REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779075024
RESUMO
Este estudo investigou a dinâmica do uso e cobertura da terra no estado do Acre entre 2020 e 2024, com foco na expansão da atividade pecuária e sua relação com o desmatamento e variáveis espaciais externas. Foram utilizados dados do Projeto MapBiomas (Coleção 10), do PRODES/INPE, do IDAF e de bases cartográficas oficiais, processados no QGIS e analisados no ambiente R. Os procedimentos metodológicos incluíram a quantificação de áreas por classe de uso e cobertura, a construção de matrizes de transição, a análise de correlação de Pearson entre variáveis espaciais e a avaliação da proximidade entre registros de produção bovina e infraestrutura viária e hidrográfica. Os resultados indicam que a área de pastagem expandiu aproximadamente 3.576 km² no período, enquanto o desmatamento acumulado cresceu 1.513 km². A principal transição identificada foi a conversão de formação florestal em pastagem, totalizando cerca de 1.157 km², confirmando a pecuária como principal vetor de supressão vegetal no estado. A correlação entre pastagem e desmatamento foi praticamente unitária (r = 0,999), e a distribuição do rebanho apresentou forte associação espacial com a malha rodoviária e com áreas de menor altitude. Na porção ocidental do estado, as hidrovias desempenham papel complementar na acessibilidade das propriedades pecuárias. Conclui-se que a pecuária bovina consolida-se como o principal agente de transformação territorial no Acre, condicionada pela infraestrutura de transporte e pelas características fisiográficas da região.
Palavras-chave: Amazônia ocidental; desmatamento; matriz de transição; correlação espacial; pecuária.
ABSTRACT
This study investigated land use and land cover dynamics in the state of Acre, Brazil, between 2020 and 2024, focusing on cattle ranching expansion and its relationship with deforestation and external spatial variables. Data from MapBiomas (Collection 10), PRODES/INPE, IDAF, and official cartographic databases were processed in QGIS and analyzed using the R environment. Methodological procedures included area quantification by land use class, transition matrix construction, Pearson correlation analysis among spatial variables, and assessment of the proximity between cattle production records and road and waterway infrastructure. Results indicate that pasture area expanded approximately 3,576 km² during the period, while accumulated deforestation increased by 1,513 km². The main transition identified was the conversion of forest to pasture, totaling approximately 1,157 km², confirming cattle ranching as the primary driver of vegetation loss in the state. The correlation between pasture and deforestation was nearly perfect (r = 0.999), and herd distribution showed strong spatial association with the road network and lower-altitude areas. In the western portion of the state, waterways play a complementary role in providing access to cattle properties. It is concluded that cattle ranching is consolidating as the main agent of territorial transformation in Acre, conditioned by transport infrastructure and the physiographic characteristics of the region.
Keywords: western Amazon; deforestation; transition matrix; spatial correlation; livestock.
1. INTRODUÇÃO
A Amazônia Ocidental consolidou-se nas últimas décadas como uma das principais frentes de expansão da pecuária bovina no Brasil, promovendo intensas transformações na paisagem e convertendo extensas áreas de floresta nativa em pastagens e áreas agrícolas (Barreto; Pereira; Rocha, 2023). Historicamente, esse processo esteve associado a políticas de ocupação territorial, abertura de rodovias, incentivos fiscais e estratégias de colonização que favoreceram a incorporação de novas áreas produtivas e estimularam a substituição da cobertura florestal por atividades agropecuárias (Carvalho et al., 2021; Chiacchio; Souza, 2024).
Nesse contexto, a pecuária extensiva tornou-se o principal vetor de transformação territorial na Amazônia Legal, sendo responsável por grande parte das áreas desmatadas. Almeida et al. (2016), ao analisarem o uso da terra nas áreas já desmatadas até 2008, identificaram que aproximadamente 62% dessas superfícies eram ocupadas por classes de pastagem, evidenciando o protagonismo dessa atividade na reorganização espacial da região. Esse processo foi acompanhado pelo expressivo crescimento do rebanho bovino amazônico, que passou de cerca de 37 milhões de cabeças em 1995 para aproximadamente 85 milhões em 2016, representando cerca de 40% do efetivo bovino nacional (Freitas Junior; Barros, 2021).
Além da supressão da cobertura florestal, a expansão pecuária também está associada à degradação dos recursos hídricos, à remoção de matas ciliares e ao uso intensivo do solo, ampliando impactos ambientais e conflitos socioespaciais (Kohler et al., 2021). A disseminação territorial dessa atividade não ocorre de forma aleatória, sendo fortemente condicionada por fatores externos, como infraestrutura viária, acessibilidade, relevo e disponibilidade hídrica, que favorecem a formação de clusters espaciais de produção e produtividade pecuária (Freitas Junior; Barros, 2021).
No estado do Acre, essa dinâmica manifesta-se de forma particularmente expressiva. Tradicionalmente vinculado ao extrativismo vegetal, especialmente da borracha e da castanha, o estado passou por uma reestruturação econômica orientada pelo avanço da pecuária bovina e pela ampliação das áreas de pastagem (Lopes et al., 2019; Silva, 2022; Silva et al., 2024). Fernandes et al. (2024) destacam que, em 2022, o Acre registrou um rebanho de 4.568.389 cabeças distribuídas em 24.551 propriedades, acompanhado por crescimento anual tanto do número de animais quanto do número de estabelecimentos pecuários. Paralelamente, a área destinada à pastagem alcançou 2.376.799 hectares, consolidando a pecuária como uma das principais atividades econômicas do estado.
Entretanto, esse processo também produz significativos impactos sociais e ambientais. Silva (2022) demonstra que a expansão do agronegócio pecuário no Baixo Acre intensifica conflitos territoriais, incluindo a expulsão de populações tradicionais, como camponeses, indígenas e seringueiros, além da rápida reconfiguração das formas de uso do território. Lopes et al. (2019) observam que mesmo em reservas extrativistas ocorre a substituição de práticas tradicionais pela criação de gado, comprometendo a função conservacionista dessas áreas protegidas. De forma semelhante, Andrade et al. (2022), ao analisarem a bacia do Igarapé São Francisco, em Rio Branco, identificaram perda de 6,3% da cobertura florestal entre 2001 e 2021, associada tanto à urbanização quanto às atividades agropecuárias.
Embora existam estudos sobre pecuária, desmatamento e mudanças no uso e cobertura da terra no Acre, muitos deles abordam esses processos de forma isolada, sem integrar a dinâmica de conversão florestal, a expansão da pastagem e a influência de variáveis espaciais externas em uma mesma análise (Almeida et al., 2016; Freitas Junior; Barros, 2021; Silveira et al., 2022). A compreensão integrada dessas relações é fundamental para o monitoramento territorial e para a formulação de políticas públicas voltadas ao controle do desmatamento e ao planejamento do uso sustentável da terra.
Estudos multitemporais têm demonstrado a relevância da utilização conjunta de métricas de mudança por classe e matrizes de transição para identificar padrões de conversão do uso do solo e tendências de avanço da fronteira agropecuária. Paula, Escada e Ortiz (2022), ao analisarem a bacia do rio Curuá-Una, evidenciaram a eficácia dessa abordagem na identificação de trajetórias de transformação territorial. De forma semelhante, Sousa et al. (2017) demonstraram a conversão sistemática de áreas florestais em pastagem e agricultura em municípios paraenses, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo dessas dinâmicas.
Nesse contexto, o presente estudo investiga as mudanças no uso e cobertura da terra no estado do Acre no período de 2020 a 2024, com foco na conversão de áreas florestais em pastagem e na expansão da atividade pecuária. Para isso, foram utilizadas métricas de mudança por classe, matrizes de transição e análises espaciais de proximidade e sobreposição entre desmatamento, malha viária, hidrovias e elevação topográfica, buscando atualizar o entendimento sobre os fatores que condicionam a transformação territorial no estado.
2. METODOLOGIA
Esta pesquisa insere-se no contexto da dinâmica territorial da Amazônia Ocidental e aponta a pecuária extensiva como um dos principais vetores de alteração da paisagem. O recorte temporal compreende o período de 2020 a 2024, estruturado em séries anuais para identificar tendências, variações e padrões espaciais de mudança. O recorte espacial corresponde ao estado do Acre (Figura 1).
Figura 1: Mapa de localização do Estado do Acre e distribuição dos efetivos de produção bovina.
A área de estudo apresenta uma extensão de 164.064,76 km², população de 830.018 habitantes, com renda mensal domiciliar per capita de R$1.392 e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,71 (Ibge, 2022). Em relação ao clima, caracteriza-se como equatorial, quente e úmido; com altas temperaturas; alta pluviosidade; umidade no ar elevada; temperatura média ao longo ano de aproximadamente 24,5 ºC e a máxima de 32 ºC, sendo uniforme em todo o estado (Acre, 2010).
Para este estudo, foram empregadas bases públicas e padronizadas, oriundas de dados tabelados, imagens (rasters) e vetores (pontos e polígonos), conforme a Tabela 1.
Tabela 1: Dados utilizados e suas fontes.
Base | Fonte | Período | Resolução/ |
Rebanho Bovino | Idaf (2025) | 2020-2024 | Tabela |
Coleção 10 do Projeto MapBiomas | Mapbiomas (2025) | 2020-2024 | 30m |
Polígonos anuais de desmatamento (PRODES) | Inpe (2025) | 2020-2024 | 30m |
Limites políticos | Ibge (2025); Ana (2010) | 2025 | Vetor |
Hidrografia | Ana (2012) | Vetor | |
Ruas, Estradas e Rodovias | Ana (2016); Brasil (s.d); OSM (2026) | 2026 | Vetor |
Fonte: Elaborado pelos autores.
Todo o geoprocessamento foi executado por meio do software QGIS versão 3.44 (Qgis.org, 2026). No ambiente do QGIS, os dados tabulados de rebanho bovino foram convertidos em arquivo vetoriais de pontos e foram espacializados por meio da estimativa da densidade dos pontos na área, que consiste em uma técnica estatística não-paramétrica conhecida como Kernel Density Estimation (KDE), ou mapa de calor (heatmaps).
Os vetores de linha (vias terrestres e hidrografia) foram espacializados por meio da Ferramenta Point to Line Distance no componente SAGA do QGIS, em que os pontos foram representados por um Grid de pontos gerados no mesmo programa, espaçados regularmente em 10 km; em que, os resultados espacializados via interpolação IDW (Inverse Distance Weighted ou Ponderação do Inverso da Distância).
Esse espaçamento entre pontos do Grid foi adotado como compromisso entre resolução analítica e custo computacional: intervalos menores aumentariam desnecessariamente o volume de processamento sem alterar substancialmente os padrões espaciais identificados na escala estadual, enquanto intervalos maiores poderiam suprimir variações localmente relevantes. Enquanto o IDW foi selecionado por ser um método amplamente utilizado na literatura científica em casos de interpolação, além de sua adaptabilidade à distribuição estatística dos dados e fácil interpretação do resultado. Além disso, a inclusão das distâncias até rodovias e hidrovias como variáveis analíticas fundamenta-se na premissa consolidada na literatura de que a infraestrutura de acesso constitui um dos principais condicionantes da expansão agropecuária na Amazônia.
A etapa de preparação dos dados visou assegurar compatibilidade espacial entre as camadas, em que, todas foram reprojetadas para o Sistema de Referência de Coordenadas SIRGAS 2000, projeção UTM (EPSG: 31979/Zona 19 Sul), garantindo alinhamento espacial e precisão no cálculo de áreas, mantendo todas com a resolução espacial de 29,5 metros. Em seguida, procedeu-se ao recorte (clip) de todas as camadas ao limite do Estado do Acre. Os dados foram organizados em séries anuais (2020, 2021, 2022, 2023 e 2024).
As análises dos dados foram realizadas com o uso da linguagem de programação R no ambiente RStudio (Posit Team, 2026), principalmente com os pacotes sf e terra, utilizados para cálculo de correlação entre variáveis e construção de matrizes de transição. Primeiramente foi realizada a quantificação das áreas por classe e métricas de mudança. Para cada ano do período de estudo, foram calculadas as áreas (em km²) das classes de uso e cobertura da terra e, a partir dessas séries, foi calculada a variação percentual interanual. Os resultados foram sintetizados em tabelas e gráficos de séries temporais, permitindo observar tendências e oscilações ao longo do intervalo analisado.
Para identificar a direção e a magnitude das mudanças, foram construídas matrizes de transição entre classes para pares de anos consecutivos. Contudo, para fins de síntese, foi apresentada uma matriz consolidada para o período completo (2020 a 2024), destacando as transições dominantes.
Por fim, a relação espacial entre os polígonos de desmatamento e as áreas de expansão recente de pastagem foi avaliada inicialmente pela sobreposição direta, realizando-se a interseção geométrica entre os polígonos de desmatamento do ano t e as áreas identificadas como expansão de pastagem nos anos t e t+1. A partir dessa operação, foram calculados o percentual da área desmatada convertida em pastagem no mesmo ano de detecção do desmatamento e o percentual convertido com defasagem de até um ano.
Para complementar a análise espacial foram calculados os índices de correlação de Pearson (correlograma) entre os mapas de calor de produção bovina, áreas de pastagem, distância até as hidrovias, distância até as ruas e rodovias federais e estaduais, áreas de desmatamento e altitude. No correlograma, a escala de cores varia de −1 (correlação negativa perfeita, em vermelho) a +1 (correlação positiva perfeita, em azul escuro). Os valores numéricos de correlação são apresentados em cada célula da matriz.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A Tabela 2 sintetiza a evolução temporal de três variáveis-chave para a compreensão da dinâmica de ocupação territorial no Acre, neste estudo, que são o rebanho bovino, a área de pastagem e o desmatamento acumulado.
Tabela 2: Evolução da produção bovina (nº de cabeças), área de pastagem (km²) e área de desmatamento acumulado (km²) no estado do Acre, 2020 a 2025.
Ano | Produção Bovina | Área de Pastagem | Área de Desmatamento | |||
x1.000 cabeças | Δ % | km2 | Δ % | km2 | Δ % | |
2020 | 3.982 | - | 20.591 | - | 26.473 | - |
2021 | 4.212 | 5,8 | 21.662 | 5,2 | 26.739 | 1,0 |
2022 | 4.568 | 8,5 | 22.938 | 5,9 | 27.385 | 2,4 |
2023 | 9.702 | 112,4 | 23.592 | 2,9 | 27.714 | 1,2 |
2024 | 4.985 | -48,6 | 24.167 | 2,4 | 27.986 | 1,0 |
Fonte: Elaborado pelos autores.
A análise conjunta dessas variáveis permite avaliar o grau de associação entre a expansão pecuária e a conversão da cobertura florestal no período de 2020 a 2024. Os dados revelam uma tendência consistente de crescimento tanto da área de pastagem quanto do desmatamento acumulado ao longo do período, embora em ritmos decrescentes. A área de pastagem expandiu 3.576 km² de 2020 a 2024, o equivalente a um crescimento total cerca de 17% em quatro anos. O desmatamento acumulado, por sua vez, obteve incremento de 1.513 km² (5,7%).
A comparação entre essas duas variáveis sugere que o aumento percentual da pastagem superou o aumento percentual de novos desmatamentos no período, o que pode indicar a conversão de outras classes de uso, como áreas de vegetação secundária ou formações campestres para fins pecuários, além das áreas de supressão primária. Essa dinâmica é coerente com o que Almeida et al. (2016) observaram para a Amazônia Legal, podendo indicar um modelo de expansão em que a floresta desmatada em anos anteriores funciona como reserva de área para a consolidação pecuária subsequente, sem que isso apareça nos registros anuais de supressão primária.
O comportamento do rebanho bovino apresenta uma dinâmica particular. Entre 2020 e 2022, o efetivo cresceu de forma gradual, com variações anuais de 5,8% e 8,5%, respectivamente. Diferentemente, em 2023, registrou-se um salto atípico de 112,4%, elevando o rebanho em mais de 5 milhões de cabeças. Investigando-se as motivações para tal aumento, obtém-se que esse mesmo período houve recorde na produção de carne bovina no Brasil, em decorrência de um “excedente” do mercado interno, gerado em função da retenção de fêmeas em 2022, que provocou aumento nos rebanhos (ASBIA, 2023; O Presente Rural, 2023). Em 2024, o efetivo recuou retornou a um patamar mais compatível com a tendência de crescimento moderado observada nos anos anteriores.
Esse comportamento reflete a sensibilidade do rebanho acreano às dinâmicas macroeconômicas nacionais. Freitas Junior e Barros (2021) demonstraram que microrregiões da Amazônia Legal apresentaram taxas de crescimento do rebanho entre 5,6% e 15,68% superiores às demais regiões do país, evidenciando que a Amazônia funciona como válvula de expansão do setor em momentos de alta demanda. O ciclo de retenção de fêmeas de 2022 é um comportamento comum de resposta à valorização do mercado e tende a pressionar o uso do solo, uma vez que maiores efetivos demandam maior área de pastagem.
Ressalte-se que, embora o ano de 2025 esteja fora do recorte temporal deste estudo, por não contemplar, até o momento, dados de variáveis como áreas de pastagem e desmatamento, o IDAF disponibilizou dados da pecuária no Acre para o mesmo ano, sendo identificadas 5.356.000 cabeças bovinas, o que corresponde a um aumento de 7,5% em relação ao ano de 2024.
A Figura 2 apresenta a evolução espaço-temporal da concentração do rebanho bovino no Acre entre 2020 e 2025, por meio de dois produtos cartográficos complementares para cada ano. À esquerda, mapas de calor que representam a densidade de produção bovina por meio de gradiente cromático contínuo, em que tons mais intensos de vermelho indicam maior concentração de cabeças. Enquanto, à direita, mapas de pontos graduados que localizam os efetivos bovinos classificados em cinco faixas, variando de propriedades com até 380 cabeças até aquelas com mais de 11.437 cabeças.
Figura 2: Distribuição espacial e concentração da produção bovina no Estado do Acre, 2020–2024: mapas de calor (heatmap) de densidade do rebanho (à esquerda) e localização dos efetivos por classe de tamanho do rebanho (à direita).
Observa-se a concentração predominante do rebanho na porção leste-sudeste do estado, correspondente à mesorregião do Vale do Acre, sobretudo no Baixo e Alto Acre, onde se situam os municípios com maior tradição pecuária e melhor acesso à infraestrutura viária. Essa concentração intensifica-se entre 2020 e 2024.
A porção ocidental, correspondente à mesorregião do Vale do Juruá, mantém-se com menores densidades ao longo de todo o período, embora sinais de expansão possam ser observados. Esse padrão reforça a leitura de que a atividade pecuária no Acre segue um eixo preferencial de consolidação nas áreas de ocupação mais antiga, ao mesmo tempo em que exerce pressão incremental sobre áreas de fronteira ainda predominantemente florestadas.
A Figura 3 apresenta a dinâmica espaço-temporal do uso e cobertura da terra no estado do Acre entre 2020 e 2024, associada à distribuição espacial das produções bovinas registradas no mesmo período. Sistema de coordenadas UTM, Datum SIRGAS 2000. Os mapas à esquerda representam as classes de uso e ocupação do solo (UOS) para cada ano, enquanto os mapas à direita ilustram a localização dos registros de produção bovina correspondentes. A classe Formação Savânica, embora presente na legenda, apresenta ocorrência residual na área de estudo.
Figura 3: Uso e cobertura da terra e distribuição espacial das produções bovinas no estado do Acre, 2020 a 2024.
Observa-se a predominância das classes Floresta e Pastagem concentradas sobretudo na porção leste do estado, ao longo do eixo da BR-364. A distribuição dos pontos de produção bovina acompanha esse padrão, evidenciando uma sobreposição entre as áreas de pastagem consolidada e a concentração do rebanho, com expansão progressiva em direção às fronteiras florestais ao longo do período analisado.
Para compreender a magnitude e a direcionalidade das mudanças na paisagem acreana ao longo do período analisado, foi elaborada uma matriz de transição consolidada entre os anos de 2020 e 2024 (Tabela 3). Essa matriz permite identificar, de forma quantitativa, as principais conversões entre classes de uso e cobertura da terra, bem como as áreas que permaneceram estáveis ao longo dos cinco anos.
Tabela 3: Matriz de transição de uso e cobertura da terra (km²) de 2020 para 2024.
Classes de origem / Classes de destino | Floresta | Formação Florestal | Formação Savânica | Floresta Alagável | Campo Alagado e Área Pantanosa | Formação Campestre | Pastagem | Área Urbanizada | Outras Áreas não Vegetadas | Aquicultura | Rio, Lago e Oceano | Outras Lavouras Temporárias |
Floresta | 114,42 | 0,25 | 0,00 | 0,10 | 0,04 | 0,02 | 1,08 | 0,00 | 0,04 | 0,00 | 0,29 | 0,00 |
Formação Florestal | 1,14 | 140.522,11 | 0,00 | 3,21 | 1,20 | 0,25 | 1.156,81 | 0,03 | 1,31 | 0,02 | 13,45 | 0,00 |
Formação Savânica | 0,00 | 0,00 | 5,29 | 0,00 | 0,02 | 0,00 | 0,09 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 |
Floresta Alagável | 0,12 | 1,82 | 0,00 | 703,91 | 0,97 | 0,04 | 4,97 | 0,00 | 0,12 | 0,00 | 6,24 | 0,00 |
Campo Alagado e Área Pantanosa | 0,03 | 0,49 | 0,00 | 1,02 | 40,61 | 0,21 | 2,46 | 0,05 | 0,10 | 0,01 | 2,86 | 0,00 |
Formação Campestre | 0,01 | 0,23 | 0,00 | 0,04 | 0,50 | 38,47 | 1,09 | 0,02 | 0,04 | 0,01 | 2,95 | 0,03 |
Pastagem | 0,41 | 82,88 | 0,70 | 1,67 | 3,42 | 5,10 | 20.473,94 | 1,03 | 10,49 | 0,40 | 8,59 | 3,38 |
Área Urbanizada | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,02 | 151,11 | 0,10 | 0,00 | 0,05 | 0,00 |
Outras Áreas não Vegetadas | 0,07 | 1,02 | 0,00 | 0,17 | 0,15 | 0,17 | 12,45 | 1,52 | 183,69 | 0,01 | 1,19 | 0,04 |
Aquicultura | 0,00 | 0,01 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,03 | 0,21 | 0,00 | 0,00 | 3,04 | 0,54 | 0,00 |
Rio, Lago e Oceano | 0,25 | 13,61 | 0,00 | 8,28 | 6,20 | 5,55 | 9,03 | 0,07 | 1,41 | 0,64 | 524,89 | 0,01 |
Outras Lavouras Temporárias | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,01 | 1,12 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 29,71 |
Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados MapBiomas (Coleção 10). Contagem em número de pixels. Células em verde = permanência na mesma classe.
A análise das transições constitui uma etapa fundamental para a compreensão dos processos de ocupação territorial na Amazônia, uma vez que evidencia não apenas o saldo líquido de perda ou ganho de cada classe, mas também os fluxos bidirecionais entre elas, revelando dinâmicas de conversão, abandono e regeneração que seriam invisíveis em uma análise restrita à comparação de áreas totais.
A diagonal principal da matriz revela que a maior parte do território acreano manteve sua cobertura original entre 2020 e 2024. A classe Formação Florestal apresentou a maior área de permanência, com cerca de 140.522 km², seguida por Pastagem (20.474 km²), Floresta Alagável (704 km²) e Rio, Lago e Oceano (525 km²). Esses valores indicam uma relativa estabilidade da matriz florestal no período, embora os fluxos fora da diagonal revelem pressões significativas sobre a cobertura vegetal nativa.
A transição mais expressiva registrada foi a conversão de Formação Florestal para Pastagem, que totalizou aproximados 1.157 km² no período consolidado, correspondendo à principal trajetória de desmatamento no estado. Esse valor reforça o papel da pecuária como vetor predominante de supressão vegetal na região, padrão amplamente documentado na literatura sobre a Amazônia (Dias; Lima, 2021). Em sentido inverso, a transição de Pastagem para Formação Florestal atingiu 82,88 km², o que pode indicar processos de regeneração secundária em áreas de pastagem abandonadas, embora em magnitude significativamente inferior à conversão floresta–pastagem. O saldo líquido dessa dinâmica resulta em uma perda florestal líquida de aproximadamente 1.073,93 km² em favor da pastagem.
Outras conversões relevantes incluem a transição de Formação Florestal para Rio, Lago e Oceano (13,45 km²), possivelmente associada a alterações na dinâmica fluvial ou a imprecisões na classificação em áreas de várzea, e a conversão de Pastagem para Outras Áreas não Vegetadas (10,49 km²), que pode refletir processos de degradação do solo em áreas de uso intensivo. A classe Outras Lavouras Temporárias apresentou estabilidade elevada (29,71 km²), porém recebeu contribuição expressiva de Pastagem (1,12 km²), sugerindo uma conversão pontual de áreas pecuárias para uso agrícola.
A Figura 4 apresenta a evolução espacial do desmatamento acumulado no estado do Acre entre 2020 e 2024, com base nos dados do Projeto PRODES. As áreas classificadas como "Sim" (em ciano) correspondem às superfícies já desmatadas, enquanto as áreas em vermelho representam regiões sem registro de desmatamento. A classe "Sim" (ciano) representa as áreas com registro de desmatamento acumulado até o ano indicado; a classe "Não" (vermelho) corresponde às áreas sem detecção de desmatamento no período.
Figura 4: Distribuição espacial do desmatamento acumulado (PRODES) no estado do Acre, 2020 a 2024.
As mudanças sutis, na prática, significam mais de 1,5 mil quilômetros quadrados, que se torna preocupante ao analisar a expansão crescente de áreas desmatadas. Por meio da comparação ao longo dos anos, nota-se uma intensificação do desmatamento nas porções central e sudeste, sugerindo a abertura de novas frentes de conversão florestal.
A Figura 5 apresenta a matriz de correlação de Pearson entre as variáveis espaciais e ambientais empregadas no estudo, permitindo identificar o grau de associação linear entre elas.
Figura 5: Matriz de correlação de Pearson entre as variáveis espaciais e temporais utilizadas na análise.
As variáveis incluem: distância até rodovias federais, ruas/estradas, hidrografia e rodovias estaduais; modelo digital de elevação (DEM); área desmatada (Desmat, 2020-2024); área de pastagem (Pastagem, 2020-2024); densidade bovina por mapa de calor (mapacalor_bov, 2020–2024); e uso e ocupação do solo (UOS, 2020–2024).
O resultado mais expressivo da matriz é a correlação praticamente unitária entre as variáveis de pastagem e de desmatamento em todos os anos analisados (r = 0,999), sugerindo forte associação espacial entre essas variáveis.
A correlação entre DEM e Pastagem (r = 0,966) e entre DEM e Desmatamento (r = 0,966) também é bastante alta. Esse resultado indica que a distribuição altimétrica relaciona-se fortemente a localização das áreas convertidas. No contexto do Acre, as áreas de menor altitude, correspondentes às planícies aluviais e terraços ao longo do eixo leste do estado, concentram tanto a pastagem quanto o desmatamento, enquanto as porções mais elevadas, a oeste, permanecem predominantemente florestadas. Vale e Bordalo (2020), que analisaram a bacia do rio Apeú e demonstraram como características morfométricas condicionam os padrões de uso, com atividades agropecuárias concentradas em áreas de menor elevação e relevos planos, comprometendo áreas de preservação permanente. A partir disso, pode-se concluir que o avanço da pecuária sobre as planícies acreanas não representa apenas perda de cobertura florestal, mas também degradação de ecossistemas ripários de alta sensibilidade hidrológica.
As distâncias à infraestrutura viária e hídrica apresentam correlação positiva moderada a forte com pastagem e desmatamento. A correlação com a distância à hidrografia (r ≈ 0,7) indica que pastagem e desmatamento tendem a ocorrer em áreas relativamente próximas dos cursos d'água principais. Em muitos casos, ocorrem próximos a rodovias estaduais (r ≈ 0,7) ou federais (r ≈ 0,7); bem como, de ruas ou estradas locais (r ≈ 0,6). Reforçando que a acessibilidade viária é um fator condicionante da expansão pecuária.
Os mapas de calor bovino apresentam correlação moderada com pastagem (r ≈ 0,5) e desmatamento (r ≈ 0,5). Contudo, a análise linear da correlação da densidade bovina com a distância a rodovias federais é bastante fraca (r ≈ 0,05) e levemente negativa com a distância a ruas (r ≈ −0,09). E ocorre preferencialmente próximo aos desmatamentos e ou pastagens.
Todavia, essa correlação é definida de forma mais clara quando analisadas visualmente, por meio da visualização das camadas analisadas, sendo elas a distancias até a malha viária e altitude, a serem confrontadas com a distribuição da a produção bovina apresentada anteriormente.
Sendo assim, a Figura 6 apresenta as variáveis espaciais utilizadas na análise de acessibilidade e caracterização fisiográfica do estado do Acre. Os mapas A a D representam superfícies de distância euclidiana calculadas a partir das principais feições de infraestrutura de transporte e da rede hidrográfica, enquanto o mapa E exibe a variação altimétrica da área de estudo, derivada de modelo digital de elevação.
A distância até hidrovias (A) evidencia o papel estruturante dos rios na região amazônica, onde os cursos d'água constituem vias de acesso fundamentais para comunidades ribeirinhas. As distâncias às rodovias federais (B) e estaduais (C) refletem a concentração da malha viária pavimentada ao longo de eixos específicos, com extensas áreas do território permanecendo a grandes distâncias dessa infraestrutura. O mapa de distância até ruas e estradas extraídas do OpenStreetMap (D) complementa essa análise ao incorporar a rede viária local, revelando um padrão mais denso nas proximidades dos núcleos urbanos. Por fim, o mapa de altitude (E) mostra um relevo predominantemente de baixas elevações na porção norte e central do estado, com terrenos mais elevados na porção sudoeste, próxima à fronteira com o Peru.
Figura 6: Mapas de (A) Distância até hidrovias; (B) Distância até rodovias federais; (C) Distância até rodovias estaduais; (D) Distância até ruas e estradas (OpenStreetMap); e (E) Altitude (modelo digital de elevação).
A Figura 3 apresenta a sobreposição entre os registros de produção bovina e a rede hidroviária do estado do Acre. Os recortes ampliados destacam três trechos representativos da relação entre a localização das propriedades pecuárias e os cursos d'água navegáveis. Observa-se que, nas porções oeste e central do estado, onde a malha rodoviária é menos densa, as produções bovinas tendem a se distribuir ao longo das hidrovias, sugerindo que os rios funcionam como eixos de acessibilidade e escoamento da produção nessas áreas mais remotas. No entanto, a densidade de pontos de produção associados às hidrovias é consideravelmente inferior àquela observada nas proximidades das rodovias (Figura 7), indicando que o transporte fluvial desempenha um papel complementar, e não predominante, na logística pecuária do estado.
Figura 7: Distribuição espacial das produções bovinas em relação à rede hidroviária no estado do Acre.
No entanto, Lopes et al. (2019) alertam que, em reservas extrativistas do Acre, a transição das comunidades ribeirinhas para a pecuária como atividade principal compromete a função conservacionista dessas áreas protegidas, evidenciando que a acessibilidade fluvial, historicamente associada ao extrativismo, também facilita a expansão da fronteira pecuária.
A Figura 8 demonstra a relação espacial entre os registros de produção bovina e a infraestrutura rodoviária do Acre, composta por rodovias federais, rodovias estaduais e ruas/estradas locais extraídas do OpenStreetMap. Os recortes em destaque ilustram a concentração das produções bovinas nas proximidades de rodovias federais, rodovias estaduais e ruas/estradas locais.
Figura 8: Distribuição espacial das produções bovinas em relação à malha rodoviária no estado do Acre.
Os recortes ampliados evidenciam três padrões distintos de organização espacial da pecuária em função da malha viária. No recorte à esquerda, na porção noroeste do estado, as produções se distribuem ao longo de ramais e estradas vicinais que partem das rodovias estaduais, em um padrão típico de ocupação do tipo espinha de peixe. No recorte central, observa-se a concentração de propriedades pecuárias nas proximidades de entroncamentos rodoviários, onde a convergência de eixos viários facilita o acesso a mercados e abatedouros. O recorte à direita, referente à região de Rio Branco e entorno, revela a mais alta densidade de produções bovinas do estado, associada à densa rede de ruas e estradas urbanas e periurbanas, bem como à presença das rodovias federais BR-364 e BR-317. Esse padrão de organização espacial da pecuária ao longo de eixos rodoviários é recorrente na Amazônia, como demonstram Cardoso, Silva e Araújo Filho (2024) e Oliveira et al. (2016).
Em relação ao padrão de ocupação de espinha de peixe, Santos (2024) revela que esse padrão remete à forma da abertura de vias a partir de um eixo estruturante e que indicam o avanço da exploração nas áreas, sendo amplamente observados nos últimos anos, inclusive, no interior de parques, unidades de conservação e terras indígenas, normalmente criados no contexto de recrudescimento da política de proteção ambiental. Isso indica que a acessibilidade viária e fluvial, historicamente associada ao extrativismo sustentável, passa a operar também como vetor de incorporação da floresta à fronteira agropecuária.
Nesse sentido, os dados produzidos neste estudo reforçam a urgência de instrumentos de ordenamento territorial que considerem a lógica espacial subjacente à expansão da fronteira pecuária no estado do Acre.
4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo investigou as mudanças no uso e cobertura da terra no Acre entre 2020 e 2024 por meio de matrizes de transição e análise espacial com variáveis externas complementares.
Foi possível quantificar que a dinâmica de uso e cobertura da terra no Acre entre 2020 e 2024 foi dominada pela conversão de áreas florestais em pastagem, concentrada sobretudo na porção leste do estado. Apesar da oscilação atípica de 2023, é possível observar que o aumento contínuo da área de pastagem, associado à expansão do desmatamento e ao crescimento do rebanho, evidencia a consolidação da pecuária bovina como principal vetor de transformação da paisagem no estado do Acre.
De modo geral, a distribuição das produções bovinas no Acre apresenta forte correlação espacial com a malha rodoviária, sobretudo com base na análise visual, reforçando a hipótese de que a acessibilidade viária constitui um dos principais fatores condicionantes da expansão pecuária na região. A predominância de registros ao longo dos eixos rodoviários federais e das estradas vicinais associadas confirma o papel estruturante da infraestrutura de transporte terrestre na configuração espacial da atividade pecuária amazônica.
A importância desta pesquisa dá-se por fomentar informações ao monitoramento territorial, a identificação de áreas com maior probabilidade de expansão da fronteira agropecuária e o subsídio a políticas públicas voltadas ao controle do desmatamento e à promoção de modelos de uso do solo mais sustentáveis na Amazônia Ocidental.
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1 Engenheiro Agrônomo pelo Instituto Federal de Rondônia. Técnico em Defesa Agropecuária. vinculado ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre. Discente do Programa de Especialização em Geoprocessamento da Universidade Federal do ABC. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-6099-4142
2 Pós-graduada em Gestão Ambiental: Diagnóstico e Adequação Ambiental pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro. Especialista em Matemática e Ciências da Natureza pela Universidade Federal do Piauí. Engenheira Agrônoma pela Faculdades Associadas de Uberaba-FAZU. Discente do programa de Especialização em Geoprocessamento da Universidade Federal do ABC.M E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-4267-0288
3 Doutor e Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande. Docente da Universidade Federal do Pampa. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8700-0860
4 Doutor e Mestre em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Campina Grande. Graduado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2495-9737