EDUCAÇÃO ESTÉTICA E LEITURA LITERÁRIA FRENTE AO CYBERBULLYING COMO TEMA FRATURANTE

AESTHETIC EDUCATION AND LITERARY READING FACING CYBERBULLYING AS A FRACTURING THEME

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787076147

RESUMO
Este trabalho propõe uma revisão da literatura com o intuito de entrelaçar os campos da Educação Estética, Leitura Literária, Formação Docente e o fenômeno do cyberbullying, entendido aqui como um tema fraturante que compromete a convivência ética no espaço escolar. Com base em autores como Adorno, Berkenbrock-Rosito, Cosson, Freire, Josso, Lajolo, e Schiller, busca-se demonstrar como a experiência estética e a mediação literária podem fomentar práticas pedagógicas mais sensíveis e humanizadoras, aptas a prevenir e enfrentar expressões simbólicas da violência contemporânea. A pesquisa adota como metodologia a análise bibliográfica dos últimos dez anos na plataforma da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e na base de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO). Essa escolha metodológica considera a necessidade de que a formação docente e as práticas pedagógicas, em especial as de mediação literária, estejam alicerçadas na escuta e na sensibilidade ética e estética. Busca também reafirmar o compromisso da educação com uma transformação social integral, equitativa e inclusiva.
Palavras-chave: Educação Estética; Leitura Literária; Cyberbullying.

ABSTRACT
This paper proposes a literature review aimed at intertwining the fields of Aesthetic Education, Literary Reading, Teacher Training, and the phenomenon of cyberbullying, understood here as a fracturing theme that compromises ethical coexistence in the school environment. Drawing on authors such as Adorno, Berkenbrock-Rosito, Cosson, Freire, Josso, Lajolo, and Schiller, the study seeks to demonstrate how aesthetic experience and literary mediation can foster more sensitive and humanizing pedagogical practices, capable of preventing and confronting symbolic expressions of contemporary violence. The research adopts as its methodology a bibliographic analysis of the last ten years using the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (CAPES) platform and the Scientific Electronic Library Online (SciELO) database. This methodological choice considers the need for teacher training and pedagogical practices—especially those involving literary mediation—to be grounded in active listening as well as ethical and aesthetic sensitivity. Furthermore, it seeks to reaffirm the commitment of education to an integral, equitable, and inclusive social transformation.
Keywords: Aesthetic Education; Literary Reading.Cyberbullying.

1. INTRODUÇÃO

Frente a um contexto educacional caracterizado por fragilidades nas relações interpessoais e pelo aumento das tensões estéticas e éticas, é fundamental revisitar o papel formador da escola e, especialmente, da atuação docente. O surgimento do cyberbullying como um comportamento cada vez mais presente entre estudantes e, por vezes, também atingindo docentes, exige uma formação que ultrapasse o domínio apenas técnico. Nesse contexto, tanto a Educação Estética quanto a Leitura Literária revelam-se caminhos potentes para despertar a sensibilidade, fomentar a empatia e estimular a reflexão crítica.

Para que essa potência se efetive, a conceituação da Leitura Literária precisa superar a visão tradicional focada na simples decodificação de palavras. Ela representa uma experiência formativa profunda. Logo, compreender o texto literário significa também ler a própria realidade e as realidades circundantes. Consiste em um processo interativo no qual o leitor mobiliza suas vivências e seu repertório cultural para construir sentidos. Por sua natureza artística e polissêmica, a obra literária convida a mergulhar na alteridade e a experienciar os conflitos humanos de forma segura. Essa imersão transforma o ato de ler em uma verdadeira tomada de consciência.

Inspirando-se em pressupostos de Schiller (2002) sobre a harmonização entre razão e sensibilidade, assim como nas abordagens de autores como Adorno (2020), Berkenbrock-Rosito (2009), Freire (1996, 2021, 2003) e Josso (2007), este artigo promove uma articulação entre Educação Estética, Leitura Literária e formação docente. Dessa forma, busca-se analisar de que maneira essas dimensões podem colaborar no enfrentamento de questões contemporâneas sensíveis, como o cyberbullying, que colocam em risco a convivência salutar.

A pesquisa fundamenta-se em uma revisão bibliográfica de caráter transdisciplinar, com o propósito de mapear aportes teóricos que respaldem práticas pedagógicas pautadas na humanização. Evidencia-se a necessidade premente de uma formação docente que incorpore a sensibilidade, a escuta atenta e a ética como pilares essenciais da prática educativa. Esse processo contribui para a constituição de sujeitos mais conscientes, empáticos e abertos à complexidade da condição humana, capazes de dialogar com múltiplas perspectivas e reconhecer a diversidade presente nas experiências humanas.

Ao considerar a Educação Estética como fundamento para a formação ética, Schiller (2002) destaca seu papel central no desenvolvimento moral e político do indivíduo, valorizando a arte como via essencial para a humanização. Já Adorno (2020) defende que uma Educação genuína vai além da simples conformidade ao status quo, promovendo uma consciência crítica que capacita o sujeito a refletir sobre as contradições sociais e a resistir às formas sutis de opressão presentes no dia a dia.

Corroborando com essa ideia, Berkenbrock-Rosito (2009, p. 487) afirma:

O legado de Paulo Freire nos inspira na compreensão da humanização do ser humano como processo de conscientização de ser histórico e inacabado, para aprendermos a pensar a partir do vivido: retomando a trajetória pessoal e profissional para ampliar o alcance da educação estética aos educadores no desenvolvimento da criatividade como prática da arte.

Conforme defende Freire (2021, p. 36), “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, ressalta-se a importância da compreensão crítica do contexto social como base para o exercício pleno da Leitura Literária. Essa concepção amplia a noção de leitura para além do texto escrito, englobando a experiência vivida e os saberes construídos na relação com o mundo, o que se mostra essencial na formação de leitores críticos e sensíveis.

Nessa mesma perspectiva, Lajolo (1994, p. 7) afirma que “lê-se para entender o mundo, para viver melhor”. A literatura, assim, se apresenta como um espaço fundamental para o desenvolvimento ético e estético dos indivíduos, ao possibilitar o contato com diversas realidades, perspectivas e vivências humanas. Por meio desse diálogo simbólico entre o eu e o outro, entre o concreto e o imaginário, a Leitura Literária expande a capacidade sensível, fomenta a empatia e estimula uma análise crítica das condições sociais, históricas e culturais que influenciam a existência. Assim, o leitor é chamado não apenas a entender o mundo ao seu redor, mas também a reconsiderá-lo a partir de uma postura mais consciente, solidária e comprometida com a transformação.

Complementando essa visão, Cosson (2006, p. 17) observa que “a experiência literária não só nos permite saber da vida por meio da experiência do outro, como também vivenciar essas experiências”. Nesse aspecto, a literatura possibilita tanto a descoberta de si mesmo quanto o acesso a diferentes realidades. Assim, o leitor literário não é apenas um decodificador de signos, mas um sujeito ativo que interpreta, questiona e ressignifica o mundo a partir das narrativas que acessa.

É por meio da fruição estética que o leitor constrói sentidos que dialogam com sua trajetória pessoal, seus valores e suas experiências sociais. A Leitura Literária, portanto, constitui um espaço formativo onde se articulam emoção, pensamento e crítica, contribuindo para a formação de sujeitos sensíveis, conscientes e abertos à complexidade da existência humana. Nessa perspectiva, pensar o papel da Leitura Literária na formação docente implica reconhecer o professor não apenas como um transmissor de saberes, mas como um sujeito em contínuo processo de autoconhecimento. É justamente sobre essa dimensão vivencial do tornar-se educador que Josso (2007, p. 417) argumenta:

A concepção experiencial da formação de si em todas as suas facetas, dimensões, registros tem, certa mente, articulações importantes com o conceito tradicional de identidade mas ela nos parece muito mais rica que ele porque completa as categorias tradicionais das ciências do humano, dando lugar às vivências refletidas e conscientizadas, integrando assim as dimensões de nosso ser no mundo, nossos registros de expressões, nossas competências genéricas transversais e nossas posições existenciais.

Compreender a formação a partir dessas "vivências refletidas" significa que o professor não está isolado, mas profundamente imerso nas contradições da sociedade em que atua. Afinal, como cita Libâneo (2013, p. 14), “a educação – ou seja, a prática educativa – é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades”. Inserida nessa dinâmica social, a escola torna-se palco das tensões do seu tempo, exigindo do docente uma postura ética diante de temas fraturantes. O cyberbullying, por exemplo, representa um desses desafios emergentes, pois gera violências nas relações cotidianas e demanda práticas formativas que promovam ambientes escolares mais saudáveis, empáticos e inclusivos.

Essas violências assumem múltiplas facetas no contexto educacional. Elas extrapolam as agressões físicas diretas para se consolidarem também como violências simbólicas, morais e psicológicas. A discriminação, o preconceito e a exclusão sistemática são reflexos evidentes de uma estrutura social excludente que reverbera fortemente nos corredores e nas salas de aula. Quando os estudantes vivenciam ataques contínuos relacionados a marcadores sociais, culturais ou físicos, o espaço que deveria ser de acolhimento se transforma em um território hostil. Tais dinâmicas agressivas afetam profundamente a subjetividade dos jovens, pois geram sofrimento psíquico, silenciam vozes e limitam o pleno desenvolvimento de suas identidades.

Ao levar em consideração a multiplicidade das identidades e das relações interpessoais, Josso (2007, p. 419) traz à luz que “a variabilidade e a singularidade das pessoas no plano psíquico, contrapostas aos modelos oferecidos pelas ciências sociais, criam um campo de liberdade possível na formação da identidade psico-sociocultural”. É justamente na defesa desse campo de liberdade que a práxis educativa precisa atuar. Diante disso, torna-se imprescindível que a formação docente contemple estratégias para reconhecer, enfrentar e prevenir violências como o cyberbullying. Essa atuação deve se dar a partir de uma perspectiva ética e estética, fundamentada na escuta, no diálogo e no respeito à diversidade. Nesse sentido, a Educação Literária consolida-se como uma poderosa aliada na constituição de sujeitos mais sensíveis, críticos e, sobretudo, comprometidos com a emancipação e a transformação social.

2. METODOLOGIA

A investigação desenvolvida neste artigo fundamenta-se em uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, cuja finalidade foi articular os campos da Educação Estética, Leitura Literária, Formação Docente e o fenômeno do cyberbullying. Para tanto, foram consultadas obras de referência e artigos científicos disponíveis nas bases acadêmicas SciELO nacional e CAPES Periódicos, selecionadas pelo prestígio nacional. Buscava-se, assim, compreender como essas áreas dialogam e oferecem subsídios para a consolidação de práticas educativas mais éticas e sensíveis.

Durante o levantamento nessas bases de dados, foi possível notar uma quantidade restrita de estudos voltados ao cyberbullying no cenário educacional. Essa lacuna teórica fica ainda mais evidente quando se busca o cruzamento desse tema com a Leitura Literária. Grande parte da produção acadêmica atual direciona o foco para as questões legais ou psicológicas da violência virtual e acaba por deixar de lado as investigações sobre o potencial estético e mediador da literatura. Essa escassez de fontes reafirma a originalidade e a urgência da discussão proposta neste trabalho.

A seleção do material bibliográfico seguiu critérios de relevância temática e atualidade, com foco em publicações que abordassem a intersecção entre formação de professores e enfrentamento da violência simbólica na escola, especialmente no contexto digital. Os descritores utilizados nas buscas foram: “cyberbullying + formação de professores”, “cyberbullying + formação docente” e “educação estética + docente + leitura literária”.

Quadro 1. Síntese dos descritores

Autor(es)

Ano

Título

Fonte / Periódico

Tema / Foco

Base

VENTURA, Alexandre; VICO, Beatriz P.; VENTURA, Rosângela.

2016

Bullying e formação de professores: contributos para diagnóstico

Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação

Bullying e formação docente

SciELO

TREVIZAN, Zizi; GEBRAN, Raimunda A.; GUIMARÃES, Cléber F.

2017

A mediação docente no ensino da leitura literária

Revista Teias

Leitura literária e mediação

SciELO

FLÔRES, Fabrine N. et al.

2022

Cyberbullying no contexto escolar: a percepção dos professores

Psicologia Escolar e Educacional

Cyberbullying e percepção docente

SciELO

SOPRANI, Bruna S.; FORESTI, Nayara S.; RICARDO, Lorena S.

2024

Impactos e desafios do bullying no contexto escolar: uma revisão integrativa da literatura no campo da educação

Revista Foco

Bullying e desafios escolares

SciELO

Fonte: Elaboração própria.

A análise da bibliografia selecionada evidenciou aportes teóricos relevantes que reforçam a ideia de que práticas formativas ancoradas na estética e na literatura podem desempenhar um papel estratégico tanto na prevenção de comportamentos violentos quanto na promoção de um ambiente escolar mais acolhedor e inclusivo. Assim, a metodologia adotada não se limitou à descrição das fontes, mas buscou elaborar conexões críticas entre os textos analisados e os objetivos reflexivos propostos pelo estudo.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Compreender a escola como um microcosmo da sociedade exige reconhecer que ela é permeada por temas fraturantes. São questões urgentes que tensionam o convívio, atravessam as práticas e desafiam a rotina escolar. Para além do cyberbullying, que reconfigurou as violências e o isolamento por meio do ambiente digital, o cotidiano das escolas lida diariamente com o reflexo das desigualdades socioeconômicas e históricas, com os variados tipos de intolerância à diversidade e com a crescente fragilização dos vínculos humanos.

A pluralidade inerente ao contexto educacional reflete uma multiplicidade de identidades, culturas e vivências singulares. Embora essa diversidade enriqueça a experiência formativa de toda a comunidade, ela frequentemente esbarra em preconceitos estruturais que marginalizam sujeitos e invisibilizam suas trajetórias. Reconhecer e legitimar as múltiplas bagagens que os estudantes trazem para a escola representa um compromisso ético fundamental. Afinal, é justamente no contato direto com a diversidade que as diferenças podem se transformar em motivo de exclusão ou em uma oportunidade real para edificar uma convivência verdadeiramente plural e democrática.

É a partir dessa exigência ética, estética e relacional que a análise das produções selecionadas revela os desafios da atuação docente frente às violências contemporâneas. Estudos como os de Ventura, Vico e Ventura (2016) demonstram fragilidades nos cursos de formação docente no que se refere à prevenção e enfrentamento de violências como o bullying e o cyberbullying, apontando carência de ferramentas teórico-práticas para lidar com tais situações. No mesmo sentido, Soprani, Foresti e Ricardo (2024) enfatizam os impactos emocionais da violência escolar não apenas nos estudantes, mas também nos professores, que muitas vezes se sentem desamparados frente à complexidade do problema. A pesquisa de Flôres et al. (2022) complementa esse diagnóstico ao destacar que o cyberbullying, por ocorrer em ambientes virtuais, muitas vezes escapa ao alcance das intervenções escolares, aumentando o sentimento de impotência entre os educadores.

Diante desse panorama revelado pela literatura, a Leitura Literária emerge como uma possibilidade concreta de intervenção pedagógica humanizadora. Trevizan, Gebran e Guimarães (2017) ressaltam o papel do professor como um mediador da leitura, cuja atuação vai além da simples decodificação do texto, promovendo vivências estéticas que favorecem tanto o desenvolvimento da empatia quanto da reflexão crítica. Ao tratar de temas delicados e provocadores como sofrimento, exclusão e injustiça a literatura contribui para a elaboração simbólica das experiências escolares, criando um espaço de escuta sensível e expressão emocional. Essa compreensão se fortalece na medida em que se reconhece o potencial das narrativas literárias para provocar deslocamentos simbólicos, essenciais à construção de um olhar mais atento às dores alheias. Tal movimento é especialmente relevante no combate a manifestações de violência, como o cyberbullying, ao promover processos de tomada de consciência e ressignificação das relações no ambiente escolar.

A literatura, quando mediada por um professor eticamente preparado e esteticamente sensível, pode favorecer o fortalecimento de ambientes escolares mais solidários, harmoniosos e justos. Nesse sentido, os estudos analisados convergem ao apontar que o enfrentamento de temas fraturantes deve ser parte integrante da formação docente, exigindo um investimento não só em saberes técnicos, mas também em competências emocionais, estéticas e relacionais. O texto busca, portanto, demonstrar que a literatura oferece um repertório sensível, ético e estético capaz de auxiliar os educadores na mediação desses conflitos e estimular novas formas de humanização, resistência e acolhimento no espaço educativo.

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa buscou investigar a articulação entre a Educação Estética, a Leitura Literária e a Formação Docente como caminhos pedagógicos possíveis para o enfrentamento das violências contemporâneas no ambiente escolar. O percurso teórico trilhado ao longo deste artigo permitiu compreender que a escola não representa um espaço neutro ou isolado. Ela se configura como um território vivo onde as contradições sociais e os temas fraturantes ganham contornos cada vez mais complexos e desafiadores para a prática educativa. O cyberbullying, de forma especial, exige um olhar atento e profundo, pois atinge diretamente a subjetividade dos sujeitos envolvidos.

A revisão da literatura evidenciou uma lacuna significativa nas produções acadêmicas atuais. Foi possível notar que grande parte dos estudos ainda prioriza abordagens punitivas ou estritamente comportamentais para lidar com as agressões no ambiente digital. Poucas investigações dedicam atenção ao potencial formativo da arte e da literatura como ferramentas de prevenção e de reconstrução dos vínculos afetivos entre os estudantes. Essa escassez reafirma a urgência de repensar a preparação dos professores, evidenciando que o preparo apenas técnico não consegue mediar o sofrimento psíquico e as exclusões que atravessam as salas de aula.

Diante desse cenário de fragmentação, o estudo consolida a premissa de que a mediação literária ultrapassa a mera decodificação de textos. Ela se estabelece como uma experiência estética profunda e emancipatória. É exatamente neste ponto que a formação docente precisa ser encarada como um processo contínuo de autoconhecimento. Pensamento este consonante com o de Josso (2007, p. 420):

Abordar o conhecimento de si mesmo pelo viés das transformações do ser – sujeito vivente e conhecente no tempo de uma vida, através das atividades, dos contextos de vida, dos encontros, acontecimentos de sua vida pessoal e social e das situações que ele considera formadoras e muitas vezes fundadoras, é conceber a construção da identidade, ponta do iceberg da existencialidade, como um conjunto complexo de componentes.

Ao compreender a construção da identidade por meio desse conjunto complexo de vivências, fica evidente que o educador precisa constituir a sua própria bagagem cultural e emocional para conseguir orientar seus alunos de forma integral. Quando o professor assume o papel de mediador sensível, a literatura passa a atuar de forma libertadora. As narrativas oferecem aos jovens a oportunidade de elaborar seus conflitos e de mergulhar na alteridade, substituindo a hostilidade pelo acolhimento irrestrito da diversidade.

A reflexão final aponta que o combate às violências escolares exige um compromisso muito maior do que a simples criação de regras de convivência. Requer o investimento contínuo em uma formação docente pautada pela ética e pela sensibilidade estética. Fica o convite para que futuras pesquisas ampliem essa discussão em espaços práticos do cotidiano escolar. O objetivo maior é garantir que a leitura da palavra e a leitura do mundo caminhem sempre juntas na edificação de escolas verdadeiramente democráticas, plurais e justas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.

FLÔRES, Fabrine Niederauer; VISENTINI, Danielle Machado; FARAJ, Suane Pastoriza; SIQUEIRA, Aline Cardoso. Cyberbullying no contexto escolar: a percepção dos professores. Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 26, e226330, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/2175-35392022226330. Acesso em: 17 maio 2025.

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SOPRANI, Bruna da Silva; FORESTI, Nayara da Silva; RICARDO, Lorena Santos. Impactos e desafios do bullying no contexto escolar: uma revisão integrativa da literatura no campo da educação. Revista Foco, Curitiba, v. 17, n. 5, e5130, p. 1-22, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n5-179. Acesso em: 17 maio 2025.

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VENTURA, Alexandre; VICO, Beatriz Pedrosa; VENTURA, Rosângela. Bullying e formação de professores: contributos para um diagnóstico. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 24, n. 93, p. 990-1012, out./dez. 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-403620160004000010. Acesso em: 17 maio 2025.


1 Mestranda em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID). Lattes: http://lattes.cnpq.br/9179701214775044. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-6924-0554

2 Professora Doutora da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID). Lattes: http://lattes.cnpq.br/1441799724825241. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9010-1101.