesa deve assumir uma postura inovadora, capaz de dialogar com as práticas sociais dos estudantes e com as demandas da sociedade digital. Isso implica repensar metodologias, conteúdos e formas de avaliação, buscando promover uma aprendizagem mais ativa, participativa e contextualizada.
Por fim, destaca-se que as diretrizes da BNCC reforçam essa perspectiva ao enfatizar o desenvolvimento de competências relacionadas à cultura digital, à análise crítica e à produção de textos em diferentes linguagens. Assim, o ensino de Língua Portuguesa deve contribuir para a formação de sujeitos críticos, autônomos e capazes de atuar de forma consciente na sociedade contemporânea.
Refletir sobre o ensino de Língua Portuguesa na atualidade implica reconhecer a necessidade de integrar práticas tradicionais e inovadoras, valorizando tanto a norma padrão quanto as novas formas de linguagem que emergem no contexto digital. Essa articulação é fundamental para promover um ensino mais significativo, inclusivo e alinhado às demandas do século XXI.
Diante das reflexões acerca da necessidade de transformar o ensino de Língua Portuguesa, especialmente no que se refere à necessidade de práticas mais contextualizadas, interativas e alinhadas à realidade dos estudantes, torna-se fundamental adotar estratégias pedagógicas que possibilitem a efetivação dessas mudanças no cotidiano escolar. É necessário que o professor organize o processo de ensino de forma sistemática e intencional, favorecendo o desenvolvimento progressivo das competências linguísticas. Assim, a utilização de metodologias que articulem teoria e prática, como a sequência didática proposta por Dolz e Schneuwly (2004), apresenta-se como uma alternativa eficaz para promover um ensino significativo, conduzindo à discussão sobre seu papel no ensino de Língua Portuguesa.
2.5. O Papel da Sequência Didática no Ensino de Língua Portuguesa
A sequência didática configura-se como uma estratégia pedagógica essencial no ensino de Língua Portuguesa, especialmente quando se busca desenvolver competências relacionadas à leitura, escrita e uso social da linguagem. Trata-se de uma abordagem que organiza o processo de ensino de forma sistemática, progressiva e contextualizada, permitindo ao aluno construir conhecimentos de maneira significativa.
De acordo com Dolz e Schneuwly (2004, p. 97), “a sequência didática é um conjunto de atividades organizadas sistematicamente em torno de um gênero textual, com o objetivo de promover sua aprendizagem”. Essa definição evidencia que o ensino da língua deve estar centrado em práticas reais de uso, considerando os gêneros textuais como instrumentos de interação social.
Nesse sentido, a sequência didática possibilita ao professor planejar atividades que vão desde a apresentação do gênero a sua produção final, passando por etapas intermediárias de análise, reflexão e reescrita. Tal organização favorece à aprendizagem gradual, respeitando o ritmo dos alunos e promovendo o desenvolvimento de habilidades linguísticas de forma estruturada.
Além disso, essa abordagem está diretamente relacionada à concepção de linguagem como prática social, defendida por Kleiman (1995), para quem o ensino deve considerar os usos reais da leitura e da escrita. Trabalhar com sequências didáticas, o professor proporciona aos alunos situações autênticas de comunicação, tornando o aprendizado mais significativo.
Sob outra perspectiva, Marcuschi (2010, p. 30) afirma que “ensinar língua é ensinar a agir socialmente por meio da linguagem”, o que reforça a importância de práticas pedagógicas que articulem teoria e uso efetivo da língua. Nesse contexto, a sequência didática se destaca como um instrumento capaz de integrar essas dimensões, promovendo a construção do conhecimento de forma contextualizada.
Outro aspecto relevante refere-se à contribuição da sequência didática para o desenvolvimento da autonomia do aluno. Ao participar de todas as etapas do processo leitura, análise, produção e revisão o estudante torna-se sujeito ativo da aprendizagem, desenvolvendo competências críticas e reflexivas.
Essa metodologia dialoga com as contribuições de Vygotsky (1991), que enfatiza o papel da interação social no processo de aprendizagem. Segundo o autor, o conhecimento é construído por meio da mediação, sendo o professor responsável por orientar e apoiar o aluno em seu desenvolvimento. Nesse sentido, a sequência didática funciona como um instrumento de mediação pedagógica, organizando as atividades de forma a favorecer a aprendizagem colaborativa.
No contexto atual, pela presença das tecnologias digitais, a sequência didática também se mostra uma estratégia eficaz para integrar recursos tecnológicos ao ensino. Ao incorporar ferramentas como o WhatsApp, o professor amplia as possibilidades de trabalho com gêneros digitais, como mensagens instantâneas, memes e áudios, aproximando o conteúdo escolar da realidade dos estudantes.
Essa integração está em consonância com as diretrizes da BNCC, que enfatiza a importância do desenvolvimento de competências relacionadas à cultura digital. Ao utilizar sequências didáticas que envolvem práticas digitais, o professor contribui para a formação de alunos mais críticos, autônomos e preparados para atuarem na sociedade contemporânea.
Por fim, destaca-se que a sequência didática não apenas organiza o ensino, mas também contribui para sua efetividade, ao possibilitar a avaliação contínua do processo de aprendizagem. Ao longo das etapas, o professor pode identificar dificuldades, propor intervenções e acompanhar o desenvolvimento dos alunos, garantindo a aprendizagem significativa.
Dessa forma, a sequência didática constitui-se como uma estratégia pedagógica importante no ensino de Língua Portuguesa, especialmente quando articulada ao letramento digital, pois permite integrar teoria e prática, promover o uso social da linguagem e preparar os estudantes para os desafios do cotidiano.
A partir das discussões realizadas sobre letramento digital, multimodalidade e ensino de Língua Portuguesa, bem como da importância da sequência didática como estratégia pedagógica, torna-se necessário direcionar o olhar para os ambientes digitais que fazem parte do cotidiano dos estudantes. Destaca-se o uso de aplicativos de comunicação, que configuram espaços dinâmicos de interação, produção e circulação de textos. Dentre estes, o WhatsApp evidencia-se como um ambiente significativo para o desenvolvimento de práticas de letramento digital, por possibilitar a integração de diferentes linguagens e favorecer a participação ativa dos usuários. Portanto, compreender o potencial pedagógico desse recurso torna-se necessário para sua utilização no ensino de Língua Portuguesa.
3. WHATSAPP COMO AMBIENTE DE LETRAMENTO DIGITAL
O Whatsapp é uma plataforma amplamente usada para promover a comunicação imediata entre pessoas ou grupos. Por ser um aplicativo popular e presente na realidade diária dos estudantes, pode ser explorado como recurso pedagógico para apoiar o desenvolvimento do letramento digital, especialmente nas práticas de leitura e escrita em ambientes virtuais.
Com a crescente utilização das novas ferramentas tecnológicas (como computador, tablet, internet banking, etc.), emerge uma nova forma de letramento: o “letramento digital”, que compreende práticas sociais de leitura e escrita mediadas por tecnologias digitais.
Segundo Kleiman (1995, p.19) “o letramento é o conjunto de práticas sociais que utilizam a escrita, tanto como sistema simbólico quanto como tecnologia, em contextos específicos, para objetivos”. Nesta perspectiva, o letramento digital pode ser compreendido como uma resposta às necessidades de aprimoramento das competências para o uso consciente e eficaz das tecnologias digitais. Ele promove não apenas as habilidades técnicas, mas também viabiliza a leitura crítica das informações que circulam na internet. Essa abordagem é extremamente relevante, sobretudo quando se considera que os meios digitais se consolidaram como os principais canais pelos quais lemos, pesquisamos, acessamos informações e interagimos socialmente. Conforme Alexandre (2019, p. 31):
usamos as tecnologias digitais de maneira diferente, com base em nossas necessidades, práticas passadas, experiência de trabalho e de estudo, o que garante diferentes letramentos. Sob esse ponto de vista, pode ser difícil compreender que o letramento digital possa ser ensinado por meio de um conjunto de habilidades necessárias e suficientes para que qualquer pessoa use os recursos tecnológicos nas várias situações sociais em que está ou estará envolvida. Em vez disso, uma visão mais vantajosa do letramento digital, a partir de uma perspectiva ideológica, provavelmente seria aquela que enfatizasse a utilidade, o significado e o potencial para práticas sociais específicas.
Em outras palavras, é fundamental saber utilizar esses meios de forma consciente e eficaz, pois tornou-se uma necessidade ser letrado digitalmente na contemporaneidade. O letramento digital diz respeito ao desenvolvimento de habilidades que permitem o uso das tecnologias não apenas de forma eficiente, mas também de forma crítica e reflexiva.
Além disso, é essencial destacar que a BNCC salienta a importância de desenvolver competências comunicativas digitais, pautadas por princípios éticos, conscientes e socialmente relevantes. Assim, o letramento digital torna-se parte integrante do ambiente escolar, considerando que os alunos já chegam à sala de aula imersos em práticas midiáticas e tecnológicas que permeiam seu cotidiano.
Diante da compreensão do WhatsApp como um ambiente fértil para o desenvolvimento do letramento digital, torna-se necessário analisar as formas de linguagem que circulam nesse espaço. As interações realizadas por meio do aplicativo evidenciam a presença de diversos gêneros textuais digitais, que se constituem a partir de práticas sociais específicas e da integração de múltiplas linguagens. Ao investigar esses gêneros como mensagens instantâneas, memes, áudios, emojis e vídeos permite compreender suas características, funções comunicativas e potencial pedagógico, faz-se necessária a discussão sobre os gêneros textuais digitais presentes no WhatsApp, considerando sua relevância para o ensino de Língua Portuguesa.
3.1. Gêneros Textuais Digitais Presentes no Whatsapp
Os gêneros textuais caracterizam-se pela comunicação entre seres humanos que vivem em sociedade. Eles retratam as diversas possibilidades de interação social vivenciadas diariamente. Segundo Marcuschi (2010, p. 24), “os ambientes virtuais favorecem não apenas o surgimento de uma ampla variedade de gêneros textuais, mas também se mostram altamente adaptáveis, atuando em múltiplos contextos comunicativos”.
Desse modo, os gêneros textuais passaram a ser compreendidos sob uma nova perspectiva com a incorporação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que enfatizam sua importância no processo de ensino e aprendizagem (Brasil, 1998, p. 24).
A compreensão oral e escrita, bem como a produção oral e escrita de textos pertencentes a diversos gêneros, supõe o desenvolvimento de diversas capacidades que devem ser enfocadas nas situações de ensino. É preciso abandonar a crença na existência de um gênero prototípico que permitiria ensinar todos os gêneros em circulação social.
Tanto os gêneros falados quanto os registrados por escrito devem ser abordados no processo de ensino e aprendizagem, pois é por meio dessa circulação social que ganham existência e se manifestam de diferentes formas na vida em sociedade. Outro aspecto relevante a ser abordado sobre os gêneros digitais é a conexão profunda integrada com a multimodalidade, como afirma Rojo (2012, p. 23):
a presença das tecnologias digitais em nossa cultura contemporânea cria novas possibilidades de expressão e comunicação. Elas também se tornaram cada vez mais uma parte regular de nossas vidas, semelhante à tecnologia da escrita, e todas devem ser aprendidas. Além disso, as tecnologias digitais estão abrindo caminho para uma gama mais ampla de comunicação, como a criação e o uso de imagens, som, animação e a fusão desses modos.
A autora destaca que a internet trouxe novas formas de comunicação, tanto faladas quanto escritas, que se constituem e se desenvolvem nas relações sociais da comunidade. Ela enfatiza que essas inovações digitais ampliam as possibilidades de interação.
Neste cenário de transformação comunicativa impulsionada pelas tecnologias digitais, o Whatsapp se destaca como um ambiente onde diversos gêneros textuais circulam com rapidez, como as mensagens instantâneas caracterizadas por linguagem coloquial, abreviações e uso de emojis, os memes, figurinhas que combinam texto e imagem de forma humorística, além de áudios e vídeos curtos que enriquecem a comunicação oral e visual. Assim, essa diversidade de gêneros evidencia como as práticas comunicativas contemporâneas estão cada vez mais marcadas pela multimodalidade e pelo letramento digital.
Após compreender o aplicativo como um espaço relevante para o desenvolvimento de práticas de letramento digital e analisar os gêneros textuais que nele circulam, torna-se essencial considerar sua inserção no cotidiano dos estudantes. A ampla utilização desse App como meio de comunicação evidencia seu papel central nas interações sociais, influenciando diretamente as formas de ler, escrever e se expressar. Ao compreender como o WhatsApp está presente na rotina dos alunos permite ao professor estabelecer conexões entre o universo escolar e as práticas sociais de linguagem vivenciadas fora da sala de aula, conduzindo assim à discussão sobre sua presença no cotidiano discente e suas implicações para o ensino de Língua Portuguesa.
3.2. A Presença do Whatsapp no Cotidiano dos Alunos
As tecnologias digitais estão presentes no dia a dia dos estudantes e, ao longo dos anos, vêm promovendo diversas mudanças tanto na comunicação quanto no processo de ensino-aprendizagem. Essa transformação é impulsionada, sobretudo, pelo acesso crescente à internet e pela popularização de dispositivos móveis.
De acordo com a pesquisa mais recente divulgada pelo IBGE (2024), o número de domicílios com acesso à internet chegou a 74,9 milhões, representando 93,6% do total, um crescimento de 1,1 ponto percentual em relação a 2023. Além disso, dos domicílios conectados, 13,5 milhões (18,1%) possuíam algum tipo de dispositivo inteligente, o que evidencia um aumento de 1,9 milhão de unidades em apenas um ano. De acordo com os dados fica cada vez mais evidente que a presença digital já faz parte da vida dos brasileiros.
Neste âmbito, é notório que a internet e os aplicativos digitais estão profundamente interligados à nossa vida diária. Dentre essas tecnologias, destaca-se o WhatsApp, justamente por sua popularidade e acessibilidade: mais de três bilhões de pessoas em mais de 180 países utilizam o aplicativo como principal meio de comunicação (WhatsApp, online, 2025).
A relevância do WhatsApp no ambiente escolar também encontra respaldo na BNCC, que orienta o uso crítico, significativo e ético das tecnologias digitais nas práticas sociais e educacionais. Segundo a BNCC (Brasil, 2018, p.10), “é fundamental que os estudantes saibam utilizar essas ferramentas para comunicar-se, acessar informações, produzir conhecimento e exercer protagonismo na vida pessoal e coletiva”.
O próprio nome WhatsApp é um trocadilho com a expressão inglesa "What's Up?" “Tudo bem”? (WhatsApp, online, 2025), refletindo seu caráter informal e acessível. O aplicativo é gratuito e permite a troca de mensagens de voz, vídeos, emojis, GIFs, figurinhas, fotos e diversos outros formatos de arquivos, o que o torna extremamente versátil e atrativo para os jovens. Dessa forma, é inegável que o WhatsApp se consolidou como uma ferramenta de comunicação amplamente utilizada pelos estudantes, seja para conversar com os amigos, tirar dúvidas com os professores ou até mesmo organizar trabalhos em grupo. Esse ambiente digital promove a socialização e pode ser usado como ferramenta para ampliar diversas possibilidades de leitura e escrita.
A partir das reflexões teóricas desenvolvidas acerca do letramento digital, das práticas de linguagem no ambiente virtual e do uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica, torna-se necessário delinear os caminhos metodológicos que orientaram a realização deste trabalho. Nesse sentido, a definição dos procedimentos, técnicas e instrumentos utilizados mostram-se fundamentais para garantirem a coerência e a validade do estudo. A próxima seção apresenta a metodologia adotada, explicitando o tipo de pesquisa, o objeto de estudo, os procedimentos de coleta e análise de dados, bem como os fundamentos teóricos que sustentam a investigação.
4. METODOLOGIA
Para conduzir esta investigação, optou-se por uma abordagem qualitativa, de cunho exploratório e bibliográfico, voltada à análise teórica do uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica no contexto do letramento digital no ensino de Língua Portuguesa.
A pesquisa qualitativa justifica-se por possibilitar a compreensão aprofundada do fenômeno investigado, considerando aspectos sociais, educacionais e linguísticos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, a natureza exploratória do estudo visa proporcionar maior familiaridade ao problema, permitindo sua melhor compreensão e delimitação.
No que se refere à pesquisa bibliográfica, esta constitui o principal procedimento metodológico adotado, sendo desenvolvida a partir do levantamento e análise de materiais já publicados, como livros, artigos científicos e documentos oficiais. Conforme Gil (2010, p. 30), “a pesquisa bibliográfica tem importância fundamental, pois, a partir dela, o pesquisador terá fundamentação teórica para embasar seu trabalho”.
O embasamento teórico deste estudo apoia-se em autores que discutem o letramento e as práticas de linguagem no contexto contemporâneo, tais como Alexandre (2019), Kleiman (1995), Marcuschi (2010) e Rojo (2012), os quais contribuem para a compreensão do letramento como prática social, dos gêneros textuais e dos multiletramentos no contexto digital. Além disso, foram utilizados dados estatísticos do IBGE (2024), que evidenciam a presença significativa da tecnologia e da internet na vida cotidiana dosbrasileiros, especialmente entre os jovens, reforçando a relevância da temática abordada.
A partir dessa constatação, destaca-se a necessidade de incorporar recursos digitais e midiáticos como ferramentas pedagógicas no ambiente escolar, de modo a aproximar o ensino da realidade dos estudantes. Nesse sentido, a pesquisa também assume um caráter propositivo, uma vez que resultou na elaboração de uma sequência didática estruturada em quatromódulos.
A sequência didática proposta tem como objetivo desenvolver habilidades relacionadas ao uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica, promovendo o letramento digital e o desenvolvimento das competências linguísticas dos alunos, nas aulas de Língua Portuguesa. Por fim, ressalta-se que a proposta elaborada será apresentada na seção seguinte, podendo ser aplicada em contextos educacionais diversos, configurando-se como uma contribuição prática deste estudo para a área da educação.
5. PROPOSTA PEDAGÓGICA
A presente proposta pedagógica tem como objetivo desenvolver práticas de letramento digital nas aulas de Língua Portuguesa, por meio do uso do WhatsApp como ferramenta de ensino-aprendizagem. A proposta está fundamentada nas diretrizes da BNCC, que destaca a importância da cultura digital e no uso crítico e reflexivo das tecnologias na educação.
Nesse sentido, a proposta visa aproximar o conteúdo escolar da realidade dos estudantes, promovendo maior engajamento, participação e desenvolvimento das competências linguísticas e digitais.
5.1. Caracterização da Proposta
Área: Língua Portuguesa
Público-alvo: Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano)
Duração: 4 semanas (8 a 12 aulas)
Tema: Letramento digital por meio do WhatsApp
Recursos: celular, internet, WhatsApp, imagens, vídeos, áudios
5.2. Objetivos da Proposta
5.2.1. Objetivo Geral
Promover o letramento digital e o desenvolvimento das competências linguísticas por meio do uso do WhatsApp em atividades de leitura e produção textual.
5.2.2. Objetivos Específicos
Desenvolver a leitura e interpretação de textos multimodais;
Compreender os gêneros digitais presentes no cotidiano;
Produzir textos adequados a diferentes contextos comunicativos;
Estimular o uso crítico e responsável das tecnologias digitais.
5.3. Habilidades da BNCC
De acordo com a BNCC, a proposta contempla habilidades como:
(EF69LP01) – Participar de práticas de linguagem em ambientes digitais;
(EF69LP07) – Produzir textos considerando o contexto de produção;
(EF69LP30) – Analisar efeitos de sentido em textos multimodais;
5.4. Metodologia da Proposta
A proposta será desenvolvida por meio de uma sequência didática, conforme defendem Dolz; Schneuwly (2004), estruturada em quatro módulos, organizados de forma progressiva.
As atividades serão realizadas de forma interativa, utilizando o WhatsApp como ferramenta de mediação, promovendo a participação ativa dos alunos e a construção coletiva do conhecimento.
5.5. Sequência Didática
Considerando as discussões teóricas acerca do letramento digital e a necessidade de integrar as tecnologias ao ensino de Língua Portuguesa, a seguir, no quadro 01 será apresentada uma proposta de sequência didática estruturada com o objetivo de promover práticas significativas de leitura, escrita e interpretação no ambiente digital. Fundamentada nas orientações da BNCC e nas contribuições de estudiosos da área, essa proposta busca articular teoria e prática por meio de atividades organizadas de forma progressiva, utilizando o WhatsApp como recurso pedagógico, pretende-se proporcionar aos alunos experiências de aprendizagem mais dinâmicas, contextualizadas e alinhadas às demandas da sociedade contemporânea.
Quadro 01. Sequência Didática
Módulo 1: Introdução ao Letramento Digital Objetivo: Compreender o conceito de letramento digital Atividades:
Avaliação: participação e reflexão crítica. |
Módulo 2: Gêneros Digitais no WhatsApp Objetivo: Identificar gêneros digitais Atividades:
Avaliação: atividade escrita de análise. |
Módulo 3: Produção de Textos Digitais Objetivo: Produzir textos adequados ao contexto digital Atividades:
Avaliação: produção textual. |
Módulo 4: Uso Crítico das Tecnologias Objetivo: Refletir sobre o uso responsável da tecnologia Atividades:
Avaliação: produção de texto argumentativo. |
Avaliação A avaliação será processual e formativa, considerando:
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Resultados Esperados Espera-se que os alunos:
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Fonte: Dados da pesquisa (2026).
5.6. Considerações Sobre a Proposta
A proposta pedagógica apresentada busca integrar teoria e prática, promovendo um ensino mais dinâmico, contextualizado e significativo. O uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica contribui para aproximar o conteúdo escolar da realidade dos alunos, favorecendo ao desenvolvimento do letramento digital.
Além disso, ao alinhar-se às diretrizes da BNCC, a proposta reforça a importância da cultura digital no processo educativo, preparando os estudantes para os desafios da sociedade contemporânea.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa teve como objetivo analisar o uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica no desenvolvimento do letramento digital nas aulas de Língua Portuguesa, considerando as demandas da educação contemporânea e as transformações decorrentes do avanço das tecnologias digitais. A partir do estudo teórico, fundamentado em autores como Kleiman (1995), Marcuschi (2010) e Rojo (2012) entre outros, foi possível compreender que o letramento vai além da simples decodificação da linguagem escrita, constituindo-se como uma prática social que se transforma conforme os contextos históricos e tecnológicos.
Nesse sentido, constatou-se que o ambiente digital, especialmente por meio de aplicativos como o WhatsApp, possibilita novas formas de interação, comunicação e produção de sentidos, exigindo da escola uma postura mais aberta e integrada às práticas sociais dos estudantes. Ao invés de considerar essas ferramentas como obstáculos ao ensino, é necessário reconhecê-las como aliadas no processo educativo.
A proposta pedagógica elaborada demonstrou que é possível utilizar o WhatsApp como recurso didático, promovendo o desenvolvimento de habilidades relacionadas à leitura, escrita, interpretação e análise crítica. Por meio da sequência didática estruturada, os alunos são incentivados a refletir sobre o uso da linguagem em diferentes contextos, a compreender os gêneros digitais e a desenvolverem uma postura crítica diante das informações que circulam no meio digital.
Além disso, o alinhamento com a BNCC reforça a importância da cultura digital como competência essencial na formação dos estudantes, destacando a necessidade de práticas pedagógicas que promovam o uso consciente, ético e crítico das tecnologias. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa qualitativa e bibliográfica permitiu um aprofundamento teórico consistente, contribuindo para a elaboração de uma proposta aplicável ao contexto escolar. No entanto, reconhece-se como limitação a ausência de aplicação prática da sequência didática, sugerindo-se, para estudos futuros, a realização de pesquisas de campo que possibilitem avaliar seus impactos no processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa.
Conclui-se que a integração das tecnologias digitais ao ensino de Língua Portuguesa não apenas favorece o engajamento dos alunos, mas também contribui para a formação de sujeitos críticos, autônomos e preparados para atuarem na sociedade contemporânea. Dessa forma, o uso do WhatsApp como ferramenta pedagógica configura-se como uma estratégia inovadora e necessária, capaz de ressignificar as práticas educativas e promover um ensino significativo e contextualizado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALEXANDRE, José Carlos. Tecnologias digitais na educação: práticas pedagógicas inovadoras. São Paulo: Cortez, 2019.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
COSCARELLI, Carla Viana. Tecnologias para aprender. São Paulo: Parábola Editorial, 2016. Disponível em: https://www.whatsapp.com/about. Acesso em: 07 nov. 2025.
DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
KLEIMAN, Angela B. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. São Paulo: Cortez, 2010.
MORAN, José Manuel. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2015.
ROJO, Roxane. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. VYGOTSKY, Lev. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
WHATSAPP. Sobre o WhatsApp. Disponível em: https://www.whatsapp.com/about. Acesso em: 07 nov. 2025.
1 Professora Associada II, lotada no Centro de Ciências Humanas, Sociais e Letras (CCHSL), da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), no Campus de Imperatriz. É Diretora do Curso de Letras Licenciatura em Língua Inglesa e Literaturas. É Coordenadora Geral do Programa de Formação de Professores Caminhos do Sertão. É Advogada. Graduou-se em Letras, pelo Centro de Estudos Superiores de Imperatriz CESI/UEMA (1994), fez Mestrado em Ciências da Educação pelo Instituto Pedagógico Latino Americano e Caribenho - IPLAC (1999) cujo título foi revalidado pela Universidade Estadual do Pará (UEPA) e fez Doutorado em Ciencias de la Educacion, pela Universidad del Norte (UNINORTE), em 2008,cujo título foi revalidado pela Universidade do Estado do Amazonas. Integra os seguintes Grupos de Pesquisa: GEPLALA Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada e Literaturas Anglófonas e o Grupo de Estudos em PráticasEducativas e Formação de Professores (GEPEFP).Tem experiência na área de Letras, Educação e Metodologia da Pesquisa Científica, ministrando aulas e desenvolvendo pesquisas sobre as seguintes temáticas: Letras, ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, formação docente, Literatura anglófona, Ensino Médio, Estágio Supervisionado de Língua inglesa, Educação, Direitos Humanos, Letramentos, políticas públicas de educação, escola pública e qualidade na educação. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Graduanda em Licenciatura em Letras Língua Portuguesa. Programa de Formação de Professores Caminhos do Sertão/UEMASUL. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Graduanda em Licenciatura em Letras Língua Portuguesa. Programa de Formação de Professores Caminhos do Sertão/UEMASUL. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail