A INTEGRAÇÃO DOS DIFERENTES TIPOS DE MÍDIAS AO CURRÍCULO ESCOLAR: DESAFIOS, POTENCIALIDADES E METODOLOGIAS
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18703855
Maxwell dos Santos1
RESUMO
Este artigo se propõe a refletir sobre como as diferentes mídias digitais vêm sendo incorporadas ao currículo escolar e quais impactos essa integração pode gerar no processo de ensino e aprendizagem. A partir de uma pesquisa de caráter teórico e bibliográfico, busca-se compreender de que maneira recursos como vídeos, jogos, podcasts e ambientes virtuais podem contribuir para tornar as aulas mais dinâmicas, promover a personalização do ensino e ampliar as possibilidades de inclusão educacional. Ao longo do estudo, as mídias são organizadas em três grandes grupos: conteúdos de produção, mídias interativas e hipermídias, destacando-se que, por si só, elas não garantem inovação. Seu potencial se concretiza quando estão alinhadas a metodologias ativas, como a Aprendizagem Baseada em Projetos e a sala de aula invertida, que colocam o estudante no centro do processo e estimulam sua participação de forma mais autônoma e crítica. Os resultados apontam que, embora as mídias digitais apresentem um forte potencial transformador, sua consolidação no contexto escolar ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles, destacam-se a fragilidade da infraestrutura tecnológica em muitas escolas públicas e a necessidade de investir em uma formação docente contínua, que vá além do uso técnico das ferramentas e contemple também sua aplicação pedagógica de maneira estratégica. Conclui-se, portanto, que a tecnologia, sozinha, não é capaz de promover mudanças significativas. Para que se torne, de fato, um instrumento de equidade e qualidade educacional, é fundamental que esteja acompanhada de intencionalidade pedagógica, planejamento e abertura para a revisão das práticas tradicionais de ensino.
Palavras-chave: Mídias digitais. Currículo escolar. Inovação pedagógica. Inclusão educacional. Formação docente.
ABSTRACT
This article aims to reflect on how different digital media are being incorporated into the school curriculum and what impacts this integration can generate in the teaching and learning process. Based on theoretical and bibliographical research, it seeks to understand how resources such as videos, games, podcasts, and virtual environments can contribute to making classes more dynamic, promoting personalized learning, and expanding the possibilities for educational inclusion. Throughout the study, the media are organized into three main groups: production content, interactive media, and hypermedia, highlighting that, by themselves, they do not guarantee innovation. Their potential is realized when they are aligned with active methodologies, such as Project-Based Learning and the flipped classroom, which place the student at the center of the process and encourage their participation in a more autonomous and critical way. The results indicate that, although digital media present a strong transformative potential, their consolidation in the school context still faces important challenges. Among these, the fragility of the technological infrastructure in many public schools and the need to invest in continuous teacher training stand out, going beyond the technical use of tools and also contemplating their strategic pedagogical application. It is concluded, therefore, that technology alone is not capable of promoting significant changes. For it to truly become an instrument of equity and educational quality, it is fundamental that it be accompanied by pedagogical intentionality, planning, and openness to the revision of traditional teaching practices.
Keywords: Digital media. School curriculum. Pedagogical innovation. Educational inclusion. Teacher training.
1. INTRODUÇÃO
A expansão das tecnologias digitais tem provocado transformações profundas nas formas como nos comunicamos, acessamos informações e produzimos conhecimento. No campo educacional, essas mudanças não apenas impactam o cotidiano escolar, mas também exigem novas configurações curriculares capazes de dialogar com as demandas da sociedade contemporânea. Nesse contexto, as mídias digitais deixam de ser vistas como simples recursos complementares e passam a ocupar um papel estruturante nas práticas pedagógicas, ampliando possibilidades de interação, favorecendo a personalização do ensino e estimulando o desenvolvimento de competências múltiplas e integradas.
Pesquisas recentes apontam que ferramentas como vídeos, plataformas colaborativas, jogos digitais e ambientes virtuais de aprendizagem podem aumentar o engajamento dos estudantes e fortalecer metodologias mais participativas. No entanto, tais benefícios não ocorrem de forma automática. Para que a tecnologia cumpra seu potencial pedagógico, é indispensável que sua utilização esteja articulada a um planejamento consistente e a processos contínuos de formação docente.
Apesar das inúmeras potencialidades já reconhecidas, a integração efetiva das mídias digitais ao currículo escolar ainda encontra obstáculos significativos. Entre eles, destacam-se limitações de infraestrutura tecnológica, fragilidades na formação continuada de professores e a permanência de modelos pedagógicos tradicionais que pouco dialogam com a cultura digital. Esse cenário revela uma distância entre o potencial transformador das tecnologias educacionais e sua aplicação concreta no cotidiano das escolas. Surge, então, uma questão central: de que forma a integração das diferentes mídias digitais ao currículo pode, de fato, promover inovação pedagógica e ampliar a inclusão educacional, considerando os desafios estruturais e institucionais existentes?
A relevância deste estudo reside justamente na necessidade de compreender como a incorporação planejada das mídias digitais pode favorecer práticas pedagógicas mais dinâmicas, inclusivas e alinhadas às competências previstas nas diretrizes educacionais atuais. Além disso, a investigação busca contribuir para o aprimoramento das políticas públicas na área da educação e para o fortalecimento da formação docente, ao sistematizar discussões teóricas sobre as potencialidades e limitações da tecnologia no contexto escolar.
Diante desse panorama, o presente artigo tem como objetivo geral analisar a integração das diferentes mídias digitais ao currículo escolar, identificando suas contribuições pedagógicas, os principais desafios relacionados à sua implementação e as metodologias associadas ao seu uso. Como objetivos específicos, pretende-se: discutir os conceitos e classificações das mídias digitais no contexto educacional; examinar suas contribuições para a inclusão e a personalização da aprendizagem; e analisar os fatores institucionais que influenciam sua efetiva adoção nas escolas.
Por fim, o estudo delimita-se a uma análise teórica de natureza bibliográfica, buscando compreender, de maneira crítica, as condições necessárias para que as mídias digitais deixem de ser apenas promessas e se consolidem como instrumentos reais de transformação, contribuindo para a construção de ambientes educacionais mais inovadores, equitativos e coerentes com os desafios do nosso tempo.
2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS E CLASSIFICAÇÃO DAS MÍDIAS DIGITAIS NO CONTEXTO EDUCACIONAL
As mídias digitais, no contexto educacional, vão muito além de simples ferramentas para “embelezar” aulas. Elas se configuram como objetos culturais moldados pela tecnologia, capazes de distribuir e produzir conteúdos em formatos múltiplos: vídeos, podcasts, jogos, hipertextos, plataformas online, redes sociais. Quando incorporadas de forma criteriosa, não apenas dinamizam o processo de ensino-aprendizagem, mas também ampliam a interação entre alunos, convidando-os a assumir um papel mais ativo na construção coletiva do conhecimento (Farias Júnior et al, 2024).
Do ponto de vista conceitual, trata-se de formas contemporâneas de comunicação, mediados por equipamentos eletrônicos conectados em rede, que redesenham tanto o acesso à informação quanto as relações sociais. Essa mediação tecnológica possibilita a articulação de linguagens diversas: verbal, corporal, visual, sonora e digital, aliando-se ao que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) defende: um ambiente escolar o multimodal, mais permeável e aberto (Mélo, 2023).
No campo da literatura acadêmica, é possível encontrar diferentes formas de classificar essas mídias sob o olhar educacional. Um recorte útil as agrupa em três grandes conjuntos:
Mídias de produção e armazenamento de conteúdo: Englobam programas televisivos, revistas, filmes, livros e vídeos digitais. Embora tragam a estrutura de conteúdos tradicionais, podem ser enriquecidas com recursos audiovisuais para ampliar sua força pedagógica (Santos, 2024);
Mídias interativas e colaborativas: Incluem jogos educativos, podcasts, plataformas de aprendizagem online, redes sociais com fins formativos. Aqui, O foco está no envolvimento direto do aluno, promovendo habilidades cognitivas e socioemocionais como educação e comunicação eficaz e o trabalho em equipe (Farias Júnior et al, 2024);
Hipermídia: Combina multimídia e hipertexto, permitindo o acesso não-linear às informações. Essa flexibilidade favorece um aprendizado exploratório e personalizado, que ganha importância em um ensino cada vez mais voltado à investigação e à autonomia.
Como autor, não consigo ignorar que as mídias sociais são, ao mesmo tempo, recurso e provocação. Elas pedem uma mudança de postura pedagógica: o professor deixa de ser mero transmissor e atua como mediador; o aluno, antes receptor passivo, é instigado a criar, explorar e colaborar. O desafio está em planejar essa integração para que desenvolva competências críticas, reflexivas e éticas, respeitando estilos de aprendizagem e necessidades diversas.
Assim, ao observar as três categorias, conteúdos digitais, mídias interativas e sistemas de hipermídia, não se trata apenas de elencar ferramentas, mais de pensar em como cada uma pode contribuir para um ecossistema educacional mais dinâmico, inclusivo e participativo. Afinal, tecnologia por si só não transforma; o que transforma é a pedagogia que sabe usá-la com propósito (Farias Júnior et al, 2024).
3. IMPORTÂNCIA DAS MÍDIAS DIGITAIS
As mídias digitais tornaram-se, nos últimos anos, mais do que simples ferramentas de apoio: elas são verdadeiros catalisadores de um ensino mais dinâmico e inclusivo. Ao possibilitar a personalização do aprendizado, favorece não apenas o engajamento dos alunos, mas também a participação daqueles que, historicamente, enfrentam barreiras no acesso à educação, como os estudantes com necessidades especiais. Quando bem utilizadas, transforma a sala de aula num espaço mais aberto interativo e adaptado a diferentes ritmos, habilidades estilos de aprendizagem.
Ribeiro Firmino (2025) chama atenção para a relevância dessas mídias no campo da acessibilidade. Segundo o autor, a oferta de recursos adaptados: legendas em vídeos, audiodescrição, tradução em Libras, softwares assistivos, não apenas amplia a participação dos estudantes, mas também garante maior autonomia. Trata-se de um passo importante na direção de uma educação efetivamente equitativa.
A literatura reforça que o ensino dinâmico nasce do encontro entre tecnologia e intencionalidade pedagógica. Machado et al. (2025) mostram que plataformas digitais e mídias audiovisuais, quando integradas ao planejamento, estimulam a motivação dos estudantes e tornam o aprendizado mais significativo. No entanto, o mesmo estudo alerta para um ponto sensível: sem formação docente contínua, a tecnologia pode virar apenas um recurso subutilizado.
Há ainda pesquisas que discutem a revolução das mídias digitais na educação inclusiva, destacando sua capacidade de ampliar as formas de interação com o conhecimento. Elas oferecem caminhos diferenciados para atender a deficiências visuais, auditivas, motoras ou cognitivas, mas depende de políticas consistentes de equidade e acesso para cumprir esse papel de transformação. Sem isso, podem reforçar desigualdades (Barros, 2025).
Como autor, vejo que não basta equipar escolas com dispositivos e conexões rápidas. O verdadeiro desafio é cultural: exige repensar práticas pedagógicas, romper com modelos centrados exclusivamente no professor e assumir uma abordagem em que ele atue como mediador. Nessa perspectiva, a tecnologia deixa de ser um fim em si para se tornar um meio de promover participação ativa, colaboração e respeito à diversidade. Esse movimento não só apoia o alcance da aprendizagem, como também reforça valores éticos e democráticos, formando alunos mais críticos e autônomos.
Assim, a importância das mídias digitais para o ensino dinâmico inclusivo está justamente sua capacidade de unir personalização, acessibilidade e engajamento, democratizando o acesso ao conhecimento e fortalecendo a ideia de que aprender é um direito que precisa ser garantido em toda a sua diversidade.
4. CONTROVÉRSIAS E DESAFIOS DE IMPLANTAÇÃO DAS MÍDIAS DIGITAIS
Embora inevitável, a presença das mídias digitais na escola está longe de ser um processo simples. Sua implementação levanta controvérsias e expõe desafios que atravessam dimensões pedagógicas, estruturais e até culturais, exigindo mais do que entusiasmo tecnológico: requer uma reflexão crítica e ações coordenadas para que seu uso se traduz em avanços reais no ensino.
Entre as barreiras mais recorrentes, a infraestrutura escolar e a formação de professores ocupam posição central. Estudos sobre educação inclusiva com tecnologias digitais apontam que a ausência de formação continuada e a precariedade de equipamentos e conectividade são entraves que limitam a eficácia das ferramentas, mesmo quando o seu potencial de personalização inclusão é amplamente reconhecido. O panorama das escolas públicas brasileiras reforça essa constatação: apesar da relevância pedagógica das mídias digitais, a carência de recursos e a fragilidade da formação docente comprometem seu uso pleno e significativo (Souza et al, 2025).
Paradoxalmente, é justamente das mídias digitais que reside a possibilidade de revitalizar práticas pedagógicas. Elas abrem espaço para metodologias ativas, experiências gamificadas e interações mais horizontais entre alunos e professores. Pesquisas recentes destacam seu papel na renovação curricular e na ampliação das oportunidades de aprendizagem. No entanto, o mesmo discurso otimista vem acompanhado de um alerta: sem preparo contínuo dos educadores, a tecnologia pode se tornar apenas um adorno digital (Souza et al, 2025).
No meu ponto de vista, a principal controvérsia não está na adoção das mídias digitais, mas na distância entre seu potencial e a realidade concreta nas escolas. Por mais que elas ofereçam oportunidades inéditas de inclusão e personalização, a falta de preparo pedagógico, de infraestrutura adequada e de revisão de práticas tradicionais impede que esse potencial se materialize.
Há também uma dimensão menos tangível, mas igualmente decisiva: a resistência cultural. Em muitas instituições, a lógica analógica ainda predomina, criando descompasso entre a escola e o universo digital dos estudantes. Superar essa barreira exige mais do que treinamento técnico, implica repensar a própria concepção de ensino, adaptando-a a linguagens e necessidades contemporâneas (Nascimento, 2023).
Nesse cenário, o papel das políticas públicas torna-se inescapável. Investimentos consistentes, diretrizes claras e ações que garantam inclusão digital equitativa são pré-requisitos para reduzir desigualdades e viabilizar a integração efetiva das mídias digitais ao currículo.
Em suma, inserir mídias digitais nas escolas em enfrentaram um desafio multifacetado, que passa por infraestrutura, cultura escolar, formação docente e renovação pedagógica. Somente a articulação desses elementos poderá transformar um discurso da inovação digital em prática educativa concreta, inclusiva e de qualidade.
5. METODOLOGIAS PEDAGÓGICAS PARA INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS DIGITAIS
A integração das mídias digitais ao currículo escolar ganha força quando associada às metodologias ativas de aprendizagem. Mais do que inserir tecnologia em sala de aula, trata-se de repensar o próprio modelo de ensino, deslocando o foco da transmissão de conteúdo para o protagonismo do estudante. Como destacam Souza et al. (2025), essa transição exige uma reconfiguração curricular que favoreça autonomia, colaboração e desenvolvimento do pensamento crítico.
A Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) é um exemplo claro desse movimento. Ao propor que os estudantes investiguem problemas reais e produzam soluções concretas, a metodologia abre espaço para o uso significativo de mídias digitais, como vídeos, podcasts e apresentações interativas. Farias Júnior et al. (2024) ressaltam que, quando esses recursos são incorporados de forma intencional ao planejamento pedagógico, ampliam o engajamento e fortalecem competências comunicacionais e socioemocionais — habilidades cada vez mais valorizadas no contexto contemporâneo.
Outra abordagem amplamente discutida é a sala de aula invertida. Segundo Mélo (2023), a utilização de videoaulas, plataformas virtuais e outros recursos digitais para estudo prévio permite que o tempo em sala seja dedicado ao aprofundamento, à troca de ideias e à resolução de problemas. Nesse formato, o estudante chega mais preparado para participar ativamente das atividades, o que favorece aprendizagens mais significativas.
A gamificação também se destaca como estratégia capaz de dinamizar o currículo. Santos (2024) observa que a linguagem interativa e audiovisual tende a aumentar o envolvimento dos estudantes. No entanto, é importante lembrar que a tecnologia, por si só, não garante aprendizagem. Sem uma intencionalidade pedagógica clara, há o risco de que os recursos digitais se tornem apenas elementos motivacionais superficiais, sem impacto real no desenvolvimento cognitivo.
Dessa forma, a adoção de metodologias ativas mediadas por mídias digitais deve estar sempre alinhada a objetivos formativos explícitos. Nesse processo, o professor assume papel central como mediador crítico, orientando, problematizando e dando sentido às experiências de aprendizagem.
6. ESTRATÉGIAS INSTITUCIONAIS PARA IMPLEMENTAÇÃO CURRICULAR
A efetiva integração das mídias digitais não depende apenas da iniciativa individual do professor. A literatura aponta que sua consolidação requer planejamento institucional consistente e políticas públicas bem estruturadas. Nascimento et al. (2023) argumentam que os desafios da educação no século XXI vão além do simples acesso a equipamentos tecnológicos: envolvem mudança cultural, reorganização de práticas pedagógicas e redefinição de prioridades educacionais.
No âmbito da educação inclusiva, Machado et al. (2025) e Ribeiro Firmino (2025) defendem que a integração tecnológica deve vir acompanhada de formação continuada para os docentes, contemplando tanto aspectos técnicos quanto pedagógicos. Sem esse suporte, o potencial inclusivo das mídias digitais pode ficar comprometido, limitando-se a usos superficiais ou pouco articulados ao currículo.
Outro ponto sensível diz respeito à infraestrutura. Souza et al. (2025) evidenciam que a precariedade de conectividade e de equipamentos nas escolas públicas brasileiras ainda representa um obstáculo significativo à consolidação de práticas digitais consistentes. Essa realidade reforça a necessidade de articulação entre políticas públicas, investimentos financeiros adequados e planejamento pedagógico estratégico.
Construir uma cultura digital na escola, portanto, não é tarefa simples nem imediata. Exige envolvimento da gestão, comprometimento dos professores e diálogo com a comunidade escolar. Mais do que iniciativas isoladas, é preciso continuidade, coerência e visão de longo prazo.
7. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM AMBIENTES DIGITAIS
A presença das mídias digitais no currículo também provoca reflexões sobre as práticas avaliativas. Como aponta Barros (2024), a educação inclusiva mediada por tecnologia pressupõe uma avaliação diversificada, capaz de contemplar diferentes formas de expressão do conhecimento.
Nesse contexto, portfólios digitais, produções audiovisuais e projetos colaborativos surgem como alternativas coerentes com a perspectiva de multimodalidade defendida pela BNCC e discutida por Mélo (2023). Essas estratégias permitem acompanhar o percurso do estudante de maneira mais ampla, valorizando não apenas o resultado final, mas todo o processo de aprendizagem.
Além disso, Souza et al. (2025) ressaltam que a avaliação formativa em ambientes digitais possibilita intervenções pedagógicas mais precisas. O acompanhamento contínuo favorece a personalização do ensino e permite que o professor identifique dificuldades e potencialidades com maior agilidade.
Assim, a avaliação no contexto digital não substitui completamente os métodos tradicionais, mas amplia o repertório avaliativo, tornando-o mais alinhado às competências e demandas do mundo contemporâneo.
8. PERSPECTIVAS E DESAFIOS FUTUROS
As tendências atuais apontam para a expansão de recursos interativos, aprendizagem adaptativa e ambientes virtuais colaborativos. No entanto, como alertam Nascimento et al. (2023), o avanço tecnológico precisa caminhar lado a lado com reflexão ética e postura crítica.
O risco de aprofundamento das desigualdades sociais permanece quando as políticas de inclusão digital não são suficientemente abrangentes. Barros (2024) enfatiza que democratizar o acesso às tecnologias é condição essencial para que a inovação educacional não amplie assimetrias já existentes.
Diante desse cenário, a consolidação das mídias digitais no currículo escolar depende de uma articulação consistente entre investimento público, formação docente continuada e revisão das concepções pedagógicas tradicionais — elementos que, ao longo deste estudo, mostraram-se indissociáveis de uma educação verdadeiramente transformadora.
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa analisou a integração das mídias digitais ao currículo escolar com o propósito de identificar suas potencialidades pedagógicas, os principais desafios de implementação e as metodologias associadas ao seu uso. A partir da revisão teórica realizada, foi possível demonstrar que essa integração contribui de forma efetiva para a inovação didática quando orientada por intencionalidade pedagógica clara e sustentada por um planejamento curricular estruturado. Mais do que incorporar recursos tecnológicos, trata-se de repensar práticas, objetivos e estratégias de ensino.
Os resultados indicam que o problema de pesquisa foi respondido ao evidenciar que a inserção das mídias digitais no currículo pode promover avanços pedagógicos significativos, desde que acompanhada por condições concretas de infraestrutura, reorganização de práticas tradicionais e compromisso institucional com a consolidação de uma cultura digital no ambiente escolar. Da mesma forma, os objetivos propostos foram alcançados, uma vez que o estudo examinou os conceitos e classificações das mídias digitais no contexto educacional, discutiu suas contribuições para o ensino inclusivo e para a personalização da aprendizagem, além de analisar os fatores institucionais que influenciam sua implementação.
Entre as contribuições teóricas, destaca-se a sistematização crítica das relações entre tecnologia, currículo e inclusão educacional. A análise reforça que a inovação não está no recurso tecnológico em si, mas na mediação pedagógica que orienta seu uso e o integra de maneira coerente ao projeto formativo da escola. No campo prático, o estudo evidencia que a adoção planejada das mídias digitais pode favorecer ambientes de aprendizagem mais dinâmicos, colaborativos e alinhados às exigências contemporâneas, ampliando oportunidades de participação e desenvolvimento dos estudantes.
Reconhece-se, contudo, como limitação da pesquisa seu caráter exclusivamente bibliográfico, o que impossibilita a observação direta de experiências em contextos escolares específicos. Nesse sentido, pesquisas futuras podem aprofundar a compreensão do tema por meio de investigações empíricas, estudos comparativos entre instituições e análises longitudinais de práticas pedagógicas mediadas por tecnologias digitais.
Conclui-se, portanto, que a integração consciente, crítica e estruturada das mídias digitais ao currículo escolar representa um avanço relevante para a promoção da qualidade e da equidade educacional. No entanto, para que esse potencial se concretize, é indispensável investimento em formação docente contínua, fortalecimento das políticas institucionais e compromisso efetivo com a transformação das práticas pedagógicas.
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1 Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]