ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA NA COMUNIDADE ESTUDANTIL DE MATO GROSSO NO PÓS-PANDEMIA DA COVID-19

ANALYSIS OF THE QUALITY OF LIFE IN THE STUDENT COMMUNITY OF MATO GROSSO IN THE POST-COVID-19 PANDEMIC PERIOD

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776633654

RESUMO
Avaliação da Qualidade de Vida em Mato Grosso no Pós-Covid-19, partindo de uma pergunta-problema: Como os atuais estudantes da Universidade de Mato Grosso têm vivido sua qualidade de vida após a pandemia de COVID-19? O estudo examinou indicadores de saúde física, psicológica, social e ambiental e os vinculou a fatores de proteção e áreas de risco emocional. Participaram do estudo 299 estudantes com idades entre 17 e 60 anos, cursando diferentes instituições. A coleta de dados incluiu a versão adaptada do WHOQOL-BREF em um questionário estruturado. Os resultados demonstram certa complexidade — embora a maioria dos entrevistados relate um senso de propósito na vida, satisfação pessoal e relações pessoais estáveis com os outros, um número considerável experimenta insatisfação corporal, incapacidade de se concentrar e uma abundância de emoções negativas, em particular ansiedade e estresse. Variáveis sociodemográficas — gênero, moradia, orientação sexual, instituição educacional — também foram identificadas como associações importantes com a qualidade de vida, assim como correlações entre fenômenos psicológicos e condições socioeconômicas. De modo geral, esses resultados validam que a qualidade de vida reflete um constructo subjetivo que é moldado por considerações socioculturais, emocionais e de autoimagem, e é caracterizado por desigualdades estruturais evidentes na experiência universitária. Os achados destacam a importância de abordagens institucionais para a estratégia de melhoria da saúde mental, para desenvolver redes de apoio e expandir o acesso aos serviços de saúde mental. 
Palavras-chave: Qualidade de vida; estudantes universitários; saúde mental; WHOQOL-BREF.

ABSTRACT
This study, "Quality of Life Assessment in Mato Grosso in the Post-COVID-19 Era," begins with the research question: How have current students at the University of Mato Grosso experienced their quality of life after the COVID-19 pandemic? The study examined indicators of physical, psychological, social, and environmental health and linked them to protective factors and areas of emotional risk. Participants included 299 students aged 17 to 60 years, attending different institutions. Data collection included an adapted version of the WHOQOL-BREF in a structured questionnaire. The results demonstrate a certain complexity—although most respondents report a sense of purpose in life, personal satisfaction, and stable personal relationships with others, a considerable number experience body dissatisfaction, inability to concentrate, and an abundance of negative emotions, particularly anxiety and stress. Sociodemographic variables—gender, housing, sexual orientation, educational institution—were also identified as important associations with quality of life, as were correlations between psychological phenomena and socioeconomic conditions. Overall, these results validate that quality of life reflects a subjective construct shaped by sociocultural, emotional, and self-image considerations, and is characterized by evident structural inequalities in the university experience. The findings highlight the importance of institutional approaches to the strategy of improving mental health, developing support networks, and expanding access to mental health services.
Keywords: Quality of life; university students; mental health; WHOQOL-BREF.

1. INTRODUÇÃO

Este artigo apresenta um recorte da pesquisa “Equilíbrio emocional e vulnerabilidade às IST/AIDS na comunidade estudantil de Mato Grosso no pós-pandemia da Covid-19”, cuja proposta central é compreender como saúde emocional, sexualidade e vulnerabilidades juvenis se entrelaçam na experiência universitária. Aqui, o foco recai exclusivamente sobre os dados referentes à qualidade de vida, com o objetivo de analisar como dimensões de bem-estar físico, psicológico, social e ambiental se manifestam no cotidiano acadêmico. Busca-se, ainda, investigar de que maneira fatores sociodemográficos e socioeconômicos — como gênero, etnia, renda, moradia, orientação sexual e o contexto institucional — influenciam essa percepção, dada sua relevância nos padrões observados.

A QV também pode assumir muitas formas, pois é inerentemente multidimensional, envolvendo muito mais do que simplesmente a ausência de doença. Inclui, de maneira explicitamente definida e enquadrada, dimensões físicas, emocionais, relacionais e culturais (Grupo WHOQOL, 1995). Autoestima, redes de apoio, condições materiais e percepção de autoimagem são alguns dos determinantes mais importantes da avaliação subjetiva da vida (Fleck et al., 2000; Seidl & Zannon, 2004). Estudos realizados em âmbito nacional e internacional com estudantes universitários mostram que a pandemia de Covid-19 trouxe níveis elevados de ansiedade, fragilidades emocionais e insatisfação corporal, impactando assim o desempenho acadêmico e a sociabilidade em geral (Dias; Pereira; Silva, 2024; Silva; Souza; Alves, 2022).

Ao mesmo tempo, novas pesquisas mostram que desigualdades estruturais — de raça, gênero, classe e território — carregam um fardo crescente nas experiências dos estudantes em relação ao seu bem-estar. Esses fatores também são evidentes nos achados deste estudo. E assim, estudar a QV usando uma perspectiva que combina marcadores subjetivos — significado existencial, aceitação corporal, dinâmica de relacionamento, existência de tipos de emoções negativas — e contribuições sociodemográficas nos dá conhecimento sobre aquelas vulnerabilidades e opções que caracterizam o período pós-pandemia. Essa abordagem apoia a construção de intervenções mais baseadas nas realidades dos estudantes, com foco na saúde mental, apoio social, aceitação e diversidade, e na injustiça que permeia a vida universitária.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. (OMS, 1997, s/p)

Qualidade de vida (QV) é um conceito multidimensional, abrangendo dimensões físicas, psicológicas, sociais e ambientais, que encapsulam a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida diária de uma pessoa. Qualidade de vida, segundo a OMS, é "a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações" (Grupo WHOQOL, 1994, citado em Fleck, 1999, p. 10). Assim, é um composto que transcende a mera ausência de doença, incluindo bem-estar subjetivo e diferentes domínios da vida.

A QV a consiste em vários fatores, como certas condições de saúde física, estado emocional, relações sociais, segurança, acesso a recursos materiais e participação na vida comunitária. Essas dimensões se combinam de maneiras complexas, sendo moldadas por variáveis culturais, econômicas e pessoais (Fleck et al., 2000). Instrumentos como o WHOQOL-BREF têm sido aplicados para medir a QV em pesquisas de saúde de maneira amplamente padronizada e validada. Essas ferramentas possibilitam medir domínios, tanto qualitativa quanto quantitativamente, e a forma como as pessoas podem perceber seu bem-estar (Skevington et al., 2004).

Numerosos estudos revelaram que renda pessoal, educação, apoio e estilo de vida são fatores em particular que se correlacionam com escores mais altos de qualidade de vida (Minayo et al., 2000). Além disso, dimensões subjetivas como autoestima, senso de pertencimento, senso de segurança são importantes para formar essa percepção (Seidl; Zannon, 2004). Consequentemente, a investigação da QV por meio de instrumentos validados e uma análise multidimensional oferece uma melhor compreensão se as circunstâncias promovem ou impedem o bem-estar das pessoas, e facilita o planejamento de intervenções relevantes de promoção da saúde e desenvolvimento social. Essa perspectiva integrada é evidente conforme explicitamente declarado nos artigos escolhidos: Carvalho et al. (2024) fornecem a avaliação da QV através da lente do WHOQOL, enquanto Lameu e Souza (2024) e Fortunato et al. (2024) reiteram que a QV inclui mais do que a ausência de doença e inclui fatores psicológicos, sociais e culturais que impactam as experiências vividas dos estudantes como aprendizes diários.

Qualidade de vida é uma avaliação subjetiva da vida de cada indivíduo, um achado consistente com todos os estudos analisados. Não há um critério padrão ou objetivo para o que constitui uma "boa" ou "má" QV. Para cada pessoa, o julgamento, que ele forma a partir da experiência pessoal, desejos, crenças, valores pessoais-sociais, bem como a localização cultural em que foi criado. Assim, duas pessoas em tempos de vida semelhantes poderiam perceber sua QV de maneiras radicalmente diferentes, dependendo de como elas dão significado às suas experiências. Um contexto sociológico intermedia (ou pelo menos desempenha um papel primário) a concepção do conceito, porque o contexto determina seu ideal de bem-estar, sucesso, felicidade e dignidade. Os achados sugerem que a QV é multifacetada — incluindo bem-estar físico, mental, social, espiritual e autoestima. Especificamente, é enfatizado sob Minayo, Hartz e Buss (2000, p. 8) que a QV é "um conceito complexo, abrangente e multidimensional que incorpora a percepção subjetiva de bem-estar e envolve aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais." Essa experiência polissêmica também frequentemente sublinha que fatores emocionais e relacionais, assim como os físicos, são igualmente importantes.

Também é amplamente difundido nos estudos revisados o foco nos objetivos individuais, expectativas e valores no processo de construção da QV. A definição da Organização Mundial da Saúde já destaca isso: a QV está relacionada ao que um indivíduo considera suas vidas em relação aos objetivos, expectativas e preocupações que eles experimentaram (Fleck, 1999). Isso não é meramente uma questão do ambiente externo, ou um conjunto de indicadores objetivos, mas sim uma medida profundamente subjetiva e pessoal de quão bem seus sonhos estão sendo realizados. O que foi revisado nos artigos: a QV está diretamente conectada com o significado que cada indivíduo atribui às suas viagens e o grau em que experimentam suas esperanças e aspirações realizadas, bem como o grau em que acreditam que seus objetivos foram alcançados.

Segundo Seidl e Zannon (2004, p. 582), a qualidade de vida compreende "[...] a avaliação que o indivíduo faz de sua própria existência, considerando seus valores, expectativas e necessidades [...]," apontando que essa percepção é profundamente ditada por fatores subjetivos e relacionados a relacionamentos. Esta dimensão existencial e prospectiva — projetar-se no futuro e sentir um senso de movimento em direção a coisas que importam — é como entendemos por que a QV pode variar tão dramaticamente de pessoa para pessoa, mesmo em contextos semelhantes. Parece haver também novas evidências do cenário mais amplo sobre o impacto da pandemia de COVID-19 não apenas na saúde mental e no que as/os estudantes universitárias/os podem pensar sobre qualidade de vida.

Lameu e Souza (2024) observam que o retorno às atividades presenciais foi seguido por sintomas de estresse mais elevados e, portanto, impactos psicológicos podem ser sinalizados no WHOQOL-BREF, e em menor grau, aqueles relacionados ao ambiente social e psicológico, destacando as implicações das mudanças repentinas de horário na forma como o sistema de bem-estar subjetivo é percebido. Nesse sentido, Dias, Pereira e Silva (2024) investigam a crise de saúde mental como um fenômeno grupal e desigual, e descobrem que tais variáveis, incluindo gênero, classe social e origem regional, moldam significativamente as experiências dos estudantes de ansiedade e depressão durante e após a pandemia. Cardoso et al. (2025), ao conduzir uma grande revisão integrativa, afirmam a alta prevalência de sintomas de ansiedade pós-COVID, mas também destacam a importância de caminhos longitudinais mais rigorosos e longos para elucidar essas trajetórias.

Ferreira et al. (2024) ampliam essa conversa ao vincular sintomas emocionais e níveis de consumo de substâncias psicoativas e destacam a associação entre mecanismos de enfrentamento e comportamentos de risco em contextos vulneráveis. A autoimagem é outro fator crítico. Pesquisas mostraram que mais da metade dos estudantes universitários experimentam alguma forma de insatisfação corporal, e que a aparência impacta diretamente o bem-estar subjetivo (Silva; Souza; Alves, 2022). Gonçalves e Almeida (2021) demonstram que a aceitação da própria aparência é um fator protetor contra transtornos de ansiedade e depressivos, gerando estabilidade emocional. Além disso, Pereira et al. (2023) descobrem que pressões socioculturais e normas midiáticas aumentam a insatisfação corporal, incluindo aqueles que são mais vulneráveis, o que impacta a autoestima e a qualidade de vida geral. Incluir essa dimensão na análise reforça o entendimento de que a QV abrange aspectos físicos, mentais e comportamentais, além de formas individuais de se ver e se valorizar no contexto corporal e social.

Concomitantemente, Carvalho et al. (2024), Dias, Pereira e Silva (2024), Fortunato et al. (2024) destacam que o aspecto psicológico e relacional é o cerne do bem-estar em tempos de crise. Assim, as questões de QV na era pós-pandêmica, olhando para a qualidade de vida das/os estudantes universitárias/os neste contexto, requerem uma consideração igual de fatores individuais, coletivos e estruturais. E porque saúde mental, apoio social, autoimagem, bem como contextos culturais estão inextricavelmente ligados na produção de bem-estar. Isso significa que a QV pode incluir não apenas a ausência de doença ou boas condições de vida, mas também o que uma pessoa pensa ser seu padrão de vida, medido pelas expectativas de resultados de vida. Como tal, essa visão coloca um a QV, especialmente quando sofre crises, como a pandemia, que permite auto-interpretações a partir dos contextos e experiências vividas por cada sujeito.

Além da discussão qualitativa sobre QV, este trabalho aproveitará referências metodológicas consolidadas para análise de dados estatísticos. O Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) é adotado com base em seu legado bem estabelecido nas ciências da saúde e humanas, pela robustez de sua análise no uso de casos de teste (testes não paramétricos, verificação de confiabilidade e análise de correlação - (Pallant, 2020). A seleção de testes não paramétricos, como o qui-quadrado de Pearson, correlação de Spearman, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, é baseada em orientações metodológicas para variáveis ordinais e distribuições que não atendem às suposições de normalidade, a fim de maximizar a precisão interpretativa dos achados (Dancey; Reidy, 2013). Da mesma forma, a consistência interna da escala foi avaliada usando o alfa de Cronbach, que também é a medida mais amplamente utilizada de confiabilidade de instrumentos psicométricos (Field, 2013). Essas contribuições metodológicas ajudam as análises que este estudo utiliza a serem ancoradas em parâmetros estatísticos validados internacionalmente, conferindo assim credibilidade aos achados, bem como garantindo que o referencial teórico, a ferramenta e a interpretação dos resultados sejam coerentes.

3. METODOLOGIA

A pesquisa integra o projeto “Equilíbrio emocional e vulnerabilidade às IST/AIDS na comunidade estudantil de Mato Grosso no pós-pandemia da Covid-19”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o CAE nº 75198523.7.0000.8124. Trata-se de um estudo de natureza quantiqualitativa, com caráter descritivo e interpretativo, voltado à compreensão das vulnerabilidades relacionadas à saúde sexual e à qualidade de vida de estudantes universitárias/os do estado de Mato Grosso. O presente artigo corresponde a um recorte específico da investigação, concentrando-se na análise das dimensões da Qualidade de Vida (QV) contempladas pelo instrumento WHOQOL-BREF.

A coleta de dados ocorreu por meio de um questionário estruturado, composto por quatorze (14) questões sociodemográficas e pela versão reduzida do WHOQOL-BREF, validado para a língua portuguesa, contendo nove (09) questões relacionadas às questões sociais e psicológicas associadas à qualidade de vida. O formulário foi aplicado presencialmente em ambientes universitários, assegurando sigilo, privacidade e adequada compreensão das questões. Participaram 299 estudantes universitárias/os, com idade mínima de 18 anos, matriculados/as em cursos de diferentes áreas — Ciências Humanas, Sociais Aplicadas, Biológicas e Exatas — pertencentes à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), localizadas nos municípios de Cuiabá, Rondonópolis, Sinop, Cáceres e Barra do Bugres.

A caracterização sociodemográfica da amostra evidencia significativa diversidade nos marcadores sociais de diferença. Em relação ao sexo atribuído ao nascimento, 71,2% declararam-se femininas, 27,1% masculinos e 1,7% preferiram não responder. Quanto à identidade de gênero, a maioria (88,3%) identificou-se como cisgênero, enquanto 7% se reconheceram como transgênero ou não bináries. No campo da orientação sexual, 62,9% declararam-se heterossexuais, seguidos de 19,4% bissexuais, 9,7% homossexuais e 8% que optaram por não declarar. A faixa etária predominante situa-se entre 18 e 24 anos (76,6%), seguida por estudantes entre 25 e 34 anos (16,7%), e um grupo minoritário (6,7%) com 35 anos ou mais.

A composição étnico-racial demonstra que aproximadamente metade da amostra se autodeclarou parda/o, pouco mais de um terço branca/o, e cerca de 13% preta/o. Estudantes indígenas e amarelos apresentaram menor representatividade. A renda familiar revelou perfil socioeconômico marcadamente popular: 49,8% vivem com até dois salários mínimos, 32,8% entre dois e quatro salários mínimos e 17,4% acima desse valor. No que se refere à religiosidade, mais de 60% afirmaram seguir alguma religião — majoritariamente cristã — enquanto cerca de um terço declarou não professar qualquer crença religiosa. A maioria (84,6%) afirmou residir com familiares, condição que pode influenciar autonomia e decisões no campo da saúde emocional e sexual.

Para fins do presente artigo, foram analisadas exclusivamente as nove questões do WHOQOL-BREF associadas ao bloco de Qualidade de Vida, contemplando os domínios físico, psicológico, relações sociais e ambiente. Os dados foram tabulados e analisados no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 25.0. Realizou-se estatística descritiva com cálculo de frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas e medidas de tendência central para variáveis numéricas. A confiabilidade interna da escala foi examinada por meio do coeficiente alfa de Cronbach, dada sua adequação para instrumentos psicométricos compostos por itens ordinais.

Considerando que as variáveis do WHOQOL-BREF são de natureza ordinal e que a distribuição dos dados não atendeu aos pressupostos de normalidade, optou-se pela utilização de testes estatísticos não paramétricos. Para investigar associações entre variáveis categóricas, aplicou-se o teste Qui-quadrado de Pearson. As relações entre os escores de qualidade de vida e variáveis sociodemográficas/psicossociais foram analisadas por meio da correlação de Spearman. Diferenças entre dois grupos foram avaliadas por meio do teste de Mann-Whitney, enquanto comparações envolvendo três ou mais categorias foram realizadas por meio do teste de Kruskal-Wallis. Todos os testes adotaram nível de significância de 5% (p < 0,05).

A interpretação dos dados adotou categorias analíticas que articulam dimensões socioeconômicas, étnico-raciais, de gênero, sexualidade e religiosidade, considerando que a Qualidade de Vida é atravessada por múltiplos determinantes sociais. Esse enfoque permitiu compreender como desigualdades estruturais e discursivas influenciam percepções subjetivas de bem-estar, autonomia e sociabilidade no contexto universitário. A análise também dialoga com perspectivas críticas da saúde coletiva e da educação, incorporando elementos teóricos presentes no projeto maior, particularmente a articulação entre vulnerabilidade social, saúde emocional e contextos pós-pandêmicos.

O processo de escrita contou com o apoio do ChatGPT, utilizado de modo complementar para revisão textual, aprimoramento da organização argumentativa e auxílio interpretativo preliminar, sem qualquer intervenção na produção dos dados, nas categorias analíticas ou nas decisões interpretativas finais, que permanecem sob responsabilidade integral da equipe de pesquisadoras/es. O uso da ferramenta teve como finalidade garantir maior fluidez narrativa e precisão conceitual na apresentação dos achados.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO - QUALIDADE DE VIDA

Os resultados do questionário aplicado serão apresentados e analisados nesta seção, que se concentrará na avaliação da qualidade de vida dos participantes. As várias dimensões do instrumento WHOQOL-BREF serão integradas à análise para delinear as dimensões físicas, psicológicas, sociais e ambientais do estado de saúde, a fim de caracterizar o bem-estar geral da população estudada. As interpretações definirão frequências e fornecerão uma maneira de descrever com os resultados estatísticos de confiabilidade e correlação e fazer uso informativo destes para entender os aspectos da experiência de qualidade de vida vivenciada por estudantes universitários.

4.1. Análise Descritiva e Interpretativa das Questões do WHOQOL-BREF

Em relação à pergunta: "Quanto você gosta da vida?", a maioria das/os estudantes classificou ter uma vida satisfatória em níveis moderados ou positivos (79,2%), embora um pequeno contingente (16,8%) tenha relatado baixa satisfação em relação à vida. Esse sentimento ambivalente reforça a percepção da QV como um constructo ambíguo e subjetivo que é multifacetado, encapsulando bem-estar emocional, apoio social e significado existencial (Fleck et al., 2000).

A coexistência de satisfação parcial com limitações nas experiências de vida demonstra a maneira como fatores individuais e contextuais se cruzam na construção do bem-estar. Na universidade, essas diferenças são sintomáticas de disparidades materiais e emocionais. Gonçalves e Almeida (2021) sugerem que conexões, apoio e normas socioculturais influenciam grandemente os resultados de bem-estar geral dos estudantes e eles preferem ser percebidos positivamente. Por outro lado, Lameu e Souza (2024) destacam que o estresse acumulado no retorno pós-pandemia foi encontrado como perturbador do equilíbrio psicológico. Os achados indicam que a promoção da saúde mental e o apoio socioemocional para grupos vulneráveis requerem respostas institucionais.

Para a pergunta: "Até que ponto você acha que sua vida tem sentido?", dois terços (64,5%) das/os participantes atribuíram um grande ou extremo significado à sua vida, mostrando que contextos pessoais e acadêmicos têm funções protetoras contra o sofrimento psicológico. Essa dimensão foi associada à qualidade de vida e ao ajuste psicossocial com clareza de objetivos e autoestima aumentando a resiliência, conforme encontrado no estudo que Cardoso et al. (2025) ao relatar que a organização emocional aumentada e o propósito pessoal aliviam sintomas ansiosos em estudantes universitárias/os no contexto pós-pandemia. Ao mesmo tempo, o fato de 25,3% das/os entrevistadas/os expressarem dúvida e 10,1% alegarem falta de sentido, oferece uma perspectiva significativa para a vulnerabilidade emocional.

Pesquisas recentes também demonstram o grau em que o significado existencial foi grandemente desafiado durante a pandemia. Dias, Pereira e Silva (2024) descobriram que esses aspectos intensificaram a insegurança, angústia e desesperança nos jovens, embora as redes de apoio tenham sido um amortecedor para isso. Assim, a percepção de propósito emerge como uma dimensão central do bem-estar subjetivo. Ela influencia tanto a saúde mental quanto as capacidades de enfrentamento no dia a dia na universidade.

Quanto à pergunta: "Quão bem você consegue se concentrar?", os dados dizem que é verdade que 22,4% dos estudantes têm grande dificuldade de concentração, 47,1% estão em níveis intermediários e apenas 30,5% mostram alto desempenho atencional. Este resultado é consistente com a ideia de QV como uma função não apenas de aspectos físicos, mas também psicológicos e ambientais (Seidl; Zannon, 2004). A atenção, segundo essa visão, parece ser uma dimensão sensível ao equilíbrio, que é um indicador de um estado emocional, influenciado por pressões acadêmicas, bem como pela situação cotidiana de descanso e hábito.

Em um tempo pós-pandemia, evidências indicam que sintomas de ansiedade, fadiga mental e sobrecarga de tarefas emergiram como principais comprometimentos da concentração. A revisão de Cardoso et al. (2025) relata que as inseguranças das/os estudantes em relação às suas notas e desempenho acadêmico, mudanças nas dinâmicas de ensino, mudanças nos hábitos de estudo aumentaram as dificuldades cognitivas e diminuíram seu desempenho e QV pessoal. Portanto, a concentração é um fator interligado com outras áreas da vida estudantil, necessitando de apoio político relacionado às emoções, organização pedagógica e ambiente institucional que apoiem a concentração e a capacidade de autorregulação.

Em relação à pergunta: "Você é capaz de aceitar sua aparência física?", constatou-se que 56,9% das/os estudantes expressam um estado de insatisfação com sua aparência, o que é um dos pontos-chave de fraqueza na área da autoimagem. Isso segue a literatura que mostra uma ampla gama de insatisfação com a imagem corporal em estudantes universitárias/os, mesmo sob as condições de serem mais informados e autoconscientes (Silva et al., 2022). Junto com as inseguranças do período de transição juvenil, a pressão para se conformar aos padrões estéticos resulta na formação de atitudes negativas que têm um impacto direto na autoestima e no bem-estar subjetivo.

Por outro lado, 43% estavam altamente aceitando sua aparência, indicando que uma boa porcentagem deles tem alta autoestima com um aumento no senso de estabilidade emocional e confiança em situações sociais. Notavelmente, a aceitação corporal mostrou efeitos protetores para transtornos ansiosos e depressivos, conforme mostrado na literatura, sendo benéfica para o ajuste psicossocial (Gonçalves; Almeida, 2021). A variação nas atitudes destaca que a construção da autoimagem é profundamente afetada por normas socioculturais, discursos de gênero, desigualdades sociais e normas midiáticas, exigindo medidas de promoção da saúde que se concentrem em valorizar a diversidade corporal e desestigmatizar o tamanho físico.

Sobre "Quão satisfeito você está consigo mesmo?", 54,7% das/os estudantes estavam bastante ou extremamente satisfeitas/os, o que reflete percepções positivas relacionadas à autoestima e ao bem-estar emocional. A OMS acredita que a autoavaliação é uma variável chave na saúde mental e também informa os indivíduos na compreensão de suas vidas cotidianas. Portanto, níveis muito altos de satisfação pessoal podem atuar de forma positiva como uma fonte de coerência emocional e uma maneira de lidar com estressores acadêmicos e sociais.

Enquanto isso, 15,5% indicaram sua baixa satisfação pessoal e 29,9% tiveram avaliações ambivalentes, que são indicadores de vulnerabilidade emocional que podem piorar com estressores ou falta de apoio social. Fleck et al. (2000) enfatizam razões sociais, contextuais e simbólicas para a autopercepção, incluindo pertencimento, reconhecimento e oportunidades de participação. Os achados apoiam a necessidade de políticas de promoção da saúde mental que reconheçam a diversidade estudantil e apoiem as/os estudantes em diversos estados emocionais.

À pergunta "Quão satisfeito você está com seus relacionamentos pessoais (amigos, parentes, conhecidos, colegas de trabalho)?", a maioria das/os entrevistadas/os, 68,6%, indicou uma perspectiva favorável sobre os relacionamentos, o que confirmou a importância dos relacionamentos interpessoais para a prevenção de sintomas de transtornos de ansiedade e depressão. Esta dimensão relacional da QV — juntamente com o bem-estar psicológico — é um dos pilares do conceito conceitualizado na literatura recente, com implicações para o pertencimento e a percepção de segurança. Hawkley e Cacioppo (2010) encontraram uma diminuição nas vulnerabilidades emocionais e um aumento no senso de pertencimento para fortalecer a segurança emocional e o bem-estar, o que levará a uma experiência de vida mais positiva na universidade.

Em contraste, 9% relataram sentimentos de insatisfação e 22,2% mostraram relacionamentos ambivalentes, sugerindo instabilidade ou superficialidade em suas conexões afetivas. Fleck et al. (2000) observam que tais deficiências diminuem a rede de apoio social e intensificam o risco de sofrimento psicológico. Portanto, esses dados indicam que uma combinação de ações institucionais que criem espaços para as/os estudantes e programas que promovam ambientes acolhedores capazes de estreitar a conexão entre pares seria necessária.

Quanto à pergunta: "Quão satisfeito você está com o apoio que recebe de seus amigos?", a maioria do grupo (57,6%) relatou ter uma avaliação positiva do apoio das/os amigas/os, indicando ainda que as redes de apoio social são um fator de proteção contra o estresse e as expectativas acadêmicas. A literatura revela que ter relacionamentos fortes pode resultar em maior engajamento e resiliência, e há muito tempo é visto como uma característica fundamental da qualidade de vida global (Minayo; Hartz.; Buss, 2000; Seidl; Zannon, 2004). Esta dimensão destaca o papel do apoio social na determinação do bem-estar dos jovens.

Por outro lado, 42,4% dos participantes indicaram baixa ou moderada satisfação, sugerindo fragilidades na sociabilidade universitária. De acordo com Fleck et al. (2000), a falta de apoio está relacionada a mais sofrimento psicológico e sofrimento que é acompanhado por aumento da vulnerabilidade psicológica. A situação não é incomum entre as/os estudantes que precisam deixar sua cidade para estudar e são confrontadas/os por obstáculos sociais e econômicos. Os resultados reforçam a importância desses fatores, nesse sentido acreditamos que estratégias institucionais que fortaleçam os laços comunitários e promovam ambientes de convivência inclusivos são necessárias.

Na pergunta "Quão satisfeito você está com sua vida sexual?", 65,2% das/os estudantes expressaram opiniões positivas sobre sua vida sexual, enquanto 41,0% classificaram como "boa" e 24,2% consideraram "muito boa". Por outro lado, 24,9% consideraram a experiência como intermediária ("nem ruim nem boa") e 7,2% expressaram insatisfações ("ruim" ou "muito ruim"). Esses achados sugerem que, apesar de níveis satisfatórios de bem-estar sexual serem relatados pela maioria dos membros, mais de um terço das/os participantes relataram encontros neutros ou negativos, indicando o sexo como um domínio heterogêneo no contexto universitário.

A satisfação sexual é definida na literatura como um construto relacionado à autoestima, comunicação afetiva ou falta dela, qualidade dos relacionamentos interpessoais e emocionais e bem-estar emocional; portanto, esses têm sido relacionados com uma referência à percepção global de qualidade de vida (Fleck et al., 2000; Seidl; Zannon, 2004). Avaliações intermediárias e negativas podem indicar inseguranças corporais, expectativas socioculturais ou dificuldades emocionais, todas frequentemente citadas em pesquisas sobre juventude e sexualidade. Assim, nesse sentido, o bem-estar sexual é posicionado como uma parte impactante da experiência estudantil que pode desempenhar um papel no bem-estar, e também pode ser evidência de áreas que merecem atenção.

Finalmente, a pergunta: "Com que frequência você experimenta emoções negativas, como mau humor, desespero, ansiedade, depressão?", no estudo de (2012) relatou que, embora mais da metade das/os respondentes expressassem sentimentos negativos "às vezes" (47%), a emoção da experiência de emoções negativas mostrou que, em alguns casos, as emoções negativas poderiam ser interpretadas como uma manifestação dos aspectos transitórios da vida acadêmica no contexto de demandas transitórias. O Grupo WHOQOL (Fleck, 1999) observa que a QV é descrita não apenas como experiências agradáveis em seu melhor, mas também como oportunidades disponíveis para enfrentar frustrações e crises, indicando que esse grupo utiliza recursos para lidar com adversidades.

No entanto, até 52,6% indicaram que frequentemente sentem emoções ruins, o prenúncio de dor contínua e ameaça de doença psicológica. Dias, Pereira e Silva (2024) vinculam esse aumento à sobrecarga acadêmica pós-pandemia e instabilidade social, enquanto Cardoso et al. (2025) apoiam que a alta incidência de ansiedade entre as/os estudantes justifica intervenções escolares contínuas. Os achados sugerem, portanto, a urgência de apoio psicológico, prevenção de saúde mental, bem como programas de apoio institucional dentro das universidades.

4.2. Confiabilidade da Escala de Qualidade de Vida

Os nove itens da escala WHOQOL-BREF apresentaram alta consistência interna (alfa de Cronbach = 0,802), o que significa que os itens medem consistentemente 0 constructo de qualidade de vida. Mesmo considerando que um único item teria sido excluído (α variando entre 0,756 e 0,807), o coeficiente ainda seria satisfatório, o que fortalece a estabilidade e confiabilidade de sua usabilidade no contexto universitário amostrado. Tais resultados são consistentes com recomendações internacionais que indicam um nível aceitável acima de 0,70 para estudos em ciências humanas e saúde. Finalmente, ter bons índices de consistência interna indica que os itens medem dimensões relacionadas ao bem-estar, incluindo satisfação pessoal, relacionamentos sociais, autoimagem, atenção e equilíbrio emocional que, juntos, embora discretos, acabam por incluir a percepção da QV.

Portanto, os escores gerais do WHOQOL-BREF são adequados para serem aplicados em análises posteriores, fornecendo uma avaliação sintética, fixa e teórica da consistência do bem-estar geral dos estudantes.

4.2.1. Correlações Entre os Domínios de Qualidade de Vida

Análises de correlação de Spearman indicaram forte associação do escore geral de qualidade de vida com os itens específicos do WHOQOL-BREF. Aqui estão os resultados notáveis:

  • Satisfação auto-relatada (ρ = 0,748; p < 0,001).

  • Sentido da vida (ρ = 0,647; p < 0,001).

  • Aparência física (ρ = 0,604; p < 0,001).

  • Relações pessoais (ρ = 0,670; p < 0,001).

  • Vida sexual (ρ = 0,584; p < 0,001).

  • Aproveitar a vida (ρ = 0,589; p < 0,001).

  • Capacidade de concentração (ρ = 0,571; p < 0,001).

  • Apoio de amigos (ρ = 0,555; p < 0,001).

  • Diminuição da frequência de sentimentos negativos (ρ = 0,543; p < 0,001).

Esses achados sugerem que o bem-estar das/os estudantes é determinado em termos de dimensões afetivas, relacionais e subjetivas. A alta associação da satisfação consigo mesmo e com a existência mostra a dimensão psicológica na autoavaliação da vida (satisfação pessoal), enquanto em relação à imagem, relações pessoais e vida sexual mostra a importância das interações sociais, afetivas e físicas na constituição do bem-estar (atributos). Assim, o conjunto de correlações destaca que a QV das/os estudantes não é uma consequência objetiva, mas sim influenciada por dimensões simbólicas, emocionais e relacionais que permeiam suas vidas acadêmicas e pessoais. Portanto, a qualidade de vida deve incorporar a situação subjetiva e fatores sociais e culturais que impactam a experiência universitária; em outras palavras, deve ser holística.

5. QUALIDADE DE VIDA E VARIÁVEIS SOCIODEMOGRÁFICAS/ SOCIOECONÔMICAS

A consideração da qualidade de vida no contexto universitário não se limita apenas aos aspectos de bem-estar subjetivo, mas também a uma atenção às condições objetivas que estruturam a experiência das/os estudantes. Portanto, ao analisar fatores psicológicos, relacionais e afetivos, é importante explorar como características sociodemográficas e socioeconômicas, incluindo renda familiar, nível de educação dos pais, gênero, etnia, orientação sexual, arranjos de moradia e instituição educacional, estão correlacionadas com as percepções de QV. Esses marcadores, frequentemente tornados invisíveis no cotidiano acadêmico, iluminam desigualdades estruturais que condicionam oportunidades, bem como vulnerabilidades. Relatamos os achados de testes de correlação e comparação de grupos nesta subseção, o que facilita a determinação de quais variáveis são altamente relevantes para o bem-estar dos estudantes e em que medida tais relações são indicativas das discussões contemporâneas sobre desigualdade, saúde mental e retenção estudantil.

5.1. Correlações com Renda Familiar e Escolaridade dos Pais

A renda familiar não estava significativamente relacionada com a pontuação geral de qualidade de vida (ρ = 0,090; p = 0,141), implicando assim que o bem-estar subjetivo não foi explicado de forma independente pelo status econômico na amostra. Este resultado é consistente com a literatura que aponta que a QV não é determinada pela renda, mas pelos aspectos simbólicos, afetivos e relacionais da experiência universitária, especialmente para comunidades jovens. No entanto, certas correlações foram observadas. O fato de que estudantes provenientes de lares com maior renda também relatam a capacidade de priorizar melhor o foco (ρ = 0,138; p = 0,019) sugere que um ambiente material melhor proporcionará um melhor ambiente de estudo, menor nível de estresse e mais estabilidade na vida, todos os quais podem ter efeitos significativos no desempenho cognitivo.

A renda também foi um preditor significativo com uma correlação positiva para o Suporte de Amigos (ρ = 0,124; p = 0,035), significando que o status social e econômico dos recursos afeta a participação em atividades de socialização humana, lazer e interação social e construção de rede afetiva. Em relação à educação dos responsáveis, a educação paterna estava positivamente relacionada a "aproveitar a vida" (ρ = 0,137; p = 0,021) e à capacidade de concentração (ρ = 0,120; p = 0,044). Este resultado demonstra que famílias com maior capital educacional oferecem diferentes insumos tanto cognitivos quanto emocionais e resultam em melhor organização pessoal e maior positividade pessoal. Não houve associação significativa entre a educação materna e a renda familiar e a pontuação geral de QV, o que destaca que o bem-estar subjetivo é heterogêneo e inclui fatores psicológicos, relacionais e contextuais.

5.2. Idade

Uma associação entre idade e qualidade de vida total não foi significativa (ρ = 0,083; p = 0,171), nem com o índice de vulnerabilidade (ρ = -0,039; p = 0,523), sugerindo que, dentro da faixa etária estudada, diferenças na categoria de idade não se traduzem em mudanças relevantes no bem-estar percebido. Este achado está em linha com pesquisas anteriores que indicam necessidades emocionais, acadêmicas ou sociais relativamente uniformes experimentadas por estudantes universitárias/os, particularmente quando estão imersos na instabilidade pós-pandêmica (Dias; Pereira; Silva, 2024). Dito isso, deve-se reconhecer que os desafios enfrentados por grupos desse tipo podem variar de acordo com a idade (mesmo que tais diferenças não sejam relatadas estatisticamente). Para as/os jovens, especialmente aquelas/es que estão em transição para a vida adulta e no contexto da adolescência, questões de insegurança de identidade, prontidão acadêmica e reestruturação da autonomia também podem afetar suas percepções, tanto psicológicas quanto sociais. As/Os estudantes mais velhas/os, menos comuns na amostra, experimentam a sobrecarga de suas vidas com estudos, trabalho e obrigações familiares, impactando seu nível subjetivo de bem-estar.

Portanto, a falta de significância estatística não significa que não haja diferença qualitativa entre grupos etários na forma como vivenciam a vida universitária. Pelo contrário, argumenta que os efeitos da idade na QV são mediados por outros fatores mais determinantes — incluindo gênero, habitação, status socioeconômico, auto-percepção e apoios sociais. Sob essa perspectiva, a idade é uma variável contextual em vez de uma variável independente, o que indica que um conceito global de qualidade de vida só é eficaz como uma leitura multidimensional.

5.3. Comparações Entre Grupos (Testes Não Paramétricos)

Os testes de comparação entre grupos revelaram diferenças significativas em algumas variáveis sociodemográficas, indicando que aspectos estruturais ligados a gênero, etnia, moradia e instituição de ensino atravessam a experiência subjetiva de qualidade de vida. Tais resultados demonstram que o bem-estar universitário não se constitui apenas como fenômeno psicológico individual, mas como processo profundamente marcado por desigualdades simbólicas, sociais e econômicas, conforme discutem Seidl e Zannon (2004) e Fleck et al. (2000). A seguir, são apresentadas as comparações estatisticamente significativas, acompanhadas de interpretações articuladas ao referencial teórico e às especificidades do contexto estudantil.

5.3.1. Gênero

Usando o teste de Kruskal-Wallis, uma diferença entre grupos de gênero foi significativa (p = 0,028): estudantes não-binários apresentaram os menores escores de qualidade de vida, enquanto mulheres cis apresentaram escores mais baixos do que homens cis. Tais achados revelam que a experiência de bem-estar incorpora indicadores estruturais salientes; em particular, desigualdades de gênero e encontros de discriminação podem impor um fardo maior sobre indivíduos LGBTQIA+ do que sobre indivíduos não-LGBTQIA+ (Pereira et al., 2023).

Ao observar a QV das mulheres cis, evidências sugerem que sobrecarga emocional, insatisfação corporal e normas socioculturais rígidas diminuem seus níveis de qualidade de vida em comparação com os homens cis (Silva et al., 2022). Seus resultados fornecem mais suporte ao enfatizar que a QV não é disseminada de forma homogênea entre identidades de gênero, mas sim, é influenciada por vulnerabilidades sociais e simbólicas. Para todas as pessoas não-binárias, a marginalização, estigma e invisibilidade institucional são percebidos como tendo um efeito prejudicial no bem-estar subjetivo (autoestima, percepção de segurança e senso de pertencimento). Assim, os resultados obtidos sugerem a necessidade de políticas universitárias que incluam uma perspectiva interseccional, sensível às desigualdades de gênero e experiências de diversidade, a fim de construir ambientes mais acolhedores e protetores.

5.3.2. Etnia

A comparação mostrou que o índice de vulnerabilidade difere significativamente por etnia (p = 0,008), demonstrando que estudantes negras/os e pardas/os são mais vulneráveis do que estudantes brancas/os. Este achado é consistente com pesquisas que demonstram a influência das desigualdades estruturais raciais na saúde emocional e nas oportunidades educacionais, apesar da falta de evidências diretas de diferenças estatísticas na qualidade de vida geral (Minayo; Hartz; Buss, 2000).

A presença de situações de discriminação, origens socioeconômicas díspares e redes de apoio limitadas podem influenciar as percepções de vulnerabilidade em taxas mais altas. Em contraste, a falta de diferenças estatisticamente significativas nos escores gerais de QV indica que estudantes negras/os e pardas/os podem mobilizar recursos de enfrentamento (redes afetivas, pertencimento comunitário e estratégias de resiliência psicológica). Mas isso faz pouco para apagar as inequidades materiais e simbólicas que moldam suas vidas acadêmicas. Portanto, enquanto a QV geral não distingue grupos étnicos, a maior vulnerabilidade sugere contradições que requerem políticas de retenção estudantil que mitiguem o racismo institucional e promovam a equidade.

5.3.3. Local de Residência

A variável de habitação teve uma diferença significativa na qualidade de vida (p = 0,020). Estudantes que viviam com um cônjuge ou sozinhas/os relataram os níveis mais altos de QV, enquanto aquelas/es que viviam com amigas/os receberam as piores avaliações. Os resultados fornecem evidências do efeito da gestão do espaço doméstico e da liberdade pessoal no bem-estar subjetivo diretamente, pois viver sozinha/o ou em parceria com um/a parceiro/a resulta em níveis mais altos de privacidade, estabilidade emocional e rotinas que são relativamente mais fáceis e, portanto, regulares.

Em contraste, embora geralmente visto como associado à sociabilidade, viver com amigas/os pode causar conflitos, falta de rotina, falta de privacidade e falta de controle sobre o ambiente — influências negativas na experiência de vida e conquistas acadêmicas de uma pessoa. A literatura sobre saúde mental argumenta que abrigo, condições de habitação e arredores domésticos são "determinantes sociais da saúde", impactando condições que controlam não apenas doenças físicas, mas também a capacidade organizacional pessoal (estresse e organização pessoal também). Portanto, esses achados apoiam a necessidade de inspecionar as condições de habitação como um alicerce da estrutura das políticas de apoio estudantil.

5.3.4. Orientação Sexual

O teste de Kruskal-Wallis na orientação sexual (heterossexual, gay, lésbica, bi/panssexual), os escores de vulnerabilidade mostraram diferenças significativas (H(3) = 9,893; p = 0,019), mas a qualidade de vida (p = 0,063) não. Estudantes bissexuais/panssexuais e gays avaliaram sua vulnerabilidade de forma mais significativa, e suas médias foram mais altas em vulnerabilidade do que com heterossexuais, implicando que as experiências sexuais dissidentes estão conectadas à exposição a uma gama de estresses psicossociais. Esse padrão reflete pesquisas que destacam o impacto de práticas discriminatórias, estigma e violência simbólica na saúde mental de dissidências sexuais, promovendo desafios de saúde mental que existem dentro de plataformas inclusivas como a universidade.

Em contraste, a falta de diferença significativa na QV total indica que essas/es estudantes ativam estratégias de enfrentamento e redes de apoio que sustentam de alguma forma a maneira como a população pensa sobre o bem-estar geral. No entanto, o acúmulo de vulnerabilidades entre populações não heterossexuais indica a necessidade de apoio e cuidado político e organizacional em instituições dedicadas a apoiar políticas que respondam à LGBTfobia, criem espaços seguros para convivência e valorizem a diversidade sexual como parte válida da vida acadêmica.

5.3.5. Instituição Educacional

A instituição educacional também apresentou uma diferença estatisticamente significativa nos escores de qualidade de vida (p = 0,039). As/Os estudantes da UNEMAT Cáceres e da UFMT Cuiabá relataram melhor qualidade de vida do que aquelas/es da UFR Rondonópolis e da UNEMAT Sinop. Tais disparidades parecem ser mediadas por questões de infraestrutura acadêmica, apoio ao estudante, acesso a instalações culturais ou esportivas e redes comunitárias, de um grau mais elevado, nos campi.

Da mesma forma, a situação socioeconômica nas áreas urbanas onde um campus está situado, acesso ao transporte, segurança e oportunidades de inclusão social podem ter um efeito direto na percepção de bem-estar. Instituições de ensino superior com políticas de retenção de estudantes mais fortes, mais ajuda psicológica e um ambiente mais acolhedor são mais propensas a fomentar esses ambientes. Portanto, os achados sugerem que a QV universitária é também um produto territorial, que é afetado pelos ambientes institucionais e urbanos próximos às universidades.

5.3.6. Trabalho, Deficiência e Identidade Trans

As análises de status de trabalho-deficiência-identidade trans não distinguiram entre os escores gerais de qualidade de vida, no entanto, de maneiras interessantes. O teste de Kruskal-Wallis entre os grupos de trabalho, não trabalho ou trabalho doméstico não foi significativo (p = 0,204) para o trabalho. No entanto, estudantes em "trabalho doméstico" consistentemente geraram menor satisfação média consigo mesmas/os, consistente com a ideia de que obrigações familiares, carga de trabalho diária e sobrecarga emocional impactam o bem-estar subjetivo, mesmo que os primeiros não levem a resultados globais significativamente diferentes.

Comparados a indivíduos sem deficiência, pessoas com deficiência não apresentaram diferença significativa na QV geral (p = 0,343), mas uma maior vulnerabilidade geral a lesões nesta categoria (U = 1251,0; p = 0,015), sugerindo a presença de níveis mais altos de sofrimento emocional e dificuldades particulares relacionadas às barreiras arquitetônicas, pedagógicas e sociais da universidade. Testes de Mann-Whitney para a identidade trans não sugeriram diferenças na QV, auto-satisfação ou renda (p > 0,17). No entanto, os achados devem ser interpretados com cautela, particularmente dado que o pequeno número de pessoas trans (n = 13) na população amostrada limita o poder estatístico para identificar diferenças. Ao não serem estatisticamente significativas, no entanto, isso não significa que as desigualdades não existam: há evidências na literatura de que (1) estudantes trans estão sujeitas/os a níveis mais altos de preconceito, (2) insegurança institucional, (3) barreiras de acesso à saúde e (4) estressores ambientais que impactam na saúde mental e persistência acadêmica, incluindo reconhecimento social, entre outras áreas. Portanto, mesmo em momentos em que análises quantitativas não conseguem encontrar diferenças claras e significativas, esses grupos ainda são importantes para as prioridades de políticas de cuidado, apoio e equidade, considerando múltiplas vulnerabilidades identificadas em estudos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nossas descobertas nesta investigação sugerem que a qualidade de vida (QV) das/os estudantes universitárias/os não é apenas um resultado psicológico individual, mas um fenômeno multidimensional influenciado por fatores emocionais, relacionais, socioeconômicos e institucionais. As análises revelaram que fatores subjetivos (com respeito à satisfação pessoal, sentido de vida, autoimagem e apoio social) são as dimensões dominantes através das quais o bem-estar é conceituado, validando a importância dos fatores afetivos e simbólicos no processo de percepção do bem-estar. Esses resultados são consistentes com a orientação teórica do presente estudo, que conceitualizou a QV como a convergência de experiências materiais e imateriais enquanto se experimenta pertencimento, autonomia e reconhecimento.

Apesar dos efeitos episódicos do status socioeconômico (renda e educação), eles foram mais oblíquos e mais moderados por fatores subjetivos e relacionais. Por outro lado, outros fatores sociodemográficos, por exemplo, gênero, etnia, habitação e instituição educacional, tiveram efeitos mais pronunciados, apontando para a existência de desigualdades estruturais na área universitária. A maior vulnerabilidade de estudantes não-binários, de minorias étnico-raciais e que vivem em habitações mais instáveis, destaca o papel das políticas institucionais em reconhecer essas diferenças e serem orientadas para a equidade.

A alta prevalência de sentimentos negativos e problemas de concentração em nossa amostra sugere que isso pode levar a sofrimento psicológico, especialmente agora devido à situação pós-pandêmica que continua impactando nas relações sociais da população. Essas descobertas servem como um lembrete da necessidade de melhorar as ações de cuidado e saúde mental nas universidades, incluindo serviços de apoio psicológico e social, programas de integração estudantil, programas de educação emocional e estratégias para melhorar o apoio.

A qualidade de vida universitária está, portanto, altamente associada ao contexto institucional e à situação de vida, portanto, é necessário haver respostas organizadas e contínuas. A amostragem por conveniência foi utilizada neste estudo, e pode haver menos participantes em alguns subgrupos, como estudantes trans e pessoas com deficiência, o que pode limitar as descobertas de diferenças estatísticas mais robustas. Além disso, o desenho transversal impede atribuições causais. Apesar disso, as descobertas fornecem insights úteis sobre a QV na população universitária de Mato Grosso e indicam importantes oportunidades para intervenções e políticas educacionais.

Pesquisas futuras podem contribuir para entender os motores sociais da QV (por exemplo: estudos longitudinais, estudos mistos e investigação qualitativa que iluminem as experiências vividas e histórias dos grupos mais desfavorecidos). Compreender que a QV no contexto universitário é multifatorial permite intervenções mais eficazes na promoção do bem-estar, na resolução de desigualdades e na retenção. Assim, o estudo amplia uma lacuna na saúde, juventude e educação, e apoia o argumento para que as universidades se tornem mais inclusivas e acolhedoras em relação à experiência de vida completa de seus estudantes.

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1 Doutor em Sociologia (UFS) e Professor da Universidade Federal de Rondonópolis - UFR. E-mail: [email protected]. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6230-9551.

2 Doutora em Educação, professora na Rede Nordeste de Ensino-RENOEN, da UFS e professora da UFMT. E-mail: [email protected]. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9757-4304.

3 Bióloga e Mestra pelo PROFBIO, da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso – UFMT. E-mail: [email protected]. Orcid: https://orcid.org/0009-0009-1856-1299.

4 Bióloga pela Universidade Federal de Mato Grosso. E-mail: [email protected].

Este artigo apresenta resultados parciais do projeto “Correlação entre Equilíbrio Emocional e Vulnerabilidade às IST/AIDS na comunidade estudantil de Mato Grosso no período pós-pandemia da Covid-19”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da concessão de uma bolsa de pós-doutorado, e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT).