REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792464530
RESUMO
Este artigo analisa a relação entre leitura, oralidade e aprendizagem no contexto do 4º ano do Ensino Fundamental, considerando essas práticas como fundamentais para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e social dos estudantes. O estudo teve como objetivo geral analisar de que maneira as práticas de leitura e oralidade contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, buscando compreender a importância dessas práticas, identificar dificuldades apresentadas pelos estudantes e analisar estratégias pedagógicas que favoreçam a leitura, a compreensão textual e a expressão oral. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica e de campo, fundamentada nas contribuições de Soares, Marcuschi, Freire e Brait. A pesquisa de campo foi realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Enoque Moura, localizada no município de Timon, Maranhão, com a participação de 32 alunos do 4º ano do Ensino Fundamental, durante oito encontros, correspondentes a oito aulas. As atividades envolveram leitura de fábulas, dramatização, entrevistas com personagens e produção escrita. Os resultados evidenciaram participação significativa dos estudantes, embora alguns tenham demonstrado insegurança inicial nas apresentações orais. A dramatização favoreceu o envolvimento dos alunos com os textos, enquanto as entrevistas possibilitaram situações de interação e expressão oral. A produção escrita permitiu que os estudantes registrassem suas opiniões e compreensões acerca das atividades realizadas. Conclui-se que a articulação entre leitura, oralidade e escrita pode favorecer a participação, a expressão de ideias, a interação e a construção de aprendizagens significativas.
Palavras-chave: Leitura; Oralidade; Aprendizagem; Letramento; Ensino Fundamental.
ABSTRACT
This article analyzes the relationship between reading, oral communication and learning in the context of the 4th grade of Elementary School, considering these practices fundamental to students' linguistic, cognitive and social development. The general objective was to analyze how reading and oral communication practices contribute to students' learning, seeking to understand the importance of these practices, identify difficulties presented by students, and analyze pedagogical strategies that promote reading, textual comprehension and oral expression. The research is qualitative, bibliographical and field-based, grounded in the contributions of Soares, Marcuschi, Freire and Brait. The field research was carried out at the Enoque Moura Municipal Elementary School, located in Timon, Maranhão, with the participation of 32 4th-grade students, during eight meetings corresponding to eight classes. The activities involved reading fables, dramatization, interviews with characters and written production. The results showed significant student participation, although some students initially demonstrated insecurity during oral presentations. Dramatization encouraged students' involvement with the texts, while the interviews provided opportunities for interaction and oral expression. Written production allowed students to record their opinions and understanding of the activities. It is concluded that the articulation between reading, oral communication and writing can favor participation, expression of ideas, interaction and the construction of meaningful learning.
Keywords: Reading; Oral Communication; Learning; Literacy; Elementary School.
1. INTRODUÇÃO
A leitura e a oralidade constituem práticas fundamentais para o desenvolvimento da aprendizagem e para a formação dos estudantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Por meio da leitura, o aluno amplia sua capacidade de compreender e interpretar diferentes textos e situações comunicativas, enquanto a oralidade favorece a expressão de ideias, a interação social e a construção de conhecimentos. Nesse sentido, o trabalho articulado entre essas práticas contribui para o desenvolvimento das competências linguísticas e para uma participação mais ativa do estudante no processo educativo.
No contexto escolar, entretanto, ainda são observadas dificuldades relacionadas à leitura, à compreensão textual e à expressão oral. Essas dificuldades podem interferir no processo de aprendizagem, especialmente quando o estudante apresenta limitações para interpretar textos, organizar suas ideias e participar de situações de comunicação.
Diante desse contexto, este estudo tem como problema de pesquisa a seguinte questão: Como as práticas de leitura e oralidade podem contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos do 4º ano do Ensino Fundamental?
A realização desta pesquisa justifica-se pela importância de compreender o papel dessas práticas no desenvolvimento linguístico e educacional dos estudantes, considerando que a escola constitui um espaço privilegiado para a formação de leitores e para o desenvolvimento da capacidade de expressão oral. Além disso, discutir essa temática contribui para a reflexão sobre práticas pedagógicas que favoreçam a participação dos alunos e a construção de aprendizagens significativas.
Assim, o objetivo geral deste estudo é analisar a relação entre leitura, oralidade e aprendizagem de alunos do 4º ano do Ensino Fundamental.
Como objetivos específicos, busca-se: compreender a importância da leitura e da oralidade no processo de aprendizagem; identificar dificuldades apresentadas pelos alunos nessas práticas; e analisar estratégias pedagógicas que possam contribuir para o desenvolvimento da leitura, da compreensão e da expressão oral.
Quanto à metodologia, a pesquisa apresenta abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e de campo. A investigação articula a discussão teórica relacionada à leitura, à oralidade, ao letramento e ao ensino de língua portuguesa com a experiência desenvolvida com alunos do 4º ano do Ensino Fundamental.
A pesquisa de campo foi realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Enoque Moura, localizada em Timon, Maranhão, com a participação de 32 alunos. Foram desenvolvidos oito encontros, correspondentes a oito aulas, envolvendo atividades de leitura de fábulas, dramatização, entrevistas com personagens e produção escrita.
Dessa maneira, o trabalho busca contribuir para a reflexão sobre a importância de práticas pedagógicas que integrem leitura, oralidade e escrita, considerando-as como dimensões essenciais para o desenvolvimento da aprendizagem e para a formação de sujeitos capazes de participar de diferentes situações de comunicação e interação social.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Alfabetização e Letramento: O Desafio no 4º Ano do Ensino Fundamental
Ao abordar a alfabetização no 4º ano do Ensino Fundamental, é importante considerar que os estudantes chegam a essa etapa apresentando diferentes níveis de desenvolvimento da leitura, da escrita e da compreensão textual. Espera-se que tenham avançado nas habilidades construídas nos anos anteriores, mas alguns ainda necessitam de intervenções pedagógicas que fortaleçam seu processo de aprendizagem.
Nesse contexto, o 4º ano representa um desafio para o professor, pois muitos estudantes ainda precisam consolidar habilidades de leitura e escrita. O objetivo não deve ser apenas fazer com que o aluno decodifique palavras, mas possibilitar que seja capaz de ler, compreender, interpretar e produzir textos com autonomia. Conforme Soares (2009), a alfabetização corresponde à ação de alfabetizar. Entretanto, o processo educativo não deve limitar-se ao domínio do código escrito. É necessário possibilitar ao estudante o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura, à escrita e à compreensão textual, fundamentais para sua participação nas práticas sociais de linguagem.
O professor desempenha papel essencial nesse processo ao planejar práticas pedagógicas que estimulem a participação dos estudantes. Estratégias como rodas de conversa, debates, leitura compartilhada, contação de histórias, interpretação, dramatização e produção de textos podem favorecer o desenvolvimento da leitura, da escrita e da oralidade.
O letramento está relacionado à condição do indivíduo que, além de alfabetizado, participa das práticas sociais de leitura e escrita em diferentes contextos. Dessa forma, não basta dominar o sistema de escrita; é necessário utilizar a leitura e a escrita de maneira significativa nas situações do cotidiano.
A escola constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento do letramento, pois possibilita situações de reflexão, participação, aprendizagem e construção de conhecimentos. Entretanto, as práticas de letramento também se estendem para além do ambiente escolar, envolvendo a família, a comunidade e os diferentes contextos sociais. Para os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental, a aprendizagem da leitura e da escrita deve ser compreendida como um processo de consolidação e aprofundamento. A leitura precisa possibilitar a construção de sentidos, a interpretação e a produção textual.
Nesse processo, o contexto social torna-se fundamental. A leitura de textos relacionados a diferentes temas pode favorecer o desenvolvimento da oralidade, proporcionando aos alunos oportunidades de participação em debates, rodas de conversa, entrevistas e outras situações comunicativas. Assim, leitura, escrita e oralidade encontram-se articuladas e contribuem para a formação do estudante enquanto sujeito participante das práticas sociais.
2.2. A Oralidade Como Prática Pedagógica e Social
A oralidade é uma prática de linguagem que se manifesta em diferentes contextos comunicativos, formais ou informais. Por meio dela, as pessoas expressam conhecimentos, opiniões, experiências e compreensões construídas ao longo de suas vivências.
No contexto escolar, a oralidade está relacionada aos processos de alfabetização e letramento, contribuindo para o desenvolvimento das competências linguísticas e sociais dos estudantes. Oralizar significa manifestar ideias, argumentar, dialogar e compartilhar conhecimentos. No 4º ano do Ensino Fundamental, o desenvolvimento da oralidade pode ser favorecido por atividades como leitura e interpretação de textos, debates, rodas de conversa, dramatizações, entrevistas e apresentações orais.
Essas práticas podem fortalecer a autonomia, a confiança e a capacidade argumentativa dos estudantes. Entretanto, alguns alunos ainda apresentam dificuldades para se expressar oralmente, especialmente quando precisam participar de apresentações diante dos colegas. Por essa razão, os anos iniciais constituem período importante para o desenvolvimento da oralidade, favorecendo a formação de sujeitos capazes de comunicar-se, defender suas ideias e participar ativamente das diferentes situações sociais.
Marcuschi (2001) destaca a importância da oralidade como prática social e como meio fundamental de expressão e comunicação. Nesse sentido, oralidade e escrita não devem ser compreendidas como práticas opostas, mas como modalidades que se articulam em diferentes situações comunicativas.
Na escola, por exemplo, após a leitura de uma obra literária, o aluno pode compartilhar oralmente suas impressões com os colegas e, posteriormente, produzir um texto sobre aquilo que compreendeu. Assim, práticas de oralidade, leitura e escrita podem ser desenvolvidas de maneira integrada.
A participação oral do aluno deve ser valorizada porque possibilita expressar opiniões, conhecimentos e interpretações. Quando o estudante possui espaço para falar e justificar suas ideias, desenvolve gradativamente sua capacidade de argumentação e de construção de posicionamentos. Portanto, trabalhar a oralidade de maneira significativa pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia, da argumentação e do pensamento crítico dos estudantes.
2.3. A Concepção Dialógica e Crítica da Educação
A linguagem constitui um espaço de interação entre os sujeitos. Nessa perspectiva, o estudante participa ativamente do processo de construção dos sentidos, estabelecendo relações entre aquilo que lê, aquilo que vivencia e aquilo que compartilha com os outros. Brait (1997), a partir da perspectiva dialógica, contribui para compreender a linguagem como espaço de interação e construção de sentidos. O significado não está apenas no texto, mas também nas relações estabelecidas entre os sujeitos e os diferentes contextos de comunicação.
Nesse processo, o professor exerce papel de mediador, criando oportunidades para que os estudantes expressem suas experiências, conhecimentos e opiniões. Essa perspectiva aproxima-se das contribuições de Freire (1997), para quem a prática educativa deve proporcionar condições para que o educando se reconheça como sujeito capaz de pensar, comunicar-se e participar da transformação de sua realidade.
No trabalho com leitura e oralidade, essa concepção pode ser concretizada por meio de atividades que possibilitem ao aluno participar, interpretar, questionar e expressar suas compreensões. A dramatização de uma fábula, por exemplo, permite que o estudante assuma um personagem e utilize a linguagem em uma situação concreta de interação. A atividade possibilita trabalhar leitura, interpretação, oralidade, expressão corporal e interação social.
Da mesma forma, a entrevista com personagens proporciona uma situação de diálogo na qual os estudantes precisam formular perguntas, ouvir respostas e construir sentidos a partir da narrativa. Nesse sentido, a escola pode constituir-se como espaço de interação e desenvolvimento crítico e social do estudante, favorecendo práticas de linguagem que valorizem a participação e a diversidade de experiências.
As contribuições de Brait, Freire, Marcuschi e Soares, portanto, permitem compreender que leitura, oralidade, escrita e aprendizagem estão relacionadas às práticas sociais e interativas da linguagem.
3. METODOLOGIA
A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica e de campo, tendo como foco a análise das relações entre leitura, oralidade e aprendizagem de alunos do 4º ano do Ensino Fundamental. A abordagem qualitativa mostrou-se adequada por possibilitar a observação e a interpretação das manifestações dos estudantes durante as atividades pedagógicas desenvolvidas.
A pesquisa bibliográfica foi fundamentada nas contribuições de autores que discutem alfabetização, letramento, oralidade, linguagem, dialogismo e educação, especialmente Soares, Marcuschi, Freire e Brait. A pesquisa de campo foi realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Enoque Moura, localizada no município de Timon, estado do Maranhão, com a participação de 32 alunos do 4º ano do Ensino Fundamental.
O trabalho foi desenvolvido em oito encontros, correspondentes a oito aulas, nos quais foram realizadas atividades voltadas ao desenvolvimento da leitura, da oralidade e da produção escrita. A realização da pesquisa contou com a autorização da diretora da escola, possibilitando o desenvolvimento das atividades com a turma participante.
As atividades foram organizadas de maneira articulada. Inicialmente, foram trabalhadas fábulas, utilizadas como suporte para as atividades de leitura e compreensão. Em seguida, os alunos participaram de dramatizações, assumindo os personagens das narrativas. Essa atividade possibilitou observar a participação, a expressão oral, a interação entre os estudantes e a segurança apresentada durante as apresentações.
Posteriormente, foram realizadas entrevistas com os personagens das fábulas, criando situações de interação oral nas quais os alunos formularam perguntas, responderam aos questionamentos e participaram de situações comunicativas relacionadas às narrativas trabalhadas.
Ao final, foi realizada uma produção escrita, na qual os estudantes registraram suas opiniões e aquilo que haviam compreendido a partir das apresentações e das atividades desenvolvidas.
Durante os encontros, foram considerados como aspectos de análise a participação dos estudantes, o envolvimento nas atividades, a expressão oral, a interação com os colegas, a segurança ou insegurança nas apresentações e a capacidade de manifestar compreensões e opiniões. A análise dos dados ocorreu de maneira qualitativa e interpretativa, relacionando as manifestações observadas durante as atividades às discussões apresentadas no referencial teórico.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A realização da pesquisa de campo possibilitou observar uma participação significativa dos alunos nas atividades propostas. De maneira geral, os estudantes demonstraram interesse e envolvimento com as propostas, embora alguns tenham apresentado insegurança inicial diante de situações que exigiam apresentação oral.
Esse aspecto constitui um dado importante para a análise, pois demonstra que a oralidade precisa ser trabalhada de forma contínua e planejada no ambiente escolar. A insegurança diante de situações de exposição oral pode ser enfrentada por meio de atividades que permitam aos estudantes desenvolver gradualmente confiança para expressar suas ideias.
As atividades foram iniciadas com a dramatização de fábulas. Nessa etapa, os alunos assumiram os personagens e participaram das apresentações. Apesar da insegurança inicial apresentada por alguns estudantes, a atividade possibilitou um envolvimento significativo da turma.
A dramatização colocou os estudantes em uma situação concreta de uso da linguagem. Em vez de permanecerem apenas como ouvintes, passaram a interpretar personagens, utilizar a fala, interagir com os colegas e participar da construção coletiva da atividade.
Esse resultado pode ser relacionado à concepção dialógica apresentada por Brait (1997), considerando a linguagem como espaço de interação e construção de sentidos. Na dramatização, o sentido da atividade foi construído não apenas pelo texto da fábula, mas também pela participação dos estudantes.
A experiência também se aproxima da perspectiva de Freire (1997), especialmente no que se refere à valorização da participação do educando. Ao assumir um personagem e participar da apresentação, o aluno passa a atuar como sujeito da atividade educativa.
Após a dramatização, foi realizada uma entrevista com os personagens das fábulas. Essa proposta ampliou as situações de oralidade, pois os estudantes participaram de momentos de perguntas, respostas e interação.
A entrevista constituiu uma situação comunicativa na qual os alunos precisaram compreender a narrativa para formular perguntas e responder aos questionamentos. Dessa forma, a atividade possibilitou articular compreensão textual e expressão oral.
Esse resultado dialoga com Marcuschi (2001), que compreende a oralidade como prática social fundamental à comunicação humana. A experiência mostrou que a oralidade pode ser trabalhada de forma planejada e vinculada à leitura e às situações concretas de interação.
A etapa final consistiu em uma produção escrita, na qual cada aluno teve a oportunidade de registrar sua opinião sobre aquilo que havia compreendido da apresentação.
Essa atividade permitiu observar a articulação entre oralidade, leitura e escrita. O percurso desenvolvido possibilitou aos estudantes utilizar diferentes formas de linguagem em uma mesma experiência pedagógica.
A produção escrita também possibilitou que os alunos manifestassem individualmente suas compreensões e opiniões. Assim, a escrita apareceu como continuidade das experiências de leitura e oralidade desenvolvidas anteriormente.
Essa articulação aproxima-se da concepção de letramento discutida por Soares (2009), uma vez que o ensino da leitura e da escrita pode ser desenvolvido por meio de situações significativas de uso da linguagem.
O percurso realizado — leitura e compreensão da fábula, dramatização, entrevista e produção escrita — permitiu aos estudantes transitar por diferentes práticas de linguagem.
Outro aspecto observado foi a participação dos estudantes durante as atividades. Mesmo com a insegurança inicial apresentada por alguns alunos, a organização das propostas possibilitou maior envolvimento da turma.
A dramatização funcionou como estratégia de aproximação com a oralidade, pois os alunos puderam expressar-se a partir dos personagens. A entrevista ampliou as possibilidades de interação e a produção escrita possibilitou o registro das compreensões individuais.
Os resultados indicam, portanto, que práticas pedagógicas diversificadas podem favorecer a participação dos estudantes e criar condições para o desenvolvimento da expressão oral e da compreensão leitora.
A experiência também evidencia a importância do professor como mediador. Ao organizar situações de interação e oferecer oportunidades para que os alunos participem, o professor contribui para transformar a sala de aula em espaço de diálogo, aprendizagem e construção de sentidos.
Desse modo, os resultados permitem responder ao problema de pesquisa: as práticas de leitura e oralidade podem contribuir para a aprendizagem dos alunos do 4º ano quando desenvolvidas de maneira articulada, participativa e significativa.
No conjunto das atividades realizadas, a leitura forneceu a base para a compreensão da narrativa; a dramatização possibilitou a expressão oral e a interação; a entrevista ampliou a capacidade de formular e responder questões; e a produção escrita permitiu registrar opiniões e compreensões.
Assim, a experiência reforça a importância de práticas pedagógicas que não tratem leitura, oralidade e escrita como atividades isoladas, mas como dimensões relacionadas do processo de aprendizagem.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa possibilitou analisar a relação entre leitura, oralidade e aprendizagem no contexto do 4º ano do Ensino Fundamental, considerando as experiências desenvolvidas com 32 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Enoque Moura, em Timon, Maranhão.
As atividades realizadas envolveram leitura de fábulas, dramatização, entrevistas com personagens e produção escrita. De maneira geral, os estudantes demonstraram participação e envolvimento nas propostas, embora alguns tenham apresentado insegurança inicial nas situações de apresentação oral.
A dramatização mostrou-se uma estratégia significativa para estimular a participação, pois permitiu aos estudantes assumir personagens e utilizar a linguagem em uma situação concreta de interação. A entrevista ampliou as possibilidades de oralidade, favorecendo perguntas, respostas, escuta e expressão de ideias.
A produção escrita realizada ao final possibilitou aos estudantes registrar aquilo que compreenderam e manifestar suas próprias opiniões sobre a atividade desenvolvida.
Dessa maneira, foi possível observar uma articulação entre leitura, oralidade e escrita durante o desenvolvimento das propostas pedagógicas.
Os resultados dialogam com Marcuschi (2001), ao considerar a oralidade como prática social; com Soares (2009), ao compreender leitura e escrita na perspectiva do letramento; com Freire (1997), ao valorizar a participação e a autonomia dos estudantes; e com Brait (1997), ao compreender a linguagem como espaço de interação e construção de sentidos.
A experiência desenvolvida permite concluir que o trabalho com leitura e oralidade não deve limitar-se à reprodução de informações ou à leitura mecânica. É necessário criar situações nas quais os estudantes possam falar, ouvir, interpretar, questionar, representar, produzir textos e manifestar suas compreensões.
Nesse sentido, atividades como dramatizações, entrevistas, rodas de conversa e produções escritas podem constituir estratégias importantes para o ensino de Língua Portuguesa nos anos iniciais, especialmente quando planejadas de maneira articulada.
Conclui-se, portanto, que a articulação entre leitura, oralidade e escrita pode contribuir para ampliar a participação dos alunos, favorecer a expressão de ideias, fortalecer a interação e possibilitar experiências mais significativas de aprendizagem.
Por fim, destaca-se a importância da continuidade de práticas pedagógicas que valorizem a participação dos estudantes e ofereçam diferentes oportunidades de uso da linguagem, respeitando os diferentes ritmos e níveis de segurança apresentados pelos alunos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1997.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2019.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
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