REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778292551
RESUMO
Este trabalho investiga como os discursos midiáticos empregam conjecturas linguísticas para gerar efeitos de significado, mobilizar ideologias e construir interpretações sociais, culturais e políticas na circulação midiática. Adota-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, concentrando-se na Análise do Discurso e na pesquisa exploratório-descritiva. O estudo busca interpretar as conjecturas presentes nos discursos midiáticos. O corpus de análise é composto por um grafo teórico, duas caricaturas e um anúncio, publicados entre 2020 e 2024, selecionados por sua relevância temática, marcas linguísticas e representatividade de conjecturas discursivas. A coleta de dados ocorre através do estudo documental pertinente à análise de conjecturas discursivas por meio de imagens. Os dados basearam-se na Análise do Discurso, com foco nas categorias de ‘dito’ e ‘não dito’, na memória discursiva e nas condições de produção. Para as caricaturas, a análise seguiu etapas de identificação do explícito e implícito, exploração da memória discursiva e construção de categorias discursivas. O estudo fundamenta-se na perspectiva de Orlandi (2005), que enfatiza a centralidade da situação e dos sujeitos nas condições de produção discursiva, analisáveis em contextos histórico-ideológicos imediatos e amplos. Os resultados evidenciam que os discursos midiáticos constroem conjecturas estratégicas por meio da linguagem, moldando percepções sociais e ideológicas. O interdiscurso emerge como elemento central na significação, funcionando como filtro e espaço de resistência, tensionando sentidos preexistentes e permitindo novas interpretações. Conclui-se que a pesquisa contribui para compreender o papel da mídia na produção e disputa de sentidos, destacando o interdiscurso como espaço de permanência, resistência e inovação na construção das interpretações sociais e ideológicas.
Palavras-chave: Análise; Análise do Discurso; Memória Discursiva; Interdiscurso; Ideologia Midiática.
ABSTRACT
This study investigates how media discourses employ linguistic conjectures to generate meaning effects, mobilize ideologies, and construct social, cultural, and political interpretations in media circulation. A qualitative and interpretive approach is adopted, focusing on Discourse Analysis and exploratory-descriptive research. The study seeks to interpret the conjectures present in media discourses. The analysis corpus consists of a theoretical graph, two caricatures, and an advertisement, published between 2020 and 2024, selected for their thematic relevance, linguistic marks, and representativeness of discursive conjectures. Data collection occurs through documentary study relevant to the analysis of discursive conjectures through images. The data were based on Discourse Analysis, focusing on the categories of 'said' and 'unsaid', discursive memory, and production conditions. For the caricatures, the analysis followed steps of identifying the explicit and implicit, exploring discursive memory, and constructing discursive categories. The study is based on Orlandi's perspective (2005), which emphasizes the centrality of situation and subjects in discursive production conditions, analyzable in immediate and broad historical-ideological contexts. The results show that media discourses construct strategic conjectures through language, shaping social and ideological perceptions. Interdiscourse emerges as a central element in signification, functioning as a filter and space of resistance, tensioning pre-existing meanings and allowing new interpretations. It is concluded that the research contributes to understanding the role of the media in the production and dispute of meanings, highlighting interdiscourse as a space of permanence, resistance, and innovation in the construction of social and ideological interpretations.
Keywords: Analysis; Discourse Analysis; Discursive Memory; Interdiscourse; Media Ideology.
RESUMEN
Este trabajo investiga cómo los discursos mediáticos emplean conjeturas lingüísticas para generar efectos de significado, movilizar ideologías y construir interpretaciones sociales, culturales y políticas en la circulación mediática. Se adopta un enfoque cualitativo e interpretativo, centrado en el Análisis del Discurso y la investigación exploratorio-descriptiva. El estudio busca interpretar las conjeturas presentes en los discursos mediáticos. El corpus de análisis está compuesto por un grafo teórico, dos caricaturas y un anuncio, publicados entre 2020 y 2024, seleccionados por su relevancia temática, marcas lingüísticas y representatividad de conjeturas discursivas. La recolección de datos ocurre a través del estudio documental pertinente al análisis de conjeturas discursivas a través de imágenes. Los datos se basaron en el Análisis del Discurso, con enfoque en las categorías de 'dicho' y 'no dicho', en la memoria discursiva y en las condiciones de producción. Para las caricaturas, el análisis siguió etapas de identificación del explícito e implícito, exploración de la memoria discursiva y construcción de categorías discursivas. El estudio se fundamenta en la perspectiva de Orlandi (2005), que enfatiza la centralidad de la situación y de los sujetos en las condiciones de producción discursiva, analizables en contextos histórico-ideológicos inmediatos y amplios. Los resultados evidencian que los discursos mediáticos construyen conjeturas estratégicas a través del lenguaje, moldeando percepciones sociales e ideológicas. El interdiscurso emerge como elemento central en la significación, funcionando como filtro y espacio de resistencia, tensionando sentidos preexistentes y permitiendo nuevas interpretaciones. Se concluye que la investigación contribuye a comprender el papel de los medios en la producción y disputa de sentidos, destacando el interdiscurso como espacio de permanencia, resistencia e innovación en la construcción de las interpretaciones sociales e ideológicas.
Palabras-clave: Análisis; Análisis del Discurso; Memoria Discursiva; Interdiscurso; Ideología Mediática.
1. INTRODUÇÃO
A mídia contemporânea ocupa um papel central na produção e circulação de sentidos, configurando-se como espaço privilegiado de disputa ideológica e de construção de narrativas sociais, culturais e políticas. Em um cenário marcado pela fluidez comunicacional e pela multiplicidade de suportes impressos, digitais e audiovisuais; os discursos midiáticos não apenas informam, mas também moldam percepções, legitimam práticas e tensionam relações de poder. Nesse contexto, compreender como conjecturas linguísticas são mobilizadas pela mídia torna-se fundamental para analisar os efeitos de significação que atravessam a sociedade.
A questão que orienta esta pesquisa é: de que maneira os discursos midiáticos constroem conjecturas estratégicas por meio da linguagem, e como essas conjecturas contribuem para a produção de sentidos sociais e ideológicos? A investigação busca interpretar os mecanismos discursivos que sustentam tais construções, considerando o papel do interdiscurso e da memória discursiva na articulação entre o “já-dito” e o “não-dito”. A análise se concentra em materiais midiáticos específicos como caricaturas, anúncios e representações gráficas que evidenciam como a linguagem verbal e visual se entrelaçam na produção de significados.
A justificativa para este estudo reside na relevância de compreender a mídia como instância de poder simbólico, capaz de reafirmar, legitimar ou desafiar discursos dominantes. Ao investigar as conjecturas presentes nos discursos midiáticos, pretende-se contribuir para uma leitura crítica das estratégias de persuasão e das ideologias que permeiam a comunicação social. Além disso, o trabalho busca ampliar o entendimento sobre o impacto das produções midiáticas na formação de narrativas coletivas, destacando o interdiscurso como espaço de resistência e inovação na construção de sentidos.
Portanto, o objetivo central desta pesquisa é compreender como os discursos midiáticos constroem conjecturas estratégicas por meio da linguagem, revelando seu papel na produção de significados culturais, sociais e políticos. Ao destacar o interdiscurso como elemento fundamental da significação, o estudo busca evidenciar de que maneira a mídia mobiliza memórias discursivas, tensiona sentidos preexistentes e possibilita novas interpretações.
Nesse processo, pretende-se demonstrar como as representações midiáticas, especialmente em imagens como caricaturas e anúncios, contribuem para reafirmar, legitimar ou desafiar relações de poder, ampliando o entendimento sobre o impacto da mídia na formação de narrativas sociais e ideológicas.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Com o advento das novas tecnologias, surge a questão: de que maneira os discursos midiáticos modificam as formas de diálogo e como as ideias de Bakhtin (1895-1975) podem auxiliar na compreensão dessas mudanças? Embora respostas imediatas sejam possíveis, constata-se que a diversidade de plataformas e formatos molda profundamente a comunicação contemporânea. A instantaneidade da informação e a fragmentação dos conteúdos têm transformado o cenário comunicativo, impulsionando novas formas de diálogo e construção de sentidos.
Nesse contexto, como afirma Bakhtin (2000), a linguagem é um fenômeno social e histórico, constituído por vozes entrelaçadas e perspectivas em constante interação. A mídia, por sua vez, atua como amplificadora e disseminadora desses discursos, manifestando a heteroglossia.
O discurso, nesse sentido, configura-se como o principal produto da instituição midiática e não apenas como uma de suas funções. A mídia cria discursos visando, em última instância, promover a conversação. Em outras palavras, o discurso é simultaneamente aquilo que define e restringe a mídia, além de ser seu produto material reiterado. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação estabelecem limites para o vocabulário aceitável e para determinadas técnicas de produção, garantindo que o discurso assuma formas específicas. Ainda assim, permanece complexo delimitar com precisão onde estão esses limites.
A “ausência” de fronteiras e delimitação em relação a outros discursos é uma característica que qualifica o discurso da mídia e lhe confere o status de mediador. De acordo com Rodrigues (2002), definir esse discurso é difícil justamente por sua propensão a permear outras práticas discursivas e interferir nelas. A mídia interpela, incorpora termos de diferentes campos e garante sua permeabilidade, o que possibilita sua compreensão em variados domínios, resultando em sua universalização e reconhecimento.
Como aponta Brait, “O discurso é prática social, atravessada por ideologias e pela historicidade” (2006, p. 22). Assim, a análise dialógica do discurso permite compreender como os sujeitos se constituem nas interações, como as identidades são negociadas e como os discursos são mobilizados para construir versões da realidade. Nesse sentido, a mídia, ao oferecer espaço para múltiplas perspectivas, contribui para a formação de uma esfera pública mais plural e democrática, embora também possa ser utilizada para manipular a opinião pública e disseminar ideologias.
É possível identificar os componentes dessa formação discursiva específica a partir de duas dimensões: sua natureza exotérica e sua natureza metafórica (Rodrigues, 2002). A exotérica refere-se a um discurso destinado a todos, acessível e amplificado pelas mídias tradicionais ou digitais sem discriminação. Já a metafórica diz respeito à capacidade de reunir, em seu próprio discurso, elementos oriundos de outras formações discursivas (como economia, política ou ciência), utilizando linguagem figurativa para comunicar ideias complexas ou abstratas.
Promover a interação entre essas duas dimensões exotérica e metafórica, pois é fundamental para compreender como as ideias são comunicadas e interpretadas na sociedade contemporânea, revelando as intencionalidades que orientam os processos comunicativos.
Segundo Rodrigues, [...] “A mídia não apenas informa, mas constrói versões da realidade que orientam práticas sociais” (2002, p. 18). Nesse caso, a contemporaneidade é marcada pela autonomia dos diversos campos de experiência, o que pode levar à fragmentação social, caso não haja compatibilidade entre os interesses institucionais. Nesse cenário, a mídia assume papel estratégico ao integrar e homogeneizar a vida social, refletindo em si as funções de outras instituições.
A singularidade do discurso midiático está em sua legitimidade, que não se restringe a um domínio específico, mas atravessa diferentes áreas da experiência contemporânea. Essa transversalidade permite que a mídia incorpore elementos de outras formações discursivas como política, economia ou ciência e produza um discurso próprio, multifacetado e adaptável a diferentes finalidades, como informação, publicidade ou entretenimento.
A análise bakhtiniana contribui para compreender como os sujeitos se constituem nas interações, como as identidades são negociadas e como os discursos constroem versões da realidade. Ao observar os gêneros midiáticos, percebe-se o uso de estratégias discursivas voltadas para persuadir, emocionar, informar e formar opiniões. Cada gênero se manifesta por meio de escolhas lexicais, estruturas sintáticas e recursos estilísticos específicos, revelando a complexidade da comunicação e o papel da mídia na construção da percepção do mundo e do sujeito.
2.1. O Papel do Interdiscurso – Perspectivas
Segundo Orlandi (1992, p. 34), [...] “ler é produzir sentidos, e não apenas decifrar códigos”, o que nem sempre se observa nas interações humanas. A autora enfatiza que a situação e os sujeitos são centrais nas condições de produção do discurso, passíveis de análise em dois ângulos principais: em sentido estrito, considerando o contexto imediato de produção, e em sentido amplo, que abarca o contexto histórico e ideológico. Neste último, insere-se a memória discursiva, compreendida como interdiscurso. O interdiscurso corresponde à totalidade do que pode ser dito, englobando enunciados anteriores sobre determinado tema que, embora esquecidos, permanecem como parte do contexto discursivo. Por abarcar reivindicações sociais e históricas externas ao sujeito, o interdiscurso apresenta desafios para sua identificação como “dito anteriormente”, ao mesmo tempo em que evidencia a complexidade das relações entre linguagem, história e ideologia.
Para compreender a exposição apresentada, toma-se como referência o gráfico elaborado por Jesus (2023), que evidencia as intersecções entre elementos interdiscursivos e articula relações entre memória, política, mídia, fenômenos sociais e inconsciente. Nesse cenário, o discurso se configura como campo de produção de sentidos, no qual tais elementos se cruzam, sendo simultaneamente moldados e moldando as condições históricas, sociais e culturais.
Imagem 1: Do Interdiscurso.
No topo do diagrama, a inscrição “INTERDISCURSO” não funciona apenas como título, mas como indicação do conceito central que permeia toda a estrutura. O interdiscurso é entendido como a vasta rede de discursos preexistentes - o “já-dito” e o “não-dito” - que circulam na sociedade e inevitavelmente influenciam novas manifestações discursivas. Ele atua como mediador da memória, possibilitando a ressignificação de sentidos e a manutenção ou transformação de narrativas culturais e históricas. Essa memória discursiva constitui a base para a reprodução e contestação de ideologias, abrindo espaço para a construção de identidades e posicionamentos. Na intersecção entre fenômenos sociais, mídias e política, o discurso emerge como ferramenta de expressão, ocultamento ou negociação de valores e conflitos.
O discurso é, portanto, um espaço de tensões entre o explícito (dito) e o implícito (não dito), em que os sentidos são estrategicamente articulados: alguns tornam-se visíveis, enquanto outros permanecem silenciados ou apenas sugeridos. Ele media relações entre memória, política, mídia, fenômenos sociais e inconsciente, todos moldados por influências históricas, sociais e culturais. Esses aspectos, muitas vezes inconscientes, revelam estruturas ideológicas e estratégias de controle ou resistência. O “não dito”, representado no triângulo inferior, complementa o “já-dito” ao indicar ausências significativas, subentendimentos e pressupostos. Sua força reside nas lacunas preenchidas pelo receptor com base em repertórios interdiscursivos. A relação bidirecional do “não dito” com mídia e política evidencia que o silenciamento está intrinsecamente ligado às dinâmicas de poder e às estratégias comunicacionais.
A mídia, destacada no gráfico, aparece como plataforma essencial para a ampliação da circulação discursiva, permitindo que os discursos alcancem novos públicos e contextos. Nesse processo, eles são constantemente transformados, incorporando novos sentidos a partir das condições históricas e dos processos linguísticos que os sustentam. Tanto a mídia quanto a política configuram-se como espaços centrais de manifestação e circulação discursiva. A mídia atua como suporte e veículo de visibilidade, enquanto a política se apresenta como campo de “regularidades e lutas”, onde se travam embates discursivos, constroem-se hegemonias e estabelecem-se normas. A relação bidirecional entre mídia, memória e política demonstra uma influência mútua: a memória discursiva é simultaneamente moldada e alimentada por essas instâncias.
Com efeito, a mídia frequentemente se apropria e recontextualiza discursos oriundos de diferentes campos, por exemplo: política, ciência, cultura e economia. Esses discursos interagem e se entrelaçam, formando narrativas complexas. Por exemplo, uma reportagem sobre mudanças climáticas pode mobilizar discursos científicos (dados sobre aumento de temperatura), políticos (políticas de mitigação) e econômicos (impactos na economia). O interdiscurso, nesse sentido, revela como múltiplos discursos são articulados para construir narrativas específicas, expondo ideologias subjacentes, relações de poder e a multidimensionalidade do discurso midiático.
As condições sob as quais o discurso é produzido, em seu sentido mais amplo, também incluem a memória. A memória discursiva pode ser vista como interdiscurso quando analisada no contexto do discurso. Pode-se dizer que o interdiscurso está no nível da memória (a totalidade do que pode ser dito), que é o que compõe o discurso. Assim, tudo o que já foi dito sobre um determinado assunto e que agora foi esquecido serve como interdiscurso. Como assume uma vasta gama de reivindicações sociais e históricas que são externas e anteriores ao sujeito, o interdiscurso é difícil de ser identificado como um "dito anteriormente" por causa disso. Ante esta colocação, Orlandi (1992, p. 89-90), na seguinte citação, afirma que:
O interdiscurso é o conjunto do dizível, histórica e linguisticamente definido. Pelo conceito de interdiscurso, Pêcheux nos indica que sempre já há discurso, ou seja, que o enunciável (o dizível) já está aí e é exterior ao sujeito enunciador. Ele se apresenta como séries de formulações que derivam de enunciações distintas e dispersas que formam em seu conjunto o domínio da memória. Esse domínio constitui a exterioridade discursiva para o sujeito do discurso.
O interdiscurso funciona como memória social e discursiva, pois mobiliza o “já dito” e o “pré-construído” em cada enunciação. Segundo Orlandi (2005), o esquecimento enunciativo ou ideológico, pois é essencial para que o discurso faça sentido, permitindo que sujeitos se constituam ao se identificarem com o que dizem.
Nesse processo, o discurso midiático se mostra permeado por outras formações discursivas, como política, ciência ou economia, que são recontextualizadas e entrelaçadas em suas narrativas. Assim, o interdiscurso revela estratégias de persuasão, emoção, informação e formação de opinião, evidenciando ideologias e relações de poder.
Em última análise, o interdiscurso é um espaço de produção de sentidos, fundamental para compreender a complexidade dos discursos midiáticos, pois preserva saberes, legitima discursos, constrói identidades e molda percepções sociais.
2.2. A (Re)leitura dos Discursos Sociais
Pêcheux (1993, p. 170) afirma que, o discurso é definido como o [...] “efeito de significados entre interlocutores” [...], gerando uma reflexão à leitura da sociedade contemporânea em seus modos, discursos e práticas. Esse conceito de discurso simboliza a colisão de linguagem, história e ideologia por meio da materialidade dos símbolos. Para Orlandi (1999), o discurso se materializa como um mecanismo constitutivo do sujeito e do sentido, dos delírios e do esquecimento, tudo em um mesmo movimento. Esse processo é corporificado de várias formas, incluindo manifestações escritas e imagéticas.
Não se deve reduzir a linguagem a um simples instrumento de comunicação. Sob uma perspectiva teórico-analítica, reconhece-se a heterogeneidade discursiva como manifestação própria da linguagem, vinculada ao fluxo de significados que circulam e se transformam no espaço social. De acordo com Orlandi (1996):
[...] permite trabalhar não exclusivamente com o verbal (o linguístico), pois restitui ao fato da linguagem sua complexidade e sua multiplicidade, isto é, aceita a existência de diferentes linguagens, o que não ocorre com a Linguística, que, além de reduzir fato (de linguagem) à disciplina (que trata da linguagem), reduz também a significação ao linguístico. O importante para a AD não é só as formas abstratas, mas as formas materiais de linguagem (1996, p. 34). (grifos dos autores)
Segundo Pierce (2000), a noção do simbólico, que, em contraste com a noção icônica de símbolo como um signo culturalmente arbitrário é entendida como uma constituição histórica e discursiva e um dos componentes teóricos cruciais para que a interpretação do discurso seja apoiada na teoria do discurso de Pêcheux ([1975] 1993, p. 52) em que afirma “Todo discurso é atravessado pelo já-dito, pela memória discursiva que o constitui”.
A mídia investe na manutenção e legitimação de sua posição social, não apenas por meio de contribuições tecnológicas, mas também ideológicas, consolidando-se como agente central na esfera comunicacional da produção discursiva. Como parte do complexo sociopolítico do Estado democrático, o discurso midiático não pode ser reduzido a uma simples relação de influência; ao contrário, é o social que determina a produção de práticas e ideias mobilizadas nas esferas institucionais.
Essa (re)leitura dos discursos sociais pode ser observada em diferentes áreas, como no debate sobre imigração. A forma como os imigrantes são retratados varia conforme o posicionamento político, a orientação ideológica da mídia e o público-alvo. Em alguns casos, aparecem como ameaças à segurança; em outros, como trabalhadores que contribuem para a economia. Essas representações não constituem meras descrições da realidade, mas construções discursivas que moldam percepções públicas e influenciam políticas e atitudes sociais.
Nesse contexto, torna-se essencial incentivar uma postura crítica diante do consumo midiático, reconhecendo seu papel na construção de discursos e questionando as ideologias e relações de poder que os sustentam.
2.3. A Intersecção Entre Discurso, Mídia e Identidade
O ponto de intersecção entre mídia e discurso se revela na maneira como um influencia o outro: a mídia enquadra narrativas e define vocabulários, enquanto os discursos sociais existentes orientam sua produção. Essa relação é decisiva para compreender como significados são negociados e como identidades se formam.
O efeito de coerência e unidade de cada texto é produzido por agenciamentos discursivos que limitam, categorizam, organizam e distribuem as ocorrências. Conforme Foucault (2004, p. 121-122), o texto deve [...] “estar em relação com um domínio de objetos, prescrever uma posição definida a qualquer sujeito possível, situar-se entre outras performances verbais e estar dotado, enfim, de uma materialidade repetível”.
Os textos midiáticos utilizam ferramentas discursivas para criar a ilusão de unidade de significado. A mídia, nesse sentido, funciona como canal entre público e realidade, mas o que oferece não é a realidade em si, e sim uma estrutura simbólica que permite ao leitor construir representações sobre como se relaciona com o mundo físico.
De acordo com Bauman, a identidade é um efeito de pertencimento marcado pela instabilidade em seu núcleo, isto é, [...] “Na modernidade líquida, os significados se desfazem tão rapidamente quanto se formam” (2006, p. 8). As sociedades, constantemente, permitem que as mensagens da mídia sejam interpretadas e reinterpretadas, evidenciando como os discursos circulam e se transformam em diferentes contextos, como ilustrado na imagem a seguir.
Imagem 2: Realidade social brasileira (a).
Fonte: Disponível em: https://th.bing.com/th/id/R.0f64df54016e63fa498d0118cb9b8f55?rik=bOhpggU5kLYR7Q&riu=http%3a%2f%2fwww2.ufjf.br%2fufjf%2ffiles%2f2017%2f01%2fbello-070427d.jpg&ehk=49hQKdTKIzTt%2bTAVX5MLlEHEtmbIqiDXpPXzrdh2Has%3d&risl=&pid=ImgRaw&r=0. Acesso em: 26 mar. 2025.
A charge aborda criticamente a questão da redução da menoridade penal. Nessa transfiguração discursiva, os sentidos se cruzam, trazendo à tona a realidade vivida, a situação econômica da maioria encarcerada e a perspectiva jurídica sobre a possibilidade de punir menores de 18 anos. O resultado é um ambiente em que identidades não se acomodam, mas lutam no interior dos discursos. Os Aspectos destacados na mesma são:
a) Identificação do dito - A fala explícita evidencia duas questões principais:
• a possibilidade de menores de idade serem presos (“Agora os dimenó também vão podê ser presos”);
• a exclusividade dessa aplicação aos menores de classes sociais mais baixas (“Só os dimenó podê aquisitivo”).
b) Identificação do não dito (implícito) - A crítica social implícita aponta para:
• a desigualdade na aplicação da justiça, em que o poder aquisitivo protege determinados grupos;
• a criminalização seletiva de menores das classes desfavorecidas, reforçando desigualdades estruturais;
• a ironia de crianças já se perceberem como alvos de um sistema injusto, revelando a naturalização da exclusão social e da repressão.
c) Exploração da memória discursiva - O discurso da charge recupera sentidos já estabelecidos sobre:
• a discussão histórica e atual da redução da maioridade penal no Brasil;
• a seletividade da justiça, que frequentemente beneficia indivíduos de classes privilegiadas;
• o uso da criminalização como mecanismo de controle de grupos vulneráveis.
• Esses elementos são ressignificados na charge para criticar desigualdades e a perpetuação da exclusão social.
d) Construção de categorias discursivas:
• Identidade: evidencia a construção identitária de crianças em contextos de vulnerabilidade, posicionando-as como alvos de um sistema punitivo seletivo.
• Ideologia: critica a ideologia de criminalização de grupos específicos, revelando um sistema que privilegia classes mais altas.
• Efeitos de sentido: provoca reflexão sobre tensões entre justiça, desigualdade social e manutenção de privilégios.
•Tensões linguísticas: a linguagem popular (“dimenó”, “podê aquisitivo”) reforça o contexto social e intensifica a crítica ao sistema que marginaliza grupos vulneráveis.
Em consonância com Foucault (1978), os movimentos analisados revelam uma microfísica do poder, dispersa no campo social e responsável por impulsionar disputas em torno de verdades históricas relativas e instáveis. Para o autor, “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” (Foucault, 1978, p. 10). Ao instituir paradigmas, convenções e modos de pensar que simbolicamente incluem o sujeito na “comunidade imaginada”, tais modelos identitários exercem uma funcionalidade social.
Nesse processo, os discursos midiáticos operam na construção de identidades mediante a regulação do saber sobre corpo, alma e vida, recorrendo a técnicas como a confissão exemplificada em reportagens e entrevistas.
Imagem 3: Realidade social brasileira (b).
Disponível em: https://plantaopesado.blogspot.com/2013/06/top-do-plantao.html?m=1. Acesso em: 13 nov. 2024.
A charge, em questão, fala sobre a obesidade no Brasil e exemplifica como discursos médicos e sociais se confrontam, expondo resistências individuais diante de dados científicos e evidenciando a complexidade das relações entre saúde, hábitos alimentares e representações sociais.
a) O dito - A interação discursiva apresenta a fala de um personagem com vestimenta médica, que recorre a “pesquisas” como evidência para o aumento da obesidade na população brasileira. Em contrapartida, o personagem obeso refuta a afirmação com a interjeição “BOATOS!!”, denotando discordância ou ceticismo quanto à validade da informação apresentada.
b) O não dito - A postura displicente do personagem obeso à mesa, marcada pela iminente ingestão de alimentos hipercalóricos e pela réplica “BOATOS!!”, sugere rejeição ou subestimação da informação médica sobre o crescimento da obesidade nacional. Essa atitude pode sinalizar uma defesa implícita de seus hábitos alimentares ou uma objeção à generalização estatística. A representação do personagem magro como médico reforça a autoridade discursiva em saúde, contrastando com a figura obesa em contexto de consumo alimentar não saudável o que, ironicamente, ilustra a própria estatística em questão. A charge, de forma implícita, veicula uma crítica irônica à dificuldade individual de reconhecer ou aceitar dados negativos relacionados à saúde e aos hábitos pessoais, revelando o sarcasmo presente na resposta do personagem obeso.
c) A memória discursiva - A imagem evidencia a memória discursiva ao colocar em confronto o discurso científico, que afirma o aumento da obesidade no Brasil, e o discurso social de resistência, que o reduz a “boatos”. Esse embate mostra como enunciados já ditos e legitimados - seja pela ciência ou pela mídia são retomados, negados ou ressignificados, revelando que todo discurso é atravessado por outros discursos e ideologias. Nesse processo, a mídia atua como mediadora de sentidos, influenciando percepções e identidades, enquanto os sujeitos se posicionam a partir das memórias discursivas que acionam.
A intersecção entre mídia, discurso e identidade revela-se nesse processo: a mídia não apenas transmite informações, mas molda narrativas que influenciam como os sujeitos se relacionam com seu corpo e com a saúde. Ao mesmo tempo, esses discursos são permeados por ideologias e interesses, podendo tanto promover hábitos positivos quanto reforçar estigmas ou rumores, como sugere a imagem analisada.
Já, a imagem a seguir, mostra que a mídia não apenas transmite mensagens, mas cria camadas discursivas que atravessam cultura, corpo e consumo. Nesse processo, ela influencia a forma como os sujeitos se percebem e se posicionam, revelando que identidade e discurso são inseparáveis e sempre mediados por representações sociais.
Imagem 4: A fila anda e suas representações político-sociais.
A imagem mostra como a mídia recontextualiza um enunciado popular (“A fila anda”), transformando-o em discurso visual que ativa memórias coletivas, questiona identidades e sugere representações político-sociais sobre continuidade, substituição e poder.
A repetição da expressão “A fila anda” junto às bananas cria um jogo discursivo que pode ser interpretado em várias camadas, especialmente quando pensamos em mídia, discurso, identidade e memória. Sob a perspectiva da Análise do Discurso, podem ser identificados os seguintes elementos:
a) Inferência da repetição
• Ritmo e insistência: repetir “A fila anda” reforça a ideia de movimento inevitável, de continuidade social e política.
• Memória discursiva: essa frase já circula socialmente como ditado popular, carregando sentidos de superação, esquecimento ou substituição. Ao ser retomada no cartaz, ela ativa essa memória coletiva e a ressignifica em um contexto cultural e artístico.
b) Relação com o dito e o não dito
• O dito: explicitamente, a frase afirma que “a fila anda”, ou seja, que processos sociais e políticos seguem seu curso.
•O não dito: há uma crítica implícita — quem fica para trás, quem é substituído, quem é descartado? O silêncio sobre esses sujeitos também faz parte do discurso.
c) Discurso e identidade
• A mídia, ao repetir e amplificar esse enunciado, constrói uma narrativa que atravessa corpo, consumo e cultura.
• A identidade dos sujeitos é interpelada: somos parte da fila, mas também podemos ser aqueles que ficam à margem dela.
d) Memória discursiva e política
• “A fila anda” é uma expressão que, no campo político-social, pode simbolizar a sucessão de lideranças, a substituição de ideias ou a inevitabilidade das mudanças.
• A repetição no cartaz, junto às bananas (símbolo cultural e até político em alguns contextos), sugere uma crítica à banalização ou ao caráter cíclico das representações sociais.
É importante destacar que, embora a mídia possa influenciar fortemente a construção da identidade, os indivíduos também têm a agência de resistir, reinterpretar ou rejeitar os discursos da mídia. Portanto, a relação entre mídia, discurso e identidade é complexa e multifacetada, refletindo a interação dinâmica entre as influências sociais e a agência individual.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na discussão, os resultados são interpretados à luz da literatura teórica utilizada, como Orlandi (2005), Pêcheux (1993) e Foucault (2004). Essa etapa permite relacionar os achados com conceitos como memória discursiva, interdiscurso e condições de produção, destacando semelhanças e diferenças em relação a estudos anteriores. É importante evidenciar como os discursos midiáticos reafirmam ou tensionam ideologias dominantes, bem como as implicações desses processos para a compreensão das práticas sociais e culturais. A discussão deve ir além da descrição, problematizando os sentidos produzidos e suas relações com poder, hegemonia e resistência.
Por fim, é relevante apontar as implicações teóricas e práticas dos resultados. A análise crítica dos discursos midiáticos contribui para ampliar o entendimento sobre o papel da mídia na formação de narrativas sociais e ideológicas, oferecendo subsídios para reflexões sobre comunicação, educação e cidadania.
Além disso, os achados reforçam a importância de considerar a materialidade das mídias e os processos interdiscursivos como elementos centrais na produção de significados, abrindo caminhos para futuras pesquisas que aprofundem a relação entre linguagem, mídia e sociedade.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os discursos midiáticos operam como estratégias linguísticas que moldam percepções sociais e ideológicas, revelando seu papel na produção de significados culturais e políticos. O interdiscurso surge como elemento central nesse processo, articulando o “já-dito” e o “não-dito” e funcionando como memória discursiva que preserva saberes e crenças, ao mesmo tempo em que tensiona sentidos dominantes e abre espaço para novas interpretações.
A análise crítica evidencia como a mídia legitima ou desafia relações de poder, utilizando recursos linguísticos e visuais como charges e imagens que condensam contradições sociais e ideológicas. Assim, compreender os discursos midiáticos significa reconhecer sua capacidade de construir narrativas que atravessam cultura, política e identidade, tornando-se um espaço de disputa simbólica e de negociação de sentidos na sociedade contemporânea.
Indubitavelmente, o tema é amplo e não se esgota nas análises aqui realizadas. Destacam-se, contudo, alguns pontos centrais. A partir da perspectiva bakhtiniana, compreende-se que a enunciação é apenas um elo em uma cadeia infinita de enunciados, sempre atravessada por contextos históricos, sociais e culturais, e moldada por comandos subjetivos. Nesse cenário, a mídia se apresenta como um verdadeiro campo de batalha discursiva, onde múltiplas vozes dialogam, se confrontam e se complementam, articulando linguagem verbal e não verbal para produzir significados e emoções.
A noção de dialogismo é fundamental para compreender a mídia em sua dimensão mais ampla: um sistema de signos que se interrelaciona com outros discursos, valores e crenças, construindo e desconstruindo continuamente identidades. Nesse sentido, Orlandi (2005) contribui ao destacar que o discurso é atravessado pelo interdiscurso e pela memória discursiva, sendo o “já-dito” e o “não-dito” elementos estruturantes que orientam a produção de sentidos. Assim, a mídia não apenas transmite mensagens, mas seleciona, ressignifica e tensiona discursos, legitimando ou desafiando relações de poder.
Essa conclusão conecta os elementos discutidos ao longo do trabalho a memória discursiva, interdiscurso, estratégias linguísticas e representações visuais demonstram que os discursos midiáticos não apenas informam, mas moldam percepções sociais e ideológicas.
Em última análise, a mídia é um lugar de circulação de vozes, onde se produzem narrativas que influenciam a compreensão do mundo e do sujeito, reafirmando seu papel estratégico na sociedade contemporânea.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 6. ed. Campinas, SP: Pontes, 2005.
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1 O presente texto teve sua primeira versão em 2020 e, em seguida, outras inúmeras alterações até a sua finalização em fevereiro de 2026 de acordo aos princípios conjecturais estabelecidos pela língua(gem).
2 Professora estatutária no Governo do Estado de Rondônia – SEDUC. Licenciada em Letras/Português (Fundação Universidade Federal de Rondônia, UNIR, campus Porto Velho). Especialista em Mídias na Educação (UNIR). Contribuiu em obras como organizadora, revisora, autora e coautora em capítulos na Coleção Ciência Aberta (Almanaque de Formação Continuada do Professor desde 2020). Também é coautora em artigos com os professores doutores Celso Ferrarezi Junior (UNIFAL-MG, campus Alfenas) e Sérgio Nunes de Jesus (IFRO, campus Cacoal desde 2020). Destaca-se pela dedicação à Educação Básica, por quase vinte e cinco anos. Desenvolve pesquisas nas áreas de Estudos da Linguagem; Educação; Ensino e Cultura, Literatura. Lattes iD: https://lattes.cnpq.br/0798966113973182. ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-5488-7108. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Professora na Secretaria Municipal de Educação (SEMED, Rolim de Moura-RO). Supervisora de Estagio do Centro Universitário Leonardo da Vinci, UNIASSELVI, Polo Rolim de Moura-RO. Acadêmica do Curso de Terapia Ocupacional (Centro Universitário Leonardo da Vinci, UNIASSELVI, Polo Rolim de Moura-RO). Licenciada em Pedagogia (Fundação Universidade Federal de Rondônia, UNIR, campus Rolim de Moura). Mestre em História e Estudos Culturais (Fundação Universidade Federal de Rondônia, UNIR). Pesquisadora do grupo de pesquisa Língua(gem), Cultura e Sociedade: Saberes e Práticas Discursivas na Amazônia (DGP-CNPq-IFRO). Pesquisadora, atriz e escritora. Temas de interesse: Cultura, Educação, Ensino, Língua(gem), Povos e Comunidades Indígenas. Lattes iD: https://lattes.cnpq.br/5408267297643980. ORCID iD: https://orcid.org/0000-0001-8067-2875. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Professor Titular de Língua Portuguesa, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, campus Cacoal-RO. Acadêmico do Curso de Direito, do Centro Universitário Mauricio de Nassau (UNINASSAU), campus Cacoal-RO. Licenciado em Letras Português/Inglês/Literaturas (UNEB/FFCLC). Licenciado em História (UNICV). Especialista em Língua Portuguesa: Redação e Oratória (CUBM). Especialista em História da Cultura Indígena e Afro-brasileira (FAMART). Especialista em Antropologia Brasileira (FAMART). Especialista em Direito Internacional (FACEO). Mestre em Linguística (UNIR). Mestre em Science in Legal Studies, Emphasis in International Law (MUST). Doutor em Ciências da Educação (UTIC). Doutor em Estudos da Linguagem (UNICAP). Fez estágio pós-doutoral em Ciências da Educação (UFLO). Fez estágio pós-doutoral em Cartografia Social (UEMA). Professor permanente no PPGL-UNIR; ProfEPT-IFRO; ProfLETRAS-IFRO. Colaborador no PPGAgro-UNIR; PPGL-UNEMAT. Pesquisador associado ao Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia - PNCSA-UEA (Centro de Ciências e Saberes dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro - Carmelita Nunes da Conceição ‘CARMÉ’). Atualmente lidera o grupo de pesquisa Língua(gem), Cultura e Sociedade: Saberes e Práticas Discursivas na Amazônia (DGP-CNPq-IFRO). Pesquisador Web of Science Researcher iD: PQA-4188-2026. Escritor, músico e poeta. Lattes iD: http://lattes.cnpq.br/9648583745536616. ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-8255-751X. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail