O E-LEARNING E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A APRENDIZAGEM DE EDUCANDOS E EDUCADORES

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18383572


Carla Gomes Sales da Silva1
Adriana dos Santos Souza2
Augusta de Cássia Silva Santos3


RESUMO
O uso dos ambientes virtuais de aprendizagem - AVA está cada vez mais em evidência, e a utilização do e-learning (aprendizado eletrônico) possibilita maior interação entre educadores e educandos, compartilhamento de informações e acesso a diversos conteúdos através de recursos e ferramentas digitais, o que pode gerar um maior engajamento de todos os envolvidos no processo educativo. O objetivo desse trabalho foi analisar as contribuições do e-learning para a aprendizagem de educandos e educadores. Para tanto, foi realizado um estudo bibliográfico, onde os resultados apontaram que o uso do e-leraning favorece o desenvolvimento de diversas habilidades e competências e contribui no processo de desenvolvimento do aprendizado tanto de educandos quanto de educadores, potencializando a construção do conhecimento e a troca de saberes. Nesse processo, o papel do educador já não é mais o de transmitir conhecimentos, mas sim o de mediador. No entanto, é preciso investimentos em formações continuadas para que o educador possa acompanhar os avanços tecnológicos e ter a oportunidade de discutir, refletir e ressignificar a sua prática pedagógica.
Palavras-chave: E-learning. Educandos. Educadores.

ABSTRACT
The use of virtual learning environments - VLE is increasingly in evidence, and the use of e- learning (electronic learning) enables greater interaction between educators and students, sharing of information and access to diverse content through digital resources and tools, which can generate greater engagement from everyone involved in the educational process. The objective of this work was to analyze the contributions of e-learning to the learning of students and educators. To this end, a bibliographical study was carried out, where the results showed that the use of e-learning favors the development of various skills and competencies and contributes to the learning development process of both students and educators, enhancing the construction of knowledge and the exchange of knowledge. In this process, the role of the educator is no longer to transmit knowledge, but rather to be a mediator. However, investments in continued training are necessary so that educators can keep up with technological advances and have the opportunity to discuss, reflect and give new meaning to their pedagogical practice.
Keywords: E-learning. Students. Educators.

1. INTRODUÇÃO

A Educação à distância - EAD não é algo novo, porém no momento atual essa modalidade de ensino é mediada pelas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação - TDIC, o que envolve investimentos em tecnologias e em pessoal qualificado para construir esse espaço virtual de aprendizagem, exigindo, ainda, uma implementação e gerenciamento diferentes da modalidade presencial (Moraes, 2002). Os estudantes que utilizam essa modalidade educacional também precisam ter algum conhecimento tecnológico para promover o seu aprendizado. O ensino a distância, sobretudo o ensino mediado pelas tecnologias digitais, vem ganhando espaço no mercado educacional nos últimos anos, desde o Ensino Básico até o ensino superior. Seu respaldo legal ocorreu a partir da Lei de Diretrizes e Bases - Lei n. 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabeleceu a possibilidade do seu uso em todos os níveis e modalidades de ensino (Brasil, 1996).

O uso dos ambientes on-line na educação é uma oportunidade de inovação, de inclusão e de flexibilização do ensino, mas que exige mudanças na postura do educador e investimentos na sua formação continuada, para que possa acompanhar e se beneficiar das novas possibilidades frente às tecnologias. Uma das modalidades de ensino à distância é o E- learning, que utiliza os recursos tecnológicos digitais para promover a aprendizagem, e vem sendo utilizado tanto no âmbito educacional quanto corporativo, lançando novos desafios e oportunidades aos estudantes e educadores (Cardoso, 2007).

O objetivo deste trabalho foi analisar as possibilidades de aprendizagem que o E- learning proporciona a estudantes e educadores. Este atigo teve como metodologia a revisão bibliográfica realizada com base na análise de literatura já publicada. A análise desse tema é relevante porque contribui para o conhecimento das potencialidades do e-learning e promove a reflexão sobre o atual papel do educador diante do uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação no campo educacional. O trabalho está organizado em introdução, com uma breve apresentação do tema, em seguida serão discutidos como o e-learning pode contribuir com o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes e professores, a metodologia utilizada para o desenvolvimento, análise dos resultados e por fim as conclusões.

2. CONTRIBUIÇÕES DO E-LEARNING PAR A O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

A Educação a Distância - EAD é um modelo de ensino no qual as atividades de aprendizagem acontecem sem a necessidade de alunos e professores estarem fisicamente presentes no mesmo local e/ou ao mesmo tempo. Diversas definições descrevem a EAD, sendo que a maioria delas destaca o uso de tecnologias como ferramentas essenciais para facilitar o processo educativo. Moran (2002, s.p.) define essa modalidade de ensino como processo de “ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados, interligados por tecnologias, como a Internet”. No entanto, o autor chama atenção para a seguinte questão:

A chamada educação a distância precisa sair dos modelos conteudistas e incorporar todas as possibilidades que as tecnologias digitais trazem: a flexibilidade, o compartilhamento, ver-nos e ouvir-nos com facilidade, desenvolvimento de projetos em grupo e individualmente, visualização do percurso de cada um, possibilidade de criar itinerários mais personalizados. Precisa incorporar também todas as formas de aprendizagem ativa que ajudam os alunos a desenvolver as competências cognitivas e socioemocionais. Mais que educação a distância podemos falar de educação flexível, online (Moran, 2017, p. 1).

Moran (2017) critica o modelo conteudista, que é aquele onde o aluno é visto como um HD vazio a ser preenchido com PDFs e videoaulas estáticas. O autor propõe que a tecnologia não seja apenas um meio de entrega, mas um ecossistema de interação. A ideia é que o ambiente virtual permita o que ele chama de "ver-nos e ouvir-nos", resgatando a humanidade que muitos acham que se perde no digital.

Em concordância com o autor, Moore (2007, p.2) afirma que “Educação a distância é o aprendizado planejado que ocorre normalmente em um lugar diferente do ensino, o que requer comunicação por meio de tecnologias e uma organização instrumental especial". Essa definição transcende a mera separação física entre professor e aluno, configurando-se como um aprendizado planejado que exige uma organização instrumental específica e o uso estratégico de tecnologias. No entanto, para que essa estrutura não se torne um modelo puramente conteudista e estático, é fundamental que ela incorpore a visão de Moran (2017), evoluindo para uma educação flexível. Isso significa que a organização tecnológica citada por Moore (2007) deve ser utilizada para potencializar a interatividade, o compartilhamento e a personalização dos itinerários de aprendizagem, transformando a distância geográfica em uma proximidade pedagógica mediada por metodologias ativas e pelo desenvolvimento de competências socioemocionais.

Com a popularização da internet e avanço da EAD, foram implementadas ferramentas pedagógicas que possibilitam maior interação entre professores e estudantes, como os Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA, softwares via internet que apoiam a educação a distância, caracterizada pela interação e cooperação (Moore, 2007). Acompanhando o avanço tecnológico, foram criados com fins educacionais, onde os estudantes têm acesso a aulas on- line e contam com diversas ferramentas educacionais que permitem a interação entre os participantes, dinamizando o processo de ensino e aprendizagem.

Ambientes virtuais de aprendizagem - AVA têm se tornado cada vez mais relevantes na formação e desenvolvimento de competências essenciais para o mundo contemporâneo. A ressignificação do uso de ferramentas digitais e dispositivos de comunicação é fundamental para potencializar a experiência educacional e profissional. Cardoso (2007) define a aprendizagem que ocorre através do AVA como E-learning, que é a abreviação de electronic learning, em inglês, que em português pode ser traduzido como ‘aprendizado eletrônico’, baseada na utilização do computador. Para Ruhe e Zumbo (2015, p. 18) e-learning significa "programa instrucional distribuído online ou pela internet". De acordo com Silva:

Um ambiente virtual é um espaço fecundo de significação onde seres humanos e objetos técnicos interagem, potencializando assim a construção de conhecimentos, logo, a aprendizagem. Entendemos por aprendizagem todo processo sociotécnico em que os sujeitos interagem na e pela cultura, sendo esta um campo de luta, poder, diferença e significação, espaço para construção de saberes e conhecimento. As tecnologias digitais podem potencializar e estruturar novas sociabilidades e consequentemente novas aprendizagens (Silva, 2003, p. 223).

Nessa perspectiva, Moore & Kearsley (2013) também reconhecem que os ambientes on-line permitem que educadores e educandos interajam de maneira mais dinâmica e colaborativa, favorecendo o desenvolvimento de habilidades interpessoais, como comunicação, empatia e trabalho em equipe. Segundo Moraes (2002, p. 203) “em qualquer contexto de aprendizagem, a interação entre os participantes é fundamental. Essas interações possibilitam a troca de experiências, o fortalecimento de parcerias e a aprendizagem colaborativa”. Dessa maneira, o uso de fóruns, chats, videoconferências e outras plataformas digitais facilita a troca de ideias e propicia uma construção coletiva do conhecimento, onde cada indivíduo pode contribuir de maneira única. Essa configuração materializa a educação flexível defendida por Moran (2002), pois utiliza a organização instrumental proposta por Moore (2007) para encurtar a distância transacional. Assim, a tecnologia cumpre sua função social mais nobre: criar pontes que permitam que o aprendizado ocorra não apenas para o aluno, mas com o aluno, em um ecossistema de partilha constante.

De acordo com Ruhe e Zumbo (2015) as tecnologias digitais de informação e comunicação -TDIC desempenham um papel fundamental no e-learning, pois ampliam significativamente o acesso ao conhecimento e promovem uma interação mais dinâmica entre os participantes do processo de ensino e aprendizagem. Essas ferramentas possibilitam que estudantes e educadores de diferentes localidades e contextos possam acessar conteúdos educacionais de qualidade a qualquer momento e lugar, rompendo barreiras geográficas e temporais. Além disso, permitem a criação de ambientes de aprendizagem colaborativos e interativos, onde os alunos podem tirar dúvidas, discutir ideias e construir conhecimento junto com seus colegas e professores, potencializando a troca de saberes e experiências. Para Vygotsky (2005) a colaboração entre os alunos contribui para o desenvolvimento de estratégias e habilidades gerais de resolução de problemas, estimulada pelo processo cognitivo que ocorre na interação e comunicação. Portanto, o uso do e-learning estimula a independência e a responsabilidade do estudante, além de fortalecer tanto o aprendizado individual quanto cooperativo. Para Moore (2007, p. 244) “quanto maior a interação à distância, mais o aluno tende a exercer tal responsabilidade”, construindo, assim, sua autonomia educacional.

Se através do e-learning o estudante tem a oportunidade de estudar a distância, desenvolver sua autonomia e responsabilidade, nesse processo o educador também tem a possibilidade de adquirir novas competências, refletir sobre sua metodologia de ensino e rever suas práticas, pois o ensino já não é centralizado nele, e sim no educando (Moore, 2007). Nesse contexto, o educador passa a assumir um novo papel na formação dos alunos, onde sua figura é ressignificada, representando uma nova abordagem no processo de ensino e aprendizagem e, principalmente, na mediação tecnológica na rotina dos mesmos, utilizando, ainda, as tecnologias como ferramenta para o seu desenvolvimento profissional. Sobre isso, Castro afirma que:

Para auxiliar na realização de atividades colaborativas, o desenvolvimento da tecnologia digital se apresenta de modo positivo, pois é possível que, devido ao grande número de plataformas virtuais de aprendizagem e ferramentas já existentes, elas possam ser usadas e contribuam para a execução destas atividades. (Castro, 2018, p. 16).

Conforme aponta o autor, a tecnologia digital atua como um facilitador essencial para a aprendizagem colaborativa, oferecendo um vasto repertório de plataformas que permitem a execução de atividades conjuntas. Essa perspectiva dialoga com a educação flexível, sugerindo que a infraestrutura técnica não deve ser vista apenas como um meio de entrega de conteúdo, mas como um ambiente de construção social. Assim, a diversidade de ferramentas disponíveis permite que a colaboração deixe de ser um conceito abstrato e se torne uma prática viável, onde a tecnologia serve ao propósito de conectar pessoas e democratizar a produção de conhecimento.

Sob essa ótica, a formação de professores para a educação online não pode se restringir ao domínio técnico das plataformas citadas por Castro (2018), mas deve focar no desenvolvimento de competências para a mediação pedagógica em ambientes virtuais. Relacionando Moore (2007) e Moran (2002), percebe-se que o preparo docente precisa contemplar a organização instrumental da EaD de forma que o professor atue como um designer de experiências flexíveis. Isso exige que os programas de formação rompam com modelos tradicionais e ofereçam aos educadores a oportunidade de vivenciar a construção coletiva do conhecimento, capacitando-os a transformar as ferramentas digitais em espaços de diálogo, personalização e efetiva presença social. Com os avanços tecnológicos o papel do professor expandiu-se, apresentando novas demandas e exigindo uma alta capacidade de adaptação e criatividade diante de diferentes situações, propostas e atividades, bem como o letramento digital, algo essencial nesse processo de ensino e aprendizagem mediado pelas tecnologias digitais (Mill e Veloso, 2022), e que deve ser objeto de estudo nas formações continuadas.

De acordo com Freire (1996, p. 18) “na formação permanente dos professores, o momento fundamental é a reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”. Mill e Veloso (2022) concordam com o autor quando afirmam que é na ação refletida que esse profissional irá sistematizar os novos conhecimentos adquiridos, validando as teorias estudadas, ao passo que faz os ajustes necessários à realidade escolar e adequando as estratégias a partir das necessidades apresentadas pela turma.

Mill e Zanotto (2021) apontam que planejar, elaborar, mediar e avaliar são ações que sempre fizeram parte do trabalho do professor, independente da época, e que, com o advento das TDIC, uma nova perspectiva de atuação pedagógica surge, exigindo novas estratégias, novas competências e uma nova atitude do educador diante do seu ofício. Ele passa de detentor do saber para facilitador, orientador da aprendizagem, que promove a investigação e incentiva o pensamento crítico. De acordo com Niskier:

A educação, como um todo, não pode ser operacionalizada sem pessoal competente. Qualquer tentativa de melhoria do sistema pedagógico não prescinde da ação do professor. Em última análise, é ao professor que cabe transformar qualquer nova proposta em uma ação pedagógica competente (Niskier, 2000, p.26).

A transição para uma educação flexível e online e a estruturação de um aprendizado planejado, encontram em Niskier (2000) o seu elemento essencial: o professor. Para o autor, a tecnologia e as propostas pedagógicas não se operacionalizam sozinhas, elas dependem da competência docente para ganhar sentido. Assim, o pessoal competente citado é aquele capaz de utilizar as plataformas digitais citadas por Castro (2018) não apenas como suporte técnico, mas como ferramentas de mediação humana. Em última análise, o sucesso de qualquer inovação educacional na EaD reside na capacidade do professor de atuar como o elo entre a estrutura tecnológica e a construção coletiva do conhecimento, transformando potencialidades digitais em práticas pedagógicas eficazes.

Diante do exposto, a formação continuada desses profissionais deve considerar as competências intelectuais e humanas para o desempenho do seu novo papel: orientar os estudos e a aprendizagem dos estudantes, ensinando-os a interagir em grupo e levá-los à reflexão sobre a prática e a criação de novos conhecimentos permeados pelas tecnologias digitais da informação e comunicação (Mill e Veloso, 2022), ao passo que também tem a oportunidade de refletir sobre e ressignificar a sua prática, construindo novos saberes.

Segundo Mill e Veloso (2002) os saberes adquiridos na escola, através da troca entre os pares, as reuniões pedagógicas dentro e fora de espaços formativos também contribuem para a formação continuada do educador. Para Tardif (2010, p.60), esse ‘saber’do professor tem um sentido amplo, pois, para o autor este “engloba os conhecimentos, as competências, habilidades (ou aptidões) e as atitudes dos docentes, ou seja, aquilo que foi muitas vezes chamado de saber, de saber-fazer, e de saber-ser”.

Assim, faz-se necessário que as formações levem os educadores a refletirem sobre as suas práticas e sobre como as tecnologias digitais e as propostas de estudos mediados pelo e- learning podem contribuir tanto com o desenvolvimento do educando quanto com o seu próprio desenvolvimento profissional e pessoal. De acordo com Delors:

Os professores são também afetados por esta necessidade de atualização de conhecimentos e competências. A sua vida profissional deve organizar-se de modo que tenham oportunidade, ou antes, se sintam obrigados a aperfeiçoar sua arte, e beneficiar-se de experiências vividas em diversos níveis da vida econômica, social e cultural (Delors, 2003, p. 166).

Nesse sentido, a formação docente deve ser compreendida como um processo contínuo e multidimensional. Como assevera Delors (2003), o professor é desafiado a aperfeiçoar sua arte constantemente, integrando saberes técnicos, sociais e culturais à sua prática. Essa necessidade de atualização constante conecta-se à visão de Niskier (2000) sobre a centralidade do professor e à proposta de Moran (2002) sobre a educação flexível: para que o docente possa utilizar com maestria as plataformas digitais citadas por Castro (2018), ele deve primeiro vivenciar o papel de eterno aprendiz. Somente através dessa formação permanente será possível transformar a organização instrumental da EaD, descrita por Moore (2007), em um espaço de construção coletiva e inovação pedagógica

Ressalta-se novamente a relevância da formação continuada para a construção de um individuo reflexivo de suas práticas e de que os educadores busquem sempre se atualizar, com o intuito de aprimorar suas abordagens pedagógicas, impedindo que prossiga com práticas e posturas tradicionais, ainda que utilizem as tecnologias digitais em suas aulas.

Em suma, a eficácia da educação a distância depende de um equilíbrio entre a organização instrumental planejada e a adoção de modelos pedagógicos flexíveis. Embora a proliferação de plataformas digitais facilite a colaboração, esta potencialidade só se concretiza através da ação mediadora de um professor competente. Portanto, a transformação da educação online exige que o docente assuma o compromisso ético de aperfeiçoar a sua arte, convertendo as tecnologias de simples meios de transmissão em ecossistemas vivos de construção coletiva do conhecimento.

3. METODOLOGIA

A construção deste artigo fundamentou-se em uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa e exploratória, orientada pela análise de obras consolidadas no campo do e-learning. Para esse fim, consultaram-se bases de dados acadêmicas e repositórios institucionais, selecionando autores como Cardoso (2007), Castro (2007), Moore (2007), Moran (2002; 2017) e Mill (2022), cujas contribuições dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da docência na cultura digital. A adoção desse método decorreu da necessidade de compreender as bases teóricas que sustentam a transição do ensino presencial para práticas educativas mediadas pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), possibilitando uma visão ampliada e integrada dos processos formativos.

O percurso metodológico foi estruturado em três etapas principais: levantamento bibliográfico, leitura analítica e síntese interpretativa. Na primeira fase, utilizaram-se descritores como “e-learning”, “mediação tecnológica” e “formação docente”. Em seguida, realizou-se uma leitura reflexiva do material selecionado, buscando identificar conexões entre desenvolvimento humano e usos pedagógicos da tecnologia. Essa abordagem permitiu não apenas a organização conceitual das referências, mas também a compreensão das interações que emergem nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).

Desse modo, entende-se que a metodologia adotada constitui um caminho investigativo capaz de revelar transformações estruturais no espaço educativo — inclusive quando ele se configura virtualmente. A análise documental buscou articular a legislação vigente, especialmente a LDB 9.394/96, às práticas pedagógicas inovadoras presentes no cotidiano escolar.

O objetivo foi oferecer uma base teórica consistente para analisar a autonomia discente e o novo papel do professor, valorizando a dimensão humanizadora do processo educativo. Ao final, o diálogo entre as referências permitiu compreender as possibilidades reais de aprendizagem promovidas pelo e-learning, superando a perspectiva instrumental e evidenciando sua contribuição para a construção coletiva do conhecimento.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

A literatura indica que o e-learning deixou de representar apenas um meio de disponibilização de conteúdo online, consolidando-se como um ecossistema dinâmico de interação, colaboração e construção de identidade. De acordo com Moraes (2002), a mediação pelas TDIC requer que o estudante abandone a postura receptiva e assuma o protagonismo de sua aprendizagem, desenvolvendo níveis crescentes de autonomia — simultaneamente desafiadores e formadores.

Os dados apontam que a interação colaborativa em fóruns e chats, inspirada na perspectiva socioconstrutivista de Vygotsky, constitui elemento essencial da aprendizagem significativa. Tais espaços favorecem a troca entre pares e contribuem para a construção social do conhecimento.

Em relação ao papel docente, observa-se uma mudança paradigmática: o professor deixa de ocupar o centro do saber e passa a atuar como arquiteto de trajetórias de aprendizagem. Essa transformação, embora ampliada pelas tecnologias, mantém-se essencialmente humana, exigindo competências como letramento digital, empatia e escuta ativa, conforme discutido por Mill e Zanotto (2021). A resistência às inovações e os desafios da formação continuada são aspectos recorrentes na literatura; contudo, autores como Freire (1996) enfatizam que a reflexão crítica sobre a prática é indispensável para ressignificar a ação docente em contextos mediados por tecnologia.

As evidências sugerem que a eficácia do e-learning está diretamente relacionada à qualidade das interações e à capacidade de estabelecer vínculos, superando a aparente impessoalidade dos ambientes digitais. A flexibilização de tempos e espaços oferecida pelos AVA não implica distanciamento, mas inaugura uma nova forma de presença pedagógica, na qual colaboração e coautoria se tornam centrais.

A integração entre saberes relacionados ao “saber-fazer” e ao “saber-ser”, conforme propõe Tardif (2010), mostra-se fundamental para assegurar que as tecnologias estejam subordinadas às finalidades educativas. Assim, o e-learning funciona como catalisador de competências socioemocionais, preparando estudantes e educadores para lidar com as complexidades e incertezas da contemporaneidade.

Conclui-se que a efetividade dessa modalidade depende da articulação equilibrada entre o rigor técnico das ferramentas digitais e a sensibilidade pedagógica do professor, promovendo uma educação digital que permanece humana, transformadora e orientada à autonomia e à emancipação intelectual dos sujeitos envolvidos.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do estudo realizado verificou-se que a transformação digital no campo da educação é uma oportunidade ímpar para expandir horizontes, promover o desenvolvimento integral e formar estudantes e professores mais preparados para um mundo em constante mudança. Através da utilização do e-learning é possível que os protagonistas envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, educadores e educandos cresçam juntos, pois o ambiente digital é colaborativo e dinâmico, tendo em vista todas as ferramentas que disponibiliza para dinamizar esse processo. Nesse processo, as competências e habilidades de ambos são desenvolvidas ao longo de experiências de aprendizado e prática.

É fundamental que os professores estejam pedagogicamente preparados para conduzir suas aulas de forma interativa e dinâmica, conectando o conteúdo a realidade dos estudantes, e para isso é importante a formação continuada, espaço esse onde é possível refletir sobre o seu papel diante dessas transformações, conhecer as tecnologias e metodologias digitais que transformam a sua prática pedagógica, possibilitando a criação de estratégias para potencializar suas aulas e promover o engajamento do estudante.

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