REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/784812368
RESUMO
Este artigo analisa como práticas de gestão ambiental, o uso de energias renováveis, a aplicação dos princípios ESG (Environmental, Social and Governance) e a mitigação do racismo ambiental podem ser integradas para promover a sustentabilidade no contexto empresarial. Utilizando-se do método de revisão sistemática da literatura e das diretrizes PRISMA 2020, foram analisados 127 estudos que abordam tais temáticas de forma interconectada. Os resultados evidenciam que empresas que adotam práticas sustentáveis tendem a obter vantagens competitivas, melhorar sua reputação institucional, reduzir riscos regulatórios e alinhar-se às exigências globais por responsabilidade socioambiental. Além disso, destaca-se a relevância da energia renovável na transição energética e da responsabilidade social corporativa como ferramenta de enfrentamento das desigualdades ambientais. Conclui-se que a integração dos pilares ESG com ações estratégicas voltadas à equidade e à inovação sustentável é essencial para uma governança corporativa ética e resiliente.
Palavras-chave: Sustentabilidade empresarial; Gestão ambiental; Energias renováveis; ESG; Racismo ambiental.
ABSTRACT
This article analyzes how environmental management practices, the use of renewable energy, the application of ESG (Environmental, Social and Governance) principles, and the mitigation of environmental racism can be integrated to promote sustainability in the corporate context. Based on a systematic literature review and the PRISMA 2020 guidelines, 127 studies were analyzed. The findings reveal that companies adopting sustainable practices tend to gain competitive advantages, improve their public image, reduce regulatory risks, and align with global demands for socio-environmental responsibility. Furthermore, the study emphasizes the relevance of renewable energy in the energy transition and corporate social responsibility as a strategic tool to address environmental inequalities. It concludes that integrating ESG pillars with strategies focused on equity and sustainable innovation is essential for ethical and resilient corporate governance.
Keywords: Corporate sustainability; Environmental management; Renewable energy; ESG; Environmental racism.
1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a crescente preocupação com questões ambientais e sociais ampliou a demanda por responsabilidade social empresarial (RSE) e por práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, as organizações passaram a buscar o equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental, visando não apenas o lucro, mas também a sustentabilidade dos negócios e o fortalecimento de suas relações com a sociedade (Bordin; Pasqualotto, 2013). A adoção de práticas de RSE contribui para a construção de credibilidade, vantagem competitiva e sustentabilidade organizacional, especialmente quando acompanhada de relatórios que contemplem aspectos éticos, sociais e ambientais (Menezes, 2019).
Paralelamente, o conceito ESG (Ambiental, Social e Governança) ganhou destaque como reflexo de uma transformação global em direção à transparência e à responsabilidade corporativa (Farias; Barreiros, 2021). No Brasil, a governança representa o pilar mais desenvolvido, seguida pelas dimensões social e ambiental (Neder et al., 2023). O ESG envolve temas como mudanças climáticas, relações de trabalho e combate à corrupção, incentivando operações empresariais mais sustentáveis e responsáveis (Irigaray; Stocker, 2022). Essa abordagem promove a transição de modelos tradicionais de gestão para práticas alinhadas a princípios éticos e sustentáveis (Freitas et al., 2023).
Nesse cenário, a gestão ambiental destaca-se como instrumento estratégico para reduzir impactos ambientais, otimizar o uso de recursos e aumentar a competitividade organizacional (Naime; Garcia, 2006; Rufino et al., 2022). Entre as práticas associadas a essa gestão, o uso de fontes renováveis de energia tem papel relevante na mitigação das mudanças climáticas e na promoção do desenvolvimento sustentável, gerando benefícios econômicos, sociais e ambientais (Feitosa; Mesquita; Severo, 2020; Macedo et al., 2021). Além disso, a transição energética contribui para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 7, embora ainda existam desafios técnicos, financeiros e regulatórios para sua ampliação no Brasil (Dias, 2024a; Freitas; Dathein, 2013).
Outro aspecto relevante para a sustentabilidade empresarial é o enfrentamento do racismo ambiental, conceito que evidencia a distribuição desigual dos impactos ambientais sobre populações vulneráveis, como comunidades negras, indígenas, quilombolas e de baixa renda (Bullard, 2000). No contexto brasileiro, essas desigualdades reforçam a necessidade de práticas empresariais comprometidas com a justiça socioambiental.
Dessa forma, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) assume papel estratégico ao promover ações que conciliam geração de valor econômico e desenvolvimento social (Kramer; Porter, 2006). Embora sua relação com o desempenho financeiro ainda seja debatida (Bianco et al., 2019), sua efetividade depende do alinhamento entre as iniciativas adotadas e a estratégia organizacional, considerando também as expectativas dos consumidores e demais partes interessadas (Barakat; Polo, 2016; Machado Filho; Zylbersztajn, 2003).
Diante desse contexto, a pesquisa foi guiada pela seguinte questão: “Como a adoção de práticas de gestão ambiental, o uso de energias renováveis, a aplicação dos princípios ESG e a mitigação do racismo ambiental se integram para promover a sustentabilidade empresarial?”. Assim, o estudo teve como objetivo analisar como esses elementos se articulam para fortalecer a sustentabilidade empresarial frente às crescentes exigências por práticas corporativas responsáveis e comprometidas com a redução das desigualdades socioambientais.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
O referencial teórico que fundamenta esta pesquisa está estruturado em torno de quatro eixos centrais: gestão ambiental, energias renováveis, princípios ESG (Environmental, Social and Governance) e racismo ambiental. Esses temas convergem para uma análise abrangente da sustentabilidade empresarial, abordando desde estratégias organizacionais voltadas à ecoeficiência até questões éticas e sociais relacionadas à justiça ambiental. Com base em contribuições da literatura nacional e internacional, busca-se compreender como esses elementos têm sido discutidos e aplicados no contexto corporativo, destacando suas interações, benefícios, desafios e implicações para a governança sustentável das organizações. Ao reunir essas abordagens, pretende-se oferecer uma base teórica sólida que sustente a análise crítica desenvolvida ao longo do trabalho.
2.1. Gestão Ambiental Como Estratégia Competitiva no Ambiente Corporativo
A gestão ambiental consolidou-se como uma estratégia competitiva que ultrapassa o cumprimento de exigências legais, integrando práticas voltadas à redução dos impactos ambientais e ao alcance dos objetivos organizacionais (Rufino et al., 2022). Além de favorecer a produção mais limpa, a ecoeficiência e a gestão ambiental da qualidade total, essas práticas contribuem para a otimização de processos, aumento da lucratividade e fortalecimento da competitividade empresarial (Rufino et al., 2022; Naime; Garcia, 2006).
Sob a perspectiva da Visão Baseada em Recursos (RBV), a gestão ambiental pode gerar vantagem competitiva sustentável por meio de recursos ecológicos valiosos, raros e difíceis de imitar (Santos; Porto, 2013). Entretanto, a teoria institucional aponta que pressões externas podem induzir à adoção de práticas semelhantes entre organizações, reduzindo a diferenciação estratégica (Santos; Porto, 2013). Nesse processo, psicólogos organizacionais podem contribuir para a conscientização ambiental, o desenvolvimento gerencial e a promoção de mudanças culturais (Macêdo; Oliveira, 2005).
A literatura evidencia que práticas ambientais eficazes favorecem o desempenho operacional, fortalecem a reputação corporativa, agregam valor aos produtos e ampliam a fidelização dos clientes (Silva, 2021; Berlato; Saussen; Gomez, 2016; Mazzioni et al., 2023). Nesse contexto, a sustentabilidade deixa de ser apenas um imperativo ético e passa a constituir uma proposta de valor estratégica (Berlato; Saussen; Gomez, 2016). Da mesma forma, o desempenho ESG e o alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão associados à melhoria da reputação e do valor de mercado das empresas (Mazzioni et al., 2023).
Os benefícios econômicos da gestão ambiental também se manifestam por meio da redução de custos, do aumento da eficiência operacional e da adoção de estratégias como logística reversa e economia circular, que permitem a recuperação de valor e a redução de passivos ambientais (Fagundes; Vaz; Hatakeyama, 2009; Pereira; Brito; Ferreira, 2023). Para mensurar esses resultados, indicadores como ecoeficiência e análise do ciclo de vida tornam-se ferramentas relevantes (Rodrigues et al., 2023). Além disso, sistemas de gestão ambiental, como a ISO 14001, contribuem para o uso eficiente de recursos e funcionam como diferenciais competitivos, embora desafios relacionados à comunicação com stakeholders possam comprometer sua credibilidade (Rodrigues et al., 2023; Silva; Ribeiro, 2005; Vieira et al., 2021).
A legislação ambiental complementa esse processo ao orientar a identificação, avaliação e mitigação dos impactos ambientais por meio de instrumentos como o licenciamento e as Avaliações de Impacto Ambiental (Lutzer, 2024). Dessa forma, a gestão de riscos ambientais torna-se elemento estratégico para a sustentabilidade e competitividade dos negócios (Lutzer, 2024; Vieira et al., 2021).
Outro aspecto relevante refere-se à inovação ambiental, cuja adoção está associada às práticas ESG e ao alcance dos ODS relacionados à indústria, infraestrutura e inovação (Araújo; Correia; Câmara, 2022; Rizzi et al., 2024). A incorporação de soluções sustentáveis em produtos, processos e cadeias de valor fortalece o desempenho organizacional e o posicionamento competitivo das empresas (Sambiase; Franklin; Teixeira, 2013).
No cenário contemporâneo, as práticas ESG também influenciam o acesso a mercados, a atração de investimentos e a gestão da cadeia de suprimentos. Relatórios de sustentabilidade, especialmente aqueles baseados na Global Reporting Initiative (GRI), desempenham papel importante na promoção da transparência e da responsabilização corporativa (Machado et al., 2023). Estudos indicam que empresas que divulgam esses relatórios apresentam maior evidência de práticas sustentáveis em suas cadeias produtivas (Scherer et al., 2022), acompanhando uma tendência observada internacionalmente (Farias; Barreiros, 2021). Além disso, organizações que integram os ODS ao desempenho ESG tendem a alcançar melhores resultados reputacionais e mercadológicos (Mazzioni et al., 2023).
A gestão ambiental também fortalece a legitimidade organizacional por meio do relacionamento com stakeholders, contribuindo para a melhoria da imagem institucional e a atração de investidores (Oliveira; Waissman, 2002; Dias; Henkes; Rossato, 2020). Nesse sentido, estratégias de marketing verde, comunicação ambiental e uso de mídias sociais, como o Instagram, podem ampliar a divulgação dos compromissos sustentáveis, desde que respaldadas por ações efetivas (Lima et al., 2015; Amado; Penha, 2024). Empresas com maior maturidade ambiental tendem a incorporar essas práticas como parte de sua estratégia competitiva (Oliveira; Waissman, 2002).
Apesar dos avanços, persistem desafios relacionados à escassez de recursos, limitações técnicas e elevados custos de implementação, especialmente para pequenas e médias empresas em países em desenvolvimento (Fonseca; Souza; Jabbour, 2010; Bánkuti; Bánkuti, 2014). Embora a RBV destaque o potencial competitivo dos recursos ambientais (Santos; Porto, 2013), as pressões institucionais podem reduzir esse diferencial (Santos; Porto, 2013). Ainda assim, o alinhamento entre gestão ambiental e estratégia organizacional, aliado à cooperação entre empresas, pode ampliar simultaneamente a competitividade e os benefícios ambientais (Bánkuti; Bánkuti, 2014).
2.2. Energias Renováveis e Sustentabilidade Empresarial
A crescente preocupação com as mudanças climáticas tem impulsionado governos e organizações a adotarem fontes renováveis de energia como estratégia para reduzir impactos ambientais e promover a sustentabilidade empresarial (Nunes et al., 2024). Fontes como solar, eólica, hidrelétrica, geotérmica e biomassa contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a diversificação da matriz energética e o avanço da inovação tecnológica (Barbosa, 2015; Oliveira; Silva, 2024). Além dos benefícios ambientais, essas fontes podem gerar vantagens competitivas por meio da redução de custos, fortalecimento da imagem institucional e atração de investidores e consumidores alinhados aos princípios ESG (Nunes et al., 2024; Feitosa; Mesquita; Severo, 2020).
Embora desempenhem papel central na mitigação das mudanças climáticas, as energias renováveis ainda apresentam potencial subexplorado na adaptação climática (Teixeira; Pessoa; Santos, 2025). A transição energética vem remodelando os sistemas globais de energia, exigindo apoio governamental, incentivos fiscais e cooperação internacional, especialmente em países em desenvolvimento (Micheletti et al., 2025). Nesse sentido, políticas públicas eficazes são fundamentais para ampliar a participação das fontes limpas na matriz energética e promover o desenvolvimento sustentável (Lima, 2012).
No Brasil, destaca-se o potencial da energia solar devido à sua ampla aplicabilidade e aos menores impactos ambientais, embora sua adoção ainda seja insuficiente para atender à crescente demanda energética (Nascimento; Alves, 2017). Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS 7 da Agenda 2030, reforçam a importância da ampliação do acesso à energia limpa e acessível (Melo et al., 2022). Entretanto, desafios relacionados à eficiência energética e à implementação de políticas públicas permanecem presentes em diferentes contextos (Melo et al., 2022). Nesse cenário, alternativas como a microgeração de energia podem contribuir para o equilíbrio entre crescimento econômico, bem-estar social e preservação ambiental, desde que acompanhadas por investimentos e incentivos adequados (Martine; Alves, 2015; Silva et al., 2020).
A adoção de energias renováveis também fortalece a competitividade empresarial ao promover o alinhamento com práticas sustentáveis e critérios ESG (Nunes et al., 2024; Feitosa; Mesquita; Severo, 2020). Contudo, seus impactos devem ser analisados de forma ampla, considerando efeitos locais e sociais, como os observados em comunidades afetadas pela instalação de parques eólicos (Furtado; Paim, 2024). Além disso, a incorporação da sustentabilidade demanda transformações organizacionais, incluindo mudanças na gestão de pessoas e na cultura empresarial (Pires; Fischer, 2014).
Estudos sobre energia solar fotovoltaica demonstram sua viabilidade econômica em diferentes contextos. Pesquisas realizadas no Ceará, em Santa Catarina e em sistemas residenciais apontam retornos financeiros atrativos e períodos de payback relativamente curtos, especialmente quando associados a incentivos e políticas públicas de apoio (Soares; Nadae; Nascimento, 2021; Kruger; Zanella; Barichello, 2023; Serafim Júnior et al., 2018). Além dos ganhos financeiros, esses sistemas contribuem para a sustentabilidade e para a conscientização sobre o uso eficiente dos recursos energéticos (Ferreira; Cerqueira, 2022).
Apesar das vantagens, a expansão das energias renováveis enfrenta obstáculos relacionados a limitações tecnológicas, infraestrutura insuficiente, barreiras regulatórias e resistência de gestores e stakeholders (Martins et al., 2024). Pequenas e médias empresas apresentam dificuldades adicionais decorrentes da escassez de recursos, da orientação para resultados de curto prazo e das limitações para inovação (Pacheco, 2020). A ausência de políticas públicas eficazes e de linhas de financiamento específicas agrava essas barreiras (Dias, 2024a). Dessa forma, a ampliação do uso de energias renováveis requer incentivos governamentais, investimentos, suporte tecnológico e ações voltadas à capacitação e conscientização empresarial (Silva et al., 2020; Pacheco, 2020).
A adoção de fontes renováveis também favorece a reputação corporativa, a valorização da marca e a atração de investidores comprometidos com critérios ESG (Nunes et al., 2024; Martins et al., 2024). Certificações e selos ambientais fortalecem a credibilidade das organizações e auxiliam no monitoramento do desempenho energético (Peralta et al., 2024). Nesse contexto, a implementação de uma agenda ESG representa não apenas uma exigência de mercado, mas uma mudança de paradigma na gestão empresarial (Martins et al., 2024; Freitas et al., 2023).
A transparência na divulgação dessas práticas é fortalecida por instrumentos como os relatórios de sustentabilidade baseados nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), que promovem maior responsabilização corporativa (Carvalho; Siqueira, 2008). Embora esses relatórios sejam importantes para comunicar ações sustentáveis, estudos apontam diferenças nos níveis de adesão aos indicadores e limitações quanto à qualidade e à completude das informações divulgadas (Machado et al., 2023; Martini Júnior; Silva; Mattos, 2014; Três; Domenico; Três, 2017).
Paralelamente, a integração das tecnologias da Indústria 4.0 à gestão ambiental vem ampliando as possibilidades de sustentabilidade corporativa. Ferramentas como inteligência artificial, Internet das Coisas, automação, blockchain e sistemas inteligentes de energia contribuem para a eficiência energética, a redução de desperdícios e o aumento da transparência nas cadeias produtivas (Schirmer; Cyrne, 2024; Santos et al., 2024; Fernandes et al., 2024). Nesse contexto, o conceito de sustentabilidade digital ganha relevância ao integrar inovação tecnológica e energias limpas como resposta aos desafios ambientais contemporâneos (Pigatto; Pigatto, 2024).
Em síntese, a transição para fontes renováveis de energia constitui elemento fundamental para o desenvolvimento sustentável e para o alcance dos ODS (Dias, 2024a). Apesar dos desafios técnicos, financeiros e regulatórios, os benefícios econômicos, ambientais e sociais são significativos, tornando as energias renováveis um importante fator de competitividade, reputação corporativa e transformação sustentável das organizações (Nunes et al., 2024; Micheletti et al., 2025).
2.2.1. Energia Solar
A energia solar destaca-se como uma das principais fontes renováveis para a promoção da sustentabilidade empresarial, podendo ser utilizada em sistemas térmicos e fotovoltaicos para geração de energia limpa (Calca et al., 2021; Soares et al., 2022). O Brasil apresenta elevado potencial para sua expansão devido à alta incidência solar ao longo do ano, favorecendo sua aplicação em áreas urbanas e rurais (Miranda; Oliveira, 2024).
Entre os principais benefícios da energia solar estão a redução dos custos energéticos, a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e o fortalecimento da reputação socioambiental das organizações, contribuindo para sua competitividade (Miranda; Oliveira, 2024; Balaguer; Pina; Torres, 2023). Entretanto, desafios como os elevados custos iniciais de implantação, a intermitência da geração, limitações no armazenamento de energia e barreiras regulatórias ainda dificultam sua expansão (Rodrigues et al., 2024; Oliveira; Wanderley, 2024; Fonseca et al., 2024; Santos et al., 2023).
Nesse contexto, políticas públicas de incentivo, ampliação do acesso ao crédito e investimentos em pesquisa e inovação são fundamentais para ampliar sua adoção. A geração distribuída em residências e pequenas empresas surge como alternativa promissora para democratizar o acesso à tecnologia e fortalecer a transição para modelos energéticos mais sustentáveis (Fonseca et al., 2024; Oliveira; Wanderley, 2024).
2.2.2. Energia Eólica
A energia eólica constitui uma importante fonte renovável para a diversificação da matriz energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para a competitividade e sustentabilidade empresarial (Santos; Araújo, 2023; Martins et al., 2022). No Brasil, seu crescimento tem sido expressivo, especialmente na região Nordeste, favorecido por condições naturais adequadas, investimentos e incentivos públicos, posicionando o país entre os principais produtores mundiais dessa fonte energética (Cunha et al., 2024; Pereira, 2023).
Além de reduzir a pegada de carbono e fortalecer a imagem institucional das organizações, a expansão da energia eólica exige atenção aos impactos socioambientais associados à implantação de parques eólicos, como alterações em ecossistemas, impactos paisagísticos e conflitos com comunidades locais (Barros et al., 2024; Farias et al., 2020). Dessa forma, a adoção de projetos onshore e offshore deve ser acompanhada por avaliações de impacto ambiental, processos de licenciamento adequados e diálogo com stakeholders (Nascimento; Azevedo; Schram, 2017).
Adicionalmente, iniciativas relacionadas à energia eólica contribuem para a conscientização ambiental e para a promoção de práticas sustentáveis (Cruz et al., 2022).
2.2.3. Energia Hidrelétrica
A energia hidrelétrica desempenha papel central na matriz elétrica brasileira, respondendo por grande parte da geração nacional e destacando-se pela capacidade de produção em larga escala, estabilidade operacional e custos relativamente baixos (Pereira; Silva Neto, 2020; Vieira et al., 2023). Entretanto, sua expansão está associada a importantes impactos socioambientais, como deslocamento de comunidades, perda de biodiversidade, alterações nos ecossistemas e emissões de gases de efeito estufa em reservatórios tropicais (Fearnside, 2009; Ferreira et al., 2024).
Além disso, as mudanças climáticas têm aumentado as incertezas relacionadas à disponibilidade hídrica, reforçando a necessidade de diversificação da matriz energética por meio da ampliação de fontes como solar e eólica (Freitas; Soito, 2008; Silva; Alves; Ramalho, 2020). Nesse contexto, a integração entre diferentes fontes renováveis, especialmente entre hidrelétricas e sistemas solares, surge como alternativa para aumentar a eficiência e a resiliência energética (Alencar; Stedile; Urbanetz Junior, 2019).
Assim, embora a energia hidrelétrica permaneça estratégica para o desenvolvimento econômico e energético do país, sua contribuição para a sustentabilidade depende da adoção de práticas de gestão ambiental, responsabilidade social e mecanismos que conciliem geração de energia, preservação ambiental e justiça social (Fearnside, 2009; Ferreira et al., 2024).
2.2.4. Fontes Alternativas de Energia Renovável: Maremotriz, Ondomotriz, Geotérmica e Biomassa
Além das fontes solar, eólica e hidrelétrica, outras tecnologias renováveis contribuem para a diversificação da matriz energética e para o fortalecimento das estratégias de sustentabilidade empresarial. As energias maremotriz e ondomotriz apresentam potencial relevante devido à previsibilidade da geração e à disponibilidade de recursos costeiros, embora sua expansão ainda seja limitada por elevados custos e desafios tecnológicos (Silva; Ferreira; Quelemes, 2024; Bastos; Martinez, 2022).
A energia geotérmica destaca-se por ser uma fonte limpa, contínua e pouco dependente das condições climáticas, apresentando potencial de crescimento a partir de avanços tecnológicos, apesar de sua utilização ainda ser restrita no Brasil (Campos et al., 2017; Paz et al., 2023). Já a biomassa possui participação consolidada na matriz energética nacional, especialmente por meio dos derivados da cana-de-açúcar, contribuindo para a cogeração de energia e o aproveitamento de resíduos, embora enfrente desafios relacionados à logística, ao uso de recursos naturais e à competição por áreas produtivas (Silva, S. et al., 2021; Miranda; Martins; Lopes, 2019).
2.3. Princípios Esg (Environmental, Social And Governance) No Cenário Empresarial Brasileiro
O conceito de ESG (Environmental, Social and Governance) tem se consolidado como um referencial estratégico para empresas que buscam alinhar desempenho econômico à responsabilidade socioambiental. Ele abrange práticas voltadas à sustentabilidade ambiental, justiça social e governança ética e transparente (Avakov; Shinkevich, 2024).
No Brasil, a governança é o pilar mais estruturado, seguido pelos aspectos sociais e ambientais (Neder et al., 2023). O mercado financeiro tem incentivado o ESG por meio de títulos verdes, índices de sustentabilidade e exigências de transparência, sobretudo no agronegócio e no setor de seguros (Malatrasi; Bezerra, 2024).
Empresas com bom desempenho ESG tendem a ser mais resilientes a crises, atraem investidores e geram maior valor reputacional e de mercado (Mazzioni et al., 2023; Ballerini et al., 2023). No entanto, pequenas e médias empresas enfrentam barreiras como falta de padronização, resistência cultural e escassez de recursos técnicos (Santos; Oliveira; Ramos, 2024).
Desafios persistem, como greenwashing, inconsistência nos relatórios de sustentabilidade e complexidade regulatória (Liu; Wang; Zhang, 2024; Korisztek, 2024). Superá-los exige maior colaboração entre empresas, governo e sociedade civil, além da adoção de marcos regulatórios claros e incentivos fiscais eficazes.
A implementação dos princípios ESG também implica transformação na gestão de pessoas, com foco em saúde, segurança, diversidade e inclusão (Кakoev, 2024). A integração com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) amplia o alcance e a legitimidade dessas práticas, posicionando o ESG como pilar essencial para a longevidade e a ética empresarial.
2.4. Racismo Ambiental e Responsabilidade Empresarial
O racismo ambiental refere-se à distribuição desigual dos riscos e danos ambientais, que afetam de forma desproporcional populações negras, indígenas, quilombolas e de baixa renda. Trata-se de uma forma de injustiça ambiental estruturada, que resulta de decisões políticas e econômicas historicamente excludentes (Bullard, 2000; Holifield, 2024).
No Brasil, essa realidade se manifesta em comunidades periféricas e rurais expostas à poluição, desastres naturais e ausência de políticas públicas ambientais efetivas (Nascimento et al., 2023; Costa, 2022). As mudanças climáticas agravam esse quadro, intensificando a vulnerabilidade socioambiental.
Empresas têm papel decisivo nesse contexto: podem perpetuar ou mitigar essas desigualdades por meio de suas decisões sobre localização, operação, licenciamento e relacionamento com comunidades. A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é uma ferramenta estratégica nesse enfrentamento, desde que associada à transparência, engajamento comunitário e alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Saes et al., 2021; Brehm; Pellow, 2022).
No entanto, muitas organizações adotam discursos sustentáveis sem ações efetivas, o chamado greenwashing ou justice washing, o que compromete a legitimidade das práticas ESG. Casos emblemáticos, como o da Vale, ilustram essa dissonância entre marketing e realidade (Saes et al., 2021).
A inclusão do racismo ambiental na agenda ESG reforça o pilar social, exigindo políticas de diversidade, equidade e mecanismos de escuta ativa. Empresas que priorizam justiça socioambiental tendem a ser mais sustentáveis, inovadoras e resilientes, respondendo melhor às exigências de investidores e consumidores conscientes (Amaral; Willerding; Lapolli, 2023; Saydam et al., 2024).
Pensadores como Edgar Morin e Benjamin Chavis ajudam a compreender o problema em sua complexidade. Morin (2000, 2003) defende uma abordagem educacional planetária e ética ecológica integrada, enquanto Chavis evidenciou empiricamente a predominância de resíduos tóxicos em comunidades racializadas, tornando o racismo ambiental uma questão de direitos humanos.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa adotou como procedimento metodológico a revisão sistemática da literatura, uma abordagem estruturada e rigorosa que visa identificar, selecionar e analisar criticamente estudos científicos relevantes sobre um tema específico. Diferentemente da revisão narrativa, a revisão sistemática segue um protocolo definido, com critérios explícitos de inclusão e exclusão, o que garante maior transparência, reprodutibilidade e validade científica aos resultados obtidos. Por meio dessa técnica, busca-se sintetizar o conhecimento existente e oferecer subsídios consistentes para a compreensão aprofundada do objeto de estudo, bem como para a formulação de recomendações práticas e teóricas.
A fim de assegurar o rigor e a qualidade da revisão, adotou-se a diretriz PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), uma ferramenta internacionalmente reconhecida que orienta a condução e o relato de revisões sistemáticas. O PRISMA organiza o processo em quatro etapas principais: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Na etapa de identificação, realiza-se a busca automatizada em bases de dados científicas; na triagem, eliminam-se registros duplicados e avalia-se a pertinência dos estudos com base nos títulos e resumos; na elegibilidade, procede-se à leitura integral dos textos e à aplicação dos critérios de inclusão; e, finalmente, na etapa de inclusão, definem-se os estudos que serão incorporados à análise final.
A fase de identificação compreendeu a busca por publicações em duas fontes principais: a base de dados Scopus e o motor de busca Google Scholar (Google Acadêmico). A base Scopus foi escolhida por seu alto nível de confiabilidade e rigor na indexação de periódicos acadêmicos nas áreas de administração, meio ambiente e sustentabilidade. No entanto, durante os cruzamentos com o descritor “environmental racism”, observou-se uma quantidade muito reduzida de publicações relevantes na Scopus, o que motivou a inclusão do Google Scholar como fonte complementar. Essa escolha buscou ampliar o alcance da revisão e garantir a representatividade temática, especialmente em relação aos estudos interdisciplinares e aos que abordam desigualdades socioambientais no contexto empresarial.
Na Scopus, foram identificados inicialmente 7.098 registros, enquanto o Google Scholar retornou 2.940 registros, totalizando 10.038 documentos localizados na etapa de busca. Em seguida, foram removidos 76 registros duplicados, restando 9.962 estudos. Além disso, houve a verificação de qualidade, que consistiram na exclusão de artigos publicados em periódicos classificados abaixo do quartil Q2 no Scimago Journal Rank (SJR) ou que não possuíam avaliação disponível, conforme a classificação referente ao ano de 2024. Essa medida resultou na eliminação de 130 artigos adicionais.
O SJR é um indicador internacional que classifica a relevância de periódicos científicos com base no número de citações recebidas e na importância dessas citações, considerando também a qualidade dos periódicos que citam os artigos. Os quartis variam de Q1 a Q4, sendo Q1 o grupo que reúne os 25% dos periódicos mais bem avaliados em sua área e Q4 os 25% com menor impacto.
No caso específico do Google Scholar, dada a grande quantidade de conteúdo e à menor padronização das publicações, adotou-se um recorte temporal restrito ao ano de 2025, com o objetivo de garantir a atualidade dos estudos e a viabilidade na análise.
Após essa filtragem inicial, 2.589 registros foram submetidos à triagem com base na leitura dos títulos e resumos. Nessa etapa, 1.812 estudos foram excluídos por não se adequarem aos critérios temáticos e metodológicos previamente estabelecidos, tais como foco em áreas alheias à proposta da pesquisa ou ausência de relação direta com os eixos centrais da investigação: gestão ambiental, energias renováveis, princípios ESG, racismo ambiental e sustentabilidade empresarial. Com isso, 777 publicações foram selecionadas para leitura completa na etapa de elegibilidade.
Durante a leitura integral dos textos, 574 artigos foram avaliados detalhadamente. Destes, 264 foram excluídos por se tratar de revisões de literatura ou análises bibliométricas. A exclusão desse tipo de material se justifica metodologicamente: embora sejam fontes válidas de conhecimento, revisões secundárias e estudos bibliométricos podem causar viés de duplicação de achados, visto que muitas vezes se baseiam nas mesmas fontes primárias incluídas no escopo desta revisão. Além disso, essas abordagens não apresentam dados originais ou análises empíricas diretas sobre os fenômenos investigados, podendo comprometer a consistência da análise qualitativa pretendida nesta pesquisa. Outros 298 estudos também foram excluídos por não abordarem diretamente as temáticas centrais, como o racismo ambiental, que constitui um dos pilares analíticos do trabalho. Ao final do processo, 127 estudos atenderam integralmente aos critérios de qualidade, aderência temática e relevância científica, compondo o corpo final de análise da revisão sistemática.
Para orientar e documentar o processo de busca e seleção dos estudos, foram elaborados dois quadros analíticos. O primeiro, intitulado Quadro 1 – Processo de Cruzamento dos Descritores na base de dados Scopus, apresenta as combinações realizadas entre os descritores principais, como “environmental management”, “renewable energy”, “corporate sustainability”, “ESG” e “environmental racism”. As combinações foram feitas com operadores booleanos do tipo “AND”, com o objetivo de explorar as interseções entre os temas e localizar publicações de alta relevância científica.
Quadro 1. Processo de Cruzamento dos Descritores na base de dados SCOPUS
DESCRITOR 1 | OPERADOR BOOLEANO | DESCRITOR 2 | OPERADOR BOOLEANO | DESCRITOR 3 |
Environmental management | AND | Corporate sustainability | - | - |
ESG | AND | Environmental Racism | - | - |
Renewable Energy | AND | Corporate Sustainability | - | - |
Environmental Management | AND | ESG | AND | Environmental Racism |
Renewable Energy | AND | Environmental Racism | - | - |
Corporate Sustainability | AND | ESG | - | - |
Environmental Management | AND | Renewable Energy | - | - |
Corporate Sustainability | AND | Environmental Racism | - | - |
Fonte: Elaborado pelos autores
O segundo, intitulado Quadro 2 – Processo de Cruzamento dos Descritores no motor de busca Google Scholar, registra os pares e trios de termos utilizados especificamente na referida plataforma, permitindo captar estudos relevantes que, embora não indexados em bases formais como a Scopus, agregam valor à discussão por seu conteúdo temático.
Quadro 2. Processo de cruzamento de Descritores no motor de busca Google Scholar
DESCRITOR 1 | OPERADOR BOOLEANO | DESCRITOR 2 | OPERADOR BOOLEANO | DESCRITOR 3 |
ESG | AND | Environmental Racism | - | - |
Environmental Management | AND | ESG | AND | Environmental Racism |
Corporate Sustainability | AND | Environmental Racism | - | - |
Fonte: Elaborado pelos autores
A aplicação rigorosa das diretrizes do PRISMA 2020 (Figura 1), aliada à definição criteriosa dos critérios de busca, exclusão e inclusão, assegurou a qualidade metodológica da revisão e a confiabilidade dos resultados apresentados ao longo deste artigo. A consolidação dos 127 estudos finais permitiu uma análise abrangente e fundamentada sobre a integração entre práticas de gestão ambiental, uso de energias renováveis, aplicação dos princípios ESG e enfrentamento do racismo ambiental no contexto da sustentabilidade empresarial.
Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos estudos conforme diretrizes PRISMA 2020
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A presente revisão sistemática da literatura resultou na seleção final de 127 estudos científicos, que atenderam plenamente aos critérios de qualidade, relevância temática e rigor metodológico estabelecidos. A análise dos dados obtidos permitiu identificar um conjunto de evidências robustas sobre a forma como práticas empresariais sustentáveis vêm sendo implementadas e discutidas no meio acadêmico, especialmente no que se refere à integração entre gestão ambiental, uso de energias renováveis, princípios ESG e enfrentamento do racismo ambiental.
Com base na análise qualitativa do conteúdo dos artigos selecionados, os resultados foram organizados em quatro categorias temáticas, que refletem as principais linhas de discussão recorrentes na literatura. A primeira categoria aborda a adoção de energias renováveis no setor empresarial, evidenciando seu papel na transição energética e nos ganhos ambientais, econômicos e reputacionais para as organizações. A segunda categoria trata da gestão ambiental como estratégia competitiva, destacando como práticas voltadas à eficiência e à conformidade ambiental têm se tornado diferencial no mercado. A terceira categoria refere-se aos princípios ESG (Environmental, Social and Governance) e sua aplicação no contexto corporativo, analisando os desafios e benefícios associados à adoção de políticas sustentáveis. Por fim, a quarta categoria discute o racismo ambiental e o papel da responsabilidade social corporativa na mitigação de desigualdades socioambientais, apontando para a necessidade de práticas mais inclusivas e éticas por parte das empresas.
Essas quatro categorias servem como base para a análise dos resultados obtidos, permitindo uma compreensão ampla e interconectada sobre as tendências, avanços e lacunas no campo da sustentabilidade empresarial.
4.1. Energias Renováveis e Sua Contribuição para a Transição Sustentável nas Empresas
As energias renováveis consolidam-se como elementos centrais na transição sustentável corporativa, sobretudo nos setores de elevado impacto ambiental. Segundo Wang et al. (2021), a adoção estratégica dessas fontes reduz resíduos e emissões, aprimora a reputação institucional e mitiga riscos regulatórios. Isso é evidenciado no setor cimenteiro, em que a biomassa potencializa desempenho ambiental e econômico, favorecendo eficiência operacional e vantagem competitiva.
Empresas de grande porte, como a Allianz, têm integrado fontes limpas como eólica e solar ao planejamento estratégico, em linha com metas de neutralidade de carbono e o Acordo de Paris (Dawson, Dargusch; Hill, 2022). No setor de petróleo e gás, tradicionalmente intensivo em emissões, Romasheva e Cheropovitsyna (2023) observam que pressões regulatórias e sociais têm promovido uma agenda de descarbonização rumo a 2050, por meio da adoção de renováveis.
A tecnologia desempenha papel crucial nesse processo. Balcıoğlu, Çelik e Altindağ (2024) e Slimani et al. (2025) demonstram que a inteligência artificial (IA), quando aplicada à gestão energética, otimiza redes, reduz custos e minimiza emissões. Por sua vez, Hao e Dragomir (2025) discutem que modelos de negócios baseados em fontes limpas fortalecem a imagem corporativa e a responsabilidade socioambiental, apesar da necessidade de políticas públicas e incentivos econômicos, especialmente em países em desenvolvimento. Nesse mesmo sentido, Tishchenko, Egorova e Vakulenko (2025) identificam correlação positiva entre desenvolvimento econômico, políticas ambientais rigorosas e adoção corporativa de renováveis.
Diversas inovações técnicas têm demonstrado impactos expressivos. Kumar et al. (2025) relatam que coletores solares térmicos com micro-superfícies em “S” elevam significativamente a eficiência energética, reduzindo até 38 t CO₂ ao ano. Wang et al. (2025) destacam o uso de células a combustível microbianas com solo vermelho, capazes de gerar eletricidade e tratar efluentes industriais azoderivados. Em Bangladesh, Salan et al. (2025) concluem que a expansão de fontes solar e eólica é urgente para conter as emissões de CO₂ associadas à queima de combustíveis fósseis.
No ambiente urbano, Ayvaz e Onat (2025) verificam que instalações fotovoltaicas em complexos ferroviários podem mitigar até 867 t CO₂/ano, além de realçar os ganhos ambientais advindos da produção local de módulos. A tecnologia power‑to‑gas, analisada por Portillo‑Tarragona et al. (2025), permite a conversão de energia renovável em combustíveis como hidrogênio ou metano sintético, facilitando armazenamento energético. Zhang et al. (2025) ressaltam a utilidade de baterias de fluxo redox para superar a intermitência das renováveis, enquanto Cormos (2025) enfatiza que a captura direta de CO₂ (DAC), quando suprida por energia solar concentrada e biomassa, possibilita emissões negativas de forma economicamente viável.
No âmbito da economia circular, Dai et al. (2025) propõem a pirólise a vácuo para reaproveitamento de pás eólicas, recuperando materiais e empregando óleo pirolítico como fonte energética renovável. Mukilan et al. (2025) apresentam pisos inteligentes que convertendo energia solar, térmica e mecânica, além de incorporar cinzas volantes como material de construção.
A valorização de resíduos para produção de energia é amplamente documentada. Mgeni, Mtashobya e Emmanuel (2025) demonstram que o bioetanol produzido a partir de resíduos frutíferos, sorgo e milheto, alcança até 91% de álcool, gerando benefícios ambientais e reforçando modelos circulares. Pulgarín‑Muñoz et al. (2025) indicam que a digestão anaeróbia de lodo e resíduos agroindustriais gera biogás e oferece digestato para uso agrícola.
Tende et al. (2025) ressaltam que a energia geotérmica é uma fonte confiável e de baixas emissões, e que sistemas de informação geográfica (SIG) aprimoram a seleção de áreas de exploração. Kazimierski et al. (2025) comprovam que o ciclo orgânico de Rankine (ORC), aplicado a resíduos de curtumes, pode recuperar até 94% da energia térmica, suprindo 40% da demanda energética de fábricas do setor.
Shamaee, Yousefi e Zahedi (2024) afirmam que, em sistemas urbanos como o da cidade de Mashhad, a excessiva dependência de fontes fósseis inviabiliza a sustentabilidade. A substituição por renováveis otimiza a matriz energética, tornando-a mais resiliente. Em paralelo, Abbas, Waqas e He (2023) constataram que a recuperação energética de gases de aterros pode reduzir 82 MtCO₂ eq. em 35 anos, contribuindo com 1,7% da demanda energética global até 2050.
No campo do hidrogênio verde, a tecnologia de eletrólise PEMWE apresenta eficiência elevada, mas ainda depende de metais nobres. Lee, Yeo e Kim (2025) propõem ligas ternárias como NiMoMn, com boa atividade catalítica e menor custo. Layek e Kumbhakar (2025) reforçam que materiais nanoestruturados avançam na viabilização dessa fonte como alternativa acessível.
Por fim, García‑Sánchez et al. (2025) destacam que estruturas de governança climática, como comitês socioambientais, aumentam a adoção de renováveis, práticas eficientes e substituição de fontes fósseis. Kang (2024) corrobora esse achado ao demonstrar que, na China, investimentos em capital fixo e inovação tecnológica na área de renováveis reduzem a pegada ecológica e promovem eficiência. Raza et al. (2025) concluem que a integração múltipla de solar, eólica, hídrica e biomassa em matrizes energéticas pode ultrapassar 59%, assegurando estabilidade econômica, inovação e competitividade corporativa.
4.2. Energias Renováveis Como Vetores de Transformação Sustentável nos Negócios
A integração de princípios ESG às estratégias corporativas tem sido impulsionada pela inovação tecnológica, elemento central para o desenvolvimento organizacional contemporâneo. Wang et al. (2021) destacam que práticas inovadoras favorecem a sustentabilidade financeira, social e ambiental, especialmente em empresas do setor de energias renováveis. Nesse contexto, a inovação potencializa a eficiência no uso de recursos e fortalece o compromisso social corporativo. Todavia, os autores alertam que políticas públicas mal calibradas podem gerar distorções, como o rent-seeking, comprometendo os objetivos socioambientais. Assim, a transformação sustentável requer tanto inovação empresarial quanto regulação estatal estratégica.
No setor de componentes eletrônicos de Taiwan, o crescimento acelerado elevou os impactos ambientais devido à predominância de fontes fósseis. Embora haja esforços para mitigar as emissões, a lenta transição para renováveis perpetua o carbon lock-in (Wang et al., 2021). Tecnologias como solar e eólica, nesse cenário, tornam-se essenciais não apenas para enfrentar a crise climática, mas também para romper com estruturas energéticas insustentáveis.
Em cooperativas agroalimentares, Mattéis et al. (2024) observam baixa expressividade do uso de renováveis, apesar da valorização de práticas sustentáveis. Os autores argumentam que, no contexto dos Planos de Recuperação e Resiliência (NRRPs) da União Europeia, tais fontes devem ocupar papel central na gestão, promovendo competitividade frente às exigências do mercado e da sociedade.
A crescente orientação corporativa à sustentabilidade é analisada por Raghupathi, Wu e Raghupathi (2023), que identificam maior ênfase em eficiência energética e tecnologias limpas nos relatórios arquivados na SEC. Energias renováveis têm sido mobilizadas para mitigar impactos e fortalecer a imagem institucional.
Joel, Zheng e Liu (2025) destacam que green bonds, quando direcionados a projetos como eficiência energética e renováveis, estão associados à melhoria do desempenho ambiental. Essa relação é mais evidente entre emissores corporativos e em regiões com regulação ambiental rigorosa, como Europa e América do Norte.
Do ponto de vista tecnológico, Kim (2025) analisa alternativas como ammonia cracking e methane pyrolysis aplicadas a turbinas a hidrogênio. Essas tecnologias são economicamente competitivas e ambientalmente viáveis, favorecendo a diversificação da matriz energética e a redução da dependência de fósseis.
Em economias emergentes, como na África Subsaariana, Manu e Asongu (2025) apontam que a combinação entre energias limpas, inovação tecnológica e políticas públicas eficazes fortalece sistemas produtivos e modelos empresariais resilientes. Ozturk et al. (2025) complementam ao identificar governo digital, economia circular e regulação ambiental como fatores críticos para a transformação sustentável via renováveis.
Dinçer et al. (2025) utilizam modelos híbridos com aprendizado por reforço e técnicas fuzzy para avaliar investimentos sustentáveis. A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é identificada como estratégia mais eficaz para orientar decisões que minimizem impactos em biodiversidade, ar, água e solo.
No campo da bioenergia, Mutushev et al. (2025) demonstram que a produção de biochar a partir de resíduos agroindustriais oferece benefícios agronômicos e ambientais, integrando inovação tecnológica e economia circular.
A maturidade do ambiente institucional também influencia os resultados das inovações renováveis. Ullah e Lin (2025) observam que contextos com maior desenvolvimento em sustentabilidade amplificam os efeitos positivos dessas inovações. Soto et al. (2025) reforçam que, em países com baixa pegada ecológica, a produtividade das renováveis impulsiona práticas mais sustentáveis e melhora o posicionamento estratégico das empresas.
Eitan (2025) ressalta que a implementação de fontes renováveis exige a mediação de trade-offs ambientais e sociais, sendo necessária uma regulação que equilibre interesses econômicos e ambientais, promovendo transparência e inclusão empresarial.
No caso de Gana, Suleman, Sowah e Jinapor (2025) mostram que a adoção de fontes renováveis está associada à redução de emissões e tarifas de eletricidade. Apesar dos altos custos iniciais, os benefícios de longo prazo incluem estabilidade tarifária, redução de riscos regulatórios e ganho de eficiência.
Li, B. et al. (2025) apontam que a transição energética representa um pilar estratégico da sustentabilidade empresarial. Com base em dados dos países do G6, os autores demonstram que o aumento da participação das renováveis reduz a pegada ecológica e fortalece a capacidade de suporte ambiental. A integração com tecnologias verdes e instrumentos financeiros sustentáveis amplia os efeitos positivos da transição.
Estudos de Burch, Loraamm e Nsude (2025) revelam que empresas do setor solar e eólico nas Grandes Planícies dos EUA, mesmo sob baixa exigência regulatória, adotam práticas sustentáveis voluntárias. Tais ações são motivadas por expectativas dos stakeholders, mitigação de riscos e busca por legitimidade, consolidando a “licença social para operar” como ativo competitivo.
No contexto africano, Oye (2025) demonstra que choques positivos na produção de energia renovável elevam a produtividade agregada e contribuem para o crescimento sustentável. Políticas de industrialização verde e financiamento tecnológico ampliam esse efeito transformador.
Nos portos espanhóis, Vaca-Cabrero et al. (2025) evidenciam como fontes marinhas renováveis, aliadas à infraestrutura e gestão ambiental, promovem inovação e resiliência no setor portuário, inserindo-se na lógica da economia azul.
Li, X. et al. (2025) destacam a sinergia entre tecnologias digitais e renováveis na digitalização das cadeias de suprimento. Ferramentas como inteligência artificial, blockchain e big data aumentam a transparência, eficiência e sustentabilidade nas operações empresariais.
Adeleye et al. (2025) analisam economias do grupo E7, identificando uma relação em U invertido entre uso de renováveis e emissões. Isso indica que os benefícios ambientais se intensificam após certo ponto de inflexão, destacando a importância da continuidade na transição energética.
Dabbous et al. (2025) adotam uma perspectiva sistêmica ao relacionar políticas ambientais, complexidade econômica e FinTechs ao financiamento de energias limpas. Regulamentações rigorosas e sofisticação econômica favorecem a adoção de tecnologias renováveis.
Shehadeh, Alshboul e Tamimi (2025) exploram soluções sustentáveis em campos de refugiados por meio da abordagem WEFE nexus, demonstrando o potencial de adaptação ao setor privado e ao fortalecimento de sistemas empresariais resilientes.
Na engenharia geotécnica, Firoozi et al. (2025) evidenciam o uso de energy piles e integração solar-eólica em estruturas civis como inovação que combina eficiência energética e sustentabilidade, reconfigurando práticas no setor de infraestrutura.
Jarijari, Deka e Cavusoglu (2025) reforçam que, em países em desenvolvimento, a articulação entre tecnologias verdes, financiamento sustentável e energias limpas amplia a competitividade empresarial, ao alinhar práticas de negócio aos princípios da sustentabilidade.
No contexto da OCDE, Gong e Li (2025) apontam que as renováveis aprimoram práticas produtivas e reduzem a dependência de combustíveis fósseis, incentivando a economia circular e redefinindo o posicionamento estratégico das empresas.
Apesar de barreiras estruturais, especialmente na Europa, Dilanchiev et al. (2024) defendem que investimentos contínuos em fontes renováveis promovem economias de baixo carbono, geração de empregos verdes e resiliência socioeconômica.
Em países com alto poder geopolítico, Üçağaç et al. (2025) argumentam que a governança ambiental e a inovação tecnológica são determinantes para reverter padrões de degradação e consolidar estratégias corporativas baseadas em energias limpas.
Por fim, Wei et al. (2025) destacam que equipamentos de energia renovável tornaram-se produtos altamente competitivos no comércio internacional, especialmente na China. Políticas públicas eficazes, controle da poluição e estímulo à inovação ampliam a inserção global das tecnologias sustentáveis, associando ganhos ambientais a vantagens econômicas duradouras.
4.3. A Integração dos Princípios ESG nas Estratégias Empresariais Sustentáveis
A incorporação dos princípios ESG (ambientais, sociais e de governança) às estratégias empresariais deixou de ser mera ação reputacional para se firmar como diretriz estratégica essencial à competitividade e à perenidade organizacional. A literatura recente evidencia que tal integração vai além do cumprimento regulatório, implicando mudanças profundas nas práticas operacionais e na cultura corporativa.
Segundo Lam, Nie e Chan (2025), a implementação de práticas ESG é desigual entre empresas de diferentes portes. Grandes corporações tendem a se adaptar com mais facilidade, ao passo que pequenas e médias enfrentam barreiras estruturais, como escassez de recursos, que podem ser superadas com políticas públicas adequadas, como subsídios, capacitação e regulamentações claras. A efetividade da integração depende, portanto, do reconhecimento dessa heterogeneidade.
A regulamentação internacional tem acelerado essa agenda. Farkas e Matolay (2024) apontam que diretrizes como a CSRD e a ISO 14001 elevam as práticas ESG à condição de exigência estratégica, demandando sistemas de gestão integrados com base em abordagens digitais e participativas. Complementarmente, Hoang, Nguyen e Tran (2024) demonstram que metodologias multicritério baseadas em lógica fuzzy (como SF-AHP e SF-WASPAS) são eficazes para alinhar critérios ESG a objetivos financeiros em setores complexos como o eletrônico.
A relação entre ESG e certificações internacionais também fortalece a legitimidade institucional (Margaret, Schoubben e Verwaal, 2024). Li et al. (2024) e Borozan e Pirgaip (2024) destacam o papel das pressões institucionais, coercitivas e miméticas, na internalização de valores sustentáveis, na redução de emissões de CO₂ e no aumento da resiliência organizacional, mesmo diante da incerteza climática.
Em economias emergentes, fatores culturais e institucionais influenciam a integração ESG. Abed, Al-Najjar e Salama (2025) ressaltam o impacto positivo da diversidade de gênero nos conselhos de administração. Pimpa (2025), ao estudar a Tailândia, destaca a importância de comitês internos e relatórios integrados para a transparência. Elsayih et al. (2023) e Camilleri et al. (2023) vinculam diversidade, inovação aberta e engajamento dos stakeholders ao desempenho ESG.
A liderança executiva é crucial para a integração bem-sucedida, segundo Ivascu et al. (2022), enquanto Işık et al. (2025) alertam que a digitalização, se desconectada de diretrizes ESG, pode ser contraproducente. Kubalek, Erben e Kudej (2024) argumentam que políticas consistentes, educação ambiental e transparência são determinantes para gerar vantagem competitiva.
A transparência informacional é destacada por He et al. (2025), que mostram como a divulgação voluntária de ações de biodiversidade reduz riscos de greenwashing. Chang et al. (2025) acrescentam que incentivos fiscais, como cortes tributários, favorecem a alocação de recursos em ações ESG, evidenciando a importância de capacidade de autofinanciamento e boa governança.
Aspectos subjetivos também influenciam a efetividade da integração. Abdullah, Ullah e Turner (2025) destacam que traços narcisistas em CEOs favorecem ações simbólicas. Li, H. et al. (2025) defendem o uso do seguro D&O como mitigador de riscos e incentivador à inovação, especialmente sob pressão de investidores institucionais.
Mesmo sem classificação formal, pequenas e médias empresas que divulgam práticas sustentáveis geram impactos positivos (D’Arcangelis et al., 2025). Fu e Zhang (2025) observam que políticas fiscais bem calibradas incentivam práticas verdes, sobretudo em setores com alta emissão.
A literatura também aponta contradições. Llavero-Pasquina (2025) denuncia compromissos superficiais de grandes corporações com iniciativas como o Pacto Global da ONU. No setor elétrico brasileiro, Barbosa et al. (2025) mostram que a percepção dos trabalhadores sobre critérios ESG impacta diretamente o desempenho sustentável, sendo possível mensurar esse efeito com modelos como -ROC. Lee, Kim e Jung (2025) propõem o modelo ESG-KIBERT, baseado PLS-SEM e PROMETHEE em NLP, como alternativa para avaliação ESG setorial.
A postura estratégica da empresa influencia sua atuação ESG: Dang et al. (2025) mostram que empresas com perfil prospectivo divulgam menos ações ESG do que as defensivas ou analisadoras. Wang e Liu (2025) indicam que incentivos internos, como planos de ações para executivos, favorecem o alinhamento com metas sustentáveis. A diversidade de gênero, segundo Sahu et al. (2025) e Mnasri, Temimi e Arouri (2025), impulsiona mudanças culturais e estratégicas.
A tecnologia desempenha papel central. Li et al. (2025) demonstram que a inteligência artificial melhora o desempenho ESG e fomenta a inovação verde, sobretudo em setores menos poluentes. Lahouel, Jouini e Taleb (2025) observam, porém, que essa integração pode não gerar ganhos imediatos em setores intensivos, como o aéreo. Duan et al. (2025) apontam que os benefícios da divulgação ESG são mais evidentes em empresas não estatais e com maior visibilidade.
Doğan et al. (2025) mostram que o uso de aprendizado de máquina evidencia o impacto das controvérsias ESG no valor de mercado, especialmente em ambientes regulatórios robustos. Liu, Tian e Long (2025) notam que a digitalização tem efeitos mais positivos em contextos com menor rigidez regulatória. Já Ayadi e Abderrahman (2025) afirmam que, em ambientes instáveis, ela pode mitigar impactos negativos, desde que exista maturidade organizacional.
Chau, Anh e Duc (2025) propõem uma relação cúbica entre desempenho ESG e valor de mercado: níveis intermediários são mal avaliados, enquanto compromissos robustos geram retorno. Budsaratragoon e Jitmaneeroj (2021) reforçam a importância do equilíbrio entre os pilares ESG, destacando o social como impulsionador da sustentabilidade.
Críticas à instrumentalização das métricas ESG também são comuns. Carè et al. (2025) e Zhang, Zhang e Tu (2025) denunciam seu uso para manipulação reputacional, especialmente quando há apoio político ou intervenção estatal sem fiscalização adequada.
Camilleri (2025) observa que padrões como GRI, SASB e FLW qualificam relatórios ESG, mas sua eficácia depende da adesão substancial. Estruturas de propriedade baseadas em fundações, segundo Schröder e Thomsen (2025), demonstram maior resiliência e compromisso, embora com desafios de replicabilidade.
Hilton (2025) introduz o conceito de greenhush, a prática de omitir iniciativas sustentáveis por medo de críticas ou sanções. Essa opacidade prejudica a transparência, o aprendizado coletivo e o accountability no campo ESG.
No financiamento corporativo, Xin, Zhu e Guo (2025) mostram que bom desempenho ESG reduz a dependência de crédito tradicional. Contudo, Zhu et al. (2025) destacam que a falta de padronização entre agências classificadoras fragiliza a credibilidade das avaliações, elevando custos e dificultando a atração de talentos. O uso de tecnologias digitais aparece como solução para essas distorções.
Iftikhar, Bagh e Shabbir (2025) observam que o risco jurídico da não conformidade impulsiona a divulgação ESG em empresas estatais, especialmente quando combinado com inovação verde. Zhao et al. (2025) e Dong, Zhang e Teng (2025) reforçam que diversidade na alta gestão e uso de tecnologias digitais são determinantes para o desempenho ESG.
Tian e Chen (2025) destacam a crescente incorporação do pilar ambiental nas estratégias organizacionais, impulsionada pelos riscos associados à perda de biodiversidade. Fatores institucionais, como investidores sustentáveis e regulamentações rígidas, convertem riscos ambientais em oportunidades de inovação e reposicionamento estratégico.
Habermann e Steindl (2025) mostram que práticas ESG sólidas são condição para preservar o valor de mercado, dado o crescente escrutínio dos investidores. Estratégias auditáveis e transparentes, nesse contexto, são chave para confiança e competitividade a longo prazo.
Lee et al. (2025) propõem um modelo automatizado de avaliação ESG com base em aprendizado profundo e dados abertos, elevando a precisão e a legitimidade dos indicadores, com impacto positivo sobre o valor de mercado.
Kanwal et al. (2025) demonstram que a aplicação dos princípios ESG na gestão de resíduos de construção (CDW) promove a economia circular e reduz emissões, integrando os três pilares ESG de forma alinhada aos ODS e a metas nacionais como a Visão 2030 da Arábia Saudita.
Zhu, Li e Chevallier (2025) reforçam que a digitalização estrutura a governança ecológica, ao articular governos, empresas e sociedade civil, fortalecendo o monitoramento ambiental e a difusão de inovações sustentáveis.
Enfim, Li, Y. et al. (2025) evidenciam que o crescimento turístico desordenado no Mediterrâneo intensifica a degradação ambiental. A adoção de indicadores ESG e tecnologias preditivas é essencial para mitigar riscos, proteger ecossistemas e assegurar a viabilidade econômica do setor a longo prazo.
4.4. Racismo Ambiental: Desigualdades, Justiça Socioambiental e o Papel das Empresas
A discussão sobre racismo ambiental evidencia como desigualdades estruturais moldam a distribuição de riscos e benefícios ambientais, afetando desproporcionalmente comunidades racializadas e economicamente vulneráveis. Nos EUA, Garland et al. (2025) demonstram que populações de baixa renda enfrentam maior vulnerabilidade a apagões e exposição a poluentes, reflexo de uma infraestrutura precária e políticas desiguais. A superação desse quadro demanda que Estado e empresas adotem políticas baseadas em dados, promovam acesso à energia limpa e incentivem a participação comunitária.
No Brasil, Cavalcante, Sousa e Assis (2025) analisam o Complexo Solar Luzia, próximo à Comunidade Quilombola Pitombeira (PB), e apontam como a ausência de consulta prévia, linguagem inacessível e promessas não cumpridas constituem formas contemporâneas de racismo ambiental. A resposta, segundo os autores, exige práticas empresariais transparentes, escuta sensível e responsabilização por violações socioambientais.
O racismo ambiental também se manifesta pela defesa de privilégios. Schneider e O’Neill (2025) estudam comunidades brancas e abastadas da Carolina do Norte que resistem a projetos de energia eólica offshore. Operando uma lógica NIMBY ("Not In My Backyard"), essas populações deslocam impactos para territórios vulneráveis. Para os autores, uma transição energética justa requer inclusão ativa de comunidades marginalizadas nos processos decisórios e revisão dos critérios de localização dos empreendimentos.
Em contextos urbanos, Oyshi et al. (2025) destacam como projetos de infraestrutura verde nos EUA e na África do Sul frequentemente marginalizam comunidades racializadas. A falta de participação equitativa, o apagamento de saberes locais e o foco em áreas privilegiadas perpetuam injustiças. O estudo aponta que tanto Estado quanto empresas devem integrar princípios de justiça ambiental em suas decisões, com ações reparadoras e redistribuição de recursos.
Pan e Zhou (2025) demonstram que políticas uniformes de neutralidade de carbono aprofundam desigualdades na China, penalizando regiões menos desenvolvidas. Para os autores, a justiça socioambiental exige políticas públicas e empresariais que reconheçam essas assimetrias e democratizem o acesso a tecnologias limpas.
Segundo Ahmed e Uddin (2025), comunidades racializadas enfrentam maior exposição aos efeitos das mudanças climáticas, apesar de contribuírem menos para as emissões. A mitigação desse cenário demanda políticas inclusivas, reconhecimento legal dos atingidos e atuação responsável das empresas, que podem ser agentes de solução ou agravamento das desigualdades.
O’Grady (2025), ao analisar a política Justice40 nos EUA, revela que sua eficácia é comprometida pela omissão da variável racial na alocação de recursos. Critica ainda empresas energéticas que perpetuam desigualdades sob a retórica da inovação verde. O autor defende redistribuição real de poder e revisão das alianças entre Estado e setor privado.
Maonaigh, Fitzgerald e Reilly (2025) alertam que empresas de energia renovável frequentemente tratam comunidades impactadas como homogêneas, ignorando intersecções de raça, classe e gênero. Para evitar a reprodução de exclusões, defendem engajamento comunitário interseccional, redistribuição de benefícios e co-gestão dos projetos.
Em West Fresno, Lee, Stipkovits e Wiseman (2025) mostram como decisões político-empresariais favorecem a instalação de indústrias poluentes em bairros majoritariamente negros e latinos, resultando em altos índices de doenças respiratórias. A reversão desse quadro exige políticas emergenciais e estruturais, além de responsabilização do setor privado.
Hodge et al. (2025) ressaltam que, no Canadá, trabalhadores racializados do setor de petróleo e gás são excluídos dos benefícios da transição energética. Embora não tratem diretamente do racismo, os autores reconhecem essa omissão como uma falha crítica das políticas públicas, reforçando a necessidade de inclusão ativa por parte das empresas.
Parish (2025) analisa o mercado imobiliário “build-to-rent”, evidenciando como critérios supostamente neutros reforçam a exclusão de comunidades racializadas em áreas gentrificadas. Para superar essas práticas, propõe-se redefinir os parâmetros de risco e valor social utilizados por investidores, promovendo justiça habitacional e equidade racial.
Hofmann et al. (2025) demonstram que mecanismos de financiamento climático, como títulos verdes e pagamentos por serviços ambientais, tendem a excluir comunidades racializadas por ignorarem suas formas de organização e modos de vida. A lógica do lucro de fundos de investimento perpetua danos históricos, exigindo reestruturação baseada em justiça socioambiental e valorização dos saberes locais.
Assalve (2025) denuncia o “socialwashing” empresarial, onde discursos de diversidade são instrumentalizados para marketing sem mudanças efetivas. O caso do Grupo Carrefour Brasil ilustra a fragilidade de iniciativas simbólicas. A autora defende que o combate ao racismo ambiental exige governança inclusiva e mudanças estruturais nas práticas empresariais.
Pearse et al. (2025) reforçam que a injustiça socioambiental é sustentada por estruturas institucionais e empresariais moldadas por legados históricos de exclusão. A superação exige políticas públicas inclusivas e práticas corporativas com participação ativa das comunidades afetadas e promoção de reparações históricas.
Garcia et al. (2025) mostram que movimentos juvenis, por meio de abordagens interseccionais, articulam raça, classe, gênero e sexualidade na luta climática. Esses coletivos denunciam a exclusão sistemática de comunidades racializadas e reivindicam alternativas ao modelo capitalista, propondo uma transformação articulada entre setor privado, políticas públicas e sociedade civil.
Henderson (2025), em análise histórica da Mobil Oil, revela como a empresa utilizou campanhas com imagens de populações negras para mascarar seus impactos ambientais, enfraquecendo o papel do Estado. A autora defende o desmonte dessas estratégias discursivas e o fortalecimento de políticas públicas reparadoras.
Raja, Castro e Eichmann-Kalwara (2025) apontam que sistemas de IA, como o ChatGPT, reproduzem narrativas ocidentalizadas sobre a crise climática, obscurecendo responsabilidades e apagando saberes locais. Propõem que empresas de tecnologia assumam responsabilidade pelos vieses algorítmicos e promovam inclusão de múltiplas perspectivas.
Truby (2025) discute como a dependência tecnológica e energética de países árabes em relação à China perpetua desigualdades e externaliza riscos ambientais. O autor propõe cláusulas ambientais obrigatórias em acordos internacionais para garantir justiça climática global.
Jocoy, Nagel e House-Peters (2025) mostram que iniciativas locais, como em Oakland, têm integrado justiça racial e ambiental nas políticas urbanas, responsabilizando juridicamente emissores históricos e promovendo alianças entre sociedade civil, Estado e setor privado.
A educação também aparece como ferramenta central. Sperling et al. (2025) demonstram que uma formação docente sensível à ecojustiça e à diversidade amplia a consciência crítica sobre desigualdades. Ao integrar saberes indígenas e metodologias territorializadas, a educação contribui para a mitigação do racismo ambiental, também no âmbito empresarial.
Enfim, Runtuwene (2025) e Sovacool, Dunlap e Novaković (2025) ressaltam a centralidade da espiritualidade, território e autodeterminação. Enquanto Runtuwene evidencia práticas religiosas comunitárias em prol da justiça hídrica, Sovacool, Dunlap e Novaković denunciam a exclusão de povos indígenas em projetos solares como o Genesis, na Califórnia. Ambos propõem uma crítica à lógica de desenvolvimento dominante e a defesa de abordagens participativas e reparadoras.
Essas contribuições demonstram que a superação do racismo ambiental requer transformações profundas nas esferas pública, privada e tecnológica, baseadas na participação democrática, valorização dos saberes marginalizados e promoção da justiça interseccional como eixo das políticas climáticas globais.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo analisou, por meio de uma revisão sistemática da literatura guiada pelas diretrizes PRISMA 2020, como a gestão ambiental, o uso de energias renováveis, os princípios ESG e o enfrentamento do racismo ambiental podem ser integrados na promoção da sustentabilidade empresarial. A análise dos 127 estudos selecionados revelou que práticas sustentáveis não apenas mitigam impactos socioambientais, mas também geram vantagens competitivas, fortalecem a reputação institucional, atraem investimentos e alinham as empresas às exigências globais de responsabilidade corporativa.
Verificou-se que as energias renováveis, em especial solar, eólica, biomassa e geotérmica desempenham papel estratégico na transição energética, contribuindo para a redução de emissões e a resiliência das organizações. Da mesma forma, os princípios ESG, quando integrados de maneira autêntica e não meramente simbólica, têm o potencial de transformar a governança corporativa, tornando-a mais ética, transparente e inclusiva.
A discussão sobre racismo ambiental mostrou-se essencial para o avanço do pilar social do ESG. Ao evidenciar que comunidades negras, indígenas e periféricas são desproporcionalmente afetadas por riscos ambientais, o trabalho aponta para a urgência de uma responsabilidade social corporativa que vá além do discurso. As empresas devem assumir compromissos concretos com justiça socioambiental, diversidade e reparação histórica, especialmente em países como o Brasil, marcados por desigualdades estruturais.
Como contribuição prática, este estudo oferece uma base crítica para que gestores empresariais, formuladores de políticas e investidores incorporem de forma integrada e estratégica os eixos ESG, energias renováveis e justiça ambiental em seus processos decisórios. A sustentabilidade empresarial não pode ser tratada como uma tendência passageira ou como mero marketing verde, mas como um compromisso sistêmico com o futuro do planeta e das gerações presentes e futuras.
Reconhece-se que, apesar dos avanços, há lacunas significativas na implementação efetiva dessas práticas, sobretudo entre pequenas e médias empresas, que enfrentam barreiras técnicas, financeiras e culturais. Para superá-las, são necessárias políticas públicas eficazes, mecanismos de incentivo, acesso a financiamento verde e uma regulação ambiental mais robusta e justa.
Como sugestão para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos empíricos que avaliem o impacto real da aplicação dos princípios ESG nas empresas brasileiras, assim como investigações sobre o papel das lideranças corporativas na promoção da equidade ambiental. Também seria relevante explorar como tecnologias emergentes como inteligência artificial, blockchain e sustentabilidade digital podem fortalecer práticas empresariais sustentáveis e inclusivas.
Em síntese, promover a sustentabilidade empresarial requer mais do que boas intenções: exige coragem ética, inovação estratégica e um compromisso genuíno com a transformação estrutural dos modelos de negócio. A integração entre meio ambiente, justiça social e governança não é apenas desejável, é imperativa.
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2 Professora Adjunta da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela. Doutora em Administração pelo Centro Universitário FEI/São Paulo. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5645-1674.