ECOS DO PENSAMENTO DE EDMUND HUSSERL E TOMÁS DE AQUINO NA FENOMENOLOGIA DE EDITH STEIN

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.15014491


Marcos Henrique de Lima1


RESUMO
Edith Stein deixou um grande legado filosófico, fenomenológico, antropológico-pedagógico e místico ao longo de uma carreira intelectual, vivida entre 1916 – ano da defesa de sua tese de doutorado – à 1942 – momento da morte no campo de extermínio Auschwitz II. Oriunda de uma família judaica fervorosa, torna-se ateia e, posteriormente, converte-se ao catolicismo – mais tarde vindo a ser freira carmelita. Mostrou ao longo de sua produção uma forte coerência entre vida pessoal e trabalho científico. Possuía um modo único de organizar e disseminar seu conhecimento, de maneira acessível, devido ao fato de também ter se destacado como educadora. Além disso, desenvolveu e trilhou um caminho muito diverso daquele iniciado com Husserl – seu mestre – por causa da maneira autônoma e singular com a qual prosseguiu seus estudos. No presente artigo, há por objetivo demonstrar, através da análise de um diálogo produzido por ela, o modo como Stein conseguiu relacionar seus estudos fenomenológicos com a filosofia escolástica, de São Tomás de Aquino. No intuito de atingir esta meta, será preciso compreender um pouco da fenomenologia de Husserl, conhecer alguns aspectos importantes da biografia de Edith Stein e o modo como ela passou a conceber a proposta filosófica de seu orientador e, em consequência das análises finais, haverá a oportunidade de se adentrar em alguns aspectos da filosofia tomista também. Nesse sentido, o presente texto encontra-se dividido em três parte: 2.1. Edith Stein, Husserl e Fenomenologia; 2.2. Características Gerais da Obra Fenomenológica Steiniana e 2.3. Diálogos entre Tomás de Aquino e Husserl. A obra steiniana ainda não possui ampla divulgação no Brasil, nesse artigo poderemos perceber como isso tende a ser prejudicial aos estudos filosóficos.
Palavras-chave: Fenomenologia, Verdade, Edith Stein, Husserl, Tomás de Aquino.

ABSTRACT
Edith Stein left a great philosophical, phenomenological, anthropological-pedagogical andmystical legacy throughout an intellectual career, lived between 1916 – the year of thedefense of her doctoral thesis – and 1942 – the moment of her death in the Auschwitz IIextermination camp. Coming from a devout Jewish family, she became an atheist and laterconverted to Catholicism – later becoming a Carmelite nun. Throughout his production, hedemonstrated a strong coherence between his personal life and scientific work. She had aunique way of organizing and disseminating her knowledge, in an accessible way, due to thefact that she also stood out as an educator. Furthermore, he developed and followed a pathvery different from that initiated by Husserl – his master – because of the autonomous andunique way in which he pursued his studies. In this article, the aim is to demonstrate, throughthe analysis of a dialogue produced by her, the way in which Stein managed to relate herphenomenological studies with the scholastic philosophy of Saint Thomas Aquinas. In orderto achieve this goal, it will be necessary to understand a little of Husserl's phenomenology, toknow some important aspects of Edith Stein's biography and the way in which she came toconceive her advisor's philosophical proposal and, as a result of the final analyses, there willbe the opportunity to delve into some aspects of Thomist philosophy as well. In this sense,this text is divided into three parts: 2.1. Edith Stein, Husserl and Phenomenology; 2.2.General Characteristics of Stein's Phenomenological Work and 2.3. Dialogues betweenThomas Aquinas and Husserl. Stein's work is not yet widely disseminated in Brazil, and inthis article we can see how this tends to be detrimental to philosophical studies.
Keywords: Phenomenology, Truth, Edith Stein, Husserl, Thomas Aquinas.

1 INTRODUÇÃO

Edith Stein produziu uma obra muito vasta e importante a qual se inicia com pesquisas sobre fenomenologia, orientadas por Husserl – o próprio criador dessa corrente filosófica –, passa por estudos de caráter antropológico-pedagógico e deságua em seus escritos místicos. Ao longo da vida dessa filósofa, deparamo-nos com diversas mudanças bruscas em seu modo de pensar, ser e agir e também no contexto histórico no qual estava inserida, fatores esses que foram decisivos na sua formação.

O fato de ser mulher numa realidade na qual os estudos de grau superior eram acessíveis em sua maioria apenas a homens, a conversão ao catolicismo e a ascensão do partido nazista na Alemanha foram algumas das questões com as quais Edith Stein precisou lidar ao mesmo tempo em que criava sua postura enquanto intelectual. Nesse sentido, é visível uma forte coerência entre as posições tomadas por ela frente aos problemas que enfrentava e a sua produção filosófica.

Diante disso, nosso objetivo central neste artigo é o de entender brevemente o modo como Stein conseguiu relacionar a fenomenologia husserliana com a filosofia tomista a partir da análise de um texto escrito por ela no qual é realizado um diálogo hipotético entre ambos os filósofos: O que é Filosofia? Uma conversa entre Edmund Husserl e Tomás de Aquino, publicado orginalmente em 1929. Para atingir essa meta, propomo-nos a compreender alguns pontos da fenomenologia e fatores da biografia e do contexto de Stein que a levaram a se converter ao cristianismo, buscaremos mostrar como ela conseguiu conciliar as duas correntes de pensamento que aparentavam ser inconciliáveis e compreenderemos algumas das especificidades do tomismo que foram importantes para a formação do pensamento steiniano.

2 DESENVOLVIMENTO

Para bem atingirmos os objetivos apresentados acima e facilitar o entendimento dos conteúdos, trabalharemos em uma estrutura dividida nas três etapas que se seguem. Na primeira delas, 2.1. Edith Stein, Husserl e Fenomenologia, tem-se por objetivo apresentar os principais pontos do contexto histórico e filosófico que levaram essa pensadora a chegar à Fenomenologia e, finalmente, relacioná-la com o pensamento de Tomás de Aquino. Na segunda, 2.2. Características Gerais da Obra Steiniana, tem-se como foco algumas características mais específicas do seu trabalho. Feito isso, na terceira parte, 2.3. Diálogos entre Tomás de Aquino e Husserl, voltamo-nos então para a análise do referido texto steiniano a fim de encontrar nele alguns dos pontos importantes e que nos permitam entender a “conversa” que ela traça entre as duas referidas correntes filosóficas.

2.1 Edith Stein, Husserl e Fenomenologia

Edith Theresa Hedwig Stein nasceu em Breslau (Polônia) em 12 de outubro de 1891 e veio a falecer juntamente com sua irmã Rosa Stein – ambas carmelitas – no dia 9 de agosto de 1942, numa câmera de gás, seguida de incineração dos corpos no campo de extermínio Auschwitz II, também conhecido como Birkenau. Foi uma filósofa, educadora e teóloga, mais tarde beatificada e canonizada pelo Papa João Paulo II nos anos de 1987 e 1998, respectivamente. Enquanto carmelita, adotou o nome de Irmã Teresa Benedita da Cruz – em uma clara referência aos seus santos de devoção, Santa Teresa D’Ávila e São João da Cruz – nome esse que se manteve após sua canonização.

Filha caçula entre 11 irmãos de uma família judia fervorosa. Edith Stein perde seu pai, Siegfried Stein, antes de completar dois anos de idade, ficando a cargo de sua mãe, Augusta Courant, com muitas privações e dificuldades, sustentar toda a família trabalhando no comércio. Desde sua infância era uma aluna aplicada. Na Universidade de Breslau – entre os anos de 1911 e 1912 – estuda História, Filologia, Filosofia e frequenta cursos de Psicologia Experimental. Nessa época também se mostrou ligada às questões sociais: lutou pelos direitos das mulheres, dos grevistas e, mais tarde, em 1914, trabalhou pela república de Weimar2. Até os vinte e um anos de idade se considerava ateia e frequentava a sinagoga apenas para não contrariar sua mãe (MIRIBEL, 2001, p. 34-4; KUSANO, 2009, p. 23; GOTO, MORAES, 2016c, p. 55).

Alasdair Maclntyre (Apud KUSANO, 2009, p. 23-24) afirma que foi justamente nessa universidade, por influências dos professores Richard Hönigswald (1875-1947) e Louis William Sterm (1871-1938), que Stein tem sem primeiro contato com alguns escritos de Husserl, o criador da fenomenologia. Mas o fascínio maior lhe veio quando um jovem professor lhe indica a obra Pesquisas Lógicas (1900/1901) do referido filósofo. Nesse momento, ela decide se mudar para Göttingen (Alemanha) no intuito de completar sua formação universitária e se torna aluna do próprio Husserl. Mesmo a contragosto, a mãe de Edith permite que ela se mude para a casa de um primo – Richard Courant (1888-1972), professor de matemática – cuja esposa já havia pedido à senhora Augusta Courant que lhe confiasse suas filhas Erna e Edith (MIRIBEL, 2001, p. 42; GOTO, MORAES, 2016c, p. 55-56).

Passar do domínio das pesquisas especializadas para o problema do conhecimento, do círculo relativamente fechado dos seus parentes judeus e amigos para a amplidão de uma cidade universitária preocupada com os problemas contemporâneos, era uma verdadeira libertação! Juntava-se a tudo isso um sentimento, comum aos primeiros discípulos de Husserl, de estar livre das amarras do kantismo e de ser capaz de chegar à própria verdade do ser: “Todos os jovens fenomenólogos, diz Stein, eram antes de tudo e deliberadamente, realistas”, e declara com convicção: “As Pesquisas Lógicas nos pareciam assemelhar-se a uma nova escolástica... o conhecimento era para nós como uma faculdade renovada” (MIRIBEL, 2001, p. 43).

Edmund Gustav Albrecht Husserl defende que a verdade existe, é imutável, necessária e eterna, sendo que ela se impõe à inteligência. Assim sendo, pensar de outro modo levaria ao relativismo que, para ele, equivale ao ceticismo (MIRIBEL, 2001, p. 43). Nesse sentido, a fenomenologia influenciou diversos pensadores, tais como Max Scheler, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Rudolf Otto, Adolf Reinach, Hedwig Conrad-Martius e Gerardus van der Leeuw (GOTO, MORAES, 2016c, p. 56; KUSANO, 2009, p. 26).

A fim de explicar a evolução do pensamento de Husserl e de seus discípulos, Miribel (2001, p. 44-45) nos mostra a existência de duas etapas sucessivas.

A primeira consiste em descrever o mundo dos fenômenos (interiores e exteriores), guiando-se unicamente pelo princípio da evidência. Proceder-se-ia então, como o naturalista que se rende à evidência da experiência natural, excluindo do tema de suas pesquisas qualquer traço de crítica geral da experiência. Trata-se de descrever e não de explicar32. Husserl sonhava, então, tratar a filosofia como ciência. (...).

A segunda etapa é a da atitude reflexiva. Por mais que a verdade seja universal e eterna, o homem que a procura é indivíduo situado no tempo e na história. Esta apropriação da verdade é, pois, eterna, por este homem temporal, que consiste para Husserl a segunda fase do problema total da verdade.

A fenomenologia vai recorrer à redução transcendental para encontrar o caráter específico da realidade humana. Desnorteando profundamente seus primeiros alunos, Husserl dirige-se abertamente para o idealismo, para a descoberta de um eu transcendental, para uma revelação última, a partir da qual constituem-se os atos e o que lhe corresponde de objetivo, em diversos graus, até o mundo das coisas.

Nesse conturbado cenário filosófico de fortes mudanças, no qual Edmund Husserl aprimora seu pensamento e, consequentemente, afasta de si alguns de seus primeiros discípulos, insere-se Edith Stein, a qual se apropria da fenomenologia expressando-se com uma clareza didática singular que permite aos menos entendidos compreenderem-na com maior facilidade. Além disso, ela trilhou um caminho único o qual lhe possibilitou entrelaçar essa corrente com as questões metafísicas de São Tomás de Aquino e, posteriormente, com os ensinamentos de Santa Teresa D’Ávila e de São João da Cruz. Trata-se de um trabalho “empreendido sobre o âmbito de uma filosofia da pessoa, ou seja, uma filosofia que se dedica a compreender o ser humano enquanto tal” (KUSANO, 2009, p. 15).

Tudo isso só foi possível graças a uma nova reviravolta ocorrida em sua vida: a conversão à Igreja Católica (GOTO, MORAES, 2016c, p. 57). Nesse sentido, Miribel (2001, p. 64) defende que, mesmo antes de sua conversão efetiva, Edith Stein possuía grande respeito pela Eucaristia e sabia do fato de alguns fenomenólogos já terem lido alguns dos trabalhos de Santa Teresa D’Ávila; o “golpe fatal” se deu, porém, em 1921, como bem nos narra a biografia redigida pela Madre Priora do Carmelo de Colônia (Apud MIRIBEL, 2001, p. 64) que atribui as seguintes palavras a Stein

Peguei na biblioteca, por acaso, um livro intitulado Vida de Santa Teresa contada por ela mesma. Desde o começo fui me sentindo como que cativada e só pude parar de ler quando terminei o livro. Fechando-o, disse para mim mesma: é a verdade.

Tal fato ocorreu na casa da senhora Hedwige Conrad-Martius, filósofa e amiga de Stein. No ano seguinte a esse fato, em 1922, ela foi batizada e teve como madrinha a própria Conrad-Martius, embora esta fosse protestante. Essa aproximação, segundo Goto e Moraes (2016c, p. 57), com o catolicismo foi decisiva na medida em que a levou a um profundo mergulho na filosofia escolástica, principalmente em São Tomás, o qual não permitiu “uma volta pura e simples aos seus trabalhos filosóficos anteriores” (MIRIBEL, 2001, p. 71).

Com todas essas mudanças e influências em mente, chegamos finalmente ao caminho filosófico trilhado por Edith Stein, do qual já tratamos brevemente há pouco e Kusano (2009, p. 19) bem nos explica.

É no interior desse movimento de aproximação entre ambas as correntes – fenomenologia e tomismo – que se encontra o projeto filosófico maior de Edith Stein, que se desdobra, inclusive, na sua abordagem acerca da estrutura da pessoa humana na sua relação com as coisas, com outros seres humanos e com Deus. Segundo a autora Ana Maria Pezzella, que possui um estudo sobre antropologia filosófica em Edith Stein, a pergunta pelo ser humano – invocado por Stein – envolve toda sua obra e encontra lugar seja na fenomenologia, seja na filosofia católica. Enquanto discípula de Husserl (1859-1938), que investiga profundamente o âmbito do eu puro, mas também o âmbito do corpo, da psique e do espírito, ela capta o eu enquanto um ser que habita um corpo que sente, percebe, se move e se abre ao mundo e aos outros sujeitos. Enquanto convertida ao catolicismo e às leituras de Tomás de Aquino (1225-1274), amplia sua reflexão para a relação do homem com Deus, aceitando em suas pesquisas os dados da Revelação, bem como o exame da alma, fornecido pela mística espanhola.

Agora que já destrinchamos os antecedentes que levaram Edith Stein a construir sua obra filosófica, resta-nos ainda conhecer um pouco as três fases de sua produção literária e os três elementos fundamentais do método. Vamos a eles.

2.2 Características Gerais da Obra Fenomenológica Steiniana

Diante de toda a exposição feita até aqui, podemos perceber que Edith não se limitou à assimilação passiva das ideias de Husserl; pelo contrário, entre ambos houve algumas discordâncias as quais possibilitaram a ela desenvolver uma concepção singular de Fenomenologia. O espírito questionador se fazia presente em todos os âmbitos de sua vida, tanto em questões políticas, econômicas e sociais como na sua constituição enquanto filósofa. Apesar disso, a amizade e o respeito entre ela e seu orientador sempre se mantiveram, mesmo após a conversão ao catolicismo.

Em termos gerais, podemos dizer que para Stein (2012e) a Fenomenologia é uma filosofia que se caracteriza pelo resgate da ideia de verdade absoluta e de objetividade da consciência, rompendo com as filosofias consideradas por ela empíricas e relativistas, tais como o naturalismo, o psicologismo e o historicismo. Ao contrário dessas filosofias, a fenomenologia retoma a ideia de que a verdade é imutável e que o espírito deve encontrá-la ao invés de produzi-la. Na acepção da filósofa, isso fez com que a Fenomenologia fosse confundida como apenas uma retomada dos grandes sistemas filosóficos antigos, como o platonismo, o aristotelismo e a escolástica.

O resgate da noção de verdade absoluta é algo muito caro à Filosofia. A ideia de uma verdade mutável, isto é, que se modifica com o tempo e de acordo com determinadas condições, faz com que a investigação filosófica perca seu rigor, incorrendo em relativismos estéreis. Desse modo, a Fenomenologia surgiu em oposição a essas filosofias e, principalmente, às ciências positivas, buscando resgatar o rigor da investigação filosófica, enquanto uma ciência rigorosa, como destacou Husserl no seu artigo de 1911, intitulado A Filosofia como ciência de rigor (Philosophie als strenge Wissenschaft).

Stein (2012a; 2012c; 2012d; 2012f) está em plena concordância com seu mestre, pois concebe a Fenomenologia como uma ciência rigorosa, que tem como tarefa fundamentar o conhecimento em bases seguras (GOTO, MORAES, 2016c, p. 60).

Baseando-se em alguns estudiosos, Kusano (2009, p. 20) apresenta uma divisão da produção de Stein em três fases distintas que permitem um entendimento geral de parte do seu projeto filosófico e, ao mesmo tempo, revelam a coerência e a continuidade existente entre sua vida e seu trabalho intelectual:

A primeira fase pode ser caracterizada como o período fenomenológico, que se estende desde sua tese de doutorado em Göttingen (1916) até sua conversão ao catolicismo em 1922, a segunda fase, que vai de 1922 à sua passagem do Carmelo de Colônia ao Carmelo de Echt na Holanda (1938) concentra seus estudos de caráter antropológico-pedagógico, e por fim, de 1938 a 1942, Edith Stein produz seus escritos eminentemente místicos no próprio Carmelo de Echt.

Dentro desse leque de fases pertencentes a essa filósofa, creio que seja importante destacarmos por fim os três elementos do método que para ela são fundamentais no sentido de auxiliarem no seu propósito de relacionar a fenomenologia com a escolástica tradicional: objetividade do conhecimento, intuição e idealismo (KUSANO, 2009, p. 26; GOTO, MORAES, 2016c, p. 60).

Sobre o primeiro elemento, objetividade do conhecimento, basta-nos uma breve frase da Edith Stein (1999, p. 58) para bem entendê-lo: “Se a natureza humana, se o organismo psíquico, se o espírito do tempo se transformam, então também as opiniões dos homens se transformam, mas a verdade não muda”, ou seja, o conhecimento, a verdade é objetiva.

Em relação à intuição, Kusano destaca que é o meio utilizado pelo conhecimento para apreensão das características mais importantes dos objetos frente à percepção humana: “Trata-se de uma percepção sui generis que se diferencia da visão dos fatos do mundo sensível, na medida em que alcança, por meio do olhar espiritual, as verdades ideais, evidentes em si mesmas” (KUSANO, 2009, p. 34), processo esse denominado por Husserl de redução eidética, ou seja, redução à essência.

Finalmente, abordemos agora sobre o idealismo, o qual já fora tratado brevemente no primeiro tópico deste artigo.

Para a filósofa, enquanto o retorno ao objeto (Wendung zum Objetkt) promovido nas “Investigações Lógicas” aproximou a Fenomenologia da escolástica, o “giro idealista” apresentado nas “Ideias I” fez com que a Fenomenologia se assemelhasse à filosofia transcendental de Kant. É importante salientar que Stein não entende essa dupla semelhança como uma contradição, ou mesmo uma redenção, longe disso, pois para ela a Fenomenologia é a única filosofia que possibilita uma interligação entre essas duas correntes da filosofia (GOTO, MORAES, 2016b, p. 41-42).

Lógicamente, a produção de Edith Stein é muito mais ampla do que está sendo exposto aqui, no entanto, para os objetivos aos quais nos propomos, já possuímos o embasamento teórico necessário. Sabendo melhor o que é a fenomenologia dela, ficará mais fácil entender as ligações realizadas pela filósofa com o pensamento tomista como será mostrado na próxima parte, pois, como bem nos recorda Angela Ales Bello (STEIN, 1999, p. 19), Stein “não abandona a sua formação fenomenológica, pelo contrário a aprofunda e a dilata com as imposições da nova impostação”.

2.3 Diálogos entre Tomás de Aquino e Husserl

A filosofia kantiana e a tradição escolástica se caracterizavam por manterem um abismo muito grande entre si: os filósofos dessas correntes e seus trabalhos não se comunicavam uns com os outros. Essa falta de diálogo poderia ser algo muito caro à constituição do pensamento filosófico da época, tornando-o dividido e fragmentado. Com a conversão ao catolicismo de Edith Stein e a consequente aproximação com o pensamento tomista, ela passar a ver na Fenomenologia um instrumento único capaz de possibilitar uma ponte entre esses dois grupos filosóficos, como bem destacamos acima, e assim evitar o desmembramento dessa área do conhecimento (GOTO, MORAES, 2016c, p. 61; STEIN, 1999, p. 19).

Nesse sentido, concordamos com Cruz (2018, p. 31) a qual nos mostra que

Diante dessa análise dos pontos de contato entre Husserl e Tomás, parece que Edith Stein pretende desenvolver uma filosofia de contato: uma leitura fenomenológica da pessoa, tendo como elementos de base a metafísica tomasiana. Parece que para ela, o importante de suas investigações era justamente tentar acessar o método de Tomás de Aquino. No prólogo de uma de suas mais famosas obras, Ato e Potência, Stein expõe tal inquietação e sua motivação em continuar estudando o filósofo, que pra ela toma importância maior, pois após a sua conversão ao catolicismo, ele também é considerado (...) como o Santo.

Aqui não trataremos da proximidade entre Fenomenologia e kantismo e seus desdobramentos, até mesmo porque esse trabalho não foi realizado por Edith Stein. Nosso foco recai naquilo que Cruz (2018, p. 27) chama de Tomismo Fenomenológico, ou seja, as ligações que ela realiza entre Tomás de Aquino e Husserl. Segundo Kusano (2009, p. 43), a obra intitulada Fenomenologia de Husserl e a filosofia de São Tomás de Aquino. Tentativa de comparação Husserl’s Phenomenology and the Philosophy of St. Thomas Aquinas. Attempt at a Comparision – publicada no Jarbuch em 1929 por ocasião do septuagésimo aniversário de Husserl, mostra uma possibilidade de encontro entre essas duas correntes, mas, além desse, outros textos também foram produzidos pela fenomenóloga.

Há um texto bem interessante, intitulado O que é Filosofia? Uma conversa entre Edmund Husserl e Tomás de Aquino, no qual se realiza um diálogo fictício entre esses dois pensadores. Tal conversa será o foco de nossas análises aqui realizadas. Utilizaremos uma tradução feita por Márcia Sá Cavalcante Schuback, a qual nos oferece uma nota de rodapé bem esclarecedora quanto à origem desse texto, afirmando que, assim como o outro destacado acima, este também fora produzido para ser publicado num volume em homenagem aos setenta anos de Husserl (SCHUBACK Apud STEIN, 2005, p. 71).

A referida conversa está estruturada em um total de sete partes, nas quais Edith Stein se organiza de modo bem didático para facilitar a compreensão dos pontos de encontro que ela traça entre as duas correntes filosóficas. São elas: uma breve introdução na qual Husserl e Tomás de Aquino se encontram e se apresentam; 1 Filosofia como ciência rigorosa; 2 Razão natural e supra-natural, fé e saber; 3 Filosofia crítica e dogmática; 4 Filosofia teocêntrica e egocêntrica; 5 Ontologia e metafísica, método empírico e eidético e; 6 A questão da “intuição” – método fenomenológico e escolástico. Além disso, há outros três trechos com algumas observações os quais Schuback separa do seguinte modo: [Segue uma seção riscada no manuscrito]; [A continuação está faltando! A página seguinte traz mais uma vez a página 58] e; [Apêndice: presumivelmente uma página arrancada de A I 9 “o que é filosofia? (fragmento)].

Devido aos limites de espaço e tempo de que dispomos, neste artigo não poderemos tratar de todos os pontos de contato apresentados por Stein e, por conta disso, nos ateremos a apresentar e explicar os mais importantes, presentes no diálogo, que nos possibilitaram finalmente atingir nosso objetivo central.

Após uma breve contextualização da forma como ambos se encontram e se apresentarem no diálogo, na parte intitulada 1 Filosofia como ciência rigorosa, temos a seguinte fala atribuída por Edith Stein à Tomás de Aquino

Franz Brentano – temos aqui um ponto de contato. Em si não é muito fácil encontrar um caminho que conduza de seu mundo de pensamento ao meu. Vários estudantes já me confirmaram isso. Mas aqui há um ponto de ligação. Em suas memórias, o Senhor mesmo descreveu como a maneira de Brentano tratar as questões filosóficas conquistou o senhor para a filosofia. O modo de ensinar e de pensar de Brentano mostraram-lhe que a filosofia poderia ser outra coisa do que uma falação erudita; que, bem exercida, a filosofia correspondia às mais altas exigências de rigor científico, que o senhor enquanto matemático estava habituado a apreciar. 
De onde provinha, porém, essa agudeza acurada de raciocínio, que tanto lhe cativou e lhe pareceu tão nova no campo da filosofia? De onde vinha essa clareza cristalina da formação conceitual? O que era tudo isso senão uma herança da Escolástica? Por mais que esse homem tenha trilhado seu próprio caminho, ele cresceu na nossa escola, foi a nossa maneira de pensar que formou não apenas o espírito de Brentano mas também o seu. Com isso, não quero porém negar a sua autonomia (STEIN, 2005, p. 73-74).

Nesse trecho fica-nos bem claro o fato de que ambos possuem um filósofo em comum, Franz Clemens Honoratus Hermann Brentano (1838-1917), o qual possui filiação na Escolástica e uma certa forma de paternidade secundária na Fenomenologia. Brentano é uma espécie de ponte a qual possibilita a visão compartilhada por ambos de que a filosofia é uma ciência rigorosa “que, passo-a-passo, desvela um logos, ou uma ratio – conforme o termo utilizado por São Tomás – um sentido que se encontra por trás de tudo aquilo que é ou do que seja possível o entendimento descobrir” (KUSANO, 2009, p. 44).

Cruz (2018, p. 27-29) nos mostra que outros dois pontos em comum entre ambos os filósofos são a força da razão e a busca pela verdade autêntica – aliás, esta última é uma das que mais se destaca neles –, assunto esse fortemente tratado por Stein no tópico 2 Razão natural e supra-natural, fé e saber. Entretanto, disso surge um desencontro importante: em uma fala atribuída a Husserl, é dito que “a fé é a instância de apelo para a religião, não para a filosofia” (STEIN, 2005, p. 77). A essa colocação a filósofa oferece a seguinte resposta, utilizando-se de Tomás de Aquino

se à fé pertence a certeza mais elevada que o espírito humano pode alcançar e se a filosofia tem por exigência propiciar a certeza mais elevada possível, então ela deve assumir a certeza da fé. Isso acontece quando, por um lado, assume as verdades da fé e, por outro, mede todas as outras verdades a partir dessa verdade, tomada como critério último e derradeiro. Daí resulta que a filosofia encontra-se numa dependência formal da fé (STEIN, 2005, p. 78-79).

Com a intenção de deixar bem claro o modo como Edith Stein supera essa barreira entre as duas correntes, recorremos a Kusano (2009, p. 21-22) a qual, nesse sentido, oferece-nos algumas pontuações bem esclarecedoras.

É preciso sublinhar que a antropologia filosófica de Edith Stein se move para além de si mesma na medida em que adentra o terreno da fé e acolhe os estudos da revelação e da mística, principalmente na sua última fase, na qual ela compõe profundas meditações sobre a experiência da fé radical dos dois grandes místicos da sua ordem: Teresa D’Ávila (1515-1582) e São João da Cruz (1542-1591). Isso nos faz crer que a sede de verdade que tanto atormentava a autora no decorrer de sua vida, não se deteve diante das fronteiras do racionalismo, mas, ao contrário, buscou superá-lo através do reconhecimento dos limites da própria razão.

No tocante à questão da verdade, que já referenciamos diversas vezes até aqui, cabe citar por último a parte 4 Filosofia teocêntrica e egocêntrica, na qual a filósofa expressa, através de Tomás, que tanto a fenomenologia quanto a escolástica veem “como ponto de partida que à idéia de verdade pertence algo objetivamente subsistente, independente de todo aquele que pesquisa ou busca conhecimento” (STEIN, 2005, p. 83), porém mostramos acima que ambos diferem quanto à aceitação de Deus como sendo a verdade primeira e da fé como responsável por revelar parte dela.

No terceiro ponto do diálogo, 3 Filosofia crítica e dogmática, há apenas uma extensa fala atribuída a Tomás de Aquino. Aqui uma consideração importante é feita por ele. Abaixo destacaremos os pontos que acreditamos ser mais relevantes.

o senhor buscou controlar a experiência natural, construindo um método da pesquisa pura das essências. Ao aprofundar a dúvida metódica de Descartes, ao liberar a crítica da razão de Kant de seus elementos não críticos, o Senhor delimitou a esfera da consciência transcendentalmente purificada enquanto campo de investigação de sua “prima philosophia” (no sentido que o senhor lhe atribui). Todavia, ainda assim o senhor não se satisfez. O senhor descobriu transcendência até mesmo nessa esfera, esforçando-se ainda hoje por delimitar, dentro desse campo, um âmbito de autêntica imanência, ou seja, um conhecimento absolutamente uno com o seu objeto e, assim, assegurado contra qualquer dúvida. (...).

Na minha filosofia, também há lugar para uma teoria do conhecimento capaz de ordenar e visualizar os meios de conhecimento. Mas para mim ela foi sempre cura posteria e tinha de ser. Na calma segurança com que pude dispor de uma série de meios legítimos de conhecimento, pude usá-los para reunir a maior riqueza possível de conhecimento filosófico. A minha questão era “o que” e não o “como”. O senhor chamaria esse procedimento de “dogmático”. Eu considerava bem-vindo todo caminho, desde que conduzisse à verdade. Podia deixar de lado os problemas ligados ao conhecimento que emergiam na ordem das questões que estava discutindo. Tive de fazer o que era necessário para o meu tempo. Uma abundância de saberes até então desconhecidos chegaram a mim. (...).

Os homens não têm onde sustentar-se e por isso procuram um ponto de sustentação. Querem uma verdade com conteúdo a que possam agarrar-se, que lhes sustente a vida, querem uma “filosofia da vida”. Isso eles encontram em mim. Sem dúvida, minha filosofia é infinitamente distante do que hoje se entende por filosofia (STEIN, 2005, p. 81-84).

Disso tudo, podemos perceber certa inclinação de Edith Stein pela filosofia dogmática, mas isso não a leva ao descarte da crítica de Husserl; pelo contrário, é possível visualizar uma busca do equilíbrio entre ambas as correntes de modo que elas se complementem ao invés de se anularem implicando uma forma diferenciada de se prosseguir com os estudos fenomenológicos.

Na penúltima parte do diálogo, 5 Ontologia e metafísica, método empírico e eidético, Tomás tece longas considerações as quais revelam basicamente não ser visível nele mesma nitidez na distinção entre empiria e eidética, levando-nos a concordar com os dizeres de Cruz (2018, p. 30) sobre a metafísica tomasiana confirmar a ontologia husserliana ainda que haja algumas ressalvas, “pois ambos querem falar do ‘em si’ das coisas, ou seja, de suas essências, contudo, os fenomenólogos levariam em consideração como parte dessa essência o que os tomasianos deixariam de lado como acidentais”.

Finalmente, no último ponto do diálogo que nos propomos a tratar aqui, 6 A questão da “intuição” – método fenomenológico e escolástico, é visível um trabalho profundo e complexo no qual “Do caráter intuitivo de Husserl, Edith Stein aproxima o intus legere de São Tomás, ler o interior das coisas, que para ele constitui a tarefa fundamental do intelecto” (KUSANO, 2009, p. 47). Nesse sentido, seguem abaixo as considerações mais importantes feitas pela filósofa, servindo-se da fala do escolástico:

É bem compreensível que, numa consideração superficial, os métodos fenomenológico e escolástico dêem a impressão de serem bem diversos; no escolástico, elaboração lógica e exploração da experiência sensível (se nos limitarmos ao campo do conhecimento natural), e no fenomenológico, visão supostamente imediata de verdades eternas, que para a Escolástica está reservada para os espíritos puros. Devo dizer, no entanto, que apresentando-se a questão nesses termos, o problema se vê demasiadamente simplificado. (...)

O método fenomenológico procede através da mais aguçada e aprofundada análise de um material dado. De início e de maneira genérica, podem-se observar três pontos que descobrem uma inteira concordância entre o seu método e o meu, não obstante a aparente oposição:

1. Todo conhecimento começa com os sentidos. (...).
2. Todo conhecimento natural adquire-se através da elaboração intelectual de um material sensível. (...).

Acredito, portanto, que também concordamos quanto ao caráter passivo e ativo da intuição (STEIN, 2005, p. 87-91).

Logicamente, não conseguimos esgotar todas as possibilidades oferecidas por esse diálogo que nos propomos a analisar, inclusive deixamos de tratar dos três fragmentos os quais destacamos acima devido ao fato de estarem incompletos e também por não sabermos bem ao certo a qual parte do texto eles pertenciam originalmente, tornando-os assim trechos muito descontextualizados. De qualquer modo, acreditamos que, com toda essa exposição, foi possível apreender alguns dos principais pontos da segunda fase do trabalho filosófico de Edith Stein (1922-1938) quanto à sua busca de produzir seu Tomismo Fenomenológico como nos propusemos a fazer inicialmente.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como pudemos ver, Stein realiza um trabalho muito importante no âmbito da fenomenologia. A criação dessa filosofia do contato entre as correntes husserliana e tomista mostra-se como algo sem precedentes. Além disso, vimos que a coerência entre sua vida pessoal e intelectual é uma característica presente em o seu todo trabalho, assim como a autonomia de pensamento que não a afastou do pensamento fenomenológico, mas a permitiu aperfeiçoá-lo ao relacioná-lo com o pensamento tomasiano.

No Brasil, durante muito tempo, houve, em certa medida, uma negligência às obras steinianas, sendo baixa a ocorrência de traduções ou pesquisas no século passado – ou total ausência, como ocorrido no período da Ditadura Militar. Esse número torna-se ainda mais reduzido, quando nos referimos aos escritos estritamente filosóficos/fenomenológico. Apenas com o início deste século é que começamos a engatinhar mais fortemente no pensamento de Edith Stein34. Sem sombra de dúvidas, isso nos trouxe algumas perdas significativas.

Como bem nos mostrou a própria fenomenóloga, essa corrente carrega em si um campo profícuo para relacionar vertentes filosóficas aparentemente inconciliáveis. Explorar essa possibilidade apresentada é algo realmente fascinante e enriquecedor. Stein abre-nos um caminho que trazer precisa ser aprofundado em outras direções e perspectivas. O diálogo entre os diferentes é, e sempre será, o melhor meio de avançar – de construir algo novo –, não apenas no meio científico, mas na maioria das áreas e questões da vida humana.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CRUZ, Manuele Porto. Pessoa, Comunidade e Empatia em Edith Stein. 2018. 84 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Filosofia, Universidade de Brasília, Brasília, 2018. Disponível em: <https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/33240/1/2018_ManuelePortoCruz.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2020.

GOTO, Tommy Akira; GARCIA, Aparecida Turolo. A presença do pensamento de Edith Stein no Brasil: do começo até os anos de 2012. Seminário Internacional de Antropologia Teológica: Pessoa e Comunidade em Edith Stein. Porto Alegre: Edipucrs, 2016a. 12 p. Disponível em: <https://editora.pucrs.br/anais/seminario-internacional-de-antropologia-teologica/assets/2016/6.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2020.

GOTO, Tommy Akira; MORAES, Mak Alisson Borges de. O “giro idealista” de Husserl e sua recepção no pensamento de Edith Stein. Cadernos da EMARF, Fenomenologia e Direito, Rio de Janeiro, v.8, n.2, out.2015/mar.2016b, p. 31-54.

GOTO, Tommy Akira; MORAES, Mak Alisson Borges de. A Concepção de Fenomenologia para Edith Stein. Revista Filosófica São Boaventura, v. 10, n. 2, jul./dez. 2016c, p. 51-66.

KUSANO, Mariana Bar. A Antropologia de Edith Stein: entre deus e a filosofia. 2009. 120 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências da Religião, Pontifícia Universidade Católica (PUC), São Paulo, 2009. Disponível em: <https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/2136/1/Mariana%20 Bar%20Kusano.pdf>. Acesso em: 02 jun. 2020.

MIRIBEL, Elisabeth de. Edith Stein: Como o ouro purificado pelo fogo. Trad. Maria do Carmo Wollny, Aparecida: Editora Santuário, 2001.

STEIN, Edith. La Ricerca dela Verità: dalla fenomenologia ala filosofia cristiana. Ed. Angela Ales Bello. 3 ed. Roma: Città Nuova, 1999.

STEIN, Edith. O QUE É FILOSOFIA? Uma conversa entre Edmund Husserl e Tomás de Aquino. Trad. Márcia Sá Cavalcante Schuback. Scintilla: Revista de Filosofia e Mística Medieval, Curitiba, v. 2, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 2005. Semestral. Disponível em: <https://img. fae.edu/galeria/getImage/45/4773138785371750.pdf>. Acesso em: 06 ago. 2020.


1 É licenciado em História (2019) pela Faculdade de Ciências e Letras (FCL-UNESP – Assis/SP), em Filosofia (2020) pelo Claretiano Centro Universitário (CEUCLAR) e em Pedagogia (2022) pela Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Atualmente é aluno de graduação em Filosofia e em Teologia ambos pela Faculdade João Paulo II (FAJOPA). E-mail: [email protected]

2 Aliás, pelo que nos revela Miribel (2001, p. 117-118) e Goto e Moraes (2016c, p. 56), esse interesse por defender os desfavorecidos se faz presente ao longo de toda a vida de Edith Stein. Ela sempre se colocou a favor da “dignidade inalienável da pessoa humana” frente aos problemas sociais, políticos e econômicos, trabalhando como voluntária na Cruz Vermelha no início da Primeira Guerra Mundial e posicionando-se assim contra a ascensão do nacional socialismo, anos mais tarde.

3 Grifos da autora.

4 Para informações mais precisas sobre a presença do pensamento steiniano no Brasil consultar o da Goto e da Moraes (2016a).