CORPO, RAÇA E RESISTÊNCIA: OS ELEMENTOS DA TEXTUALIDADE COMO FORMA DE RESISTÊNCIA NO VIDEOCLIPE “A VOZ DA RESISTÊNCIA”

BODY, RACE, AND RESISTANCE: THE ELEMENTS OF TEXTUALITY AS A FORM OF RESISTANCE IN THE MUSIC VIDEO “A VOZ DA RESISTÊNCIA”

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/782628963

RESUMO
O presente artigo analisa os elementos da textualidade presentes no videoclipe “A Voz da Resistência”, interpretado por WD e Negra Li, a partir dos pressupostos da Linguística Textual e dos estudos sobre discurso, identidade e resistência social. O objetivo é compreender de que maneira os elementos verbais, visuais e sonoros do videoclipe constroem sentidos relacionados ao corpo negro, à racialidade e às formas de resistência presentes na sociedade brasileira contemporânea. A pesquisa fundamenta-se em autores da Linguística Textual, como Koch, Marcuschi e Beaugrande & Dressler, além de dialogar com estudos sobre cultura afro-brasileira, identidade e representatividade. Observa-se que os mecanismos de coesão, coerência, intertextualidade, intencionalidade e situacionalidade articulam-se para transformar o videoclipe em um texto multimodal de denúncia e afirmação identitária. Conclui-se que “A Voz da Resistência” ultrapassa o caráter artístico-musical e assume papel político e social, promovendo visibilidade, pertencimento e resistência através da linguagem.
Palavras-chave: Linguística Textual; Resistência; Corpo negro; Multimodalidade; Videoclipe.

ABSTRACT
This article analyzes the elements of textuality present in the music video “A Voz da Resistência” (“The Voice of Resistance”), performed by WD and Negra Li, based on the theoretical assumptions of Text Linguistics and studies on discourse, identity, and social resistance. The objective is to understand how the verbal, visual, and auditory elements of the music video construct meanings related to the Black body, racial identity, and forms of resistance within contemporary Brazilian society. The research is grounded in the works of Text Linguistics scholars such as Koch, Marcuschi, and Beaugrande & Dressler, while also engaging with studies on Afro-Brazilian culture, identity, and representation. The analysis reveals that mechanisms of cohesion, coherence, intertextuality, intentionality, and situationality are articulated to transform the music video into a multimodal text of denunciation and identity affirmation. It is concluded that “A Voz da Resistência” transcends its artistic and musical dimensions and assumes a political and social role by promoting visibility, belonging, and resistance through language.
Keywords: Text Linguistics; Resistance; Black body; Multimodality; Music video.

1. INTRODUÇÃO

A linguagem sempre esteve ligada às formas de expressão social, cultural e política dos sujeitos. Em uma sociedade marcada por desigualdades raciais históricas, produções artísticas elaboradas por pessoas negras tornam-se importantes espaços de fala, denúncia e resistência. A música, especialmente quando associada à linguagem audiovisual dos videoclipes, amplia ainda mais essa possibilidade de comunicação, pois reúne palavras, imagens, sons, gestos e performances capazes de produzir diferentes sentidos.

O videoclipe “A Voz da Resistência”, interpretado por WD em parceria com Negra Li, apresenta exatamente essa proposta de enfrentamento social por meio da arte. A obra traz discussões relacionadas ao racismo, à exclusão, à identidade negra e à valorização do corpo preto dentro de uma sociedade que historicamente tentou silenciar as vozes. Mais do que um produto musical, o videoclipe funciona como manifestação política e cultural.

A escolha desse tema surgiu pela relevância das discussões raciais na atualidade e também pela força discursiva presente na obra. Durante a análise do videoclipe, percebe-se que todos os elementos presentes — letra, cenário, iluminação, figurino, expressões corporais e sonoridade — contribuem para a construção de uma narrativa de resistência.

Nesse sentido, o presente artigo tem como objetivo analisar como os elementos da textualidade contribuem para a construção dos sentidos de resistência presentes no videoclipe “A Voz da Resistência”. Para isso, serão utilizados conceitos da Linguística Textual, especialmente aqueles relacionados à coesão, coerência, intertextualidade, intencionalidade e situacionalidade.

Além da relevância acadêmica, este estudo também possui importância social, pois possibilita reflexões sobre representatividade negra, identidade e o papel da linguagem na luta contra o racismo estrutural. Ao analisar um videoclipe contemporâneo sob a perspectiva da Linguística Textual, amplia-se também a compreensão de texto para além da escrita tradicional, reconhecendo a multimodalidade presente nas práticas comunicativas atuais.

2. LINGUÍSTICA TEXTUAL E MULTIMODALIDADE

A Linguística Textual consolidou-se como área de estudo voltada à compreensão do texto em funcionamento, considerando não apenas sua estrutura gramatical, mas também os fatores sociocognitivos e discursivos envolvidos na construção de sentidos. Para Koch (2015), o texto deve ser entendido como um evento comunicativo em que diferentes elementos interagem para possibilitar a compreensão entre os sujeitos.

Beaugrande e Dressler (1981) propõem sete fatores responsáveis pela textualidade: coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade. Esses elementos permitem compreender como os textos se organizam e produzem sentidos em diferentes contextos sociais.

No caso dos videoclipes, a textualidade ocorre de forma multimodal. Isso significa que diferentes linguagens — verbal, visual, sonora e corporal — atuam simultaneamente na produção de significados. Segundo Marcuschi (2008), os gêneros textuais contemporâneos incorporam múltiplas semioses, exigindo uma leitura ampliada capaz de compreender imagens, sons, movimentos e performances como partes integrantes do texto.

A multimodalidade amplia as possibilidades de construção discursiva e permite que elementos visuais assumam papel tão importante quanto a linguagem verbal. Em “A Voz da Resistência”, por exemplo, o corpo negro não aparece apenas como representação estética, mas como signo político de resistência e enfrentamento ao racismo.

Além disso, a construção discursiva presente no videoclipe aproxima-se das discussões sobre representatividade negra na cultura contemporânea. O corpo negro, historicamente marginalizado, passa a ocupar posição central na narrativa audiovisual, rompendo com padrões eurocêntricos de beleza e pertencimento. Assim, analisar um videoclipe sob a perspectiva da Linguística Textual implica reconhecer que os sentidos emergem da articulação entre diferentes recursos semióticos e do diálogo estabelecido com a realidade social.

3. O VIDEOCLIPE “A VOZ DA RESISTÊNCIA” E SUA CONSTRUÇÃO DISCURSIVA

Lançado em 2022, o videoclipe “A Voz da Resistência”, de WD em parceria com Negra Li, apresenta uma narrativa marcada por elementos futuristas, tecnológicos e periféricos. A produção constrói um cenário distópico em que os artistas atuam como figuras de resistência diante de um sistema opressor que invisibiliza as desigualdades sociais e raciais.

O videoclipe utiliza estética afrofuturista para representar sujeitos negros como protagonistas de um processo de transformação social. A escolha dessa estética possui forte valor simbólico, pois rompe com representações tradicionais da população negra associadas à marginalização e à subalternidade.

As imagens apresentam corpos negros em posição de força, liderança e protagonismo. Figurinos, iluminação e enquadramentos reforçam visualmente a ideia de poder e resistência. Além disso, os cenários urbanos remetem às periferias brasileiras, estabelecendo diálogo com as experiências históricas de exclusão social.

A letra da música também constitui importante elemento discursivo. Logo nos primeiros versos, observa-se a denúncia da violência simbólica sofrida pela população negra:

Logo cedo definido pela voz e a sua cor”

O trecho evidencia como o racismo atua desde a infância, determinando socialmente os sujeitos a partir de características raciais. A construção textual demonstra que o preconceito racial ultrapassa ações individuais e estrutura relações sociais. Outro aspecto importante é a valorização do corpo negro presente nos versos:

Seu nariz é lindo, preto / Sua boca é linda / E seu cabelo é lindo, preto / Sua cor é linda.”

Nesse momento, o videoclipe desconstrói padrões estéticos eurocêntricos historicamente impostos à população negra. O corpo deixa de ser espaço de vergonha e passa a ser símbolo de identidade, orgulho e resistência, a repetição do refrão:

“Eu sou a voz da resistência preta”

Funciona como mecanismo de reforço identitário e de afirmação coletiva. A voz individual transforma-se em voz social, representando sujeitos historicamente silenciados. Desse modo, o videoclipe articula denúncia, representatividade e resistência por meio da combinação entre linguagem verbal, imagem, performance e sonoridade.

4. OS ELEMENTOS DA TEXTUALIDADE COMO FORMA DE RESISTÊNCIA

4.1. Coesão Textual

A coesão textual manifesta-se no videoclipe através da repetição lexical, das retomadas referenciais e da organização temática da letra. A recorrência de expressões como “resistência preta”, “eu sou” e “aprendi me amar” cria continuidade temática e fortalece a construção identitária presente no discurso.

A repetição do pronome “eu” assume importante função discursiva. Mais do que indicar individualidade, ele simboliza um sujeito coletivo que representa experiências compartilhadas pela população negra periférica.O “eu” transforma-se em “nós”, ampliando o alcance social da mensagem.

Além da letra, a coesão também se estabelece visualmente, a repetição de cores escuras, símbolos tecnológicos e imagens urbanas contribui para manter unidade estética e temática ao longo do videoclipe.

4.2. Coerência e Construção de Sentidos

A coerência do texto audiovisual constrói-se a partir da relação entre denúncia social e afirmação identitária. Todos os elementos do videoclipe convergem para a ideia central de resistência negra. As cenas dialogam diretamente com a letra da música, produzindo complementaridade semântica. Quando os versos mencionam exclusão social, as imagens apresentam ambientes urbanos marcados pela desigualdade.

Quando a letra enfatiza autoestima e orgulho racial, os enquadramentos valorizam os corpos negros de forma estética e simbólica. Essa articulação entre linguagem verbal e visual garante unidade temática ao videoclipe, permitindo que o espectador compreenda a mensagem política e social da obra.

4.3. Intencionalidade Discursiva

Ao observar o videoclipe, percebe-se claramente que a intenção dos artistas vai além da produção musical voltada apenas ao entretenimento. Existe um posicionamento social muito evidente na letra e nas imagens apresentadas ao longo da obra. WD utiliza sua voz para denunciar experiências relacionadas ao preconceito racial e à exclusão social. Em vários momentos, a música evidencia situações que fazem parte da realidade de muitas pessoas negras periféricas no Brasil. Isso torna o discurso mais próximo da vivência social e fortalece a identificação do público com a obra, no verso:

“As portas fecham porque eu sou preto e viado.”

Mostra como diferentes formas de preconceito atravessam determinados corpos sociais. O trecho causa impacto justamente pela sinceridade e pela maneira direta como apresenta a discriminação. Outro aspecto importante é que o videoclipe não trabalha apenas com a denúncia. Ele também promove valorização identitária e autoestima.

Quando a letra afirma a beleza do cabelo, da pele e dos traços negros, ocorre uma tentativa de romper com padrões estéticos historicamente impostos pela sociedade. A participação de Negra Li reforça ainda mais essa construção discursiva. Sua presença representa força, representatividade e legitimidade dentro da música negra brasileira. Dessa maneira, o videoclipe transforma-se em espaço de fala coletiva e resistência cultural.

4.4. Intertextualidade e Memória Social

O videoclipe estabelece diálogo com discursos históricos do movimento negro brasileiro e com produções culturais periféricas, especialmente o rap e a música negra contemporânea.A expressão “resistência preta” remete às lutas históricas da população negra contra escravidão, exclusão e racismo estrutural, o texto dialoga com memórias coletivas relacionadas à sobrevivência e à afirmação cultural negra.

Além disso, o videoclipe aproxima-se de outras manifestações artísticas que utilizam música e performance como formas de resistência política. O discurso de empoderamento presente na obra relaciona-se diretamente às produções culturais afro-brasileiras que reivindicam espaço, voz e reconhecimento.

A estética afrofuturista também constitui importante elemento intertextual. Ela projeta sujeitos negros em espaços de protagonismo tecnológico e político, rompendo com narrativas históricas que limitaram a população negra à marginalização social.

4.5. Situacionalidade e Contexto Social

A compreensão do videoclipe depende do reconhecimento do contexto social brasileiro contemporâneo, marcado por desigualdades raciais persistentes.

A obra surge em um momento histórico em que debates sobre racismo estrutural, representatividade negra e violência policial ganharam maior visibilidade nas redes sociais, na mídia e nas manifestações culturais.

Nesse sentido, a situacionalidade do texto fortalece sua potência discursiva. O videoclipe dialoga diretamente com experiências reais vividas por sujeitos negros periféricos e transforma essas vivências em discurso artístico. Nesse sentido, a frase:

“Tudo começou a dar certo quando eu aprendi me amar”

Essa frase representa não apenas experiência individual, mas também processo coletivo de valorização identitária promovido pelos movimentos negros contemporâneos.

Assim, o videoclipe torna-se espaço de resistência simbólica ao afirmar corpos, vozes e identidades historicamente silenciadas.

5. METODOLOGIA

Esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritivo-interpretativa, por buscar compreender os sentidos produzidos pelos elementos da textualidade presentes no videoclipe A Voz da Resistência, interpretado por WD em parceria com Negra Li. O estudo fundamenta-se nos pressupostos da Linguística Textual e em discussões relacionadas à multimodalidade, identidade negra e resistência social.

Quanto aos procedimentos metodológicos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica foi realizada a partir de obras de referência da Linguística Textual, especialmente os estudos de Koch (2015), Marcuschi (2008) e Beaugrande e Dressler (1981), além de autores que discutem questões raciais, identidade e representatividade negra na sociedade brasileira. A pesquisa documental teve como corpus o videoclipe A Voz da Resistência (2022), analisado em sua dimensão verbal, visual, sonora e performática.

A análise foi conduzida a partir da observação dos principais fatores de textualidade propostos por Beaugrande e Dressler (1981), com destaque para coesão, coerência, intencionalidade, intertextualidade e situacionalidade. Foram examinados trechos da letra da música, elementos imagéticos, enquadramentos, figurinos, cenários, expressões corporais e recursos sonoros, buscando identificar como esses aspectos se articulam na construção de discursos de resistência, valorização identitária e representatividade negra.

Considerando o videoclipe como um texto multimodal, a investigação procurou compreender de que maneira diferentes recursos semióticos atuam conjuntamente na produção de sentidos. Dessa forma, a análise privilegiou a relação entre linguagem, contexto social e práticas discursivas, evidenciando como a obra transforma elementos estéticos e artísticos em mecanismos de denúncia social, afirmação do corpo negro e resistência ao racismo estrutural.

6. CORPO NEGRO, IDENTIDADE E RESISTÊNCIA

O corpo negro ocupa posição central no videoclipe analisado. Historicamente, os corpos negros foram associados à marginalização, à violência e à exclusão social. Em “A Voz da Resistência”, entretanto, o corpo transforma-se em espaço de poder, beleza e afirmação política.

A valorização estética presente na obra rompe com padrões racistas de representação. Cabelos crespos, traços negros e elementos culturais afro-brasileiros são apresentados como símbolos de orgulho e pertencimento.

Além disso, o videoclipe evidencia que o corpo também comunica discursos. Gestos, expressões faciais, figurinos e performances funcionam como linguagem política. O corpo negro deixa de ser objeto de opressão e assume papel de sujeito discursivo.

A resistência apresentada na obra ocorre tanto no plano verbal quanto visual. A música denuncia violências históricas, enquanto as imagens constroem novas possibilidades de representação social para sujeitos negros.

Outro aspecto relevante é a dimensão coletiva da resistência. Embora existam experiências individuais narradas na letra, o discurso constantemente amplia-se para representar a periferia, o povo negro e sujeitos marginalizados.

Assim, o videoclipe transforma arte em instrumento de luta social e afirmação identitária.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise do videoclipe “A Voz da Resistência” permitiu compreender como diferentes elementos da textualidade contribuem para a construção de sentidos relacionados ao corpo negro, à identidade e à resistência social. Ao longo da obra, percebe-se que linguagem verbal, imagem, sonoridade e performance atuam juntas na produção de um discurso forte e politicamente marcado.

Os fatores de textualidade analisados mostram que o videoclipe possui organização discursiva coerente e intencional. A repetição de determinadas expressões, a valorização estética dos corpos negros e as referências às experiências sociais da população periférica fortalecem a mensagem central da música.

Além disso, o trabalho evidencia que os videoclipes contemporâneos devem ser compreendidos como textos multimodais, já que produzem sentidos através da integração entre diferentes linguagens. Nesse caso, a música não funciona apenas como entretenimento, mas como instrumento de conscientização, pertencimento e resistência.

Outro ponto importante observado durante a análise é a maneira como o corpo negro deixa de ocupar um espaço de invisibilidade e passa a assumir protagonismo dentro da narrativa audiovisual. Os artistas utilizam a arte para questionar preconceitos, valorizar identidades e criar novas formas de representação social.

Assim, conclui-se que “A Voz da Resistência” transforma linguagem em resistência. O videoclipe apresenta não apenas uma produção artística, mas também um posicionamento social que contribui para reflexões importantes sobre raça, exclusão e representatividade na sociedade brasileira contemporânea.

Artigos e materiais de apoio consultados:

  • Papel Pop – WD e Negra Li unem forças no single “A Voz da Resistência”

  • Portal Pop Mais – WD lança clipe de “A Voz da Resistência” ao lado de Negra Li

  • Universal Music Brasil – A Voz da Resistência

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEAUGRANDE, Robert de; DRESSLER, Wolfgang. Introdução à Linguística Textual. São Paulo: Contexto, 1981.

KOCH, Ingedore Villaça. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2015.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Edusp, 2007.

WD; NEGRA LI. A Voz da Resistência. Universal Music Brasil, 2022. Videoclipe.


1 Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Rondônia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail