EDUCAÇÃO E TRÂNSITO: A ATUAÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA PRÁTICA EDUCATIVA DE TRÂNSITO DE CURITIBA – DER/PR

EDUCATION AND TRAFFIC: THE PEDAGOGICAL ACTION IN THE CURITIBA TRAFFIC EDUCATION PRACTICAL SCHOOL – DER/PR

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789453531

RESUMO
O presente estudo aborda a relevância e a atuação dos pedagogos na Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba – DER/PR (EPET), destacando sua contribuição na promoção da conscientização e segurança nas vias. Parte-se do pressuposto de que o trânsito envolve todos os cidadãos e requer responsabilidade individual e coletiva, de modo que a educação se apresenta como o caminho para a construção de uma cultura de paz e respeito às normas e leis acerca do trânsito desde a infância. A temática justifica-se pelos altos índices de acidentes apontados pela OMS (2023) como uma das principais causas de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos. Nesse cenário, a atuação pedagógica na EPET Curitiba representa não apenas uma ampliação do campo profissional da pedagogia, mas também uma estratégia efetiva para a transformação social e para a formação de condutas responsáveis no trânsito. A pesquisa, de natureza aplicada, qualitativa e exploratória, foi desenvolvida por meio de observações, análise das atividades e práticas desenvolvidas e questionário aplicado com os profissionais da EPET Curitiba, e buscou compreender como os pedagogos contribuem para a formação de valores de respeito, cidadania e segurança viária. A pesquisa evidenciou que as práticas pedagógicas desenvolvidas neste âmbito promovem a conscientização e a formação cidadã desde a infância, consolidando a instituição como referência na educação para o trânsito. Apesar dos avanços, persistem desafios relacionados à falta de políticas públicas, infraestrutura e formação continuada. Reconhecer essas fragilidades é essencial para fortalecer o papel da instituição, na construção de uma cultura de paz e respeito no trânsito e no ato de transitar.
Palavras-chave: educação e trânsito; conscientização; cidadania; valores; práticas pedagógicas; segurança.

ABSTRACT
This study addresses the relevance and role of educators at the Curitiba Traffic Education Practical School – DER/PR (EPET), highlighting their contribution to promoting awareness and safety on the roads. It is based on the premise that traffic involves all citizens and requires individual and collective responsibility, so that education is presented as the path to building a culture of peace and respect for traffic rules and laws from childhood. The theme is justified by the high accident rates identified by the WHO (2023) as one of the leading causes of death among children and young people aged 5 to 29. In this context, the pedagogical work at EPET Curitiba represents not only an expansion of the professional field of pedagogy, but also an effective strategy for social transformation and the formation of responsible behaviors in traffic. This applied, qualitative, and exploratory research was developed through observations, analysis of activities and practices, and a questionnaire administered to professionals at EPET Curitiba. It sought to understand how educators contribute to the formation of values of respect, citizenship, and road safety. The research showed that the pedagogical practices developed in this context promote awareness and civic education from childhood, consolidating the institution as a reference in traffic education. Despite the progress, challenges persist related to the lack of public policies, infrastructure, and continuing education. Recognizing these weaknesses is essential to strengthening the institution's role in building a culture of peace and respect in traffic and in the act of moving around.
Keywords: education and traffic; awareness; citizenship; values; pedagogical practices; safety.

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa trata sobre o tema da importância do papel do pedagogo na Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba DER/PR (EPET), para a promoção da conscientização no trânsito. O tema possibilita uma série de questionamentos e reflexões na atualidade uma vez que, o ato de transitar acompanha a humanidade desde os primórdios, quando os povos nômades se deslocavam em busca de sobrevivência. Com o passar dos séculos, a locomoção foi se transformando, transitar deixou de ser apenas um movimento físico para se tornar um fenômeno social, que envolve convivência, respeito e responsabilidade coletiva. A relevância do tema se torna evidente diante do crescente índice de acidentes de trânsito registrados diariamente no Brasil e no mundo, como aponta o Relatório Global sobre a Situação da Segurança Rodoviária, publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2023, sobre a falta de segurança no trânsito que resulta em aproximadamente 1,2 milhão de mortes por ano, e as lesões causadas pelos acidentes de trânsito, como a principal causa de morte entre crianças e jovens na faixa etária de 5 a 29 anos. Nesse cenário, a atuação pedagógica na EPET Curitiba representa não apenas uma ampliação do campo profissional da pedagogia, mas também uma estratégia para a transformação social e para a formação de condutas responsáveis no trânsito, onde é possível questionar, quais as contribuições dos pedagogos que atuam na Escola Prática Educativa De Trânsito de Curitiba, acerca da educação para o trânsito? Para tal indagação, propõe-se uma pesquisa a fim de investigar as contribuições e práticas pedagógicas dos pedagogos na EPET Curitiba. Autores como Santos (2006), Pavarino (2004), Schneider (2022) contribuem para fundamentar a discussão, reforçando a importância de práticas educativas voltadas à cidadania. Para tanto, a pesquisa foi desenvolvida de forma aplicada, por meio de uma abordagem qualitativa de caráter exploratório, a partir de observações diretas em campo, análise das práticas realizadas e aplicação de questionário com os profissionais que atuam na instituição. Buscou-se compreender de que maneira os pedagogos contribuem para a construção de um trânsito seguro desde a infância, fortalecendo a educação para o trânsito como instrumento de formação integral dos indivíduos. A análise das respostas do questionário aplicado evidenciou que as práticas pedagógicas desenvolvidas na EPET têm contribuído significativamente para a formação de valores de respeito, cidadania e segurança no ato de transitar desde a infância.

O TRÂNSITO

Compreende-se a mobilidade humana como responsável pelo deslocamento dos indivíduos, ação que faz parte do cotidiano de toda a sociedade. O trânsito, por sua vez, é o resultado da organização da circulação de pessoas, veículos ou animais nas vias públicas, as quais se caracterizam como espaços coletivos, de uso constante e de convivência entre os usuários. No trânsito, manifestam-se comportamentos, valores e atitudes que influenciam diretamente a dinâmica política, social, cultural e urbana da sociedade. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), instituído pela Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997, o trânsito é definido como:

A utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga. O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito (Brasil, 1997, p. 1).

A definição presente no CTB sobre o trânsito, evidencia o fato de que ele não se constitui apenas de veículos e seus motoristas, mas atinge todos os indivíduos que utilizam as vias públicas, tornando-se um espaço coletivo que visa promover o deslocamento de todos em condições seguras. A segurança viária se inicia através do comportamento de cada indivíduo que dispõe do uso do trânsito. Nesse contexto, o trânsito moderno está diretamente associado às constantes mudanças da sociedade, e principalmente a expansão da urbanização e a necessidade de uso de veículos para facilitar a locomoção dos indivíduos no espaço viário. Diante do crescente aumento dos números de veículos e pedestres circulando nas vias, tornou-se necessária a elaboração de legislações específicas, voltadas para o trânsito e a segurança viária, a fim de fiscalizar, prevenir e orientar os cidadãos acerca de suas ações e comportamentos no ato de transitar.

A formulação do código de trânsito vigente foi, como outras discussões ocorridas durante a redemocratização do país, fortemente influenciada por um espírito que via na educação o caminho para a solução de várias mazelas e iniquidades que caracterizam o país. A promulgação da constituição brasileira e o início dos trabalhos que resultaram no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deram-se, aliás, em períodos bastante próximos (Pavarino, 2004, p. 60).

A compreensão das leis e regras de trânsito por parte de quem utiliza as vias públicas, é imprescindível ao avaliarmos a forma que esse espaço é utilizado, uma vez que o comportamento que a sociedade tem no trânsito é resultado também de suas influências culturais e sociais, que permeiam nesse espaço. O espaço é o meio onde se formam, se transformam e se realizam os arranjos sociais e onde se estabelecem as relações entre os objetos e as ações (Santos, 2006, p. 63). A responsabilidade coletiva e a utilização de forma consciente e segura das vias públicas, devem ser desenvolvidas desde a infância, formando cidadãos comprometidos com a segurança viária, colocando em prática valores como o respeito e a cidadania, como aponta Schneider:

Com vista à educação para o trânsito, não se trabalha apenas com o ensinamento de leis, mas propiciando a noção de respeito e cidadania no espaço público, o que contribui para uma sociedade mais consciente sobre o trânsito. Essa proposta vai ao encontro do objetivo deste trabalho, no qual o foco não é apenas a legislação, mas a educação dentro do contexto escolar para a produção de mudança cultural, buscando não somente a aplicação de regras e normas previstas de forma técnica, mas o desenvolvimento do lado humano das pessoas (Schneider, 2022, p. 58).

O comportamento e a responsabilidade dos indivíduos que compõem o trânsito, bem como os valores, ocorrem por sua vez através da conscientização acerca desta temática. Nesse sentido, a Educação para o trânsito desempenha um papel essencial de resgate a esses valores, contribuindo assim, para uma mudança social no ato de transitar e para o fortalecimento da cultura de paz no trânsito.

A EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO

A Base Nacional Comum Curricular, (BNCC) é o documento normativo que orienta os currículos da Educação básica de todo o país, nela, contempla-se temas previstos a serem desenvolvidos no âmbito escolar. A educação para o trânsito é um deles e está inserida no tema transversal “Ética e Cidadania”.

Por fim, cabe aos sistemas e redes de ensino, assim como às escolas, em suas respectivas esferas de autonomia e competência, incorporar aos currículos e às propostas pedagógicas a abordagem de temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma transversal e integradora. Entre esses temas, destacam-se: direitos da criança e do adolescente, educação para o trânsito, educação ambiental (...) (Brasil, 2018, p. 17).

A BNCC preconiza a importância de se trabalhar essa temática nas escolas, visando a promoção da responsabilidade social, segurança e respeito às normas e leis de trânsito. O currículo das escolas precisa estar alinhado de modo a promover a interdisciplinaridade ao se tratar da educação no trânsito, pois esse tema torna-se relevante em vários componentes curriculares, contribuindo para a formação cidadã de forma mais consciente, responsável e segura. A educação básica é um período importante para a criança reconhecer-se como sujeito com identidade e pertencimento que vive num lugar, mas que está submetido às regras do mundo no contexto dos processos e globalização (Callai, 2015, p.23).

Educar para o trânsito vai além de ensinar e cumprir regras e leis, deve ser compreendida a fins de conscientização das ações humanas e responsabilidade diante delas. O foco não é apenas a legislação, mas sim refletir sobre as atitudes e o alcance de práticas seguras, que se pode replicar no espaço viário. Neste quesito, entende-se que a educação para o trânsito nas escolas assume um papel de prevenção e redução dos comportamentos de risco neste âmbito, estimulando práticas mais seguras e conscientes, promovendo assim, a ética e a cidadania.

Neste sentido, pensar em segurança no trânsito quando alguém sai de sua residência para se deslocar para um determinado local é fator que demarca os aspectos de cidadania e confiabilidade, há alguns anos percebe-se o elevado índice de acidentes no trânsito da comunidade. Daí a importância de se estudar conceitos relativos ao trânsito. Neste sentido, a escola é o meio pelo qual se insere uma cultura de responsabilidade mútua (Pinto; Costa, 2022, p. 60).

A educação para o trânsito não contempla somente as habilidades de convívio dos indivíduos, explorar esta temática no ambiente educacional contribui também para o desenvolvimento de competências socioemocionais, além de fortalecer as relações consigo e com os outros. Grande parte das atitudes violentas que encontramos no trânsito decorre da falta dessas competências, bem como o controle de comportamentos agressivos, raiva e tolerância no espaço viário. A falta de empatia e responsabilidade humana para com seus atos influencia diretamente no crescente e expressivo número de acidentes e mortes diárias no trânsito. O trânsito é de todos e consequentemente a responsabilidade das ações nele também é de todos, Panitz (2006, p. 39), afirma que os problemas de trânsito são imensos e não podem ser tratados somente como um problema de Polícia, Justiça ou Engenharia, mas sim se buscar a solução através da Educação e da Saúde Pública. Segundo Andrino:

A educação para o trânsito deve em sua totalidade prever uma formação não somente acadêmica, mas principalmente humana que supere o conhecimento de normas e regras pré-estabelecidas, investindo na mudança de atitudes, utilizando se de uma metodologia que valorize o conhecimento da realidade do trânsito em que o aluno está inserido, considerando suas experiências, como o início para a sistematização do conhecimento de que necessita para sobreviver confiante, saudável, educado e feliz, refletindo na sociedade e no sistema de trânsito as expectativas dos educadores na formação do homem e do cidadão (Andrino, 2001, p. 12).

Nesse quesito, entende-se que a Educação desempenha um papel crucial acerca do alcance da promoção da temática, visando minimizar os índices de acidentes de trânsito como um todo. Educar e conscientizar desde a infância é uma das possibilidades de propagar a segurança viária, no intuito de instigar boas práticas no trânsito desde cedo. Dessa forma, inserir a educação no trânsito no ambiente escolar e fora dele, desde os primeiros anos da formação cidadã, não apenas atende às exigências legais, como também contribui efetivamente para a construção de uma sociedade consciente e responsável ao utilizar as vias.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (Lei no 9.503/1997), é responsabilidade do Estado promover a educação para o trânsito, conforme estabelece o artigo 74, como meio de assegurar a segurança viária e a formação cidadã. Por conseguinte, alinhadas com a legislação vigente, destaca-se o papel fundamental de Escolas Práticas Educativas de Trânsito (EPETs), que atuam diretamente com essa temática, promovendo vivências pedagógicas contextualizadas e práticas, de modo a efetivar a segurança viária como um todo.

A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS PRÁTICAS EDUCATIVAS DE TRÂNSITO

As Escolas Práticas Educativas de Trânsito (EPETs), atuam especificamente nessa área com o propósito de sensibilizar, desde a infância, os indivíduos quanto à responsabilidade por suas atitudes no espaço viário. Esses espaços se configuram como ambientes educativos e pedagógicos, planejados exatamente para alcançar o objetivo de se promover a educação para o trânsito. No estado do Paraná existem cinco Escolas Práticas Educativas de Trânsito, vinculadas ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), órgão responsável pela administração, conservação e fiscalização das rodovias estaduais. Essas escolas estão localizadas nos municípios de Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Londrina e Curitiba, sendo a EPET de Curitiba, a escola pioneira, matriz e coordenadoria de Educação de Trânsito do Estado do Paraná, de acordo com o decreto no 4475/05 art.48, de 14/03/2005:

A coordenadoria de educação de trânsito compete: I - a promoção de educação de trânsito, incluindo direção defensivas em áreas pedagógicas de trânsito para escolas e membros da comunidade, mediante programas previamente aprovados; II - o planejamento e a execução de campanhas educativas de trânsito; III - a proposição de convênios, com o objetivo de educação de trânsito, com órgãos públicos e entidades particulares ou privadas; IV - os entendimentos com a rede de ensino estadual, municipal e particular, com o objetivo de estabelecer programas e metas de educação de trânsito (Paraná, 2005).

O trabalho desenvolvido nas EPETs visa à formação cidadã das crianças, ao envolvimento com a temática do trânsito e à conscientização sobre a convivência segura nas vias públicas. A educação cidadã refere-se ao comprometimento com o outro e com o mundo em que se vive. Nas Escolas Práticas Educativas de Trânsito a temática inicia-se na teoria e se fortalece na prática. Nas EPETs, a educação para o trânsito concretiza-se com o intuito de formar bons pedestres, multiplicar conhecimentos e contribuir para a redução dos índices de risco nas vias. As escolas complementam os conteúdos teóricos trabalhados nas escolas regulares, atendendo às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e proporcionando vivências práticas com situações cotidianas do trânsito. Nesses espaços, a promoção da temática acontece através de profissionais preparados e capacitados para atuar neste âmbito, onde destacam-se os pedagogos que contribuem de forma efetiva para a construção do conhecimento sobre o trânsito.

Educar para o trânsito se torna de fundamental importância para a sociedade na atualidade pois, os acidentes de trânsito são responsáveis por milhares de mortes todos os anos. Neste sentido, a escola necessita acompanhar as mudanças sociais preparando o educando para saber transitar no espaço público, além de refletir sobre a questão da ética, ou seja, repensar sobre as diversas faces de conduta do ser relacionadas ao ato de transitar (Oliveira, 2010, p.57).

A presença de pedagogos nas Escolas Práticas Educativas de Trânsito (EPETs) é de fundamental importância para assegurar que o processo educativo seja conduzido de forma coerente, intencional e adequada às especificidades do público atendido. A formação do pedagogo permite articular aspectos técnicos e pedagógicos, promovendo práticas educativas que vão além da simples transmissão de conteúdos, como destaca Freire (1996, p. 25), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Dessa forma, o pedagogo contribui para a construção de um ambiente de aprendizagem mais humanizado, onde o conhecimento técnico é integrado ao desenvolvimento ético, social e cidadão dos alunos.

METODOLOGIA

O estudo caracterizou-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, uma vez que buscou explorar as contribuições e práticas pedagógicas desenvolvidas pelos pedagogos que atuam na Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba DER-PT (EPET), para que se efetive a promoção da educação para o trânsito. Conforme Minayo (2012), a pesquisa qualitativa permite interpretar fenômenos a partir da perspectiva dos sujeitos, valorizando o contexto e a subjetividade das experiências.

A escolha da Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba DER-PR como campo de pesquisa se justificou por sua relevância ao promover a educação para o trânsito desde 1975, ano de sua fundação e início das atividades voltadas à temática. De acordo com informações do relatório interno da Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba – DER/PR (1975) a missão da instituição é “Mediar e compartilhar conhecimentos de mobilidade humana sustentável e segurança no trânsito para alunos da 4ª série/5ºano do ensino fundamental com o curso aprendendo e vivendo”. O órgão oficial responsável pela criação e funcionamento da escola é o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Logística do Estado, que tem como missão garantir a movimentação adequada de pessoas e bens no sistema viário estadual. O DER-PR mantém as 5 Escolas Práticas Educativas de Trânsito do estado do Paraná, a EPET Curitiba matriz e sede das demais escolas atua na formação cidadã de crianças matriculadas no 5º ano do ensino fundamental, das redes públicas e privadas de ensino, por meio de aulas práticas e teóricas e vivências na instituição que abordam a conscientização no trânsito.

Os participantes da pesquisa foram escolhidos de forma intencional, considerando suas atuações na EPET Curitiba como professores concursados, mediante à um vínculo formal entre a prefeitura municipal de Curitiba e o Estado do Paraná. Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado um questionário estruturado composto por três categorias de análise, que abordaram a caracterização dos participantes, a atuação na EPET Curitiba e os desafios e práticas pedagógicas desenvolvidas, além de observações em campo na referida instituição. A aplicação do questionário ocorreu presencialmente, em data previamente agendada, nas dependências da própria instituição. Antes do preenchimento, os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo o sigilo das informações e o cumprimento dos princípios éticos da pesquisa científica, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. A fim de garantir a confidencialidade e o sigilo dos quatro participantes da pesquisa, as respostas fornecidas ao questionário aplicado pelos participantes foram identificadas pelas siglas P1, P2, P3 e P4, (utilizou-se a letra “P” para se referir a “Professores”) e foram transcritas de forma fiel, sem alterações em seu conteúdo, garantindo a autenticidade das informações e dos dados analisados no decorrer desta pesquisa aplicada.

ANÁLISE DOS DADOS

A pesquisa de campo possibilitou a observação da dinâmica das atividades desenvolvidas na EPET Curitiba, e seu funcionamento. Os estudantes que são atendidos na instituição participam de um curso sobre o trânsito intitulado “Aprendendo e Vivendo” com a aplicação por meio de teoria e prática. O atendimento na EPET ocorre de forma gratuita, por se tratar de um órgão público mantido pelo Estado. Por meio das visitas para a observação direta em campo, notou-se existe um protocolo que antecipa a aula de campo, conduzido pela equipe administrativa da EPET que consiste em enviar uma carta convidando as escolas municipais e privadas de Curitiba e regiões metropolitanas, para realizarem o curso na instituição. Depois do aceite, a equipe realiza o agendamento prévio da data da aula de campo, separação e entrega do material didático, listagem com a relação dos estudantes que irão até a EPET e a confecção de certificado de participação e carteirinha de “Bom Pedestre” que é entregue ao final da visita quando o curso é finalizado. A entrega desta carteirinha efetiva a participação das crianças no curso, através dela acredita-se que para ser um bom motorista no futuro é necessário primeiramente ser um bom pedestre.

O material didático entregue nas escolas foi desenvolvido internamente e trata-se de uma cartilha que contém diversas informações e conteúdos acerca do trânsito, como o uso de dispositivos obrigatórios de segurança, sinalização semafórica, comportamento e atitudes no espaço viário, atuação dos agentes de trânsito, placas e demais sinalizações de trânsito. A cartilha acompanha também atividades para serem respondidas como estratégia de fixação dos conteúdos. O intuito de entregar o material didático antes da visita é desenvolver a previsibilidade dos conteúdos que serão abordados na visita de uma forma teórica, para que ao chegarem na instituição realizem o término do curso por meio de vivências práticas. Essa possibilidade de unir teoria e prática possibilita a formação integral e cidadã dos estudantes, como aponta Schneider:

Diante da previsão legal, cabe às instituições educacionais trabalharem com a educação para o trânsito numa perspectiva de convivência cidadã, com uma formação que visa a conscientizar e respeitar a diversidade sobre os meios de locomoção no espaço público, desenvolvendo-se a mobilidade urbana como um tema que está presente no cotidiano da vida dos estudantes (Schneider, 2022, p. 56).

Os atendimentos na EPET Curitiba acontecem em paralelo com o calendário letivo das escolas, e ocorrem tanto no período da manhã quanto no período da tarde. A média da quantidade varia entre 30 e 70 estudantes por turno diariamente. As atividades desenvolvidas durante a visita seguem uma rotina fixa que contém a entrada e recepção dos estudantes, aula teórica, teatro, simulações, intervalo, aula prática, finalização do atendimento e entrega dos certificados e carteirinhas. A instituição fornece lanche para os estudantes e os professores que participam das visitas, e os atendimentos ocorrem em aproximadamente 3h de duração. A pesquisa de campo foi necessária para coletar tais informações, e compreender o funcionamento e a dinâmica pedagógica da EPET Curitiba. Para Marconi e Lakatos a pesquisa de campo é:

Uma modalidade de investigação que se realiza no local onde ocorrem os fenômenos ou onde existem os elementos que se pretende estudar, permitindo a observação direta das atividades do grupo em estudo e a coleta de informações in loco (Marconi; Lakatos, 2021, p. 191).

Após as observações em campo, um questionário contendo 3 categorias de análise foi desenvolvido para embasar esta pesquisa, que teve como objetivo conhecer e explorar as práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba- DER/PR.

A primeira categoria de análise do questionário aplicado abordou a caracterização dos sujeitos da pesquisa, a fim de compreender o perfil profissional dos participantes. Participaram da pesquisa a equipe docente da EPET Curitiba, são servidores públicos concursados da Prefeitura Municipal de Curitiba, atuantes na SME, que mantém vínculo com o Estado do Paraná, pois para este âmbito não existe um concurso público específico. O grupo de professores é composto exclusivamente por profissionais do gênero feminino, todas possuem a formação inicial em Licenciatura em Pedagogia e especialização lato sensu (pós-graduação) em áreas diversas como: educação, autismo e ensino fundamental, direito educacional e ensino de música na escola. A formação continuada das docentes que atuam na EPET Curitiba demonstra o fortalecimento e aprimoramento das práticas pedagógicas a serem desenvolvidas nos âmbitos educacionais, bem como afirma Libâneo:

A formação continuada constitui-se em um processo de aperfeiçoamento permanente dos profissionais da educação, tendo em vista a reflexão sobre a prática educativa e a construção de novos saberes. Ela deve proporcionar aos professores condições para compreenderem as transformações sociais, políticas e culturais que afetam a escola e o ensino, além de possibilitar o desenvolvimento de competências pedagógicas que assegurem a qualidade da aprendizagem dos alunos (Libâneo, 2015, p. 71).

No que se refere ao tempo de atuação na área educacional, as respostas de ambas as quatro professoras foram de 10 anos ou mais de experiência na carreira docente, já a atuação na EPET Curitiba iniciou entre os anos de 2005 e 2020. O perfil das participantes da pesquisa evidenciou que a equipe docente é composta por profissionais qualificadas e experientes na área educacional, o que contribui para o desenvolvimento de práticas pedagógicas fundamentadas e contextualizadas no quesito da educação para o trânsito.

A atuação na EPET Curitiba foi o tema da segunda categoria de análise do questionário aplicado, quando questionadas sobre como ocorreu a inserção delas neste âmbito, todas as professoras responderam que começaram a atuar na EPET Curitiba através de convite formalizado pela coordenadoria da instituição e/ou indicação de docentes que já atuaram na instituição. A resposta das docentes reforçou o indicativo de que não existe um concurso ou uma especialização específica que aborde a temática de educação para o trânsito para se atuar na referida instituição. Sobre as atividades existentes na EPET Curitiba as respostas serão apresentadas a seguir, na tabela 1:

Tabela 1. Respostas sobre as principais atividades desenvolvidas na Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba-DER/PR:

Participante:

Resposta:

P1

Dar aula, palestras e instruir sobre o trânsito.

P2

Ministrar aulas, palestras, participar de ações relacionadas ao maio amarelo e semana nacional de trânsito.

P3

Organização das crianças, elaboração do relatório, aula teórica e prática, palestras para diferentes públicos e teatro.

P4

Organizar as crianças, ministrar palestras, apresentar teatro, ministrar aulas práticas, elaboração de relatórios, aulas teóricas.

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

As aulas teóricas e práticas mencionadas pelas docentes evidenciam que mesmo fora de um sistema de ensino regular, a atuação na EPET Curitiba e as práticas pedagógicas voltam-se ao propósito de ensinar, instruir e promover aprendizagens significativas. Nesse sentido, Franco afirma que:

A prática pedagógica realiza-se por meio de sua ação científica sobre a práxis educativa, visando compreendê-la, explicitá-la a seus protagonistas, transformá-la mediante um processo de conscientização de seus participantes, dar-lhe suporte teórico, teorizar com os atores, encontrar na ação realizada o conteúdo não expresso das práticas (Franco, 2012, p. 169).

Finalizando a segunda categoria de análise, as docentes responderam a seguinte indagação: “Você concorda que sua formação acadêmica e/ou experiência profissional contribui para sua atuação na educação para o trânsito? Todas as quatro participantes responderam afirmativamente “concordo”. A resposta unânime evidencia que as professoras reconhecem a importância da formação inicial e experiências profissionais como fatores determinantes para se atuar na área da educação para o trânsito. A terceira categoria de análise do questionário teve como tema os desafios e as práticas pedagógicas que são realizadas na EPET Curitiba. Acerca dos desafios encontrados na instituição as respostas serão apresentadas a seguir, na tabela 2:

Tabela 2. Respostas sobre quais os desafios existentes na implementação na educação para o trânsito na referida instituição:

Participante:

Resposta:

P1

Existem alguns desafios bastante significativos quando se fala em implementar e manter a educação para o trânsito, como: engajamento e sensibilização, capacitação e atualização dos educadores, integração com o currículo escolar, recursos didáticos e infraestrutura, articulação entre órgãos públicos. Apesar dos desafios, a EPET é uma referência importante e, quando consegue unir teoria, prática e vivência lúdica, alcança resultados duradouros.

P2

Número de estudantes, capacitação, infraestrutura.

P3

Estrutura física, materiais didáticos (papelaria), recursos audiovisuais, e o horário de chegada e saída das escolas. Com relação ao material que é enviado para as escolas, muitas vezes as professoras não utilizam na sala de aula antes da visita.

P4

Falta de estrutura, pois falta manutenção na escola, tanto no anfiteatro quanto na mini malha viária. Recursos de materiais pedagógicos muitas vezes são trazidos de casa pelas professoras. Faltam materiais audiovisuais, os horários de chegada e saída das escolas que atrapalham na organização das aulas.

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

A partir das respostas das professoras para esta indagação, notou-se diversos desafios citados no que se refere à implementação da educação para o trânsito na EPET Curitiba. A falta de estrutura e recursos didáticos foram citados de forma unânime pelas participantes, obstáculos estes que comprometem a qualidade das práticas pedagógicas na instituição. A necessidade de capacitação continuada acerca da educação para o trânsito também foi um tópico relevante apontado pelas docentes, considerando que a atuação delas neste âmbito implica-se de fato na formação cidadã dos estudantes, a busca pelo aperfeiçoamento da temática se faz necessária, conforme Schneider:

A função dos educadores é muito importante no sentido de educar sobre os cuidados que necessitam ser observados quando se está no espaço público; cuidados que podem ocorrer de várias formas, mesmo sem estar motorizado, como no caso do pedestre e do ciclista, que precisam estar atentos em relação aos demais veículos para não se envolver em acidentes (Schneider, 2022, p. 56).

Acerca das metodologias e práticas pedagógicas desenvolvidas neste âmbito, as docentes foram questionadas da seguinte forma: “Ao longo de sua atuação na EPET, quais foram as metodologias utilizadas para que a promoção da educação no trânsito se efetivasse, a fim de formar estudantes para a construção de uma sociedade mais segura?” as respostas das docentes serão apresentadas a seguir, na tabela 3:

Tabela 3. Respostas sobre as metodologias utilizadas na instituição para a efetivação da educação no trânsito:

Participante:

Resposta:

P1

Aprendizagem lúdica e vivencial, projetos interdisciplinares, metodologias ativas, estudos de caso, dramatização, tecnologias educacionais, simuladores, vídeos, recursos multimídia e aplicativos educacionais, campanhas educativas e fortalecimento de valores como respeito, empatia, cooperação.

P2

Aulas interativas a fim de que o público contribua com a aula, fazendo com que o conteúdo tenha maior significado para o contexto escolar. Dramatizações com situações reais com o objetivo de alertar para situações de perigo de forma lúdica.

P3

Aulas com vídeos, imagens, a participação dos estudantes em simulações, a utilização de jogos (jogo da memória) utilização do teatro para dramatizar.

P4

Aulas atrativas, com utilização de vídeos e imagens, utilização de materiais concretos como semáforos, dispositivos de segurança, participação prática dos estudantes para reforçar ações, teatro, jogos pedagógicos educacionais, aulas dinâmicas e práticas.

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

A partir das respostas das docentes foi possível analisar que na instituição são utilizadas metodologias diversas no intuito de promover a educação para o trânsito. Por meio de estratégias lúdicas, ativas, práticas e vivências, busca-se alcançar o protagonismo dos estudantes acerca da temática. As práticas pedagógicas citadas pelas docentes demonstram coerência com a missão e os objetivos da EPET Curitiba, valorizando a participação dos estudantes com o intuito de aproximar o educando do educador, ao contextualizar situações práticas do dia a dia com a realidade vivida por eles, bem como ponta Ausubel:

A aprendizagem significativa ocorre quando o novo conhecimento se relaciona, de maneira substantiva e não arbitrária, àquilo que o aprendiz já sabe. Para que isso aconteça, é necessário que o conteúdo seja potencialmente significativo, ou seja, que possa ser logicamente relacionado à estrutura cognitiva existente, e que o estudante manifeste uma disposição para aprender de modo significativo. Essa forma de aprendizagem promove a retenção duradoura das informações e possibilita a transferência do que foi aprendido para novas situações (Ausubel, 2003, p. 21).

De modo geral, a dimensão lúdica apareceu como elemento recorrente nas respostas das docentes, destaca-se o uso do teatro e dramatizações de situações sobre o trânsito, tornando o aprendizado mais dinâmico e prazeroso, contribuindo para o desenvolvimento de competências cognitivas, emocionais e sociais dos estudantes. O uso de tecnologias na EPET Curitiba também faz parte das ferramentas e estratégias utilizadas, segundo Kenski (2012), as tecnologias, quando incorporadas de forma crítica, ampliam as possibilidades de comunicação e aprendizagem, favorecendo o engajamento dos estudantes. A partir das respostas, destaca-se ainda o compromisso das docentes com a formação de valores, como respeito, empatia e cooperação, que são fundamentais na construção de uma educação para o trânsito pautada na ética e na cidadania. Assim, a análise das respostas permite afirmar que as metodologias utilizadas na EPET contribuem significativamente para o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa e cidadã, ao unir teoria, prática e vivência, demonstrando a eficácia das práticas educativas desenvolvidas pela EPET Curitiba.

Acerca da formação cidadã dos estudantes, as docentes responderam a última questão: “De que forma as práticas pedagógicas desenvolvidas na EPET contribuem para a formação cidadã dos estudantes, e para a construção de uma consciência crítica e responsável no trânsito? As respostas serão apresentas a seguir, na tabela 4:

Tabela 4. Respostas sobre a contribuição das práticas pedagógicas como instrumento para a formação cidadã dos estudantes:

Participante:

Resposta:

P1

Contribuindo não apenas para que os estudantes memorizem regras, mas para que se tornem protagonistas de uma cultura de paz, respeito e segurança no trânsito.

P2

A função primordial das práticas desenvolvidas na EPET é salvar vidas. A partir de relatos de pessoas que passaram pela escola quando crianças, é possível perceber que os conteúdos adquiridos na EPET permaneceram e foram colocados em prática.

P3

Contribuem para que os estudantes possam fazer parte do trânsito como cidadão de direitos e responsabilidades com sua vida e que cada atitude pode ser uma consequência.

P4

É uma forma de criar conscientização das crianças referente ao trânsito, reforçando valores importantes para uma atitude responsável para a preservação da vida. Entender a importância de respeitar normas tendo consciência de seus direitos e deveres. Sempre reforçando que um bom pedestre no futuro será um bom motorista.

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

A formação cidadã dos indivíduos esteve presente nas respostas, de forma que tal prática entra em concordância com a premissa da Base Nacional Comum Curricular acerca do tema transversal da ética e cidadania. O desenvolvimento integral dos estudantes neste âmbito visa a conscientização acerca de seus direitos e deveres nas vias, formando cidadãos comprometidos em promover a cultura de paz e respeito no trânsito desde a infância, como pontua Schneider:

Essa projeção segue uma linha de defesa da formação de seres humanos com um olhar crítico, realizando um trabalho de conscientização sobre os direitos e deveres como pedestre, condutor ou passageiro. Essas ações não se restringem apenas aos órgãos estatais, mas se estendem a uma responsabilidade para toda a sociedade (Schneider, 2022, p.54).

As respostas da equipe para esta última questão estão em consonância com os autores que embasaram esta pesquisa, de modo que as práticas pedagógicas desenvolvidas na EPET Curitiba visam formar indivíduos conscientes, responsáveis e comprometidos com suas ações no trânsito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio da análise realizada a partir dos dados coletados ao longo desta pesquisa, constatou-se que a investigação acerca das metodologias e práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Prática Educativa de Trânsito de Curitiba DER/PR possibilitou a ampla compreensão sobre a importância e o papel do pedagogo que atua neste âmbito promovendo a educação para o trânsito. As ações desenvolvidas na instituição promovem a transformação social por meio da educação, de modo que esta se apresenta como o caminho de acesso a uma cultura de paz e respeito a ser desenvolvida no ato de transitar desde a infância.

A EPET Curitiba forma, conscientiza e promove a reflexão acerca das ações, direitos e deveres de toda uma sociedade no trânsito. As práticas pedagógicas e metodologias apresentadas na pesquisa evidenciaram o compromisso da instituição de preparar os estudantes a partir do envolvimento deles com a temática e suas vivências no ato de transitar. A intencionalidade pedagógica em um espaço de educação não formal como a EPET Curitiba se faz necessária, a fim de que os objetivos e a missão da instituição sejam promovidos de modo que a transformação social e a cidadania se efetivem por meio de estratégias e práticas pedagógicas significativas e vivenciais, as quais já se mostram eficazes para promover a conscientização no trânsito na referida instituição.

Os resultados da pesquisa também evidenciam fragilidades e desafios existentes que precisam ser superados. A falta de políticas públicas, de infraestrutura e principalmente, de capacitação continuada para os docentes que atuam na instituição são pontos relevantes a serem considerados como limitações que impactam diretamente a qualidade das práticas pedagógicas desenvolvidas. Reconhecer essas fragilidades é essencial para embasar futuras intervenções na instituição, no intuito de fortalecer o papel da EPET como espaço formador de cidadãos responsáveis e conscientes de sua atuação no trânsito. Na referida instituição a educação para o trânsito se fortalece na prática, apresentando resultados que contribuem para a redução dos altos índices de acidentes de trânsito, contemplando uma premissa ainda maior: salvar vidas.

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SCHNEIDER, E. J. A educação para o trânsito nos diferentes contextos. Ijuí: Editora Unijuí, 2022 (Coleção Ciências Sociais).


1 Formação: Licenciada em Pedagogia pelo Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil). Atuação: Professora do Ensino Fundamental da Escola Aldeia Betânia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-4038-3020

2 Formação: Licenciada em Letras e Pedagogia. Mestra em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atuação: Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Formação: Licenciada em Letras e em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestra e Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Atuação: Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil) e pedagoga da Rede Estadual de Ensino do Paraná (SEED/PR). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-9047-0861

4 Formação: Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Mestra e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atuação: Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil) e professora do quadro permanente da Prefeitura Municipal de Curitiba (SME). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4524-1305

5 Formação: Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Formação Científica, Educacional e Tecnológica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Mestre em Educação Básica pela Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP). Especialista em Metodologia do Ensino de Matemática e Física pelo Centro Internacional UNINTER. Licenciado em Pedagogia pelo Centro Internacional UNINTER e em Matemática pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense (IFC). Atuação: Professor do quadro permanente da Prefeitura Municipal de Curitiba (SME) e coordenador do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5404-4955. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Formação: Graduada em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR); Licenciada em Matemática pelo CEFET-PR/COFOP; e Licenciada em Pedagogia pela Unifacvest. Mestra em Ciências do Solo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista em Neurociência Aplicada à Aprendizagem e em Educação Matemática. Atuação: Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil) e professora do quadro permanente da Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais e pedagoga da Rede Estadual de Ensino do Paraná (SEED/PR). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-4950-0870

7 Formação: Doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestra em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Graduada em Pedagogia pela Universidade Tuiuti do Paraná. Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica, em Educação Especial e em Educação Especial Inclusiva, com ênfase em Gestão Escolar. Atuação: Pedagoga especializada na Secretaria Municipal da Educação (SME) de Curitiba e docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8417-5681