REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/782632781
RESUMO
O comportamento suicida configura-se como um grave e crescente problema de saúde pública, exigindo atuação crítica, ética e tecnicamente qualificada da enfermagem na assistência em saúde mental. Este estudo tem como problema de pesquisa: de que forma a enfermagem atua frente ao comportamento suicida no cuidado ao indivíduo em sofrimento psíquico e no acompanhamento das famílias sobreviventes? O objetivo geral foi analisar a atuação da enfermagem frente ao comportamento suicida, com ênfase no cuidado em saúde mental, na organização da rede de atenção e nas ações de posvenção voltadas às famílias enlutadas. Como objetivos específicos, buscou-se identificar as principais intervenções de enfermagem no acolhimento e manejo de pessoas em risco de suicídio, analisar a atuação da enfermagem na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e discutir as estratégias de posvenção direcionadas aos familiares sobreviventes. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, abrangendo o período de 2016 a 2026, fundamentada em produções científicas nacionais e internacionais, incluindo artigos e trabalhos acadêmicos. Os achados evidenciam que o enfermeiro desempenha papel central na identificação precoce de sinais de risco, na escuta qualificada, no acolhimento humanizado e na construção de vínculo terapêutico, sendo também fundamental na articulação da rede de cuidados. Destaca-se ainda a importância da posvenção como estratégia essencial de cuidado contínuo às famílias enlutadas, visando minimizar sofrimento psíquico e prevenir novos agravos. Conclui-se que a enfermagem ocupa posição estratégica na prevenção do suicídio e na continuidade do cuidado, sendo indispensável o fortalecimento de práticas integradas, humanizadas e baseadas em evidências.
Palavras-chave: Enfermagem; Comportamento suicida; Saúde mental; Rede de atenção; Posvenção.
ABSTRACT
Suicidal behavior represents a severe and growing public health issue, demanding critical, ethical, and technically qualified nursing interventions in mental health care. This study addresses the research question: how does nursing act in relation to suicidal behavior in caring for individuals experiencing psychological distress and supporting bereaved families? The general objective was to analyze nursing practice in relation to suicidal behavior, focusing on mental health care, healthcare network organization, and postvention strategies for bereaved families. The specific objectives were to identify the main nursing interventions in the reception and management of individuals at risk of suicide, analyze nursing performance within the Psychosocial Care Network (RAPS), and discuss postvention strategies directed at bereaved families. This is an integrative literature review covering the period from 2016 to 2026, based on national and international scientific publications, including journal articles and academic works. The findings highlight that nurses play a central role in early risk identification, qualified listening, humanized care, and therapeutic bonding, as well as in coordinating care within health networks. Postvention is emphasized as an essential strategy for continuous care to bereaved families, aiming to reduce psychological suffering and prevent further harm. It is concluded that nursing holds a strategic position in suicide prevention and continuity of care, requiring strengthened integrated, humanized, and evidence-based practices.
Keywords: Nursing; Suicidal behavior; Mental health; Healthcare network; Postvention.
1. INTRODUÇÃO
Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2017), o suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos significativos na sociedade como um todo. Estima-se que, no mundo, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, sendo a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Trata-se de um fenômeno complexo e multicausal, com repercussões individuais e coletivas, podendo afetar pessoas de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades.
Nunes et al. (2016) relacionam o suicídio a uma ampla gama de fatores etiológicos, incluindo aspectos sociológicos, econômicos, políticos, culturais, psicológicos, psicopatológicos e biológicos. A maioria das pessoas que tenta ou consuma suicídio apresenta algum transtorno mental, podendo dar sinais nas maiorias das vezes e em outras é silencioso longo, sendo a depressão o mais frequente, frequentemente associada ao transtorno afetivo bipolar (TAB) pelas oscilações de humores, euforia é um dos transtorno com um dos maiores índices de suicídio ou tentativas recorrentes, aprofundando em vícios.
Negrão et al. (2024) destacam que, devido à sua complexidade, o suicídio pode ser prevenido por meio de intervenções individuais e coletivas, como diagnóstico precoce, atenção qualificada, tratamento humanizado e integral, tais ações reforçam e garantem uma estabilização no quadro clinico, desde que o tratamento seja seguido conforme o médico especialista ou equipe multidisciplinar. Além disso, estratégias como a prevenção de transtornos mentais, ações de conscientização, fortalecimento do apoio socioemocional e limitação do acesso a meios letais são fundamentais para sua redução.
O comportamento suicida configura-se como um importante e crescente problema de saúde pública mundial, com impactos significativos na mortalidade, na qualidade de vida e na saúde mental de indivíduos, famílias e comunidades, as taxas de suicidio tem aumentar alarmante. No contexto brasileiro, esse fenômeno exige atenção contínua dos serviços de saúde, especialmente diante da complexidade dos fatores biopsicossociais envolvidos e da necessidade de intervenções articuladas e humanizadas na rede de cuidado.
Santos et al. (2017) destacam que a enfermagem desempenha papel fundamental na identificação precoce de sinais de risco, no acolhimento qualificado e na assistência direta a indivíduos em sofrimento psíquico, através da consulta de enfermagem na atenção primária de saúde ao encaminhamento para o Caps. Por meio dessas estratégias, os profissionais de saúde ampliam sua capacidade de intervenção diante de casos de ideação ou tentativa de suicídio, bem como no cuidado aos familiares, que desenvolve alguns mecanismo de defesa para o luto. Além disso, a atuação do enfermeiro é essencial tanto na atenção primária quanto nos serviços especializados, contribuindo para a prevenção de agravos e para a continuidade do cuidado em saúde mental (Pereira et al., 2021; Negrão et al., 2024).
Pimenta et al. (2024) ressaltam que a organização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é fundamental para garantir a integralidade do cuidado, articulando diferentes níveis de atenção. Nesse contexto, foram implantados 109 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em 20 estados brasileiros, iniciativa que contribuiu para a redução de até 14% no risco de suicídio desde sua implementação. No entanto, ainda existem desafios na efetivação dessa rede, especialmente no que se refere à continuidade do cuidado e à integração entre os serviços de saúde (Nunes et al., 2016; Dantas et al., 2022; Pimenta et al., 2024).
Outro aspecto relevante refere-se à posvenção, compreendida como o conjunto de ações voltadas ao cuidado de familiares e sobreviventes enlutados após o suicídio de um ente querido, muitos familiares passam anos e anos em sofrimento mental sem buscar ajuda e em alguns casos tem o mesmo desfecho, o suicido Nunes et al. (2016) destacam que esses indivíduos apresentam elevado sofrimento emocional, quadros depressivos e dificuldades na elaboração do luto, necessitando de suporte psicológico e social estruturado, porém percepção que esta precisando de ajuda não é enxergada por este grupo . Nesse contexto, a enfermagem desempenha papel essencial no acompanhamento contínuo, por meio de intervenções individuais e grupais Dantas et al.,(2022).
O impacto do suicídio ultrapassa o indivíduo, atingindo diretamente o núcleo familiar, que frequentemente enfrenta sentimentos de culpa, estigma social e luto complicado. Assim, a posvenção torna-se uma estratégia indispensável, a família ou amigos enlutados carregam traumas, dores, e sofrimento intenso e para a redução do sofrimento psíquico e prevenção de novos casos, reforçando a importância da atuação multiprofissional e da enfermagem como eixo central do cuidado (Kagesawa; Pegoraro, 2023; Faria, 2022).
Apesar dos avanços na produção científica e nas políticas de saúde mental, ainda existem lacunas na capacitação dos profissionais para atuar diretamente com pessoas que estejam em luto por alguém e que nem saibam o quanto isto lhe afeta, saber o quanto o suicidio comprometeu a vida da pessoa de tal forma que sua mente vai para um lado paralelo da realidade, também na efetivação de estratégias integradas de cuidado, especialmente no que se refere à articulação entre prevenção, intervenção e posvenção no contexto da rede de atenção (Oliveira et al., 2021; Betti, 2020; Santos et al., 2025).
A partir dessa contextualização foi elaborada a questão norteadora do estudo que é: A atuação da enfermagem diante desse fenômeno, considerando seu papel estratégico na identificação precoce de riscos, no acolhimento humanizado e na continuidade do cuidado aos indivíduos que perderam alguém próximo pelo suicio? Assim o presente estudo tem como objetivo principal analisar a atuação da enfermagem frente ao comportamento suicida, com ênfase no cuidado em saúde mental, na rede de atenção à saúde e nas estratégias de posvenção às famílias sobreviventes.
Já os objetivos específicos, foram: Analisar estratégias de posvenção voltadas às famílias sobreviventes ao suicídio; Identificar as principais intervenções de enfermagem no cuidado a indivíduos em comportamento suicida; Descrever a atuação da enfermagem na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS); Evidenciar a importância do acolhimento e da escuta qualificada no cuidado em saúde mental; Discutir os desafios enfrentados pela enfermagem na prevenção do suicídio e na continuidade do cuidado.
Por fim, destaca-se que a promoção da saúde mental entre familiares e amigos em processo de luto e pessoas que tentaram ou estão em tentativa de suicídio. O enfrentamento do estigma, o fortalecimento do autocuidado e o reconhecimento institucional são elementos fundamentais para garantir não apenas a redução de casos de suicídio e garantir apoio e amparo para sofrimento mental e Posvencão.
2. METODOLOGIA
Foi realizada uma pesquisa de revisão integrativa, buscando estudos do tipo qualitativo exploratório e revisões de literatura, através de pesquisas em bases de dados como: Ministério da saúde, , Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS, SCIELO, relacionados ao tema deste estudo. Sendo a pesquisa realizada no período de 28 de maio de 2026 a 15 junho de 2026. Com resultados usando as terminologias cadastradas nos Descritores em Ciências da Saúde (DESC): Enfermagem; Comportamento suicida; Saúde mental; Rede de atenção; Posvenção.
Os critérios de inclusão utilizados no estudo foram: artigos com tema completo, idioma em português, com salto temporal de 10 anos, dado epidemiológicos. O corte temporal dos artigos selecionados foi do ano de 2016 ao ano de 2026, totalizando 10 anos de publicação. Além dos artigos científicos, foi incluído um documento oficial do Ministério da Saúde, publicado em 2017, por apresentar dados epidemiológicos nacionais sobre tentativas e óbitos por suicídio, contribuindo para a contextualização do problema como questão de saúde pública no Brasil. A inclusão desse documento permitiu complementar a análise dos estudos científicos com informações governamentais atualizadas sobre magnitude, distribuição e impacto do comportamento suicida na população brasileira.
Foram utilizados como critérios de exclusão artigos publicados antes de 2016, textos que não trazem: enfermagem correlacionada ao enfrentamento da família diante ao luto, tema central, estudos duplicados e em outros idiomas.
Após a busca dos artigos nas bases de dados com os descritores aplicados, seguiu-se as etapas de identificação, triagem e elegibilidade. Inicialmente foram identificados 150 estudos nas bases de dados consultadas, com aplicação do filtro idioma português foram selecionados 110 artigos para leitura. Destes, foram descartados 90 artigos por estarem fora do enfoque de atuação do enfermeiro no tema da pesquisa, corte temporal acima de uma década e textos duplicados. Após usar o filtro corte temporal de 10 anos, obtivemos 15 artigos científicos e 1 legislações para compor o estudo.
O total de documentos encontrados com os descritores citados foram apresentados nos quadros 1, 2 e 3, das fases da seleção dos artigos nas bases pesquisadas. Segue no quadro 1 o total de artigos selecionados seguindo descritor principal a terminologia associada e os critérios de inclusão conforme salto temporal do estudo.
Quadro 1. Total de artigos selecionados seguindo descritor principal a terminologia associada e os critérios de inclusão conforme salto temporal do estudo.
No quadro 2 segue o total de artigos selecionados nas bases.
Quadro 2. Cruzamento dos descritores nas bases e a seleção dos artigos.
Segue no fluxograma PRISMA 1 filtragem dos artigos a partir dos descritores nas bases consultadas.
Fluxograma PRISMA 1. Etapas de identificação, exclusão e inclusão dos artigos analisados na revisão.
Fonte: PRISMA 2020 flow diagram for new systematic reviews which included searches of databases and registers only, adaptado pelos autores (2026).
3. RESULTADOS
Para a descrição dos resultados, após a leitura prévia, os 15 estudos, estando incluso artigos, foram selecionados e categorizados, dando suporte a elaboração do quadro 3 com os títulos, autores, anos, revista de publicação e metodologia das obras.
Quadro 3. Características das publicações utilizadas neste estudo quanto: títulos, autores, ano, revista e a metodologia e o objetivo de cada usada nos estudos selecionados.
TÍTULO | AUTOR | ANO/ REVISTA | OBJETIVO | METODOLOGIA |
O fenômeno do suicídio entre os familiares sobreviventes: revisão integrativa | Nunes et al. | 2016 – Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental | Analisar o fenômeno do suicídio em familiares sobreviventes | Revisão integrativa |
A atuação do enfermeiro com a pessoa em situação de suicídio: análise reflexiva | Santos et al. | 2017 – Revista de Enfermagem UFPE on line | Analisar a atuação do enfermeiro no cuidado à pessoa em situação de suicídio | Estudo reflexivo |
Experiencing suicide in the family: from mourning to the quest for overcoming | Dutra et al. | 2018 – Revista Brasileira de Enfermagem | Compreender a experiência de familiares enlutados por suicídio | Estudo qualitativo |
O suicídio e a rede de atenção psicossocial em uma capital no sul do Brasil | Jorge et al. | 2019 Revista de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria | Analisar a organização da RAPS no cuidado ao suicídio | Estudo Qualitativo descritivo |
Atenção à pessoa com tentativa de suicídio em hospital geral: a voz de profissionais de enfermagem | Santos et al. | 2019 Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde | Compreender a assistência de enfermagem em tentativa de suicídio | Estudo qualitativo |
Prevenção e posvenção do suicídio: cuidados que os serviços de saúde oferecem aos enlutados | Betti | 2020 – Universidade de Santa Cruz do Sul | Analisar as ações de prevenção posvenção do suicídio ofertadas pelos serviços de saúde aos familiares enlutados. | Revisão bibliográfica |
Revisão integrativa da literatura sobre suicídio: repercussões nas famílias e atuação dos profissionais de saúde | Oliveira et al. | 2021 Boletim de Conjuntura (BOCA) | Analisar repercussões do suicídio nas famílias e atuação profissional | Revisão integrativa |
Sobreviventes enlutados por suicídio e as possibilidades para posvenção no contexto da saúde pública brasileira | Dantas et al. | 2022 Saúde e Sociedade | Discutir estratégias de posvenção para sobreviventes enlutados por suicídio no contexto da saúde pública. | Estudo teórico-reflexivo |
Acolhimento de pacientes com ideações suicidas | Andrade | 2022 Faculdade Pitágoras de Governador Valadares | Analisar a importância do acolhimento de pacientes com ideação suicida e o papel dos profissionais de saúde nesse processo. | Revisão bibliográfica |
Comportamento suicida e o luto de sobreviventes: um estudo documental | Kagesawa; Pegoraro | 2023 Revista de Psicologia da Universidade Federal do Ceará | Analisar o luto em sobreviventes de suicídio | Estudo documental |
Abordagem profissional e o comportamento suicida na Atenção Primária à Saúde | Negrão et al. | 2024 Acta Paulista de Enfermagem | Analisar atuação profissional na APS | Estudo qualitativo |
Prevenção ao suicídio na Atenção Primária, na percepção de profissionais de saúde | Pimenta et al. | 2024 Physis: Revista de Saúde Coletiva | Compreender percepção dos profissionais sobre prevenção | Estudo qualitativo |
Famílias sobreviventes: a experiência de perder um de seus membros por suicídio | Alfaro et al. | 2025 Revista Latino-Americana de Enfermagem | Compreender o impacto do suicídio nas famílias | Estudo qualitativo |
Atuação do enfermeiro na prevenção ao suicídio | Santos et al. | 2025 Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação REASE | Analisar atuação da enfermagem na prevenção do suicídio | Revisão integrativa |
Atuação da enfermagem na identificação do comportamento suicida na Atenção Primária à Saúde | Gois et al. | 2026 Revista Tópicos | Analisar identificação do comportamento suicida na APS | Revisão integrativa |
Fonte: Autores do estudo 2026
A análise das metodologias empregadas nos estudos selecionados demonstrou predominância dos estudos qualitativos, correspondendo a cinco publicações (33,3%). Em seguida, destacaram-se as revisões integrativas, com quatro estudos (26,7%). As revisões bibliográficas e os estudos reflexivos ou teórico-reflexivos apresentaram duas publicações cada (13,3%), enquanto os estudos documental e descritivo qualitativo corresponderam a uma publicação cada (6,7%). Esses resultados evidenciam que as pesquisas sobre suicídio e posvenção têm priorizado abordagens que possibilitam compreender as experiências, percepções e vivências dos indivíduos, familiares sobreviventes e profissionais de saúde, contribuindo para uma compreensão mais ampla e aprofundada do fenômeno suicida. Segue no gráfico 1 o percentual de cada metodologia das 15 bases de referências pra este estudo.
Gráfico 1. Porcentagem dos estudos em relação ao tipo de pesquisa.
A análise da distribuição dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidencia variação no número de publicações ao longo do período analisado (2016 a 2026). Observa-se que os anos de 2016, 2017, 2018, 2020, 2021, 2023 e 2026 apresentaram 1 estudo cada, enquanto os anos de 2019, 2022, 2025 apresentaram 2 estudos cada, e o ano de 2024 apresentou 2 estudos. Essa maior concentração em determinados anos, especialmente entre 2019, 2022 e 2025, pode estar relacionada ao aumento do interesse científico sobre o comportamento suicida e à ampliação das discussões sobre saúde mental na Atenção Primária e na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o que impulsionou a produção de estudos voltados à atuação da enfermagem, prevenção e posvenção. Em contrapartida, os anos com apenas uma publicação refletem a limitação de estudos diretamente relacionados ao recorte temático e aos critérios de inclusão adotados, como período, idioma e foco na atuação da enfermagem. No gráfico 2 segue a distribuição dos estudos quanto ao ano de publicação.
Gráfico 2. Distribuição dos estudos quanto ao ano de publicação
A análise das áreas temáticas dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidencia predominância de pesquisas relacionadas à enfermagem e à prática assistencial, bem como à posvenção e ao impacto do suicídio nas famílias sobreviventes, ambas com cinco estudos cada. Em seguida, destacam-se as produções voltadas à saúde mental e à Atenção Primária à Saúde, com quatro estudos, refletindo a importância desse nível de atenção na identificação precoce e no manejo do comportamento suicida.
As áreas relacionadas à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e às políticas públicas de saúde apresentam um estudo, evidenciando discussões sobre a organização dos serviços e a articulação da rede de cuidado. Por fim, estudos de natureza revisional e documental com dois trabalhos, demonstrando a presença de sínteses teóricas que contribuem para o aprofundamento do tema. Essa distribuição reforça o caráter multidisciplinar do fenômeno do suicídio e a centralidade da enfermagem na produção científica analisada. No Gráfico 3, observa-se a distribuição dos estudos incluídos nesta revisão integrativa segundo as áreas temáticas de produção científica.
Gráfico 3. Distribuição dos Estudos Segundo Áreas Temáticas.
4. DISCUSSÕES
A análise dos 15 estudos selecionados revelou quatro eixos centrais sobre a relação entre o suicídio e a percepção e cuidados em relaçao a Posvencão e o papel do enfermeiro: 4.1 Consequências do suicídio e o Papel da Posvenção no cuidado aos familiares; 4.2 Atuação da enfermagem por meio da SAE na prevenção do suicídio; 4.3 Papel da Enfermagem na Rede de Atenção Psicossocial no Cuidado ao Suicídio e as Famílias Enlutadas; 4.4 Integração dos resultados: Papel da enfermagem na prevenção, integração e posvenção do comportamento suicída.
4.1. Consequências do Suicídio e o Papel da Posvenção no Cuidado aos Familiares
Os achados desta revisão integrativa evidenciam que o suicídio constitui um fenômeno complexo e de grande impacto em saúde pública, cujas repercussões ultrapassam o ato em si, atingindo de forma significativa familiares e pessoas próximas, denominados sobreviventes enlutados, que acabam sendo ignorados pela sociedade ou invisibilizado sua dor, o tempo de luto pode ser de meses, anos , porém a lembrança é agir e irá vida inteira. A literatura analisada demonstra que o processo de luto decorrente dessa perda é marcado por intenso sofrimento psíquico, afetando não só o mental, como físico e social ,sentimentos de culpa de que algum modo poderia ter evitado, estigma social e dificuldades na elaboração da perda, o que torna essa experiência particularmente complexa e multifacetada (Nunes et al., 2016; Dutra et al., 2018; Alfaro et al., 2025).
Nesse contexto, a posvenção é apresentada como uma estratégia fundamental no cuidado em saúde mental, voltada ao suporte e acompanhamento dos familiares após o suicídio, com potencial de minimizar impactos emocionais e contribuir para a prevenção de novos agravos entre sobreviventes, encontrar alguém que teve a perda pelo suicídio é configurado como uma conversa entre entendimento e dor. Entretanto, os estudos evidenciam que essa prática ainda se encontra em processo de consolidação nos serviços de saúde, sendo frequentemente desenvolvida de forma fragmentada, com fragilidades na organização do cuidado e na continuidade da assistência (Betti, 2020; Dantas et al., 2022; Kagesawa; Pegoraro, 2023).
Além disso, os achados destacam o papel essencial da enfermagem no acolhimento, na escuta qualificada e no acompanhamento de indivíduos em sofrimento psíquico e de seus familiares, especialmente no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e da Atenção Primária à Saúde. Estudos apontam que a atuação do enfermeiro é central na identificação precoce de riscos, no manejo inicial do comportamento suicida e na continuidade do cuidado em saúde mental (Santos et al., 2017; Santos et al., 2019; Negrão et al., 2024; Pimenta et al., 2024).
Entretanto, também são evidenciadas fragilidades importantes, como limitações na capacitação profissional, dificuldades de articulação entre os serviços e lacunas na integração da rede de atenção, o que compromete a efetividade das ações de prevenção e posvenção. Esses aspectos reforçam a necessidade de fortalecimento da formação dos profissionais e da organização dos fluxos assistenciais na rede de saúde (Oliveira et al., 2021; Jorge et al., 2019).
Dessa forma, observa-se que o cuidado aos sobreviventes do suicídio representa um importante desafio para a saúde pública, por se tornarem dados estatísticos de futuro potencial de agravamento na saúde mental ou novas vítimas, exigindo maior integração entre os serviços, qualificação das práticas assistenciais e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial. Nesse cenário, a enfermagem se consolida como eixo central do cuidado humanizado, contínuo e integral, contribuindo de forma decisiva para a prevenção de agravos e para o suporte às famílias enlutadas. Segue no quadro 4 os principais achados sobre o suicídio e a posvencão e a contribuição dos autores em seus estudos.
Quadro 4. Impactos do suicídios e a posvencão, com a contribuição dos achados nas obras dos autores e anos
Autor e ano | Principais achados na Posvencão (Após a perda por suicidio) | Contribuiçoes dos autores |
Nunes et al. (2016) | Luto intenso, sofrimento emocional e impacto em familiares sobreviventes | Evidencia impacto psicológico do suicídio na família |
Santos et al. (2017) | Papel do enfermeiro no acolhimento e cuidado em situações de suicídio | Reforça atuação da enfermagem no cuidado inicial |
Dutra et al. (2018) | Processo de luto marcado por dor e reconstrução da vida | Mostra complexidade do luto por suicídio |
Santos et al. (2019) | Assistência de enfermagem em tentativa de suicídio e fragilidades profissionais | Evidencia necessidade de qualificação profissional |
Jorge et al. (2019) | Organização da RAPS e articulação da rede de cuidado | Mostra fragilidades na rede de atenção |
Betti (2020) | Posvenção como cuidado ainda pouco estruturado | Evidencia lacunas na posvenção |
Oliveira et al. (2021) | Repercussões familiares e necessidade de atuação multiprofissional | Reforça impacto familiar e cuidado em rede |
Andrade (2022) | Importância do acolhimento em ideação suicida | Reforça cuidado humanizado inicial |
Dantas et al. (2022) | Posvenção no SUS e necessidade de fortalecimento da rede | Evidencia fragilidades da posvenção |
Kagesawa; Pegoraro (2023) | Luto complicado e sofrimento emocional prolongado | Mostra impacto psicológico duradouro |
Negrão et al. (2024) | Atuação profissional na APS e identificação de risco | Reforça papel da APS e enfermagem |
Pimenta et al. (2024) | Prevenção do suicídio na APS | Destaca importância da atenção primária |
Alfaro et al. (2025) | Experiência de famílias sobreviventes e sofrimento emocional | Reforça impacto familiar |
Santos et al. (2025) | Atuação da enfermagem na prevenção do suicídio | Consolida papel da enfermagem |
Gois et al. (2026) | Identificação precoce do comportamento suicida na APS | Reforça detecção precoce |
Fonte: Nunes et al. (2016); Santos et al.,(2017); Dutra et al. (2018); Santos et al. (2019); Jorge et al., (2019); Betti (2020); Oliveira et al. (2021); Andrade (2022); Dantas et al. (2022); Kagesawa; Pegoraro (2023); Pimenta et al. (2024); Negrão et al. (2024); Alfaro et al. (2025): Gois et al. (2026); Santos et al. (2025); adaptado pelos autores do estudo de (2026).
4.2. Atuação da Enfermagem por Meio da SAE na Prevenção do Suicídio
Santos et al. (2017), Pimenta et al. (2024) e Negrão et al. (2024) evidenciam que a enfermagem ocupa posição central na prevenção do comportamento suicida, especialmente na Atenção Primária à Saúde, onde o enfermeiro atua como primeiro ponto de contato do usuário com a rede de cuidado. Nesse contexto, destacam-se ações como o acolhimento, a escuta qualificada, a construção de vínculo terapêutico e a identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico e risco suicida, sendo fundamentais para intervenções oportunas e continuidade do cuidado.
Gois et al. (2026) reforçam que a atuação do enfermeiro na Atenção Primária é essencial para a vigilância contínua de indivíduos em situação de vulnerabilidade, permitindo o reconhecimento precoce de alterações comportamentais e a articulação com outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial. Complementarmente, Jorge et al. (2019) destacam que a integração entre Atenção Primária e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) é fundamental para garantir continuidade assistencial e evitar rupturas no acompanhamento dos usuários em sofrimento psíquico.
No âmbito da intervenção, Santos et al. (2019) e Andrade (2022) apontam que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma ferramenta essencial para organização do cuidado ao paciente em risco suicida, pois permite a estruturação das etapas do processo de enfermagem, incluindo avaliação, diagnóstico, planejamento e implementação de intervenções. Essa sistematização favorece a tomada de decisão clínica e contribui para a segurança do paciente em sofrimento psíquico, além de qualificar a assistência prestada.
Nos Centros de Atenção Psicossocial, Dantas et al. (2022) e Oliveira et al. (2021) destacam que a enfermagem desempenha papel fundamental no acompanhamento intensivo de usuários com histórico de tentativa de suicídio, participando da construção do Projeto Terapêutico Singular (PTS), do manejo de crises e da articulação com a rede de atenção. Entretanto, os autores apontam fragilidades na integração entre serviços e na continuidade do cuidado, o que compromete a efetividade das ações de saúde menta. (Brasil, 2017;
Betti (2020) e Kagesawa; Pegoraro (2023) evidenciam ainda que existem limitações importantes na prática assistencial, como sobrecarga de trabalho, insuficiência de capacitação profissional e ausência de protocolos estruturados para manejo do comportamento suicida, falta de conhecimento técnico e científico para conduzir pessoas e grupos enlutados, fatores que impactam diretamente a qualidade da assistência prestada pela enfermagem.
Dessa forma, Santos et al. (2025) e Negrão et al. (2024) reforçam que a enfermagem se consolida como eixo estruturante da prevenção ao suicídio na Rede de Atenção Psicossocial, sendo essencial o fortalecimento da formação profissional, da SAE e da articulação entre APS e CAPS para garantir um cuidado integral, contínuo e qualificado às pessoas em sofrimento psíquico, essa comunicação entre rede garante atendimento médico especializado, terapias contínuas, oficinas e dispensações de medicamentos gratuitas, fortalecendo o início do atendimento nas APS e fechando o tratamento contínuo nos CAPS. . Segue na tabela 5 a relação entre campo de atuação da enfermagem, aplicabilidade da SAE com a finalidade do cuidado conforme os autores listando-se.
Quadro 5 Campo de atuação e aplicabilidade da SAE e a finalidade do cuidado
Cenário de atuação | Ação da enfermagem (SAE / prática assistencial) | Finalidade do cuidado | Autores que sustentam |
Atenção Primária à Saúde (APS) | Acolhimento, escuta qualificada, identificação precoce de risco suicida e construção de vínculo | Prevenção do comportamento suicida e detecção precoce de sofrimento psíquico | Santos et al. (2017); Pimenta et al. (2024); Negrão et al. (2024); Gois et al. (2026) |
Atenção Primária à Saúde (APS) | Vigilância contínua de usuários em vulnerabilidade e encaminhamento na rede | Redução de agravos e continuidade do cuidado | Gois et al. (2026); Jorge et al. (2019) |
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) | Acompanhamento intensivo, manejo de crises e participação no Projeto Terapêutico Singular (PTS) | Estabilização clínica e cuidado psicossocial contínuo | Dantas et al. (2022); Oliveira et al. (2021); Santos et al. (2019) |
Intervenção de enfermagem (SAE) | Sistematização da Assistência de Enfermagem: coleta de dados, diagnóstico, planejamento e implementação de cuidados | Organização do cuidado e tomada de decisão clínica segura | Santos et al. (2019); Andrade (2022) |
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) | Articulação entre serviços, encaminhamento e comunicação entre níveis de atenção | Integralidade e continuidade do cuidado em saúde mental | Jorge et al. (2019); Oliveira et al. (2021) |
Limitações da prática | Sobrecarga, falta de capacitação e ausência de protocolos estruturados | Identificação de fragilidades no cuidado ao comportamento suicida | Betti (2020); Kagesawa; Pegoraro (2023) |
Fortalecimento da enfermagem | Ampliação da atuação preventiva e qualificação do cuidado em saúde mental | Redução de riscos e qualificação da assistência | Santos et al. (2025); Negrão et al. (2024) |
Fonte: Santos et al. (2017); Santos et al. (2019); Santos et al. (2025); Negrão et al. (2024); Pimenta et al. (2024); Jorge et al. (2019); Betti (2020); Oliveira et al. (2021); Dantas et al. (2022); Andrade (2022); Kagesawa; Pegoraro (2023); Gois et al. (2026).
4.3. Papel da Enfermagem na Rede de Atenção Psicossocial no Cuidado ao Suicídio e as Famílias Enlutadas
A atuação da enfermagem no cuidado à pessoa com comportamento suicida e às famílias enlutadas por suicídio ocorre de forma contínua e articulada nos diferentes pontos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nos serviços de urgência e emergência. (Brasil, 2017; Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel essencial na identificação precoce de riscos, no acolhimento inicial e na organização do cuidado, sendo frequentemente o primeiro profissional a estabelecer contato com o usuário em sofrimento psíquico (Santos et al., 2017; Negrão et al., 2024).
No atendimento ao paciente com comportamento suicida, a enfermagem atua na escuta qualificada, avaliação do risco de suicídio, identificação de fatores de vulnerabilidade e proteção, além da construção de vínculo terapêutico. Por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), o enfermeiro organiza o cuidado de forma estruturada, permitindo planejamento de intervenções, encaminhamentos adequados e acompanhamento longitudinal do paciente, especialmente na APS, onde ocorre o acompanhamento contínuo (Pimenta et al., 2024; Gois et al., 2026).
Nos CAPS, a atuação do enfermeiro se intensifica no manejo de crises, acompanhamento intensivo e articulação do Projeto Terapêutico Singular (PTS), em conjunto com a equipe multiprofissional. Esse espaço permite cuidado mais especializado e contínuo para usuários em sofrimento mental grave, incluindo aqueles com histórico de tentativa de suicídio, contribuindo para estabilização clínica e reinserção social (Jorge et al., 2019; Dantas et al., 2022).
No cuidado às famílias enlutadas por suicídio, um dos maiores problemas relatdosnendificil de ser tratado é quando um parente ou ente mais próximo encontra a vítima no seu ato de suicidio, as lacunas e feridas são irreparáveis e mais difícil de tratar , a enfermagem assume papel fundamental na posvenção, oferecendo acolhimento, escuta sensível e suporte emocional, tendo empatia e humanização em todo processo. Os estudos evidenciam que esses familiares apresentam elevado sofrimento psíquico, sentimentos de culpa, estigma social e risco aumentado de adoecimento mental, exigindo acompanhamento contínuo e humanizado por parte dos serviços de saúde (Nunes et al., 2016; Dutra et al., 2018; Alfaro et al., 2025).
Entretanto, a atuação da enfermagem enfrenta importantes obstáculos na rede de atenção. Entre eles, destacam-se a fragmentação da RAPS, falhas na comunicação entre os serviços, sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos humanos e, principalmente, lacunas na capacitação dos profissionais para o manejo adequado do comportamento suicida e o profissional não ser rivalizado, esse tipo de perda principalmente ao profissional da área vai gerando pesos e dores de cada perda. Esses fatores comprometem a continuidade do cuidado e dificultam a efetividade das ações de prevenção e posvenção (Oliveira et al., 2021; Betti, 2020; Kagesawa; Pegoraro, 2023).
Apesar dessas dificuldades, a enfermagem se destaca como eixo central do cuidado, devido à sua presença constante nos serviços, capacidade de vínculo com o usuário e atuação integrada com a família e a comunidade, atuação da enfermagem no cuidado ao comportamento suicida demonstra-se essencial em diferentes níveis de atenção à saúde, especialmente na Atenção Primária e nos serviços especializados de saúde mental. Assim, sua prática é essencial tanto na prevenção do suicídio quanto no suporte às famílias enlutadas, contribuindo para a integralidade da assistência e fortalecimento da rede de cuidado em saúde mental (Santos et al., 2019; Santos et al., 2025).
4.4. Integração dos Resultados: Papel da Enfermagem na Prevenção, Intervenção e Posvenção do Comportamento Suicida
Pimenta et al. (2024), Negrão et al. (2024), Santos et al. (2017) e Gois et al. (2026) evidenciam que a enfermagem ocupa posição central na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), atuando na identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico, na escuta qualificada e no reconhecimento de situações de risco para comportamento suicida. Os autores destacam que o vínculo estabelecido entre enfermeiro e usuário favorece a detecção antecipada de vulnerabilidades e possibilita intervenções oportunas.
Jorge et al. (2019) e Santos et al. (2019) reforçam que, na dimensão da intervenção, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) constitui instrumento essencial para organização do cuidado, permitindo a avaliação do risco suicida, o planejamento das ações de enfermagem e a tomada de decisão clínica em situações de crise. Nesse contexto, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são apontados como serviços estratégicos para o cuidado intensivo, acompanhamento contínuo e construção do Projeto Terapêutico Singular (PTS), fortalecendo a atuação interdisciplinar.
No campo da posvenção, Nunes et al. (2016), Dutra et al. (2018), Dantas et al. (2022) e Alfaro et al. (2025) demonstram que familiares enlutados por suicídio vivenciam intenso sofrimento emocional, caracterizado por culpa, estigma social, desorganização familiar e sofrimento psíquico prolongado. Os estudos evidenciam que, apesar da alta demanda emocional, o cuidado direcionado a esses familiares ainda se apresenta de forma fragilizada na rede de atenção, com lacunas importantes na continuidade da assistência.
Oliveira et al. (2021), Betti (2020) e Kagesawa; Pegoraro (2023) apontam que a efetividade da atenção ao comportamento suicida é impactada por desafios estruturais, como a fragmentação da rede, a sobrecarga de trabalho, a insuficiência de capacitação profissional e a ausência de protocolos consolidados para manejo do risco suicida. Esses fatores comprometem a integralidade do cuidado e dificultam a articulação entre os diferentes níveis de atenção.
Dessa forma, a integração dos achados demonstra que a enfermagem se configura como eixo estruturante da RAPS, atuando de forma contínua na prevenção, intervenção e posvenção do comportamento suicida. Sua atuação se destaca pela capacidade de articulação da rede, fortalecimento do vínculo com usuários e famílias e organização do cuidado por meio da SAE, contribuindo de forma decisiva para a qualificação da assistência em saúde mental e para a redução de agravos relacionados ao suicídio (Santos et al., 2017; Santos et al., 2019; Santos et al., 2025).
Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento das estratégias de prevenção, intervenção e posvenção, em consonância com as diretrizes nacionais para enfrentamento do suicídio estabelecidas pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2017).
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo permitiu compreender a atuação da enfermagem frente ao comportamento suicida e Posvencão, evidenciando seu papel central tanto na prevenção e no cuidado às pessoas que tentaram o ato quanto no suporte às famílias enlutadas pela perda por suicídio. Observa-se que a enfermagem se encontra na linha de frente do cuidado em saúde mental, sendo frequentemente o primeiro profissional a acolher, identificar sinais de sofrimento psíquico e intervir diante do risco, o que reforça sua relevância na Rede de Atenção Psicossocial.
No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), destacam-se como pontos fortes as ações de acolhimento, escuta qualificada, vínculo com o usuário e acompanhamento contínuo, que favorecem a identificação precoce do comportamento suicida e a construção de estratégias de prevenção. Já nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), evidencia-se a importância do cuidado intensivo, multiprofissional e contínuo, voltado à estabilização emocional, redução de riscos e reinserção social dos usuários em sofrimento psíquico. Esses dispositivos se mostram fundamentais para a organização do cuidado em saúde mental e para a continuidade da assistência. Em relação às famílias que vivenciam a perda por suicídio, a enfermagem exerce um papel essencial na posvenção, oferecendo acolhimento, suporte emocional e orientação, contribuindo para a redução do sofrimento, do estigma e do isolamento social, pois a dor do trauma nunca vai embora e com os nãos fica a lembrança da dor e pequenos lapsos de memória com os momentos antes do ato, antes de ser um familiar que viu alguém cometendo suicido, antes de chorar pra não ser a realidade, e questionar onde faltou a ajuda, onde teve as pontas soltas?o No entanto, os achados também revelam que essa dimensão do cuidado ainda é fragilizada na prática, exigindo maior estruturação dos serviços e capacitação profissional.
Além disso, este estudo evidencia um aspecto muitas vezes pouco discutido: o impacto emocional e a carga psíquica enfrentada pelos profissionais de enfermagem diante da perda de um paciente por suicídio. Trata-se de uma vivência que pode gerar sofrimento, sensação de impotência e desgaste emocional, reforçando a necessidade de espaços institucionais de apoio, educação permanente e cuidado com a saúde mental do próprio profissional.
Dessa forma, os objetivos propostos foram alcançados ao analisar a atuação da enfermagem no cuidado ao comportamento suicida, identificar sua importância na APS e CAPS, e compreender sua contribuição na posvenção junto às famílias enlutadas. Responde-se, assim, às questões norteadoras ao evidenciar que a enfermagem é um pilar essencial na rede de cuidado em saúde mental, atuando de forma estratégica na prevenção, intervenção e apoio ao luto, embora ainda enfrente desafios estruturais e emocionais importantes.
Conclui-se que fortalecer a formação dos profissionais, ampliar a capacitação contínua e garantir suporte institucional à equipe de enfermagem são medidas indispensáveis para qualificar a assistência, reduzir riscos e promover um cuidado mais humano, integral e sensível às complexas demandas relacionadas ao suicídio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu e mentor acadêmico. E-mail : [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. LATTES: http://lattes.cnpq.br/0216944003545870. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-5323-5851.
2 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. LATTES: https://lattes.cnpq.br/0210699237021107.
3 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lates: https://lattes.cnpq.br/0964562536084088. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-5324-279X.
4 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: http://orcid.org/0009-0000-2820-8258. LATTES: https://lattes.cnpq.br/5446734462481390.
5 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. LATTES: https://lattes.cnpq.br/5398248471700426. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-5439-3989.
6 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. LATTES: https://lattes.cnpq.br/6783781082113601. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-4841-4927.
7 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. LATTES: https://lattes.cnpq.br/7204590446577899. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-0484-3805.
8 Discente do curso de Enfermagem da faculdade do futuro de Manhuaçu. E-mail : [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
9 Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Faculdade do Futuro e UNIFACIG. Doutora pela Universidade Federaldo Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ), Pós graduação em Enfermagem Cardiológica pela Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ), Pós graduação em Estratégias Ativas e Aprendizagem Autêntica pelo UNIFACIG, Graduanda em Enfermagem em Oncologia pela Universidade Estácio de Sá. Graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0041-4409. Lattes: https://lattes.cnpq.br/6110543139845060.