A GESTÃO HOSPITALAR EM TEMPOS DE COVID-19: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE HOSPITAIS PÚBLICOS E PRIVADOS

HOSPITAL MANAGEMENT IN TIMES OF COVID-19: A COMPARATIVE ANALYSIS BETWEEN PUBLIC AND PRIVATE HOSPITALS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/775166796

RESUMO
A pandemia de covid-19 representou um dos maiores desafios enfrentados pelos sistemas de saúde contemporâneos, exigindo profundas transformações na organização e na gestão das instituições hospitalares. No Brasil, esse cenário evidenciou fragilidades estruturais historicamente presentes no sistema de saúde, ao mesmo tempo em que reforçou a importância de uma gestão hospitalar eficiente, baseada em planejamento estratégico, inovação e tomada de decisão fundamentada em evidências científicas. Diante dessa realidade, o presente estudo tem como objetivo analisar a gestão hospitalar durante a pandemia de covid-19, com foco na comparação entre hospitais públicos e privados e nas principais estratégias adotadas para o enfrentamento da crise sanitária. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. Para a coleta de dados, foram consultados plataformas: SciELO, Must Reviews e Google Acadêmico, considerando publicações entre os anos de 2020 e 2025 relacionadas à temática da gestão hospitalar no contexto pandêmico.Os resultados evidenciam que a pandemia provocou mudanças significativas na gestão dos serviços de saúde, exigindo adaptações rápidas na organização hospitalar, na alocação de recursos e na implementação de tecnologias digitais. Observou-se que os hospitais públicos desempenharam papel fundamental na ampliação do acesso aos serviços de saúde, mesmo diante de limitações estruturais e financeiras, enquanto os hospitais privados destacaram-se pela maior flexibilidade administrativa e pela rápida incorporação de inovações tecnológicas, como a telemedicina e sistemas de gestão digital. Conclui-se que a pandemia impulsionou avanços importantes na gestão hospitalar, fortalecendo práticas de planejamento estratégico, gestão de crises e integração entre tecnologia e assistência em saúde, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas de saúde mais resilientes e preparados para futuras emergências sanitárias.
Palavras-chave: Gestão hospitalar. Covid-19. Pandemia. Serviços de saúde. Sistema de saúde brasileiro.

ABSTRACT
The covid-19 pandemic represented one of the greatest challenges faced by contemporary healthcare systems, demanding profound transformations in the organization and management of hospital institutions. In Brazil, this scenario highlighted historically present structural weaknesses in the healthcare system, while simultaneously reinforcing the importance of efficient hospital management based on strategic planning, innovation, and evidence-based decision-making. Given this reality, this study aims to analyze hospital management during the covid-19 pandemic, focusing on a comparison between public and private hospitals and the main strategies adopted to address the health crisis. This is a qualitative, descriptive study developed through a literature review. For data collection, the following platforms were consulted: SciELO, Must Reviews, and Google Scholar, considering publications between 2020 and 2025 related to the theme of hospital management in the pandemic context. The results show that the pandemic caused significant changes in the management of health services, requiring rapid adaptations in hospital organization, resource allocation, and the implementation of digital technologies. It was observed that public hospitals played a fundamental role in expanding access to health services, even in the face of structural and financial limitations, while private hospitals stood out for their greater administrative flexibility and rapid incorporation of technological innovations, such as telemedicine and digital management systems. It is concluded that the pandemic spurred important advances in hospital management, strengthening strategic planning practices, crisis management, and the integration of technology and healthcare, contributing to the development of more resilient health systems prepared for future health emergencies.
Keywords: Hospital management. Covid-19. Pandemic. Health services. Brazilian health system.

1. INTRODUÇÃO

A gestão hospitalar durante a pandemia de coronavírus configurou-se como um dos maiores desafios enfrentados pelos sistemas de saúde contemporâneos. A rápida disseminação do vírus e o elevado número de casos graves exigiram mudanças estruturais, administrativas e assistenciais nas instituições de saúde, demandando dos gestores hospitalares capacidade de tomada de decisão ágil, planejamento estratégico e adaptação constante às novas demandas impostas pela crise sanitária. Nesse contexto, tornou-se fundamental implementar medidas que garantissem não apenas a continuidade da assistência à população, mas também a segurança de pacientes, profissionais de saúde e demais trabalhadores envolvidos no ambiente hospitalar.

A covid-19, doença respiratória grave e altamente contagiosa, teve seus primeiros casos identificados em amostras de secreções respiratórias de pacientes com pneumonia de causa desconhecida na cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019. Inicialmente, os pacientes apresentavam manifestações clínicas incomuns e não respondiam aos tratamentos convencionais utilizados para doenças respiratórias, o que despertou a atenção das autoridades sanitárias e da comunidade científica. A partir de investigações epidemiológicas e laboratoriais, identificou-se a presença de um novo coronavírus, denominado posteriormente SARS-CoV-2. Com o aumento progressivo do número de casos e a rápida disseminação da doença em diversos países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em março de 2020, a covid-19 como uma pandemia, caracterizando um evento de grande impacto global e com profundas consequências sociais, econômicas e sanitárias (Organização Pan-Americana da Saúde & Organização Mundial da Saúde [OPAS/OMS], 2020).

Diante desse cenário, os sistemas de saúde de diferentes países precisaram reorganizar suas estruturas e estratégias de enfrentamento à crise sanitária. No Brasil, a pandemia evidenciou desafios relacionados à coordenação das políticas públicas de saúde e à capacidade de resposta institucional diante de uma emergência sanitária de grandes proporções. Durante o período inicial da pandemia, o governo brasileiro adotou uma postura distinta da observada em diversos outros países, especialmente no que se refere à adoção de medidas preventivas e ao alinhamento com recomendações científicas e orientações internacionais. Enquanto muitos governos implementavam estratégias como o fechamento temporário de escolas, restrições de circulação e incentivo ao desenvolvimento de vacinas, o então presidente do Brasil entre os anos de 2019 e 2022, Jair Bolsonaro, juntamente com parte de seus apoiadores, demonstrou resistência em seguir as diretrizes estabelecidas pela OMS e por instituições científicas. Tal posicionamento influenciou negativamente a condução das ações do Ministério da Saúde (MS) no enfrentamento da pandemia, contribuindo para dificuldades no controle da disseminação da doença no país e assim, registrando mais de 22 milhões de casos e aproximadamente 617 mil mortes confirmadas até dezembro de 2021 (BRANDÃO et al., 2023).

Nesse contexto, a pandemia de covid-19 revelou fragilidades estruturais previamente existentes nos sistemas de saúde, ao mesmo tempo em que evidenciou a importância de uma gestão hospitalar eficiente, organizada e baseada em evidências científicas. A elevada demanda por atendimento hospitalar, especialmente em decorrência do agravamento dos quadros respiratórios associados à doença, resultou em superlotação de unidades de saúde, aumento significativo da ocupação de leitos clínicos e de centros de terapia intensiva (CTI), além de sobrecarga das equipes de profissionais da saúde. Portanto, esse cenário exigiu a implementação de mudanças substanciais na organização dos serviços hospitalares, incluindo a redefinição de protocolos assistenciais, a ampliação de recursos humanos e materiais e a reorganização dos fluxos de atendimento para garantir maior eficiência na prestação dos serviços de saúde (OLIVEIRA, 2024).

Além das mudanças estruturais e organizacionais, a pandemia também impulsionou transformações importantes na forma como a gestão hospitalar é conduzida, destacando a necessidade de integração entre planejamento estratégico, inovação tecnológica e gestão de crises. A utilização de ferramentas digitais, a ampliação da telemedicina, a adoção de sistemas de monitoramento e análise de dados e o fortalecimento do trabalho multidisciplinar tornaram-se elementos essenciais para enfrentar os desafios impostos pelo contexto pandêmico e garantir a continuidade do atendimento à população.

Diante desse cenário, torna-se relevante analisar de forma mais aprofundada as estratégias adotadas pelas instituições hospitalares durante esse período. Assim, o presente trabalho tem como objetivo apresentar uma análise comparativa da gestão hospitalar entre hospitais públicos e privados durante a pandemia de covid-19, considerando as transformações ocorridas nesse período e os principais desafios enfrentados por essas instituições. Para alcançar esse objetivo, foi realizada uma revisão bibliográfica baseada na análise de artigos científicos disponíveis em plataformas digitais de produção acadêmica, como SciELO, Must Reviews e Google Acadêmico, que abordam a temática da gestão hospitalar e os impactos da pandemia nos serviços de saúde.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil foi notificado ao ministério da saúde em 26 de fevereiro de 2020. Entre essa data e 25 de julho de 2020, o país registrou 2.394.513 casos confirmados e 86.449 mortes por covid-19 (BRASIL, 2020).

Os coronavírus são uma grande família de vírus que podem causar doenças respiratórias, desde resfriados leves até condições mais graves, como a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) e a síndrome respiratória aguda grave (SARS). O covid-19 é um novo tipo de coronavírus (nCoV) que foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, após um surto em Wuhan, na China, onde pacientes com quadro de pneumonia de causa até então desconhecidas se agravavam rapidamente e não respondiam aos tratamentos médicos propostos na época (OPAS/OMS, 2020).

O vírus foi posteriormente denominado SARS-CoV-2, e em janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a covid-19 como uma emergência de saúde pública de importância internacional, classificando logo em seguida, em março de 2020 como uma pandemia (VARGAS; ALMEIDA, 2022).

Diante dos desafios impostos pela pandemia aos gestores e a população, fez-se necessário o empenho em se adaptar a nova realidade. Sendo o objetivo principal dessas mudanças, garantir um atendimento de qualidade aos pacientes e proteger o bem-estar físico e psicológico dos profissionais de saúde.

A gestão hospitalar mundialmente buscou implementar diversas medidas para lidar com a pandemia, incluindo: realocação de recursos financeiros e captação de novos investimentos, expansão da capacidade hospitalar com aumento de leitos, contratação e treinamento de profissionais de saúde, aquisição de medicamentos, materiais médicos e equipamentos, investimento em tecnologia da informação em saúde, fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), preocupação com a saúde dos colaboradores, criação e implementação de novos processos e fluxos de trabalho, trabalho em equipe multidisciplinar de alta performance, coleta e análise de dados para geração de informações, realização de pesquisas e contribuição para o desenvolvimento de vacinas que alteraram o curso da pandemia (OLIVEIRA et al., 2025).

Dessa forma, os hospitais públicos, apesar de enfrentarem vários obstáculos, incluindo limitações financeiras e resistência de alguns gestores públicos, aumentaram sua capacidade para atender à demanda crescente, desenvolveram estratégias eficazes de gestão de recursos e estabeleceram canais de comunicação eficientes com a comunidade (OLIVEIRA, 2024).

Já os hospitais privados demonstraram flexibilidade e adaptabilidade, investiram em tecnologia para melhorar a eficiência e a eficácia dos serviços de saúde e estabeleceram parcerias e colaborações com outras instituições de saúde e empresas. Tornando-se evidente que a pandemia de covid-19 acelerou a adoção de tecnologias de saúde digital, inclusive no Brasil, como por exemplo, a telemedicina, a telessaúde e a gestão de dados dos usuários (OLIVEIRA et al., 2025).

Deste modo, pode se dizer que a pandemia do covid-19 deixou para a gestão de saúde alguns legados, como: melhor preparação para lidar com as emergências de saúde pública, investimentos em tecnologia para melhorar a eficiência e a eficácia dos serviços de saúde e a colaboração e parceria entre instituições de saúde e empresas. Além de evidenciar a importância da resiliência em um momento tão critico como foi durante a pandemia. LOBATO (2022) nos descreve que, “a maior resiliência é ter saúde.”

3. METODOLOGIA

O presente artigo caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e com procedimento metodológico fundamentado em revisão bibliográfica. Esse tipo de investigação é amplamente utilizado em pesquisas acadêmicas por possibilitar a análise crítica e a sistematização do conhecimento já produzido sobre determinado tema, permitindo compreender fenômenos complexos a partir de diferentes perspectivas teóricas e científicas. Nesse sentido, a revisão bibliográfica contribui para a identificação de tendências, lacunas e contribuições relevantes na literatura sobre gestão hospitalar no contexto da pandemia de covid-19.

A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de identificar, selecionar e analisar estudos científicos que abordassem a gestão hospitalar durante a pandemia, com ênfase na comparação entre hospitais públicos e privados e nas estratégias adotadas para o enfrentamento da crise sanitária. Para a coleta de dados, foram consultadas bases de dados e plataformas digitais de produção científica amplamente reconhecidas nas áreas da saúde e das ciências sociais aplicadas, entre elas SciELO, Must Reviews e Google Acadêmico. A escolha dessas bases justifica-se pela relevância acadêmica, pela diversidade de publicações disponíveis e pelo acesso a estudos nacionais e internacionais relacionados ao tema investigado.

A estratégia de busca envolveu a utilização de descritores previamente definidos e relacionados à temática da pesquisa, tais como: gestão hospitalar, covid-19, pandemia, serviços de saúde e sistema de saúde brasileiro. Esses descritores foram utilizados de forma isolada e combinada, visando assim ampliar a abrangência dos resultados e identificar estudos que abordassem diferentes aspectos da gestão hospitalar no contexto pandêmico. Esse procedimento permitiu localizar produções científicas relevantes que discutem tanto os desafios enfrentados quanto as estratégias implementadas pelas instituições de saúde durante esse período.

Posteriormente, foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão para a seleção das publicações que compuseram o corpus de análise da pesquisa. Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos científicos, trabalhos acadêmicos e publicações disponíveis na íntegra, publicados preferencialmente no período de 2020 a 2025, que apresentassem discussões diretamente relacionadas à gestão hospitalar e aos impactos da pandemia de covid-19 nos serviços de saúde. Por outro lado, foram excluídos estudos que não apresentavam relação direta com o objetivo do trabalho, publicações duplicadas nas bases de dados consultadas e materiais que não possuíam fundamentação científica consistente ou relevância para a temática investigada.

Após a etapa de seleção, procedeu-se à leitura exploratória, seletiva e analítica das publicações escolhidas, com a finalidade de identificar as principais contribuições teóricas e evidências apresentadas na literatura científica acerca das estratégias de gestão adotadas durante a pandemia. Nesse processo, foram observados aspectos relacionados à organização dos serviços hospitalares, à gestão de recursos humanos e materiais, à adoção de tecnologias em saúde e às diferenças observadas entre instituições públicas e privadas no enfrentamento da crise sanitária.

Em seguida, as informações extraídas dos estudos analisados contribuíram para análise comparativa entre os dois setores hospitalares. Essa etapa possibilitou identificar semelhanças, diferenças e tendências na forma como hospitais públicos e privados responderam às demandas impostas pela pandemia de covid-19.

Por fim, os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica foram interpretados e discutidos à luz da literatura científica selecionada, buscando compreender as principais transformações ocorridas na gestão hospitalar durante a pandemia e suas implicações para o fortalecimento e a modernização dos sistemas de saúde. Dessa maneira, a metodologia adotada permitiu construir uma análise consistente sobre o tema, contribuindo para ampliar o conhecimento acerca das estratégias de gestão hospitalar em contextos de crise sanitária.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A partir da análise dos estudos selecionados na revisão bibliográfica, foi possível identificar que a pandemia de covid-19 provocou mudanças profundas e significativas na gestão hospitalar, tanto em instituições públicas quanto privadas. Os resultados apontaram que o período pandêmico exigiu respostas rápidas e eficazes por parte dos gestores, envolvendo adaptações na organização dos serviços de saúde, na distribuição e otimização de recursos disponíveis e na implementação de novas estratégias assistenciais e administrativas. Além disso, a crise sanitária evidenciou a necessidade de fortalecimento dos processos de planejamento, coordenação e tomada de decisão no ambiente hospitalar, com o objetivo de garantir a continuidade do atendimento e a segurança dos profissionais e pacientes.

No contexto dos hospitais públicos, observou-se que um dos principais desafios esteve relacionado à limitação de recursos financeiros, estruturais e humanos, situação historicamente presente no sistema público de saúde e que se tornou ainda mais evidente durante a pandemia. Mesmo diante dessas dificuldades, essas instituições demonstraram capacidade de adaptação e ampliaram significativamente sua capacidade de atendimento, principalmente por meio da expansão de leitos clínicos e de CTIs. Além disso, houve a necessidade de reorganizar os fluxos internos de atendimento, estabelecer protocolos específicos para pacientes com suspeita ou confirmação de covid-19, priorizar casos mais graves e fortalecer as ações de vigilância epidemiológica e monitoramento contínuo dos pacientes.

Outro aspecto relevante identificado nos estudos analisados foi o papel fundamental desempenhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na coordenação das ações de enfrentamento à pandemia no Brasil. O SUS contribuiu de maneira significativa para a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde, especialmente em um momento de grande vulnerabilidade social e sanitária. Apesar da falta de empenho do atual presidente no período pandêmico e das limitações estruturais historicamente associadas ao sistema público, os hospitais vinculados ao SUS demonstraram importante capacidade de organização e resposta diante da crise, atuando de forma estratégica na assistência aos pacientes e na articulação entre diferentes níveis de atenção à saúde.

Em relação aos hospitais privados, os resultados indicaram que essas instituições apresentaram maior flexibilidade na implementação de mudanças administrativas, organizacionais e tecnológicas. Muitos hospitais privados investiram de forma mais rápida em melhorias na infraestrutura hospitalar, na aquisição de equipamentos médicos e na incorporação de tecnologias digitais voltadas para a gestão e assistência em saúde. Entre essas inovações, destacam-se a utilização de sistemas de monitoramento remoto de pacientes, a integração de prontuários eletrônicos e a ampliação do uso da telemedicina, o que permitiu a continuidade do atendimento médico mesmo diante das restrições impostas pela pandemia.

Além disso, verificou-se que a pandemia acelerou processos de inovação e transformação digital no setor da saúde, promovendo uma maior integração entre tecnologia, gestão hospitalar e práticas assistenciais. A adoção de ferramentas digitais contribuiu para a otimização dos processos de trabalho, para a melhoria da comunicação entre equipes multidisciplinares e para a redução de deslocamentos desnecessários por parte dos pacientes, ampliando o acesso a consultas e orientações médicas em determinados contextos.

A análise comparativa entre hospitais públicos e privados demonstra que, embora ambos os setores tenham enfrentado desafios significativos durante o período pandêmico, as estratégias adotadas variaram de acordo com as condições estruturais, financeiras e administrativas de cada instituição. Enquanto os hospitais públicos concentraram seus esforços na ampliação do atendimento, reorganização dos serviços e atendimento à alta demanda populacional, os hospitais privados destacaram-se pela maior autonomia na gestão de recursos, pela rapidez na tomada de decisões e pela incorporação de tecnologias inovadoras voltadas à melhoria da eficiência dos serviços.

De modo geral, os estudos analisados apontaram que a pandemia de covid-19 evidenciou fragilidades já existentes nos sistemas de saúde, mas também impulsionou avanços importantes no campo da gestão hospitalar. Entre esses avanços, destacam-se o fortalecimento da gestão de crises, a valorização do planejamento estratégico em saúde, o investimento em inovação e tecnologia e a crescente importância da integração entre diferentes setores e níveis de atenção à saúde. Esses elementos tornam-se fundamentais para o aprimoramento dos serviços hospitalares e para a construção de sistemas de saúde mais resilientes e preparados para enfrentar futuras emergências sanitárias.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pandemia de covid-19 configurou-se como um dos maiores desafios enfrentados pelos sistemas de saúde em escala global nas últimas décadas, impactando de forma significativa a organização, o funcionamento e a gestão das instituições hospitalares. Esse cenário exigiu respostas rápidas e estratégias eficazes tanto por parte dos hospitais públicos quanto dos privados, que precisaram adaptar suas estruturas, processos e modelos de gestão para lidar com a elevada demanda por atendimento e com as incertezas impostas pela crise sanitária. No contexto brasileiro, a pandemia evidenciou limitações estruturais historicamente presentes no sistema de saúde, especialmente no setor público, ao mesmo tempo em que demonstrou a capacidade de adaptação e resiliência das instituições e dos profissionais envolvidos na assistência à saúde.

Nesse sentido, os hospitais públicos desempenharam papel essencial no atendimento à população, principalmente no que se refere à ampliação do acesso aos serviços de saúde em um momento de grande vulnerabilidade social e sanitária. Mesmo diante de restrições financeiras, limitações estruturais e sobrecarga dos serviços, essas instituições foram responsáveis por grande parte do atendimento aos pacientes acometidos pela covid-19, reafirmando a importância do sistema público de saúde para a garantia do cuidado à população. Por outro lado, os hospitais privados destacaram-se pela maior flexibilidade administrativa, pela capacidade de investimento em infraestrutura e pela rápida incorporação de tecnologias e inovações, como a telemedicina e sistemas digitais de gestão em saúde, contribuindo para a modernização de práticas assistenciais e gerenciais.

Dessa forma, observa-se que a pandemia promoveu transformações relevantes na gestão hospitalar, reforçando a necessidade de fortalecimento do planejamento estratégico, da gestão eficiente de recursos e da integração entre diferentes áreas da saúde. Além disso, evidenciou a importância do uso de tecnologias da informação, da inovação organizacional e da cooperação entre os setores público e privado como elementos fundamentais para o enfrentamento de crises sanitárias de grande magnitude. Demonstrou também que os aprendizados decorrentes desse período representaram contribuições importantes para o aprimoramento das políticas de saúde e para o desenvolvimento de modelos de gestão hospitalar mais resilientes e preparados para futuras emergências de saúde pública. Assim, a experiência vivenciada durante a pandemia reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, qualificação profissional, inovação tecnológica e fortalecimento dos sistemas de saúde, visando garantir maior eficiência, equidade e qualidade na assistência prestada à população.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Mestra em Gestão de Cuidados da Saúde  (MUST University - Flórida). Especialista em Urgência Emergência e Trauma (PUC - MG). Especialista em Formação Pedagógica para profissionais da saúde (UFMG - MG). Servidora do departamento de saúde do trabalhador - Saúde Ocupacional (UFMG-MG). E-mail: [email protected]. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-8237-1783.

2 Especialista em Saúde da Família (PUC - MG). Servidora do departamento de saúde do trabalhador - Saúde Ocupacional (UFMG-MG). E-mail: [email protected].

3 Mestra em Medicamentos e Assistência Farmacêutica (UFMG - MG). Preceptora (FAMINAS - BH). E-mail: [email protected]. ORCID:  https://orcid.org/0009-0001-5714-9629.