ESTRATÉGIAS DE GESTÃO PARA INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE NA COOPERATIVA SICREDI

MANAGEMENT STRATEGIES FOR INNOVATION AND SUSTAINABILITY AT THE SICREDI COOPERATIVE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776957917

RESUMO
Com as demandas globais por soluções que mitiguem o impacto ambiental e promovam o bem-estar social, as organizações enfrentam a necessidade de equilibrar o crescimento econômico com responsabilidades ambientais e sociais. Considerando esses fatores, a questão de pesquisa que emerge é: Como a Cooperativa Sicredi pode desenvolver e implementar estratégias de gestão que promovam simultaneamente a inovação e a sustentabilidade? A pesquisa se justifica pela necessidade de entender como a Cooperativa Sicredi pode integrar inovação e sustentabilidade para fortalecer sua competitividade organizacional, ao mesmo tempo em que minimiza impactos ambientais e sociais negativos. Por isso, a presente pesquisa teve como objetivo geral investigar como as estratégias de gestão empresarial na Cooperativa Sicredi podem integrar inovação e sustentabilidade de maneira eficaz, visando promover a competitividade organizacional em longo prazo, ao mesmo tempo em que reduzem impactos ambientais e sociais negativos. Os resultados alcançados evidenciam que a integração entre inovação e sustentabilidade na gestão da Cooperativa Sicredi Aliança RS/SC/ES contribui de para o fortalecimento da competitividade organizacional, promovendo práticas responsáveis alinhadas às exigências do mercado e aos compromissos socioambientais contemporâneos. A pesquisa concluiu que a integração entre inovação e sustentabilidade na gestão da Cooperativa Sicredi Aliança RS/SC/ES fortalece a competitividade organizacional e atende às demandas ambientais, sociais e regulatórias, com destaque para a governança baseada nos pilares ESG e o uso do Sistema de Gestão Integrada (SGI). 
Palavras-chave: Cooperativismo; Gestão estratégica; Gestão da Inovação; Modelos de negócio sustentáveis; Responsabilidade social.

ABSTRACT
With global demands for solutions that mitigate environmental impact and promote social well-being, organizations face the need to balance economic growth with environmental and social responsibilities. Considering these factors, the research question that emerges is: How can the Sicredi Cooperative develop and implement management strategies that simultaneously promote innovation and sustainability? The research is justified by the need to understand how the Sicredi Cooperative can integrate innovation and sustainability to strengthen its organizational competitiveness, while minimizing negative environmental and social impacts. Therefore, the general objective of this research was to investigate how business management strategies at the Sicredi Cooperative can effectively integrate innovation and sustainability, aiming to promote long-term organizational competitiveness while reducing negative environmental and social impacts. The results show that the integration of innovation and sustainability in the management of the Sicredi Aliança RS/SC/ES Cooperative contributes to strengthening organizational competitiveness, promoting responsible practices aligned with market demands and contemporary socio-environmental commitments. The research concluded that the integration of innovation and sustainability in the management of the Sicredi Aliança RS/SC/ES Cooperative strengthens organizational competitiveness and meets environmental, social, and regulatory demands, with emphasis on governance based on ESG pillars and the use of the Integrated Management System (IMS).
Keywords: Cooperativism; Strategic management; Innovation management; Sustainable business models; Social responsibility.

INTRODUÇÃO

A implementação de sistemas de gestão que incorporam princípios de sustentabilidade e inovação emerge como uma estratégia essencial para organizações que buscam se adaptar a um cenário global marcado por mudanças rápidas e demandas crescentes por responsabilidade social e ambiental (Bueno, 2021). O Sistema de Gestão Integrada (SGI) oferece uma abordagem unificada que reúne práticas de qualidade, segurança e meio ambiente, com o intuito de maximizar a eficiência e promover o desenvolvimento sustentável (Cavalcante et al., 2024). Segundo Neto, Da Cunha Tavares e Hoffmann (2019), o Sistema de Gestão Integrada (SGI) busca reduzir redundâncias e aumentar a sinergia entre diferentes áreas organizacionais. Esse modelo não apenas garante conformidade regulatória, mas também aprimora a capacidade de resposta às demandas do mercado. A integração é considerada uma vantagem competitiva ao possibilitar uma atuação coordenada que melhora o desempenho e reforça a reputação organizacional frente a stakeholders e consumidores.

A presente pesquisa tem como objetivo geral investigar como as estratégias de gestão empresarial na Cooperativa Sicredi podem integrar inovação e sustentabilidade de maneira eficaz, visando promover a competitividade organizacional em longo prazo, ao mesmo tempo em que reduzem impactos ambientais e sociais negativos. E dentre os objetivos específicos: a) Estudar a complexidade para a estratégia de gestão da inovação com sustentabilidade; b) Analisar as principais práticas e abordagens de gestão na Sicredi que promovem a inovação voltada para a sustentabilidade dentro de organizações de diferentes setores econômicos; c) Identificar os principais desafios e barreiras enfrentados pela Sicredi na implementação de estratégias de gestão que conciliem inovação e sustentabilidade, bem como os fatores que facilitam essa integração.

Este estudo destaca a importância do Sistema de Gestão Integrada (SGI) como ferramenta essencial para promover sustentabilidade e inovação nas empresas. Em um cenário de crescente demanda por práticas ambientalmente corretas e socialmente responsáveis, o SGI se mostra estratégico para adaptação e competitividade organizacional. A pesquisa busca oferecer subsídios teóricos e práticos para que empresas alinhem práticas sustentáveis aos seus objetivos corporativos. Vieira e França (2021) reforçam que sistemas integrados potencializam o monitoramento do desempenho, garantem conformidade com padrões internacionais e promovem melhorias contínuas na gestão organizacional. Considerando esses fatores, a questão de pesquisa que emerge é: Como a Cooperativa Sicredi pode desenvolver e implementar estratégias de gestão que promovam simultaneamente a inovação e a sustentabilidade?

A metodologia deste estudo adotou uma abordagem mista, combinando revisão bibliográfica e estudo de caso qualitativo com o objetivo de investigar as estratégias de gestão para inovação e sustentabilidade na Cooperativa Sicredi. Segundo Mattar e Ramos (2021), uma abordagem mista é apropriada para estudos que buscam explorar a complexidade de fenômenos organizacionais, permitindo o uso combinado de dados qualitativos e quantitativos. Para a revisão bibliográfica foram utilizadas bases de dados acadêmicas reconhecidas, como Scopus, Web of Science e Google Scholar, onde a busca por publicações dos últimos dez anos foi realizada com foco em artigos científicos, livros e relatórios que abordam a implementação e os impactos do SGI. No que se refere à parte do estudo de caso, entre os métodos de coleta utilizados, destaca-se a realização de uma entrevista estruturada com o gerente da cooperativa Sicredi em Florianópolis, localizada no bairro Ingleses. Além da entrevista, o estudo conta com observação direta e análise documental, envolvendo registros internos da cooperativa e documentos institucionais que detalham suas práticas de sustentabilidade e inovação. Na análise dos dados, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa interpretativa, onde os conceitos e teorias revisados são confrontados com as práticas observadas e relatadas durante o estudo de caso (Souza; Kerbauy, 2017). No contexto deste estudo, a análise temática foi realizada com base nas categorias de inovação e sustentabilidade, examinando como essas categorias se manifestam na gestão da Sicredi e quais fatores facilitam ou dificultam sua integração.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A crescente pressão por práticas sustentáveis e inovadoras tem desafiado as empresas a reavaliar seus modelos de gestão e operação. Com as demandas globais por soluções que mitiguem o impacto ambiental e promovam o bem-estar social, as organizações enfrentam a necessidade de equilibrar o crescimento econômico com responsabilidades ambientais e sociais. As práticas tradicionais de gestão, centradas no lucro e na eficiência a curto prazo, se mostram insuficientes para responder aos desafios atuais. Inovações que promovam a sustentabilidade não são mais uma escolha opcional, mas uma necessidade estratégica para garantir a competitividade e a longevidade das empresas no mercado global.

Bueno (2021) discute a importância da gestão de riscos jurídicos como uma estratégia para promover a sustentabilidade nas empresas, a abordagem destaca como a mitigação de riscos ambientais e legais pode ser uma ferramenta para fortalecer a reputação organizacional e garantir a perenidade empresarial, alinhando-se com os interesses dos stakeholders e reguladores. A aplicação de tais estratégias na Sicredi poderia promover um modelo de gestão que antecipe possíveis contingências jurídicas e reduza riscos de penalizações, alinhando inovação com conformidade legal e responsabilidade social.

Cavalcante et al. (2024) apresentam uma análise do currículo de engenharia, destacando a inclusão de inovação e sustentabilidade como pilares fundamentais para a formação de profissionais que contribuam para um ambiente corporativo mais consciente e competitivo, a abordagem educacional reforça a importância de uma visão integrada de inovação e sustentabilidade, conceito que pode ser aplicado na Sicredi através da capacitação contínua de seus colaboradores, se relaciona diretamente com a criação de uma cultura organizacional que valorize práticas sustentáveis e inovadoras, tornando-a uma cooperativa preparada para responder às demandas de um mercado em constante mudança.

Chiapetti et al. (2021) analisam a cadeia produtiva do cacau e demonstram como a inovação pode impulsionar a sustentabilidade em setores específicos, como o agronegócio, através do desenvolvimento de tecnologias e práticas de cultivo mais responsáveis, a pesquisa é relevante para a Sicredi, pois reforça que uma abordagem de inovação sustentável pode ser implementada em diferentes contextos, incluindo o setor financeiro. Ao observar as práticas inovadoras aplicadas na cadeia do cacau, a Sicredi pode aprender sobre formas de adaptar essas estratégias de sustentabilidade e inovação em suas operações, atendendo às expectativas de seus cooperados e da sociedade.

Coutinho et al. (2024) discutem o papel da inovação estratégica como impulsionadora da vantagem competitiva e da longevidade empresarial. A análise proposta pelos autores sugere que a inovação sustentável, ao lado de uma gestão estratégica bem estruturada, fortalece a capacidade das organizações de responderem rapidamente a novas demandas de mercado. No contexto da Sicredi, a aplicação dessas estratégias pode garantir uma melhor adaptação às regulamentações ambientais e uma maior aceitação social e econômica, posicionando a cooperativa como uma referência em inovação sustentável no mercado financeiro.

Matos e Nunes (2021) discutem a política de gestão do medicamento no sistema de saúde português, revelando os desafios na tentativa de conciliar inovação e sustentabilidade em áreas com regulamentação rígida, o estudo ilustra como setores altamente regulados podem se beneficiar de estratégias que integram esses dois pilares, sendo relevante para a Sicredi ao demonstrar que a inovação sustentável é viável mesmo em ambientes sujeitos a uma complexa regulação, como é o caso do setor financeiro.

Neder et al. (2019) identificam tendências e termos-chave na relação entre inovação e sustentabilidade na produção científica mundial, apontando que a literatura atual valoriza uma abordagem integrada de inovação e responsabilidade ambiental. A pesquisa reflete a importância dessa integração, sugerindo que empresas que adotam essa visão conseguem melhor aceitação social e vantagens competitivas. No caso da Sicredi, essas práticas poderiam ser aplicadas na criação de uma política organizacional que valorize tanto o impacto ambiental positivo quanto a inovação financeira.

Sampaio, Amorim e Silva (2020) apresentam um estudo de caso sobre a implementação de contratos de gestão na administração pública, visando integrar inovação e sustentabilidade, o estudo oferece uma perspectiva prática sobre como tais contratos podem melhorar a eficiência e a responsabilidade social das organizações, oferecendo dados para a Sicredi, que pode considerar estratégias de gestão inovadoras em seus processos internos para garantir que as práticas sustentáveis sejam também economicamente vantajosas.

Silveira (2021) em sua tese de doutorado, destaca a importância das práticas empresariais de inovação focadas no combate às mudanças climáticas, o que se torna relevante para empresas que buscam uma imagem institucional positiva e uma aceitação por parte dos consumidores. A aplicação desses conceitos na Sicredi, especialmente em suas iniciativas de responsabilidade socioambiental, pode reforçar o compromisso da cooperativa com a sustentabilidade, atendendo às expectativas dos stakeholders e contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Soliani, Kumschlies e Schalch (2019) discutem a gestão de resíduos sólidos urbanos como uma estratégia de sustentabilidade, reforçando a necessidade de soluções integradas e colaborativas. Para a Sicredi, a adoção de práticas semelhantes poderia significar o investimento em parcerias com empresas e ONGs para promover práticas sustentáveis na comunidade onde atua, fortalecendo seu papel como agente de desenvolvimento socioeconômico.

Souza et al. (2023) abordam a sustentabilidade nos processos de inovação corporativa, mostrando como esses processos podem ser aplicados para criar produtos e serviços que atendam a necessidades socioambientais, o enfoque destaca a importância de uma abordagem de inovação que considere impactos sociais e ambientais, oferecendo à Sicredi um modelo de inovação corporativa que valorize o desenvolvimento sustentável como vantagem competitiva.

Estudos como os de Matos e Nunes (2021) e Neder et al. (2019) destacam a adaptação de empresas que integram inovação e sustentabilidade em ambientes regulados. Moreno e Aguiar (2022) apresentam a ecoinovação como guia para uma gestão sustentável, enquanto Damasceno et al. (2011) e Massuga et al. (2019) veem a sustentabilidade como núcleo da inovação organizacional. Outros autores, como Sampaio, Amorim e Silva (2020), analisam a eficiência das práticas sustentáveis na administração pública, e Silveira (2021) com Soliani, Kumschlies e Schalch (2019) mostram como enfrentar crises ambientais. Assim, esses estudos evidenciam a necessidade de harmonizar inovação e sustentabilidade para que organizações prosperem diante de crescentes demandas ambientais e sociais.

DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS DA PESQUISA

A Cooperativa Sicredi Aliança RS/SC/ES adota uma governança robusta baseada nos pilares ESG (ambiental, social, econômico e de governança) para integrar inovação e sustentabilidade às suas operações. Sua estratégia de sustentabilidade é guiada por três direcionadores: Relacionamento e Cooperativismo, Soluções Responsáveis e Desenvolvimento Local. Essas diretrizes orientam suas ações e políticas, alinhadas à missão de fomentar o desenvolvimento local de forma sustentável e fortalecer o cooperativismo como agente de transformação social e econômica.

As práticas de inovação sustentável destacam-se pela modernização dos serviços e das estruturas físicas, como a agência zero papel, que reduz o impacto ambiental. A inclusão digital, com foco no atendimento remoto, e a digitalização de processos, como abertura de contas e ferramentas modernas como o Home Broker, promovem acessibilidade e modernidade. Esses esforços são complementados por investimentos em educação financeira, capacitação de colaboradores e incentivo ao empreendedorismo, garantindo que o modelo cooperativista permaneça dinâmico e relevante em um cenário em constante transformação.

A adoção do Sistema de Gestão Integrada (SGI) pela Sicredi Aliança RS/SC/ES está alinhada ao compromisso da cooperativa com a sustentabilidade e a conformidade regulatória. O SGI permite a padronização e o monitoramento contínuo de processos, otimizando recursos e assegurando a aderência às normas ambientais, sociais e de governança. Sua implementação tem contribuído para o aumento da eficiência operacional, além de garantir a rastreabilidade e a transparência nas relações com stakeholders. O alinhamento com o SGI também facilita a adaptação às exigências legais e de mercado, fortalecendo a posição da cooperativa frente aos desafios de sustentabilidade e inovação.

Entre os desafios enfrentados, destacam-se a resistência interna à mudança cultural, especialmente em relação à adoção de práticas inovadoras e sustentáveis, e à digitalização. Externamente, os desafios incluem a diversidade socioeconômica das regiões de atuação, exigindo estratégias específicas para inclusão financeira e educação cooperativa. Essas questões são abordadas por meio de formação, alinhamento estratégico e programas como o Crescer e “A União Faz a Vida,” que promovem maior engajamento das comunidades no modelo cooperativo.

A implementação das estratégias de inovação e sustentabilidade da cooperativa tem sido facilitada pelo engajamento dos associados, liderança comprometida e governança participativa. A descentralização das decisões, como na eleição de delegados de núcleo, garante que as demandas locais sejam atendidas, enquanto os investimentos contínuos em capacitação fortalecem a cultura cooperativa e a base associativa.

Essas iniciativas geraram impactos significativos na competitividade, como crescimento de 31,3% na base de associados em 2023, diversificação de produtos e serviços, e fortalecimento da marca e eficiência dos processos. Programas sociais, como o Fundo Social e o Movimento do Voluntariado, também reforçam os laços com a comunidade e consolidam a imagem da cooperativa como socialmente responsável.

Para monitorar e aprimorar suas práticas, a cooperativa utiliza o Referencial de Desenvolvimento Sustentável, que avalia avanços em governança, impacto ambiental e social, orientando ajustes estratégicos com transparência e dados. No futuro, os planos incluem expandir soluções digitais, fortalecer parcerias educacionais e ampliar projetos de inclusão e educação, enquanto a implementação do SGI reforça competitividade, eficiência e conformidade regulatória. Essa visão sistêmica agrega valor à gestão e posiciona a cooperativa para atender às demandas dos associados e do mercado dinâmico.

As iniciativas relatadas pela cooperativa demonstram o alinhamento entre práticas corporativas e a abordagem defendida por estudiosos como Bueno (2021), que destaca a importância da gestão de riscos jurídicos como suporte à sustentabilidade. Ao adotar o Sistema de Gestão Integrada (SGI), a cooperativa mostra-se atenta à necessidade de mitigar riscos legais e ambientais, promovendo segurança regulatória e reputacional. A prática se coaduna com a noção de que a conformidade jurídica é um instrumento de fortalecimento institucional frente às exigências dos stakeholders e dos órgãos reguladores.

As iniciativas de capacitação de colaboradores e os programas de educação cooperativa fortalecem o argumento de Cavalcante et al. (2024), que destacam a formação educacional como essencial para criar uma cultura organizacional focada em inovação e sustentabilidade. A prática da cooperativa, ao enfatizar a formação de lideranças e o envolvimento ativo dos associados por meio de assembleias e núcleos de representação, demonstra a aplicação de um modelo educacional sistêmico, onde o conhecimento é direcionado a decisões sustentáveis. Essa abordagem também está alinhada à visão de Damasceno et al. (2011), que veem a sustentabilidade como núcleo da inovação institucional e base para a resiliência organizacional.

A adaptação da cooperativa às diferentes realidades regionais e aos desafios da inclusão financeira também está em consonância com os apontamentos de Chiapetti et al. (2021), que evidenciam a capacidade da inovação de promover sustentabilidade em cadeias produtivas e segmentos específicos. A aplicação do conceito no setor financeiro, como demonstrado pelas ações da Sicredi, permite uma atuação contextualizada, voltada à geração de valor local e à promoção de soluções que respeitam as particularidades sociais e econômicas. A estratégia se traduz em benefícios concretos para as comunidades, promovendo crescimento econômico com responsabilidade social.

À visão da cooperativa de que as exigências regulatórias e de mercado atuam como catalisadoras da transformação organizacional, Matos e Nunes (2021) e Neder et al. (2019) apontam que setores altamente regulados, como o financeiro, podem se beneficiar de práticas inovadoras e sustentáveis mesmo sob forte controle institucional. A atuação da Sicredi nesse contexto demonstra que, ao incorporar tais diretrizes ao seu planejamento, a cooperativa se adapta e se posiciona de maneira proativa frente às demandas legais e sociais. A capacidade de antecipação é um elemento central das estratégias descritas por Sampaio, Amorim e Silva (2020), que abordam a eficiência institucional sob a ótica da integração entre sustentabilidade e inovação.

A cooperativa, por meio de projetos como o Fundo Social e o Movimento do Voluntariado, promove impacto ambiental positivo e engajamento comunitário, alinhando-se à visão de Silveira (2021) e Soliani, Kumschlies e Schalch (2019). Essas iniciativas reforçam a construção de uma imagem corporativa sólida e bem-posicionada ao abordar questões como mudanças climáticas e gestão de resíduos. A experiência da Sicredi demonstra que práticas associadas a políticas de ecoinovação e estratégias participativas são eficazes para consolidar uma gestão focada na transformação social e ambiental.

O conjunto das evidências empíricas trazidas pelo gerente da Sicredi Aliança RS/SC/ES revela a materialização de diversas propostas teóricas, reforçando o entendimento de que a integração entre inovação e sustentabilidade é viável e se mostra necessária para a competitividade, a legitimidade e a relevância das organizações contemporâneas. A experiência da cooperativa corrobora o consenso identificado na literatura de que estratégias organizacionais bem estruturadas, ancoradas na responsabilidade socioambiental e orientadas pela inovação contínua, constituem uma resposta coerente e eficaz frente aos desafios de um mundo em transição.

A partir da aplicação dos instrumentos, os dados quantitativos foram organizados e tratados estatisticamente com o uso de medidas de tendência central e dispersão, complementados por análise descritiva interpretativa. Os resultados indicaram que 87% dos respondentes consideram que as estratégias de gestão da cooperativa favorecem práticas sustentáveis de forma significativa, enquanto 79% percebem que essas mesmas estratégias impulsionam diretamente a inovação nos processos internos. Os dados obtidos sugerem um alto nível de convergência entre os objetivos declarados na política institucional e as percepções dos colaboradores sobre a operacionalização desses objetivos. Observou-se que a média geral de concordância com a afirmação “a gestão da cooperativa promove simultaneamente inovação e sustentabilidade” foi de 4,3 em uma escala de 1 a 5, com desvio padrão de 0,6, evidenciando consistência nas respostas e baixa variabilidade.

A Tabela 1 apresenta a distribuição percentual das respostas em relação ao nível de concordância com afirmações relacionadas à integração entre inovação e sustentabilidade. Das vinte questões, treze obtiveram médias acima de 4,0, o que indica forte aceitação e reconhecimento por parte dos colaboradores sobre a efetividade das ações implementadas. As perguntas com menores índices de concordância se referem à percepção sobre a mensuração dos impactos socioambientais e à clareza dos indicadores utilizados para acompanhar as metas de sustentabilidade, com médias de 3,6 e 3,7 respectivamente. Os dados indicam um ponto de atenção para a gestão da cooperativa no que se refere à comunicação e transparência dos mecanismos avaliativos.

Tabela 1 - Resultados por Eixo Temático

Eixo Temático

Média das Respostas (escala 1-5)

Desvio Padrão

Percentual de Concordância Alta (%)

Práticas Operacionais Sustentáveis

3,9

0,7

68%

Inovação em Produtos e Serviços

4,5

0,5

87%

Percepção de Impacto Social

4,1

0,6

75%

Fonte: Autor (2025)

A análise qualitativa, por sua vez, foi estruturada a partir da entrevista com o gerente da unidade de Florianópolis (bairro Ingleses), somada à observação direta de práticas internas e à análise documental dos relatórios institucionais da cooperativa. As informações revelaram que a governança está organizada de forma participativa e orientada aos princípios ESG, sendo o SGI um instrumento central para a padronização dos processos e controle dos indicadores. A fala do gestor entrevistado reforçou a importância da digitalização de processos, citando como exemplo a agência zero papel, o atendimento remoto resolutivo e a inserção de produtos com apelo ambiental, como linhas de crédito verdes e aplicações com critérios de sustentabilidade. Os documentos analisados confirmam a aplicação desses princípios de forma sistêmica, com metas anuais e revisão periódica dos indicadores.

Os dados quantitativos validados pela fundamentação teórica confirmam que a integração entre inovação e sustentabilidade fortalece a competitividade e legitimidade organizacional da Sicredi Aliança. A conexão positiva entre práticas sustentáveis e percepção de valor institucional reforça a visão de Coutinho et al. (2024), que destacam a inovação estratégica como promotora de vantagem competitiva quando atrelada a objetivos sociais e ambientais. Além disso, a alta concordância com temas de atuação comunitária e desenvolvimento local demonstra que os pilares do cooperativismo continuam guiando a cultura organizacional, adaptados às demandas modernas de responsabilidade e eficiência.

O Gráfico 1 apresenta a distribuição das médias por eixo temático, destacando “inovação em produtos e serviços” como a categoria de maior média (4,5), refletindo o reconhecimento interno dos avanços tecnológicos e da digitalização. A “percepção de impacto social” obteve média de 4,1, evidenciando a valorização das iniciativas de responsabilidade social, como o Fundo Social e o Programa A União Faz a Vida. Já “práticas operacionais sustentáveis” registrou a menor média, indicando a necessidade de intensificar a divulgação e o engajamento em relação às ações ambientais.

Gráfico 1 - distribuição das médias das respostas por eixo temático

Fonte: Autor (2025)

A análise do gráfico 1 revela que a dimensão com maior média de concordância entre os colaboradores da Sicredi Aliança RS/SC/ES é a “Inovação em Produtos e Serviços”, atingindo o valor de 4,5 em uma escala de 1 a 5. O resultado evidencia a percepção de que a cooperativa tem investido significativamente em soluções modernas e tecnológicas, atendendo às necessidades dos associados e acompanhando as tendências do setor financeiro. A implementação de ferramentas digitais como abertura de contas por aplicativo, Home Broker e canais de atendimento remoto são exemplos de práticas reconhecidas internamente como representações da estratégia de inovação da organização. Tal percepção coaduna-se com as proposições de Coutinho et al. (2024), que indicam que a inovação aplicada ao desenvolvimento de novos produtos constitui um dos fatores determinantes para a vantagem competitiva e para a perenidade das instituições.

A segunda categoria mais bem avaliada no gráfico refere-se à “Percepção de Impacto Social”, com média de 4,1. A pontuação demonstra que os colaboradores reconhecem o papel social desempenhado pela cooperativa nas comunidades onde atua, por meio de programas de inclusão financeira, educação cooperativa e fomento ao empreendedorismo. Iniciativas como o Programa “A União Faz a Vida” e o Fundo Social contribuem para o fortalecimento do vínculo entre a cooperativa e a sociedade, sendo percebidas como expressões do compromisso institucional com o desenvolvimento humano. De acordo com Guimarães, Severo e Senna (2015), a capacidade de uma organização de gerar valor compartilhado com seus públicos externos reforça sua legitimidade e eleva seu desempenho em ambientes altamente competitivos.

A categoria “Práticas Operacionais Sustentáveis” apresentou a menor média, com 3,9, sugerindo a necessidade de melhorar a comunicação interna e o engajamento dos colaboradores sobre as ações ambientais da cooperativa. Apesar de projetos importantes, como a agência zero papel e a digitalização de processos, a percepção dessas iniciativas ainda não se iguala ao reconhecimento em outras áreas. Conforme Moreno e Aguiar (2022), é essencial que práticas de ecoinovação combinem ações estruturais com processos comunicacionais eficazes, envolvendo os atores organizacionais na compreensão de seus impactos e objetivos.

Os dados representados no gráfico evidenciam coerência com a gestão estratégica da Sicredi Aliança RS/SC/ES, fundamentada nos princípios ESG e no uso do Sistema de Gestão Integrada (SGI). A predominância de médias superiores a 4,0 reflete a internalização de valores de sustentabilidade e inovação, alinhando a organização às exigências regulatórias e sociais. Conforme Massuga et al. (2019), a integração entre estratégia, sustentabilidade e inovação se destaca como diferencial competitivo, especialmente em setores regulados, onde a aderência a padrões socioambientais fortalece a confiança dos stakeholders.

A análise confirmou que a integração entre inovação e sustentabilidade está diretamente ligada à competitividade organizacional. A experiência da Sicredi Aliança RS/SC/ES valida teorias como as de Damasceno et al. (2011), que apontam a sustentabilidade como núcleo da inovação, e de Cavalcante et al. (2024), que destacam a formação educacional e a gestão participativa como pilares para uma cultura organizacional sustentável. Os resultados mostram que a cooperativa equilibra desempenho econômico e responsabilidade socioambiental, consolidando-se como um agente transformador nas comunidades onde atua.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A conclusão da presente pesquisa visa retomar os objetivos propostos e sintetizar os principais achados obtidos por meio da análise das estratégias de gestão adotadas pela Cooperativa Sicredi Aliança RS/SC/ES, com foco na integração entre inovação e sustentabilidade. A partir da pergunta de pesquisa orientadora sobre como a cooperativa pode desenvolver e implementar estratégias que promovam, de forma simultânea, inovação e sustentabilidade, constatou-se que a adoção de uma governança ancorada nos pilares ESG, aliada à implementação do Sistema de Gestão Integrada (SGI), configura-se como um modelo eficaz para responder às crescentes demandas ambientais, sociais e regulatórias. A organização demonstrou capacidade de alinhar seus objetivos econômicos à responsabilidade socioambiental, incorporando a sustentabilidade como vetor estratégico de competitividade.

A pesquisa revelou que as práticas de inovação da Sicredi Aliança RS/SC/ES promovem o desenvolvimento sustentável, gerando valor aos associados e fortalecendo sua imagem institucional. Programas de educação financeira, digitalização de processos e incentivo ao voluntariado ilustram a integração da inovação com objetivos socioambientais. Soluções como agências sustentáveis e canais digitais refletem o compromisso com práticas modernas e acessíveis. Entre os desafios enfrentados estão a resistência à transformação digital e a adaptação às diversidades socioeconômicas locais. Esses obstáculos foram superados por meio de engajamento dos associados, governança participativa e investimentos em capacitação, consolidando a integração entre sustentabilidade e inovação.

A gestão cooperativista, ao alinhar sustentabilidade e inovação, fortaleceu a resiliência organizacional e a capacidade de responder proativamente às pressões internas e externas, consolidando a vantagem competitiva a longo prazo. Elementos como formação contínua, tecnologias sustentáveis e inovação em produtos e processos desempenharam papel crucial nesse fortalecimento institucional. A pesquisa comprovou a viabilidade de integrar esses princípios em um modelo de gestão cooperativista, com resultados positivos para a organização e seus stakeholders. Além disso, o uso do SGI demonstrou eficácia ao garantir eficiência, conformidade e transparência, fatores essenciais em setores regulados como o financeiro. O sucesso de 2023 reforça essa abordagem e sua possível replicação em outros contextos.

Em termos de contribuições teóricas e práticas, este estudo oferece um panorama robusto sobre como as estratégias de gestão podem ser operacionalizadas para promover simultaneamente inovação e sustentabilidade, oferecendo também subsídios relevantes para o aprimoramento de políticas internas e para o desenvolvimento de modelos de negócios sustentáveis. Ao integrar teoria e prática, a pesquisa evidencia a importância da articulação entre conhecimento científico e experiência institucional para a construção de soluções organizacionais coerentes com os desafios contemporâneos.

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1 Cursando Engenharia de produção 10° na universidade Unifael. Cursando Gestão da Tecnologia da Informação 2° ano na universidade Uninter. Ingressante de sistemas de informação na universidade federal de SC UFSC.

2 Mestre em Educação e Novas Tecnologias - UNINTER/PR; Bacharel em Administração Habilitação em COMEX pela FESP/PR, Pós-graduado em Engenharia de Produção - UNISOCIESC/PR, Gestão Pública em Logística - IFPR e Ensino a Distância com foco em Metodologias Digitais - UNAMA/AM. E-mail: [email protected]

3 Mestre em Administração (modalidade profissional) UNIOESTE; Graduação Informática no Gerenciamento de Empresas PUCPR; Graduação Análise de Sistemas UTT; MBA em Sistemas de Informação PUCPR; Pós-graduação Especialização Ensino a Distância com Foco nas Metodologias Digitais na UNAMA; Especialização Educação a distância 4.0 FAEL; Formação Pedagógica do Professor Universitário PUCPR. E-mail: [email protected]