REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10345776
Palavras-chave: Ambiente escolar. Aprendizagem. Inclusão escolar. Neurociência
ABSTRACT
The school environment is conducive to dialogue between neuroscience and school inclusion, given that it is in this environment that the teaching and learning process is constructed, as well as where learning difficulties that fall within the context of inclusion and neuroscience are identified. Therefore, this study aims to highlight points regarding school inclusion and its close relationship with neuroscience. In this context, it discusses the importance of understanding the definitions of the terms inclusion and neuroscience, as well as the existing correlation between both and the learning and learning difficulties of the individual in the daily life of the school. This study revealed a need for more research on the subject and, especially, that both education professionals and pedagogical interventions should be tailored to the learning needs of each individual. Thus, it is hoped that the theoretical approach presented will contribute to future research that also delimits the same research object.
Keywords: School environment. Learning. School inclusion. Neuroscience
1. INTRODUÇÃO
O interessante quando se fala em inclusão escolar é que a Educação Especial como ainda é intitulada por muitos não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de recursos que a escola regular deverá dispor para atender à diversidade de seus alunos (EDICLÉIA; FERNANDEZ, 2005).
A inclusão como educação para todos tem como foco “O desenvolvimento de escolas inclusivas onde as escolas sejam capazes de educar a todas as crianças e não é portanto unicamente uma forma de assegurar o respeito dos direitos das crianças com deficiência de forma que tenham acesso a um ou outro tipo de escola, senão que constitui uma estratégia essencial para garantir que uma ampla gama de grupos tenha acesso a qualquer forma de escolaridade” (DYSON, 2001; SANCHEZ, 2005, p. 13).
Para Sanchez (2005), a integração em ambiente no qual tenha a inclusão não existe e representa o reconhecimento dos direitos civis de numerosas pessoas com deficiências que não têm acesso à educação ou que seguem segregados nos centros de educação especial.
Diante disso, é interessante frisar as concepções que traz a inclusão sob três óticas: inclusão como colocação, inclusão como educação para todos e inclusão como participação e a escola se constitui um importante espaço de conquista de direitos para a educação com direitos iguais de crianças com necessidades educativas especiais.
A questão é, será que as escolas regulares estão prontas para essa inclusão que se apresenta nas escolas? Pois uma coisa é teoriza, a outra é se deparar com crianças com diferentes tipos de necessidades educativas e a escola não ter suporte e nem locais adaptados para ofertar uma educação digna e dentro do que prevê os direitos dessas crianças.
E sob este ponto incide um grave problema, a falta de preparação de professores para lidar com essas crianças inclusivas, pois boa parte das escolas possuem várias crianças com necessidades educativas especiais e não um ou dois casos isolados, o que torna o atendimento cada vez mais difícil.
Diante de tais prerrogativas, o problema elencado para o estudo é saber como inclusão escolar e neurociência pode contribuir na investigação sobre a construção do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes? E com base neste problema, o artigo se justifica pela necessidade de que sejam conhecidos os teóricos que defendem o tema e programam diferentes formas do professor vivenciar sua prática no ambiente escolar.
Para a realização do estudo forma usados como principais autores para a defesa do tema: Alves (2012), com a obra Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio; Brown (2008), com o livro: Transtorno de Déficit e Atenção: a mente desfocada em crianças e adultos; Costa; Silva e Sousa com a obra: A neurociência como mediação às intervenções pedagógicas privilegiando os anos iniciais da educação; a Declaração de Salamanca do ano de 1994 com o título de Princípios, Política e Práticas em Educação Especial. Espanha, 1994; Mantoan e Pietro (2006) com a obra Inclusão escolar: pontos e contrapontos, entre outros autores e obras.
Preponderantemente ao que propõe o estudo, o mesmo tem por objetivo fazer pontuações acerca da inclusão escolar e sua estrita relação com a inclusão escolar. E traz como objetivos específicos definir os conceitos de inclusão escolar e de neurociência e evidenciar a correlação entre inclusão e neurociência para que se estabeleça um embasamento sobre a ligação entre os termos abordados.
2. DEFINIÇÕES IMPORTANTES
2.1. Inclusão escolar
Para uma definição preliminar sobre inclusão menciona-se a Declaração de Salamanca de 1994 que esclarece em seu art. 4 que: “Educação Especial incorpora os mais do que comprovados princípios de uma forte pedagogia da qual todas as crianças possam se beneficiar”. E nesse viés, a inclusão escolar assume que as diferenças humanas são normais e que de acordo com o desenvolvimento das crianças essa aprendizagem pode e deve ser adaptada às necessidades educacionais das crianças conforme preleciona a referida declaração (BRASIL, 1994).
Conforme Sassaki (1997) a inclusão é um processo pelo qual a sociedade se adapta para incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais, e simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papeis na sociedade
A inclusão escolar até meados do ano de 2006 foi caracterizada como um novo paradigma e como tal constituiu pelo apreço à diversidade como condição a ser valorizada, pois é benéfica à escolarização de todas as pessoas, pelo respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem e pela proposição de outras práticas pedagógicas, o que exige uma ruptura com o instituído na sociedade e, consequentemente, nos sistemas de ensino (MANTOAN; PIETRO, 2006).
2.2 Neurociência
A Neurociência abrange diversas áreas da ciência, como a Psicologia, a Medicina e a Fisiologia e trata do estudo do Sistema Nervoso Central (SNC), que por sua vez, esclarece sobre a estrutura do referido sistema, a função, a disfunção, o desenvolvimento e a evolução do mesmo, especialmente em relação aos avanços para o conhecimento humano (COSTA; SILVA e SOUSA, 2015).
Para Maricato (2015), a Neurociência traz para a sala de aula o conhecimento sobre a memória, o esquecimento, o tempo, o sono, a atenção, o medo, o humor, a afetividade, o movimento, os sentidos, a linguagem, as interpretações das imagens que fazemos mentalmente, as imagens que formam o pensamento e o próprio desenvolvimento infantil (MARICATO, 2015).
Brown (2007) cita em seus estudos que transtorno de aprendizagem está associado a diferentes características, inclusive, cada um possui uma forma singular de se investigado, seja dislexia, TDAH (atual termo usado para denominar os significativos problemas apresentados por crianças quanto à atenção, a impulsividade e a hiperatividade) autismo ou outros.
Segundo Brown (2007) nos anos no final da década de 1950 e começo da década de 1960 foram conhecidas expressões como transtornos cognitivos, comportamentais e da aprendizagem, tornando-os mais homogêneos como: dislexia, transtorno da linguagem, dificuldades de aprendizagem e hiperatividade.
Desse modo, a Neurociência aos poucos já dava indícios de seu surgimento, só que primeiro foi entendida como transtornos e em dias atuais, os estudiosos procuram especificar tais transtornos como déficits de aprendizagem ou ainda necessidades educativas especiais (PINHEIRO, 2010).
Para que se compreenda melhor a inclusão escolar e a neurociência, é interessante saber primeiro o tipo de correlação que se pode extrair de tais termos. Sobre este assunto segue o tópico.
3. Correlação entre inclusão escolar e neurociência
Sassaki (1997) traz como ponto de partida para evidenciar a correlação entre inclusão e neurociência o fato de que a inclusão refere-se a um processo que ainda se distancia da realidade vivenciada pelos alunos inclusivos nas escolas e por essa razão ainda demanda certo entendimento sobre os papeis dos indivíduos em sociedade. Sendo assim, o entendimento sobre as reais necessidades de aprendizagem do individuo é que pode demonstrar a importância do professor estar atualizado sobre ambos os contextos.
Sob o olhar da neurociência, os transtornos e dificuldades de aprendizagem podem ser identificados desde a fase precoce do desenvolvimento, manifestando-se em processos de atenção, percepção, memórias, habilidades motoras e linguísticas, o que será possível se forem realizadas intervenções pedagógicas coerentes à realidade do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes nas escolas.
Além disso, ao correlacionar neurociência e inclusão, busca-se evidenciar ainda que a aprendizagem ou ainda as dificuldades de aprendizagem que muitos estudantes possuem estão diretamente ligados ao contexto sócio histórico em que o sujeito está inserido, bem como se justifica no que explicam os estudos e pesquisas da neurociência, que dentre outras coisas afirma que:
O Sistema Nervoso Central controla e coordena todas as funções do organismo, tornando-o responsável pelo desenvolvimento do indivíduo. Esse processo depende da maturação e da capacidade que o indivíduo tem de se apropriar do seu meio, modificando seu comportamento e estabelecendo a aprendizagem (COSTA; SILVA e SOUSA, 2015, p. 2).
Conforme expõem os autores supracitados, percebe-se que o Sistema Nervoso Central é o responsável direto pelo desenvolvimento do individuo e uma vez que seja detectado algum problema ou dificuldade de aprendizagem ocorre todo um processo de transição para que o sistema nervoso central seja trabalhado dentro das possibilidades de aprendizagem dos estudantes.
Para Zorzi (2003), os tipos de dificuldade de aprendizagem podem ser primários e secundários e podem surgir a todo o momento e tem origem em questões biológicas ou orgânicas, psicológicas, pedagógicas, de linguagem familiar e social que estão envolvidas em contexto amplo.
Por ser assim, é interessante destacar que o processo de ensino e aprendizagem deve ser bem conduzido, ou seja, desde o âmbito familiar até o cotidiano escolar, pois uma vez ignorada a aprendizagem, maior será o desafio dos professores em tentar reverter às dificuldades de aprendizagem que apareçam.
Neste contexto, o esperado para construir novas competências são professores com ideias inovadoras, emergentes, aquelas que norteiem as formações iniciais e contínuas que contribuem para lutar contra o fracasso escolar, capazes de desenvolver a cidadania global (PERRENOUD, 2002).
Segundo Moraes e Torre (2004), a Neurociência apresenta conhecimentos que devem ser aplicados pelos professores já que a aprendizagem é harmonizada pela plasticidade do cérebro e sofre influência direta do ambiente. Oportunamente, o professor, por meio de sua ação profissional, socializa estímulos que podem vir a contribuir para que surjam entusiasmo e o desejo de aprender ou o extremo oposto, o desinteresse, isto é devem ser ações instigantes e atrativas.
Em outras palavras a neurociência possibilita ao docente a reconstrução de sua prática educativa a partir do funcionamento cerebral, o que resulta na utilização de conhecimentos teóricos e didático-pedagógicos sob uma nova perspectiva de educação. Reconstrução essa que deve acontecer conforme a necessidade e realidade dos estudantes no dia a dia do ambiente escolar.
No que versa a Neurociência é interessante pontuar ainda que uma forma que auxilia a compreensão é a anamnese que o professor pode fazer dos estudantes que tenham algum tipo de dificuldade de aprendizagem ou ainda que tenha algum tipo de necessidade educativa especial.
Neste caso, é importante observar a faixa etária do estudante e fazer as anotações e até mesmo um relatório conforme suas capacidades e potencialidades para aprender.
Afinal de contas, o aprendente pode ter desde uma dificuldade de escrita, um déficit de atenção ou ainda um transtorno específico de leitura; um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem; um déficit linguístico, mais especificamente uma falta de habilidade no nível fonológico (DUARTE; SOUZA, 2014).
Parte-se desse princípio entender que as dificuldades de aprendizagem podem ser variadas e a forma do professor conduzir isto na sala diz muito, pois ele sozinho não fará muito pelo estudante e precisará de um suporte em sala, quer seja por parte da coordenação pedagógica, de um professor de apoio ou até mesmo de um psicopedagogo.
Portanto, a correlação entre inclusão escolar e Neurociência existe de fato, pois ambos trabalham diretamente com o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes, seja nos anos iniciais ou em outras modalidades do ensino.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste trabalho foi realizada uma pesquisa bibliográfica e análise de artigos científicos com o objetivo de fazer pontuações acerca da inclusão escolar e sua estrita relação com a inclusão escolar.
Com base no que foi discorrido, foi possível perceber que existe uma correlação entre inclusão escolar e neurociência, especialmente pelo fato de que os dois enfoques abordam as necessidades de aprendizagem do individuo conforme o seu desenvolvimento. Assim, a inclusão como um impulso de melhorar essa aprendizagem se associa a neurociência para explicar os possíveis transtornos, déficits ou até mesmo dificuldades de aprendizagem pelas quais muitos estudantes são acometidos e necessitam de um olhar mais sensível no ambiente escolar
Com relação ao problema levantado para o estudo que foi saber como inclusão escolar e neurociência podem contribuir na investigação sobre a construção do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes? Acredita-se que o mesmo foi respondido á medida em que os embasamentos teóricos forma sendo discorridos ao longo do estudo.
Diante do exposto, conclui-se que a inclusão escolar é um assunto amplo e quando feita uma abordagem sobre a aprendizagem existem muitos pontos que devem ficar claros, entre eles, o fato de que a inclusão escolar não acontece de forma isolada e é sempre bom que o professor esteja a frente das pesquisas, como as que instituem a correlação entre inclusão e neurociência e assim obter informações importantes e que possam somar ao processo de ensino e aprendizagem dos estudantes.
Conforme discorrido no estudo, ressalta-se que não foram encontradas dificuldades para desenvolver o mesmo, haja vista que, o tema escolhido é amplo. Neste contexto, sobressaíram-se os pontos positivos já que o objetivo e problema almejados para o mesmo foram alcançados de forma significativa.
Portanto, as contribuições do estudo voltam-se ás futuras pesquisas que tratem sobre o tema, bem como poderá integrar o acervo itinerário da academia e de publicações do trabalho em revistas, simpósios e outras modalidades de pesquisas.
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¹ Mestranda em Educação.