REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790225009
RESUMO
Os aplicativos móveis consolidam-se como tecnologias de apoio à educação e à promoção da saúde ao combinar acesso ubíquo à informação, interatividade, monitoramento, lembretes e recursos multimídia. Este artigo objetiva analisar potencialidades, evidências de uso e desafios dos aplicativos móveis empregados em ações educativas e de promoção da saúde. Realizou-se revisão bibliográfica narrativa e analítica de publicações em português, priorizando estudos de 2021 a 2026. Foram analisadas aplicações em doenças crônicas, saúde materno-infantil, prevenção de agravos, educação profissional, saúde mental e práticas integrativas. Os achados apontam ganhos em conhecimento, autonomia e apoio ao autocuidado quando há validação científica, linguagem adequada e design centrado no usuário. Persistem desafios relacionados à equidade digital, privacidade, atualização científica e avaliação de efetividade. Conclui-se que aplicativos móveis são recursos pedagógicos promissores quando integrados ao cuidado e à mediação profissional.
Palavras-chave: Aplicativos móveis; Educação em saúde; Promoção da saúde; Tecnologia educacional; Saúde digital.
ABSTRACT
Mobile applications have become important technologies for health education and health promotion by combining ubiquitous access to information, interactivity, monitoring, reminders and multimedia resources. This article analyzes the potential, evidence of use and challenges of mobile applications employed in educational and health promotion actions. A narrative and analytical literature review was conducted, prioritizing Portuguese-language studies published from 2021 to 2026. Applications were identified in chronic diseases, maternal and child health, disease prevention, professional education, mental health and integrative practices. Findings indicate gains in knowledge, autonomy and self-care support when scientific validation, appropriate language and user-centered design are present. Challenges remain regarding digital equity, privacy, scientific updating and effectiveness evaluation. Mobile applications are promising pedagogical resources when integrated with care and professional mediation.
Keywords: Mobile applications; Health education; Health promotion; Educational technology; Digital health.
1. INTRODUÇÃO
A incorporação de dispositivos móveis ao cotidiano modificou as formas de buscar informações, comunicar-se e tomar decisões relacionadas à saúde. No campo da saúde digital, os aplicativos móveis ampliam a possibilidade de ofertar conteúdos educativos em diferentes tempos e espaços, favorecendo acesso rápido, repetição de informações e acompanhamento de comportamentos. Em estudo sobre tecnologias educacionais para pessoas com diabetes, aplicativos e plataformas interativas apareceram entre os recursos utilizados para promover autocuidado e aprendizagem, ao lado de telemonitoramento, vídeos e simulações (Sá et al., 2023). Essa convergência entre mobilidade, educação e cuidado torna os aplicativos relevantes para estratégias contemporâneas de promoção da saúde.
Na perspectiva pedagógica, o valor de um aplicativo não decorre apenas de sua disponibilidade tecnológica, mas da capacidade de organizar conteúdos confiáveis em experiências de aprendizagem compreensíveis, interativas e adequadas ao público. Ferreira e Gomes Junior (2021) observaram, em aplicativos destinados a crianças e adolescentes com condições crônicas, que linguagem simples, recursos visuais, humor e gamificação podem favorecer interesse e uso. Assim, o desenho educacional precisa considerar objetivos de aprendizagem, letramento em saúde, faixa etária, contexto sociocultural, acessibilidade e possibilidade de participação ativa do usuário, evitando que a tecnologia se reduza a um repositório de informações.
No campo assistencial, diferentes estudos brasileiros demonstram a expansão dos aplicativos para educação sobre sepse, diabetes, tuberculose, saúde oral, cuidados ao recém-nascido, terapia medicamentosa, condições crônicas e saúde mental. Limeira et al. (2023) desenvolveram tecnologia para prevenção e reconhecimento precoce da sepse, enquanto Assis et al. (2024) validaram o TBApp para apoiar o autocuidado de pessoas com tuberculose. Mais recentemente, Costa et al. (2026) desenvolveram e validaram um aplicativo voltado à assistência em saúde mental por meio da auriculoterapia, reunindo conteúdo educativo, identificação de sintomas emocionais e protocolos de acupressão auricular. Esses resultados reforçam a necessidade de desenvolvimento metodologicamente orientado e validação antes da recomendação de uso em saúde.
Diante desse cenário, questiona-se de que maneira os aplicativos móveis podem contribuir efetivamente para processos de educação e promoção da saúde, sem ampliar desigualdades ou comprometer a qualidade da informação. O objetivo deste artigo é analisar, à luz da literatura recente, as potencialidades pedagógicas e assistenciais dos aplicativos móveis, suas principais áreas de aplicação e os desafios de qualidade, usabilidade, acessibilidade, privacidade e avaliação de resultados. A discussão articula conhecimentos da educação e da saúde, compreendendo a tecnologia como mediação do cuidado e da aprendizagem, e não como substituta da interação humana e do acompanhamento profissional.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Saúde Móvel, Educação em Saúde e Promoção da Autonomia
A saúde móvel, frequentemente identificada pela expressão mHealth, compreende o uso de dispositivos móveis e de suas aplicações para apoiar comunicação, educação, acompanhamento e intervenções em saúde. Nonato et al. (2023) destacam que ferramentas mHealth ampliam o acesso à informação e podem aproximar conteúdos especializados de diferentes públicos. Para a educação em saúde, essa característica favorece aprendizagens distribuídas no cotidiano, nas quais o usuário consulta orientações no momento em que necessita, revisita informações e estabelece relações entre conhecimento e experiência concreta. A mobilidade, portanto, altera a temporalidade da ação educativa e pode fortalecer a continuidade do cuidado.
Na promoção da saúde, aplicativos podem apoiar processos de autonomia quando auxiliam o usuário a compreender riscos, reconhecer sinais, registrar informações e acompanhar metas. Lemos et al. (2023), ao analisarem aplicativos em português para diabetes mellitus, identificaram funções como monitoramento de glicemia, insulina, alimentação, atividade física, gráficos e lembretes. Embora a presença dessas funcionalidades seja expressiva, os autores também apontam que mecanismos capazes de personalizar estratégias e favorecer mudança de comportamento ainda são limitados. Isso evidencia que a mera oferta de dados não garante aprendizagem significativa nem mudança sustentável de práticas.
A educação em saúde mediada por aplicativos é mais consistente quando incorpora princípios de dialogicidade, adequação linguística e apoio à decisão. Meirelles, Teixeira e França (2022) mostraram que o WhatsApp pode apoiar ações de educação na saúde e a comunicação entre atores envolvidos em processos de educação permanente. O aplicativo, nesse caso, funciona como ambiente de circulação de informações e interação, aproximando educação formal e aprendizagem situada no trabalho. A dimensão educativa emerge da forma como a tecnologia é integrada a objetivos, relações e práticas concretas, e não somente do recurso digital utilizado.
2.2. Design Pedagógico, Interatividade e Aprendizagem
O desenvolvimento de aplicativos educativos exige integração entre conhecimento científico, design instrucional e engenharia de software. Silva et al. (2022), na construção e validação do ROBOVID para educação sobre COVID-19, estruturaram o processo em etapas e obtiveram altos índices de validação global, incluindo conteúdo, adequação cultural, linguagem, ilustração e apresentação. O resultado evidencia que qualidade educacional depende de coerência entre o que se ensina, como a informação é apresentada e quem a utilizará. A validação por especialistas não elimina a necessidade de avaliação pelo público-alvo, mas constitui barreira importante contra conteúdos imprecisos ou inadequados.
Recursos multimídia, simulações, feedbacks e mecanismos de interação podem ampliar o envolvimento do usuário e apoiar diferentes estilos de aprendizagem. Saito e Dal Sasso (2023) identificaram contribuições de aplicativos móveis para o desenho e a condução de simulações clínicas de alta fidelidade em enfermagem, demonstrando que a mobilidade também pode beneficiar a formação de profissionais. Quando articulados a cenários de prática, os aplicativos podem funcionar como guias, fontes rápidas de consulta, instrumentos de organização e suporte ao raciocínio. O ganho pedagógico é maior quando o recurso digital está associado a uma estratégia educacional planejada e a momentos de reflexão sobre a experiência.
Na aprendizagem voltada ao autocuidado, a interatividade pode transformar o usuário de receptor passivo em participante de seu processo educativo. Cargnin et al. (2024) validaram conteúdo de aplicativo para autocuidado da dor lombar crônica inespecífica e evidenciaram boa confiabilidade entre especialistas. Já Fonsêca et al. (2025) encontraram elevados índices de validade de conteúdo em aplicativo de saúde oral para idosos com diabetes, inclusive na avaliação por pessoas idosas. Esses achados reforçam que testes de conteúdo, aparência e usabilidade são etapas complementares, especialmente quando a tecnologia se destina a públicos com necessidades específicas de acessibilidade e letramento.
2.3. Qualidade, Acessibilidade, Privacidade Equidade Digital
A disseminação de aplicativos em saúde também produz desafios relacionados à qualidade da informação. Aplicativos podem ser atualizados com rapidez, mas essa mesma característica exige governança editorial, rastreabilidade das fontes e revisão periódica do conteúdo. Limeira et al. (2023) basearam a construção de seu aplicativo em instituições e referências especializadas e submeteram o conteúdo a profissionais experientes. Em saúde, esse cuidado é essencial porque informações incorretas podem induzir atrasos na procura por assistência, práticas inadequadas de autocuidado ou interpretações equivocadas sobre sintomas e tratamentos.
A acessibilidade deve ser compreendida de forma ampla, envolvendo legibilidade, contraste, tamanho de fonte, linguagem, navegação, compatibilidade com recursos assistivos e possibilidade de uso em diferentes condições de conectividade. Ferreira e Gomes Junior (2021) mostram que o perfil do público influencia diretamente as escolhas de linguagem e recursos visuais.
Para Fonsêca et al. (2025), ao incluírem pessoas idosas na avaliação de um aplicativo, reforçam a importância de testar a tecnologia com usuários reais. Projetar para diversidade significa reconhecer que acesso ao smartphone não é equivalente a acesso efetivo ao conhecimento em saúde.
Aspectos de privacidade e proteção de dados tornam-se particularmente sensíveis quando aplicativos registram sintomas, medicamentos, exames ou comportamentos. Mesmo quando a finalidade principal é educativa, funcionalidades de cadastro e monitoramento podem produzir dados pessoais e informações de saúde. Por isso, a adoção institucional de aplicativos deve considerar minimização de dados, transparência, consentimento, segurança, definição de responsabilidades e conformidade com normas aplicáveis. Também é necessário evitar exclusão de pessoas com baixa conectividade, menor alfabetização digital ou limitações funcionais, mantendo alternativas educativas presenciais e não digitais.
2.4. Saúde Mental, Práticas Integrativas e Tecnologias Móveis
A saúde mental representa um campo relevante para o desenvolvimento de tecnologias móveis porque demanda estratégias de educação, reconhecimento precoce de sinais, autocuidado e encaminhamento oportuno. Nesse cenário, aplicativos podem ampliar o acesso a informações e apoiar intervenções complementares, especialmente em ambientes educacionais nos quais ansiedade, estresse e depressão repercutem sobre bem-estar, permanência e aprendizagem. Costa et al. (2026) situam essa possibilidade ao integrar saúde digital e auriculoterapia em uma ferramenta direcionada à comunidade acadêmica, compreendendo a tecnologia como recurso de apoio e não como substituta do acompanhamento profissional.
O Auripress foi desenvolvido para dispositivos Android e organizado em 50 telas, com conteúdos educativos sobre saúde mental e auriculoterapia, vídeo explicativo, informações sobre sinais e sintomas, mapeamento auricular e protocolos de acupressão. A proposta permite que usuários consultem orientações e realizem acupressão auricular como estratégia de autocuidado, articulando educação em saúde, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e tecnologia móvel. A busca de anterioridade realizada pelos autores identificou 1.349 registros em bases tecnológicas, sem localizar proposta semelhante, o que reforçou o caráter inovador do produto (Costa et al., 2026).
Do ponto de vista educacional, a experiência do Auripress evidencia a importância de combinar conteúdo validado, navegação intuitiva e avaliação com diferentes perfis de usuários. A média geral do System Usability Scale entre usuários foi de 79,72 pontos, classificada como excelente, enquanto especialistas em tecnologia avaliaram positivamente requisitos de usabilidade, eficiência e portabilidade. Esses achados são especialmente relevantes porque parte dos participantes relatou pouca familiaridade com informática, indicando que interfaces acessíveis podem reduzir barreiras de uso. A experiência também mostra que a avaliação de segurança, manutenção e compatibilidade deve acompanhar o desenvolvimento de tecnologias em saúde (Costa et al., 2026).
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfica de abordagem narrativa e analítica, orientada para a compreensão das contribuições dos aplicativos móveis à educação e à promoção da saúde. A opção por esse desenho decorre da heterogeneidade dos estudos disponíveis, que incluem pesquisas metodológicas de desenvolvimento e validação, revisões integrativas e de escopo, avaliações de usabilidade, estudos quase-experimentais e investigações sobre uso de aplicativos em contextos educativos e assistenciais. A revisão buscou integrar resultados de interesse para os campos da educação e da saúde, sem pretensão de estimar efeito combinado de intervenções.
A busca bibliográfica foi atualizada entre agosto e setembro de 2026 e priorizou publicações em português, disponíveis em periódicos científicos indexados ou em portais acadêmicos de reconhecida relevância. Foram utilizados, de modo combinado, os termos “aplicativos móveis”, “educação em saúde”, “promoção da saúde”, “mHealth”, “tecnologia educacional”, “autocuidado” e “saúde mental”. Foram incluídos estudos de desenvolvimento, validação, usabilidade, efetividade e revisões com interface direta entre tecnologia móvel e processos educativos ou de promoção da saúde. Também foi incorporado o estudo de Costa et al. (2026), por apresentar desenvolvimento e validação de aplicativo móvel voltado à saúde mental no contexto acadêmico.
Para a análise, foram selecionados quinze trabalhos representativos, organizados segundo ano, população ou contexto, finalidade educacional e contribuição principal. A síntese temática agrupou os achados em seis eixos: autocuidado e doenças crônicas; educação e formação; saúde materno-infantil; condições agudas ou infecciosas; acessibilidade e validação; e saúde mental associada às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde.
Como critérios de análise crítica, consideraram-se clareza do objetivo educativo, adequação do conteúdo ao público, processo de validação, presença de recursos interativos, evidências de usabilidade ou efetividade e limitações relacionadas ao acesso. Por se tratar de pesquisa bibliográfica com fontes públicas, não houve participação direta de seres humanos. A principal limitação metodológica consiste no caráter narrativo da revisão, que não permite afirmar exaustividade da literatura nem comparar quantitativamente a eficácia entre aplicativos heterogêneos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A literatura recente revela crescimento da produção de aplicativos voltados à educação em saúde e ao apoio ao autocuidado, com forte presença de estudos metodológicos de desenvolvimento e validação. Nos quinze trabalhos analisados, predominam tecnologias direcionadas a doenças crônicas, educação profissional e prevenção de agravos, mas também emergem aplicações voltadas à saúde mental e às práticas integrativas. O estudo de Costa et al. (2026), ao validar o Auripress junto à comunidade acadêmica e a especialistas em tecnologia, amplia esse panorama ao demonstrar que aplicativos podem integrar informação científica, autocuidado e apoio ao bem-estar emocional em instituições de ensino.
A síntese dos estudos demonstra que as contribuições mais frequentes estão relacionadas à ampliação do acesso à informação, apoio à tomada de decisão cotidiana, organização do autocuidado e melhoria do conhecimento. Oliveira et al. (2026) observaram aumento do conhecimento de profissionais e familiares após o uso do Nasci Bem. No campo da saúde mental, Costa et al. (2026) encontraram média geral de 79,72 pontos no SUS entre usuários do Auripress, com classificação excelente, além de avaliação positiva de especialistas. Embora os desfechos sejam distintos, os estudos convergem ao indicar que utilidade percebida, clareza do conteúdo e facilidade de navegação influenciam a apropriação educativa das tecnologias móveis.
Entretanto, os resultados também indicam que validação de conteúdo, satisfação e boa usabilidade não equivalem automaticamente a efetividade clínica ou mudança comportamental sustentada. Sá et al. (2023) apontam a necessidade de evidências mais robustas sobre tecnologias educacionais para autocuidado, e essa cautela também se aplica ao Auripress. O estudo de Costa et al. (2026) demonstra qualidade tecnológica e aceitabilidade, mas sua finalidade é complementar, educativa e de apoio ao autocuidado, não constituindo substituição de acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou de outras formas de cuidado profissional. A distinção entre qualidade do produto, aprendizagem e impacto clínico é essencial para interpretar adequadamente aplicativos em saúde.
4.1. Síntese de Estudos Recentes Sobre Aplicativos Móveis em Educação e Promoção da Saúde
Autor/ano | Público/contexto | Finalidade | Síntese do achado |
Ferreira; Gomes Junior, 2021 | Crianças/adolescentes com doença crônica | Desenvolvimento e uso de apps | Linguagem simples, gamificação e recursos visuais favorecem interesse. |
Meirelles; Teixeira; França, 2022 | Educação permanente em saúde | WhatsApp como suporte educativo | Fortalece comunicação e gestão de ações educativas. |
Silva et al., 2022 | População geral/COVID-19 | Educação e prevenção | ROBOVID apresentou alta validade de conteúdo e apresentação. |
Limeira et al., 2023 | População geral/sepse | Prevenção e reconhecimento precoce | Aplicativo validado com concordância média de 99%. |
Lemos et al., 2023 | Pessoas com diabetes | Educação e autogestão | Apps oferecem monitoramento; personalização ainda é limitada. |
Sá et al., 2023 | Pessoas com diabetes | Autocuidado | Apps integram conjunto de tecnologias educacionais; faltam evidências robustas. |
Araujo et al., 2023 | Pais de recém-nascidos | Orientação para o cuidado | Apps apoiam orientação parental e prevenção de agravos. |
Saito; Dal Sasso, 2023 | Estudantes/profissionais de enfermagem | Simulação clínica | Apps apoiam design e condução de simulações. |
Assis et al., 2024 | Pessoas com tuberculose | Gestão do autocuidado | TBApp validado em conteúdo, funcionalidade e usabilidade. |
Cargnin et al., 2024 | Profissionais com dor lombar crônica | Autocuidado | Protótipo apresentou conteúdo confiável e válido. |
Muniz et al., 2025 | Profissionais de enfermagem | Terapia medicamentosa | Tecnologia móvel estruturada como recurso de apoio educativo. |
Fonsêca et al., 2025 | Idosos com diabetes | Saúde oral e autocuidado | Alta validade por especialistas e pessoas idosas. |
Oliveira et al., 2026 | Profissionais e familiares de RN | Cuidado humanizado ao recém-nascido | Aumento de conhecimento após intervenção com aplicativo. |
Santana; Sousa, 2026 | Cuidadores de crianças com TEA | Educação para cuidado domiciliar | Conteúdo validado, claro e relevante; IVC global 0,97. |
Costa et al., 2026 | Comunidade acadêmica/saúde mental | Educação, auriculoterapia e autocuidado | Auripress: 50 telas; SUS 79,72 (excelente) e avaliação positiva por especialistas, com integração entre conteúdo educativo, sintomas emocionais e acupressão auricular. |
Fonte: elaboração própria (2026).
O Quadro 1 evidencia que a maior parte das experiências recentes combina conteúdo educativo com funções de apoio ao autocuidado. Aplicativos voltados a diabetes, tuberculose, dor lombar e saúde oral transformam orientações clínicas em recursos de consulta cotidiana. A inclusão do Auripress amplia essa lógica para a saúde mental, ao associar informações sobre sintomas emocionais, conteúdos educativos e protocolos de acupressão auricular. Costa et al. (2026) demonstram que o recurso foi bem aceito por usuários de diferentes perfis e apresentou avaliação tecnológica favorável, reforçando a importância de testar a experiência de uso antes da incorporação institucional.
Também se observa expansão dos aplicativos para públicos que tradicionalmente dependem de educação mediada por familiares ou profissionais. Araujo et al. (2023) mapearam aplicativos destinados a apoiar pais no cuidado ao recém-nascido, enquanto Santana e Sousa (2026) desenvolveram e validaram conteúdo educativo para cuidadores de crianças com transtorno do espectro autista. Em ambos os contextos, a tecnologia pode prolongar a ação educativa para além do encontro presencial, permitindo consulta repetida de orientações e maior segurança no cuidado domiciliar.
Quadro 2. Aplicativos móveis nominalmente identificados na literatura analisada, respectivas usabilidades e autoria.
Aplicativo | Usabilidade e principal finalidade | Autor/data |
ROBOVID | Educação em saúde sobre COVID-19. Organiza conteúdo validado quanto a conteúdo, adequação cultural, linguagem, ilustrações e apresentação para apoiar prevenção e compreensão da doença. | Silva et al., 2022 |
TBApp | Gestão do autocuidado de pessoas com tuberculose na Atenção Primária à Saúde. Foi avaliado em conteúdo, funcionalidade, confiabilidade, usabilidade e eficiência. | Assis et al., 2024 |
Autocuidado lombar | Apoio ao autocuidado de profissionais de saúde com dor lombar crônica inespecífica, com conteúdo educativo validado para orientar medidas de autogestão. | Cargnin et al., 2024 |
Oral DM Plus | Educação sobre saúde bucal e diabetes para pessoas idosas. Inclui módulos educativos, vídeos legendados, ajuste do tamanho da fonte e opção de idioma, favorecendo acessibilidade e autocuidado. | Fonsêca et al., 2025 |
Enf na Dose Certa | Suporte educativo à enfermagem na terapia medicamentosa de adultos e idosos, abordando segurança, cálculo, vias de administração e prevenção de erros. Obteve escore SUS de 91,2, classificado como “melhor imaginável”. | Muniz et al., 2025 |
Nasci Bem | Intervenção educativa sobre cuidados ao recém-nascido destinada a profissionais de saúde e familiares, utilizada para ampliar conhecimentos relacionados ao cuidado neonatal. | Oliveira et al., 2026 |
TEAjuda | Protótipo educacional gratuito para cuidadores de crianças com transtorno do espectro autista, com módulos voltados à compreensão do TEA e ao manejo do cuidado domiciliar, incluindo orientações para situações de crise. | Santana; Sousa, 2026 |
Auripress | Educação e apoio ao autocuidado em saúde mental por meio da auriculoterapia/acupressão auricular. Aplicativo Android com 50 telas, conteúdos educativos, vídeos, identificação de sinais e sintomas e protocolos auriculares. Obteve SUS médio de 79,72 entre usuários; especialistas avaliaram a usabilidade em 90,1% e a qualidade global em 79,65%. | Costa et al., 2026 |
Fonte: elaboração própria a partir dos estudos selecionados (2026).
Como demonstra o Quadro 2, os aplicativos analisados abrangem públicos e objetivos distintos, desde educação sobre COVID-19, tuberculose, dor lombar e segurança medicamentosa até saúde oral, cuidado neonatal, apoio a cuidadores de crianças com TEA e saúde mental. O Auripress diferencia-se por integrar educação em saúde e uma Prática Integrativa e Complementar, oferecendo ao usuário orientação sobre acupressão auricular e reconhecimento de sinais emocionais. Essa diversidade confirma que a saúde móvel não constitui intervenção única, mas um conjunto de estratégias pedagógicas adaptadas a problemas específicos e a diferentes níveis de autonomia dos usuários (Muniz et al., 2025; Costa et al., 2026).
4.2. Potencial Educativo e Promoção do Autocuidado
Gráfico 1. Ênfase principal dos 15 estudos analisados.
O Gráfico 1 mostra predominância do eixo autocuidado e doenças crônicas na amostra, seguido por educação e formação. A inclusão do estudo sobre o Auripress introduz explicitamente o eixo saúde mental e PICS, evidenciando a diversificação temática das tecnologias móveis em saúde. Embora represente um estudo na síntese, esse eixo é relevante por aproximar promoção da saúde mental, educação e práticas integrativas em contexto acadêmico. A distribuição demonstra que os aplicativos podem responder tanto a necessidades de acompanhamento continuado quanto a demandas de prevenção, formação e bem-estar, desde que sua finalidade seja claramente delimitada e sustentada por evidências.
O potencial educativo torna-se mais evidente quando o aplicativo oferece informações compreensíveis e conteúdos acionáveis. Limeira et al. (2023) estruturaram telas para prevenção e reconhecimento da sepse com linguagem voltada ao público leigo, enquanto Fonsêca et al. (2025) validaram conteúdo sobre saúde oral de idosos com diabetes. No Auripress, conteúdos sobre saúde mental, sinais e sintomas, vídeos e protocolos de acupressão auricular procuram transformar conhecimento especializado em orientação utilizável no cotidiano. Essa combinação pode favorecer autoconhecimento e busca precoce de apoio, desde que o aplicativo explicite seus limites e mantenha conexão com redes de cuidado (Costa et al., 2026).
A promoção do autocuidado, contudo, deve ser entendida como processo educativo e relacional. Aplicativos podem lembrar, registrar, orientar e ampliar acesso a práticas de autocuidado, mas não substituem avaliação clínica, escuta, negociação de metas e apoio social. No caso do Auripress, a acupressão auricular é apresentada como estratégia complementar de apoio ao equilíbrio emocional, integrada a conteúdo educativo e reconhecimento de sintomas. A melhor utilização tende a ocorrer em modelos híbridos, nos quais aplicativos complementam consultas, grupos educativos, ações institucionais, telemonitoramento ou acompanhamento multiprofissional, preservando a responsabilidade compartilhada pelo cuidado (Sá et al., 2023; Costa et al., 2026).
4.3. Qualidade do Conteúdo, Usabilidade e Efetividade
A validação de conteúdo aparece como preocupação recorrente na produção brasileira. Limeira et al. (2023) obtiveram concordância média de 99% entre especialistas no aplicativo sobre sepse, Silva et al. (2022) relataram Índice de Validade Global de 97% no ROBOVID e Santana e Sousa (2026) alcançaram índice global de 0,97 no aplicativo destinado a cuidadores de crianças com autismo. No Auripress, a avaliação pelo público-alvo resultou em SUS médio de 79,72, classificado como excelente, enquanto a avaliação global de especialistas baseada na ISO/IEC 25010 alcançou 79,65%, considerada boa (Costa et al., 2026). Esses dados demonstram diferentes estratégias de validação e reforçam que qualidade deve ser examinada em múltiplas dimensões.
A efetividade precisa ser mensurada junto aos usuários, preferencialmente com comparação antes e depois da intervenção, acompanhamento temporal e indicadores coerentes com o objetivo educativo. Oliveira et al. (2026) observaram melhora do conhecimento de profissionais e familiares após uso do Nasci Bem, com aumento de 42,8% para 64,3% no total de acertos. O achado ilustra a importância de avançar para estudos que examinem aprendizagem, retenção, adesão, comportamento e, quando apropriado, desfechos clínicos. Também é necessário avaliar possíveis efeitos indesejados, como dependência excessiva do aplicativo ou falsa sensação de segurança.
Usabilidade e acessibilidade constituem condições para que o conteúdo cientificamente correto seja efetivamente aprendido. Ferreira e Gomes Junior (2021) destacaram linguagem simples e design atrativo para crianças e adolescentes, e Fonsêca et al. (2025) incluíram avaliação de pessoas idosas. No Auripress, parte dos participantes relatou pouco conhecimento em informática, mas as médias de usabilidade permaneceram elevadas entre diferentes faixas etárias e sexos. O achado sugere que navegação intuitiva e organização adequada das funções podem reduzir barreiras de letramento digital, embora a avaliação de acessibilidade deva continuar contemplando legibilidade, carga cognitiva, conectividade e compatibilidade com recursos assistivos (Costa et al., 2026).
Por fim, a sustentabilidade de um aplicativo depende de atualização, manutenção técnica, segurança e definição de responsabilidade pelo conteúdo. A adoção institucional deve incluir curadoria, revisão científica, gestão de versões e monitoramento de falhas (Costa et al., 2026).
4.4. Desafios para o Uso de Aplicativos Móveis na Educação e Promoção da Saúde
Um dos principais desafios consiste em assegurar qualidade científica, atualização contínua e efetividade das informações oferecidas pelos aplicativos. A validação de conteúdo por especialistas reduz inconsistências, mas não comprova, isoladamente, aprendizagem duradoura, mudança de comportamento ou melhora clínica. Limeira et al. (2023) e Sá et al. (2023) reforçam a necessidade de avaliação metodológica das tecnologias educativas, enquanto Oliveira et al. (2026) demonstra a relevância de mensurar resultados antes e depois da intervenção. Assim, além de desenvolver e validar a ferramenta, é necessário acompanhar sua utilização em condições reais, revisar conteúdos periodicamente e definir indicadores compatíveis com os objetivos educacionais e assistenciais.
Outro desafio envolve equidade digital, acessibilidade e letramento em saúde e tecnologia. Possuir um smartphone não significa compreender conteúdos, navegar com autonomia ou dispor de conexão estável. Ferreira e Gomes Junior (2021) destacam a necessidade de linguagem simples e recursos adequados ao público, enquanto Fonsêca et al. (2025) evidencia a importância de avaliar aplicativos com usuários reais. No estudo do Auripress, participantes com diferentes níveis de conhecimento em informática apresentaram boa usabilidade, mas os achados não eliminam barreiras relacionadas à conectividade, limitações funcionais e baixa familiaridade tecnológica (Costa et al., 2026). Por isso, alternativas não digitais e princípios de desenho inclusivo devem acompanhar a adoção dessas ferramentas.
Quadro 3. Principais desafios para o uso de aplicativos móveis na educação e promoção da saúde.
Desafio | Repercussões para educação e promoção da saúde | Direcionamentos |
Qualidade e atualização científica | Informações desatualizadas ou sem validação podem comprometer decisões e práticas de autocuidado (Limeira et al., 2023). | Curadoria por especialistas, referências rastreáveis, revisão periódica e controle de versões. |
Equidade, acessibilidade e letramento digital | Diferenças de conectividade, escolaridade, idade, deficiência e familiaridade tecnológica podem restringir o uso efetivo (Ferreira; Gomes Junior, 2021; Fonsêca et al., 2025). | Design inclusivo, linguagem clara, testes com públicos diversos e oferta de alternativas não digitais. |
Privacidade e segurança de dados | Cadastros, sintomas e registros de saúde podem gerar riscos de exposição e uso inadequado de informações pessoais (Costa et al., 2026). | Minimização de dados, transparência, consentimento, autenticação quando necessária e avaliação do risco informacional. |
Engajamento e adesão ao longo do tempo | Boa usabilidade inicial não garante uso continuado, aprendizagem persistente ou mudança de comportamento (Sá et al., 2023). | Feedback, objetivos claros, conteúdo acionável, acompanhamento de métricas de uso e estratégias de reengajamento. |
Efetividade educacional e clínica | Satisfação e validação do conteúdo não equivalem automaticamente a melhora de desfechos educacionais ou clínicos (Oliveira et al., 2026). | Estudos longitudinais, avaliação pré e pós-intervenção e indicadores de aprendizagem, comportamento e saúde. |
Sustentabilidade e integração institucional | Aplicativos exigem manutenção técnica, atualização, suporte e definição de responsabilidades para permanecerem seguros e úteis. | Plano de manutenção, governança institucional, capacitação profissional, interoperabilidade quando pertinente e avaliação contínua. |
Fonte: elaboração própria a partir da literatura analisada (2026).
O Quadro 3 evidencia que os desafios são interdependentes. Uma tecnologia cientificamente correta pode produzir pouco efeito se o usuário não consegue acessá-la, compreendê-la ou mantê-la em uso; da mesma forma, um aplicativo atrativo pode gerar riscos quando não há atualização, proteção de dados ou critérios claros de encaminhamento profissional. A segurança merece atenção particular: na avaliação do Auripress, a característica recebeu 53,3% de aprovação, principalmente pela ausência de autenticação individual, embora o aplicativo não armazene dados sensíveis. O resultado demonstra que os requisitos de proteção devem ser dimensionados conforme as funções, os dados coletados e o risco associado a cada solução (Costa et al., 2026).
Também constituem desafios a sustentabilidade técnica, a adesão ao longo do tempo e a integração do aplicativo aos fluxos educativos e assistenciais. Ferramentas móveis necessitam de manutenção, compatibilidade com novas versões de sistemas, revisão de conteúdos, suporte ao usuário e definição institucional de responsabilidades. Meirelles, Teixeira e França (2022) mostram que tecnologias móveis alcançam maior sentido quando inseridas em processos de comunicação e educação em saúde, e não utilizadas de forma isolada. Nesse contexto, a mediação de profissionais, o monitoramento de resultados e a escuta contínua dos usuários são condições para evitar abandono, uso inadequado, autodiagnóstico e substituição indevida do cuidado presencial por soluções digitais.
Por fim, a sustentabilidade de um aplicativo depende de atualização, manutenção técnica, segurança e definição de responsabilidade pelo conteúdo. A experiência do Auripress ilustra a necessidade de avaliar essas dimensões separadamente: especialistas atribuíram 92,2% à eficiência de desempenho e 88,8% à portabilidade, enquanto a segurança recebeu 53,3%, principalmente pela ausência de autenticação individual. Os autores ressaltam que o aplicativo é gratuito e não armazena dados sensíveis, mas o resultado demonstra que requisitos de segurança precisam ser compatíveis com a arquitetura e com o risco informacional de cada tecnologia. A adoção institucional deve incluir curadoria, revisão científica, gestão de versões e monitoramento de falhas (Costa et al., 2026).
4.5. Modelo Integrado para Uso Pedagógico dos Aplicativos Móveis em Saúde
Figura 1. Modelo síntese para uso pedagógico de aplicativos móveis em saúde.
A Figura 1 sintetiza três condições de entrada para que o aplicativo produza efeitos educativos: conteúdo confiável e linguagem clara; interatividade com feedback; e usabilidade associada à acessibilidade e à proteção de dados. Quando essas condições se articulam, ampliam-se as possibilidades de aprendizagem e literacia em saúde, que por sua vez podem contribuir para autonomia, autocuidado e decisão informada. O modelo não pressupõe relação automática entre tecnologia e resultado, pois fatores sociais, clínicos, educacionais e institucionais interferem na experiência do usuário.
Do ponto de vista da educação, a mediação pedagógica permanece central. Aplicativos devem indicar objetivos, organizar progressivamente as informações, estimular reflexão e permitir que o usuário reconheça quando necessita de apoio profissional. Na promoção da saúde, isso significa evitar mensagens prescritivas desvinculadas do contexto e favorecer compreensão dos determinantes que influenciam comportamentos. Meirelles, Teixeira e França (2022) demonstram que ferramentas móveis também podem apoiar redes de comunicação e processos de educação permanente, ampliando a noção de aprendizagem para além do uso individual.
Para serviços e instituições educacionais, o modelo sugere que a escolha de um aplicativo deve ser orientada por critérios explícitos, e não apenas por popularidade ou disponibilidade nas lojas digitais. Evidência científica, adequação ao público, transparência, acessibilidade, privacidade, interoperabilidade quando necessária e existência de plano de atualização são elementos decisivos. A incorporação responsável também requer avaliação contínua de resultados, escuta dos usuários e possibilidade de oferecer alternativas não digitais para pessoas que enfrentam barreiras de acesso.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os aplicativos móveis apresentam importante potencial para educação e promoção da saúde porque aproximam conteúdos, orientações e recursos de acompanhamento do cotidiano dos usuários. A literatura analisada evidencia aplicações em doenças crônicas, saúde materno-infantil, prevenção de agravos, educação permanente, formação profissional e saúde mental. A incorporação do Auripress demonstra que tecnologias móveis também podem articular educação, bem-estar emocional e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, ampliando possibilidades de apoio ao autocuidado no contexto acadêmico.
O alcance desses benefícios depende da capacidade de enfrentar desafios científicos, pedagógicos, tecnológicos, éticos e sociais. Entre os principais obstáculos identificados estão a atualização e a qualidade das informações, a equidade de acesso, o letramento digital, a acessibilidade, a privacidade e a segurança de dados, a adesão continuada, a demonstração de efetividade e a sustentabilidade técnica e institucional. Conteúdo atualizado, linguagem compreensível, interatividade, design centrado no usuário e validação com especialistas e público-alvo devem integrar o desenvolvimento. Além disso, usabilidade, eficiência, portabilidade, segurança e manutenção precisam ser avaliadas de forma articulada, sobretudo quando a tecnologia é incorporada a instituições de ensino ou serviços de saúde.
Conclui-se que aplicativos móveis não devem ser concebidos como substitutos da educação presencial, da relação terapêutica ou do acompanhamento profissional. Sua maior contribuição ocorre quando funcionam como tecnologias complementares, integradas a estratégias de cuidado, ensino, comunicação e promoção da autonomia. Em saúde mental, esse princípio é especialmente importante para evitar autodiagnóstico, uso inadequado de orientações ou retardamento da busca por assistência especializada.
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3 Universidade Federal de Alagoas – Maceió – Alagoas – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4196-2345.
4 Instituto Federal de Alagoas – Maceió – Alagoas – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-3452-6042.
5 Instituto Federal de Alagoas – Maceió – Alagoas – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3043-3598.
6 Instituto Federal do Piauí – Teresina – Piauí – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-4726-2103.
7 Instituto Federal do Piauí – Teresina – Piauí – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0746-8007.
8 Instituto Federal do Piauí – Teresina – Piauí – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-0101-9573.
9 Instituto Federal de Alagoas – Maceió – Alagoas – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4550-2165.
10 Instituto Federal de Alagoas – Maceió – Alagoas – Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mailORCID: https://orcid.org/0009-0005-8301-0750.