REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783980308
RESUMO
O estudo teve como objeto a integração entre educação, tecnologia e inclusão, considerando sua importância para a organização de práticas pedagógicas capazes de promover aprendizagem, participação e equidade. A pesquisa buscou responder de que maneira essa articulação contribui para qualificar os processos educativos em diferentes contextos escolares. O objetivo consistiu em analisar os fundamentos teóricos que sustentam essa relação e suas contribuições para o ensino. O referencial reuniu estudos sobre aprendizagem significativa, mediação pedagógica, educação inclusiva, tecnologias digitais, inteligência artificial, formação docente e políticas educacionais. Adotou-se uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e natureza descritiva, realizada a partir de livros, artigos científicos e documentos institucionais nacionais e internacionais. Os resultados evidenciaram que o uso planejado das tecnologias, associado à formação de professores, à organização curricular e à construção de ambientes inclusivos, amplia as oportunidades de aprendizagem e fortalece práticas pedagógicas mais acessíveis. Conclui-se que a integração entre educação, tecnologia e inclusão contribui para o aprimoramento das políticas educacionais e da formação docente, oferecendo subsídios relevantes para o desenvolvimento de práticas pedagógicas orientadas pela equidade e pela qualidade do ensino.
Palavras-chave: educação; tecnologia educacional; inclusão; práticas pedagógicas.
ABSTRACT
This study examined the integration of education, technology, and inclusion, considering its importance for organizing pedagogical practices that promote learning, participation, and equity. The research sought to answer how this integration contributes to improving educational processes across different school contexts. The objective was to analyze the theoretical foundations supporting this relationship and its contributions to teaching. The theoretical framework encompassed studies on meaningful learning, pedagogical mediation, inclusive education, digital technologies, artificial intelligence, teacher education, and educational policies. The study adopted an integrative literature review with a qualitative and descriptive approach, based on books, scientific articles, and national and international institutional documents. The findings indicated that the planned use of technology, combined with teacher education, curriculum organization, and the development of inclusive learning environments, expands learning opportunities and strengthens more accessible pedagogical practices. It is concluded that the integration of education, technology, and inclusion contributes to the improvement of educational policies and teacher education, providing relevant support for the development of pedagogical practices guided by equity and the quality of education.
Keywords: education; educational technology; inclusion; pedagogical practices.
1. INTRODUÇÃO
A educação tem passado por mudanças impulsionadas pela ampliação das tecnologias digitais e pela consolidação de políticas voltadas à inclusão. Esse movimento tem modificado a organização das práticas pedagógicas, ampliado as possibilidades de acesso ao conhecimento e fortalecido o entendimento de que todos os estudantes devem participar do processo educativo em condições de equidade, respeitando suas diferenças e potencialidades (Brasil, 1988; Brasil, 1996; United Nations, 2006).
Nesse cenário, a tecnologia deixa de representar apenas um recurso de apoio e passa a integrar o planejamento pedagógico, favorecendo diferentes formas de ensinar, aprender, comunicar e avaliar. Entretanto, sua incorporação depende de intencionalidade pedagógica, formação docente e organização curricular capazes de transformar recursos tecnológicos em experiências de aprendizagem significativas (Valente, 2005; Almeida; Valente, 2011; Mayer, 2020).
A aprendizagem ocorre de maneira mais consistente quando novos conhecimentos são relacionados às experiências já construídas pelos estudantes, exigindo práticas que valorizem a participação ativa, a interação e a mediação docente. Esse entendimento aproxima diferentes contribuições teóricas que destacam a importância do professor na organização de ambientes favoráveis ao desenvolvimento cognitivo e social (Ausubel, 2000; Vygotsky, 1980; Freire, 2019).
Ao mesmo tempo, a inclusão escolar representa um compromisso que ultrapassa o acesso à escola. Construir uma educação inclusiva significa eliminar barreiras que limitam a participação dos estudantes, promover oportunidades de aprendizagem para todos e fortalecer culturas escolares fundamentadas no respeito à diversidade e na valorização das diferenças (Booth; Ainscow, 2016; Brasil, 2015; Wolfart et al., 2025).
Nesse contexto, diferentes estudos têm demonstrado que tecnologias digitais, tecnologias assistivas e metodologias centradas na participação discente podem ampliar o envolvimento dos estudantes e favorecer processos educativos mais acessíveis. Contudo, esses resultados dependem da articulação entre recursos tecnológicos, planejamento pedagógico e formação de professores, evitando que a inovação seja reduzida à simples aquisição de equipamentos (Bacich; Moran, 2018; Cipriani, 2025; Nascimento, 2025).
As transformações recentes também ampliaram o debate sobre inteligência artificial, educação digital e desenvolvimento de competências necessárias para uma sociedade cada vez mais conectada. Organismos internacionais destacam que essas tecnologias devem ser utilizadas de forma ética, responsável e orientada pelos direitos humanos, preservando a centralidade do processo educativo e da atuação docente (UNESCO, 2021; UNESCO, 2023).
Essa perspectiva também dialoga com diretrizes curriculares brasileiras que defendem o desenvolvimento da cultura digital como componente da formação integral dos estudantes. O currículo passa, assim, a contemplar competências relacionadas ao uso crítico das tecnologias, à produção de conhecimento e à participação cidadã em ambientes digitais (Brasil, 2018; Brasil, 2025).
Além dos aspectos tecnológicos, a inclusão permanece vinculada à construção de ambientes escolares acolhedores, capazes de enfrentar preconceitos e práticas excludentes que dificultam o desenvolvimento dos estudantes. O fortalecimento de uma cultura inclusiva exige ações permanentes de formação docente, trabalho colaborativo e reorganização das práticas pedagógicas (Santos; Triunfo, 2025; Couto, 2026).
Pesquisas nacionais e internacionais reforçam que estratégias pedagógicas bem planejadas produzem melhores resultados quando articulam mediação docente, uso adequado das tecnologias e participação ativa dos estudantes. Esses elementos favorecem aprendizagens mais profundas e ampliam as oportunidades de desenvolvimento para diferentes perfis de alunos (Biggs; Tang, 2022; Hattie, 2023; Ramalho et al., 2025).
Da mesma forma, estudos voltados à inteligência artificial na educação indicam que seu potencial depende menos da tecnologia em si e mais das escolhas pedagógicas que orientam sua utilização. A presença crescente dessas ferramentas amplia possibilidades para personalização da aprendizagem, desde que acompanhada por princípios éticos, formação profissional e planejamento educacional (Zawacki-Richter et al., 2019; Wolschick et al., 2025; Santos, 2025).
Organismos internacionais também relacionam educação inclusiva, inovação e desenvolvimento sustentável como dimensões complementares para assegurar oportunidades educacionais ao longo da vida. A promoção da equidade, da qualidade do ensino e do acesso às tecnologias integra compromissos assumidos em escala global, voltados à construção de sistemas educacionais mais acessíveis e socialmente responsáveis (United Nations, 2015; OECD, 2023; UNICEF, 2024).
Diante desse contexto, esta pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender como educação, tecnologia e inclusão podem atuar de forma integrada na organização das práticas pedagógicas e na promoção de oportunidades de aprendizagem para todos os estudantes. A pergunta que orienta o estudo é: de que maneira a articulação entre educação, tecnologia e inclusão contribui para fortalecer práticas pedagógicas mais acessíveis, participativas e alinhadas às demandas atuais? O objetivo consiste em analisar os fundamentos teóricos que sustentam essa integração, evidenciando suas contribuições para a organização de práticas pedagógicas voltadas à aprendizagem, à equidade e ao desenvolvimento educacional.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Educação Inclusiva Como Fundamento do Direito à Aprendizagem
A educação inclusiva fundamenta-se no reconhecimento de que todos os estudantes possuem direito à aprendizagem, à participação e ao desenvolvimento em ambientes escolares acessíveis. Esse entendimento está presente na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e na Lei Brasileira de Inclusão, que orientam a organização dos sistemas de ensino sob os princípios da igualdade de oportunidades e da não discriminação (Brasil, 1988; Brasil, 1996; Brasil, 2015).
No cenário internacional, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reforça que a inclusão constitui um direito humano, exigindo a eliminação de barreiras que dificultam o acesso e a permanência dos estudantes na escola. A Agenda 2030 amplia essa compreensão ao associar educação de qualidade, equidade e desenvolvimento sustentável como objetivos indissociáveis (United Nations, 2006; United Nations, 2015).
Sob essa perspectiva, a inclusão não se limita ao ingresso do estudante na escola, mas envolve a construção de práticas pedagógicas capazes de atender diferentes formas de aprendizagem. Booth e Ainscow (2016) defendem que culturas, políticas e práticas inclusivas devem atuar de maneira integrada para favorecer a participação efetiva de todos.
Pesquisas nacionais corroboram esse entendimento ao demonstrar que escolas comprometidas com a formação docente, a cooperação entre profissionais e o respeito às diferenças apresentam melhores condições para promover a inclusão. Além disso, apontam que preconceitos e estigmas ainda representam obstáculos ao desenvolvimento pleno dos estudantes (Santos; Triunfo, 2025; Wolfart et al., 2025; Couto, 2026).
2.2. Tecnologias Digitais e Mediação Pedagógica
O avanço das tecnologias digitais ampliou as possibilidades de organização do ensino, exigindo que sua utilização esteja articulada aos objetivos educacionais. Nesse contexto, o recurso tecnológico assume significado pedagógico quando favorece a construção do conhecimento, a interação e a participação ativa dos estudantes (Almeida; Valente, 2011; Valente, 2005).
Essa compreensão aproxima-se das contribuições de Ausubel (2000), ao defender que novos conhecimentos são assimilados quando relacionados aos saberes prévios do estudante. De modo semelhante, Vygotsky (1980) evidencia que a aprendizagem ocorre por meio das interações sociais, enquanto Freire (2019) ressalta o papel do diálogo e da mediação docente na construção do conhecimento.
A aprendizagem mediada por tecnologias também encontra respaldo nas pesquisas de Mayer (2020), que demonstram a importância da integração entre recursos visuais, verbais e interativos para favorecer o processamento das informações. Biggs e Tang (2022) acrescentam que o planejamento das atividades deve manter coerência entre objetivos, estratégias pedagógicas e formas de avaliação.
Nessa direção, metodologias que promovem colaboração, investigação e protagonismo discente fortalecem o potencial das tecnologias digitais quando inseridas em propostas pedagógicas bem estruturadas. Estudos desenvolvidos no contexto brasileiro evidenciam benefícios da integração entre recursos digitais, comunicação e práticas colaborativas para ampliar o envolvimento dos estudantes (Bacich; Moran, 2018; Ramalho et al., 2025).
2.3. Tecnologia, Inclusão e Inovação Pedagógica
A aproximação entre tecnologia e inclusão amplia as possibilidades de participação dos estudantes ao oferecer diferentes formas de acesso aos conteúdos, comunicação e desenvolvimento das atividades escolares. Entretanto, a efetividade desses recursos depende de planejamento, formação docente e adequação às necessidades educacionais dos alunos (Cipriani, 2025; Nascimento, 2025).
Essa perspectiva também é incorporada pela Base Nacional Comum Curricular e pelas orientações para Educação Digital e Midiática, que defendem o desenvolvimento de competências relacionadas ao uso crítico, ético e responsável das tecnologias ao longo da educação básica (Brasil, 2018; Brasil, 2025).
Estudos recentes mostram que tecnologias assistivas, plataformas digitais e recursos multimídia podem reduzir barreiras pedagógicas quando utilizados como instrumentos de mediação do processo educativo. Nessas condições, a inovação deixa de estar associada exclusivamente ao equipamento tecnológico e passa a depender da organização das práticas pedagógicas (Santos, 2025; Cipriani, 2025; Nascimento, 2025).
Essa compreensão também é observada em investigações internacionais que relacionam qualidade da aprendizagem à utilização planejada dos recursos educacionais. Hattie (2023) demonstra que os resultados educacionais estão diretamente vinculados às estratégias de ensino adotadas, enquanto a OECD (2023) reforça a importância de sistemas educacionais comprometidos com qualidade e equidade.
2.4. Inteligência Artificial e Novos Desafios para a Educação
A expansão da inteligência artificial introduziu novas possibilidades para personalização da aprendizagem, produção de materiais didáticos e apoio às atividades docentes. Contudo, diferentes estudos destacam que essas ferramentas devem permanecer subordinadas aos objetivos educacionais e às decisões pedagógicas dos professores (Zawacki-Richter et al., 2019; Wolschick et al., 2025).
As orientações da UNESCO enfatizam que o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial precisam observar princípios éticos, transparência, proteção dos direitos humanos e promoção da inclusão. Dessa forma, a inovação tecnológica deve fortalecer a aprendizagem sem ampliar desigualdades ou comprometer a autonomia dos sujeitos envolvidos no processo educativo (UNESCO, 2021; UNESCO, 2023).
Esse entendimento converge com as preocupações apresentadas pelo UNICEF (2024), que ressalta a necessidade de preparar crianças e jovens para um cenário marcado pela transformação digital, preservando o acesso equitativo às oportunidades educacionais. Assim, tecnologia, inclusão e formação docente constituem dimensões complementares para responder aos desafios educacionais atuais e fortalecer práticas pedagógicas capazes de atender à diversidade presente nas escolas.
3. METODOLOGIA
A pesquisa adotou uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e natureza descritiva, com o objetivo de reunir, organizar e interpretar estudos relacionados à educação, tecnologia e inclusão, buscando compreender como esses elementos se articulam no desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas à aprendizagem e à equidade.
A busca foi realizada nas bases Scopus, Web of Science, SciELO, ERIC e Google Scholar, por serem amplamente utilizadas na divulgação da produção científica nacional e internacional. Foram empregados descritores em português e inglês, combinados por operadores booleanos, incluindo os termos "educação", "tecnologia", "inclusão", "education", "technology" e "inclusion", estruturados em diferentes estratégias de busca.
Foram incluídos artigos científicos, livros, documentos institucionais e publicações de organismos nacionais e internacionais diretamente relacionados ao tema, disponíveis na íntegra e publicados em português ou inglês. Foram excluídos estudos duplicados, trabalhos sem relação direta com o objetivo da pesquisa, resumos de eventos, editoriais e publicações sem fundamentação científica.
O processo de seleção dos estudos seguiu as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão, conforme as recomendações do protocolo PRISMA. Inicialmente foram analisados títulos e resumos, seguidos da leitura integral dos estudos considerados pertinentes, assegurando transparência, rastreabilidade e coerência na composição do corpus documental.
Após a seleção, os estudos foram organizados por aproximação temática e submetidos à análise interpretativa, permitindo identificar convergências entre os referenciais consultados e responder à questão de pesquisa de forma consistente e alinhada aos objetivos propostos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A síntese dos estudos selecionados evidenciou que a integração entre educação, tecnologia e inclusão depende menos da disponibilidade de recursos digitais e mais da forma como esses recursos são incorporados ao planejamento pedagógico. Os trabalhos convergem ao indicar que a aprendizagem é fortalecida quando a tecnologia está articulada à mediação docente, aos objetivos educacionais e às necessidades dos estudantes (Almeida; Valente, 2011; Valente, 2005; Biggs; Tang, 2022).
Os achados também demonstram que a educação inclusiva exige ações que ultrapassem a garantia do acesso à escola. A permanência, a participação e o desenvolvimento dos estudantes são favorecidos por práticas pedagógicas flexíveis, formação continuada de professores e construção de ambientes escolares comprometidos com a eliminação de barreiras à aprendizagem (Booth; Ainscow, 2016; Santos; Triunfo, 2025; Wolfart et al., 2025).
Tabela 1. Síntese dos principais resultados identificados na revisão
Eixo temático | Principais achados |
Educação inclusiva | A inclusão envolve acesso, permanência, participação e aprendizagem, apoiada por políticas públicas e culturas escolares inclusivas. |
Tecnologias digitais | O uso das tecnologias produz melhores resultados quando integrado ao planejamento pedagógico e à mediação docente. |
Formação de professores | A qualificação docente favorece a utilização pedagógica das tecnologias e fortalece práticas inclusivas. |
Inteligência artificial | O emprego da IA deve observar princípios éticos, promover equidade e apoiar os processos de ensino e aprendizagem. |
Políticas educacionais | Diretrizes nacionais e internacionais reforçam a integração entre inovação, inclusão e desenvolvimento de competências digitais. |
Fonte: Elaborada pelos autores (2026).
Os resultados apresentados na Tabela 1 evidenciam elevada convergência entre documentos normativos, pesquisas nacionais e estudos internacionais. Esse alinhamento demonstra que inclusão, inovação pedagógica e tecnologia constituem dimensões complementares, reforçando a necessidade de práticas educacionais planejadas e fundamentadas em princípios de equidade (Brasil, 1988; Brasil, 2015; United Nations, 2015).
Outro aspecto recorrente refere-se à aprendizagem significativa. Os estudos analisados indicam que recursos tecnológicos favorecem melhores resultados quando estimulam a construção ativa do conhecimento e estabelecem relações entre novos conteúdos e experiências previamente adquiridas pelos estudantes. Nessa perspectiva, a tecnologia amplia possibilidades de aprendizagem, mas não substitui a mediação pedagógica (Ausubel, 2000; Vygotsky, 1980; Freire, 2019).
Esse entendimento é reforçado por pesquisas que destacam a importância das metodologias ativas e da organização curricular. A integração entre atividades colaborativas, resolução de problemas e recursos digitais amplia o envolvimento discente e fortalece processos de aprendizagem mais participativos, desde que exista coerência entre objetivos, estratégias didáticas e avaliação (Bacich; Moran, 2018; Mayer, 2020; Hattie, 2023).
No campo da inclusão, os estudos nacionais evidenciam que tecnologias assistivas e recursos digitais contribuem para reduzir barreiras pedagógicas quando utilizados em consonância com as necessidades dos estudantes. Os resultados mostram que a inovação está diretamente relacionada à capacidade da escola de adaptar práticas e promover participação efetiva, e não apenas à incorporação de novos equipamentos (Cipriani, 2025; Nascimento, 2025; Couto, 2026).
As diretrizes educacionais brasileiras também demonstram sintonia com esse movimento ao incorporar competências relacionadas à cultura digital e ao uso responsável das tecnologias no currículo escolar. Essa orientação aproxima-se das recomendações internacionais, que defendem uma educação capaz de desenvolver competências digitais sem perder de vista a inclusão, a cidadania e os direitos humanos (Brasil, 2018; Brasil, 2025; UNESCO, 2023).
Em relação à inteligência artificial, os estudos convergem ao afirmar que seu potencial educacional depende da atuação do professor e do planejamento pedagógico. Ferramentas inteligentes podem apoiar a personalização da aprendizagem, produzir materiais educacionais e ampliar oportunidades de acompanhamento dos estudantes, desde que sua utilização observe princípios éticos e preserve a centralidade das relações humanas no processo educativo (Zawacki-Richter et al., 2019; Wolschick et al., 2025; UNESCO, 2021).
Por fim, os resultados evidenciam que educação, tecnologia e inclusão constituem um conjunto indissociável para responder às demandas atuais da educação. A convergência entre políticas públicas, referenciais pedagógicos e pesquisas recentes demonstra que práticas fundamentadas na equidade, na inovação e na formação docente fortalecem ambientes educacionais mais acessíveis, participativos e orientados ao desenvolvimento integral dos estudantes (OECD, 2023; UNICEF, 2024; Santos, 2025).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo analisou a relação entre educação, tecnologia e inclusão, buscando compreender de que maneira essa integração contribui para o fortalecimento das práticas pedagógicas. O objetivo proposto foi alcançado ao evidenciar que esses três elementos atuam de forma complementar na promoção de processos educativos mais acessíveis, participativos e voltados à aprendizagem.
Os resultados demonstraram que a utilização das tecnologias produz melhores contribuições quando está associada ao planejamento pedagógico, à mediação docente e à organização de estratégias compatíveis com as diferentes necessidades dos estudantes. Da mesma forma, a inclusão mostrou-se vinculada à construção de ambientes escolares capazes de assegurar participação, permanência e oportunidades de aprendizagem para todos.
Também foi possível verificar que documentos normativos nacionais e internacionais convergem ao reconhecer a educação inclusiva, a cultura digital e o uso ético das tecnologias como componentes essenciais para o desenvolvimento de sistemas educacionais mais equitativos. Nesse contexto, a inovação educacional passa a depender da integração entre recursos tecnológicos, currículo, formação docente e práticas pedagógicas intencionalmente planejadas.
As evidências reunidas reforçam que a formação continuada dos professores constitui um dos principais fatores para transformar recursos tecnológicos em instrumentos efetivos de ensino e aprendizagem. Além disso, políticas educacionais orientadas pela inclusão, pela acessibilidade e pelo desenvolvimento de competências digitais favorecem condições mais adequadas para a implementação de práticas pedagógicas coerentes com as demandas educacionais atuais.
Sob essa perspectiva, a aplicação dos conhecimentos discutidos neste estudo requer investimento permanente na formação docente, fortalecimento da infraestrutura tecnológica, acesso a recursos digitais e assistivos, além de planejamento pedagógico alinhado aos objetivos educacionais. Esses elementos favorecem a construção de ambientes escolares mais inclusivos, colaborativos e comprometidos com o desenvolvimento integral dos estudantes.
Por fim, este artigo contribui ao reunir e integrar fundamentos teóricos que evidenciam a complementaridade entre educação, tecnologia e inclusão, oferecendo uma síntese consistente sobre os principais aspectos que sustentam práticas pedagógicas orientadas pela equidade, pela inovação e pela qualidade da aprendizagem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de; VALENTE, José Armando. Tecnologias e currículo: trajetórias convergentes ou divergentes? São Paulo: Paulus, 2011.
AUSUBEL, David P. The Acquisition and Retention of Knowledge: A Cognitive View. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2000.
BACICH, Lilian; MORAN, José (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
BIGGS, John; TANG, Catherine. Teaching for Quality Learning at University. 5. ed. Maidenhead: Open University Press, 2022.
BOOTH, Tony; AINSCOW, Mel. Index for Inclusion: A Guide to School Development Led by Inclusive Values. 4. ed. Bristol: Index for Inclusion Network Limited, 2016.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 9 jul. 2026.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 9 jul. 2026.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 9 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: https://cdn.mec.gov.br/basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Educação Digital e Midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas. Brasília: MEC, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/arquivos/guia_eddigital_versofinaloficial.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
CIPRIANI, Roberto Carlos. Inovação no ensino: inclusão escolar e tecnologia assistiva em debate. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 1–14, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i1.7. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/7. Acesso em: 9 jul. 2026.
COUTO, Luana Aparecida. A escola e os desafios da inclusão: o impacto do estigma e do preconceito na aprendizagem. Educação & Inovação, [S. l.], v. 2, n. 10, 2026. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v2i10.392. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/392. Acesso em: 9 jul. 2026.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2019.
HATTIE, John. Visible Learning: The Sequel: A Synthesis of Over 2,100 Meta-Analyses Relating to Achievement. 1. ed. London: Routledge, 2023.
MAYER, Richard E. Multimedia Learning. 3. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2020.
NASCIMENTO, Valmir dos Reis. Incluir é transformar: práticas pedagógicas inovadoras na educação especial com uso de tecnologias assistivas. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 2, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i2.18. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/18. Acesso em: 9 jul. 2026.
OECD. PISA 2022 Results (Volume I): The State of Learning and Equity in Education. Paris: OECD Publishing, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1787/53f23881-en. Acesso em: 9 jul. 2026.
RAMALHO, Lisyanne de Xerez et al. A importância da oralidade na sala de aula: práticas pedagógicas mediadas pelas tecnologias digitais. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 8, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i8.94. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/94. Acesso em: 9 jul. 2026.
SANTOS, Marcia Aparecida Silva dos; TRIUNFO, Fabrício Aparecido Ribeiro. A escola para todos: formação de professores e cultura de inclusão. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 1–16, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i1.6. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/6. Acesso em: 9 jul. 2026.
SANTOS, Márcia Maria dos. Tecnologias Inteligentes: Caminhos para uma Educação Transformadora. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 1–15, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i1.12. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/12. Acesso em: 9 jul. 2026.
UNESCO. Guidance for Generative AI in Education and Research. Paris: UNESCO, 2023. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000386693. Acesso em: 9 jul. 2026.
UNESCO. Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence. Paris: UNESCO, 2021. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000380455. Acesso em: 9 jul. 2026.
UNICEF. The State of the World's Children 2024: The Future of Childhood in a Changing World. New York: UNICEF, 2024. Disponível em: https://www.unicef.org/media/165156/file/SOWC-2024-full-report-EN.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
UNITED NATIONS. Convention on the Rights of Persons with Disabilities. New York: United Nations, 2006. Disponível em: https://social.desa.un.org/issues/disability/crpd/convention-on-the-rights-of-persons-with-disabilities-articles. Acesso em: 9 jul. 2026.
UNITED NATIONS. Transforming our World: the 2030 Agenda for Sustainable Development. New York: United Nations, 2015. Disponível em: https://sdgs.un.org/2030agenda. Acesso em: 9 jul. 2026.
VALENTE, José Armando. A espiral da espiral de aprendizagem: o processo de compreensão do papel das tecnologias de informação e comunicação na educação. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005. Disponível em: https://aprendizagemcriativa.org/sites/default/files/2020-11/A_espiral_da_espiral_de_aprendizagem_o_processo_de_compreenso_do_papel_das_tecnologias_de_informao_e_comunicao_na_educao.pdf. Acesso em: 9 jul. 2026.
VYGOTSKY, Lev S. Mind in Society: The Development of Higher Psychological Processes. Edited by Vera John-Steiner. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1980.
WOLFART, Roseli Bernadete et al. Inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 1–14, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i2.13. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/13. Acesso em: 9 jul. 2026.
WOLSCHICK, Márcia de Souza et al. Tecnologia e pedagogia em diálogo: a inteligência artificial na promoção da aprendizagem ativa e na formação de professores para o século XXI. Educação & Inovação, [S. l.], v. 1, n. 3, 2025. DOI: https://doi.org/10.64326/educao.v1i3.28. Disponível em: https://educacaotecnologica.com.br/index.php/ojs/article/view/28. Acesso em: 9 jul. 2026.
ZAWACKI-RICHTER, Olaf et al. Systematic review of research on artificial intelligence applications in higher education – where are the educators? International Journal of Educational Technology in Higher Education, v. 16, art. 39, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s41239-019-0171-0. Acesso em: 9 jul. 2026.
1 Mestre em Políticas e Administração de Educadores pela Universidade Aberta do Brasil (UAB). Area: Educação. Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Pedagoga na Universidade Federal Rural da Amazônia
2 Mestre em Ciências Contábeis – Centro Universitário FECAP Graduação em Ciências Contábeis – Universidade Anhembi Morumbi Graduação em Sistemas de Informação – Universidade Presbiteriana Mackenzie. Lattes: https://lattes.cnpq.br/3283425361400535. ORDIC: https://orcid.org/0000-0002-5270-278X
3 Doutor em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Mestre em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Graduado em Farmácia (Análises Clínicas e Toxicológicas) – Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS) Graduação em Medicina (em andamento). Lattes: https://lattes.cnpq.br/5616724867233141. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4320-8587
4 Doutoranda em Ciências da Educação Universidade Leonardo da Vinci - ULDV – Paraguai Graduada em Psicologia, Pedagogia e Psicopedagogia. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-3299-5405 Curriculo. Lattes: https://lattes.cnpq.br/4022718966772151
5 Mestranda em Ciências da Educação Universidad Politécnica y Artística del Paraguay (UPAP) - Ciudad del Este - Paraguai Graduada em Pedagogia. Lattes: https://lattes.cnpq.br/1160384964257204 ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5560-1371
6 Professora de Educação Básica (PEB) Graduada em Matemática Pós-graduada em Educação e Direitos Humanos. Lattes: https://lattes.cnpq.br/7004117747591083