CONTRIBUIÇÕES DA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA: EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES ADQUIRIDAS PELA PRECEPTORA E RESIDENTES PEDAGÓGICOS DE QUÍMICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

CONTRIBUTIONS OF THE TEACHING RESIDENCY PROGRAM: EXPERIENCES AND REFLECTIONS ACQUIRED BY THE PRECEPTOR AND TEACHING RESIDENTS IN CHEMISTRY AT THE FEDERAL UNIVERSITY OF AMAZONAS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778991626

RESUMO
A Residência Pedagógica é um programa institucional com bolsas de iniciação à docência que visa incentivar o aperfeiçoamento e a preparação dos futuros docentes da educação básica, nos cursos de licenciaturas, possibilitando aos residentes a participação na vivência escolar de forma colaborativa para sua formação e construção da identidade profissional docente durante o período do curso de Licenciatura. Nesse contexto, as práticas pedagógicas desenvolvidas pelos residentes buscaram o aprimoramento do aluno em sala de aula, a correlação entre a prática com a teoria, visto que, as práticas mais eficientes no Ensino Médio são aquelas que levam em conta a realidade e as necessidades dos alunos, com o intuito de tornar o processo de ensino e aprendizagem significativos. Dessa forma, este trabalho teve como objetivo relatar as experiências vivenciadas pela professora/preceptora e residentes pedagógicos durante o Programa de Residência Pedagógica na área de Química da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), realizada na Escola Estadual de Ensino Médio Governador Plínio Ramos Coelho-GM3, localizada no município de Humaitá/AM. A metodologia teve uma abordagem qualitativa e descritiva, do tipo relato de experiência. Utilizou-se como instrumento a observação participante. Os dados foram analisados através dos relatos de experiências durante o Programa da Residência Pedagógica, levando em consideração à prática pedagógica ocorrida em sala de aula, as contribuições da residência pedagógica para o ambiente escolar, dos quais enfatizamos o acompanhamento da confecção de atividades pedagógicas e a liberdade para o protagonismo dos residentes em sua formação acadêmica. Portanto, concluímos que o programa de Residência Pedagógica é uma ferramenta educativa primordial à valorização das experiências dos residentes, assim como, uma prática significativa à aprendizagem dos alunos da escola em questão. 
Palavras-chave: Residência Pedagógica; Ensino de Química e Reflexões na Formação Docente.

ABSTRACT
The Pedagogical Residency is an institutional program with teaching initiation scholarships that aims to encourage the improvement and preparation of future basic education teachers in undergraduate courses, enabling residents to participate collaboratively in the school experience for their training and construction of their professional teaching identity during the undergraduate course. In this context, the pedagogical practices developed by the residents sought to improve the student in the classroom, correlating practice with theory, since the most efficient practices in secondary education are those that take into account the reality and needs of the students, with the aim of making the teaching and learning process meaningful. Thus, this work aimed to report the experiences lived by the teacher/preceptor and pedagogical residents during the Pedagogical Residency Program in the area of ​​Chemistry at the Federal University of Amazonas (UFAM), carried out at the Governador Plínio Ramos Coelho State High School-GM3, located in the municipality of Humaitá/AM. The methodology employed a qualitative and descriptive approach, in the form of an experience report. Participant observation was used as the instrument. The data were analyzed through experience reports during the Pedagogical Residency Program, taking into account the pedagogical practice that occurred in the classroom, the contributions of the pedagogical residency to the school environment, and the emphasis on monitoring the creation of pedagogical activities and the freedom for the residents to take a leading role in their academic training. Therefore, we conclude that the Pedagogical Residency program is a fundamental educational tool for valuing the experiences of the residents, as well as a significant practice for the learning of the students at the school in question.
Keywords: Pedagogical Residency; Chemistry Teaching; Reflections on Teacher Training.

INTRODUÇÃO

O Programa de Residência Pedagógica (PRP) é um projeto institucional desenvolvido pela CAPES que visa incentivar o aperfeiçoamento e a preparação dos futuros docentes da educação básica nos cursos de licenciaturas. Assim, possibilitando aos residentes pedagógicos a participação na vivência escolar de forma a colaborar na formação e construção da identidade profissional docente durante o curso de formação inicial da licenciatura.

A prática docente desempenha um papel fundamental na formação de professores, pois é através dela que os futuros educadores têm a oportunidade de vivenciar, desenvolver habilidades pedagógicas e refletir sobre as complexidades do ensino e da aprendizagem, e a residência pedagógica busca aproximar a teoria e prática da universidade na vivência das escolas do ensino básico, a fim de contribuir na sua formação profissional e o aprimoramento quanto futuro professor ainda durante a graduação. Na visão de Tardif (2002), a prática cotidiana do professor dá origem a sua experiência do saber. Esta prática vai além da transmissão de conhecimento, envolve a construção de relações significativas com os alunos, a adaptação de estratégias pedagógicas às necessidades individuais e coletivas dos estudantes, e a constante busca por aprimoramento profissional.

Segundo Paulo Freire (1996, p. 27), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”, a reflexão do ensino transmitido através das práticas docentes é uma parte fundamental na formação de professores, pois possibilita analisar os desafios e buscar soluções criativas para a construção de conhecimento do aluno.

Diante desse contexto, este trabalho tem como objetivo relatar as experiências vivenciadas pela professora/preceptora e as práticas dos residentes durante o Programa de Residência Pedagógica na área de Química da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), realizada na Escola Estadual de Ensino Médio Governador Plínio Ramos Coelho-GM3, localizada no município de Humaitá/AM. Através de uma abordagem qualitativa, buscamos explorar e analisar as atividades desenvolvidas durante a RP, compreendendo os desafios, as estratégias e as reflexões da professora/preceptora no exercício de sua função, bem como os impactos dessas experiências na formação e no desenvolvimento profissional dos residentes.

Ao investigar as atividades desenvolvidas, almejamos não apenas identificar as práticas pedagógicas que contribuíram para o ensino-aprendizagem dos alunos, mas também problematizar questões pertinentes ao contexto educacional contemporâneo, tais como articulações entre teoria e prática, a valorização da experimentação, das interdisciplinaridades, e a promoção da inclusão e da diversidade no ensino de Química.

Por meio desta pesquisa, esperamos contribuir para o aprimoramento contínuo do Programa de Residência Pedagógica de Química, colaborar na concepção de políticas públicas e práticas educacionais mais eficazes e contextualizadas, que atendam às demandas e aos desafios da formação de professores do século XXI.

METODOLOGIA

O presente trabalho trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, do tipo relato de experiência, com a finalidade de estabelecer a consolidação das práticas pedagógicas e a aprendizagem científica dos alunos através dos conhecimentos teóricos e práticos trazidos pela professora/preceptora e residentes durante a RP de Química, bem como o aperfeiçoamento da formação profissional dos residentes e suas contribuições no âmbito escolar. Os instrumentos e as técnicas de coleta de dados foram através da observação participante embasado nas experiências vivenciadas pela professora/preceptora, e nas atividades desenvolvidas pelos residentes pedagógicos. Bogdan e Taylon (1975) ressalta que “a observação participante como uma investigação caracterizada por interações sociais intensas, entre investigador e sujeitos, no meio destes, sendo um procedimento durante o qual os dados são recolhidos de forma sistematizada”. Assim, permitindo o pesquisador vivenciar e interagir de forma a colaborar no recolhimento dos resultados da pesquisa.

O Programa de Residência Pedagógica ocorreu com os acadêmicos do Curso Licenciatura em Ciências: Biologia e Química da Universidade Federal do Amazonas -UFAM, sendo aplicado na Escola Estadual Governador Plínio Ramos Coelho – GM3, no município de Humaitá. Devido o curso possibilitar uma dupla graduação, a divisão da RP se deu na inscrição por área afim cadastrada pelos acadêmicos, totalizando 6 residentes que participaram na área de Química nesta escola campo.

As atividades realizadas durante toda a RP foram divididas em 3 módulos, sendo orientados pela coordenadora do Curso de Química. No módulo I foram desenvolvidos o Momento de Formação, na qual foi realizado a apresentação do programa e as formalidades sobre as práticas pedagógicas pelos coordenadores da UFAM, a Ambientação e conhecimento da escola seguidas pelas reuniões periódicas realizadas pela preceptora, assim contribuindo para a caracterização da escola, análise do Projeto Político Pedagógico (PPP). Também foi abordado as mudanças do Novo Ensino Médio (NEM), discussão sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a Proposta Curricular Pedagógica de Química para o Ensino Médio (PCP) e sobre o Referencial Curricular Amazonense do Ensino Médio (RCA), o Livro Didático e por fim, a socialização escolar através de participação nas atividades escolares, experimentos e observação das aulas da preceptora para acompanhamento do conteúdo.

No módulo II, ocorreram planejamento de aula, preparação de materiais (quiz, metodologias ativas, experimentos) e regência em sala alicerçadas no objeto de conhecimento, nas competências e habilidades da BNCC, essas atividades serviram de aprofundamento da formação profissional docente e do âmbito escolar, houve também participação em atividades da escola e levantamento de dados pedagógicos solicitados pela gestão da escola. Já no módulo III, foi realizado a aplicação do Projeto de Ensino “Química Forense no Ensino Médio”, e participação na Feira “Eu Cientista!”.

Durante o período da residência pedagógica, os módulos foram conduzidos de forma a garantir uma orientação consistente e contínua aos residentes, visando contribuir significativamente para o desenvolvimento de suas competências profissionais. Essas orientações foram realizadas em colaboração estreita entre a coordenadora do curso e a preceptora, que trabalharam em conjunto para garantir a qualidade do programa. Além disso, alguns dos resultados obtidos foram apresentados no II Simpósio das Licenciaturas: Uma abordagem sobre os Estágios e Residência Pedagógica de Biologia e Química/UFAM e Feira de Ciências da escola.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os primeiros encontros da RP permitiram um elo entre coordenadores, preceptores e residentes, a qual foi fundamental para nortear as ações a serem desenvolvidas durante o programa da RP. Através das reuniões com a preceptora escolar no módulo I, os residentes pedagógicos tiveram acesso ao calendário escolar disponibilizado pela SEDUC e no retroprojetor realizado a leitura do Projeto Político Pedagógico (PPP), onde abordamos sobre o Histórico, aspecto físico, metodologias para planejamento, recursos didáticos, pedagógicos e quadro docente, administrativo, direção, visão, missão e princípios da escola.

Também foi apresentado e discutido sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a Proposta Curricular Pedagógica de Química para o Ensino Médio (PCP) e sobre o Referencial Curricular Amazonense do Ensino Médio (RCA). Este momento possibilitou aos residentes conhecer a parte documental e teórica dos planos escolares e se integrarem mais as mudanças com a chegada do Novo Ensino Médio (NEM), inserção dos Itinerários Formativos da BNCC (UCCs, UCAs e UCEs) ocasionando a redução de carga horárias do componente curricular Química, mudanças de conteúdo por eixos temáticos, termologias (componente curricular e objeto de conhecimento), dentre outros aspectos no âmbito escolar.

Um momento importante também, foi o acesso à literatura utilizada pela professora, trazendo uma abordagem dos livros didáticos e grandes autores utilizados no ensino médio para o ensino de química, visto que muitas das vezes os residentes possuem um ponto de vista de conhecimento e saberes dos autores do nível superior, que contribuem muito também para o ensino-aprendizagem dos alunos. Essas literaturas embasaram na construção de planos de aulas, metodologias ativas, aulas práticas e projetos das futuras atividades desenvolvidas na RP. Através das informações adquiridas no módulo I, pôde-se observar a participação efetiva e as contribuições dos residentes, resultando na discussão em conjunto e trazendo novas ideias sobre as temáticas das aulas, associando o âmbito escolar e as novas disciplinas do NEM.

Com o conhecimento e informações adquiridas no módulo anterior, os residentes obtiveram o primeiro contato com os alunos do ensino médio através da observação nas aulas da preceptora e posteriormente com a participação em atividades, momentos de monitoria que contribuíram muito para o aprendizado dos alunos, atendendo e explicando no caderno individual dos alunos.

A RP permitiu aos residentes a construção de materiais, tais como: jogos sobre as vidrarias e equipamentos utilizados no laboratório de química, quiz sobre modelos atômicos, roteiros experimentais sobre densidade, ligações químicas termoquímica e calorimetria, eletroquímica, soluções e projeto sobre Química Forense no Ensino Médio.

Durante a explanação e o desenvolvimento dos Jogos sobre as Vidrarias e Equipamento utilizados no Laboratório pelos residentes com as turmas do 1º ano, pode-se perceber através dos comentários dos alunos que eles: “nunca tinham vistos essas vidrarias”, “não sabiam como era um laboratório”, “que legal, já me identifiquei com a área da química”, demonstrando que a química é uma ciência curiosa e fascinante, é de suma importância este primeiro contato dos alunos do ensino médio com o universo da ciência tanto na teoria quanto na prática, e evidenciar as contribuições da metodologias ativas para despertar a curiosidade e o interesse dos alunos do Ensino Básico.

Figura 1: Jogos com cartas sobre Vidrarias e Equipamentos utilizados no laboratório / Figura 2: Jogos online referente a Vidrarias e Equipamentos usuais do laboratório disponível na plataforma Wordwall.

Fonte: Autoria própria (2023).

Ao longo da participação efetiva dos residentes foi construído sob a orientação da preceptora um Caderno Interativo sobre a Tabela Periódica: Grupos ou Famílias. Utilizando meios de tecnologia (notebook), impressão e recorte, a tabela periódica foi elaborada, impressa em preto e branco, e posteriormente inserida no caderno de cada aluno. A participação dos alunos na interação de colagem e pintura dos grupos e famílias, permitiram aos alunos uma visão melhor de cada elemento químico e seus símbolos, o conhecimento da estrutura da Tabela Periódica e as característica de cada grupo, sendo possível perceber através das indagações e curiosidades através das falas: “porquê estes elementos estão na primeira coluna?”, “...e porque estão neste período/linha?”, “quais são as diferenças da cores?”, “porquê este grupo é chamado de gás nobre?”, “o que é um grupo halogênio, alcalino, alcalino terroso e os demais grupos?”. Posteriormente todas as perguntadas foram esclarecidas pela preceptora e a participação dos residentes.

Figura 3: Caderno Interativo “Tabela Periódica” em produção / Figura 4: Caderno Interativo “Tabela Periódica”

Fonte: Autoria própria (2023).

Além disso, os residentes elaboraram os planos de aula e tiveram a oportunidade de regência em sala sobre os temas de Ligação Covalente e Geometria Molecular com as turmas dos 1º anos, e temas de Termoquímica e Eletroquímica com as turmas dos 2º anos do ensino médio. As aulas ministradas pelos residentes foram dinâmicas, interagindo com os alunos através da teoria e metodologias ativas que facilitaram o aprendizado dos alunos.

Com o constante uso de tecnologia e o acesso quase que instantâneo das informações, ocasionaram-se mudanças no perfil dos alunos e o desinteresse pelas aulas tradicionais (BACICH; MORAN, 2018), dando-se a necessidade de buscar métodos que auxiliem os professores no processo de ensino e de forma significativa para a construção do conhecimento dos educandos.

OLIVEIRA, NÓBREGA e CAVALCANTE (2023), enfatizam que “as metodologias ativas são modelos pedagógicos que estimulam uma postura ativa do estudante [...] permitindo-lhe que encontre a oportunidade de buscar informações, criar soluções e construir o conhecimento, intermediado pelo professor”. Essas metodologias ativas têm contribuído para o ensino de química, demostrando as diversas estratégias que o docente pode trabalhar em sala de aula, deixando de lado o conteudismo e utilizando-o como colaborador para alcançar os objetivos das suas aulas, através do incentivo aos alunos, a interação, participação em grupo, estimulando-os a debater e serem protagonista de seu aprendizado.

Figura 5: Regência e gamificação com os Residentes Pedagógicos sobre Ligações Químicas

Fonte: Autoria própria (2023).

Um dos principais benefícios que a regência permite aos residentes é colocar em prática diferentes estratégias de ensino, experimentação e avaliação, adequando-as às necessidades específicas dos alunos e ao contexto da Escola. Borim et al (2020, p. 10), afirma que “o residente em suas experiências na residência pedagógica percebe a necessidade de se ter responsabilidade para seguir o planejamento e a responsabilidade sobre o ensinar, sobre a responsabilidade na escola”. Isso permite que os residentes desenvolvam habilidades pedagógicas essenciais, como o domínio da comunicação, a capacidade de planejamento de aulas, a gestão da sala de aula e a adaptação às diversas situações que podem surgir durante o processo de ensino e aprendizagem.

Figura 6: Regência e aplicação de metodologia ativa sobre Geometria Molecular / Figura 7: Regência e aula prática sobre Eletroquímica

Fonte: Autoria própria (2023).

Já o módulo III, se deu na aplicação do Projeto de Ensino “Química Forense no Ensino Médio”, sendo desenvolvida em 3 momentos: palestras, cena do crime (coleta de amostras a serem analisadas), e aulas práticas no laboratório com a utilização de técnicas aplicadas na Química Forense para desvendar um crime.

As palestras realizadas com o Técnico de Laboratório da UFAM e palestra com os residentes pedagógicos, trouxeram uma abordagem das contribuições e importância da Química Forense para sociedade (a ciência contra o crime). Durante a palestra foi possível perceber a curiosidades dos alunos, pois alguns nem sabiam o que significava a “Química Forense”, ainda mais sendo uma profissão. Foi possível também, compreender quais profissionais que podem atuar, as diferentes áreas de atuação (crimes ambientais, assassinatos, roubo, suicídios, envenenamento, acidentes de trânsito e industriais/adulteração). Conhecer os tipos de amostras consideradas como provas de um crime e as técnicas utilizadas pela química forense, permitiu despertar ainda mais o interesse dos alunos pela temática, na qual muitos relataram ter visto somente em “filmes ou séries”. E essa aproximação, também possibilitou aos estudantes a visão de uma possível escolha de profissão (mercado de trabalho), onde muitos relataram o interesse pelas carreiras policiais ou profissões investigativas, mas que não sabiam que a área de química também trabalhava nestas profissões, tais como a Química Forense/Química Investigativa. Assim, destacamos a importância de desenvolver projeto com tema inovador, que aproximam da realidade dos alunos e despertam o interesse dos mesmos pelo conhecimento.

De acordo com SOUZA, SANTOS E SANTOS (2020, p.1), “os projetos escolares oportunizam ao estudante [...] vivenciar de forma inovadora diversos aspectos do meio em que está inserido, sendo também uma forma de favorecer, além da interdisciplinaridade, a contextualização, aspectos de grande relevância na formação escolar do estudante”. Assim, ao trabalhar com projetos pedagógicos de ensino é possível explorar as habilidades dos alunos e a contribuição para os conceitos abordados durante as aulas de química para um ensino significativo.

Durante o projeto foi possível desenvolver aulas práticas no laboratório, incluindo técnicas de análise química, interpretação de experimentos, tais como: Revelação de Impressões Digitais com a sublimação do iodo e a técnica do pó de carvão ativado.

O projeto ofereceu uma visão emocionante do mundo do trabalho, inspirando uma nova geração de cientistas e investigadores, além de conectar os conteúdos abstratos da química com aplicações do mundo real, contribuindo na exploração de conceitos e habilidades da química pelos alunos. Pode-se perceber que muitos alunos se identificaram com a “Química Forense”, visto que esta área tem um seguimento nas “carreiras policiais” e muitos almejarem ser policiais, tornando uma perspectiva de futura profissão e atuação profissional.

Figura 8: Palestra realizada com o Técnico de Laboratório de Química do IEAA/UFAM e Residentes pedagógicos (A Química na Ciência Forense)

Fonte: Autoria própria (2023).

Figura 9: Aula Prática “Revelação de Impressões Digitais com a sublimação do iodo” / Figura 10: Aula Prática “Revelação de Impressões Digitais com a técnica do pó de carvão ativado”.

Fonte: Autoria própria (2023).

Por fim, foi realizado a feira “Eu Cientista”, na qual os residentes participaram compartilhando conhecimento científico de maneira envolvente e acessível com os alunos, monitorando, organizando o laboratório para as atividades experimentais e avaliando o desempenho dos alunos através das suas apresentações.

Através dos experimentos realizados, foi possível notar uma compreensão dos conteúdos trabalhados durante a RP por meio da participação dos residentes no componente curricular de química durante o ano, sendo os principais temas: densidade, polaridade, ligação iônica e covalente, reações químicas, funções inorgânicas, soluções, termoquímica, cinética química, eletroquímica e compostos orgânicos. Este momento foi desenvolvido de forma criativa e interativa despertando o interesse dos alunos pela ciência, houve também intervenção dos residentes através de perguntas promovendo o pensamento crítico, a curiosidade e a investigação científica.

Os experimentos realizados pelos estudantes, trouxeram uma visão de vários temas que abordam os conhecimentos químicos que foram trabalhados durante a RP, demonstrando o ensino e a aprendizagem adquirida pelo aluno durante este período. Todos os experimentos foram realizados com materiais de baixo custo, de fácil acesso e que possibilita a construção do conhecimento do aluno através do visual e do fascinante mundo da química.

Este momento contribuiu aos residentes novos olhares para a utilização de aulas experimentais em sala de aula, oportunizando aos futuros professores de química apoiar-se em novas estratégias de ensino-aprendizado, tais como as aulas práticas que tem contribuído muito no ensino. As aulas experimentais, tem demonstrado que de maneira simples e de baixo custo podem colaborar no aprendizado do aluno através do visual, das cores e das reações. Os principais experimentos realizados pelos alunos foram sobre os conteúdos de densidade, reações química, ligações químicas, Funções Inorgânicas, Soluções, Cinética Química, Equilíbrio Químico e Eletroquímica.

Figura 11: Experimento realizados na Feira “Eu Cientista” sobre Eletroquímica (oxi-redução) / Figura 12: Experimento realizados na Feira “Eu Cientista” sobre Reação Química e Densidade (lâmpada de lava)

Fonte: Autoria própria (2023).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa desenvolvida demonstrou as contribuições da residência pedagógica, possibilitando ao preceptor a construção de novas ideias em conjunto aos residentes pedagógicos, de forma efetiva e valiosa para o desenvolvimento profissional docente. Com os relatos analisados, foi possível perceber que a participação na Residência Pedagógica é um importante passo para um futuro profissional da educação, pois possibilita conhecer a vivência escolar, a funcionalidade, regime escolar, reuniões, e construção de planejamentos pedagógicos.

As interações dos residentes em sala de aula contribuíram muito, acompanhando e auxiliando a professora/preceptora, tirando dúvidas dos alunos de forma mais próxima, na preparação de materiais pedagógicos para ser aplicado durante as aulas, auxiliando em aulas práticas, organização do laboratório e palestra, sendo de grande valia para o ensino e aprendizado dos alunos e consequentemente para um bom resultado do desempenho escolar do aluno.

Portanto, a Residência Pedagógica pode apresentar desafios, mas também uma experiência recompensadora na área da docência, onde possibilita o residente participar de muitas atividades, sequências didáticas, planejamento, dentre outras atividades escolares, despertando no processo de formação docente e refletindo sobre o papel do professor em sala de aula para a mediação do processo ensino-aprendizagem.

AGRADECIMENTOS

A Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a CAPES e ao Programa de Residência Pedagógica pela oportunidade de participar como preceptora pedagógica de química e pela grande contribuição na formação profissional dos futuros docentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BACICH, Lilian; MORAN, José (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.

BOGDAN,R; TAYLOR, S. Introduction to qualitative research methods: a phenomenological approach to the social sciences. New York. J. Wiley. 1975.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. Ed. 25. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

BORIM, Maria Luiza da Costa; et al. Construção da identidade profissional do professor de educação física na perspectiva do preceptor da residência pedagógica. Revista Brazilian Journal of Developmet., Curitiba, v. 6, n. 3,p.14306-14317 mar 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/7945. Acesso em 20 de fev de 2024.

EUGÊNIO, Ingrid Domene; SOUZA, Débora Mendonça; ROSA, Denilson Albuquerque; LIMA, Sérgio Antônio Marques de; GIBIN, Gustavo Bizarria. O Papel da Residência Pedagógica na Formação Inicial em Química: Obtenção dos Saberes Profissionais e Experienciais. Revista Debates Em Ensino De Química, 9(2), 309–324. https://doi.org/10.53003/redequim.v9i2.5091. Disponível em: https://www.journals.ufrpe.br/index.php/REDEQUIM/article/view/5091. Acesso em 13 de fev de 2024.

OLIVEIRA, Francisco Lindoval; NÓBREGA, Luciano; CAVALCANTE, Marcele Alves dos Santos. O uso das metodologias ativas de aprendizagem na formação do professor: das universidades para a prática nas escolas. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 23, nº 8, 7 de março de 2023. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/23/8/o-uso-das-metodologias-ativas-de-aprendizagem-na-formacao-do-professor-das-universidades-para-a-pratica-nas-escolas. Acesso em 27 de fev de 2024.

SOUZA, José Clécio Silva de; SANTOS, Décio Oliveira dos; SANTOS, Josineide B. dos. Os Projetos Pedagógicos como Recurso de Ensino. Revista Educação Pública, v. 20, nº 40, 20 de outubro de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/40/os-projetos-pedagogicos-como-recurso-de-ensino. Acesso em 27 de fev de 2024.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.


1 Professora Especialista em Docência do Ensino Superior e Química Industrial, Secretaria de Estado de Educação e Desporto – SEDUC/AM. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Professora Doutora em Educação pela Universidade Dom Bosco (UCDB), Docente do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente - IEAA/UFAM. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9676625497804575. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7022-4585. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Professora Especialista em Gestão de Instituições Públicas, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia – IFRO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Professor Especialista em Educação Especial, Centro de Ensino Agape (CEAGAPE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Humanidades (PPGECH) do Instituto de Educaçã, Agricultura e Ambiente – IEAA/UFAM. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Professor Mestre em Ensino de Ciências e Humanidades (PPGECH) do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente – IEAA/UFAM, Secretaria Municipal de Educação (SEMED). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.