EDUCAÇÃO INFANTIL E EDUCAÇÃO FÍSICA: REFLEXÕES DO PROCESSO DO DESENVOLVIMENTO GLOBAL INFANTIL


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10350245


Harley Charles de Oliveira Santos¹


RESUMO
Este trabalho de caráter bibliográfico explicita a educação física na educação infantil. A partir deste princípio surge a psicomotricidade e a ludicidade contribuindo, transformando e encaminhando as reflexões acerca desta narrativa acadêmica. O estudo demonstrou que a educação física está presente na educação infantil aliada a psicomotricidade e com esta influência se beneficiam os educandos nos aspectos físicos, afetivos, sociais e cognitivos não dissociando mente e corpo, mas trazendo sobre este indivíduo a totalidade do ser. É no campo educacional que os educandos se potencializam mais e nada melhor de que práticas e manifestações com propósitos específicos para promover o desenvolvimento deste ser.
Palavras-chave: Educação Física. Recreação. Educação Infantil. 

ABSTRACT
This bibliographic work explains physical education in early childhood education. From this principle arises psychomotricity and playfulness contributing, transforming and forwarding the reflections about this academic narrative. The study showed that physical education is present in early childhood education combined with psychomotricity and with this influence the students benefit in the physical, affective, social and cognitive aspects, not dissociating mind and body, but bringing on this individual the totality of being. It is in the educational field that the students are empowered more and nothing better than practices and manifestations with specific purposes to promote the development of this being.

Keywords: Physical Education. Recreation. Child education. 

1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento humano ocorre em estágios e o movimento é um fator imprescindível para que este desenvolvimento ocorra de forma interativa e progressiva no meio em que vive. (PIAGET, 1952).

O corpo é o instrumento pelo qual ocorrem as interações com o meio estabelecendo conexões emocionais e afetiva com as pessoas com quem convive. O corpo, portanto é sua maneira de ser (LE BOUCH, 1987). A educação infantil é a fase em que muitas experiências contribuem para o desenvolvimento da criança e estas atividades tem uma infinita rede de possibilidades de aprendizagem. São os gestos, as emoções demonstradas e a tonificação muscular que apontam a aceitação pela atividade.

Compreendendo que mente e corpo não se dissociam percebemos o dinamismo das ações como: os gestos, as atitudes, as posturas e as expressões que caracterizam o ser em ação (CHAZAUD apud ALVES, 2003 p.15). Essa internalização no processo de aprendizagens por meio de atividades lúdicas ocorrendo a priori inconsciente trará benefícios quando se relacionar com o mundo externo.

Este trabalho de caráter bibliográfico consiste na pesquisa de referências teórica para análise do problema de pesquisa e a partir destas referencias publicadas fazer as contribuições científicas no assunto em questão (LIBERALLI, 2011). Traz como proposta de estudo promover o desenvolvimento de habilidades psicomotoras por meio da recreação lúdica na educação infantil.

2. BREVE PANORAMA HISTÓRICO DA PSICOMOTRICIDADE

Foi na Europa e América do Norte que a motricidade relacionada ao desenvolvimento cognitivo evoluiu segundo Bueno (1998), mas se destacou mais na França que difundiu no mundo todo.

Quando se fala em educação física temos que pensar em psicomotricidade e este nome se originou na França entre os séculos XIX e o século XX quando estudos da neuropsiquiatria infantil aconteciam.

A partir daí o mundo conheceu o termo psicomotricidade. (NEGRINE apud SILVA E FALKENBACK, 2006).

Ainda em Bueno (1998) comenta que vários estudiosos trazem mais especificidade ao termo como é o caso de Ernest Dupré que em 1907 elucida a síndrome da debilidade motora relacionando com a debilidade mental sendo o ponto chave o isolamento de perturbações como os tiques, as sincinesias e as paratonias fazendo compreender que uma debilidade motora pode estar associada a uma debilidade “mental” e/ou vice-versa.

É Edouard Guilmain em 1935 insere a ideia de psicomotricidade como prática considerando muito mais como uma ação re-educativa motora mais voltada em avaliar o perfil físico da criança. Somente depois originou um programa padronizado caracterizando distúrbios motores e suas respectivas intervenções terapêuticas (SILVA E FALKENBACK, 2006).

Atualmente as reflexões oriundas neste sentido são mais positivas. A psicomotricidade na educação infantil não busca por distúrbios, mas promove os estímulos necessários para que a criança de desenvolva nos aspectos motores, cognitivos, social e afetivo por meio de atividades lúdicas.

3. REFLEXÕES SOBRE A PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

As crianças se expressam desde que nascem por meio de gestos, choro, movimentos aleatórios o que pode caracterizar um bom desenvolvimento neuromotor. 

Essa maturação progressista é potencializada no momento que a criança recebe estímulos específicos conhecendo e transpondo seus limites por meio da ludicidade adquirindo mais habilidades motoras contribuindo especificamente em outros campos como o da cognição, o afetivo e o social.

Le Boulch (1987) elucida trazendo a ideia de que esta vivencia psicomotora é imprescindível, pois no mesmo tempo em que promove o desenvolvimento global é preventivo. Estes estímulos psicomotores garantem o domínio corporal e espacial permitindo que suas necessidades internas sejam contempladas pelo movimento seja melhorando o tônus muscular e/ou endossando estruturações positivas na afetividade.  

Por este motivo a motricidade sempre estará ligada a psicomotricidade, pois a ação antecede a palavra. Todas as informações que o cérebro recebe são transformadas em motricidade.

Como é o caso da fala que tem como consequência uma ação e na ausência de estímulo, brincadeiras, oportunidades e vivências começam aparecer os desajustes motores trazendo prejuízo a aquisição tanto da fala como futuramente da escrita. Outra questão relevante é a percepção distorcida da realidade, problemas verbais, noção de tempo e realidade, uso restrito do pensamento abstrato como a matemática, leitura e escrita podem ser afetados pela ausência de estímulos associados ao movimento.

Para um bom desenvolvimento intelectual é preciso ter como referência um bom desenvolvimento motor. É possível afirmar que muitos rótulos seriam inexistentes aos alunos com dificuldades de aprendizagem principalmente na oral e na escrita se tivessem investido nessa qualidade educacional do movimento. A ausência de postura corporal adequada, a concentração, coordenação motora sem estímulo, a falta de atenção tem reverbera no intelecto. Por isso a reflexão da educação física e/ou educação psicomotora como prevenção.

Fonseca (2004) traz a consideração de que os papéis na interação variam do individual para o coletivo e vice e versa.

Portanto, Sergio (1995) afirma que a motricidade como ciência ajuda o indivíduo se posicionar no espaço que ocupa em sua totalidade, globalidade considerando o corpo e a mente.

Desta forma fica claro o objetivo das praticas de educação física associada a psicomotricidade enquanto preventiva, promotora do desenvolvimento, terapêutica e superativa.

4. A MOTRICIDADE COM O VIÉS PEDAGÓGICO

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), lei de n° 9.394, a Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança na fase pré-escolar até os 6 anos de idade, contribuindo em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sociais (BRASIL, 1996).

Conforme o artigo 26, inciso 3º, da LDB 9.394/96, a Educação Física é Componente curricular obrigatório da Educação Básica (BRASIL, 1996). Para Ayoub (2001) a Educação Física Escolar configura-se para a criança com um espaço onde ela brinca com a linguagem corporal, proporcionando uma relação com o corpo e o movimento.

O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI), foi criado para auxiliar como guia dos conteúdos, objetivos e orientações escolares, visando a qualidade, o cuidado e a educação para crianças de 0 a 6 anos, contribuindo para o aperfeiçoamento e a qualificação de seus educadores (BRASIL, 1998).

Para Vieira (2007) a escola juntamente com o professor de Educação Física, ou seja, o planejamento devem manter uma correlação entre a organização dos conteúdos e o objetivo das aulas para cada fase em que a criança se encontra nas escolas infantis. Embora o RCNEI não faça nenhuma referência explicita sobre a Educação Física no âmbito escolar endossa a importância deste campo específico nesta fase escolar. (BRASIL, 1998).

De acordo RCNEI (1998), aponta que a ideia de uma contenção motora está associada na ideia de uma possibilidade de desconcentrar ou atrapalhar a aprendizagem. 

É Le Boulch (1987) que diz que a Educação Física é tão quanto importante às demais áreas educativas, pois procura aflorar no indivíduo suas habilidades, aptidões, aquisições e capacidades.

Esta é a importância dada à educação auxiliando no desenvolvimento psicomotor, atuando como fator preventivo de problemas de aprendizagem escolar e auxilia na livre expressão.

Atua como meio de prevenção na Educação Infantil neste sentido preocupado com a educação e o desenvolvimento humano Wallon (1975), escreveu também sobre suas ideias pedagógicas dando bases para que a psicologia contribua e nutra essa experiência pedagógica.

Nestas ideias de caráter pedagógico Wallon contribuiu para o Projeto LangevinWallon na França com o físico Paul Langevin, além deste projeto não ser divulgado também não conseguiram implementar nos meios educacionais.

Wallon (1975) na psicogenética, considera completo o desenvolvimento da pessoa quando o aspecto sociocultural e relativista se atrela com o aspecto orgânico, a teoria integra o individuo ao meio em que imerge com outros aspectos cognitivo, afetivo e motor.

Portanto, enfatiza a conexão integrativa entre o meio e o organismo dimensionando o cognitivo, o motor, o afetivo na formação da pessoa.

Este ser humano passa a ser visto no todo como um conjunto funcional consequente de ações integradas cujo promoção do desenvolvimento é o aparato orgânico e o seu meio com predominância também no social. A partir deste ponto as funções psicológicas superiores ( estimuladas ) se dá, portanto, na promoção do desenvolvimento das dimensões afetivas e motoras, pois a comunicação emocional viabiliza a permissão ao acesso ao mundo do adulto ao universo das representações coletivas. A inteligência surge logo em seguida da afetividade mediante as condições do desenvolvimento motor se alternando e conflituando entre si.

A sociabilidade do homem é consequência da evolução da espécie humana que o torna geneticamente um ser social, trazendo nele aptidões específicas e com consciência (SANTOS, 2008).

A função simbólica é uma aptidão específica da espécie humana que busca em poder de encontrar a representação para um objeto e conseguinte um signo.

Este potencial é promovido pelo desenvolvimento da espécie na base da sua vida em sociedade como a educação infantil que pressupõe objetivos comuns e necessidade de comunicação. Desta forma a inteligência se desenvolve quando de encontro com o meio social.

Para Freire, J. B. (1991), é muito intenso as transformações que ocorrem na infância os movimentos corporais e as fantasias ocupam quase todo o tempo da criança, daí a importância de se viver intensamente e muito além de qualquer outra fase da vida.

É Piaget (1968), que diz ser o primeiro período de vida da criança, que vai do nascimento até o surgimento da linguagem, é chamado por ele do ponto de vista da inteligência do sensório motor, nele, pode ser distinguidos três estágios: o dos reflexos o da organização das percepções e hábitos, e o da inteligência propriamente dita.

Ele também concorda que a criança é muito centrada em si mesma construindo sua realidade a partir de uma gama de atividades que lhe oferece a aquisição de noções espaciais, temporais e do próprio corpo, tornando-se diferente dos objetos que estão a sua volta. Portanto, é interessante que essa ideia de centralização em si seja cultivada na criança para o progresso da sua percepção de si e do que vai a sua volta.

Essa centralização, Piaget (1968) chama de egocentrismo. Todas essas habilidades motoras que queremos provocar na criança precisam sem desenvolvidas, mas sem dúvidas, que precisam ser claras e quais serão as consequências disto no aspecto cognitivo, afetivo e social.

Depois de levantar estes aspectos é preciso compreender ainda que as habilidades motoras no contexto dos jogos, dos brinquedos e das brincadeiras é o universo da cultura infantil, portanto algum conhecimento a criança já traz consigo não ficando monótona a atividade.

Ainda é muito triste que a educação física como campo de construção de conhecimento ainda tem deficiência na inclusão deste conhecimento no qual algumas atividades são colocadas apenas para matar o tempo sem ideia do que há por detrás do todo. Não se trata de ser um mistério, porém quando se aprende a trabalhar com estes brinquedos consegue garantir qualitativamente o desenvolvimento das habilidades motoras sem imposição de uma linguagem corporal que seja desconhecida.

Tanto a linguagem verbal utilizada pelo professor no exercício da sua função na sala ou fora dela, por vezes, é incompreensível para as crianças, no entanto, a sua linguagem corporal também pode ser algo estranho.

As compreensões de processos básicos podem interferir no comportamento dos seus alunos, seja através da relação direta com eles ou através da preparação de ambientes apropriados. Princípios básicos de análise do comportamento podem ser facilmente assimilados e bem empregados, favorecendo o desenvolvimento da auto-observação. Metodologias mais adequadas aos fins psicológicos decorrerão deste processo.

Muitas são as situações que podem vincular uma atividade como proposta educativa com objetivos específicos e até mesmo as atividades que por si já se apresentam com certa especificidade até mesmo estas atividades promovem integração de eixos significativos na aprendizagem que podem ser, por exemplo: jogos e brincadeiras, esportes, danças e atividades expressivas, Yoga. Houve uma busca entre alguns autores que trazem clareza no sentido de associar alguns objetivos as atividades básicas.

Este movimento humano que advém por meio do conhecimento da prática de educação física faz parte de uma cultura de movimentos que vai além da dimensão neuromotora legitima e valoriza significados e sentidos que vão se construindo social e culturalmente. Alinhar os princípios pautados no respeito, na diversidade, na formação do cidadão e cooperação superando tendências que desagregam e desvalorizam, ações excludentes,

a) Motricidade global
São os movimentos mais amplos do nosso corpo. E isto ocorre quando há harmonia, equilíbrio entre os grupos musculares (BUENO, 1998). Uma é a coordenação estática realizada em repouso. Outra é a coordenação dinâmica são ações simultâneas com movimentos voluntários. (BUENO, 1998).

b) Motricidade fina
É o controle de pequenos músculos como recortes, perfuração, encaixes e colagens (BUENO, 1998). O Alvo visual é coordenado por uma coordenação viso-motora. (GALLAHUE, 2003). A precisão, a velocidade a destreza devem ser treinados com atividades paralelas as da folha para não fixar somente o treino gráfico. (LE BOULCH, 1988).

c) Equilíbrio
Mesmo quando a criança é colocada em várias posições mantem seu corpo “postura” inalterado. (GALLAHUE, 2003). Movimentos que possibilitem ao corpo permanecer no lugar, mantendo uma postura no espaço em relação à força de gravidade (COSTALLAT et. al., 2002)

É imprescindível o contato do pé com chão para que a criança se conscientize da capacidade de suas articulações e mobilidade para desenvolver seu equilíbrio. (BUENO, 1998).

d) Esquema corporal
É o momento em que se prepara para iniciar algumas atividades de ponto de partida. (LE BOULCH, 1988). Para a criança a imagem do corpo é visual essencialmente figurativo. (LE BOULCH, 1988).

e) Organização espacial
Caracteriza-se pela consciência do eu e sua identidade com o mundo. O aspecto espacial encontra-se ligado às funções da memória (BUENO, 1998).

Capacidade de movimentar-se de forma integrada e de controlar os próprios movimentos no espaço, tomando consciência do próprio corpo.

Aquele que não é capaz de identificar o espaço dimensional que o cerca não conseguirá se localizar nem se fixar nesse mesmo espaço (BUENO, 1998).

f) Organização temporal
Capacidade de avaliar intervalos de tempo e de dominar os conceitos de tempo à organização do corpo no tempo que resulta da integração sensoriomotora no espaço.

É um pré-requisito para as habilidades perceptivas e conceituais onde a criança deverá ter oportunidade de explorar e avaliar as relações espaço-temporal para poder desenvolver a sincronização dos movimentos.

A consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas – independentemente de ser sucessão ou duração, sua retenção está vinculada à memória e à codificação da informação contida nos acontecimentos.

Os aspectos relacionados à percepção do tempo evoluem e amadurecem com a idade (ROSA, N, 2002).

g) Lateralidade
Em princípio, é ao redor dos 04 anos que a preferência lateral das crianças se afirma. Algumas têm, já nesta idade, marcada predominância do lado esquerdo, que se reforça progressivamente; outras a têm do lado direito, que também se vai reforçando (LE BOULCH, 1988).

5. CONTRIBUIÇÕES E REFERÊNCIAS DE PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

São atividades prazerosas que a princípio prevalecem no dia a dia das crianças. Atividades recreativas que estimulam e promovem os princípios da aprendizagem, terapêutica e da prevenção. Estas atividades integram os aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais. Gonçalves (2004) contribui com uma série de atividades:

a) Exercícios que envolvem esquemas corporais
Mímicas, adivinhações, esculturas, nomear e montar partes do corpo e desenhar a figura humana.

b) Exercícios que envolvem a Coordenação
Coordenação Global – andar, rolar, engatinhar, relaxar, correr, chutar bolas;
Coordenação Visumanual ou fina – modelar, rasgar, amassar, tocas teclados, atarraxar e desatarraxar, recortar, colar pintar; Coordenação Visual – seguir objetos andar ao redor de um objeto.

c) Exercícios de orientação temporal e espacial
Reproduzir ritmos, ouvir histórias, recontar histórias, andar de olho fechado, em linha e arremessar bolas;

d) Atividades na área de comunicação e expressão
Exercícios fono-articulatórios, respiratórios, expressão verbal e gestual, Fazer caretas assoprar apitos, mastigação, imitar sons, fazer bolhas de ar, jogar beijos, Inspirar, expirar, assoprar, falar sobre atividades, contar oque vê nas gravuras.

e) Exercícios de percepção tátil, gustativa, olfativa, auditiva e visual.
Saco surpresa, experimentar alimentos, odores, brincar de cabra cega, imitar e identificar sons, cores, objetos iguais e ocultos.

f) Exercícios de relaxamento
Utilizar músicas instrumentais e usar histórias para promover e acessar o estado de relaxamento.

Basicamente a aprendizagem humana é dependente de uma maturação tanto na quantidade como na qualidade dos movimentos tornando a ação mais significativa e com propósito desde o comportamento mais simples ao segurar um objeto aos mais complexos associados a raciocínios.  

É possível ainda perceber a priorização mais da mente do que do corpo e desta forma empobrece o aprendizado.

Conhecendo e compreendendo os estágios do desenvolvimento trazidos por Piaget (1990) como o estágio sensório-motor (0 a 24 meses), estágio pré-operatório (2 a 7 anos) e estágio operatório (7 anos em diante), dentro deste último estágio ocorre uma divisão entre operatório concreto (7 a 12 anos) e operatório formal (12 anos em diante) é possível estabelecer um programa que contemple as necessidades especificas de cada estágio do desenvolvimento.

Como uma disciplina que promove o desenvolvimento e com uma construção de conhecimento próprio a educação física permite o domínio do movimento em relação ao meio, aos pares e a consciência corporal por meio de atividades que promovam e estimulem: todo o esquema corporal, toda orientação espaço-temporal, todas as qualidades físicas que requeiram coordenação geral, específica e seletiva, deslocamentos, equilíbrios, força, resistência, flexibilidade, agilidade velocidade, controle muscular por meio de tensões e relaxamento, movimentos estáticos, expressões corporais que estão esmiuçados em diversas atividades recreativas que permeiam a ludicidade. Daí a importância de volta-se para: o desenvolvimento da motricidade global, estimulando a percepção sensorial e motora, através de atividades que mobilizam os grandes grupos musculares de forma coordenada ou através da dissociação motora; o aperfeiçoamento do equilíbrio, vivenciado em vários níveis espaciais, com várias partes do corpo, com deslocamentos, posturas e saltos; o enriquecimento da noção de espaço, mobilizando saberes que envolvem as suas variáveis como as direções, os níveis, as trajetórias, as formações e as dimensões; o desenvolvimento do sentido rítmico, utilizando os conceitos de lento, rápido, pausa, fraco, forte, dinâmica e fluidez e a sofisticação da qualidade de movimento, interiorizando tipos de esforço diferentes, interpretando sensações e emoções que conferem ao corpo uma plasticidade única. (SANTANA, CORRADINI e CARNEIRO, 2009).

O estimulo e aquisição de habilidades vem com a promoção da motricidade fina, na manipulação de acessórios diversos como: movimentos de preensão, manuseando panos, arcos, fitas, balões, almofadas, cestos, chapéus, etc. Existe a possibilidade de mobilizar inúmeras experiências óculo-manuais como puxar, agarrar, lançar, esticar, dedilhar, enrolar, entre outras ações motoras.

Essa dimensão educacional motora que a educação física proporciona promove ainda o desenvolvimento dos aspectos sócio motores (condutas, ações positivas, interatividade, cooperação e colaboração), além de estimular a autoestima, reflexões do dia a dia que podem ser trabalhados e estimulados em situações de improvisações e faz de conta (SERAFIN e ARANTES, 2010).

Nem todos os municípios contam com professores de educação física na educação infantil. Os estudos voltados para esse segmento são relacionados a psicomotricidade e por serem professores polivalentes atuam usando a ludicidade e todo o universo que sustenta infância para promover o aprendizado. Geralmente são aulas temáticas que recorrem a elementos como o próprio corpo, o espaço em si, o tempo, o ritmo e a energia no movimento, as próprias ações motoras, e os estados afetivos, as sensações, o mundo vegetal, o mundo animal, os elementos naturais, os objetos, personagens, datas comemorativas e projetos escolares criam experiências de aprendizagem com componentes lúdicos, expressivos, criativa e estético-artística. (BATALHA, 2004).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Empreendi nesta revisão bibliográfica assumindo a problemática da educação física na educação infantil. Me deparei com a psicomotricidade e a ludicidade, portanto, longe de mim isentar-me de compreender ao meu modo de ler este mundo de informações. Trouxe autores que endossam a vivencia de tudo numa única atividade. Tornou-se uma renovação de conhecimentos que advém destes campos separados por rótulos, mas arraigados entre si por meio de rizoma construídos pelas dimensões sociais, culturais e históricas.

É ampla a trilha que envolve os estudos sobre a motricidade tenha ela o viés da educação física ou psicomotricidade e não fogem de suas multiplicidades, potencialidades, dos processos de cognição, das dimensões sociais e históricas. São muitas as referencias para o estudo. Portanto, todo exercício reflexivo é muito mais explicado propriamente pela relação humana do que por qualquer outro conjunto de ideias, considerando que tudo começa no feto.

A motricidade está presente em todas as ações humanas como educacional, estética e cultural. A manifestação deste contexto traz expressividade, traz valores que sensibilizam e torna a livre expressão um fator a potencialização do ser. No entanto, a psicomotricidade tem uma ação preventiva, tem um caráter terapêutico e também pedagógica tanto na educação formal ou informal, pois seus princípios envolvem os diversos estímulos: táteis, visuais, auditivo, afetivo, cognitivo e motor contribuindo por uma educação mais sensível e mais próximo do que o ser humano pode contribuir com a sociedade.

A vida que rodeia o ser humano não deve reduzir sua consciência corporal, mas encoraja-lo reafirmando suas forças devolvendo o processo de agir, de pensar, de sentir, de reestruturar-se, de transcender-se, de trazer uma educação psicomotora que favoreça o resgate de uma educação transformadora, renovadora de modo que desemboque no cotidiano deste.

Ser que começa pequeno e termina grande num caminho que o torne mais pleno em suas vivencias. Eis aqui um bom motivo para novos estudos de forma que se traga a luz os benefícios desta motricidade que vibre de acordo rumo a um universo em pleno movimento.

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¹ Discente do Curso Pós-Graduação no curso de Educação Fisica Escolar e Recreação. [email protected]