A DUALIDADE DA EDUCAÇÃO DIGITAL: OPORTUNIDADES E DESAFIOS
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.16990789
Elizandra Waschinevski Rafael1
RESUMO
O avanço exponencial das tecnologias digitais tem provocado uma reconfiguração profunda em diversos setores, e a educação se destaca como um dos campos mais impactados por essa transformação. A integração do ambiente digital nas práticas pedagógicas, impulsionada por inovações e pela necessidade de novas abordagens, trouxe à tona um complexo cenário de oportunidades e desafios. Neste contexto, o objetivo geral deste estudo foi analisar de forma abrangente as vantagens, benefícios e riscos inerentes à adoção e expansão do ambiente digital na educação, buscando compreender suas implicações para o processo de ensino-aprendizagem. A metodologia empregada envolveu a pesquisa bibliográfica, que permitiu mapear as principais discussões acadêmicas sobre o tema, abrangendo desde o potencial de personalização e democratização do acesso ao conhecimento até as barreiras relacionadas à infraestrutura, formação docente e questões de segurança cibernética. Os resultados indicam que, embora o universo digital ofereça ferramentas poderosas para engajar estudantes, expandir o acesso a conteúdos e fomentar novas competências, ele também apresenta riscos significativos, como a exclusão digital e a vulnerabilidade de dados. A conclusão aponta para a necessidade de uma abordagem equilibrada e estratégica na implementação das tecnologias digitais, onde o planejamento cuidadoso e a constante avaliação de impacto são cruciais para maximizar os benefícios e mitigar os riscos, garantindo uma educação digital eficaz, equitativa e segura para todos os envolvidos.
Palavras-chave: Educação. Digitalização. Novas Tecnologias. Aprendizagem Híbrida. Desafios Digitais. Inclusão.
ABSTRACT
The exponential advancement of digital technologies has caused a profound reconfiguration in several sectors, and education stands out as one of the fields most impacted by this transformation. The integration of the digital environment into pedagogical practices, driven by innovations and the need for new approaches, has brought to light a complex scenario of opportunities and challenges. In this context, the general objective of this study was to comprehensively analyze the advantages, benefits, and risks inherent in the adoption and expansion of the digital environment in education, seeking to understand its implications for the teaching-learning process. The methodology employed involved bibliographic research, which allowed mapping the main academic discussions on the topic, ranging from the potential for personalization and democratization of access to knowledge to barriers related to infrastructure, teacher training, and cybersecurity issues. The results indicate that, although the digital universe offers powerful tools to engage students, expand access to content, and foster new skills, it also presents significant risks, such as digital exclusion and data vulnerability. The conclusion points to the need for a balanced and strategic approach to the implementation of digital technologies, where careful planning and constant impact assessment are crucial to maximize benefits and mitigate risks, ensuring effective, equitable and safe digital education for all involved.
Keywords: Education. Digitalization. New Technologies. Hybrid Learning. Digital Challenges. Inclusion.
1 INTRODUÇÃO
O cenário educacional contemporâneo está em constante transformação, impulsionado, em grande parte, pela rápida evolução e ubiquidade das tecnologias digitais. O que antes era uma ferramenta de apoio, hoje se consolidou como um ambiente integrado e essencial para o processo de ensino-aprendizagem. Essa imersão no ambiente digital reconfigura as práticas pedagógicas, as interações entre alunos e professores, e o próprio acesso ao conhecimento.
A relevância de discutir as vantagens, benefícios e riscos desse panorama é inquestionável, pois a compreensão aprofundada desses aspectos é crucial para o desenvolvimento de estratégias educacionais mais eficazes, inclusivas e seguras. É imperativo que educadores, gestores e formuladores de políticas compreendam plenamente o potencial de otimização que o digital oferece, ao mesmo tempo em que estejam preparados para mitigar os desafios e as armadilhas que podem surgir.
Nesse contexto, o objetivo geral deste estudo é analisar de forma abrangente as vantagens, benefícios e riscos inerentes à adoção e expansão do ambiente digital na educação, buscando compreender suas implicações para o processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, a metodologia empregada consistiu em uma pesquisa bibliográfica aprofundada, com revisão crítica da literatura especializada, que permitiu mapear as principais discussões acadêmicas e as evidências sobre o impacto das tecnologias digitais na educação.
Este trabalho será desenvolvido em duas seções principais. A primeira abordará especificamente o papel das ferramentas colaborativas e das tecnologias emergentes na educação, destacando como elas potencializam o engajamento, a personalização e a aquisição de novas competências. Em seguida, a segunda seção se dedicará a explorar os desafios associados ao uso dessas ferramentas no ambiente educacional, discutindo desde questões de infraestrutura e formação docente até aspectos cruciais de segurança cibernética e equidade de acesso.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O panorama educacional contemporâneo está em constante metamorfose, impulsionado decisivamente pela onipresença das tecnologias digitais. Essa virada paradigmática posiciona as ferramentas digitais não apenas como suportes, mas como elementos centrais na facilitação de um ensino mais adaptativo e interconectado. A discussão sobre as vantagens e os riscos desse ambiente digital é essencial para uma compreensão completa de seu modelo tecnológico, conforme salientado por Sousa et al. (2024), que investigam como a digitalização redefine as interações pedagógicas e o acesso ao conhecimento em suas mais variadas formas.
Um dos avanços mais impactantes reside na capacidade dessas tecnologias de promoverem o engajamento estudantil de maneiras inovadoras. Plataformas interativas, ambientes de realidade virtual e aumentada, e jogos educacionais transformam o aprendizado de uma experiência passiva em uma jornada ativa e imersiva. Esse dinamismo é crucial para capturar a atenção de uma geração imersa no digital, tornando a assimilação do conhecimento mais natural e menos coercitiva, um ponto que Monte (2025) explora ao discutir estratégias para uma integração eficiente das tecnologias digitais na educação.
A personalização do ensino emerge como um benefício notável, diretamente impulsionado pelas tecnologias emergentes. Algoritmos de inteligência artificial podem analisar o desempenho individual dos alunos, identificando lacunas no aprendizado e sugerindo trilhas de estudo adaptadas. Essa capacidade de oferecer um percurso educacional individualizado maximiza o potencial de cada estudante, garantindo que o ensino seja mais eficaz e inclusivo, um aspecto fundamental que Dotta, Monteiro e Mouraz (2019) indiretamente tocam ao abordar o uso das tecnologias digitais por professores.
As ferramentas colaborativas, por sua vez, redefinem a natureza do trabalho em grupo, permitindo que alunos e professores colaborem em tempo real, superando barreiras geográficas. Documentos compartilhados, quadros interativos virtuais e plataformas de videoconferência fomentam a troca de ideias e a construção coletiva do conhecimento. Essa capacidade de co-criação prepara os estudantes para um mercado de trabalho que valoriza profundamente a colaboração e a interconexão global (Lopes & Gomes, 2020, p.11).
A revisão da literatura tem consistentemente demonstrado que o "boom" das plataformas digitais nas práticas de ensino, especialmente no ensino superior, revolucionou o acesso à educação. Lopes e Gomes (2020) destacam como essa expansão não apenas ampliou as fronteiras do campus físico, mas também democratizou o acesso a cursos e materiais de alta qualidade para um público mais vasto, incluindo aqueles que, por diversas razões, não poderiam frequentar instituições tradicionais, desmistificando o ensino a distância.
Nesse cenário, a inclusão digital se torna uma faceta vital. As tecnologias emergentes, quando bem implementadas, têm o potencial de minimizar disparidades, oferecendo recursos adaptados para estudantes com necessidades especiais ou para aqueles em regiões remotas. Ferramentas de acessibilidade, como leitores de tela e legendas automáticas, garantem que o conteúdo digital seja acessível a um espectro mais amplo de aprendizes, promovendo uma educação mais equitativa para todos, uma preocupação constante de Anjos et al. (2024) ao discutir as mídias digitais como linguagem no ambiente educacional.
O papel do professor também é substancialmente transformado. Longe de serem meros transmissores de conhecimento, os educadores se tornam mediadores e facilitadores, guiando os alunos na exploração do vasto universo digital. Eles precisam desenvolver novas competências para curar conteúdos, gerenciar ambientes virtuais de aprendizagem e integrar efetivamente as tecnologias em suas metodologias (Dotta, Monteiro & Mouraz, 2019, p.22).
As mídias digitais como linguagem no ambiente educacional apresentam vantagens significativas. Anjos et al. (2024) sublinham que elas oferecem novas formas de expressão e comunicação, permitindo que os alunos criem e interajam com o conhecimento de maneiras multimídia, o que fortalece a compreensão e a retenção de informações. Essa abordagem visual e interativa é particularmente eficaz para atender a diferentes estilos de aprendizagem e para desenvolver a literacia digital.
3 METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza bibliográfica, de abordagem qualitativa e de caráter exploratório, tendo como objetivo compreender e analisar a importância da segurança e da cidadania digital no contexto atual da era da informação. A escolha por esse tipo de investigação justifica-se pela necessidade de levantar, sistematizar e refletir criticamente sobre os conhecimentos já produzidos e publicados sobre o tema, construindo uma base teórica sólida que fundamente a discussão proposta.
A coleta de dados foi realizada por meio da seleção e análise de livros, artigos científicos, dissertações, teses, documentos legais e publicações acadêmicas disponíveis em fontes confiáveis, como Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos da CAPES e outros repositórios nacionais. A seleção do material seguiu critérios de relevância temática, atualidade priorizando publicações dos últimos cinco anos e pertinência ao objeto de estudo, com ênfase em autores brasileiros que abordam segurança digital, ética nas redes, cidadania digital e desafios da educação na era da informação.
O procedimento metodológico adotado envolveu uma leitura crítica e interpretativa dos textos selecionados, buscando identificar convergências, divergências e lacunas no debate acadêmico. A análise qualitativa permitiu compreender o conteúdo dos textos e avaliar como eles contribuem para o entendimento da construção de uma cultura digital pautada na responsabilidade, respeito, proteção de dados e participação cidadã.
Por se tratar de uma pesquisa exclusivamente bibliográfica, não houve coleta de dados primários, nem aplicação de questionários ou entrevistas com sujeitos. Entretanto, a sistematização das informações permitiu a construção de uma reflexão aprofundada sobre os principais desafios e possibilidades relacionados à cidadania e à segurança digital, especialmente no ambiente educacional.
O estudo, portanto, enfatiza a análise crítica e reflexiva da literatura existente, identificando práticas, políticas e orientações que podem servir de base para a promoção de um ambiente digital seguro, ético e formativo dentro das instituições de ensino.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
É inegável que a integração eficiente das tecnologias digitais no contexto brasileiro tem sido um foco central de discussão. Monte (2025) destaca as vantagens claras, como a flexibilidade de horários, o acesso a um leque maior de informações e a possibilidade de interações globais. No entanto, a materialização desses benefícios exige infraestrutura robusta e políticas públicas que garantam a democratização do acesso e o uso pedagógico adequado das ferramentas em todo o território nacional, o que ainda representa um desafio considerável.
Adicionalmente, as tecnologias digitais desempenham um papel crucial nos percursos de sucesso acadêmico de estudantes não tradicionais do Ensino Superior. Pinto e Leite (2020) observam que a flexibilidade e a autonomia que o ambiente digital oferece permitem que indivíduos com outras responsabilidades (trabalho, família) consigam conciliar os estudos, tornando o ensino superior mais acessível e inclusivo para uma população diversificada que busca qualificação profissional e mobilidade social.
A capacidade de explorar modelos tecnológicos tem sido fundamental para compreender as vantagens e riscos do ambiente digital na educação. Sousa et al. (2024) argumentam que a análise aprofundada de tais modelos permite uma visão mais clara de como a tecnologia pode ser otimizada para fins educacionais, ao mesmo tempo em que se identificam potenciais armadilhas e se desenvolvem estratégias proativas para mitigá-las, garantindo uma implantação mais segura e eficaz no sistema de ensino. Essa perspectiva é vital para o planejamento educacional.
O avanço das ferramentas colaborativas e das tecnologias emergentes representa uma oportunidade ímpar para aprimorar a qualidade e a acessibilidade da educação. Longe de serem meros instrumentos, elas se consolidam como catalisadores de um novo paradigma educacional, que valoriza a autonomia do estudante, a colaboração, a personalização do aprendizado e a constante atualização de competências em um mundo cada vez mais conectado, preparando os indivíduos para os desafios do futuro e para uma sociedade em constante evolução.
Apesar do notável potencial das tecnologias digitais para enriquecer a educação, sua implementação não está isenta de obstáculos e complexidades. A transição para um modelo educacional mais digitalizado e colaborativo impõe uma série de desafios multifacetados, que vão desde questões infraestruturais até aspectos pedagógicos e sociais. A literatura acadêmica, como observado por Sousa et al. (2024) ao explorar o modelo tecnológico na educação, tem sublinhado que ignorar essas barreiras seria subestimar a intricada natureza da educação e a necessidade de um planejamento estratégico robusto para mitigar os riscos inerentes.
Um dos principais entraves é a persistente disparidade no acesso à infraestrutura tecnológica. Em muitas regiões, especialmente no vasto e diverso contexto brasileiro, a conectividade precária e a falta de dispositivos adequados para alunos e professores criam um abismo digital significativo. Esse cenário impede que todos os estudantes usufruam plenamente das ferramentas colaborativas, perpetuando desigualdades educacionais e limitando o alcance de uma educação verdadeiramente inclusiva, um ponto crítico que Monte (2025) destaca ao analisar as estratégias para uma integração eficiente e equitativa no país.
A capacitação docente representa outro desafio monumental. Muitos professores, em particular aqueles com uma carreira consolidada, podem sentir-se despreparados ou resistentes à adoção de novas tecnologias e metodologias digitais. Dotta, Monteiro e Mouraz (2019), em sua investigação sobre professores experientes, revelam que mitos, crenças e práticas pedagógicas arraigadas podem dificultar a plena integração, exigindo programas de formação continuada que vão além do mero manuseio de ferramentas, focando na ressignificação pedagógica do uso digital.
A qualidade e a curadoria dos conteúdos digitais também são preocupações relevantes no ambiente educacional dinâmico. Com a vasta quantidade de informações e recursos disponíveis online, discernir entre materiais pedagógicos de alta qualidade e conteúdos inadequados ou imprecisos torna-se uma tarefa complexa. Além disso, garantir que os materiais colaborativos sejam pertinentes ao currículo e engajadores exige tempo e expertise dos educadores, um desafio que se intensifica com o "boom" das plataformas digitais e a profusão de dados (Lopes & Gomes, 2020, p.19).
A questão da segurança cibernética e privacidade dos dados dos estudantes é um desafio ético e prático de suma importância. O uso de plataformas colaborativas e o ambiente digital em geral envolvem o compartilhamento de informações pessoais e a interação online, o que expõe alunos e instituições a riscos de vazamento de dados, cyberbullying e acesso indevido. A exploração dos riscos do ambiente digital, segundo a análise de Sousa et al. (2024), demanda que as escolas implementem políticas rigorosas de proteção e conscientizem toda a comunidade sobre o uso seguro da internet.
A manutenção da disciplina e do foco em ambientes de aprendizado digital pode ser mais complexa do que em cenários presenciais. A facilidade de acesso a distrações online, como redes sociais e jogos, pode desviar a atenção dos alunos das tarefas colaborativas, exigindo estratégias pedagógicas mais sofisticadas para gerenciar o comportamento e manter o engajamento. Essa é uma preocupação constante que permeia as discussões sobre mídias digitais como linguagem no ambiente educacional, conforme o estudo de Anjos et al. (2024) também evidencia.
Outro ponto de atenção é a sobrecarga de informações e tarefas digitais. Tanto alunos quanto professores podem se sentir oprimidos pela quantidade excessiva de ferramentas, plataformas e notificações, levando à conhecida fadiga digital. Essa "infoxicação" pode comprometer a eficácia do processo de ensino-aprendizagem, exigindo um planejamento cuidadoso e a racionalização do uso das ferramentas colaborativas para evitar o esgotamento, um aspecto que a literatura tem gradualmente reconhecido ao discutir os impactos do excesso de estímulos digitais.
A avaliação do aprendizado em ambientes colaborativos digitais também apresenta complexidades. Como medir a contribuição individual em projetos coletivos online? Como garantir a autenticidade das produções em um contexto onde a colaboração é facilitada, mas o plágio também pode ser? Essas questões demandam o desenvolvimento de novas metodologias de avaliação que sejam justas, transparentes e capazes de capturar o verdadeiro processo de aprendizado e as competências desenvolvidas, um ponto que impacta diretamente a validação dos percursos de sucesso acadêmico, conforme Pinto e Leite (2020) indiretamente sugerem em suas pesquisas sobre estudantes do ensino superior.
A resistência cultural à mudança dentro das instituições de ensino é um desafio latente. Mesmo com o reconhecimento das vantagens das tecnologias, a inércia institucional, a falta de apoio administrativo ou a cultura organizacional podem frear a adoção e a integração eficaz das ferramentas colaborativas.
Superar essa resistência exige liderança visionária e um esforço contínuo de conscientização sobre os benefícios a longo prazo, algo que Dotta, Monteiro e Mouraz (2019) analisam ao abordar a adaptabilidade docente e os mitos relacionados ao uso das tecnologias.
Além disso, a necessidade de um suporte técnico adequado e contínuo é uma realidade muitas vezes negligenciada. A complexidade das plataformas e ferramentas exige equipes de suporte técnico disponíveis para auxiliar professores e alunos em eventuais problemas, desde falhas de conexão até dificuldades no manuseio de softwares. A ausência desse suporte pode gerar frustração e desmotivar o uso das tecnologias, comprometendo a eficácia de programas de ensino a distância, como os analisados por Lopes e Gomes (2020).
A equidade no acesso ao capital cultural digital precisa ser considerada com ainda mais profundidade no contexto educacional contemporâneo. Embora as tecnologias digitais ofereçam oportunidades inéditas para democratizar o acesso à informação e ampliar o repertório de aprendizagem, as competências para navegar, filtrar, interpretar e aplicar esse conhecimento variam significativamente entre os estudantes. Essas diferenças, muitas vezes invisíveis, geram novas formas de exclusão digital, que se somam às desigualdades sociais e econômicas pré-existentes. Estudantes que possuem maior familiaridade com o ambiente digital tendem a explorar mais eficazmente os recursos disponíveis, enquanto aqueles que não desenvolveram essas habilidades enfrentam barreiras para acompanhar o ritmo das atividades acadêmicas, prejudicando sua participação plena e o aproveitamento do processo educativo.
Essa questão se torna ainda mais crítica no caso de estudantes não tradicionais, que podem incluir pessoas adultas, trabalhadores ou indivíduos com trajetórias escolares interrompidas, para os quais a adaptação ao uso intensivo de tecnologias representa um desafio adicional. Pinto e Leite (2020) ressaltam que essas lacunas no capital cultural digital impactam diretamente os percursos de sucesso acadêmico, tornando necessária a implementação de estratégias pedagógicas e institucionais voltadas para a inclusão e para o desenvolvimento de competências digitais de forma equitativa.
Além disso, a rápida obsolescência tecnológica impõe desafios estruturais e financeiros significativos às instituições de ensino. Equipamentos, softwares e plataformas educacionais requerem atualizações constantes, manutenção adequada e renovação periódica para que continuem a oferecer suporte pedagógico eficaz.
Os custos associados à aquisição de licenças, à capacitação de docentes e à manutenção da infraestrutura tecnológica podem ser elevados, exigindo um planejamento financeiro estratégico e contínuo.
Monte (2025) destaca que a sustentabilidade da integração das tecnologias digitais depende de um equilíbrio entre investimento, planejamento pedagógico e atualização tecnológica. Sem esse cuidado, os benefícios iniciais proporcionados pela implementação de recursos digitais podem se deteriorar rapidamente, comprometendo a qualidade do ensino e reduzindo o potencial de aprendizagem significativa. Portanto, é fundamental que as instituições considerem tanto a formação de professores e estudantes quanto a gestão adequada de recursos tecnológicos para que a integração das TDICs seja efetiva, duradoura e capaz de promover uma educação inclusiva e equitativa.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo buscou analisar de forma abrangente as vantagens, benefícios e riscos inerentes à adoção e expansão do ambiente digital na educação, um objetivo que foi plenamente alcançado por meio da revisão crítica da literatura especializada. Ao longo da discussão, foi possível identificar como as ferramentas colaborativas e as tecnologias emergentes têm potencializado o engajamento, a personalização do ensino e o acesso ao conhecimento, redefinindo as práticas pedagógicas e as interações. Exploramos como esses avanços não apenas ampliam as fronteiras do aprendizado, mas também promovem a inclusão e o desenvolvimento de novas competências, demonstrando o impacto transformador da digitalização no cenário educacional contemporâneo.
Paralelamente, a investigação aprofundou-se nos desafios associados ao uso dessas ferramentas, abordando desde a persistente exclusão digital e a necessidade de capacitação docente até as complexidades da segurança cibernética e a gestão da sobrecarga informacional. A análise evidenciou que, embora o ambiente digital ofereça um vasto leque de oportunidades, sua implementação eficaz e segura demanda planejamento estratégico, investimentos contínuos em infraestrutura e formação, além de políticas claras para mitigar riscos. Em suma, o trabalho reforça que o sucesso da educação digital depende não apenas da tecnologia em si, mas da forma consciente e equitativa como ela é integrada para apoiar e aprimorar o desenvolvimento de todos os envolvidos no processo educacional.
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1 Graduação: Pedagogia pela UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina. Especialização: Pós Graduação em Educação Especial. Pós Graduação em Gestão escolar. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]