REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783133303
RESUMO
Este artigo explora a formalização algébrica dos nós através da teoria de tranças, demonstrando como a topologia tridimensional pode ser compreendida rigorosamente dentro da teoria de grupos. Através dos geradores de Artin e dos Teoremas de Alexander e Markov, estabelecemos a correspondência formal entre nós e tranças fechadas, propiciando o uso do Traço de Markov para a construção de invariantes. Posteriormente, avança-se para o limite dos nós singulares, introduzindo os invariantes de Vassiliev e os diagramas de Gauss. O ferramental aqui estabelecido possui relevância direta nas formulações modernas de teorias de calibre e gravitação.
Palavras-chave: Teoria dos Nós; Invariantes de Vassiliev; Gravitação Quântica de Laços; Teoria de Chern-Simons; Topologia.
ABSTRACT
This article explores the algebraic formalization of knots via braid theory, demonstrating how three-dimensional topology can be rigorously understood within group theory. Through Artin generators and the Alexander and Markov theorems, we establish the formal correspondence between knots and closed braids, enabling the use of the Markov trace to construct invariants. Subsequently, the discussion extends to singular knots, introducing Vassiliev invariants and Gauss diagrams. The mathematical framework established here is directly relevant to modern formulations of gauge theories and gravitation.
Keywords: Knot Theory; Vassiliev Invariants; Loop Quantum Gravity; Chern-Simons Theory; Topology.
1. INTRODUÇÃO ÀS TRANÇAS E O GRUPO DE ARTIN
Nós convencionais, munidos com a operação de soma conexa, não possuem estrutura de grupo invertível, o que torna complexo o seu manuseio sob uma perspectiva puramente algébrica. No entanto, podemos simplificar nós para outro objeto conhecido como trança. A grande vantagem dessa abordagem reside no fato de que os movimentos análogos aos de Reidemeister, quando aplicadas em tranças, formam uma álgebra estrita, o que pode ser entendido e manipulado dentro da teoria de grupos.
Definição 1 (Trança). Tranças são objetos semelhantes aos nós no sentido topológico da sua descrição, ou seja, são objetos tridimensionais imersos em duas dimensões onde os diagramas se comportam de maneira equivalente. Cordas que se cruzam umas com as outras passam por baixo, e cordas contínuas passam por cima. No entanto, essas curvas não são fechadas, apenas contínuas e simples.
Para formar uma trança, começamos com 𝑛 pontos e 𝑛 pontos antipodais dentro de um plano. Cada segmento de corda é conectado a um ponto arbitrário, fazendo cruzamentos com qualquer corda adjacente.
Trança com 3 cordas.
Tranças equivalentes.
As relações de Artin são o equivalente algébrico dos movimentos de Reidemeister no espaço bidimensional das cordas projetadas.
2. TEOREMAS DE ALEXANDER E MARKOV
Fecho da trança $\Bar{B_n}$.
A correspondência universal entre esses dois mundos topológicos é garantida pelo Teorema de Alexander.
Para obter uma trança a partir de um nó 𝐾, primeiro orienta-se o nó e define-se um ponto central de referência.
Obtendo a trança do nó Trifólio.
Através dessa ponte formal, invariantes orientados podem ser construídos utilizando o Lema do Traço de Markov:
3. NÓS SINGULARES E INVARIANTES DE VASSILIEV
Relação de 1 termo.
Relação de 4 termos.
Definição 6 (Diagramas de Gauss). A partir do ponto inicial, desenham-se flechas no diagrama anti-horário e marca-se em um círculo cada ponto duplo por onde se passa. Em seguida, conectam-se por uma corda os pontos duplos marcados no círculo que correspondem aos mesmos pontos no diagrama original do nó singular.
Diagramas de Gauss de um nó singular com 3 pontos duplos.
4. A CONEXÃO FÍSICA: TEORIA DE CHERN-SIMONS E A INTEGRAL DE WITTEN
Até o final da década de 1980, invariantes polinomiais (como o polinômio de Jones) e os grupos de tranças eram vistos primariamente como construções puramente matemáticas, derivadas de projeções bidimensionais e relações algébricas. O cenário mudou drasticamente quando Edward Witten (1989) demonstrou que o polinômio de Jones poderia ser compreendido de forma intrinsecamente tridimensional através da Teoria Quântica de Campos, especificamente utilizando a Teoria de Chern-Simons (witten1989?).
A genialidade da formulação de Witten reside na avaliação do valor esperado do vácuo deste Laço de Wilson utilizando a integral de trajetória (integral funcional) de Feynman:
4.1. Expansão Perturbativa e Diagramas de Gauss
Foi demonstrado posteriormente por Maxim Kontsevich que os coeficientes dessa expansão perturbativa da integral de Chern-Simons são precisamente os invariantes de Vassiliev de ordem finita. As relações restritivas da teoria de campos, como a identidade de Jacobi para a álgebra de Lie, traduzem-se diretamente na topologia como a relação de 4 termos apresentada na Figura 7.
Desta forma, a teoria dos nós e a física de altas energias tornam-se indissociáveis. A álgebra das tranças e a topologia singular de Vassiliev fornecem o rigor matemático, enquanto a integral funcional de Witten e a teoria de Chern-Simons fornecem a fenomenologia geométrica que fundamenta teorias contemporâneas, incluindo modelos de Gravitação Quântica de Laços, onde os estados do espaço-tempo são quantizados justamente através de redes de spin compostas por laços de holonomia.
5. CONCLUSÃO
Os invariantes de Vassiliev, avaliados sobre os grafos derivados dos diagramas de Gauss (seguindo as restrições como a relação de 4 termos), resultam em invariantes que têm conexões estritas com álgebras de Lie. Este formalismo matemático, enraizado no grupo de tranças de Artin e nas equivalências de Markov, desempenha um papel crucial no contexto do laço de Wilson. Ele fornece a linguagem topológica para compreender como esses invariantes se relacionam com a integral funcional de Witten na física contemporânea (kauffman2013?).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KAUFFMAN, L. H. Series on Knots and Everything. 4. ed. Singapore: World Scientific, v. 53 (Knots and Physics), 2013.
PRASOLOV, V. V. Knots, Links, Braids and 3-Manifolds. Providence: American Mathematical Society, v. 154 (Translations of Mathematical Monographs), 1996.
WITTEN, E. Quantum Field Theory and the Jones Polynomial. Communications in Mathematical Physics, v. 121, n. 3, p. 351-399, 1989.
1 Formado em Bacharelado em Física na UNB desde 2020. Participei de projetos de extensão, incluindo Iniciação Científica, produção e apresentação de seminários sobre teoria dos nós no Grupo de Física Teórica e Matemática Aplicada.