REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781400948
RESUMO
A evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos constitui um desafio relevante para a garantia do direito à educação, pois envolve estudantes que, em diferentes momentos da vida, tiveram suas trajetórias escolares interrompidas por fatores sociais, econômicos, familiares, pedagógicos e institucionais. Diante disso, este estudo teve como objetivo geral analisar os principais fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais que contribuem para a evasão escolar na EJA, buscando compreender como esses elementos interferem na permanência dos estudantes no processo educativo. A pesquisa se justifica pela necessidade de refletir sobre as dificuldades enfrentadas por jovens, adultos e idosos que retornam à escola em busca de melhores condições de vida, formação cidadã e inserção social. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, fundamentada na análise de artigos, dissertações, teses e estudos científicos sobre evasão, permanência e práticas pedagógicas na EJA. Conclui-se que a evasão escolar nessa modalidade não pode ser compreendida como responsabilidade individual do aluno, mas como resultado de múltiplas desigualdades e fragilidades que exigem ações pedagógicas e institucionais mais acolhedoras, flexíveis e comprometidas com a permanência escolar.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Evasão escolar; Permanência escolar.
ABSTRACT
School dropout in Youth and Adult Education is a relevant challenge to guaranteeing the right to education, as it involves students whose school trajectories were interrupted at different moments in life due to social, economic, family, pedagogical, and institutional factors. Therefore, this study aimed to analyze the main socioeconomic, pedagogical, and institutional factors that contribute to school dropout in Youth and Adult Education, seeking to understand how these elements interfere with students’ permanence in the educational process. The study is justified by the need to reflect on the difficulties faced by young people, adults, and older students who return to school in search of better living conditions, citizenship education, and social inclusion. Methodologically, this is a bibliographic research with a qualitative approach, based on the analysis of articles, dissertations, theses, and scientific studies on dropout, permanence, and pedagogical practices in Youth and Adult Education. It is concluded that school dropout in this modality cannot be understood as the individual responsibility of the student, but rather as the result of multiple inequalities and weaknesses that require more welcoming, flexible pedagogical and institutional actions committed to school permanence.
Keywords: Youth and Adult Education; School dropout; School permanence.
1. INTRODUÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos, conhecida como EJA, representa uma modalidade de ensino essencial para a garantia do direito à educação de sujeitos que, por diferentes motivos, tiveram suas trajetórias escolares interrompidas. No contexto brasileiro, essa modalidade atende jovens, adultos e idosos que retornam à escola carregando experiências de vida, responsabilidades familiares, vivências de trabalho e, muitas vezes, marcas de exclusão social. A evasão escolar na EJA, portanto, não pode ser compreendida apenas como abandono individual, pois está relacionada a fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais que interferem diretamente na permanência dos estudantes. De acordo com Silva et al. (2025), a evasão na Educação de Jovens e Adultos envolve múltiplas causas, exigindo da escola e das políticas públicas um olhar mais sensível para as condições concretas de vida desses alunos.
Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo geral analisar os principais fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais que contribuem para a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos, buscando compreender como esses elementos interferem na permanência dos estudantes e na continuidade de seus percursos formativos. Como objetivos específicos, pretende-se identificar os fatores socioeconômicos que influenciam a evasão escolar na EJA, considerando aspectos como trabalho, renda, responsabilidades familiares, transporte e condições de vida dos estudantes; compreender de que forma as práticas pedagógicas, a organização curricular e as metodologias de ensino podem favorecer ou dificultar a permanência dos alunos; e investigar os fatores institucionais relacionados à evasão, observando questões como acolhimento, acompanhamento pedagógico, infraestrutura, gestão escolar e políticas de permanência estudantil.
Quanto à metodologia, esta pesquisa foi desenvolvida por meio de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, fundamentada na análise de artigos científicos, dissertações, teses e estudos recentes sobre Educação de Jovens e Adultos, evasão escolar, permanência estudantil, práticas pedagógicas e fatores institucionais.
A justificativa desta pesquisa está relacionada à necessidade de compreender a evasão escolar na EJA como um problema social e educacional que afeta diretamente o direito à aprendizagem e à cidadania. Muitos estudantes retornam à escola buscando concluir os estudos, melhorar suas condições de vida, conquistar novas oportunidades profissionais e fortalecer sua autoestima. No entanto, esses sujeitos encontram obstáculos que podem dificultar sua continuidade, como cansaço após longas jornadas de trabalho, dificuldades econômicas, ausência de apoio familiar, conteúdos pouco contextualizados e fragilidades no acompanhamento escolar. De acordo com Linhares et al. (2025), a permanência dos estudantes da EJA está ligada à motivação, ao acolhimento, ao vínculo com a escola e ao reconhecimento de suas trajetórias. Assim, estudar essa temática contribui para pensar estratégias que favoreçam a permanência e reduzam o abandono escolar.
Nesse sentido, o problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais contribuem para a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos e de que forma esses fatores interferem na permanência dos estudantes no processo educativo?
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
Este capítulo apresenta a fundamentação teórica que sustenta a discussão sobre a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos, considerando os fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais que interferem na permanência dos estudantes.
2.1. A Educação de Jovens e Adultos no Brasil: Trajetória, Sujeitos e Função Social
A Educação de Jovens e Adultos, conhecida como EJA, ocupa um lugar profundamente importante na história educacional brasileira, pois se relaciona diretamente com o direito à escolarização de sujeitos que, por diferentes motivos, não puderam concluir seus estudos na idade considerada regular. De acordo com Nascimento (2022), a trajetória da EJA no Brasil está marcada por avanços, descontinuidades e disputas políticas, revelando que essa modalidade sempre esteve ligada às condições sociais, econômicas e culturais do país. De acordo com Alves (2025), compreender a EJA exige olhar para além da sala de aula, reconhecendo que seus estudantes carregam histórias interrompidas, experiências de trabalho precoce, responsabilidades familiares e marcas de exclusão social. Nesse sentido, a EJA não pode ser vista como uma educação “atrasada” ou “compensatória”, mas como uma política pública necessária para garantir dignidade, cidadania e justiça educacional.
Historicamente, a educação voltada para jovens e adultos esteve associada às tentativas de reduzir o analfabetismo e ampliar o acesso à instrução básica. De acordo com Duarte (2024), a EJA passou por diferentes fases no Brasil, sendo influenciada por contextos políticos, econômicos e sociais que ora fortaleceram, ora fragilizaram sua organização enquanto direito educacional. Essa trajetória demonstra que a modalidade sempre refletiu as desigualdades existentes na sociedade brasileira, principalmente quando se observa que grande parte dos estudantes da EJA pertence às camadas populares. São pessoas que, muitas vezes, precisaram abandonar a escola para trabalhar, cuidar da família ou enfrentar condições de vida marcadas pela vulnerabilidade. Por isso, estudar a EJA é também estudar a realidade de sujeitos que resistem e insistem em reconstruir seus caminhos por meio da educação.
A função social da EJA ultrapassa a simples transmissão de conteúdos escolares, pois envolve processos de valorização humana, inclusão social e reconhecimento de trajetórias. De acordo com Cerqueira e Almeida (2023), a Educação de Jovens e Adultos reafirma sua importância quando deixa de ser compreendida apenas como reparação social e passa a ser vista como um espaço de formação integral, participação cidadã e fortalecimento da autonomia. com Segundo Araújo (2026), a escola precisa reconhecer que o estudante da EJA não chega vazio ao ambiente educativo, pois traz saberes construídos no trabalho, na família, na comunidade e nas experiências cotidianas. Esses conhecimentos precisam dialogar com os conteúdos escolares, tornando o processo de aprendizagem mais significativo e próximo da realidade vivida pelos alunos.
Outro aspecto essencial da EJA é sua relação com a justiça social, especialmente porque essa modalidade atende sujeitos historicamente afastados do direito à educação. De acordo com Freitas et al. (2025), a EJA pode contribuir para a emancipação, a formação crítica e a inserção profissional quando se organiza a partir de práticas pedagógicas comprometidas com a realidade dos estudantes. De acordo com Mota (2025), isso significa que a modalidade não deve apenas oferecer certificação, mas criar condições para que jovens, adultos e idosos ampliem suas possibilidades de participação social. A formação crítica, nesse sentido, torna-se fundamental, pois permite que os estudantes compreendam melhor o mundo em que vivem, questionem desigualdades e fortaleçam sua presença nos espaços sociais, profissionais e políticos.
Os sujeitos da EJA são diversos e possuem histórias muito particulares, o que exige uma escola sensível às diferenças de idade, trabalho, gênero, cultura, território e trajetória escolar. De acordo com Pereira et al. (2025), muitos estudantes da EJA enfrentam estigmas sociais, políticos e culturais que interferem diretamente no acesso, na permanência e no reconhecimento de sua identidade como sujeitos de direito. De acordo com Alves (2025), esse estigma pode aparecer quando a sociedade enxerga o estudante adulto como alguém “fora do tempo” ou quando a própria escola não adapta suas práticas às necessidades desse público. Por isso, a EJA precisa combater preconceitos e construir um ambiente acolhedor, no qual cada estudante se sinta respeitado em sua história e motivado a permanecer.
A motivação para continuar estudando na EJA também se relaciona ao desejo de melhorar as condições de vida, conquistar melhores oportunidades de trabalho e realizar sonhos pessoais interrompidos. De acordo com Linhares et al. (2025), os fatores motivacionais que impulsionam os estudantes da EJA envolvem tanto dimensões individuais quanto coletivas, incluindo autoestima, apoio familiar, reconhecimento social e expectativa de inserção profissional. Muitos alunos retornam à escola não apenas para obter um diploma, mas para recuperar a confiança em si mesmos, acompanhar os estudos dos filhos, buscar autonomia e participar com mais segurança da vida social. Assim, a permanência na EJA depende de uma escola que alimente essa esperança e transforme a aprendizagem em uma experiência de pertencimento.
Portanto, a EJA possui uma função social profundamente ligada à reparação histórica, à inclusão e à formação cidadã. De acordo com Mota (2025), a defasagem escolar na Educação de Jovens e Adultos não deve ser analisada como responsabilidade individual do estudante, mas como consequência de processos institucionais e sociais que fragilizaram seu percurso educativo. Dessa forma, é necessário reconhecer que a EJA representa uma segunda oportunidade, mas também um direito que deveria ter sido garantido desde o início da vida escolar. Ao acolher esses sujeitos, a escola assume o compromisso de reconstruir vínculos, fortalecer aprendizagens e contribuir para que a educação seja, de fato, um caminho de transformação humana e social.
2.2. Evasão Escolar na EJA: Fatores Socioeconômicos e Desafios da Permanência
A evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos é um fenômeno complexo, que não pode ser explicado apenas pela falta de interesse dos estudantes. De acordo com Silva et al. (2025), a evasão na EJA está relacionada a múltiplas causas, entre elas as dificuldades econômicas, a jornada de trabalho, as responsabilidades familiares, a falta de apoio institucional e as práticas pedagógicas pouco conectadas à realidade dos alunos. De acordo com o autor Araújo (2026), muitos estudantes desejam permanecer na escola, mas enfrentam obstáculos concretos que tornam a continuidade dos estudos um grande desafio. Nesse sentido, compreender a evasão exige sensibilidade para perceber que, muitas vezes, o abandono escolar é resultado de uma combinação de fatores sociais e institucionais que ultrapassam a vontade individual.
Entre os fatores socioeconômicos, o trabalho aparece como uma das principais causas de interrupção dos estudos na EJA. De acordo com Alves (2025), os desafios de acesso e permanência dos alunos estão fortemente ligados às condições de vida nos territórios em que vivem, especialmente quando há baixa renda, longas jornadas laborais e dificuldades de deslocamento até a escola. Segundo Nascimento (2022), muitos estudantes chegam cansados à aula após um dia inteiro de trabalho, enfrentam transporte precário ou precisam escolher entre estudar e garantir o sustento da família. Essa realidade torna a permanência escolar mais difícil, principalmente quando a escola não oferece estratégias de acolhimento, flexibilização e acompanhamento adequadas às necessidades desse público.
As responsabilidades familiares também influenciam diretamente a evasão escolar na EJA. De acordo com Louzeiro (2025), em muitos casos, os estudantes da modalidade acumulam papéis sociais que exigem tempo, energia e dedicação, como cuidar dos filhos, dos pais idosos, da casa e das demandas financeiras do cotidiano. Essa sobrecarga afeta principalmente mulheres, que frequentemente precisam conciliar maternidade, trabalho doméstico, emprego e estudo. Quando a escola não reconhece essas condições, o estudante pode sentir que não há espaço para sua realidade dentro do processo educativo. Por isso, discutir a permanência na EJA exige considerar as desigualdades de gênero, classe social e território que atravessam a vida dos alunos.
Outro fator importante é o estigma que ainda marca a trajetória dos estudantes da EJA. De acordo com Pereira et al. (2025), os preconceitos sociais em torno da idade, da defasagem escolar e da condição socioeconômica podem enfraquecer a autoestima dos alunos e dificultar sua permanência no processo educacional. Muitos estudantes carregam sentimentos de vergonha por terem retornado à escola depois de adultos ou por apresentarem dificuldades de leitura, escrita e interpretação. Quando o ambiente escolar reforça comparações, cobranças excessivas ou práticas pouco acolhedoras, esse sentimento pode se intensificar. Assim, a evasão também precisa ser compreendida como resultado de experiências subjetivas de desvalorização e não pertencimento.
A defasagem escolar é outro elemento que contribui para o afastamento dos estudantes da EJA. De acordo com Mota (2025), o abandono institucional produz consequências profundas no processo educativo, pois muitos alunos chegam à modalidade com lacunas acumuladas ao longo de anos de exclusão escolar. Essas dificuldades podem gerar insegurança, medo de errar e sensação de incapacidade diante das atividades propostas. De acordo com Cerqueira et al., quando a escola não oferece acompanhamento pedagógico adequado, os estudantes podem interpretar suas dificuldades como fracasso pessoal, quando, na verdade, elas revelam a ausência histórica de políticas educacionais consistentes. Por isso, a permanência depende de práticas que acolham os diferentes ritmos de aprendizagem e valorizem cada avanço conquistado.
A motivação para permanecer na escola precisa ser continuamente fortalecida, pois o estudante da EJA enfrenta desafios diários que podem levá-lo a desistir. De acordo com Linhares et al. (2025), fatores como vínculo com os professores, reconhecimento dos saberes prévios, apoio da família, expectativa de melhoria profissional e sentimento de pertencimento são fundamentais para a continuidade da trajetória escolar. A permanência, portanto, não depende apenas de matrícula, mas de condições reais para que o estudante se sinta parte do espaço educativo. Quando a escola cria vínculos positivos, escuta os alunos e relaciona os conteúdos à vida concreta, ela contribui para transformar a presença física em participação significativa.
As estratégias de permanência precisam considerar tanto os aspectos pedagógicos quanto os institucionais. De acordo com Figueiredo (2025), os estudos sobre permanência e êxito na EJA indicam que o acompanhamento contínuo, a flexibilização de práticas, a escuta ativa e a construção de políticas de apoio são elementos importantes para reduzir a evasão. Isso significa que a escola não pode esperar o estudante abandonar para depois perceber sua ausência. Freitas et al. (2025), relata que é necessário monitorar a frequência, identificar dificuldades, conversar com os alunos e construir alternativas coletivas. A evasão, quando tratada de forma preventiva, pode ser enfrentada com ações simples, mas profundamente humanas, como acolher, orientar e demonstrar que cada estudante importa.
Portanto, a evasão escolar na EJA deve ser compreendida como um fenômeno social, pedagógico e institucional. De acordo com Araújo (2026), os caminhos para a permanência escolar na Educação de Jovens e Adultos exigem ações integradas, especialmente quando a modalidade está articulada à formação profissional e tecnológica. A escola precisa reconhecer que permanecer estudando, para muitos alunos da EJA, é um ato de resistência diante de uma vida marcada por obstáculos. Por isso, combater a evasão significa construir uma educação mais flexível, acolhedora, contextualizada e comprometida com a realidade dos sujeitos. Mais do que evitar o abandono, trata-se de garantir o direito de continuar, aprender e concluir uma etapa fundamental da vida.
2.3. Práticas Pedagógicas e Fatores Institucionais na Permanência dos Estudantes da EJA
As práticas pedagógicas exercem papel decisivo na permanência dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos, pois a forma como a escola ensina pode aproximar ou afastar o aluno do processo educativo. De acordo com Cerqueira et al., (2023), a função social da EJA se fortalece quando a escola reconhece que seus estudantes possuem experiências, saberes e trajetórias que precisam ser valorizados no cotidiano da aprendizagem. Segundo Nascimento (2022), isso significa que o ensino não deve ser infantilizado nem distante da realidade dos alunos. Pelo contrário, precisa dialogar com suas vivências, seus desafios de trabalho, suas responsabilidades familiares e seus desejos de transformação. Quando o estudante percebe sentido no que aprende, sua relação com a escola tende a se tornar mais forte.
Uma prática pedagógica significativa na EJA precisa considerar o tempo de vida e o tempo de aprendizagem dos estudantes. De acordo com Freitas et al. (2025), a modalidade contribui para a emancipação e para a formação crítica quando promove metodologias capazes de relacionar conhecimento escolar, cidadania e inserção profissional. Mota (2025), relata que isso exige que o professor vá além da exposição tradicional de conteúdos e desenvolva atividades que favoreçam a participação, o diálogo, a problematização e a construção coletiva do conhecimento. O aluno da EJA precisa sentir que sua palavra tem valor, que suas experiências são reconhecidas e que a escola pode ajudá-lo a compreender melhor a realidade em que vive.
O currículo também é um elemento central para a permanência dos estudantes. De acordo com Nascimento (2022), as políticas educacionais voltadas à EJA nem sempre conseguiram garantir continuidade, qualidade e adequação às especificidades da modalidade, o que reforça a necessidade de pensar currículos mais flexíveis e contextualizados. Um currículo rígido, distante da vida adulta e pouco sensível às desigualdades sociais pode contribuir para o desinteresse e a evasão. Por outro lado, quando os conteúdos dialogam com temas como trabalho, direitos, saúde, tecnologia, cultura, território e participação social, a aprendizagem ganha sentido.
A relação entre professor e estudante é outro fator fundamental para a permanência. De acordo com Linhares et al. (2025), a motivação dos alunos da EJA está diretamente relacionada ao acolhimento, ao incentivo e ao reconhecimento recebido no ambiente escolar. Muitos estudantes retornam à escola inseguros, com medo de não conseguir acompanhar as atividades ou de serem julgados por suas dificuldades. Segundo Mota (2025), o professor assume um papel muito importante, pois sua postura pode fortalecer a autoestima do aluno ou reforçar sentimentos de incapacidade. Uma escuta sensível, uma explicação paciente e uma palavra de incentivo podem fazer grande diferença na decisão de permanecer.
Os fatores institucionais também influenciam fortemente a permanência na EJA. De acordo com Silva et al. (2025), a evasão escolar pode ser enfrentada por meio de estratégias que envolvam acompanhamento pedagógico, gestão participativa, acolhimento, busca ativa e políticas de permanência. Isso mostra que a responsabilidade pela continuidade dos estudos não deve recair apenas sobre o estudante ou sobre o professor. A instituição escolar precisa criar mecanismos para identificar ausências frequentes, compreender os motivos das dificuldades e propor alternativas antes que o abandono se concretize. A escola que acompanha de perto seus alunos demonstra cuidado, compromisso e corresponsabilidade com suas trajetórias.
A infraestrutura e a organização escolar também podem favorecer ou dificultar a permanência. De acordo com Alves (2025), os desafios de acesso e permanência na EJA envolvem condições concretas, como transporte, localização da escola, horários de funcionamento, segurança, alimentação e ambiente adequado para o estudo. Nascimento (2022), explique que para jovens e adultos que estudam à noite, esses fatores se tornam ainda mais relevantes, pois muitos chegam cansados do trabalho e precisam encontrar na escola um espaço minimamente acolhedor. Uma sala bem-organizada, uma gestão aberta ao diálogo e uma rotina escolar respeitosa podem contribuir para que o estudante se sinta pertencente. Permanecer na escola também depende de sentir-se bem recebido nela.
A permanência na EJA exige políticas institucionais que não tratem a evasão como algo natural. De acordo com Figueiredo (2025), os fatores de permanência e êxito envolvem ações planejadas, acompanhamento contínuo e práticas integradas entre gestão, docentes e comunidade escolar. Isso significa que a escola precisa transformar a permanência em uma prioridade institucional, e não apenas em uma preocupação individual de alguns professores. Reuniões pedagógicas, análise de frequência, diálogo com os alunos, projetos interdisciplinares e ações de valorização das trajetórias estudantis podem fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola.
No contexto da EJA integrada à Educação Profissional e Tecnológica, a permanência também se relaciona às expectativas de trabalho e melhoria de vida. De acordo com Araújo (2026), os caminhos para a permanência escolar envolvem a articulação entre formação básica, qualificação profissional, apoio pedagógico e reconhecimento das necessidades dos estudantes. Essa perspectiva é importante porque muitos alunos da EJA buscam na escola uma oportunidade de ampliar sua inserção no mundo do trabalho. No entanto, para que isso aconteça, a formação precisa ser significativa, respeitosa e conectada às demandas reais dos sujeitos. Assim, práticas pedagógicas e ações institucionais devem caminhar juntas, fortalecendo o direito de aprender, permanecer e concluir a escolarização com dignidade.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa foi desenvolvida por meio de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, com o objetivo de analisar produções acadêmicas que discutem a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos, considerando fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais. A escolha por esse tipo de pesquisa se justifica porque permite reunir, interpretar e discutir conhecimentos já produzidos sobre o tema, possibilitando uma compreensão mais ampla do problema investigado. De acordo com Gil (2022), a pesquisa bibliográfica é relevante porque utiliza materiais já publicados, como livros, artigos científicos, dissertações e teses, permitindo ao pesquisador conhecer diferentes contribuições teóricas sobre determinado assunto.
Para a seleção dos estudos, foram utilizados descritores relacionados diretamente ao tema da investigação, tais como: evasão escolar na EJA, Educação de Jovens e Adultos, permanência escolar na EJA, fatores socioeconômicos e evasão, práticas pedagógicas na EJA, políticas de permanência e abandono escolar na Educação de Jovens e Adultos. As buscas foram realizadas em plataformas acadêmicas como Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos da CAPES e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, BDTD. Esses espaços foram escolhidos por reunirem publicações científicas relevantes para a área da educação e por possibilitarem o acesso a estudos recentes sobre a temática.
Como critérios de inclusão, foram considerados estudos publicados preferencialmente entre 2022 e 2026, em língua portuguesa, que abordassem diretamente a Educação de Jovens e Adultos, a evasão escolar, os fatores de permanência, os desafios socioeconômicos, as práticas pedagógicas e os aspectos institucionais relacionados à continuidade dos estudantes na escola. Também foram incluídos artigos, dissertações, teses e estudos de revisão que apresentavam relação direta com os objetivos da pesquisa. Como critérios de exclusão, foram descartados estudos que não tratavam especificamente da EJA, publicações repetidas, textos sem autoria identificada, materiais sem vínculo acadêmico e produções que abordavam evasão escolar em outros níveis de ensino sem relação com jovens e adultos.
Após a leitura dos títulos, resumos e palavras-chave, realizou-se uma triagem inicial dos materiais encontrados. Em seguida, os estudos pré-selecionados passaram por leitura mais detalhada, considerando sua relação com os objetivos do trabalho. Ao final, foram selecionados 12 estudos, os mesmos utilizados na construção do referencial teórico, por apresentarem contribuições relevantes sobre a trajetória histórica da EJA, sua função social, os fatores motivacionais, as causas da evasão e as estratégias de permanência escolar.
Tabela 1: Procedimentos metodológicos da pesquisa
Plataforma de busca | Descritores utilizados | Estudos encontrados | Estudos pré-selecionados | Estudos selecionados |
Google Acadêmico | Evasão escolar na EJA; permanência escolar na EJA; Educação de Jovens e Adultos | 68 | 18 | 5 |
SciELO | Educação de Jovens e Adultos; práticas pedagógicas na EJA; evasão escolar | 24 | 6 | 2 |
Portal de Periódicos da CAPES | Fatores socioeconômicos e evasão; políticas de permanência; abandono escolar na EJA | 39 | 9 | 3 |
BDTD | Permanência escolar na EJA; EJA-EPT; desafios de acesso e permanência | 25 | 5 | 2 |
Total | Descritores relacionados à evasão, permanência e práticas pedagógicas na EJA | 156 | 38 | 12 |
Fonte: Elaborada pelos autores, 2026.
Dessa forma, a metodologia adotada possibilitou organizar uma base teórica coerente com o problema de pesquisa, permitindo compreender que a evasão escolar na EJA não pode ser analisada de forma isolada. Ao contrário, trata-se de um fenômeno atravessado por desigualdades sociais, dificuldades econômicas, fragilidades pedagógicas e desafios institucionais. Assim, os estudos selecionados contribuíram para fundamentar a discussão sobre os obstáculos enfrentados pelos estudantes da EJA e sobre as possíveis estratégias de fortalecimento da permanência escolar.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados da pesquisa bibliográfica evidenciaram que a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos é um fenômeno complexo, atravessado por fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais que se articulam entre si. De acordo com Silva et al. (2025), a evasão na EJA não pode ser compreendida apenas como uma decisão individual do estudante, pois envolve condições concretas de vida, trabalho, renda, transporte, família e organização escolar. Nesse mesmo sentido, Alves (2025) demonstra que os desafios de acesso e permanência estão diretamente ligados às realidades sociais dos alunos, especialmente daqueles que vivem em contextos de vulnerabilidade. Assim, a pesquisa revelou que muitos estudantes não abandonam a escola por falta de vontade, mas porque enfrentam jornadas exaustivas, responsabilidades familiares, dificuldades financeiras e ausência de apoio institucional suficiente para permanecer.
A análise dos estudos também mostrou que a trajetória histórica da EJA no Brasil carrega marcas profundas de exclusão educacional. De acordo com Nascimento (2022), essa modalidade foi construída em meio a políticas descontínuas, muitas vezes tratada como ação compensatória, e não como direito permanente. Duarte (2024) reforça que a história da EJA precisa ser compreendida dentro de um contexto político e social mais amplo, marcado por desigualdades que afastaram muitos sujeitos da escola ainda na infância ou juventude. Dessa forma, os resultados indicam que a evasão atual não nasce apenas no presente, mas é consequência de um processo histórico de negação de direitos, no qual jovens, adultos e idosos retornam à escola depois de trajetórias interrompidas por pobreza, trabalho precoce, maternidade, paternidade e exclusão social.
Outro resultado importante refere-se à função social da EJA. De acordo com Cerqueira e Almeida (2023), essa modalidade não deve ser entendida apenas como uma forma de reparar perdas escolares, mas como espaço de formação humana, cidadania e valorização das experiências de vida dos estudantes. Freitas et al. (2025) acrescentam que a EJA pode contribuir para a justiça social quando promove emancipação, formação crítica e inserção profissional. Isso demonstra que a permanência escolar não depende somente da matrícula, mas da capacidade da escola de construir sentido para o estudante. Quando o aluno percebe que o conteúdo dialoga com sua vida, seu trabalho, sua família e seus sonhos, a escola deixa de ser apenas uma obrigação e passa a representar uma possibilidade real de transformação.
Os estudos analisados apontaram ainda que os fatores motivacionais têm grande influência na permanência dos alunos. De acordo com Linhares et al. (2025), muitos estudantes continuam na EJA porque desejam melhorar suas condições de vida, conquistar melhores oportunidades de trabalho, ajudar os filhos nas tarefas escolares, ampliar sua autonomia e recuperar a autoestima. No entanto, Pereira et al. (2025) destacam que o estigma social ainda pesa sobre esses sujeitos, pois muitos são vistos como “atrasados” ou “fora do tempo escolar”. Esse julgamento pode produzir vergonha, insegurança e sentimento de incapacidade. Assim, os resultados evidenciam que o acolhimento escolar, o respeito à trajetória do estudante e o fortalecimento de vínculos afetivos são elementos essenciais para enfrentar a evasão.
Em relação aos aspectos pedagógicos, a pesquisa mostrou que práticas descontextualizadas podem contribuir para o afastamento dos estudantes. De acordo com Mota (2025), a defasagem escolar na EJA é resultado de um abandono institucional histórico, e não de incapacidade dos alunos. Figueiredo (2025) também observa que a permanência e o êxito dependem de acompanhamento contínuo, metodologias adequadas e reconhecimento dos diferentes ritmos de aprendizagem. Isso significa que a escola precisa evitar práticas infantilizadas, conteúdos distantes da realidade adulta e avaliações rígidas que desconsiderem as trajetórias dos estudantes. A EJA exige uma pedagogia sensível, dialógica e contextualizada, capaz de valorizar os saberes de vida e transformá-los em ponto de partida para novas aprendizagens.
No campo institucional, os resultados indicam que a escola tem papel decisivo na prevenção da evasão. De acordo com Louzeiro (2025), a ausência de acompanhamento sistemático, a fragilidade da busca ativa e a pouca escuta dos estudantes podem aumentar os índices de abandono. Araújo (2026) afirma que os caminhos para a permanência passam por ações integradas, especialmente quando a EJA se articula à formação profissional e tecnológica. Dessa maneira, a escola precisa desenvolver estratégias como monitoramento da frequência, acolhimento individual, flexibilização pedagógica, projetos contextualizados, apoio aos estudantes trabalhadores e diálogo permanente com a comunidade. A evasão deve ser tratada como responsabilidade coletiva, envolvendo gestão, professores, estudantes e políticas públicas.
Tabela 2: Estudos selecionados para a pesquisa bibliográfica
Ano | Autor | Título da obra | Conclusão do estudo | Contribuição para a pesquisa |
2022 | Nascimento | Análise da trajetória histórica da educação de jovens e adultos nas políticas educacionais brasileiras | A EJA foi marcada por avanços e descontinuidades nas políticas educacionais brasileiras. | Contribuiu para compreender a trajetória histórica da EJA e sua relação com as políticas públicas. |
2023 | Cerqueira e Almeida | A Educação de Jovens e Adultos: reafirmando sua função social para além das reparações sociais | A EJA possui função social que ultrapassa a reparação escolar, envolvendo cidadania e formação humana. | Fundamentou a discussão sobre o papel social da EJA e sua importância para a inclusão. |
2024 | Duarte | História da educação de jovens e adultos (EJA) no Brasil: panorama histórico, político e social | A história da EJA está relacionada às desigualdades sociais, políticas e econômicas do país. | Ajudou a contextualizar a evasão como resultado de processos históricos de exclusão. |
2025 | Freitas et al. | Educação de Jovens e Adultos e justiça social: caminhos para a emancipação, a formação crítica e a inserção profissional | A EJA pode promover justiça social, emancipação e inserção profissional quando articulada à formação crítica. | Contribuiu para discutir a EJA como espaço de transformação social e profissional. |
2025 | Linhares et al. | Fatores motivacionais que impulsionam os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) a continuarem sua trajetória escolar | A motivação dos estudantes está ligada à autoestima, ao apoio escolar, à família e ao desejo de melhorar de vida. | Auxiliou na compreensão dos fatores que favorecem a permanência escolar. |
2025 | Silva et al. | Evasão na Educação de Jovens e Adultos (EJA): desafios, causas e possíveis estratégias de permanência | A evasão na EJA resulta de fatores sociais, pedagógicos e institucionais, exigindo estratégias de permanência. | Foi central para discutir causas da evasão e possíveis ações de enfrentamento. |
2025 | Alves | Educação de jovens e adultos (EJA): desafios de acesso e permanência de alunos no bairro Tabuleiro, Parnaíba, Piauí | A permanência dos alunos é dificultada por fatores econômicos, territoriais, familiares e escolares. | Contribuiu para analisar as condições concretas que afetam o acesso e a permanência. |
2026 | Araújo | Caminhos para a permanência escolar na Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT) | A permanência exige ações integradas entre formação básica, qualificação profissional e apoio institucional. | Ajudou a pensar estratégias de permanência articuladas à formação profissional. |
2025 | Louzeiro | Evasão escolar: um estudo de caso com alunos da EJA na Escola Municipal João Benicio Magalhães na localidade Riacho Grande em Corrente, PI | A evasão está ligada à ausência de acompanhamento, dificuldades sociais e fragilidades institucionais. | Contribuiu para compreender a evasão a partir de uma realidade escolar específica. |
2025 | Figueiredo | Fatores investigativos de permanência e êxito na educação de jovens e adultos no Brasil: uma revisão sistemática | A permanência depende de acompanhamento pedagógico, acolhimento e práticas planejadas. | Fortaleceu a análise sobre estratégias de permanência e êxito na EJA. |
2025 | Pereira et al. | O estigma na Educação de Jovens e Adultos: análise dos fatores sociais, políticos e culturais e suas implicações no acesso e permanência no processo educacional | O estigma social afeta o acesso, a autoestima e a permanência dos estudantes da EJA. | Contribuiu para discutir preconceito, identidade e pertencimento na EJA. |
2025 | Mota | A defasagem escolar na Educação de Jovens e Adultos (EJA) na educação básica pública: análise do abandono institucional e suas consequências para o processo educativo | A defasagem escolar é consequência do abandono institucional e das desigualdades educacionais. | Ajudou a compreender as lacunas de aprendizagem como resultado de processos históricos e institucionais. |
Elaborada pelos autores, com base nos dados organizados a partir da revisão bibliográfica sobre evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos, 2026.
Portanto, a discussão dos resultados permite afirmar que a evasão escolar na EJA é consequência de múltiplas fragilidades sociais e educacionais. Os estudos analisados mostram que permanecer na escola, para muitos estudantes, é um gesto de resistência diante de uma rotina marcada por cansaço, desigualdade e desafios cotidianos. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia que a escola pode se tornar um espaço de reconstrução quando acolhe, escuta, flexibiliza e reconhece a dignidade dos sujeitos da EJA. Assim, combater a evasão exige políticas de permanência, práticas pedagógicas humanizadas, valorização das histórias de vida e compromisso institucional com o direito à educação ao longo da vida.
5. CONCLUSÃO
A presente pesquisa teve como objetivo analisar os principais fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais que contribuem para a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos, buscando compreender de que forma esses elementos interferem na permanência dos estudantes no processo educativo. A partir da pesquisa bibliográfica realizada, foi possível perceber que a evasão na EJA não pode ser compreendida como uma escolha simples ou isolada do aluno, pois está relacionada a um conjunto de dificuldades que atravessam sua vida cotidiana, como trabalho, baixa renda, responsabilidades familiares, cansaço físico, transporte, defasagem escolar e ausência de políticas efetivas de acolhimento e acompanhamento.
Os resultados evidenciaram que muitos estudantes da EJA carregam trajetórias marcadas por interrupções, desigualdades e negação de direitos. Ao retornarem à escola, esses sujeitos não buscam apenas concluir uma etapa formal de ensino, mas também reconstruir sonhos, ampliar oportunidades profissionais, fortalecer sua autoestima e participar de forma mais ativa da sociedade. Nesse sentido, a escola precisa reconhecer que a permanência desses alunos depende de práticas pedagógicas sensíveis, contextualizadas e respeitosas, capazes de valorizar suas experiências de vida e transformar o espaço escolar em um ambiente de pertencimento, escuta e incentivo.
Também foi possível compreender que os fatores institucionais exercem papel decisivo no enfrentamento da evasão escolar. A ausência de acompanhamento da frequência, a fragilidade da busca ativa, a pouca flexibilidade pedagógica e a falta de políticas de permanência podem contribuir para o afastamento dos estudantes. Por outro lado, quando a escola desenvolve ações de acolhimento, diálogo, apoio pedagógico e valorização das trajetórias dos alunos, ela amplia as possibilidades de continuidade e êxito escolar. Assim, combater a evasão na EJA exige compromisso coletivo entre professores, gestores, comunidade escolar e poder público.
Conclui-se, portanto, que a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos é um problema social e educacional que exige atenção permanente. Garantir a permanência dos estudantes da EJA significa reconhecer suas histórias, suas lutas e seus direitos. Mais do que oferecer uma nova chance de escolarização, a escola precisa criar condições reais para que esses sujeitos permaneçam, aprendam e concluam seus estudos com dignidade. Dessa forma, a EJA reafirma sua função social como espaço de inclusão, cidadania, emancipação e transformação de vidas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Mestrado em Ciências da Educação - Universidade Interamericana - E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Mestrando em Ciências da Educação - World University Ecumenical - E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Mestranda em Ciências da Educação - World University Ecumenical - E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
4 Mestrando em Ciências da Educação e Ética Cristã - Ivy Enber Christian University (ENBER), Flórida, USA - Orcid: https://orcid.org/0009-0001-5185-9056. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.