REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/777782465
RESUMO
O folclore representa um importante elemento da cultura popular, reunindo tradições, saberes e práticas que contribuem para a construção da identidade cultural. No contexto da formação docente, compreender as concepções dos futuros educadores sobre o folclore torna-se relevante para fortalecer práticas pedagógicas voltadas à valorização da cultura popular. Este estudo teve como objetivo investigar as concepções de alunos do Curso Normal acerca do folclore, com ênfase no folclore musical e em sua relação com memórias afetivas da infância. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa, com apoio de dados quantitativos, e foi realizada com 28 estudantes de uma instituição pública no município de Três Cachoeiras/RS. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário online com perguntas abertas e fechadas, e os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo. Os resultados demonstraram que os participantes reconhecem o folclore como uma manifestação cultural viva e significativa, embora ainda o associem predominantemente às lendas e mitos. Também se observou que experiências afetivas relacionadas à música na infância contribuem para fortalecer o sentimento de pertencimento cultural e para a valorização do folclore musical no contexto educacional. Conclui-se que o ensino do folclore na formação docente pode contribuir para a valorização da cultura popular e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais sensíveis à diversidade cultural.
Palavras-chave: Educação Patrimonial; Cultura Popular; Formação de Professores; Memória Afetiva e Práticas Pedagógicas.
ABSTRACT
Folklore represents an important element of popular culture, bringing together traditions, knowledge, and practices that contribute to the construction of cultural identity. In the context of teacher education, understanding future educators’ conceptions of folklore becomes relevant for strengthening pedagogical practices aimed at valuing popular culture. This study aimed to investigate the conceptions of teacher training students about folklore, with emphasis on musical folklore and its relationship with affective childhood memories. The research was characterized as qualitative, supported by quantitative data, and was carried out with 28 students from a public institution in the municipality of Três Cachoeiras/RS, Brazil. For data collection, an online questionnaire with open and closed questions was used, and the data were analyzed through Content Analysis. The results showed that the participants recognize folklore as a living and meaningful cultural manifestation, although they still associate it predominantly with legends and myths. It was also observed that affective experiences related to music in childhood contribute to strengthening the sense of cultural belonging and to valuing musical folklore in the educational context. It is concluded that teaching folklore in teacher education can contribute to the appreciation of popular culture and to the development of pedagogical practices that are more sensitive to cultural diversity.
Keywords: Heritage Education; Popular Culture; Teacher Education; Affective Memory; Pedagogical Practices.
1. INTRODUÇÃO
Longe de configurar um relicário de costumes estáticos, o folclore constitui o alicerce da consciência coletiva e o sistema de significados onde crenças, valores e sonoridades se entrelaçam para edificar a identidade social. Investigar tais manifestações transcende o exercício da memória; trata-se de um mergulho na epistemologia de uma comunidade, reconhecendo o saber do povo como uma força ativa e funcional. Ao valorizarmos essas heranças, não buscamos apenas a preservação do passado, mas a oferta de conhecimento para que as novas gerações possam interpretar e transformar o porvir, consolidando o folclore como uma manifestação essencialmente viva.
Contudo, observa-se que o entendimento sobre o folclore frequentemente oscila entre a valorização como raiz identitária e o estigma de algo obsoleto. No campo da formação docente, essa ambiguidade revela uma lacuna crítica: a percepção dos futuros educadores sobre a contemporaneidade das tradições e a profundidade de seu repertório musical. Persiste uma carência de investigações que conectem a formação técnica às memórias afetivas desses estudantes, como as cantigas de ninar e as experiências de canto na infância, elementos que Garcia (2000) e Ribeiro (2009) apontam como fundamentais para a construção de um autêntico sentimento de pertencimento e coesão nacional.
Diante dessa problemática, a presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa e quantitativa para investigar as concepções de 28 alunos do Curso Normal de uma instituição pública em Três Cachoeiras/RS. O estudo busca responder: qual o significado ontológico do folclore para estes futuros docentes e como suas trajetórias pessoais moldam sua visão pedagógica? Para isso, a investigação utiliza formulários estruturados que exploram desde a definição teórica que os alunos possuem sobre o tema até a identificação de gêneros do folclore musical brasileiro.
A pesquisa dedica especial atenção à dimensão biográfica, buscando compreender como as interações musicais vividas no seio familiar e escolar, o cantar de um cuidador ou as rodas de infância, influenciam a relação atual desses normalistas com o saber tradicional. A relevância deste trabalho reside na premissa de que o ensino do folclore, tanto para crianças quanto para adultos, depende intrinsecamente da sensibilidade e do repertório de quem educa. Ao analisar o valor atribuído a elementos como ritmo, lirismo e contexto histórico, este estudo pretende oferecer subsídios para fortalecer o ensino das tradicionalidades no Curso Normal, garantindo que o Folclore Musical continue a gerar comunidade, afeto e reconhecimento identitário no cenário educacional contemporâneo.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Existe uma distinção fundamental entre o estudo acadêmico da cultura e a sua prática cotidiana. De um lado, o Folclore configura-se como ciência, através de uma análise que busca compreender a gênese e a lógica de cada rito; de outro, manifesta-se como tradição em movimento, onde comunidades recriam sua própria identidade a cada geração. Este campo do saber começou a ganhar contornos globais em 22 de agosto de 1846, data em que William John Thoms propôs o termo Folklore para catalogar a herança oral da humanidade. Ao chegar em território brasileiro, a palavra sofreu sua própria metamorfose cultural, sendo aportuguesada definitivamente para "Folclore" a partir da década de 1930.
Para desvendar a complexidade deste universo, é imperativo adotar uma perspectiva que integre o respeito à diversidade humana com o rigor da documentação histórica. Conforme aponta Garcia (2000), o conhecimento folclórico não deve ser visto de forma isolada, mas como uma totalidade em que as partes se entrelaçam dinamicamente. Essa visão sistêmica permite que o folclore seja utilizado como base sólida na criação de estratégias educativas, garantindo que a riqueza das tradições seja preservada em benefício do corpo social. A abrangência desse campo manifesta-se tanto na cultura material, composta por expressões tangíveis e artefatos rituais, quanto na cultura imaterial, que engloba a linguagem, a literatura oral, as festividades e, com especial relevância para este estudo, a música e a dança.
A existência desses fatos culturais é regida pelo princípio da funcionalidade. Segundo Garcia (2000), uma manifestação é considerada cultura viva enquanto cumpre um papel ativo na sociedade, transitando para um estado puramente histórico quando perde sua função prática. Esse movimento é sustentado pelo equilíbrio entre a tradicionalidade e a dinamicidade, que permite as transformações naturais impostas pelo tempo. Complementarmente, o que define a entrada de uma prática nesse universo é a aceitação coletiva. Wolffenbüttel (2019) argumenta que a folclorização de um fato depende do quanto ele é apreciado e praticado por um grupo, o que permite que o folclore se renove e adapte ideias populares à vida contemporânea, transformando novos fatos sociais em tradições pulsantes.
Sob esta ótica, Santos (2011) defende que o entrelaçamento entre cultura e educação constitui um eixo fundamental de articulação, servindo como canal de diálogo para validar as vivências dos sujeitos. A escola, ao legitimar as expressões do folclore brasileiro, estabelece um território de acolhimento e reconhecimento das identidades plurais. Esse referencial teórico fornece a base necessária para investigar como os estudantes do Curso Normal percebem e planejam a integração desses elementos em suas práticas pedagógicas. A análise dessas experiências permite compreender como o saber popular pode ser transposto para o ambiente escolar de forma significativa.
Finalmente, a integração do indivíduo ao meio social exige uma construção identitária sobre o alicerce da herança cultural. Ribeiro (2009) afirma que essa produção é inseparável da realidade material de um grupo, consolidando o que se entende por identidade nacional. Somado a isso, o exame de diretrizes como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) e a Carta do Folclore Brasileiro confere a este estudo a fundamentação jurídica indispensável. Tais documentos oferecem as chaves de leitura necessárias para implementar o folclore no cotidiano educacional, unindo a prática de sala de aula às políticas de preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Com base no arcabouço teórico exposto, que compreende o folclore como uma força viva, funcional e intrinsecamente ligada à construção da identidade docente, torna-se necessário detalhar os caminhos investigativos que permitiram a coleta e a análise dos dados. A seção a seguir descreve a metodologia adotada, delineando o percurso que partiu de uma abordagem qualitativa e quantitativa para perscrutar o universo simbólico de 28 alunos do Curso Normal. Este delineamento metodológico apresenta os instrumentos de pesquisa utilizados, o contexto institucional da coleta e os critérios de análise que possibilitaram confrontar a teoria acadêmica com as vivências práticas e as memórias afetivas dos futuros educadores, garantindo o rigor e a transparência necessários para a compreensão dos resultados obtidos.
3. METODOLOGIA
Esta pesquisa fundamenta-se na abordagem qualitativa, escolha que se justifica pela natureza do objeto de estudo. Como assevera Minayo (2002), a pesquisa qualitativa mergulha em um universo de significados, crenças e valores, ocupando um espaço profundo das relações humanas que não pode ser simplificado por variáveis estatísticas. O objetivo aqui foi capturar as particularidades das vivências dos 28 alunos do Curso Normal, explorando seus saberes e memórias acerca do folclore.
3.1. Coleta de Dados: O Questionário On-line
Para a obtenção dos dados, utilizou-se o questionário autoadministrado, aplicado via formulário digital. Esta técnica é reconhecida por Gil (1999) como um instrumento eficaz para o conhecimento de opiniões, sentimentos e expectativas. A opção pelo formato online e autoadministrado trouxe vantagens significativas, como a "economia no uso" e a possibilidade de um alcance simultâneo (Laville; Dionne, 1999), permitindo que os alunos respondessem com autonomia e em tempo próprio.
O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário online composto por 17 questões abertas e fechadas, organizado em três eixos temáticos, com o objetivo de investigar as percepções dos participantes sobre o folclore e sua relação com a música de tradição popular. O primeiro eixo, Percepção geral sobre o folclore, reuniu questões voltadas à compreensão das concepções dos alunos acerca do significado, da importância e da atualidade do folclore. O segundo eixo, Foco no folclore musical, buscou identificar o repertório cultural dos participantes, suas experiências com manifestações musicais tradicionais e suas percepções sobre a presença do folclore musical em contextos educativos. O terceiro eixo, Memória e experiência pessoal com a música, investigou vivências afetivas relacionadas à música na infância e na vida adulta, bem como a percepção das estudantes sobre o potencial da música e do folclore na construção do sentimento de pertencimento. Essa organização permitiu reunir dados objetivos e subjetivos, possibilitando uma análise ampla sobre as concepções culturais e pedagógicas dos futuros docentes.
Diferente de uma entrevista presencial, o formulário estimulou um ambiente de reflexão individual. No caso desta pesquisa, as questões foram desenhadas para instigar não apenas respostas diretas sobre o conceito de folclore, mas também para evocar memórias afetivas. O instrumento incluiu desde dados sociodemográficos (idade, origem) até eixos específicos sobre o folclore e as experiências vivenciadas na infância e na formação docente.
3.2. O Público-alvo
O corpus deste estudo foi constituído por uma amostra de 28 discentes do Curso Normal de uma instituição pública da rede estadual, localizada no município de Três Cachoeiras/RS. A escolha por este grupo justifica-se pelo seu caráter estratégico: tratam-se de futuros educadores em pleno processo de maturação de seus repertórios pedagógicos e identitários.
A composição do grupo de participantes apresenta uma distribuição geracional e acadêmica detalhada a seguir:
1º Ano: Composto por 11 respondentes, com idades entre 15 e 16 anos (9 do sexo feminino e 2 do sexo masculino);
2º Ano: Composto por 9 respondentes, na faixa etária de 16 a 17 anos (8 do sexo feminino e 1 do sexo masculino);
3º Ano: Composto por 8 respondentes, com idades entre 17 e 18 anos (5 do sexo feminino e 3 do sexo masculino).
Vale ressaltar que a totalidade dos participantes reside na cidade onde a escola está sediada. O cenário da pesquisa é um Instituto Estadual de Educação que atende desde os Anos Iniciais até o Ensino Médio, destacando-se pela oferta do Curso Normal em nível médio, o que o caracteriza como um importante polo de formação docente na região.
Embora o instrumento de coleta (formulário online) tenha sido respondido de forma individual, as seções voltadas à "Memória e Experiência Pessoal" foram projetadas para transcender o dado biográfico isolado. O objetivo foi resgatar a ancestralidade e as interações desses alunos em seus núcleos familiares, conferindo visibilidade ao processo de transmissão das tradições.
3.3. Análise dos Dados: O Percurso de Moraes
O material coletado passou por processo de Análise de Conteúdo, seguindo a perspectiva de Moraes (1999). Para o autor, esta metodologia permite uma interpretação que ultrapassa a leitura comum, atingindo uma compreensão dos significados ocultos nas mensagens. O tratamento das respostas seguiu as cinco etapas propostas por Moraes:
Preparação das informações: Organização das respostas obtidas no formulário;
Unitarização: Transformação do conteúdo em unidades de análise;
Categorização: Classificação das respostas em eixos temáticos (como "identidade", "memória afetiva" e "prática pedagógica");
Descrição: Relato detalhado dos fenômenos observados;
Interpretação: Transversalização dos dados com o referencial teórico para fundamentar os resultados.
Este percurso garantiu que a voz dos 28 alunos fosse ouvida de forma sistemática, permitindo que suas concepções sobre o folclore fossem analisadas tanto como herança cultural quanto como fonte de pertencimento social.
Concluída a etapa de estruturação metodológica e a organização dos dados sob o rigor da análise de conteúdo, o estudo avança para a fase de discussão dos achados. O capítulo seguinte dedica-se à análise detalhada das respostas obtidas, estruturadas em eixos temáticos que conectam as percepções teóricas das discentes às suas vivências biográficas. Ao confrontar o saber acadêmico com a realidade prática do Curso Normal em Três Cachoeiras, busca-se desvelar não apenas o repertório musical e conceitual desses futuros educadores, mas também o potencial do folclore como catalisador de processos de ensino-aprendizagem fundamentados na afetividade e na construção da identidade nacional.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A análise dos dados inicia-se com a caracterização dos 28 participantes que compuseram a amostra deste estudo. O grupo é formado integralmente por discentes do Curso Normal, distribuídas entre o 1º e o 3º ano da formação docente. Um dado sociodemográfico de extrema relevância é a predominância de um público jovem, com a maioria das respondentes situando-se na faixa etária entre 17 e 18 anos.
Este perfil geracional é um fator determinante para a interpretação dos resultados obtidos. Por estarem em uma fase de formação inicial e pertencerem a uma geração conectada e dinâmica, as participantes demonstram uma visão menos estática da cultura. Como será detalhado nos eixos a seguir, essa juventude reflete diretamente na percepção do folclore: para este grupo, as manifestações populares não são meras relíquias do passado, mas fenômenos que "ainda estão vivos" e em constante processo de ressignificação.
O fato de serem futuros educadores confere ao grupo um olhar estratégico. Eles não respondem apenas como indivíduos que possuem memórias afetivas, mas como profissionais em formação que estão construindo o seu próprio repertório pedagógico. Assim, o perfil observado revela um solo fértil para a valorização do folclore dentro das salas de aula contemporâneas.
4.1. Percepções Conceituais Sobre o Folclore
A compreensão das bases conceituais que sustentam o termo folclore é o primeiro passo para identificar como os futuros educadores articulam o saber popular em suas estruturas cognitivas. Este eixo de análise busca desvelar o universo de significados atribuídos ao tema, partindo da premissa de que a definição teórica nem sempre caminha em paralelo com a percepção do senso comum. Segundo a perspectiva de Garcia (2000), o folclore não deve ser compreendido de maneira fragmentada, mas como uma totalidade que abrange tanto as criações espirituais quanto as materiais de um povo.
Nesse sentido, torna-se fundamental investigar quais elementos os discentes reconhecem como integrantes do patrimônio folclórico, uma vez que essa categorização inicial moldará as suas futuras escolhas didáticas e a profundidade com que o tema será abordado em sala de aula. A identificação desses componentes revela se os estudantes possuem uma visão holística da cultura tradicional ou se o seu repertório permanece restrito a nichos específicos da herança cultural brasileira. Ao confrontar as respostas obtidas com as teorias de dinamicidade e aceitação coletiva, é possível mapear o nível de apropriação conceitual do grupo e sua capacidade de reconhecer o folclore como uma manifestação viva e abrangente.
Os dados apresentados a seguir detalham a abrangência dessa percepção, evidenciando quais itens são prioritariamente associados ao conceito de folclore pela amostra investigada, fornecendo o panorama inicial para a discussão sobre a identidade cultural no contexto do Curso Normal.
A investigação acerca das interpretações subjetivas das vinte e oito discentes do Curso Normal sobre o termo folclore revela um entendimento que transita entre a herança cultural abrangente e a associação restrita a narrativas mitológicas. Ao examinar as respostas abertas, observa-se a recorrência de conceitos como tradições, costumes e manifestações artísticas, o que demonstra uma compreensão inicial alinhada à ideia de patrimônio imaterial. Para uma parcela expressiva dos estudantes, o folclore é definido como o conjunto de saberes que representa a alma de um povo, sendo essencialmente caracterizado pela transmissão de geração em geração. Esta visão de continuidade histórica dialoga diretamente com o conceito de tradicionalidade proposto por Garcia (2000), no qual o legado cultural é transferido sucessivamente, consolidando a identidade de um grupo social específico.
Entretanto, nota-se uma tendência marcante em reduzir o fenômeno folclórico à esfera das lendas e mitos. Expressões como lendas culturais e a menção direta a personagens do imaginário popular, a exemplo do Saci-Pererê, da Cuca e do Curupira, evidenciam que o repertório destes futuros educadores ainda está fortemente vinculado a uma visão escolarizada e, por vezes, estática do tema. Em contrapartida, emerge uma percepção singular que associa o folclore à figura de um indivíduo com habilidades musicais, como cantar e tocar instrumentos, o que remete à dimensão da funcionalidade e da performance discutida por Garcia (2000). Esta perspectiva, embora pontual na amostra, é relevante por reconhecer o sujeito como o detentor e o transmissor ativo do saber popular.
A presença constante da ideia de transmissão geracional e de representação da cultura de um povo nas respostas reforça o conceito de aceitação coletiva postulado por Wolffenbüttel (2019). Para os alunos, o folclore não se esgota em um fato isolado, mas adquire sentido ao ser abraçado pela coletividade e perpetuado no tempo através da oralidade e da convivência. Tal fundamentação é importante para a formação docente, pois sugere que os discentes reconhecem o valor da herança cultural para a integração do homem em seu entorno, conforme defendido por Ribeiro (2009), embora ainda necessitem expandir essa percepção para além dos mitos narrativos.
Em síntese, os significados atribuídos pelos participantes indicam um solo fértil para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que valorizem a identidade nacional, desde que o processo formativo auxilie na transição de uma visão predominantemente mitológica para uma compreensão mais holística. O desafio que se apresenta é o fortalecimento de uma consciência que reconheça o folclore em todas as suas dimensões, da música aos costumes cotidianos, como uma força dinâmica e funcional que molda e é moldada pela realidade material e imaterial da sociedade brasileira.
A identificação dos elementos que compõem o fenômeno folclórico constitui o ponto de partida para compreender a amplitude do repertório cultural dos participantes. Ao investigar quais manifestações são reconhecidas como parte integrante dessa herança, busca-se observar se a visão das futuros docentes reflete a totalidade proposta pela teoria ou se permanece circunscrita a domínios específicos da tradição. A diversidade de categorias apresentadas que abrangem desde as expressões narrativas até as práticas materiais, permite mapear a hierarquia de relevância atribuída a cada item, revelando as inclinações conceituais que fundamentarão suas futuras intervenções pedagógicas. Os resultados dessa sistematização são detalhados no Gráfico 1, que expõe as categorias mais latentes e aquelas que ainda carecem de maior reconhecimento no cenário formativo.
Gráfico 1: Quais dos seguintes itens você considera parte do folclore?
O Gráfico 1 investiga a percepção dos 28 discentes sobre quais elementos constituem o universo do folclore. Os dados revelam uma concentração massiva na categoria de Lendas e Mitos, citada por 96,4% dos respondentes. Em seguida, destacam-se Músicas e Danças Tradicionais (42,9%), Festas Populares (39,3%) e Crenças e Superstições (39,3%). Categorias como Ditados Populares (32,1%), Brincadeiras e Jogos (28,6%) e Artesanato/Culinária (25%) apareceram com menor frequência.
A Predominância do Imaginário: O índice quase total (96,4%) para "Lendas e Mitos" indica que a concepção de folclore desses alunos ainda está fortemente atrelada à literatura oral e ao imaginário fantástico. De acordo com Garcia (2000), o folclore abarca tanto as manifestações tangíveis quanto as intangíveis. No entanto, o baixo índice para Artesanato e Culinária (25%) sugere que a dimensão da cultura material é menos reconhecida como folclórica por este grupo do que a dimensão imaterial/narrativa.
O Folclore Musical em Formação: O fato de menos da metade dos alunos (42,9%) marcar espontaneamente "Músicas e Danças" como parte do folclore, mesmo sendo alunos de um curso que valoriza o repertório infantil, revela um ponto de atenção. Segundo Wolffenbüttel (2019), a aceitação coletiva é a marca distintiva do folclore. Se o folclore musical é menos "aceito" ou "identificado" do que as lendas, há um espaço pedagógico a ser preenchido para que esses futuros docentes compreendam a música como um fato folclórico vivo e funcional.
A Visão Integrada da Cultura: Garcia (2000) destaca a importância de uma "visão integrada da cultura", onde as partes se entrelaçam. A fragmentação das respostas mostra que os alunos tendem a isolar o folclore em "caixas" (priorizando o mito). Para a formação docente no Curso Normal, é essencial expandir essa percepção, mostrando que o artesanato, o ditado popular e a culinária são tão "folclore" quanto o Saci-Pererê, compondo a identidade nacional mencionada por Ribeiro (2009).
A investigação acerca da vitalidade das manifestações folclóricas na contemporaneidade revela um posicionamento majoritariamente otimista e dinâmico por parte das vinte e oito discentes do Curso Normal. Ao serem questionados se o folclore permanece ativo ou se pertence ao passado, 42,9% dos respondentes afirmaram que ele está vivo e em constante transformação, enquanto 39,3% acreditam que ele se mantém vivo, embora preserve suas características originais. Estes dados, quando somados, indicam que mais de 82% da amostra reconhece a atualidade do fenômeno cultural, contrastando com uma minoria de 10,7% que o percebe como algo restrito ao passado.
Este resultado converge diretamente com o conceito de dinamicidade cultural proposto por Garcia (2000), o qual postula que o fato folclórico não é uma entidade estática, mas um organismo que se adapta e evolui conforme as transformações da própria sociedade. A percepção de que o folclore está em mutação demonstra que os futuros educadores conseguem identificar a presença da tradição em novos contextos, validando a ideia de que o patrimônio imaterial se ressignifica para manter sua funcionalidade no cotidiano. Tal visão é essencial para a prática pedagógica, pois evita que o tema seja tratado apenas como uma efeméride histórica, permitindo uma abordagem mais conectada com a realidade dos alunos.
Ademais, a expressiva validação da existência do folclore no presente reforça a tese de Wolffenbüttel (2019) sobre a aceitação coletiva como motor da tradição. Se os estudantes identificam o folclore como algo pulsante, é porque tais práticas ainda encontram eco e utilidade na vida social contemporânea, aproveitando ideias populares para moldar a identidade nacional, conforme discutido por Ribeiro (2009). O reduzido índice de respostas que situam o folclore apenas no passado sugere que o processo de formação docente está contribuindo para uma quebra de paradigmas, substituindo a visão de "coisa de museu" por uma compreensão de herança cultural ativa.
Gráfico 2: Você acredita que o folclore ainda está vivo e se transformando hoje em dia, ou é apenas algo do passado?
Em conclusão, os dados do Gráfico 2 asseguram que os participantes possuem uma base conceitual sólida para promover o ensino do folclore como um meio de pertencimento e expressão atual. Essa sensibilidade para o aspecto mutável da cultura popular é o que garante a transferência do patrimônio cultural de uma geração para a seguinte, assegurando que a tradicionalidade e a dinâmica cultural caminhem juntas na construção de um currículo que valorize a alma da nação brasileira de forma viva e integrada.
4.2. O Folclore Musical e a Formação Docente
A inserção do folclore musical no currículo do Curso Normal transcende a mera transmissão de conteúdos históricos, situando-se no campo da construção da identidade docente por meio da memória afetiva. Ao analisar as circunstâncias em que os 28 discentes interagiam com a música em sua infância, observa-se que a mediação cultural ocorria majoritariamente em contextos de intimidade e cuidado. O índice de 35,7% para a "hora de dormir" e 14,3% para "momentos de carinho e afeto" revela que o primeiro contato com o patrimônio sonoro brasileiro deu-se pela via da oralidade familiar, estabelecendo o que Garcia (2000) define como a função social e afetiva do fato folclórico. Para estes futuros educadores, o folclore musical não é um objeto teórico distante, mas uma vivência consolidada no ambiente doméstico.
A compreensão do folclore como um fenômeno estático ou dinâmico é um divisor de águas na formação docente, pois determina se o tema será trabalhado em sala de aula como uma relíquia do passado ou como uma linguagem pulsante e atual. Ao questionar os discentes sobre a vitalidade das manifestações tradicionais, busca-se identificar o nível de consciência acerca da capacidade de ressignificação dos saberes populares no cotidiano contemporâneo. Essa percepção é essencial para garantir que a transposição didática do folclore ocorra de forma integrada à realidade dos estudantes, reconhecendo as transformações naturais que o tempo impõe aos elementos culturais sem que estes percam sua essência identitária. Os posicionamentos dos participantes sobre a permanência e a evolução desses fatos sociais são apresentados no Gráfico 4, evidenciando uma visão majoritariamente voltada à dinamicidade cultural.
Gráfico 3: Em quais momentos e situações da infância alguém cantava para você com maior frequência ?
Essa base biográfica é fundamental para compreender como os estudantes percebem a vitalidade dessas manifestações no presente. Conforme demonstrado anteriormente no Gráfico 2, a expressiva maioria que considera o folclore "vivo e em constante transformação" (42,9%) ou "vivo e mantendo-se o mesmo" (39,3%) indica que a formação docente está sendo edificada sobre uma visão dinâmica da cultura. Segundo Wolffenbüttel (2019), o saber musical tradicional sobrevive por meio da aceitação coletiva; no contexto do Curso Normal, essa aceitação se manifesta quando a aluna reconhece na música de ninar ou na brincadeira de roda (citada por 28,6% das respondentes como momento frequente) uma ferramenta de interação humana e pedagógica.
A transição da memória pessoal para a prática profissional exige que a escola e o Curso Normal atuem como espaços de reflexão crítica sobre esses repertórios. Ao integrar essas vivências no planejamento pedagógico, a futura professora deixa de apenas reproduzir músicas mecanicamente e passa a utilizá-las como elementos de diálogo para o reconhecimento das identidades culturais dos alunos, conforme preconizado por Santos (2011). O fato de os discentes possuírem lembranças vinculadas ao afeto confere-lhes uma sensibilidade especial para tratar o folclore como um elo de pertencimento, essencial para o desenvolvimento integral da criança nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Portanto, o perfil jovem da amostra, aliado a uma memória rica em tradições orais, sugere que o folclore musical na formação docente atua como um facilitador do processo de ensino-aprendizagem. A consciência de que a cultura popular molda e é moldada pela sociedade, como aponta Ribeiro (2009), permite que estes futuros educadores validem as experiências de seus alunos a partir de suas próprias raízes. Assim, o estudo do folclore musical deixa de ser uma atividade isolada para se tornar um eixo de articulação entre a herança cultural recebida e a nova identidade nacional que elas ajudarão a construir em suas futuras salas de aula.
A legitimidade do folclore musical enquanto objeto de estudo não se restringe apenas ao universo infantil, conforme demonstram os dados referentes ao interesse pedagógico dos participantes. Ao serem questionadas sobre a pertinência do ensino do folclore musical em escolas ou aulas voltadas para adultos (Gráfico 4), as respostas revelaram uma aceitação expressiva e quase unânime. A maioria das discentes, totalizando 46,4%, considera esse ensino essencial, enquanto 42,9% acreditam que o tema deve ser abordado, ainda que como um tópico opcional. Somados, esses índices indicam que quase 90% da amostra reconhece o valor da educação patrimonial para além da educação básica.
Gráfico 4: Você acha que o folclore musical deve ser ensinado nas escolas ou aulas para adultos?
Este posicionamento é estrategicamente relevante para o contexto do Curso Normal, pois justifica a importância da sólida construção de repertório que estes futuros educadores estão recebendo. Segundo a perspectiva de Santos (2011), a educação deve servir como um ponto de diálogo para o reconhecimento das experiências de sujeitos em determinados contextos culturais, independentemente da faixa etária. Ao defenderem o ensino para adultos, os alunos demonstram compreender que a identidade nacional e a herança cultural, discutidas por Ribeiro (2009), são processos contínuos de formação que necessitam de espaços institucionais para sua valorização e ressignificação.
Ademais, esse dado reforça a premissa de que o folclore possui uma funcionalidade permanente na sociedade, como aponta Garcia (2000). O reconhecimento de que o adulto também é um sujeito de cultura e que a música tradicional tem o poder de gerar pertencimento evidencia que estes futuros docentes enxergam o folclore como uma ferramenta de cidadania. Portanto, o expressivo interesse pedagógico captado neste eixo da pesquisa não apenas valida a inclusão do folclore musical nos currículos, mas também aponta para uma visão de educação integral, onde o saber popular é respeitado como uma linguagem universal e necessária para a integração efetiva do homem em seu entorno social.
4.3. Memória Afetiva e Pertencimento
Neste eixo, a análise debruça-se sobre a dimensão subjetiva da música tradicional, investigando como as experiências da infância moldam o repertório emocional dos futuros educadores. As respostas obtidas na Pergunta 1 e 3 revelam que a presença da música na infância dos participantes é quase onipresente, sendo mediada por figuras de referência como familiares e cuidadores. O predomínio de respostas afirmativas ("Sim") para a prática de cantar ou ouvir músicas tradicionais estabelece o que se pode chamar de alicerce da memória afetiva.
Ao detalharem os momentos em que essas práticas ocorriam, as discentes destacam cenários de profunda conexão emocional. A recorrência de contextos como "Na hora de dormir (canções de ninar)", "Em momentos de carinho e afeto" e "Em reuniões ou festas de família" demonstra que o folclore musical está intrinsecamente ligado ao ambiente de segurança e acolhimento do núcleo familiar. Conforme postula Garcia (2000), o folclore é um saber funcional que se manifesta nas práticas cotidianas. Neste caso, a função da música transcende o estético, atuando como um instrumento de vinculação afetiva que perdura através do tempo.
Essa transferência de saber por meio do afeto é o que consolida o sentimento de pertencimento. Quando a música é transmitida em momentos de carinho ou em brincadeiras de roda, ela deixa de ser um conteúdo externo para se tornar parte da identidade do sujeito. Para os alunos do Curso Normal, essas memórias não são apenas lembranças passivas, mas formam a base de sua "bagagem cultural", influenciando a forma como elas percebem a importância da música na educação infantil. Segundo Wolffenbüttel (2019), as vivências e os significados atribuídos pelos sujeitos são de grande relevância para compreender a realidade social; no contexto desta pesquisa, a memória afetiva aparece como o motor que mantém a tradição viva.
Portanto, o pertencimento identificado nas respostas não se refere apenas a um grupo geográfico ou nacional, mas a uma "comunidade de memórias". A música tradicional serve como um elo que conecta o passado familiar dos discentes ao seu futuro papel pedagógico. Ao reconhecerem que suas próprias identidades foram moldadas por essas trocas culturais afetivas, os futuros docentes são instigados a valorizar a escola como um espaço onde novos vínculos de pertencimento podem ser criados, utilizando o folclore musical como uma linguagem de acolhimento e reconhecimento das experiências dos seus futuros alunos.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa possibilitou compreender as concepções de alunos do Curso Normal acerca do folclore e evidenciou a relevância desse conhecimento na formação de futuros educadores. Os dados analisados demonstraram que as participantes reconhecem o folclore como uma manifestação cultural viva, vinculada à identidade de um povo e à ressignificação de tradições transmitidas entre gerações. Contudo, também foi possível perceber que essa compreensão ainda se apresenta, em muitos casos, limitada à associação com lendas e mitos, revelando a necessidade de ampliação do entendimento sobre a abrangência das manifestações folclóricas, especialmente no que se refere à música, às danças, às brincadeiras e demais expressões culturais.
A investigação revelou ainda que as memórias afetivas dos participantes desempenham papel significativo na relação estabelecida com o folclore musical. As experiências vividas na infância, sobretudo em contextos familiares marcados por canções de ninar, brincadeiras e momentos de afeto, demonstraram ser elementos importantes na construção do sentimento de pertencimento cultural. Essas vivências fortalecem o reconhecimento do folclore como patrimônio vivo e contribuem para a valorização de práticas pedagógicas que dialoguem com a realidade sociocultural dos estudantes.
Outro aspecto relevante observado foi o reconhecimento, por parte dos alunos, do potencial pedagógico do folclore musical em diferentes contextos educativos. Ao atribuírem importância ao ensino dessas manifestações tanto para crianças quanto para adultos, os futuros docentes demonstram compreender que a valorização da cultura popular constitui o fortalecimento identitário, promoção do pertencimento e construção de aprendizagens significativas.
Dessa forma, conclui-se que o Curso Normal desempenha papel fundamental na formação de educadores sensíveis à valorização da cultura popular e preparados para integrar o folclore às práticas pedagógicas de maneira crítica e significativa. Entretanto, os resultados também apontam para a necessidade de ampliar espaços formativos que aprofundem o estudo do folclore em suas múltiplas dimensões, favorecendo uma abordagem mais integrada e consciente desse patrimônio cultural.
Por fim, espera-se que esta pesquisa contribua para reflexões sobre a importância da inserção do folclore musical na formação docente, reforçando seu valor como instrumento de preservação cultural e de fortalecimento da identidade coletiva. Valorizar o folclore no contexto educacional significa reconhecer a riqueza das experiências culturais do povo brasileiro e promover uma educação comprometida com a memória, a diversidade e o pertencimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Discente não regular do Curso Superior de Mestrado em educação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Campus Litoral Norte. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Discente do Curso Superior de Doutorado em Educação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Campus Litoral Norte. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Mestra no Curso Superior de Mestrado em Educação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Campus Litoral Norte. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Discente do Curso Superior de Mestrado em Educação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Campus Litoral Norte. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
5 Mestra no Curso Superior de Mestrado em Educação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Campus Litoral Norte. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
6 Mestra no Curso Superior de Mestrado em Educação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Campus Litoral Norte. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail