EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA: PERCEPÇÕES E PERSPECTIVAS DE JOVENS DA EDUCAÇÃO BÁSICA SOBRE A CONTINUIDADE DOS ESTUDOS NO ENSINO SUPERIOR E PROFISSIONAL

LIFELONG EDUCATION: PERCEPTIONS AND PERSPECTIVES OF BASIC EDUCATION YOUTH ON THE CONTINUITY OF STUDIES IN HIGHER AND PROFESSIONAL EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778346106

RESUMO
A educação ao longo da vida constitui-se como um processo contínuo de formação, que ultrapassa os limites da escolarização formal e acompanha o sujeito em diferentes momentos de sua trajetória pessoal, social, acadêmica e profissional. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo geral analisar as percepções e perspectivas de jovens da Educação Básica sobre a educação ao longo da vida, considerando suas expectativas, motivações, desafios e possibilidades em relação à continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional. A pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender como esses jovens percebem seu futuro formativo, especialmente diante das dúvidas, desigualdades sociais, dificuldades econômicas, ausência de orientação e desafios que podem interferir na continuidade dos estudos após a Educação Básica. Metodologicamente, o estudo foi desenvolvido por meio de uma revisão de literatura, de abordagem qualitativa, com base em produções acadêmicas relacionadas à educação ao longo da vida, juventude, projetos de vida, Ensino Superior e formação profissional. Conclui-se que a continuidade dos estudos representa uma possibilidade importante para a ampliação de oportunidades, inserção social e construção de projetos de vida mais conscientes, porém depende do fortalecimento de ações escolares, políticas educacionais e estratégias de orientação que apoiem os jovens em suas escolhas acadêmicas e profissionais.
Palavras-chave: Educação ao longo da vida; Juventude; Continuidade dos estudos.

ABSTRACT
Lifelong education is a continuous process of formation that goes beyond the limits of formal schooling and accompanies individuals throughout different moments of their personal, social, academic, and professional trajectories. In this context, this study aims to analyze the perceptions and perspectives of young students in Basic Education regarding lifelong education, considering their expectations, motivations, challenges, and possibilities related to the continuation of studies in Higher Education and professional training. The research is justified by the need to understand how these young people perceive their educational future, especially in the face of doubts, social inequalities, economic difficulties, lack of guidance, and challenges that may interfere with the continuation of studies after Basic Education. Methodologically, the study was developed through a literature review, with a qualitative approach, based on academic productions related to lifelong education, youth, life projects, Higher Education, and professional training. It is concluded that the continuation of studies represents an important possibility for expanding opportunities, social inclusion, and the construction of more conscious life projects; however, it depends on the strengthening of school actions, educational policies, and guidance strategies that support young people in their academic and professional choices.
Keywords: Lifelong education; Youth; Continuation of studies.

1. INTRODUÇÃO

A educação ao longo da vida tem se constituído como um tema de grande relevância no campo educacional, sobretudo diante das transformações sociais, tecnológicas, econômicas e profissionais que marcam a sociedade contemporânea. Nesse cenário, aprender deixou de ser uma experiência restrita à infância, à adolescência ou aos anos escolares obrigatórios, passando a ser compreendido como um processo contínuo, que acompanha o sujeito em diferentes fases da vida. A escola, nesse contexto, assume papel fundamental na formação dos jovens, pois é nela que muitos estudantes começam a construir suas primeiras percepções sobre futuro, trabalho, universidade, formação profissional e projetos de vida. Assim, discutir a educação ao longo da vida a partir das percepções e perspectivas dos jovens da Educação Básica significa reconhecer que esses estudantes não são apenas receptores de conteúdos, mas sujeitos que sonham, planejam, enfrentam desafios e constroem sentidos sobre sua trajetória formativa.

A continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional representa, para muitos jovens, uma possibilidade de ampliação de oportunidades, melhoria das condições de vida, inserção no mundo do trabalho e desenvolvimento pessoal. No entanto, esse percurso nem sempre é vivido de maneira simples, pois muitos estudantes concluem a Educação Básica carregando dúvidas, inseguranças e limitações relacionadas às condições socioeconômicas, à falta de orientação, à necessidade de trabalhar precocemente e ao desconhecimento sobre os caminhos formativos disponíveis. Por isso, torna-se necessário compreender como esses jovens percebem a importância da continuidade dos estudos e quais fatores influenciam suas escolhas acadêmicas e profissionais. A educação ao longo da vida, nesse sentido, permite refletir sobre a formação humana como um processo permanente, capaz de fortalecer a autonomia, a cidadania e a construção de projetos de futuro mais conscientes.

Diante desse contexto, o objetivo geral desta pesquisa é analisar as percepções e perspectivas de jovens da Educação Básica sobre a educação ao longo da vida, considerando suas expectativas, motivações, desafios e possibilidades em relação à continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional. Para alcançar esse propósito, foram definidos como objetivos específicos: identificar as percepções dos jovens da Educação Básica sobre a importância da continuidade dos estudos para sua formação pessoal, acadêmica e profissional; compreender os principais fatores que influenciam as escolhas dos estudantes em relação ao ingresso no Ensino Superior e/ou em cursos de formação profissional; e investigar os desafios, expectativas e perspectivas dos jovens quanto à construção de projetos de vida vinculados à educação continuada, ao trabalho e à inserção social.

A justificativa deste estudo está relacionada à necessidade de compreender de forma mais sensível e aprofundada como os jovens da Educação Básica enxergam seu futuro após a conclusão dessa etapa escolar. Muitos estudantes reconhecem a importância dos estudos, mas nem sempre encontram apoio, informação e condições adequadas para transformar esse reconhecimento em continuidade formativa. Nesse sentido, a pesquisa justifica-se por sua relevância social e educacional, uma vez que pode contribuir para a reflexão sobre práticas escolares, políticas de orientação educacional e estratégias de incentivo ao acesso e à permanência no Ensino Superior e na formação profissional. Ao valorizar a voz dos jovens, o estudo também reforça a importância de uma escola mais próxima da realidade dos estudantes, capaz de acolher suas dúvidas, fortalecer suas escolhas e ampliar suas possibilidades de futuro.

Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório. A escolha por esse caminho metodológico ocorreu pela possibilidade de reunir, analisar e interpretar estudos já publicados sobre educação ao longo da vida, juventude, projetos de vida, Ensino Superior, formação profissional e continuidade dos estudos.

Dessa forma, a pesquisa parte do seguinte problema de investigação: quais são as percepções e perspectivas dos jovens da Educação Básica sobre a continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional, considerando seus projetos de vida, expectativas e desafios para o futuro?

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Educação Ao Longo da Vida: Fundamentos, Sentidos e Importância na Formação dos Sujeitos

A educação ao longo da vida compreende a aprendizagem como um processo permanente, construído em diferentes tempos, espaços e experiências. Nesse sentido, ela não se limita à escola, embora a escola tenha papel essencial na organização dos saberes e na ampliação das oportunidades formativas. Para os jovens da Educação Básica, esse conceito é especialmente importante, pois ajuda a compreender que a conclusão de uma etapa escolar não representa o fim do percurso educativo, mas a abertura de novas possibilidades acadêmicas, profissionais, sociais e humanas. De acordo com Freire (1996), ensinar e aprender são práticas ligadas à autonomia, à curiosidade e à formação crítica do sujeito, o que permite compreender a educação como experiência de emancipação e não apenas como preparação técnica para o trabalho.

Nessa perspectiva, pensar a educação ao longo da vida exige reconhecer que os sujeitos aprendem em múltiplos contextos, como a família, a comunidade, o trabalho, a cultura, as relações sociais e as experiências cotidianas. Brandão (2002) contribui para essa compreensão ao afirmar que a educação está presente em diferentes mundos sociais e não se restringe à instituição escolar, pois o aprender acontece nas relações humanas e nas formas de participação social. Assim, quando se discute a continuidade dos estudos entre jovens da Educação Básica, torna-se necessário perceber que suas escolhas são atravessadas por histórias, vínculos, expectativas familiares, condições econômicas e experiências escolares que influenciam o modo como enxergam o futuro.

A educação ao longo da vida também se relaciona ao direito de aprender em todas as fases da existência, superando a ideia de que a formação ocorre apenas na infância e na juventude. Haddad e Di Pierro (2000) analisam a escolarização de jovens e adultos no Brasil e mostram que os processos formativos precisam ser compreendidos como parte das políticas públicas educacionais, especialmente quando se consideram desigualdades históricas de acesso, permanência e continuidade dos estudos. Desse modo, a educação permanente assume uma dimensão social, pois envolve a garantia de oportunidades para que todos possam retomar, ampliar ou aprofundar seus percursos formativos, independentemente da idade ou da condição social.

Além disso, a discussão contemporânea sobre aprendizagem ao longo da vida aponta para a necessidade de formar sujeitos capazes de lidar com mudanças sociais, tecnológicas e profissionais. Rodrigues (2024) explica que o conceito de educação e aprendizagem ao longo da vida possui matrizes históricas e políticas que foram sendo ressignificadas ao longo do tempo, especialmente diante das exigências de participação social e atualização constante dos conhecimentos. Para os jovens, essa discussão é fundamental, pois o mundo do trabalho e o Ensino Superior exigem não apenas certificações, mas também capacidade de aprender continuamente, adaptar-se, tomar decisões e construir projetos de vida com autonomia.

Por fim, a educação ao longo da vida precisa ser compreendida como uma prática profundamente humana, ligada à esperança, à cidadania e à construção de possibilidades. Silva (2023), ao discutir o aprender permanente, reforça que a formação contínua não se limita à aquisição de conteúdos, mas envolve a constituição de sujeitos capazes de participar da sociedade de forma crítica e ativa. Nesse sentido, para os estudantes da Educação Básica, a continuidade dos estudos no Ensino Superior ou na formação profissional pode representar não apenas uma escolha individual, mas uma oportunidade de ampliar horizontes, fortalecer identidades, enfrentar desigualdades e projetar um futuro com mais dignidade.

2.2. Juventude, Educação Básica e Projetos de Vida: Percepções Sobre o Futuro Acadêmico e Profissional

A juventude é uma etapa marcada por descobertas, dúvidas, escolhas e construção de sentidos sobre o futuro. No contexto da Educação Básica, especialmente nos anos finais e no Ensino Médio, os estudantes passam a ser convocados a pensar sobre trabalho, profissão, Ensino Superior, cursos técnicos e formas de participação social. De acordo com Leão (2011), os projetos de vida dos jovens estudantes do Ensino Médio revelam expectativas que não podem ser analisadas de forma isolada, pois estão relacionadas às condições sociais, às experiências escolares e às oportunidades concretas disponíveis em seus contextos. Assim, ouvir os jovens é essencial para compreender como eles interpretam suas possibilidades de continuar estudando.

A escola, nesse processo, ocupa lugar estratégico, pois pode ampliar ou limitar as perspectivas juvenis. Klein (2016) destaca que as experiências escolares contribuem para a construção dos projetos de vida dos estudantes, especialmente quando a instituição reconhece suas trajetórias, dialoga com seus interesses e oferece espaços de orientação sobre o futuro. Isso significa que a Educação Básica não deve se restringir à transmissão de conteúdos, mas também precisa ajudar os jovens a atribuírem sentido ao conhecimento, relacionando-o aos seus sonhos, às suas necessidades e às possibilidades de inserção acadêmica e profissional.

Entretanto, muitos jovens chegam ao fim da Educação Básica carregando inseguranças sobre o que fazer após a conclusão dos estudos. Lebourg (2021), ao analisar a transição de jovens para o Ensino Médio, evidencia que os sentidos atribuídos à escola são atravessados por desafios sociais, principalmente entre estudantes de camadas populares. Essa realidade indica que os projetos de vida não dependem apenas da vontade individual, mas também das condições objetivas que favorecem ou dificultam a continuidade dos estudos. Por isso, uma pesquisa sobre percepções juvenis precisa considerar fatores como renda familiar, acesso à informação, incentivo escolar, transporte, trabalho precoce e desigualdades territoriais.

Outro aspecto importante está na forma como os jovens vivenciam a escola no cotidiano. Reis (2012), ao estudar a experiência escolar de jovens do Ensino Médio em escola pública, mostra que a relação dos estudantes com a instituição envolve sentimentos de pertencimento, tensões, expectativas e interpretações sobre a utilidade da escolarização. Isso revela que a continuidade dos estudos não nasce apenas de discursos formais sobre a importância da educação, mas da maneira como o jovem se sente acolhido, reconhecido e incentivado dentro da própria escola. Quando a escola se aproxima da vida dos estudantes, ela contribui para que o futuro seja percebido como algo possível.

Nesse sentido, os projetos de vida dos jovens precisam ser analisados a partir da diversidade das juventudes brasileiras. Sposito (2003) discute a relação entre juventude e políticas públicas no Brasil, apontando que as demandas juvenis são plurais e exigem ações capazes de reconhecer diferentes realidades sociais, culturais e econômicas. Assim, investigar as percepções dos jovens da Educação Básica sobre o Ensino Superior e a formação profissional significa também reconhecer que não existe uma única juventude, mas diferentes modos de ser jovem, estudar, sonhar, trabalhar e projetar o amanhã.

2.3. Continuidade dos Estudos no Ensino Superior e na Formação Profissional: Desafios, Possibilidades e Perspectivas

A continuidade dos estudos após a Educação Básica é um tema central para compreender as perspectivas de futuro dos jovens. O ingresso no Ensino Superior, nos cursos técnicos ou em outras formas de qualificação profissional pode ampliar oportunidades, mas esse caminho ainda é atravessado por desigualdades sociais, econômicas, territoriais e informacionais. Senkevics (2023) analisa os impasses da juventude na transição para o Ensino Superior e destaca que a expansão desse nível de ensino trouxe novas possibilidades, mas também novos desafios, especialmente para jovens que são a primeira geração da família a vivenciar a condição de vestibulandos.

A relação entre juventude, educação e trabalho também influencia diretamente a decisão de continuar estudando. Menezes (2023), ao analisar dados da PNAD Contínua entre 2012 e 2022, discute as oportunidades educacionais e de acesso ao trabalho entre os jovens brasileiros, mostrando que os percursos juvenis são marcados por diferentes combinações entre estudar, trabalhar, procurar emprego ou interromper trajetórias formativas. Essa realidade ajuda a compreender por que muitos estudantes da Educação Básica desejam continuar estudando, mas enfrentam obstáculos materiais que interferem na permanência e na escolha entre Ensino Superior, formação técnica ou inserção imediata no mercado de trabalho.

A formação profissional, por sua vez, aparece como uma possibilidade concreta para muitos jovens, especialmente quando associada à inserção no trabalho e à construção de autonomia. Nascimento (2025) investiga as relações entre juventude e educação profissional, analisando as aspirações de estudantes dos Sertões de Crateús, no Ceará, e evidencia que os jovens relacionam educação, trabalho e futuro de maneira muito próxima. Esse dado é importante porque mostra que a continuidade dos estudos não deve ser pensada apenas pelo caminho universitário, mas também por trajetórias técnicas e profissionais que podem responder às necessidades, interesses e condições reais dos estudantes.

A Educação Profissional e Tecnológica também tem sido discutida como estratégia de transformação social e ampliação da cidadania. Corrêa Filho (2022) afirma que a expansão e interiorização da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil assumem papel importante na democratização de oportunidades formativas, especialmente em territórios historicamente afastados dos grandes centros educacionais. Nesse sentido, para os jovens da Educação Básica, conhecer as possibilidades de cursos técnicos, institutos federais, universidades, programas de acesso e políticas de permanência pode fazer diferença na construção de escolhas mais conscientes e possíveis.

Por fim, a transição entre Ensino Médio, Ensino Superior e trabalho precisa ser analisada como um processo complexo, e não como uma passagem automática. Bernardim discute a relação entre educação e trabalho a partir da perspectiva de egressos do Ensino Médio, destacando que as escolhas dos jovens são atravessadas por expectativas de mobilidade social, necessidade de emprego e busca por reconhecimento profissional. Desse modo, compreender as percepções dos estudantes sobre a continuidade dos estudos é fundamental para que a escola, a família e as políticas públicas possam oferecer orientação, apoio e condições reais de permanência formativa.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa foi desenvolvida por meio de uma pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa e caráter exploratório, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar estudos já publicados sobre a educação ao longo da vida e as percepções de jovens da Educação Básica acerca da continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional. A escolha por esse tipo de pesquisa justifica-se pela possibilidade de aprofundar teoricamente o tema, permitindo compreender como diferentes autores discutem a aprendizagem contínua, os projetos de vida juvenis, os desafios educacionais e as perspectivas de formação após a Educação Básica. De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é relevante porque possibilita ao pesquisador entrar em contato com produções científicas já elaboradas, ampliando a compreensão do problema investigado e oferecendo base consistente para a análise do objeto de estudo.

Para a realização do levantamento bibliográfico, foram utilizados descritores relacionados diretamente ao tema da pesquisa, tais como: educação ao longo da vida, juventude e projetos de vida, Educação Básica, continuidade dos estudos, Ensino Superior, formação profissional, educação profissional, percepções juvenis e transição escola-trabalho. Esses descritores foram combinados entre si, a fim de ampliar os resultados e localizar estudos que dialogassem com os objetivos da investigação. A busca teve como finalidade identificar produções acadêmicas que abordassem tanto os fundamentos da educação permanente quanto as expectativas, desafios e possibilidades vivenciadas pelos jovens em relação ao futuro acadêmico e profissional.

As plataformas de busca utilizadas foram o Google Acadêmico, a Scientific Electronic Library Online (SciELO), o Portal de Periódicos da CAPES, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e repositórios institucionais de universidades brasileiras. A seleção dessas bases ocorreu por reunirem artigos científicos, dissertações, teses, livros e capítulos de livros reconhecidos no meio acadêmico, favorecendo o acesso a produções atualizadas e relacionadas ao campo da educação. Durante o processo de busca, priorizaram-se estudos nacionais, com ênfase em autores brasileiros, considerando a necessidade de compreender a realidade educacional dos jovens no contexto brasileiro.

Como critérios de inclusão, foram selecionadas produções publicadas em língua portuguesa, relacionadas à educação ao longo da vida, juventude, Educação Básica, Ensino Superior, educação profissional, projetos de vida e continuidade dos estudos. Também foram incluídos estudos que apresentassem relação com políticas educacionais, formação humana, desigualdades de acesso e permanência, bem como pesquisas voltadas às expectativas dos jovens diante do futuro acadêmico e profissional. Deram-se prioridade aos trabalhos publicados nos últimos anos, sem excluir autores clássicos e fundamentais para a compreensão do tema, como Paulo Freire, cuja contribuição permanece atual para refletir sobre educação, autonomia e formação crítica.

Foram excluídos da análise os materiais que não apresentavam relação direta com o tema investigado, textos sem autoria identificada, publicações sem respaldo acadêmico, conteúdos opinativos sem fundamentação científica, trabalhos duplicados nas bases de dados e estudos que abordavam a educação ao longo da vida de maneira distante do contexto da juventude ou da continuidade dos estudos. Também foram desconsideradas produções que tratavam exclusivamente de formação corporativa ou treinamento profissional sem articulação com a Educação Básica, o Ensino Superior ou a formação profissional dos jovens.

Após a seleção do material, realizou-se a leitura dos títulos, resumos e palavras-chave, seguida da leitura mais aprofundada dos textos considerados mais relevantes para os objetivos da pesquisa. A análise foi organizada a partir dos principais eixos temáticos do estudo: educação ao longo da vida, juventude e projetos de vida, continuidade dos estudos, Ensino Superior e formação profissional. Dessa forma, a metodologia permitiu construir uma base teórica coerente com o problema de pesquisa, contribuindo para compreender as percepções e perspectivas dos jovens da Educação Básica sobre seus caminhos formativos futuros.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A partir da pesquisa bibliográfica realizada, foi possível identificar que a educação ao longo da vida ocupa lugar central na formação dos jovens da Educação Básica, especialmente quando se considera a continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional. Os estudos analisados apontam que os jovens reconhecem a importância da educação para a construção de melhores oportunidades, mas também vivenciam inseguranças, limitações sociais e dúvidas sobre os caminhos possíveis após a conclusão da Educação Básica. De acordo com Freire (1996), a educação precisa fortalecer a autonomia dos sujeitos, permitindo que eles compreendam criticamente sua realidade e sejam capazes de intervir nela. Nesse sentido, o resultado da pesquisa evidencia que a continuidade dos estudos não deve ser compreendida apenas como uma escolha individual, mas como um processo atravessado por condições sociais, familiares, escolares e econômicas.

Um dos principais achados da pesquisa foi que a educação ao longo da vida amplia a compreensão sobre o processo formativo dos jovens, pois mostra que aprender não se encerra com a conclusão de uma etapa escolar. Os estudos de Brandão (2002) reforçam que a educação acontece em diferentes espaços da vida social, não se restringindo somente à escola formal. A partir dessa perspectiva, percebe-se que os jovens constroem suas percepções sobre o futuro a partir de experiências familiares, comunitárias, culturais e escolares. Assim, a Educação Básica assume papel essencial na formação de sujeitos capazes de compreender que a aprendizagem pode continuar por meio do Ensino Superior, da educação profissional, dos cursos técnicos, das experiências de trabalho e das vivências sociais.

Outro resultado importante refere-se à relação entre juventude, projetos de vida e continuidade dos estudos. A pesquisa demonstrou que muitos jovens desejam ingressar no Ensino Superior ou buscar formação profissional, mas nem sempre possuem informações suficientes sobre esses caminhos. De acordo com Leão (2011), os projetos de vida dos jovens estudantes do Ensino Médio são construídos em diálogo com suas condições concretas de existência, envolvendo expectativas, oportunidades e limites sociais. Dessa forma, a escola precisa atuar não apenas como espaço de transmissão de conteúdos, mas como ambiente de escuta, orientação e acolhimento das expectativas juvenis. Quando os estudantes são estimulados a pensar sobre seus projetos de vida, eles passam a enxergar a educação como uma possibilidade real de transformação.

A discussão também revelou que a permanência dos jovens nos estudos após a Educação Básica depende de fatores que vão além do desejo pessoal. A desigualdade social, a necessidade de inserção precoce no trabalho, a falta de apoio familiar, a distância das instituições de Ensino Superior ou técnico e a ausência de orientação vocacional aparecem como elementos que podem dificultar a continuidade formativa. De acordo com Haddad e Di Pierro (2000), o acesso à escolarização no Brasil sempre esteve marcado por desigualdades históricas, o que exige políticas públicas capazes de garantir não apenas o ingresso, mas também a permanência dos sujeitos nos processos educativos. Assim, a continuidade dos estudos precisa ser entendida como direito e não como privilégio restrito aos jovens que possuem melhores condições socioeconômicas.

Os estudos analisados também indicam que a escola tem responsabilidade significativa na construção das perspectivas juvenis. Klein (2016) destaca que os projetos de vida dos estudantes se fortalecem quando a escola reconhece suas trajetórias, dialoga com suas necessidades e oferece experiências formativas que façam sentido para suas realidades. Esse achado permite compreender que a escola pode contribuir para ampliar horizontes, principalmente quando promove ações de orientação sobre profissões, universidades, cursos técnicos, bolsas de estudo, políticas de permanência e possibilidades de formação continuada. Dessa maneira, a instituição escolar deixa de ser apenas um lugar de passagem e passa a ser um espaço de construção de futuro.

No que se refere ao Ensino Superior, os resultados demonstram que ele ainda é percebido por muitos jovens como um caminho importante para ascensão social, realização pessoal e ampliação das oportunidades profissionais. No entanto, esse percurso também é marcado por medos e incertezas, principalmente em relação ao acesso, aos custos, à concorrência, à permanência e à conciliação entre estudo e trabalho. De acordo com Senkevics (2023), a transição para o Ensino Superior envolve impasses significativos para a juventude brasileira, especialmente entre estudantes que pertencem a famílias com menor histórico de escolarização. Com isso, percebe-se que o incentivo ao ingresso universitário precisa vir acompanhado de políticas de orientação, apoio financeiro, inclusão e permanência.

A formação profissional também apareceu como um caminho relevante para os jovens, sobretudo para aqueles que buscam inserção mais rápida no mercado de trabalho. Os estudos apontam que cursos técnicos, formação profissionalizante e Educação Profissional e Tecnológica podem representar alternativas concretas para a continuidade dos estudos. De acordo com Corrêa Filho (2022), a expansão da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil contribui para democratizar oportunidades de formação, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos. Esse resultado demonstra que o Ensino Superior não deve ser apresentado como o único caminho possível, pois diferentes trajetórias formativas podem contribuir para o desenvolvimento pessoal, profissional e social dos jovens.

A relação entre educação e trabalho também se mostrou muito presente nas perspectivas juvenis. Muitos estudantes associam a continuidade dos estudos à possibilidade de conseguir emprego, melhorar a renda familiar e conquistar independência. De acordo com Menezes (2023), os percursos dos jovens brasileiros são marcados por diferentes combinações entre estudar, trabalhar, procurar emprego e enfrentar dificuldades de inserção no mercado. Isso mostra que as decisões sobre continuidade dos estudos são fortemente influenciadas pelas condições materiais de vida. Para muitos jovens, continuar estudando exige conciliar responsabilidades familiares, trabalho remunerado e desafios financeiros, o que pode tornar o percurso mais difícil.

Outro ponto observado foi a importância da escuta dos jovens na formulação de práticas pedagógicas e políticas educacionais. Sposito (2003) ressalta que as juventudes brasileiras são diversas e precisam ser compreendidas a partir de suas realidades sociais, culturais e econômicas. Dessa forma, não é adequado tratar todos os jovens como se possuíssem os mesmos sonhos, dificuldades e oportunidades. A pesquisa evidencia que ouvir os estudantes sobre suas percepções e perspectivas permite compreender melhor suas necessidades e criar estratégias mais efetivas de apoio à continuidade dos estudos. A escola, nesse sentido, precisa abrir espaços de diálogo para que os jovens possam expressar seus medos, desejos e expectativas sobre o futuro.

Portanto, os resultados da pesquisa indicam que a educação ao longo da vida é fundamental para ampliar as perspectivas dos jovens da Educação Básica, mas sua efetivação depende de ações concretas de orientação, acolhimento e garantia de oportunidades. A continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional deve ser compreendida como parte de um projeto maior de formação humana, cidadã e social. De acordo com Rodrigues (2024), a aprendizagem ao longo da vida está ligada à necessidade de participação social e atualização permanente dos sujeitos diante das mudanças do mundo contemporâneo. Assim, discutir esse tema é reconhecer que os jovens precisam ser apoiados para transformar expectativas em possibilidades reais, fortalecendo seus projetos de vida e sua inserção crítica na sociedade.

Tabela 1 – Principais achados da pesquisa

Principais achados

Discussão dos resultados

Autores relacionados

A educação ao longo da vida amplia a compreensão sobre o processo formativo dos jovens.

A aprendizagem não se encerra na Educação Básica, pois acompanha o sujeito em diferentes fases e espaços da vida.

Freire (1996); Brandão (2002)

Os jovens reconhecem a importância da continuidade dos estudos, mas enfrentam dúvidas sobre o futuro.

As escolhas acadêmicas e profissionais são influenciadas por expectativas, inseguranças e condições sociais.

Leão (2011); Klein (2016)

A desigualdade social interfere no acesso e na permanência nos estudos.

Fatores econômicos, familiares e territoriais podem dificultar o ingresso no Ensino Superior e na formação profissional.

Haddad e Di Pierro (2000); Senkevics (2023)

A escola tem papel essencial na construção dos projetos de vida.

A orientação escolar pode ajudar os estudantes a conhecerem possibilidades formativas e profissionais.

Klein (2016); Reis (2012)

A formação profissional aparece como alternativa importante para muitos jovens.

Cursos técnicos e formação profissional podem favorecer inserção no trabalho e continuidade educativa.

Corrêa Filho (2022); Nascimento (2025)

A relação entre educação e trabalho influencia as escolhas juvenis.

Muitos jovens precisam conciliar estudo, emprego e responsabilidades familiares.

Menezes (2023); Bernardim

A escuta dos jovens é necessária para políticas e práticas mais efetivas.

Reconhecer as diferentes juventudes permite construir ações mais próximas da realidade dos estudantes.

Sposito (2003)

Fonte: Autores, 2026

5. CONCLUSÃO

A presente pesquisa permitiu compreender que a educação ao longo da vida representa um caminho essencial para ampliar as oportunidades formativas, sociais e profissionais dos jovens da Educação Básica. Ao longo do estudo, observou-se que a continuidade dos estudos no Ensino Superior e na formação profissional não pode ser entendida apenas como uma escolha individual, pois envolve condições sociais, econômicas, familiares, escolares e culturais que influenciam diretamente os projetos de vida dos estudantes. Dessa forma, o tema revela-se importante porque mostra que os jovens precisam ser ouvidos, orientados e apoiados em suas decisões, principalmente no momento em que começam a pensar com mais intensidade sobre o futuro acadêmico e profissional.

Com base nos objetivos propostos, foi possível analisar que os jovens reconhecem a importância dos estudos para a construção de melhores condições de vida, para a inserção no mundo do trabalho e para o desenvolvimento pessoal. No entanto, também ficou evidente que muitos enfrentam dúvidas, inseguranças e limitações que podem dificultar a continuidade da formação. Entre esses desafios, destacam-se a falta de informação sobre cursos superiores e profissionais, as desigualdades de acesso, a necessidade de trabalhar cedo, as dificuldades financeiras e a ausência de orientação mais sistemática dentro da escola. Esses fatores demonstram que a permanência nos estudos depende de ações concretas que aproximem a Educação Básica das reais necessidades dos estudantes.

A pesquisa também evidenciou que a escola possui papel fundamental na construção dos projetos de vida juvenis. Mais do que preparar os estudantes para avaliações ou para a conclusão de uma etapa escolar, a instituição precisa contribuir para que eles compreendam suas possibilidades, reconheçam suas potencialidades e consigam planejar seus caminhos com mais segurança. Nesse sentido, a orientação educacional, o diálogo sobre profissões, o acesso a informações sobre universidades, cursos técnicos, bolsas, programas de permanência e políticas públicas são estratégias importantes para fortalecer a confiança dos jovens em relação à continuidade dos estudos.

Conclui-se, portanto, que a educação ao longo da vida deve ser compreendida como uma dimensão indispensável da formação humana, pois possibilita ao sujeito continuar aprendendo, reinventando-se e participando de forma mais crítica da sociedade. Para os jovens da Educação Básica, essa perspectiva amplia horizontes e reforça a ideia de que o futuro pode ser construído por meio de diferentes trajetórias formativas, seja no Ensino Superior, na educação profissional ou em outros espaços de aprendizagem. Assim, a continuidade dos estudos precisa ser incentivada como direito, possibilidade e instrumento de transformação social.

Por fim, destaca-se que este estudo contribui para o debate educacional ao evidenciar a importância de escutar as percepções e perspectivas dos jovens sobre seus próprios percursos. Quando a escola reconhece os estudantes como sujeitos de sonhos, dúvidas, medos e projetos, ela se aproxima de uma prática mais humana, inclusiva e comprometida com a formação integral. Dessa maneira, espera-se que a pesquisa possa colaborar para reflexões e ações que fortaleçam o acompanhamento dos jovens na transição entre a Educação Básica, o Ensino Superior, a formação profissional e o mundo do trabalho, favorecendo escolhas mais conscientes, justas e possíveis.

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1 Doutoranda em Ciências da Educação Instituição: Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Mestre em Ciências da Educação - University Ecumenical. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Doutorado pela Instituição: Educaler. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Especialista em direito digital – Focus. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail