DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLO INSTITUCIONAL SOBRE CARRO DE EMERGÊNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.15010422
José Octávio Peixoto Cossoniche
Rafael Raszl
Ana Luiza De Oliveira Scavassin
Beatriz Yuki Takahashi Takeda
Isabella Kalara Valio Naito
Paola Furlan Roveri1
RESUMO
O carro de emergência é um objeto de extrema importância que deve estar presente em todas as unidades de saúde. Ele é responsável por manter guardado em local adequado os materiais que são utilizados em situações de emergência, como, por exemplo, em casos de uma parada cardíaca, e devido a sua importância deve ser conferido tanto os materiais presentes em seu interior quanto a própria condição do carro, incluindo o lacre que o mantém fechado com o objetivo de impedir que outros materiais sejam utilizados para outros fins. Entretanto, após realizar estágio pela faculdade de medicina USCS (Universidade de São Caetano do Sul) campus Itapetininga, na UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Rio Branco, foi observado que o carro de emergência não recebe o devido cuidado que deveria receber, uma vez que não há um protocolo acerca do manuseio e manutenção do carro de emergência. Sendo assim, este projeto de extensão propõe a implementação de um protocolo para a utilização e fiscalização do carro de emergência, além de um check list que contém todos os materiais presentes no carro que deve ser preenchido diariamente pelas pessoas responsáveis pela fiscalização do carro, e, por fim, propõe uma orientação aos profissionais responsáveis sobre como deve ser realizada a conferência do carro de emergência e o manuseio do lacre que o mantém trancado.
Palavras-chave: Protocolo clínico, Kit médico de emergência, Checklist, Atenção primária à saúde, Modelagem de trabalho.
ABSTRACT
The emergency car is an extremely important object that must be present in all health units. It is responsible for keeping the materials that are used in emergency situations, such as in cases of cardiac arrest, in an appropriate place, and due to their importance, both the materials present inside and the condition of the car itself must be checked, including the seal that keeps it closed in order to prevent other materials from being used for other purposes. However, after completing an internship at the USCS (University of São Caetano do Sul) medical school, Itapetininga campus, at the UBS (Basic Health Unit) Vila Rio Branco, it was observed that the emergency car does not receive the proper care it should receive, since there is no protocol about the handling and maintenance of the emergency car. Therefore, this extension project proposes the implementation of a protocol for the use and inspection of the emergency car, in addition to a checklist that contains all the materials present in the car that must be filled out daily by the people responsible for the inspection of the car, and, finally, proposes guidance to the responsible professionals on how the conference of the emergency car should be carried out and the handling of the seal that keeps it locked.
Keywords: Clinical protocol, Emergency medical kit, Checklist, Primary health care, Job modeling.
1 INTRODUÇÃO
Nosso projeto surgiu após a observação da realidade na UBS Vila Rio Branco, em que foi observado um déficit no cuidado, preparo e manutenção do carro de emergência, bem como a falta de uma conferência diária dos materiais presentes nele, também conhecido como “carrinho de emergência”, um objeto essencial que deve estar presente em todas as unidades de saúde. A eficácia do atendimento em unidades de emergência está diretamente relacionada à prontidão e organização da equipe de saúde, especialmente em situações críticas como paradas cardiorrespiratórias. O carro de emergência, equipamento essencial nessas unidades, desempenha um papel crucial ao prover os materiais e equipamentos necessários para a estabilização e suporte imediato aos pacientes em estado grave. Nesse contexto, a implementação de checklists para a conferência e reposição dos itens no carro de emergência tem se mostrado uma prática fundamental para garantir a disponibilidade e funcionalidade dos recursos essenciais.
Estudos recentes têm destacado a importância do checklist do carro de emergência como uma ferramenta eficaz na prevenção de eventos adversos e na promoção da segurança do paciente. O Parecer Cofen nº 24/2018 ressalta a responsabilidade do enfermeiro na montagem, conferência e reposição dos materiais do carro de emergência, enfatizando a importância da supervisão e controle adequados (PARECER N°24 COREN 2018). Além disso, a Resolução Cofen nº 358/2009 estabelece que todo cuidado de enfermagem deve ser baseado no Processo de Enfermagem e Sistematização da Assistência, reforçando a necessidade de protocolos e procedimentos bem definidos para garantir a qualidade da assistência prestada (RESOLUÇÃO COFEN N°358/2009).
A análise das condições operacionais dos carros de emergência em unidades hospitalares, realizada por (Silva et al. 2021), destaca a relevância da organização e manutenção adequadas desses equipamentos para assegurar a prontidão no atendimento de situações de emergência. A implementação de checklists para a conferência diária dos materiais e equipamentos no carro de emergência pode contribuir significativamente para a eficiência e segurança do cuidado prestado aos pacientes em estado crítico (SILVA et al, 2021).
Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo explorar a importância do checklist do carro de emergência em uma unidade de emergência, considerando as diretrizes e recomendações presentes na literatura especializada. Por meio de uma revisão abrangente dos artigos citados, será possível compreender os benefícios da utilização de checklists na rotina de conferência e reposição dos materiais no carro de emergência, visando aprimorar a qualidade e segurança do atendimento prestado aos pacientes em situações de emergência.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
O código azul é um código internacional utilizado para as emergências em parada cardiorrespiratórias, cujo o objetivo é realizar a ressuscitação do paciente manual e com uso de medicações, com isso é necessário que se tenha um local de acesso rápido para estes materiais, sendo necessários a utilização de um carro de emergência que segue uma normatização da sociedade brasileira de cardiologia (GUIMARÃES, J. I., 2003).
Ao ser ativado este código, os profissionais de saúde devem se dirigir ao local do ocorrido dentro do ambiente hospitalar com os devidos equipamentos necessários para a realização do procedimento. Entretanto, para que isso seja possível, a diretriz apresenta algumas fases e tópicos que devem ser respeitados e realizados previamente ao ocorrido, a fim de obter um sucesso e evitar falhas no procedimento (GUIMARÃES, J. I., 2003).
A parada cardiorrespiratória é um momento crítico tanto para o paciente que requer intervenções de emergência e alto desempenho da equipe, quanto para os profissionais de saúde que estão envolvidos no atendimento e contam com a disponibilidade adequada de materiais, equipamentos e medicamentos para garantir a eficácia e a segurança, aumentando as chances de êxito durante o procedimento (PASTI, M.J., 2011).
No artigo “Life-Saving Cart “Crash-Cart”, publicado na revista IJARSCT, temos um enfoque na importância do carrinho de emergência no contexto do atendimento médico, principalmente de emergência. Seus pontos abordam, por exemplo, a prontidão e acessibilidade, destacando a necessidade de prontidão no atendimento de emergências médicas e ressaltando como o carrinho de emergência proporciona acesso imediato a equipamentos e medicamentos essenciais, permitindo uma resposta rápida e eficaz, além da segurança do paciente, abordando a importância da padronização de medicamentos e equipamentos no carrinho de emergência, reduzindo assim o risco de erros de medicação e promovendo a administração segura de tratamentos (NAIK, R.S; et al, 2022).
O parecer do COREN-SP nº 010/2022 aborda a responsabilidade da equipe de enfermagem na composição, montagem, conferência e reposição de materiais no carro de emergência. Destaca-se a importância da agilidade no atendimento à parada cardiorrespiratória, onde a disponibilidade de materiais e medicamentos é crucial para o prognóstico do paciente. O enfermeiro é apontado como responsável pela organização do carro de emergência, mas todos os membros da equipe podem realizar conferência e reposição sob supervisão. Recomenda-se a colaboração com equipes de farmácia e logística para garantir a integridade dos materiais. A falta de adesão à rotina de conferência diária pode comprometer a qualidade da assistência à saúde, evidenciando a importância da manutenção adequada do carro de emergência para o atendimento eficaz em situações de emergência.
Os carros de emergência e o suporte avançado de vida, foi relacionado o sucesso no atendimento de pacientes com PCR a disponibilidade e funcionalidade do equipamento de reanimação. Na amostra estudada, foi constatado que muitos CE representam as maiores deficiências na condução de PCR pois em geral não estão completos ou padronizados e a disposição dos equipamentos e fármacos não obedece uma sistematização. (LIMA, et al, 2010)
Além disso, todos os carros analisados apresentaram falhas na disponibilidade de itens essenciais, principalmente relacionados aos materiais para acesso vascular, controle circulatório e medicamentos para tratamento de paradas cardiorrespiratórias, nos carros de emergência de um hospital de urgência no Rio Grande do Norte, seguindo os padrões da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A falta de recursos humanos, materiais e de um protocolo adequado dificulta a rotina de checagem dos carros de emergência, tarefa atribuída aos enfermeiros. Recomenda-se uma maior fiscalização, organização e disponibilidade dos materiais nos carros de emergência, além da elaboração de um protocolo condizente com a realidade e rotina do hospital para garantir uma melhor assistência em casos de parada cardiorrespiratória (SILVA, et al, 2013).
Portanto, o que diz respeito à padronização dos carros de emergência, ou seja, homogeneizar o conteúdo e quantidade de material presente nos carrinhos de emergência nas diferentes unidades, retirando o desnecessário e acrescentando o indispensável, de forma a agilizar o atendimento de emergência e reduzir o desperdício de materiais. Sendo assim, baseado no The Code Cart Statement, AHA Scientific Statement, o material presente nos carros de emergência devem ser divididos em três níveis de prioridade, sendo o primeiro nível: itens essenciais, que devem estar disponíveis imediatamente, o segundo nível: itens altamente recomendados, que devem estar disponíveis, no máximo, em 15 minutos, e, por fim, o terceiro nível: itens recomendados, mas opcionais. Desse modo, a quantidade de materiais e equipamentos deve ser estipulada conforme necessidade da área e rotina institucional, porém, é de extrema importância que ocorra a falta de qualquer material, uma vez que eles são essenciais para a manutenção da vida. Portanto, deve ocorrer uma vistoria do carro de emergência, assim como proposto pelo nosso projeto, a fim de evitar a falta de materiais e organizar o carro de emergência, para otimizar o tempo e precaver situações indesejadas (GUIMARÃES, J. I. et al, 2003).
Nesse contexto, a padronização de fármacos e suprimentos do kit de emergência, juntamente com a verificação do funcionamento do desfibrilador, são medidas indispensáveis que, aliadas à formação contínua da equipe, devem ser estabelecidas e revisadas regularmente visando aprimorar constantemente a qualidade do atendimento (PASTI, 2011).
3 METODOLOGIA
Para elaboração do nosso trabalho foi feito um levantamento dos problemas operacionais da unidade e com isso verificamos que havia uma fragilidade em relação a operacionalização do carro de emergência, sendo necessário intervenção de alta prioridade conforme matriz de prioridade.
Para elaboração da intervenção elaboramos o Arco de Maguerez seguindo as seguintes etapas:
Realidade: UBS Vila Rio Branco;
Observação da Realidade: Falha no processo de conferência e manutenção do carrinho de emergência;
Pontos Chaves: Falhas na assistência;
Teorização: Levantamento de referências;
Hipótese de Solução: Implantar protocolo do carrinho de emergência e seu check list;
Aplicação à Realidade: Simulação realística;
UBS Vila Rio Branco
Falha no processo de conferência e manutenção do carrinho de emergência
Falhas na assistência
Levantamento de referências sobre carrinho de emergência
Implantar protocolo do carrinho de emergência e seu check list
Simulação realística
O nosso público alvo foram os profissionais de enfermagem, pois eles são os responsáveis diretos segundo o parecer técnico do COFEN 40/2022 da conferência diária.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Após a aplicação do projeto houve um momento para que os profissionais presentes respondessem um formulário acerca das mudanças apresentadas. Esse formulário apresentava perguntas sobre a eficácia das mudanças feitas no carrinho e como elas impactam na resolução prática das situações de emergência vividas na Unidade Básica de Saúde. Foram obtidas 14 respostas para as perguntas propostas no formulário, sendo os seguintes tópicos presentes: auxílio na organização, melhora do carrinho antigo para o atual e os benefícios da mudança proposta para o paciente. As respostas foram positivas, sem nenhuma objeção à implementação do projeto, além disso, após a obtenção das respostas, houve uma conversa com os profissionais participantes, que deram feedback positivo e tiraram algumas dúvidas pertinentes.
Sabemos que as paradas cardiorrespiratórias (PCRs) são momentos críticos tanto para o paciente quanto para a equipe pois requer dinamismo e comunicação efetiva dos que estão envolvidos no atendimento e para que haja uma efetividade neste atendimento é necessário que a unidade esteja preparada para receber o paciente e prestar este suporte dentro do protocolo estabelecido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Logo, toda unidade de assistência à saúde deve conter um carrinho de parada, o qual contém itens indispensáveis para o suporte ao paciente em PCR, que segue um padrão estabelecido pelo COREN 2013, sendo necessário uma conferência diária por plantão para assegurar que sempre haja todos os itens para uma emergência conforme GUIMARÃES, J. I. et al, 2003.
Durante o nosso estágio observamos que a UBS Vila Rio Branco havia fragilidades quanto ao protocolo institucional, aberturas inadequadas, excesso de itens e medicações não urgentes.
Com isso realizamos uma reelaboração do protocolo operacional padrão (POP), readequando seus itens, reorganizando a distribuição dos itens dentro do carrinho, para assim trazer mais fluidez e agilidade nas emergências.
Após estruturação e elaboração de toda a mudança, realizamos uma orientação a todos os enfermeiros e técnicos de enfermagem do período da manhã e da noite sobre a mudança e seu impacto para a assistência.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pudemos concluir que o carrinho de emergência é essencial para a unidade básica de saúde (UBS), visto que ele é o principal facilitador em situações de emergência, pois contém todos os itens necessários para o atendimento em urgência, como medicamentos, o desfibrilador automático externo (DEA), sondas, laringoscópio, entre outros. Visto isso, o projeto se mostra de extrema importância, pois, em casos extremos, a organização e padronização do carrinho se mostram essenciais para a correta utilização e manuseio dos itens por parte dos profissionais encarregados pelo atendimento.
Entretanto, mesmo com a padronização e o treinamento realizado, não será possível o acompanhamento, por parte do nosso grupo, do real impacto do trabalho no dia a dia da unidade básica de saúde. Isso se dá pelo fato de que será realizada uma troca dos grupos nas unidades da cidade, o que impossibilita o acompanhamento periódico do projeto implementado. Todavia, todo o trabalho foi discutido e conversado com os profissionais da unidade para a melhor elaboração e contribuir com o contentamento nas situações de emergência. No entanto, foi realizado um formulário para que os funcionários avaliassem a eficácia do projeto e sua contribuição para o local e população, permitindo uma avaliação prévia do impacto do projeto, avaliação essa, que teve um resultado positivo.
Portanto, após a aplicação do projeto, a equipe terá uma melhor organização e eficácia nos atendimentos de urgência, logo os itens do carrinho estão com uma melhor disposição. Além de uma conferência efetiva dentro dos aspectos legais perante a legislação, que antes não eram devidamente realizados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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GUIMARÃES, J. I. et al. Diretriz de apoio ao suporte avançado de vida em cardiologia - Código Azul - Registro de ressuscitação normatização do carro de emergência. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 81, out. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/7KFpNBJmJKV9XqYyVgTf6mS/?format=pdf&lang=pt
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SILVA, H. C.; DA SILVA A. K. M.; DANTAS R. A. N.; PESSOA R. L.; MENEZES, R. M. P. Carros de emergência: disponibilidade dos itens essenciais em um hospital de urgência norte-rio-grandense. Rev Enfermeria Global., n. 12, v. 31, p. 187-93, 2013.
ANEXOS
Tabelas e quadros
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO PADRONIZAÇÃO DO CARRINHO DE EMERGÊNCIA |
1. ÁREA: Enfermagem, Farmácia, Medicina 2. DEFINIÇÃO: O carrinho de emergência é uma composição móvel, sequenciada que apresenta um conjugado de equipamentos, fármacos e outros materiais, indispensáveis para avaliação e tratamento das urgências e emergências, entre elas: parada cardiorrespiratória, monitoramento de vias aéreas, vascular e arterial 3. EXECUTANTES: Auxiliares de Enfermagem, Enfermeiros, Médicos, Técnicos de Enfermagem 4. OBJETIVOS:
5. PÚBLICO ALVO PARA USO CARRINHO DE EMERGÊNCIA: Pacientes das unidades básicas de saúde e pronto atendimentos que necessitem de atendimento emergencial, tais como: parada cardiorrespiratória; comprometimento nas vias aéreas/ventilação; instabilidade hemodinâmica progressiva; choque; hemorragia intensa, erupções cutâneas com comprometimento de vias aéreas, perda súbita do nível de consciência; convulsões; entre outros. |
Equipe Multiprofissional |
Conhecer o conteúdo e a disposição de materiais e de medicamentos contidos no carro de emergência; Realizar educação permanente junto a equipe; Fazer notificação de qualquer evento adversos relacionados ao carrinho de emergência; |
Médico |
Prescrever os medicamentos utilizados no atendimento, para a reposição do carro de emergência. |
Enfermeiro da unidade |
Organizar o carro de emergência e seus componentes acessórios; Elaborar escala de serviço para limpeza do carro de emergência e de seus componentes acessórios; Monitorar o cumprimento das atividades pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, conforme escala de serviço; Realizar a testagem funcional do laringoscópio; Conferir os lacres do carro de emergência (conferência diária dos medicamentos e dos materiais); Listar, quantificar e repor os medicamentos e materiais do carro de emergência que foram utilizados; Controlar periodicamente os materiais contidos no carro quanto a sua presença, quantidade e validade; Propor educação permanente. |
Técnico/Auxiliar de Enfermagem |
Realizar a limpeza do carro de emergência e do desfibrilador (monitor, cabos e acessórios), conforme escala de serviço e/ou após o atendimento emergencial; Auxiliar o enfermeiro na organização do carro de emergência. |
Farmacêutico/ Técnico em Farmácia |
Dispensar os medicamentos padronizados para reposição do carro, mediante prescrição; Controlar periodicamente os medicamentos contidos no carro de emergência quanto a sua presença, quantidade, características físicas e validade. |
7. A ORGANIZAÇÃO DO CARRINHO DE EMERGÊNCIA O carro de emergência deverá constituir-se de um armário móvel com gavetas suficientes para a guarda de medicamentos, materiais e de equipamentos a serem utilizados em situações de emergência e de urgência. A composição do carro de emergência quanto a estrutura e componentes deverá seguir a seguinte sequência 1. Base superior: Desfibrilador, caixa com os laringoscópios; caixa com materiais de intubação (opcional); impressos de controles; 2. Lateral: Tábua de compressão, suporte de soro e cilindro de oxigênio; 3. Gavetas: Primeira Gaveta: Medicamentos; Segunda Gaveta: Material para cateterismo; Terceira Gaveta: Material para suporte ventilatório; Quarta Gaveta: Soluções e outros; |
8. PADRONIZAÇÃO DO CARRINHO DE EMERGÊNCIA É fundamental a padronização dos carros de emergência nas diferentes unidades hospitalares, com o objetivo de uniformizar o conteúdo, de acordo ao público ao qual se destina. Baseado no The Code Cart Statement da AHA, o carro de emergência deve ser dividido de acordo com quatro finalidades: avaliação diagnóstica; controle das vias aéreas; acesso vascular e controle circulatório; e, por último, medicamentos. O conteúdo deve ser classificado em níveis de prioridades a saber: Nível 1: itens essenciais, que devem estar disponíveis imediatamente. Nível 2: itens altamente recomendados, que devem estar disponíveis em, no máximo,15 minutos. Nível 3: itens recomendados, mas são opcionais. Caso os fármacos e os equipamentos classificados como nível 2 não possam estar disponíveis na unidade para acesso em até 15 minutos, devem permanecer nos carros de emergência. Todas as unidades de atendimento de pacientes devem ter carro de emergência disponível, em local de fácil acesso, de modo que possa ser deslocado rapidamente, e os profissionais de saúde que atuam no atendimento devem conhecer a disposição de seu conteúdo e ter habilidade em seu manuseio. A manutenção do carro de emergência, que sempre deve estar em perfeito estado e pronto para o uso, é de fundamental importância. Para tal, é imprescindível que, após cada uso, sejam realizadas a reposição e a conferência de todos os materiais e medicamentos; seja utilizado lacre de segurança, para assegurar a composição completa do carro de emergência; sejam feitos a conferência e o registro diários do lacre de segurança, além de teste do monitor/desfibrilador; sejam realizadas manutenções preventivas periódicas do monitor/desfibrilador; sejam verificadas e conferidas mensalmente as datas de validade dos materiais e medicamentos, bem como seja feita sua limpeza. No quadro seguinte está apresentado sugestões e que devem ser planejadas de acordo com a realidade de trabalho de cada local, dispondo de um estoque mínimo de materiais e medicamentos, uma vez que o excesso ou a falta deles prejudicam o atendimento. Figura 2: Padronização do carro de emergência em unidades e ambulatórios. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024. Figura 3: Padronização do carro de emergência em unidades e ambulatórios. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024. Abaixo segue as orientações para a utilização do carrinho de emergência e materiais pertinentes: a) O carrinho de emergência equipado deverá estar posicionado em local estratégico e de fácil acesso e mobilidade; b) As gavetas do carrinho de emergência deverão estar indicadas com fitas de cores padronizadas, com a descrição de suas respectivas composições; c) O carro de emergência enquanto não estiver em uso deverá permanecer sempre lacrado/fechado. A retirada do lacre deverá ocorrer mediante situações de atendimento às urgências e emergências clínicas, ou quando conferência/e ou auditoria e justificar o rompimento do lacre em planilha específica; d) Os medicamentos e os materiais com prazo de validade a vencer até 3 meses deverão ser substituídos; e) É recomendado que os materiais de oxigenação submetidos à desinfecção de alto nível (Exemplo: bolsa máscara ventilatória – AMBU; umidificador e máscara de oxigênio) fiquem em uma caixa específica situada sobre o carro de emergência, pelo fato de possuírem um prazo de validade menor; f) O teste funcional do laringoscópio deverá considerar: lâmpada com boa iluminação; ajuste perfeito do cabo e da lâmina e limpeza; g) A limpeza e desinfecção concorrente/terminal do carro de emergência deverá ser realizada com compressa úmida bem torcida com pouco sabão neutro (limpeza), seguido de compressa úmida bem torcida (remoção do sabão e resíduos), finalizando com compressa limpa embebida em álcool 70% (desinfecção); A desinfecção concorrente do laringoscópio (diária), deverá ser realizada com compressa embebida com álcool 70%, concomitantemente a sua testagem funcional; h) A limpeza e desinfecção do laringoscópio contaminado deverá seguir os passos do Procedimento Operacional Padrão “Limpeza e desinfecção do laringoscópio”; i) Os laringoscópios testados e desinfetados deverão ser armazenados em uma caixa limpa e seca, situada sobre a base superior do carro de emergência, com as pilhas do lado de fora; j) Os registros de controles de testagem do carro de emergência e de seus componentes acessórios deverão ser feitos em impressos específicos; k) A listagem dos itens (descrição e quantidades de medicamentos e materiais) presentes no carro de emergência, assim como os impressos de controle e testagem, deverão estar em uma pasta, localizada em sua base superior; l) Os medicamentos e materiais utilizados no atendimento às urgências/emergências clínicas deverão ser repostos o mais rápido possível; enquanto os materiais não forem repostos, o enfermeiro responsável deverá lacrar as gavetas, registrar os materiais e medicamentos repostos e não repostos; m) A limpeza e desinfecção terminal do carro de emergência e de seus componentes acessórios deverão ocorrer logo ao término do atendimento. |
9. ROTINA DE CONFERÊNCIA E TESTAGEM DO CARRO DE EMERGÊNCIA O carro de emergência e seus componentes acessórios deverão ser checados periodicamente quanto à sua integridade/funcionamento: Unidades do carro de emergência Atividade/Periodicidade. Figura 04: Atividade, periodicidade e responsabilidade do carro de emergência. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024 |
10. Conferência do Cilindro de Oxigênio Portátil 10.1 Verificar a cada plantão a presença do cilindro de O2, e de seus acessórios; 10.2 Verificar a cada plantão a quantidade de gás e a data de validade do cilindro; 10.3 Abrir lentamente a válvula do cilindro no sentido anti-horário; 10.4 Verificar se existe vazamento aparente. Caso exista, fechar novamente a válvula do cilindro e comunicar imediatamente a Manutenção; 10.5 Verificar o valor indicado no manômetro da válvula reguladora de pressão; 10.6 A pressão indicada do manômetro deve ser minimamente de 20 bar (kgf/cm2) em cilindros de oxigênio de 1m3 , para maior segurança no atendimento inicial às emergências e no transporte intra hospitalar; 10.7 Solicitar substituição do cilindro a Manutenção quando a pressão indicada no manômetro estiver próxima a 20 bar (kgf/cm2 ); 10.8 Após a conferência do manômetro, abrir o fluxômetro, para testar saída de gás; 10.9 Após os testes, fechar o fluxômetro e a válvula do cilindro; Figura 5: Cilindro de oxigênio e acessórios. Fonte: Consermed, 2020. OBSERVAÇÃO QUANTO OXIGÊNIO a) As unidades assistenciais devem dispor de cilindros de oxigênio para transporte de pacientes; b) O fluxômetro é instalado pela enfermagem; c) Pontos de assistência que não dispõe de rede de gases medicinais precisam de cilindro de oxigênio para atendimentos emergenciais; d) Não compete à equipe de Enfermagem a instalação ou troca de válvulas reguladoras de pressão com manômetro (Parecer COREN-SP 016/2013); |
11. ROTINA DE LIMPEZA CONCORRENTE E TERMINAL O carrinho de emergência deverá ser submetido às rotinas de limpeza concorrente e terminal nos prazos definidos. E quando a limpeza for realizada o profissional deverá anotar em planilha própria a data, o horário, a limpeza concorrente/terminal, a assinatura/carimbo do profissional. Figura 06: Rotina de Limpeza. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024 Figura 07: Check List do Carrinho. Fonte:Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024 |
12. ROTINA DE CHECAGEM DE VALIDADE A checagem da validade dos materiais presentes no carro de emergência deve ser realizada após a abertura do carro. |
Anexo
Figura 8: Foto antes carro de emergência. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024.
Figura 9: Foto antes carro de emergência. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024.
Figura 10: Foto antes carro de emergência. Fonte: Scavassin,A.L.O; Takeda,B.Y.T; Naito,I.K.V; Cossoniche,J.O.P; Raszl,R; 2024.
1 Docente do Curso Superior de Medicina do Instituto Universidade São Caetano Campus Itapetininga. Mestre em 2024. E-mail: [email protected]