ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE LEITURA: UMA ANÁLISE DA EFETIVIDADE DE ABORDAGENS COGNITIVAS E INTERATIVAS

READING TEACHING-LEARNING STRATEGIES: AN ANALYSIS OF THE EFFECTIVENESS OF COGNITIVE AND INTERACTIVE APPROACHES

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/786672895

RESUMO
A leitura constitui uma competência fundamental para o desenvolvimento acadêmico, social e intelectual dos estudantes, uma vez que envolve processos de compreensão, interpretação, construção de sentidos e participação ativa diante dos diferentes textos. Nesse contexto, as abordagens cognitivas e interativas apresentam importantes possibilidades para o aprimoramento das práticas de ensino-aprendizagem da leitura. Este estudo teve como objetivo geral analisar a efetividade de estratégias de ensino-aprendizagem da leitura fundamentadas em abordagens cognitivas e interativas, considerando suas contribuições para o desenvolvimento da compreensão leitora e da participação ativa dos estudantes no processo de construção de sentidos. A pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender práticas pedagógicas capazes de superar dificuldades de compreensão textual e favorecer a formação de leitores mais autônomos, críticos e participativos. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, mediante levantamento e análise de produções acadêmicas relacionadas às estratégias de leitura, compreensão leitora, processos cognitivos, práticas interativas, ludicidade, multimodalidade e recursos tecnológicos. As buscas foram realizadas em plataformas como Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos CAPES e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, resultando na seleção de 17 estudos para composição do corpus de análise. Os resultados evidenciaram que estratégias cognitivas, como ativação de conhecimentos prévios, inferências, identificação de ideias principais e monitoramento da compreensão, contribuem para o desenvolvimento da autonomia leitora. As estratégias interativas, por sua vez, favorecem diálogo, participação, compartilhamento de interpretações e construção coletiva de significados. Conclui-se que as abordagens cognitivas e interativas apresentam maior potencial quando utilizadas de forma complementar, associadas à mediação docente, à ludicidade, à multimodalidade e ao uso planejado de recursos tecnológicos, contribuindo para práticas de leitura mais significativas e para a formação de leitores críticos e autônomos.
Palavras-chave: compreensão leitora; estratégias de leitura; ensino-aprendizagem.

ABSTRACT
Reading is a fundamental skill for students’ academic, social, and intellectual development, as it involves processes of comprehension, interpretation, meaning-making, and active engagement with different texts. In this context, cognitive and interactive approaches offer important possibilities for improving reading teaching and learning practices. This study aimed to analyze the effectiveness of reading teaching-learning strategies based on cognitive and interactive approaches, considering their contributions to the development of reading comprehension and students’ active participation in the process of meaning construction. The study is justified by the need to understand pedagogical practices capable of overcoming difficulties in textual comprehension and promoting the development of more autonomous, critical, and participatory readers. Methodologically, this was a bibliographic study with a qualitative approach and descriptive nature, based on the survey and analysis of academic publications related to reading strategies, reading comprehension, cognitive processes, interactive practices, playfulness, multimodality, and technological resources. Searches were carried out in platforms such as Google Scholar, SciELO, CAPES Journals Portal, and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations, resulting in the selection of 17 studies for the analytical corpus. The results showed that cognitive strategies, such as activating prior knowledge, making inferences, identifying main ideas, and monitoring comprehension, contribute to the development of reading autonomy. Interactive strategies, in turn, promote dialogue, participation, the sharing of interpretations, and the collective construction of meanings. It is concluded that cognitive and interactive approaches have greater potential when used in a complementary manner and associated with teacher mediation, playfulness, multimodality, and the planned use of technological resources, contributing to more meaningful reading practices and to the development of critical and autonomous readers.
Keywords: reading comprehension; reading strategies; teaching-learning.

1. INTRODUÇÃO

A leitura constitui uma das competências fundamentais para o desenvolvimento acadêmico, intelectual e social dos indivíduos, uma vez que possibilita acesso aos conhecimentos, ampliação do repertório cultural, desenvolvimento do pensamento crítico e participação nas diferentes práticas sociais. No ambiente escolar, sua importância ultrapassa a simples capacidade de decodificar palavras e reconhecer informações explícitas, envolvendo processos de compreensão, interpretação, realização de inferências e construção de sentidos. Nesse contexto, Pereira e Baretta (2023) destacam que a leitura envolve diferentes processos cognitivos e formas de processamento da informação. Mariano (2022) acrescenta que a compreensão leitora depende da articulação de diferentes habilidades cognitivas, tornando necessária a utilização de estratégias pedagógicas capazes de favorecer uma participação mais consciente e autônoma do estudante.

Diante dessa compreensão, as práticas de ensino da leitura precisam considerar que o estudante não deve ocupar apenas a posição de receptor das informações presentes no texto. A aprendizagem torna-se mais significativa quando são criadas condições para que o leitor formule hipóteses, estabeleça relações com conhecimentos anteriores, questione informações, produza interpretações e compartilhe os sentidos construídos. Oliveira (2025) evidencia que as estratégias de leitura podem ser incorporadas a diferentes áreas do conhecimento, favorecendo tanto a compreensão textual quanto a aprendizagem dos conteúdos curriculares. Nogueira et al. (2025) ressaltam, por sua vez, que estratégias interativas e interdisciplinares podem ampliar o desenvolvimento da competência leitora e a participação dos estudantes.

Nesse cenário, destacam-se as abordagens cognitivas e interativas de ensino-aprendizagem da leitura. As abordagens cognitivas direcionam a atenção para processos como memória, atenção, vocabulário, conhecimentos prévios, inferência e monitoramento da compreensão, procurando compreender de que maneira o leitor organiza e interpreta as informações. Já as abordagens interativas consideram que os significados são construídos mediante relações entre leitor, texto, contexto e outros sujeitos envolvidos na situação de aprendizagem. Vasconcelos (2022) destaca a importância de uma compreensão responsiva e ativa diante dos textos, especialmente quando diferentes linguagens são utilizadas. Bicalho et al. (2025) demonstram ainda que a leitura visual pode ampliar as possibilidades de construção do conhecimento, indicando que a formação leitora contemporânea não deve estar limitada exclusivamente aos textos verbais escritos.

A escolha do tema “Estratégias de Ensino-Aprendizagem de Leitura: Uma Análise da Efetividade de Abordagens Cognitivas e Interativas” justifica-se pela necessidade de compreender estratégias capazes de contribuir para o desenvolvimento da compreensão e da autonomia leitora dos estudantes. As dificuldades relacionadas à interpretação textual podem afetar a aprendizagem em diferentes componentes curriculares e limitar a capacidade de análise e participação crítica dos alunos. Ferreira (2024) destaca que atividades lúdicas podem favorecer o prazer e o interesse pela leitura, enquanto Mafra et al. (2025) demonstram que estratégias participativas contribuem para maior envolvimento dos estudantes com as práticas de leitura e escrita. Dessa forma, investigar diferentes possibilidades metodológicas torna-se relevante para compreender como o professor pode promover experiências mais significativas de aprendizagem.

A relevância desta investigação também se relaciona às transformações observadas nas formas contemporâneas de acesso à informação. Textos impressos convivem com vídeos, imagens, histórias em quadrinhos, plataformas digitais e diferentes produções multimodais, ampliando as competências necessárias ao leitor. Brandt e Nunes (2025) ressaltam que as condições de aprendizagem mediadas por recursos digitais apresentam particularidades que precisam ser consideradas no desenvolvimento da compreensão leitora. Lima e Nunes (s.d.) destacam que a multimodalidade e os multiletramentos permitem aproximar diferentes práticas culturais do cotidiano escolar, fortalecendo possibilidades de incentivo à leitura.

Considerando essas questões, a pesquisa foi orientada pelo seguinte problema: de que maneira as estratégias de ensino-aprendizagem fundamentadas em abordagens cognitivas e interativas contribuem para o desenvolvimento da compreensão leitora e para a efetividade do processo de aprendizagem da leitura dos estudantes? A formulação dessa questão possibilita analisar as contribuições das duas perspectivas, identificando seus aspectos específicos e suas possibilidades de articulação no contexto educacional.

O objetivo geral da pesquisa consiste em analisar a efetividade de estratégias de ensino-aprendizagem da leitura fundamentadas em abordagens cognitivas e interativas, considerando suas contribuições para o desenvolvimento da compreensão leitora e da participação ativa dos estudantes no processo de construção de sentidos. Para alcançar esse propósito, estabeleceram-se como objetivos específicos: identificar as principais estratégias de ensino da leitura baseadas em abordagens cognitivas e interativas utilizadas no contexto educacional; compreender de que maneira essas estratégias contribuem para o desenvolvimento da compreensão, interpretação e autonomia leitora dos estudantes; e comparar as contribuições das abordagens cognitivas e interativas, destacando suas potencialidades e limitações no processo de ensino-aprendizagem da leitura.

Quanto aos procedimentos metodológicos, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo. A investigação foi desenvolvida mediante levantamento, seleção e análise de produções acadêmicas relacionadas às estratégias de leitura, compreensão leitora, abordagens cognitivas e interativas, multimodalidade, ludicidade e utilização de diferentes recursos pedagógicos. Conforme Gil (2022), a pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador analisar conhecimentos já produzidos e publicados sobre determinado problema, possibilitando construir uma compreensão fundamentada do objeto investigado.

2. REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura apresenta os principais fundamentos teóricos que sustentam a discussão sobre as estratégias de ensino-aprendizagem da leitura, com ênfase nas abordagens cognitivas e interativas. Nesta seção, são discutidos conceitos relacionados à compreensão leitora, aos processos cognitivos envolvidos na leitura e às práticas pedagógicas que favorecem a interação, a participação e a construção de sentidos. A análise dessas contribuições possibilita compreender como diferentes estratégias podem contribuir para o desenvolvimento da autonomia, da interpretação e da competência leitora dos estudantes, além de oferecer subsídios para a discussão dos resultados encontrados na pesquisa bibliográfica.

2.1. Leitura e Compreensão Textual no Processo de Ensino-Aprendizagem

A leitura constitui uma habilidade fundamental para a formação acadêmica, social e cultural dos estudantes, pois possibilita o acesso aos conhecimentos produzidos em diferentes áreas e contribui para o desenvolvimento da autonomia e do pensamento crítico. Pereira e Baretta (2023) destacam que compreender um texto envolve processos que ultrapassam a simples identificação de palavras, exigindo mobilização de conhecimentos prévios, realização de inferências e organização das informações. Mariano (2022) acrescenta que a compreensão leitora depende da atuação articulada de diferentes habilidades cognitivas, demonstrando que a leitura deve ser compreendida como uma atividade complexa de construção de significados.

No contexto escolar, ensinar a ler não significa apenas desenvolver a capacidade de decodificação, mas favorecer condições para que os estudantes interpretem, questionem e estabeleçam relações entre as informações presentes nos textos e suas experiências. Oliveira (2025) evidencia que estratégias de leitura utilizadas de maneira sistemática podem contribuir tanto para a compreensão textual quanto para a aprendizagem dos conteúdos específicos das disciplinas. Ribas et al. (2025) ressaltam ainda que o contato com narrativas significativas pode ampliar o interesse dos estudantes e fortalecer a relação entre leitura, imaginação, aprendizagem e desenvolvimento social.

A leitura também pode ocorrer por intermédio de diferentes linguagens, o que amplia as possibilidades pedagógicas disponíveis no ambiente escolar. Bicalho et al. (2025), ao discutirem a utilização da leitura visual no ensino-aprendizagem de História, evidenciam que imagens, representações iconográficas e outros recursos visuais podem ser utilizados como fontes de construção do conhecimento. Vasconcelos (2022) ressalta que os textos multimodais também favorecem uma compreensão responsiva e ativa, uma vez que exigem do estudante a articulação entre elementos verbais, visuais e contextuais para produzir significados.

A ampliação das formas de leitura torna-se especialmente importante diante da diversidade de textos que circulam na sociedade contemporânea, marcada pela presença constante de imagens, vídeos, gráficos, símbolos e recursos digitais. Brandt e Nunes (2025) destacam que as mudanças nos ambientes e nos suportes de aprendizagem interferem diretamente nas formas pelas quais os estudantes acessam e compreendem as informações. Lima e Nunes (s.d.) também evidenciam a importância da multimodalidade e dos multiletramentos, mostrando que materiais como mangás podem ser explorados pedagogicamente para incentivar a leitura e aproximar as práticas escolares das experiências culturais dos alunos.

O desenvolvimento da compreensão leitora também está relacionado à maneira como os estudantes percebem e vivenciam as atividades de leitura propostas pela escola. Ferreira (2024) destaca que atividades lúdicas podem estimular o prazer pela leitura, favorecendo uma relação mais positiva entre o estudante e os textos. Mafra et al. (2025) complementam essa perspectiva ao defenderem estratégias lúdicas e participativas, como jogos, contação de histórias e atividades de criação, capazes de ampliar o envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem da leitura e da escrita.

A seleção de textos e estratégias adequadas às características dos estudantes também exerce influência sobre sua participação nas atividades. Ribas et al. (2025) apontam que histórias fantásticas podem favorecer o desenvolvimento da leitura ao despertar curiosidade, imaginação e envolvimento emocional, especialmente entre estudantes do Ensino Fundamental. Ferreira (2024) destaca que a utilização de narrativas, dramatizações e outros recursos diversificados pode transformar a leitura em uma experiência mais prazerosa, contribuindo para a formação progressiva do hábito de ler.

A compreensão textual não deve ser considerada responsabilidade exclusiva das aulas de Língua Portuguesa, pois a leitura está presente em todas as áreas do conhecimento. Oliveira (2025), ao discutir estratégias de leitura aplicadas ao ensino de História, demonstra que a compreensão textual pode contribuir para a análise, interpretação e problematização dos conteúdos curriculares. Bicalho et al. (2025) reforçam essa compreensão ao evidenciar que a leitura de fontes visuais também pode ser utilizada para desenvolver habilidades interpretativas, permitindo que o estudante participe mais ativamente do processo de construção do conhecimento.

Outro aspecto relevante refere-se à necessidade de reconhecer as diferentes características e necessidades dos estudantes durante o desenvolvimento das práticas leitoras. Vasconcelos (2022) destaca que a utilização de textos multimodais pode ampliar as oportunidades de compreensão e participação de alunos com deficiência intelectual, desde que exista mediação pedagógica adequada. Moraes (2026) também demonstra que as estratégias de leitura precisam ser planejadas considerando a etapa de desenvolvimento dos estudantes, principalmente na Educação Infantil, quando a formação do leitor ocorre por meio de experiências como contação de histórias, leitura compartilhada e interpretação de imagens.

Dessa forma, a formação de leitores competentes exige práticas pedagógicas diversificadas que articulem compreensão, participação, contextualização e diferentes linguagens. Pereira e Baretta (2023) ressaltam que os processos envolvidos na leitura precisam ser estimulados sistematicamente para que o estudante desenvolva maior autonomia diante do texto. Mariano (2022) complementa que conhecer os mecanismos envolvidos na compreensão leitora permite elaborar intervenções pedagógicas mais adequadas, capazes de auxiliar os estudantes a superar dificuldades e desenvolver estratégias próprias de interpretação.

2.2. Abordagens Cognitivas Aplicadas Ao Ensino da Leitura

As abordagens cognitivas possibilitam compreender os processos mentais mobilizados pelo leitor durante a construção de significados e apresentam importantes contribuições para o desenvolvimento de estratégias de ensino. Mariano (2022) afirma que a compreensão leitora envolve diferentes habilidades cognitivas que atuam de maneira integrada, incluindo reconhecimento de palavras, acesso ao vocabulário, memória e realização de inferências. Pereira e Baretta (2023) ressaltam que o processamento da leitura ocorre mediante a articulação entre informações apresentadas pelo texto e conhecimentos anteriormente construídos pelo leitor.

A leitura exige participação ativa do estudante, pois compreender não significa simplesmente receber informações de maneira passiva. Pereira e Baretta (2023) destacam que o leitor formula hipóteses, antecipa sentidos e utiliza seus conhecimentos prévios ao longo do processo de interpretação. Mariano (2022) acrescenta que a compreensão depende da capacidade de integrar diferentes informações e monitorar continuamente o sentido construído durante a leitura, o que demonstra a necessidade de desenvolver estratégias cognitivas de maneira consciente.

Entre essas estratégias, destacam-se a antecipação do conteúdo, a identificação das ideias principais, a elaboração de inferências, a realização de sínteses e a retomada de trechos quando surgem dificuldades de compreensão. Borsatti (2022) evidencia que elementos como vocabulário, acesso lexical e processamento das informações apresentam influência direta sobre a compreensão de textos, especialmente em situações de leitura acadêmica. Brandt e Nunes (2025) destacam igualmente que os estudantes precisam desenvolver estratégias capazes de organizar e selecionar informações, sobretudo quando a aprendizagem ocorre em ambientes digitais ou mediante videoaulas.

O conhecimento prévio assume função importante dentro das abordagens cognitivas, pois auxilia o leitor a estabelecer relações entre aquilo que já conhece e as novas informações presentes no texto. Pereira e Baretta (2023) afirmam que a compreensão resulta da interação entre diferentes tipos de processamento, sendo necessário relacionar os elementos linguísticos aos conhecimentos armazenados na memória. Borsatti (2022) demonstra que a aquisição lexical também favorece esse processo, uma vez que a ampliação do repertório vocabular facilita o acesso aos significados e contribui para uma leitura mais fluida.

As tecnologias digitais também podem ser utilizadas como suporte aos processos cognitivos relacionados à leitura, desde que estejam inseridas em propostas pedagógicas planejadas. Borsatti (2022), ao estudar o papel da tradução automática na leitura acadêmica em língua inglesa, demonstra que recursos tecnológicos podem auxiliar na aquisição lexical e na compreensão dos textos. Brandt e Nunes (2025) observam que ambientes digitais e videoaulas modificam as condições de acesso à informação, exigindo que os estudantes desenvolvam estratégias específicas de atenção, seleção e interpretação dos conteúdos.

Outras metodologias podem igualmente contribuir para estimular processos como atenção, memória, resolução de problemas e tomada de decisão. Reinaldi et al. (2024) demonstram que a utilização de elementos de jogos pode favorecer maior envolvimento dos estudantes com as atividades de aprendizagem quando há objetivos pedagógicos claramente estabelecidos. Silveira (2023) também aponta que a gamificação pode ser utilizada como ferramenta auxiliadora no processo educativo, especialmente ao criar situações de desafio e participação capazes de estimular o interesse e a atenção dos alunos.

No ensino da leitura, recursos de gamificação podem ser empregados na elaboração de desafios interpretativos, perguntas progressivas e atividades de identificação de informações. Reinaldi et al. (2024) ressaltam que os elementos dos jogos precisam ser utilizados como apoio à aprendizagem, e não simplesmente como mecanismos de recompensa ou competição. Ferreira (2024) reforça que atividades lúdicas podem promover maior prazer e interesse pela leitura, demonstrando que ludicidade e desenvolvimento cognitivo podem ser articulados em práticas pedagógicas significativas.

A utilização de metodologias contextualizadas também pode contribuir para o desenvolvimento de aprendizagens mais consistentes. Silva (2025), ao analisar metodologias para o ensino de Eletrodinâmica utilizando sucata eletrônica, evidencia a importância de aproximar os conteúdos de situações concretas capazes de mobilizar a participação dos estudantes. Silveira (2023) complementa que estratégias diferenciadas e interativas podem contribuir para superar limitações de práticas exclusivamente expositivas, estimulando maior participação e envolvimento dos alunos durante a aprendizagem.

O desenvolvimento da autonomia constitui ainda uma dimensão importante das estratégias cognitivas aplicadas à leitura. Mariano (2022) destaca que o estudante precisa aprender a identificar suas próprias dificuldades de compreensão e utilizar mecanismos capazes de solucioná-las. Pereira e Baretta (2023) ressaltam que o monitoramento da leitura permite retornar ao texto, reconsiderar interpretações, identificar pistas linguísticas e verificar a coerência dos sentidos construídos, favorecendo progressivamente a formação de leitores mais independentes.

Assim, as abordagens cognitivas permitem compreender que ensinar leitura também significa ensinar o estudante a refletir sobre os procedimentos utilizados para compreender um texto. Brandt e Nunes (2025) defendem que as diferentes condições de ensino precisam considerar as capacidades necessárias para selecionar, organizar e interpretar informações. Borsatti (2022) evidencia que recursos de apoio podem contribuir para a leitura, mas precisam ser utilizados de maneira que favoreçam o desenvolvimento da autonomia e não substituam os processos cognitivos que o próprio estudante deve construir ao longo da aprendizagem.

2.3. Abordagens Interativas e Estratégias Pedagógicas para o Desenvolvimento da Leitura

As abordagens interativas compreendem a leitura como um processo dinâmico de construção de significados, no qual o leitor estabelece relações com o texto, com seus conhecimentos prévios e com o contexto social em que a leitura ocorre. Nogueira et al. (2025) destacam que estratégias interativas e interdisciplinares podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da competência leitora, especialmente quando favorecem participação e interpretação. Oliveira (2025) acrescenta que práticas de leitura que estimulam investigação e problematização permitem que os estudantes assumam uma posição mais ativa diante dos textos.

A interação pode ocorrer entre estudante e texto, entre os próprios estudantes e entre alunos e professores, ampliando as oportunidades de construção coletiva de significados. Oliveira (2025) demonstra que a utilização de estratégias de leitura no ensino de História pode favorecer situações de diálogo, análise e questionamento das informações presentes nas fontes. Nogueira et al. (2025) reforçam que práticas interativas possibilitam desenvolver não apenas a compreensão textual, mas também habilidades relacionadas à comunicação, argumentação e participação dos estudantes.

O professor desempenha papel essencial na organização dessas experiências, atuando como mediador entre o estudante e os diferentes materiais de leitura. Moraes (2026) evidencia que, desde a Educação Infantil, práticas como leitura compartilhada, contação de histórias e exploração de imagens são importantes para a formação dos futuros leitores. Mafra et al. (2025) acrescentam que atividades lúdicas e participativas oferecem às crianças oportunidades de interagir, formular hipóteses e desenvolver progressivamente habilidades relacionadas à leitura e à escrita.

As situações de leitura compartilhada podem favorecer a expressão de diferentes interpretações, permitindo aos estudantes perceber que a compreensão textual também é construída mediante diálogo e troca de experiências. Vasconcelos (2022) destaca a importância da compreensão responsiva ativa, segundo a qual o leitor participa da construção de sentidos ao reagir, interpretar e relacionar as informações com seu próprio repertório. Bicalho et al. (2025) demonstram que essa participação também pode ocorrer diante de imagens e documentos visuais, ampliando as possibilidades de interpretação dentro das práticas escolares.

O caráter lúdico representa outra possibilidade relevante para o desenvolvimento de estratégias interativas. Ferreira (2024) destaca que atividades lúdicas podem favorecer o prazer pela leitura e aproximar os estudantes dos diferentes gêneros textuais. Mafra et al. (2025) defendem igualmente o uso de jogos, contação de histórias e outras estratégias participativas como recursos capazes de estimular o envolvimento das crianças e proporcionar experiências mais significativas com a leitura e a escrita.

As narrativas também favorecem interação, imaginação e identificação do estudante com diferentes situações sociais e culturais. Ribas et al. (2025) ressaltam que histórias fantásticas podem exercer impacto significativo no ensino da leitura no Ensino Fundamental, ampliando o interesse e a participação dos alunos. Ferreira (2024) destaca que atividades baseadas em histórias, dramatizações e outras experiências lúdicas contribuem para desenvolver uma relação mais prazerosa com os textos, elemento importante para a consolidação do hábito leitor.

A presença de diferentes gêneros e linguagens no cotidiano dos estudantes também pode ser aproveitada para desenvolver práticas interativas de leitura. Lima e Nunes (s.d.) apresentam os clubes de mangás como estratégia pedagógica relacionada aos multiletramentos e à multimodalidade, mostrando que materiais vinculados à cultura juvenil podem estimular o interesse dos alunos. Bicalho et al. (2025) demonstram que a leitura visual igualmente permite explorar outras formas de produção de sentidos, valorizando recursos que ultrapassam a centralidade exclusiva do texto escrito.

Os textos multimodais também podem contribuir para ampliar as oportunidades de inclusão nas práticas de leitura. Vasconcelos (2022) evidencia que a combinação de diferentes linguagens pode favorecer a compreensão e a participação de alunos com deficiência intelectual quando acompanhada de mediação pedagógica apropriada. Lima e Nunes (s.d.) ressaltam que a multimodalidade exige novas formas de leitura, pois o estudante precisa articular elementos verbais, imagens, símbolos e outros recursos presentes no texto para construir significados.

Além disso, metodologias participativas podem aproximar a leitura de experiências concretas de aprendizagem. Reinaldi et al. (2024) destacam que elementos de jogos podem favorecer envolvimento, interação e participação quando utilizados de forma articulada aos objetivos educacionais. Silveira (2023) também demonstra que a gamificação pode funcionar como estratégia de apoio ao ensino, especialmente em situações nas quais se busca ampliar a motivação e proporcionar maior participação dos estudantes durante as atividades.

Dessa maneira, as abordagens interativas e cognitivas podem ser utilizadas de forma complementar no desenvolvimento da competência leitora. Pereira e Baretta (2023) demonstram que a compreensão depende de processos cognitivos responsáveis pelo tratamento e pela integração das informações presentes no texto. Nogueira et al. (2025) evidenciam, por outro lado, que a interação e a interdisciplinaridade ampliam as possibilidades de participação e construção de sentidos. A articulação dessas perspectivas permite desenvolver práticas de ensino nas quais o estudante mobilize suas habilidades cognitivas, dialogue com outros leitores e participe ativamente da construção de significados.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, desenvolvida a partir da análise de estudos relacionados às estratégias de ensino-aprendizagem da leitura, com ênfase nas abordagens cognitivas e interativas. A pesquisa bibliográfica possibilita reunir, analisar e relacionar conhecimentos já produzidos sobre determinado objeto de investigação, permitindo identificar diferentes perspectivas e contribuições existentes na literatura. Conforme Gil (2022), a pesquisa bibliográfica é elaborada com base em materiais já publicados e possibilita ao pesquisador estabelecer contato com diferentes produções científicas relacionadas ao problema investigado.

Para a identificação dos estudos, foram realizadas buscas nas plataformas Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos CAPES e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Foram utilizados, isoladamente e de maneira combinada, os seguintes descritores: “estratégias de leitura”, “compreensão leitora”, “ensino-aprendizagem da leitura”, “abordagem cognitiva da leitura”, “estratégias interativas de leitura”, “multimodalidade e leitura”, “ludicidade e leitura” e “competência leitora”. As combinações foram realizadas com o objetivo de ampliar a localização de produções relacionadas diretamente ao problema e aos objetivos da pesquisa.

Como critérios de inclusão, foram considerados estudos publicados prioritariamente entre 2022 e 2026, disponíveis integralmente, escritos em língua portuguesa e que apresentassem relação com ensino da leitura, compreensão textual, processos cognitivos, estratégias interativas, multimodalidade, ludicidade ou metodologias aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem. Também foram consideradas dissertações e outras produções acadêmicas pertinentes ao objeto de estudo. Foram excluídos trabalhos duplicados, publicações sem acesso ao texto completo, estudos sem relação direta com os objetivos propostos e materiais que, após a leitura do título, resumo ou texto integral, não apresentassem contribuições para a discussão desenvolvida.

Inicialmente, foram identificadas 76 produções nas diferentes plataformas consultadas. Após a leitura dos títulos e resumos e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, parte dos materiais foi eliminada por duplicidade ou inadequação temática. Posteriormente, os trabalhos considerados potencialmente relevantes foram submetidos à leitura mais detalhada, resultando em um corpus final de 17 estudos, utilizados para fundamentar a análise das estratégias cognitivas e interativas relacionadas ao desenvolvimento da leitura.

Tabela 1. Distribuição dos estudos identificados e selecionados no levantamento bibliográfico

Plataforma de busca

Principais descritores utilizados

Estudos encontrados

Estudos selecionados

Google Acadêmico

“estratégias de leitura”; “ensino-aprendizagem da leitura”; “ludicidade e leitura”; “competência leitora”

32

7

SciELO

“compreensão leitora”; “estratégias de leitura”; “abordagem cognitiva da leitura”

16

4

Portal de Periódicos CAPES

“estratégias interativas de leitura”; “compreensão leitora”; “multimodalidade e leitura”

17

3

BDTD

“compreensão leitora”; “abordagem cognitiva da leitura”; “estratégias de leitura”

11

3

Total

76

17

Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados da pesquisa (2026).

A seleção final contemplou estudos que abordaram compreensão leitora e processamento cognitivo, estratégias de leitura, leitura visual e multimodal, ludicidade, gamificação, práticas interativas e interdisciplinares e metodologias voltadas ao desenvolvimento da competência leitora. Após a definição dos 17 estudos, realizou-se a leitura e a organização temática das produções, buscando identificar convergências e contribuições relacionadas às abordagens cognitivas e interativas. Os resultados foram posteriormente agrupados de acordo com os eixos discutidos no referencial teórico, possibilitando relacionar os achados da literatura aos objetivos estabelecidos nesta pesquisa.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise dos 17 estudos selecionados permitiu identificar que as estratégias de ensino-aprendizagem da leitura apresentam resultados mais significativos quando associam o desenvolvimento das habilidades cognitivas à participação ativa do estudante. Os trabalhos analisados demonstraram que a compreensão leitora não depende somente da capacidade de reconhecer palavras e informações explícitas, mas envolve conhecimentos prévios, inferências, atenção, memória, interpretação, interação e monitoramento da própria compreensão. Pereira e Baretta (2023) ressaltam que o processo de leitura exige a articulação de diferentes formas de processamento da informação. Mariano (2022) também demonstra que a compreensão leitora resulta da integração de diferentes habilidades cognitivas, reforçando a necessidade de práticas pedagógicas que contemplem esses processos de maneira sistemática.

Entre os principais resultados identificados encontra-se a importância das estratégias cognitivas para o desenvolvimento da autonomia do leitor. Os estudos indicaram que ações como antecipar informações, formular hipóteses, identificar ideias principais, realizar inferências, retomar partes do texto e elaborar sínteses auxiliam o estudante a compreender aquilo que lê. Borsatti (2022) evidencia que o vocabulário e o acesso lexical interferem diretamente na compreensão, sobretudo diante de textos mais complexos. Pereira e Baretta (2023) acrescentam que o leitor precisa mobilizar tanto as informações apresentadas pelo texto quanto os conhecimentos armazenados anteriormente, demonstrando que a compreensão constitui um processo ativo de construção de significados.

Tabela 2. Síntese dos principais resultados identificados nos estudos analisados

Eixo identificado

Principais resultados encontrados

Estudos relacionados

Processos cognitivos

Conhecimentos prévios, inferências, vocabulário, atenção e monitoramento favorecem a compreensão leitora.

Mariano (2022); Pereira e Baretta (2023); Borsatti (2022)

Estratégias interativas

Leitura compartilhada, diálogo e discussão ampliam a interpretação e a participação dos estudantes.

Oliveira (2025); Nogueira et al. (2025); Moraes (2026)

Ludicidade

Jogos, narrativas e atividades participativas aumentam interesse, motivação e envolvimento com a leitura.

Ferreira (2024); Mafra et al. (2025); Ribas et al. (2025)

Multimodalidade

Imagens, mangás, vídeos e outros recursos ampliam as possibilidades de construção de significados.

Bicalho et al. (2025); Vasconcelos (2022); Lima e Nunes (s.d.)

Recursos digitais e gamificação

Tecnologias e elementos de jogos podem estimular participação, atenção e interação quando associados a objetivos pedagógicos.

Reinaldi et al. (2024); Silveira (2023); Brandt e Nunes (2025)

Mediação pedagógica

A atuação intencional do professor influencia a seleção, aplicação e efetividade das estratégias de leitura.

Moraes (2026); Oliveira (2025); Nogueira et al. (2025)

Fonte: Elaborada pela autora com base nos estudos selecionados (2026).

Outro resultado relevante refere-se à contribuição das estratégias interativas. Os estudos demonstraram que situações nas quais os estudantes discutem textos, apresentam interpretações, formulam perguntas e compartilham conhecimentos podem ampliar o desenvolvimento da competência leitora. Nogueira et al. (2025) apontam que estratégias interativas e interdisciplinares contribuem para o desenvolvimento da leitura nos anos finais do Ensino Fundamental, principalmente ao favorecerem maior participação dos estudantes. Oliveira (2025) confirma essa perspectiva ao mostrar que as estratégias de leitura podem ser incorporadas às diferentes áreas do conhecimento, permitindo que o texto seja utilizado como instrumento de investigação, reflexão e construção de conhecimentos.

Os resultados também revelaram a importância da ludicidade como estratégia de aproximação entre o estudante e a leitura. Ferreira (2024) destaca que atividades lúdicas podem despertar prazer e interesse pelos textos, contribuindo para o desenvolvimento do hábito leitor. Mafra et al. (2025) identificam que jogos, contação de histórias e atividades participativas favorecem o desenvolvimento da leitura e da escrita, principalmente na Educação Infantil. Esses resultados demonstram que a ludicidade não deve ser compreendida apenas como entretenimento, mas como possibilidade pedagógica que, quando orientada por objetivos definidos, pode favorecer envolvimento, interação e aprendizagem.

As narrativas também apareceram como recursos importantes entre os estudos selecionados. Ribas et al. (2025) demonstram que histórias fantásticas podem despertar imaginação, curiosidade e interesse entre estudantes do Ensino Fundamental, contribuindo para o desenvolvimento da leitura. Ferreira (2024) igualmente evidencia que atividades envolvendo histórias e dramatizações podem promover uma experiência leitora mais prazerosa. Esses achados indicam que a seleção adequada dos textos influencia a participação dos estudantes, sendo necessário considerar idade, interesses, conhecimentos prévios e contexto sociocultural durante o planejamento das atividades.

A multimodalidade constituiu outro eixo significativo identificado na pesquisa. Bicalho et al. (2025) demonstram que imagens e outros documentos visuais podem ser utilizados como fontes de leitura e construção de conhecimento, ampliando a concepção tradicionalmente associada ao texto escrito. Vasconcelos (2022) aponta que os textos multimodais podem contribuir para uma compreensão responsiva ativa e ampliar as oportunidades de participação, inclusive entre estudantes com deficiência intelectual. Dessa forma, os resultados indicam que desenvolver a competência leitora contemporânea exige preparar os estudantes para interpretar palavras, imagens, símbolos, vídeos e demais linguagens presentes nos diferentes espaços sociais.

O uso das tecnologias e dos elementos de gamificação também apresentou contribuições relevantes. Reinaldi et al. (2024) mostram que elementos característicos dos jogos podem estimular participação e envolvimento quando incorporados de maneira planejada ao ensino. Silveira (2023) também reconhece a gamificação como ferramenta capaz de auxiliar a aprendizagem, enquanto Brandt e Nunes (2025) chamam atenção para as particularidades da compreensão leitora em situações mediadas por recursos digitais. Portanto, os resultados sugerem que a tecnologia, isoladamente, não garante melhorias na leitura, sendo necessária a presença de planejamento, mediação docente e intencionalidade pedagógica.

A análise comparativa dos estudos permite perceber que abordagens cognitivas e interativas apresentam maior potencial quando utilizadas de maneira complementar, e não como perspectivas excludentes. As estratégias cognitivas auxiliam o estudante a compreender e monitorar os mecanismos utilizados durante a leitura, enquanto as estratégias interativas possibilitam compartilhar interpretações e ampliar os sentidos produzidos. Mariano (2022) evidencia a importância dos processos cognitivos para a compreensão textual, ao passo que Nogueira et al. (2025) destacam as contribuições da interação e da interdisciplinaridade para o desenvolvimento da competência leitora.

Diante dos resultados encontrados, observa-se ainda que o professor desempenha papel central na efetividade dessas abordagens. Moraes (2026) demonstra que a formação do leitor é favorecida quando existem experiências planejadas de leitura desde as primeiras etapas escolares. Oliveira (2025) reforça que as estratégias precisam estar relacionadas aos objetivos pedagógicos e às características dos conteúdos trabalhados. Assim, os 17 estudos analisados permitem concluir que não existe uma estratégia única capaz de responder a todas as dificuldades de leitura. A efetividade do ensino depende da combinação de procedimentos cognitivos, interação, ludicidade, multimodalidade e recursos tecnológicos, acompanhados de mediação docente intencional. A principal convergência identificada na pesquisa consiste, portanto, na necessidade de colocar o estudante em posição ativa diante do texto, favorecendo não somente a compreensão das informações, mas também autonomia, reflexão, participação e construção de sentidos.

5. CONCLUSÃO

Os estudos selecionados apresentam significativa relevância para esta pesquisa por oferecerem fundamentos teóricos e resultados empíricos capazes de sustentar a análise das estratégias de ensino-aprendizagem da leitura, especialmente no que se refere às abordagens cognitivas e interativas. A diversidade das produções analisadas permitiu compreender a leitura como um processo amplo, que envolve não apenas o reconhecimento das palavras, mas também mecanismos de compreensão, interpretação, interação, construção de sentidos, motivação e participação ativa do estudante. Dessa forma, o conjunto das pesquisas contribuiu para ampliar a compreensão do objeto investigado e para responder aos objetivos propostos no estudo.

Parte dos estudos analisados forneceu bases importantes para compreender os processos cognitivos envolvidos na leitura. Os resultados evidenciaram que a compreensão textual depende da articulação entre atenção, memória, vocabulário, conhecimentos prévios, inferências e diferentes formas de processamento da informação. Essas contribuições são fundamentais para a pesquisa, pois permitem compreender que a efetividade das estratégias de leitura não pode ser analisada apenas pela atividade proposta pelo professor, mas também pelos processos mentais mobilizados pelos estudantes durante a interação com o texto. Além disso, aspectos relacionados ao acesso lexical e à utilização de recursos de apoio também se mostraram relevantes para o fortalecimento da compreensão leitora.

Outro conjunto relevante de estudos corresponde às investigações que destacam a dimensão interativa da leitura. Os resultados demonstraram que atividades baseadas em diálogo, interdisciplinaridade, discussão e participação podem contribuir para o desenvolvimento da competência leitora. Essas produções apresentam relação direta com o problema desta pesquisa, pois permitem analisar a leitura como um processo no qual o estudante não ocupa uma posição passiva. Ao contrário, ele participa da construção dos sentidos, formula hipóteses, relaciona informações e compartilha interpretações com professores e colegas. Dessa maneira, os estudos reforçam a importância de práticas pedagógicas que favoreçam a interação e a autonomia.

As pesquisas relacionadas à ludicidade também contribuem de maneira significativa para a investigação. Os estudos analisados mostram que jogos, narrativas, dramatizações e histórias podem favorecer maior envolvimento dos estudantes nas práticas de leitura. Esses achados são importantes porque demonstram que aspectos afetivos e motivacionais também interferem na aprendizagem. A leitura realizada apenas como obrigação escolar pode apresentar menor potencial de participação, enquanto atividades contextualizadas, lúdicas e relacionadas aos interesses dos alunos podem favorecer maior aproximação com os textos e estimular a formação do hábito leitor.

Os estudos sobre multimodalidade ampliam ainda mais as possibilidades de compreensão do objeto pesquisado. Os resultados indicam que imagens, histórias em quadrinhos e outras fontes visuais podem constituir importantes recursos para a construção do conhecimento. Os textos multimodais também podem favorecer processos de compreensão ativa e contribuir para práticas pedagógicas mais inclusivas. Além disso, as discussões relacionadas aos multiletramentos reforçam a necessidade de considerar diferentes formas de linguagem presentes no cotidiano dos estudantes. Esses resultados são relevantes porque demonstram que o ensino contemporâneo da leitura precisa ultrapassar a centralidade exclusiva do texto verbal escrito.

Da mesma forma, as produções relacionadas às tecnologias e à gamificação oferecem contribuições para compreender novas possibilidades metodológicas. Os estudos evidenciam que elementos de jogos e recursos diferenciados podem favorecer motivação, participação e envolvimento com as atividades de aprendizagem. Os ambientes mediados por tecnologias também exigem novas formas de organização, seleção e compreensão das informações. Nesse sentido, os resultados ajudam a demonstrar que os recursos tecnológicos podem contribuir para a aprendizagem da leitura, desde que utilizados com planejamento, mediação docente e intencionalidade pedagógica.

Portanto, a relevância do conjunto de estudos selecionados está na complementaridade de suas contribuições. As pesquisas analisadas permitem compreender que a efetividade das estratégias de ensino-aprendizagem da leitura depende da articulação entre processos cognitivos, interação, ludicidade, multimodalidade, tecnologia e mediação docente. Em conjunto, esses estudos oferecem sustentação para compreender que nenhuma abordagem isolada responde plenamente às diferentes necessidades dos estudantes. A principal contribuição para esta pesquisa consiste, assim, em demonstrar que práticas de leitura mais efetivas são aquelas que reconhecem o estudante como sujeito ativo, capaz de mobilizar conhecimentos, interpretar diferentes linguagens, interagir com outros leitores e construir sentidos de maneira autônoma e significativa.

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1 Mestre em ciencias da educação pela Universidade experimental da Guayna Doutoranda em Ciências da Educação. Universidade Autônoma de Assunção. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail