CONTRIBUIÇÕES DO MÉTODO ABA PARA O DESENVOLVIMENTO ACADÊMICO DE ALUNOS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18409854


Mona Liza Silva Cruz1


RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar as contribuições do Método ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicada) para o desenvolvimento acadêmico de alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Fundamentado em pressupostos behavioristas, o método ABA utiliza estratégias baseadas em evidências científicas para promover a aquisição de habilidades acadêmicas, sociais e comportamentais, sendo amplamente utilizado no contexto educacional, especialmente com alunos que apresentam Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras necessidades educacionais específicas. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza bibliográfica, com abordagem qualitativa, a partir da análise de produções científicas nacionais e internacionais. Os resultados indicam que o método ABA contribui significativamente para a melhoria da atenção, da comunicação, da autonomia e do desempenho acadêmico, favorecendo a inclusão e o processo de ensino-aprendizagem nos anos iniciais.
Palavras-chave: Análise do Comportamento Aplicada. Método ABA. Ensino Fundamental. Inclusão Escolar. Aprendizagem.

ABSTRACT
This article aims to analyze the contributions of the ABA Method (Applied Behavior Analysis) to the academic development of students in the early years of Elementary Education. Grounded in behaviorist principles, the ABA method employs strategies based on scientific evidence to promote the acquisition of academic, social, and behavioral skills, and is widely used in educational settings, especially with students diagnosed with Autism Spectrum Disorder (ASD) and other specific educational needs. The study is characterized as a bibliographic research with a qualitative approach, based on the analysis of national and international scientific publications. The results indicate that the ABA method significantly contributes to improvements in attention, communication, autonomy, and academic performance, thereby fostering inclusion and enhancing the teaching-learning process in the early years of schooling.
Keywords: Applied Behavior Analysis. ABA Method. Elementary Education. School Inclusion. Learning.

Introdução

A diversidade presente nas salas de aula do Ensino Fundamental tem se intensificado nas últimas décadas em decorrência de avanços nas políticas públicas de inclusão, da ampliação do acesso à educação básica e do reconhecimento das múltiplas formas de aprender. Esse cenário impõe à escola o desafio de atender a um público cada vez mais heterogêneo, composto por alunos com diferentes ritmos, estilos de aprendizagem, contextos socioculturais e necessidades educacionais específicas. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, tais desafios tornam-se ainda mais relevantes, uma vez que essa etapa é decisiva para a consolidação das bases cognitivas, sociais, emocionais e acadêmicas que sustentarão todo o percurso escolar do estudante.

Diante dessa realidade, torna-se imprescindível que educadores e instituições de ensino busquem estratégias pedagógicas fundamentadas em evidências científicas, capazes de promover a aprendizagem significativa e o desenvolvimento integral dos alunos. Nesse contexto, metodologias estruturadas, sistemáticas e individualizadas têm ganhado destaque, entre elas o Método ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicada). Trata-se de uma abordagem científica amplamente estudada e reconhecida internacionalmente, que se baseia na análise do comportamento humano e na relação entre estímulos, respostas e consequências, com o objetivo de promover mudanças comportamentais socialmente relevantes.

O método ABA tem sido amplamente utilizado no atendimento educacional e clínico de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), apresentando resultados significativos no desenvolvimento da comunicação, da interação social, da autonomia e das habilidades acadêmicas. Entretanto, estudos recentes apontam que suas estratégias não se restringem a esse público, demonstrando eficácia também junto a estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem, transtornos de atenção, déficits comportamental ou mesmo dificuldades pontuais no processo de alfabetização e letramento. Assim, a ABA desponta como uma ferramenta pedagógica promissora para o contexto escolar inclusivo, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

No ambiente educacional, o método ABA possibilita a elaboração de intervenções pedagógicas individualizadas, baseadas na observação sistemática do comportamento e na definição clara de objetivos de aprendizagem. A fragmentação das tarefas em etapas menores, o uso de reforços positivos, o acompanhamento contínuo do desempenho e a tomada de decisões a partir de dados concretos contribuem para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficaz, previsível e acessível aos alunos. Além disso, tais estratégias favorecem o aumento do engajamento, da motivação e da participação ativa dos estudantes nas atividades escolares.

Considerando a crescente demanda por práticas pedagógicas inclusivas e eficazes, torna-se relevante investigar de que maneira o método ABA pode contribuir para o desenvolvimento acadêmico dos alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Nesse sentido, este artigo busca responder à seguinte questão norteadora: quais são as contribuições do Método ABA para o desenvolvimento acadêmico de alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental? A partir dessa problemática, pretende-se refletir sobre o potencial do ABA como suporte ao trabalho docente e como instrumento de promoção da equidade educacional.

O objetivo geral deste estudo consiste em analisar as contribuições do método ABA no processo de ensino-aprendizagem de alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos, busca-se: compreender os fundamentos teóricos que sustentam o método ABA; identificar suas principais estratégias de aplicação no contexto escolar; e discutir seus impactos no desempenho acadêmico, no comportamento e na inclusão escolar dos estudantes. Acredita-se que a ampliação do conhecimento sobre essa abordagem possa subsidiar práticas pedagógicas mais eficazes, colaborando para a construção de uma escola verdadeiramente inclusiva e comprometida com o sucesso educacional de todos os alunos.

O Método ABA: Conceitos e Princípios

A Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA) constitui-se como um campo científico derivado do behaviorismo radical, fundamentado principalmente nos estudos de B. F. Skinner. Essa abordagem dedica-se à investigação sistemática da relação funcional entre o comportamento humano e o ambiente, compreendendo o comportamento como resultado da interação entre estímulos antecedentes, respostas emitidas e consequências produzidas. No contexto educacional, a ABA busca compreender como tais relações influenciam o processo de aprendizagem, possibilitando a elaboração de intervenções planejadas e baseadas em evidências empíricas.

Segundo Skinner (1953), o comportamento pode ser modificado a partir do controle das contingências ambientais, especialmente por meio do reforço. A ABA apropria-se desse pressuposto ao utilizar procedimentos sistemáticos de observação, mensuração e análise do comportamento, com o objetivo de promover mudanças socialmente significativas. Tais mudanças não se restringem apenas à redução de comportamentos inadequados, mas abrangem, sobretudo, o ensino de novas habilidades acadêmicas, sociais e funcionais, consideradas essenciais para o desenvolvimento do aluno no ambiente escolar.

De acordo com Baer, Wolf e Risley (1968), a ABA apresenta características fundamentais que a definem como uma ciência aplicada: é aplicada, por tratar de comportamentos socialmente relevantes; comportamental, ao focar em comportamentos observáveis e mensuráveis; analítica, ao demonstrar relações funcionais entre intervenção e mudança comportamental; tecnológica, por descrever claramente os procedimentos utilizados; conceitualmente sistemática, ao manter coerência com os princípios do behaviorismo; eficaz, ao produzir resultados significativos; e generalizável, ao permitir que os comportamentos aprendidos sejam mantidos e transferidos para diferentes contextos.

Entre os princípios fundamentais do método ABA destaca-se o reforço positivo, considerado um dos pilares da aprendizagem. O reforço positivo consiste na apresentação de um estímulo agradável imediatamente após a emissão de um comportamento desejado, aumentando a probabilidade de sua ocorrência futura. No contexto pedagógico, o reforço pode assumir diferentes formas, como elogios, feedbacks verbais, atividades preferidas ou recompensas simbólicas, desde que sejam significativas para o aluno. Para Libâneo (2013), estratégias de reforço bem planejadas contribuem para a motivação e o engajamento dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem.

Outro princípio relevante é a modelagem, que consiste no ensino gradual de novos comportamentos a partir do reforço de aproximações sucessivas da resposta desejada. Essa estratégia mostra-se especialmente eficaz nos anos iniciais do Ensino Fundamental, quando muitas habilidades acadêmicas, como a escrita, a leitura e a resolução de problemas matemáticos, ainda estão em fase de aquisição. A repetição sistemática, aliada à modelagem, possibilita a consolidação das aprendizagens, respeitando o ritmo individual de cada aluno.

O ensino por tentativas discretas (Discrete Trial Training – DTT) também ocupa lugar central no método ABA. Essa estratégia caracteriza-se pela apresentação estruturada de instruções claras, seguidas da resposta do aluno e da consequente aplicação de reforço ou correção. Tal organização favorece a previsibilidade do ambiente de aprendizagem, aspecto fundamental para alunos que apresentam dificuldades de atenção, organização ou autorregulação. Segundo Cooper, Heron e Heward (2020), o DTT permite o ensino eficiente de habilidades acadêmicas complexas ao fragmentá-las em unidades menores e manejáveis.

A análise funcional do comportamento constitui outro princípio essencial da ABA, pois busca identificar a função que determinado comportamento exerce para o indivíduo, seja para obter atenção, escapar de demandas, acessar estímulos agradáveis ou evitar situações aversivas. Compreender a função do comportamento possibilita ao educador planejar intervenções pedagógicas mais eficazes, substituindo comportamentos inadequados por respostas socialmente apropriadas. Essa perspectiva dialoga com concepções pedagógicas contemporâneas que defendem a compreensão do aluno em sua totalidade, considerando aspectos emocionais, cognitivos e sociais (Vygotsky, 1991).

No campo educacional, a aplicação dos princípios da ABA deve ocorrer de forma ética, contextualizada e integrada às práticas pedagógicas. Não se trata de um método mecanicista, mas de uma abordagem que valoriza o planejamento, a avaliação contínua e a tomada de decisões baseada em dados. Para Zabala (1998), práticas pedagógicas eficazes são aquelas que consideram a diversidade dos alunos e utilizam estratégias diferenciadas para garantir a aprendizagem de todos. Nesse sentido, o método ABA apresenta-se como um importante aliado do trabalho docente, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, ao oferecer ferramentas que favorecem a aprendizagem significativa, a inclusão escolar e o desenvolvimento integral dos estudantes.

O Método ABA no Contexto Educacional

No contexto educacional, o Método ABA tem sido amplamente utilizado como uma abordagem eficaz para o desenvolvimento de habilidades acadêmicas, sociais e comportamentais, especialmente em ambientes escolares inclusivos. Sua aplicação fundamenta-se na ideia de que a aprendizagem ocorre de maneira mais eficiente quando o ensino é estruturado, sistemático e baseado na análise contínua do desempenho do aluno. Dessa forma, o ABA contribui para o planejamento pedagógico ao oferecer estratégias que auxiliam o professor a identificar dificuldades, estabelecer objetivos claros e monitorar o progresso dos estudantes.

No ambiente escolar, o método ABA é empregado no ensino de habilidades acadêmicas essenciais, como leitura, escrita, matemática e resolução de problemas. Essas habilidades são trabalhadas a partir da fragmentação dos conteúdos em unidades menores, permitindo que o aluno avance gradualmente e de acordo com seu ritmo de aprendizagem. Segundo Cooper, Heron e Heward (2020), essa organização do ensino favorece a compreensão dos conteúdos e reduz a ocorrência de erros, aumentando as chances de sucesso acadêmico. Além disso, o uso de feedbacks imediatos e reforços positivos contribui para a manutenção do comportamento de aprendizagem.

Para além do desenvolvimento acadêmico, o ABA também atua de forma significativa no ensino de habilidades sociais, comunicação funcional e autorregulação emocional. Tais habilidades são fundamentais para a adaptação do aluno ao ambiente escolar, para a convivência com colegas e professores e para a participação ativa nas atividades propostas. De acordo com Del Prette e Del Prette (2017), o desenvolvimento de habilidades sociais no contexto escolar está diretamente relacionado ao sucesso acadêmico e à redução de comportamentos inadequados, o que reforça a relevância do método ABA como suporte às práticas pedagógicas.

A aplicação do método ABA no contexto educacional ocorre, prioritariamente, por meio de planos de ensino individualizados, elaborados a partir da avaliação do repertório comportamental e acadêmico do aluno. Esses planos consideram o nível de desenvolvimento, o ritmo de aprendizagem e as necessidades específicas de cada estudante, respeitando o princípio da equidade educacional. Tal perspectiva dialoga com as diretrizes da educação inclusiva, que defendem a adaptação das práticas pedagógicas para garantir o direito à aprendizagem de todos os alunos (BRASIL, 2008).

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o método ABA mostra-se especialmente relevante, uma vez que essa etapa constitui a base do processo educacional. É nesse período que se consolidam habilidades fundamentais, como atenção, memória, linguagem, coordenação motora e habilidades pré-acadêmicas, essenciais para aprendizagens mais complexas ao longo da escolarização. A utilização do ABA nesse nível de ensino possibilita a intervenção precoce, prevenindo o agravamento de dificuldades de aprendizagem e favorecendo o desenvolvimento global do aluno.

A clareza dos objetivos educacionais é um dos aspectos centrais do método ABA no contexto escolar. Cada objetivo é definido de forma específica, mensurável e observável, o que facilita o acompanhamento do progresso do aluno e a tomada de decisões pedagógicas. Para Libâneo (2013), a definição clara de objetivos constitui um elemento fundamental do planejamento didático, pois orienta a ação docente e contribui para a eficácia do processo de ensino-aprendizagem.

Outro elemento relevante é a divisão das tarefas em etapas menores e progressivas, estratégia que possibilita ao aluno vivenciar experiências de sucesso ao longo do processo de aprendizagem. Essa prática reduz a frustração, aumenta a autoconfiança e estimula a permanência do estudante nas atividades propostas. O uso sistemático do reforço positivo, por sua vez, fortalece comportamentos de engajamento, participação e persistência diante dos desafios acadêmicos. Conforme Skinner (1953), o reforço desempenha papel central na aquisição e manutenção de novos comportamentos.

Além disso, o método ABA contribui para a organização do ambiente escolar, tornando-o mais previsível e estruturado, o que favorece especialmente alunos que apresentam dificuldades de atenção, comportamento ou autorregulação. A previsibilidade das rotinas, a clareza das instruções e o acompanhamento constante do desempenho promovem um ambiente de aprendizagem mais seguro e acolhedor. Sob essa perspectiva, o ABA aproxima-se de concepções pedagógicas que valorizam a mediação do professor e a organização intencional das situações de ensino, conforme defendido por Vygotsky (1991).

Dessa forma, o Método ABA, quando aplicado de maneira ética e integrada ao currículo escolar, configura-se como uma importante ferramenta pedagógica nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ao favorecer a aprendizagem significativa, o desenvolvimento de habilidades acadêmicas e sociais e a inclusão escolar, o ABA contribui para a construção de práticas educativas mais eficazes e comprometidas com o sucesso de todos os alunos.

Inclusão Escolar e ABA

A perspectiva da educação inclusiva fundamenta-se no princípio de que todos os alunos, independentemente de suas características, condições ou necessidades educacionais específicas, têm direito à aprendizagem em ambientes escolares regulares. Essa concepção está alinhada a documentos nacionais e internacionais que defendem a equidade educacional, a valorização da diversidade e a eliminação de barreiras que dificultam o acesso, a permanência e o sucesso escolar dos estudantes. No Brasil, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) reforça a necessidade de práticas pedagógicas que garantam a participação plena dos alunos no ensino comum.

Nesse contexto, o Método ABA apresenta-se como uma ferramenta eficaz para promover a inclusão escolar, uma vez que se baseia em intervenções planejadas, individualizadas e sustentadas por dados e evidências científicas. Diferentemente de práticas pedagógicas genéricas, o ABA permite a adaptação do ensino às necessidades específicas de cada aluno, respeitando seu ritmo de aprendizagem e suas particularidades comportamentais, cognitivas e emocionais. Tal abordagem contribui para a superação de modelos excludentes e homogêneos de ensino, favorecendo práticas pedagógicas mais equitativas.

A aplicação do ABA no contexto inclusivo possibilita a identificação precisa das barreiras que dificultam a aprendizagem e a participação do aluno no ambiente escolar. Por meio da análise funcional do comportamento, é possível compreender as funções dos comportamentos inadequados e planejar intervenções que promovam respostas mais adequadas e socialmente aceitáveis. Segundo Mantoan (2015), a inclusão escolar exige mudanças nas práticas pedagógicas e na organização da escola, de modo a atender à diversidade dos alunos, e não a adaptação do aluno a um modelo rígido de ensino.

Ao favorecer a redução de comportamentos inadequados e o desenvolvimento de habilidades funcionais, o método ABA contribui diretamente para a participação ativa do aluno nas atividades escolares. Habilidades como seguir instruções, esperar a vez, comunicar necessidades, resolver conflitos e manter a atenção são fundamentais para o convívio em sala de aula e podem ser sistematicamente ensinadas por meio de estratégias da ABA. Para Del Prette e Del Prette (2017), o desenvolvimento dessas habilidades sociais é essencial para o sucesso acadêmico e para a construção de relações interpessoais saudáveis no ambiente escolar.

Outro aspecto relevante da relação entre ABA e inclusão escolar refere-se ao fortalecimento da autonomia do aluno. A partir do ensino gradual e estruturado, o estudante é incentivado a realizar atividades de forma cada vez mais independente, reduzindo a necessidade de ajuda constante e ampliando sua autoconfiança. Essa autonomia favorece não apenas o desempenho acadêmico, mas também a interação com colegas e professores, promovendo o sentimento de pertencimento ao grupo. Vygotsky (1991) destaca que a aprendizagem ocorre por meio da interação social, sendo o ambiente escolar um espaço privilegiado para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores.

Além disso, o método ABA contribui para o trabalho colaborativo entre professores, profissionais de apoio e família, aspecto fundamental para a efetivação da inclusão escolar. O acompanhamento sistemático dos dados de desempenho do aluno permite ajustes contínuos nas estratégias pedagógicas, garantindo intervenções mais eficazes e alinhadas às necessidades reais do estudante. Essa prática dialoga com concepções pedagógicas que defendem a corresponsabilidade de todos os envolvidos no processo educativo.

Dessa forma, o Método ABA, quando aplicado de maneira ética, contextualizada e integrada ao currículo escolar, configura-se como um importante aliado da educação inclusiva. Ao promover a aprendizagem, a autonomia e a participação ativa dos alunos, o ABA contribui para a construção de uma escola mais justa, democrática e comprometida com o direito de todos à educação de qualidade.

O Papel Do Professor e Da Escola Na Implementação Do Método ABA

A efetiva implementação do Método ABA no contexto educacional depende, de maneira significativa, do papel desempenhado pelo professor e da organização institucional da escola. Embora o ABA seja frequentemente associado a intervenções clínicas, sua aplicação no ambiente escolar requer adaptações pedagógicas, formação docente e uma atuação colaborativa entre os diferentes profissionais envolvidos no processo educativo. Dessa forma, o professor assume papel central como mediador da aprendizagem, responsável por planejar, executar e avaliar estratégias baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada.

O professor que utiliza o método ABA em sala de aula precisa, inicialmente, compreender os fundamentos teóricos que sustentam essa abordagem, bem como seus princípios e procedimentos básicos. A formação continuada torna-se, nesse sentido, um elemento indispensável para a prática pedagógica inclusiva. Segundo Perrenoud (2000), o desenvolvimento de competências docentes está diretamente relacionado à capacidade do professor de refletir sobre sua prática e de incorporar novas metodologias que atendam às necessidades dos alunos. Assim, o conhecimento sobre o ABA possibilita ao educador ampliar seu repertório de estratégias pedagógicas, favorecendo intervenções mais eficazes.

No âmbito da sala de aula, o professor atua na elaboração de planos de ensino estruturados, com objetivos claros, mensuráveis e adequados ao nível de desenvolvimento do aluno. A utilização de registros sistemáticos para acompanhar o desempenho acadêmico e comportamental permite a tomada de decisões pedagógicas baseadas em dados concretos, princípio fundamental do método ABA. De acordo com Cooper, Heron e Heward (2020), o uso de dados na educação contribui para a avaliação contínua das intervenções, possibilitando ajustes que potencializam a aprendizagem.

A escola, enquanto instituição, também desempenha papel essencial na implementação do método ABA. É responsabilidade da gestão escolar promover um ambiente favorável à inclusão, garantindo recursos humanos, materiais e organizacionais que viabilizem práticas pedagógicas diferenciadas. A criação de rotinas estruturadas, a organização dos espaços físicos e a definição clara de regras e expectativas comportamentais contribuem para um ambiente mais previsível e seguro, aspecto valorizado pela ABA e por abordagens pedagógicas que defendem a intencionalidade do ensino (LIBÂNEO, 2013).

Outro aspecto relevante refere-se ao trabalho colaborativo entre professores regentes, professores do atendimento educacional especializado, profissionais de apoio, psicólogos, terapeutas e familiares. O método ABA enfatiza a importância da generalização das habilidades aprendidas, o que exige coerência entre as práticas adotadas nos diferentes contextos em que o aluno está inserido. Para Mantoan (2015), a inclusão escolar efetiva pressupõe a corresponsabilidade de todos os atores envolvidos no processo educativo, superando práticas isoladas e fragmentadas.

Além disso, a aplicação do ABA no contexto escolar deve ocorrer de forma ética e contextualizada, respeitando a singularidade de cada aluno e evitando práticas mecanicistas ou descontextualizadas. O método não deve ser compreendido como um conjunto rígido de técnicas, mas como uma abordagem flexível, que se adapta às demandas do currículo escolar e às interações sociais próprias do ambiente educativo. Zabala (1998) destaca que práticas pedagógicas eficazes são aquelas que articulam métodos, conteúdos e objetivos de forma coerente com a realidade dos alunos.

Ao promover a formação docente, o planejamento colaborativo e a utilização de estratégias baseadas em evidências, a escola fortalece seu compromisso com a educação inclusiva e com a aprendizagem de qualidade. Nesse sentido, o Método ABA configura-se como um importante recurso pedagógico, desde que integrado ao projeto político-pedagógico da instituição e alinhado aos princípios da inclusão, da equidade e do respeito à diversidade. Assim, o papel do professor e da escola revela-se fundamental para que as contribuições do ABA se concretizem no desenvolvimento acadêmico e social dos alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Conclusão

O presente estudo teve como objetivo analisar as contribuições do Método ABA para o desenvolvimento acadêmico de alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a partir de uma pesquisa de natureza bibliográfica e abordagem qualitativa. Ao longo da investigação, foi possível compreender que a Análise do Comportamento Aplicada se configura como uma abordagem pedagógica consistente, fundamentada em evidências científicas, capaz de favorecer o processo de ensino-aprendizagem em contextos educacionais inclusivos.

Os resultados da análise teórica indicam que o método ABA contribui de maneira significativa para o desenvolvimento de habilidades acadêmicas, comportamentais e sociais, especialmente nos anos iniciais da escolarização, fase crucial para a consolidação das bases cognitivas e educacionais dos alunos. Estratégias como o reforço positivo, a fragmentação das tarefas, a definição clara de objetivos e o acompanhamento sistemático do desempenho demonstram potencial para aumentar o engajamento, a motivação, a autonomia e o rendimento escolar dos estudantes.

Evidenciou-se, ainda, que o método ABA não se restringe ao atendimento de alunos com Transtorno do Espectro Autista, embora apresente reconhecida eficácia nesse público, podendo ser aplicado também a estudantes com dificuldades de aprendizagem, transtornos de atenção ou defasagens no processo de alfabetização. Dessa forma, o ABA amplia as possibilidades de intervenção pedagógica no ensino regular, contribuindo para práticas mais equitativas e alinhadas aos princípios da educação inclusiva.

No que se refere à inclusão escolar, constatou-se que o Método ABA favorece a participação ativa dos alunos no contexto da sala de aula, ao promover o desenvolvimento de habilidades funcionais, sociais e acadêmicas essenciais para o convívio escolar. A análise funcional do comportamento e a individualização do ensino permitem compreender as necessidades específicas de cada aluno, superando práticas homogêneas e excludentes. Nesse sentido, o ABA mostra-se compatível com as diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, ao priorizar a aprendizagem e o desenvolvimento de todos os estudantes.

Destaca-se, também, o papel fundamental do professor e da escola na implementação do método ABA no contexto educacional. A formação docente, o planejamento pedagógico estruturado, o trabalho colaborativo entre os profissionais da educação e a integração das estratégias ao projeto político-pedagógico da instituição são fatores determinantes para a eficácia das intervenções. Ressalta-se que a aplicação do ABA deve ocorrer de forma ética, contextualizada e flexível, evitando práticas mecanicistas e respeitando a singularidade dos alunos.

Como limitações do estudo, aponta-se a natureza exclusivamente bibliográfica da pesquisa, o que impossibilita a análise empírica dos impactos do método ABA em contextos escolares específicos. Dessa forma, sugere-se a realização de pesquisas de campo, estudos de caso e investigações com abordagem quantitativa ou mista, que possam aprofundar a compreensão sobre a aplicação do ABA no cotidiano das escolas públicas e privadas.

Conclui-se que o Método ABA representa uma importante ferramenta pedagógica para os anos iniciais do Ensino Fundamental, ao contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico, a promoção da inclusão escolar e o fortalecimento de práticas educativas baseadas em evidências. Ao ser integrado de maneira consciente e planejada ao contexto escolar, o ABA pode colaborar para a construção de uma educação mais justa, inclusiva e comprometida com o direito de todos à aprendizagem de qualidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Doutoranda em Ciências da Educação. Instituição: Christian Business School. Endereço: 40 rue Alexandre Dumas, Paris (Arrondissement de Paris) E-mail: [email protected]