A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA NAS DECISÕES EMPRESARIAIS: UMA ANÁLISE DE CAMPO NA CIDADE DE CONGONHINHAS/PR

THE INFLUENCE OF FINANCIAL EDUCATION ON BUSINESS DECISIONS: A FIELD ANALYSIS IN THE CITY OF CONGONHINHAS, PARANÁ

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789705914

RESUMO
A educação financeira constitui importante instrumento para a gestão empresarial, especialmente nas micro e pequenas empresas, nas quais os gestores frequentemente concentram funções administrativas e financeiras. Este estudo teve como objetivo analisar a influência da educação financeira nas decisões empresariais de micro e pequenas empresas do município de Congonhinhas/PR. A pesquisa caracteriza-se como aplicada e descritiva, com abordagem qualitativa e quantitativa, utilizando levantamento bibliográfico e pesquisa de campo. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário aplicado a 11 gestores de empresas locais. Os resultados demonstraram que, embora a maioria dos participantes avalie seu conhecimento financeiro como médio ou alto, persistem fragilidades na aplicação prática desses conhecimentos, principalmente no controle do fluxo de caixa, na separação entre finanças pessoais e empresariais e na utilização de ferramentas de controle. Além disso, 63,6% dos entrevistados relataram já ter sofrido prejuízos em decorrência da falta de análise financeira. Todos os participantes reconheceram que o conhecimento financeiro influencia o sucesso empresarial e pode contribuir para melhores decisões. Conclui-se que a educação financeira exerce influência relevante na gestão dos pequenos negócios, favorecendo decisões mais conscientes, planejamento adequado, melhor controle dos recursos e maior sustentabilidade empresarial
Palavras-chave: Educação financeira; Gestão financeira; Decisões empresariais; Micro e pequenas empresas; Planejamento financeiro.

ABSTRACT
Financial education is an important tool for business management, especially in micro and small enterprises, where managers frequently concentrate administrative and financial responsibilities. This study aimed to analyze the influence of financial education on business decisions in micro and small enterprises located in Congonhinhas, Paraná, Brazil. The research is characterized as applied and descriptive, adopting both qualitative and quantitative approaches, supported by a literature review and field research. Data were collected through a questionnaire administered to 11 managers of local businesses. The results showed that, although most participants rated their financial knowledge as medium or high, weaknesses remain in the practical application of this knowledge, particularly regarding cash flow control, the separation of personal and business finances, and the use of financial management tools. In addition, 63.6% of respondents reported having experienced financial losses due to insufficient financial analysis. All participants recognized that financial knowledge influences business success and can contribute to better decision-making. The study concludes that financial education has a relevant influence on small business management, contributing to more informed decisions, adequate planning, better control of financial resources, and greater business sustainability.
Keywords: Financial education; Financial management; Business decisions; Micro and small enterprises; Financial planning.

1. INTRODUÇÃO

A educação financeira tem adquirido crescente relevância no contexto econômico contemporâneo, especialmente em razão da ampliação do acesso ao crédito, do aumento do consumo e da complexidade das relações financeiras.

Nesse cenário, o conhecimento financeiro passou a ser fundamental para a tomada de decisões mais seguras e eficientes, tanto na vida pessoal quanto no ambiente empresarial. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE (2011), a educação financeira compreende o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades capazes de auxiliar indivíduos e organizações na tomada de decisões conscientes relacionadas às finanças.

No âmbito empresarial, especialmente nas micro e pequenas empresas, a educação financeira exerce influência direta sobre a gestão dos negócios. A ausência de planejamento financeiro, controle de despesas e conhecimento sobre crédito e investimentos pode comprometer a sustentabilidade das empresas e dificultar sua permanência no mercado. Conforme destacam Savoia, Saito e Santana (2007), a insuficiência de conhecimento financeiro compromete decisões cotidianas e reduz a capacidade de gerenciamento eficiente dos recursos financeiros.

Além disso, muitos pequenos empresários possuem domínio técnico sobre suas atividades produtivas, porém apresentam dificuldades relacionadas à gestão financeira do negócio. Reis (2021) afirma que a qualidade da gestão financeira das pequenas empresas está diretamente relacionada ao nível de educação financeira do gestor, influenciando decisões sobre planejamento, investimentos, controle financeiro e utilização de crédito.

Diante desse cenário, surge o seguinte problema de pesquisa: de que forma a educação financeira influencia as decisões empresariais nas empresas do município de Congonhinhas/PR? A partir desse questionamento, busca-se compreender como o conhecimento financeiro contribui para a administração dos negócios e para a tomada de decisões mais eficientes no ambiente empresarial local.

A relevância deste estudo está relacionada à importância das micro e pequenas empresas para a economia brasileira, principalmente na geração de empregos e renda. Entretanto, parte significativa dessas empresas enfrenta dificuldades financeiras e encerra suas atividades nos primeiros anos de funcionamento, sendo a deficiência na gestão financeira um dos fatores associados à mortalidade empresarial. Assim, compreender a importância da educação financeira para os gestores pode contribuir tanto para o fortalecimento das empresas quanto para o desenvolvimento econômico local.

O presente trabalho tem como objetivo analisar a importância da educação financeira para decisões empresariais, por meio de um estudo de campo realizado no município de Congonhinhas/PR. Especificamente, busca-se identificar o nível de conhecimento financeiro dos empresários locais, verificar a influência desse conhecimento na gestão financeira das empresas e compreender os impactos da educação financeira na tomada de decisões empresariais.

Quanto à metodologia, a pesquisa caracteriza-se como bibliográfica e de campo, com abordagem qualitativa e quantitativa. Inicialmente, foi realizado levantamento bibliográfico em artigos científicos, livros, dissertações e estudos relacionados à educação financeira e gestão empresarial. Posteriormente, será aplicada pesquisa de campo junto a empresários do município de Congonhinhas/PR, utilizando questionários para coleta de dados e análise das informações obtidas.

Este trabalho está estruturado em capítulos. O primeiro capítulo apresenta a introdução, contendo a contextualização do tema, problema de pesquisa, objetivos, relevância e metodologia. O segundo capítulo aborda o referencial teórico, com discussões sobre educação financeira, gestão financeira e decisões empresariais. Em seguida, será apresentada a metodologia da pesquisa. Posteriormente, serão expostos os resultados obtidos na pesquisa de campo, bem como a análise dos dados coletados. Por fim, apresentam-se as considerações finais do estudo.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Educação Financeira

A educação financeira consiste em um processo contínuo de aprendizagem voltado ao desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e comportamentos relacionados à administração dos recursos financeiros. Seu principal objetivo é possibilitar que indivíduos e organizações realizem escolhas financeiras mais conscientes, equilibradas e adequadas às suas necessidades e objetivos. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE (2011), a educação financeira envolve a compreensão de conceitos e riscos financeiros, contribuindo para decisões mais seguras e eficientes.

No Brasil, a discussão sobre educação financeira ganhou maior relevância a partir das transformações econômicas ocorridas nas últimas décadas, especialmente com a estabilização monetária, a ampliação do crédito e o crescimento do consumo.

Nesse cenário, tornou-se necessário preparar indivíduos e organizações para lidar com produtos financeiros, planejamento orçamentário e gestão de recursos. Savoia, Saito e Santana (2007) afirmam que a educação financeira permite o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao gerenciamento das finanças, promovendo maior segurança na tomada de decisões econômicas, devido ao fato de que a educação financeira do gestor influencia diretamente a qualidade da gestão financeira da empresa, refletindo nas decisões de curto e longo prazo.

Além do aspecto técnico, a educação financeira também possui dimensão comportamental, isso ocorre porque as decisões financeiras estão relacionadas a hábitos de consumo, planejamento, controle e disciplina financeira. Para Olivieri (2013), a educação financeira deve ser compreendida como um processo de formação integral do indivíduo, envolvendo não apenas conhecimentos matemáticos e financeiros, mas também atitudes conscientes em relação ao uso do dinheiro.

No ambiente empresarial, a educação financeira torna-se ainda mais relevante, principalmente nas micro e pequenas empresas, onde o gestor frequentemente acumula funções administrativas e financeiras, visto que a ausência de conhecimento financeiro adequado pode comprometer o planejamento, dificultar o controle de despesas e aumentar os riscos de endividamento (REIS, 2021).

Essa acumulação de funções pode comprometer a eficiência da gestão empresarial, principalmente quando o empreendedor possui domínio técnico sobre sua atividade produtiva, mas apresenta limitações relacionadas à administração financeira do negócio. Correia (2015) observa que muitos pequenos empresários dominam suas atividades operacionais, como comércio, prestação de serviços ou produção, porém encontram dificuldades na separação entre finanças pessoais e empresariais, no controle de despesas e no planejamento financeiro da empresa.

A deficiência na gestão financeira não afeta apenas o setor econômico da empresa, mas também interfere diretamente em outras áreas organizacionais. Problemas relacionados à falta de capital de giro, endividamento e ausência de planejamento podem comprometer investimentos, dificultar a aquisição de mercadorias, reduzir a capacidade de contratação de funcionários e afetar a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. Além disso, dificuldades financeiras frequentemente geram impactos no planejamento estratégico da organização, limitando o crescimento e reduzindo a competitividade da empresa no mercado.

Outro fator relevante refere-se ao impacto das dificuldades financeiras sobre o ambiente organizacional e o desempenho dos colaboradores. Santos (2013) destaca que problemas financeiros podem influenciar diretamente a produtividade, o foco e a capacidade de organização dentro das empresas, afetando tanto os gestores quanto os funcionários. Em situações de instabilidade financeira, torna-se comum a redução de investimentos, atrasos em pagamentos e dificuldades na manutenção das atividades operacionais, comprometendo o desempenho organizacional como um todo.

Nesse contexto, a educação financeira apresenta-se como instrumento fundamental para fortalecer a gestão empresarial, proporcionando ao gestor maior capacidade de planejamento, controle financeiro e tomada de decisões. O conhecimento financeiro adequado contribui para a organização das finanças empresariais, redução de riscos e melhor utilização dos recursos disponíveis, favorecendo a sustentabilidade e o desenvolvimento das empresas.

2.2. Gestão Financeira

A gestão financeira compreende o conjunto de práticas administrativas voltadas ao planejamento, organização, controle e análise dos recursos financeiros de uma organização. Seu objetivo principal é garantir equilíbrio financeiro, sustentabilidade e rentabilidade para a empresa, possibilitando a tomada de decisões mais eficientes e seguras.

Segundo Sobral e Peci (2008), a administração financeira está relacionada à utilização eficiente dos recursos financeiros disponíveis, buscando assegurar a continuidade das atividades organizacionais e o alcance dos objetivos empresariais. Nesse sentido, a gestão financeira envolve atividades como controle do fluxo de caixa, administração do capital de giro, planejamento orçamentário, análise de investimentos e controle de custos.

Nas micro e pequenas empresas, a gestão financeira apresenta desafios específicos, principalmente em razão da limitação de recursos e da ausência de estrutura administrativa especializada. Longenecker et al. (2007) afirmam que empresas de pequeno porte tendem a ser mais vulneráveis a falhas gerenciais, especialmente quando o gestor não possui conhecimentos adequados sobre finanças e planejamento empresarial.

Um dos principais problemas observados nesse segmento refere-se à falta de separação entre finanças pessoais e empresariais. Muitos empreendedores utilizam recursos da empresa para despesas particulares, comprometendo o controle financeiro e dificultando a análise real da situação econômica do negócio. Além disso, a ausência de planejamento financeiro pode gerar dificuldades relacionadas ao capital de giro, inadimplência e utilização inadequada de crédito.

A gestão financeira eficiente possibilita maior controle das receitas e despesas, permitindo que o empresário identifique riscos, oportunidades e necessidades de investimento. Dessa forma, a adoção de práticas de planejamento financeiro e controle gerencial contribui para o crescimento sustentável das empresas e para a redução da mortalidade empresarial.

2.3. Decisões Empresariais

As decisões empresariais constituem um dos principais elementos da gestão organizacional, uma vez que influenciam diretamente o desempenho, a competitividade e a sustentabilidade das empresas.

No ambiente corporativo, decidir envolve escolher alternativas relacionadas à aplicação de recursos, definição de estratégias, controle de despesas, investimentos, financiamentos e planejamento das atividades organizacionais. Dessa forma, a qualidade das decisões tomadas pelo gestor possui impacto direto sobre os resultados financeiros e operacionais da empresa.

Segundo Sobral e Peci (2008), o processo decisório representa uma das funções centrais da administração, sendo responsabilidade do gestor analisar informações, identificar problemas e selecionar as alternativas mais adequadas para alcançar os objetivos organizacionais. Nesse sentido, a tomada de decisão exige não apenas experiência prática, mas também capacidade analítica e conhecimento técnico, especialmente na área financeira.

No contexto das micro e pequenas empresas, as decisões empresariais geralmente ficam concentradas na figura do proprietário, que acumula funções administrativas, operacionais e financeiras. Essa centralização ocorre devido à limitação de recursos humanos e financeiros, fazendo com que o gestor seja responsável por atividades como compras, vendas, controle de caixa, pagamento de fornecedores, contratação de funcionários e planejamento estratégico. Reis (2021) destaca que a qualidade da gestão financeira dessas empresas depende diretamente do nível de educação financeira do gestor, influenciando decisões de curto e longo prazo.

Nesse cenário, a ausência de conhecimento financeiro pode comprometer significativamente o processo decisório. Muitos empresários tomam decisões baseadas apenas na experiência prática ou na necessidade imediata da empresa, sem realizar análises financeiras adequadas. Essa situação pode resultar em problemas como endividamento excessivo, utilização inadequada de crédito, ausência de capital de giro e dificuldades para investimentos futuros.

A educação financeira, portanto, torna-se essencial para auxiliar o gestor na tomada de decisões mais conscientes e estratégicas. De acordo com Zerrenner et al. (2006), indivíduos com maior nível de educação financeira apresentam maior capacidade de compreender riscos, avaliar alternativas e tomar decisões mais eficientes em relação à utilização dos recursos financeiros. No ambiente empresarial, isso se reflete na melhoria do planejamento financeiro, na análise de investimentos e no controle das finanças organizacionais.

Entre as principais decisões empresariais influenciadas pela educação financeira, destacam-se as relacionadas ao planejamento financeiro e ao controle do fluxo de caixa. O fluxo de caixa permite acompanhar entradas e saídas de recursos, possibilitando maior controle sobre a situação financeira da empresa. A ausência desse acompanhamento pode dificultar o pagamento de fornecedores, impostos e funcionários, além de comprometer a capacidade de investimento do negócio.

Outro aspecto relevante refere-se às decisões relacionadas ao crédito e financiamento. Em muitas situações, pequenas empresas recorrem a empréstimos e financiamentos para manutenção das atividades ou expansão do negócio. Entretanto, a falta de planejamento financeiro pode levar à contratação inadequada de crédito, comprometendo a saúde financeira da empresa em razão de juros elevados e aumento do endividamento. Savoia, Saito e Santana (2007) afirmam que a insuficiência de conhecimento financeiro reduz a capacidade dos indivíduos e organizações de compreenderem os impactos das decisões relacionadas ao crédito e aos instrumentos financeiros.

As decisões de investimento também estão diretamente relacionadas à educação financeira do gestor. Investir envolve analisar riscos, retorno esperado e capacidade financeira da empresa. Gestores financeiramente capacitados tendem a avaliar de forma mais criteriosa a aquisição de equipamentos, expansão das atividades e realização de melhorias estruturais, reduzindo riscos e aumentando as possibilidades de crescimento sustentável da empresa.

Além das questões financeiras, decisões empresariais inadequadas podem afetar outros setores organizacionais. Problemas financeiros frequentemente comprometem a capacidade de contratação de funcionários, aquisição de mercadorias, qualidade dos produtos e serviços e competitividade da empresa no mercado. Em situações mais críticas, dificuldades financeiras podem ocasionar redução das atividades operacionais e até o encerramento do negócio. Correia (2015) destaca que muitas micro e pequenas empresas encerram suas atividades nos primeiros anos de funcionamento em razão da deficiência na gestão financeira e da ausência de planejamento adequado.

Outro fator importante está relacionado ao comportamento do gestor diante das decisões empresariais. A educação financeira também envolve aspectos comportamentais, como disciplina financeira, controle emocional e capacidade de planejamento. Muitas decisões inadequadas decorrem de ações impulsivas, ausência de organização financeira e dificuldade de separar interesses pessoais das necessidades empresariais. Dessa maneira, o desenvolvimento de práticas de educação financeira contribui não apenas para a melhoria técnica da gestão, mas também para o fortalecimento do comportamento organizacional e da capacidade de planejamento do empresário.

Portanto, as decisões empresariais possuem relação direta com o nível de educação financeira do gestor. Empresas administradas por gestores financeiramente preparados tendem a apresentar maior organização financeira, melhor planejamento estratégico e maior capacidade de adaptação diante das oscilações econômicas. Assim, a educação financeira pode ser considerada um instrumento fundamental para a sustentabilidade, crescimento e fortalecimento das micro e pequenas empresas.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A presente pesquisa caracteriza-se como aplicada, uma vez que busca compreender a influência da educação financeira nas decisões empresariais, contribuindo para a análise da realidade das micro e pequenas empresas do município de Congonhinhas/PR. Segundo Gil (2008), a pesquisa aplicada possui finalidade prática, direcionada à produção de conhecimentos que possam contribuir para a compreensão e solução de problemas específicos.

Quanto aos objetivos, o estudo classifica-se como descritivo, pois busca identificar e descrever o nível de educação financeira dos gestores, as práticas de gestão financeira adotadas e sua relação com o processo de tomada de decisões empresariais. De acordo com Vergara (2016), a pesquisa descritiva expõe características de determinada população ou fenômeno, permitindo estabelecer relações entre as variáveis analisadas sem interferência direta do pesquisador sobre os fatos observados.

Em relação aos procedimentos técnicos, a pesquisa foi desenvolvida mediante levantamento bibliográfico e pesquisa de campo. A pesquisa bibliográfica foi realizada a partir da análise de livros, artigos científicos, dissertações, monografias e documentos institucionais relacionados à educação financeira, gestão financeira e tomada de decisões empresariais. Conforme Marconi e Lakatos (2017), a pesquisa bibliográfica possibilita ao pesquisador contato com as produções existentes acerca do objeto investigado, proporcionando fundamentação teórica para a análise dos resultados.

A pesquisa de campo foi realizada no município de Congonhinhas, localizado no estado do Paraná, contando com a participação de 11 gestores de micro e pequenas empresas locais. A amostra apresentou predominância de empresas pertencentes ao setor comercial, além da participação de empresa prestadora de serviços. A seleção dos participantes ocorreu de forma não probabilística, por acessibilidade, considerando a disponibilidade dos empresários em participar da pesquisa.

Quanto à abordagem, o estudo possui caráter qualitativo e quantitativo. A abordagem quantitativa foi utilizada para organizar e analisar as respostas obtidas nas questões fechadas do questionário, mediante frequências absolutas e relativas, possibilitando identificar características do perfil dos participantes, nível de conhecimento financeiro, práticas de gestão e aspectos relacionados à tomada de decisão. A abordagem qualitativa foi empregada principalmente na interpretação das percepções dos gestores e das respostas à questão aberta, permitindo compreender as principais dificuldades encontradas na gestão financeira das empresas.

Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado um questionário estruturado composto por perguntas abertas e fechadas, organizado em eixos relacionados ao perfil dos participantes e das empresas, nível de educação financeira, práticas de gestão financeira, tomada de decisão e percepção dos gestores acerca dos impactos da educação financeira. O questionário foi aplicado diretamente aos gestores das empresas participantes.

Após a coleta, os dados foram tabulados e analisados de forma descritiva. As respostas fechadas foram apresentadas por meio de frequências e percentuais, enquanto as respostas abertas foram analisadas qualitativamente, buscando identificar dificuldades e aspectos recorrentes relatados pelos participantes. Também foram realizados cruzamentos descritivos entre determinadas respostas, especialmente entre o nível de conhecimento financeiro, as práticas de gestão adotadas e a forma de tomada de decisão.

Posteriormente, os resultados obtidos na pesquisa de campo foram confrontados com os estudos apresentados no referencial teórico, buscando identificar aproximações e divergências entre a realidade observada nas empresas pesquisadas e as discussões existentes na literatura acerca da educação financeira e da gestão empresarial.

Dessa forma, a metodologia adotada possibilitou analisar, no contexto da amostra pesquisada, as relações existentes entre educação financeira, práticas de gestão e tomada de decisões empresariais. Ressalta-se, entretanto, que, em razão do número de participantes e do caráter não probabilístico da amostra, os resultados possuem natureza descritiva e não têm a finalidade de representar estatisticamente a totalidade das empresas do município de Congonhinhas/PR.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A pesquisa de campo foi realizada com 11 gestores de empresas do município de Congonhinhas/PR, buscando analisar de que maneira o nível de educação financeira se relaciona com as práticas de gestão e com o processo de tomada de decisões empresariais. A análise dos questionários permitiu identificar não apenas o perfil dos participantes, mas também diferenças entre o conhecimento financeiro declarado pelos gestores e a efetiva utilização de instrumentos de planejamento e controle financeiro no cotidiano empresarial.

Por se tratar de uma amostra composta por 11 participantes, os resultados devem ser interpretados de maneira descritiva, sem a pretensão de generalização para a totalidade das empresas do município. Ainda assim, os dados obtidos possibilitam identificar padrões relevantes e estabelecer relações com os estudos apresentados no referencial teórico.

4.1. Perfil dos Participantes e das Empresas Pesquisadas

Inicialmente, verificou-se uma distribuição relativamente diversificada quanto à idade dos respondentes. Do total, 2 participantes (18,2%) possuem até 25 anos, 2 (18,2%) possuem entre 26 e 35 anos, 3 (27,3%) encontram-se entre 36 e 45 anos, outros 3 (27,3%) possuem entre 46 e 55 anos e 1 participante (9,1%) possui mais de 55 anos.

Dessa forma, a pesquisa contempla gestores pertencentes a diferentes faixas etárias, permitindo observar a educação financeira em empresas administradas tanto por empresários mais jovens quanto por gestores com maior tempo de experiência profissional.

Em relação à escolaridade, 4 participantes (36,4%) possuem ensino médio, 2 (18,2%) ensino superior incompleto, 2 (18,2%) ensino superior completo e 3 (27,3%) possuem pós-graduação. Apesar do nível educacional relativamente elevado de parte dos entrevistados, apenas 1 participante (9,1%) declarou possuir formação especificamente relacionada às áreas de gestão, contabilidade ou finanças, enquanto 10 (90,9%) afirmaram não possuir formação nessas áreas.

Os questionários demonstram, inclusive, a existência de participantes com ensino superior ou pós-graduação que não apresentam formação específica em gestão financeira.
Esse resultado é relevante para o objeto da pesquisa, pois demonstra que escolaridade formal não deve ser confundida com formação financeira específica. O indivíduo pode apresentar elevado nível de escolaridade e, ainda assim, não ter recebido capacitação voltada à administração financeira empresarial.

Tal constatação aproxima-se da discussão apresentada por Correia (2015), segundo a qual muitos pequenos empresários possuem conhecimento técnico sobre sua atividade principal, mas apresentam dificuldades em questões relacionadas à administração financeira, especialmente no controle de despesas, planejamento e separação entre recursos pessoais e empresariais.

Quanto ao porte das empresas, 5 participantes (45,5%) administram microempresas (ME), 4 (36,4%) são microempreendedores individuais (MEI) e 2 (18,2%) administram empresas de pequeno porte (EPP). Portanto, 100% das empresas pesquisadas pertencem ao universo dos pequenos negócios, característica diretamente relacionada à proposta do estudo.

Outro aspecto relevante refere-se ao tempo de funcionamento. Oito empresas (72,7%) estão em atividade há mais de seis anos, enquanto 3 (27,3%) possuem entre um e três anos de funcionamento. Não foram identificadas empresas com menos de um ano ou entre quatro e seis anos. Assim, a maior parte dos participantes possui experiência empresarial acumulada, o que torna particularmente importante a comparação entre experiência prática e utilização de conhecimentos financeiros.

Em relação ao setor de atuação, observou-se forte predominância do comércio: 10 empresas (90,9%) pertencem a esse segmento e apenas 1 (9,1%) atua na prestação de serviços. Essa característica deve ser considerada na interpretação dos resultados, visto que as conclusões obtidas representam predominantemente a realidade de pequenos estabelecimentos comerciais de Congonhinhas/PR.

4.2. Nível de Educação Financeira dos Gestores

Ao serem questionados sobre como avaliavam o próprio conhecimento em finanças, 8 dos 11 participantes (72,7%) classificaram seu nível como médio, 2 (18,2%) como alto e apenas 1 (9,1%) como baixo. Nenhum participante considerou possuir conhecimento muito baixo ou muito alto.

À primeira vista, o resultado demonstra uma percepção relativamente positiva dos gestores quanto à própria capacidade financeira. Contudo, quando essa autoavaliação é comparada com outras respostas do questionário, verifica-se que esse conhecimento apresenta limitações importantes.

Embora 9 gestores (81,8%) tenham afirmado conhecer o conceito de fluxo de caixa, 2 (18,2%) declararam não saber o que ele significa. Quanto à interpretação de informações financeiras, como lucro, despesas e faturamento, 7 participantes (63,6%) afirmaram saber interpretá-las e 4 (36,4%) disseram possuir apenas capacidade parcial. Nenhum respondeu que não possuía qualquer capacidade de interpretação.

Os dados indicam, portanto, a existência de um conhecimento financeiro básico entre a maioria dos respondentes, porém sem domínio uniforme dos instrumentos utilizados na administração empresarial. Um exemplo dessa diferença aparece entre participantes que se classificaram com conhecimento médio, mas declararam não conhecer o conceito de fluxo de caixa ou compreender apenas parcialmente as demonstrações financeiras. Outro caso demonstra que um gestor classificou seu conhecimento como baixo, embora conhecesse o fluxo de caixa e interpretasse parcialmente informações financeiras, evidenciando diferentes percepções sobre o próprio grau de domínio financeiro.

Esse resultado dialoga com a definição da OCDE (2011), segundo a qual a educação financeira não se limita ao contato com conceitos financeiros, mas envolve o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades capazes de contribuir para decisões mais conscientes e eficientes. Portanto, conhecer determinados conceitos não significa, necessariamente, possuir educação financeira suficiente para aplicá-los adequadamente na gestão da empresa.

Essa interpretação torna-se ainda mais relevante quando se analisa a participação dos empresários em atividades de capacitação. Apenas 4 dos 11 gestores (36,4%) afirmaram já ter participado de cursos ou treinamentos relacionados à educação financeira, enquanto 7 (63,6%) nunca participaram. Dessa maneira, apesar de 90,9% dos participantes declararem possuir conhecimento financeiro médio ou alto, a maioria não passou por treinamento específico na área.

A situação reforça as observações de Reis (2021), apresentadas no referencial teórico, de que pequenos empresários frequentemente administram suas empresas com conhecimentos construídos a partir da própria experiência, embora a qualidade da gestão financeira esteja diretamente relacionada ao conhecimento do gestor.

Um dado particularmente interessante surge ao comparar treinamento financeiro e controle do fluxo de caixa. Os quatro participantes que declararam ter realizado cursos ou treinamentos afirmaram que realizam o controle de fluxo de caixa sempre. Entre os sete que nunca realizaram capacitação, apenas dois informaram realizar esse controle sempre; quatro o fazem apenas às vezes e um nunca realiza.

Embora a reduzida dimensão da amostra não permita estabelecer uma relação causal, essa associação descritiva sugere que a capacitação financeira pode favorecer a adoção sistemática de instrumentos básicos de gestão. Ao mesmo tempo, os resultados demonstram que o treinamento, isoladamente, não garante a aplicação de todas as boas práticas financeiras, pois foram observados participantes capacitados que ainda apresentam dificuldades em separar recursos pessoais dos empresariais.

4.3. Práticas de Gestão Financeira

A análise das práticas utilizadas pelas empresas permite verificar com maior clareza a distância existente entre conhecimento financeiro declarado e sua aplicação cotidiana.

Em relação ao fluxo de caixa, 6 participantes (54,5%) afirmaram realizar seu controle sempre, 4 (36,4%) realizam apenas às vezes e 1 (9,1%) nunca realiza. Dessa forma, embora 81,8% dos participantes conheçam o conceito de fluxo de caixa, apenas pouco mais da metade realiza seu controle de forma permanente.

Essa diferença é relevante porque demonstra que a compreensão conceitual de um instrumento não significa necessariamente sua incorporação à rotina administrativa. O próprio referencial teórico destaca que a gestão financeira envolve atividades como controle do fluxo de caixa, administração do capital de giro, planejamento orçamentário, análise de investimentos e controle de custos.

Outro resultado significativo diz respeito à separação entre finanças pessoais e empresariais. Apenas 4 gestores (36,4%) declararam realizar essa separação sempre, enquanto 5 (45,5%) afirmaram fazê-la apenas às vezes e 2 (18,2%) disseram nunca separar as duas fontes de recursos. Isso significa que 63,7% dos entrevistados não mantêm uma separação financeira permanente entre pessoa física e empresa.

Esse dado está diretamente relacionado a uma das principais dificuldades destacadas no referencial teórico, pois, conforme discutido no trabalho, a ausência de separação entre recursos pessoais e empresariais compromete o controle financeiro e dificulta a identificação da real situação econômica do negócio.

A resposta aberta de uma das participantes torna esse problema especialmente evidente. A empresária Bruna Dias Algozo, da empresa Lu Decorações, relatou dificuldade para organizar os lucros em períodos de menor faturamento e afirmou que, apesar de procurar evitar a mistura entre despesas pessoais e empresariais, essa situação ocorre com frequência. A participante Angélica Rodrigues, da MM Distribuidora, apontou diretamente como sua maior dificuldade a tarefa de “separar as movimentações da empresa e pessoais”.

Portanto, a dificuldade apontada pela literatura também aparece concretamente na realidade empresarial analisada em Congonhinhas. A separação entre patrimônio pessoal e empresarial parece constituir uma fragilidade importante da gestão financeira de parte dos pequenos negócios pesquisados.

Quanto à análise dos resultados financeiros, 7 participantes (63,6%) afirmaram realizá-la mensalmente, 2 (18,2%) semanalmente e apenas 2 (18,2%) diariamente. Nenhum respondeu que realiza essa análise raramente. O resultado pode ser considerado positivo por demonstrar que todos os participantes realizam algum acompanhamento periódico, embora exista grande predominância da análise mensal.

A periodicidade mensal pode ser suficiente para determinadas avaliações administrativas, mas a combinação desse resultado com o controle irregular de fluxo de caixa em parte das empresas demonstra que o acompanhamento financeiro ainda pode ser aperfeiçoado.

A utilização de tecnologia também apresentou resultado dividido. Cinco participantes (45,5%) afirmaram utilizar algum sistema ou ferramenta de controle financeiro, enquanto 6 (54,5%) não utilizam qualquer ferramenta desse tipo. Assim, mais da metade administra as informações financeiras sem apoio de sistema específico, o que pode tornar o controle mais dependente de procedimentos manuais ou informais.

Longenecker et al. (2007), ressaltam que empresas de pequeno porte apresentam maior vulnerabilidade a falhas gerenciais, sobretudo quando seus administradores não possuem conhecimentos adequados sobre finanças e planejamento. Nesse sentido, os resultados da pesquisa demonstram que, mesmo entre empresas consolidadas, 72,7% existem há mais de seis anos, permanecem lacunas em práticas básicas de gestão financeira.

4.4. Educação Financeira e Tomada de Decisões Empresariais

A relação entre educação financeira e processo decisório constitui o ponto central da presente pesquisa. Quando questionados sobre a utilização de informações financeiras na tomada de decisões importantes, 5 participantes (45,5%) afirmaram utilizá-las sempre, enquanto 6 (54,5%) declararam utilizá-las apenas às vezes. Nenhum participante respondeu que nunca utiliza informações financeiras.

O resultado demonstra que os dados financeiros possuem importância na administração das empresas analisadas, porém sua utilização ainda não é sistemática para a maioria dos gestores.

Quando perguntados sobre o principal fundamento de suas decisões, 6 participantes (54,5%) marcaram exclusivamente “dados financeiros”, 4 (36,4%) indicaram exclusivamente “experiência pessoal” e 1 participante (9,1%) assinalou conjuntamente dados financeiros e experiência pessoal. Nesse último caso, o questionário apresentou duas alternativas marcadas, razão pela qual a resposta foi preservada dessa forma na análise.

O resultado demonstra que a experiência acumulada continua desempenhando papel expressivo na administração dos pequenos negócios. Tal situação é compreensível considerando-se que 72,7% das empresas possuem mais de seis anos de funcionamento. Entretanto, a experiência prática, quando utilizada sem apoio suficiente de informações financeiras, pode aumentar os riscos envolvidos no processo decisório.

O dado mais expressivo da pesquisa aparece justamente quando se relaciona a principal base utilizada nas decisões com a ocorrência de prejuízo. Os quatro participantes que afirmaram fundamentar suas decisões principalmente na experiência pessoal também declararam já ter tomado decisões que geraram prejuízo em decorrência da falta de análise financeira.

Essa situação pode ser observada individualmente nos questionários, nos quais gestores afirmam tomar decisões principalmente com base na experiência e, simultaneamente, reconhecem já terem sofrido prejuízos por falta de análise financeira.
Esse é um dos resultados que mais diretamente responde ao problema proposto no estudo.

No conjunto da amostra, 7 dos 11 empresários (63,6%) afirmaram já ter sofrido prejuízo em razão da falta de análise financeira, enquanto apenas 4 (36,4%) disseram não ter vivenciado essa situação. Portanto, mesmo em uma amostra na qual 90,9% dos gestores classificam seus conhecimentos financeiros como médios ou altos, quase dois terços reconhecem já terem tomado decisões prejudiciais por ausência de análise adequada.

Esse aparente contraste demonstra que percepção de conhecimento financeiro e capacidade de aplicação desse conhecimento não são necessariamente equivalentes.

O resultado converge com Savoia, Saito e Santana (2007), segundo os quais a insuficiência de conhecimento financeiro compromete decisões cotidianas e reduz a capacidade de gerenciamento eficiente dos recursos. Também se aproxima da discussão de Zerrenner et al. (2006), utilizada no referencial teórico, segundo a qual indivíduos com maior educação financeira apresentam melhores condições para compreender riscos, avaliar alternativas e utilizar recursos financeiros de maneira mais eficiente.

Os dados igualmente confirmam, no contexto pesquisado, a discussão teórica segundo a qual muitos pequenos empresários tomam decisões fundamentadas na experiência ou em necessidades imediatas do negócio, sem realizar análise financeira suficiente, circunstância que pode resultar em endividamento, dificuldades de capital de giro e problemas para realização de investimentos.

Importante destacar que a pesquisa não permite afirmar que a utilização de dados financeiros elimina completamente os riscos de prejuízo. Entre os gestores que declararam utilizar principalmente dados financeiros também existem participantes que já sofreram prejuízos por falta de análise. Por exemplo, uma das empresárias afirmou utilizar sempre informações financeiras e basear suas decisões em dados financeiros, mas reconheceu já ter sofrido prejuízo decorrente da ausência de análise financeira.

Esse resultado demonstra que a existência de dados não é suficiente por si só. É necessário que as informações sejam corretamente analisadas, interpretadas e utilizadas no momento adequado. Dessa forma, a educação financeira deve ser entendida não apenas como disponibilidade de informações, mas como capacidade de transformar dados financeiros em decisões empresariais mais racionais.

4.5. Percepção dos Empresários Sobre os Impactos da Educação Financeira

As respostas relacionadas à percepção dos participantes reforçam de maneira significativa a hipótese central da pesquisa.

Todos os 11 entrevistados, correspondentes a 100% da amostra, afirmaram acreditar que o conhecimento financeiro influencia o sucesso da empresa. Da mesma forma, os 11 participantes (100%) consideraram que possuir maior conhecimento financeiro poderia melhorar suas decisões empresariais.

Essa unanimidade é particularmente relevante porque demonstra que, independentemente do nível de escolaridade, idade, porte empresarial, treinamento prévio ou forma de administração, os gestores reconhecem a importância da educação financeira para o desempenho empresarial.

O reconhecimento da importância do conhecimento financeiro aparece inclusive entre empresários que enfrentam limitações concretas em suas práticas. Há participantes que não conhecem fluxo de caixa, controlam as finanças apenas ocasionalmente, não utilizam ferramentas de controle e tomam decisões com base na experiência, mas, ainda assim, reconhecem que maior conhecimento financeiro poderia melhorar suas decisões.

O resultado é compatível com Reis (2021), que relaciona a qualidade da gestão financeira das pequenas empresas ao nível de educação financeira do gestor e aos reflexos desse conhecimento sobre planejamento, investimentos, controle financeiro e utilização do crédito.

Também se aproxima da compreensão apresentada por Sobral e Peci (2008), segundo a qual o processo decisório constitui uma das funções centrais da administração e exige do gestor capacidade para analisar informações, identificar problemas e selecionar alternativas compatíveis com os objetivos organizacionais.

Quanto ao interesse em ampliar os conhecimentos sobre gestão financeira, 9 participantes (81,8%) manifestaram interesse, enquanto somente 2 (18,2%) responderam negativamente. Assim, além de reconhecerem a importância da educação financeira, a maioria demonstra disposição para aperfeiçoar seus conhecimentos.

Esse resultado revela espaço para ações de capacitação voltadas aos pequenos empresários locais, especialmente considerando que apenas 36,4% dos entrevistados já participaram de algum curso ou treinamento financeiro. Existe, portanto, uma diferença entre a participação atual em capacitações e o interesse declarado em aprofundar os conhecimentos, o que sugere demanda potencial por iniciativas de educação financeira direcionadas à realidade dos pequenos negócios.

4.6. Principais Dificuldades Financeiras Identificadas

As respostas abertas complementam os dados quantitativos e possibilitam compreender os problemas financeiros enfrentados pelos gestores.

A dificuldade mencionada com maior frequência foi a inadimplência, apontada por 5 dos 11 participantes. Foram mencionadas ainda dificuldades relacionadas ao cálculo de custos e lucros, falta de treinamento e de tempo, necessidade de suporte, experiência na gestão financeira e separação entre movimentações pessoais e empresariais.

Uma das respostas mais detalhadas destacou a dificuldade de organizar os lucros nos períodos em que ocorre redução do faturamento, especialmente em razão da sazonalidade, além da recorrente mistura entre despesas pessoais e empresariais.

Esses relatos demonstram que os desafios financeiros não estão restritos ao conhecimento conceitual. Eles abrangem administração do fluxo de recursos, controle de custos, sazonalidade do faturamento, inadimplência, organização patrimonial e disponibilidade de tempo para realizar a gestão.

A recorrência da inadimplência merece atenção especial porque afeta diretamente o fluxo de caixa e o capital de giro das empresas. Embora o questionário não permita mensurar o valor ou a intensidade dessas perdas, o fato de quase metade dos participantes mencionar espontaneamente a inadimplência como principal dificuldade demonstra sua relevância para os pequenos negócios pesquisados.

Os resultados convergem com a discussão apresentada no referencial teórico de que problemas relacionados ao capital de giro, endividamento e ausência de planejamento podem comprometer investimentos, aquisição de mercadorias, capacidade de contratação e continuidade das operações empresariais.

Também merece destaque a dificuldade de separar recursos pessoais e empresariais, pois esse problema apareceu tanto nas respostas objetivas quanto espontaneamente nas questões abertas. Isso fortalece a evidência de que não se trata apenas de uma hipótese teórica, mas de uma prática efetivamente presente entre alguns gestores da amostra.

Nesse sentido, Olivieri (2013) defende que a educação financeira possui também uma dimensão comportamental, envolvendo hábitos, planejamento, controle e disciplina, e não somente conhecimentos matemáticos e financeiros. Os resultados encontrados sustentam essa interpretação, pois diversas dificuldades identificadas estão relacionadas justamente à transformação do conhecimento financeiro em comportamento administrativo permanente.

4.7. Síntese da Relação Entre Educação Financeira e Decisões Empresariais

Considerando conjuntamente os resultados, verifica-se que a pesquisa apresenta evidências descritivas de que a educação financeira exerce influência relevante sobre as decisões empresariais das empresas pesquisadas em Congonhinhas/PR.

A primeira evidência está na diferença existente entre conhecimento declarado e aplicação prática. Embora 90,9% dos participantes avaliem seus conhecimentos financeiros como médios ou altos, 63,6% nunca participaram de cursos de educação financeira, 45,5% não realizam sempre o controle de fluxo de caixa, 63,7% não mantêm separação permanente entre finanças pessoais e empresariais e 54,5% não utilizam sistemas ou ferramentas de controle financeiro.

A segunda evidência encontra-se no processo decisório. Mais da metade dos participantes (54,5%) utiliza informações financeiras apenas ocasionalmente nas decisões importantes. Além disso, 36,4% baseiam suas decisões principalmente na experiência pessoal e 63,6% já sofreram prejuízos em razão da falta de análise financeira.

Particularmente expressivo é o fato de todos os gestores que declararam utilizar predominantemente a experiência pessoal como fundamento das decisões também terem relatado prejuízo decorrente da ausência de análise financeira. Embora essa associação não permita concluir causalidade em razão do tamanho e das características da amostra, constitui um achado relevante e coerente com o referencial teórico do estudo.

Por outro lado, todos os participantes reconhecem que o conhecimento financeiro influencia o sucesso empresarial e que maior conhecimento poderia melhorar suas decisões. Além disso, 81,8% demonstraram interesse em ampliar sua capacitação.

Os achados, portanto, corroboram a literatura utilizada no estudo ao indicar que a educação financeira pode contribuir para maior planejamento, organização e qualidade das decisões empresariais. Savoia, Saito e Santana (2007) relacionam o conhecimento financeiro à capacidade de gerenciamento dos recursos; Reis (2021) destaca sua influência sobre planejamento, controle e investimentos; Correia (2015) evidencia as dificuldades dos pequenos empresários em separar recursos pessoais e empresariais; e Zerrenner et al. (2006) associam maior conhecimento financeiro à capacidade de avaliar riscos e alternativas. Tais discussões encontram correspondência em diferentes resultados observados na pesquisa de campo.

Ao mesmo tempo, os dados demonstram que educação financeira não deve ser analisada apenas pelo conhecimento declarado pelo empresário. Sua influência torna-se mais evidente quando esse conhecimento é convertido em práticas de controle, análise periódica dos resultados, separação patrimonial, utilização adequada das informações e planejamento das decisões.

Dessa forma, respondendo ao problema central da pesquisa, os resultados indicam que a educação financeira influencia as decisões empresariais ao fornecer aos gestores conhecimentos e instrumentos necessários para analisar a situação econômica da empresa, organizar recursos, avaliar alternativas e reduzir decisões fundamentadas exclusivamente na experiência ou na percepção subjetiva. Entretanto, a pesquisa também evidencia que ainda existe distância entre reconhecer a importância da educação financeira e incorporá-la de forma sistemática à gestão dos pequenos negócios analisados.

Assim, mais do que ampliar o conhecimento conceitual dos empresários, os resultados apontam para a necessidade de capacitações com enfoque prático, direcionadas especialmente ao controle de fluxo de caixa, separação das finanças pessoais e empresariais, análise de custos e lucros, acompanhamento da inadimplência, planejamento financeiro e utilização de informações contábeis no processo decisório. Essa aplicação prática tende a aproximar o conhecimento financeiro da gestão cotidiana, contribuindo para decisões mais fundamentadas e para a sustentabilidade financeira das empresas.

5. CONCLUSÃO

O presente estudo teve como objetivo analisar a influência da educação financeira nas decisões empresariais de micro e pequenas empresas do município de Congonhinhas/PR. A partir dos dados obtidos, verificou-se que, embora a maioria dos gestores avalie seu conhecimento financeiro como médio ou alto, ainda existem fragilidades importantes na aplicação prática desse conhecimento.

Os resultados demonstraram que parte significativa dos empresários não realiza de forma permanente o controle do fluxo de caixa, não separa integralmente as finanças pessoais das empresariais e não utiliza ferramentas específicas de controle financeiro. Além disso, 63,6% dos entrevistados afirmaram já ter tomado decisões que resultaram em prejuízo por falta de análise financeira, evidenciando a importância da utilização adequada das informações financeiras no processo decisório.

Também se constatou que todos os participantes reconhecem que o conhecimento financeiro influencia o sucesso da empresa e que maior capacitação poderia contribuir para melhores decisões. Esses resultados corroboram os estudos apresentados no referencial teórico, que destacam a educação financeira como instrumento relevante para o planejamento, controle dos recursos, redução de riscos e sustentabilidade empresarial.

Dessa forma, conclui-se que a educação financeira exerce influência significativa na gestão dos pequenos negócios pesquisados, especialmente por contribuir para decisões mais conscientes, organizadas e fundamentadas em informações financeiras. Contudo, os dados também evidenciam a necessidade de ampliar ações de capacitação prática voltadas aos empresários, principalmente nas áreas de fluxo de caixa, controle de custos, separação das finanças pessoais e empresariais e planejamento financeiro.

Por fim, considerando o número reduzido de participantes e a concentração da amostra no setor comercial, os resultados não podem ser generalizados para todas as empresas do município, podendo servir como base para futuras pesquisas com amostras maiores e diferentes segmentos econômicos.

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1 Graduanda em Ciências Contábeis – UENP. Endereço postal: UENP, Rodovia PR-160, km 0, Cornélio Procópio – PR, CEP 86304-028. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 Especialista em Contabilidade e Controladoria Empresarial – UEL. Endereço postal: UENP, Rodovia PR-160, km 0, Cornélio Procópio – PR, CEP 86304-028. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.