REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/775671426
RESUMO
Este estudo teve como propósito analisar a prostituição sob uma perspectiva geográfica, investigando sua distribuição espacial na cidade de Colíder-MT, as condições socioeconômicas das profissionais do sexo e suas percepções sobre a atividade que exercem. A fundamentação teórica baseou-se no conceito de mancha urbana, desenvolvido por Magnani (2002), que permite compreender a organização e o funcionamento dos espaços informais na cidade. A pesquisa adotou uma abordagem quali-quantitativa, iniciando-se com levantamento bibliográfico sobre o tema, seguido de trabalho de campo para identificar as áreas de atuação da prostituição no espaço urbano de Colíder-MT. Foram realizadas entrevistas e aplicados questionários com 14 profissionais do sexo, além da análise e sistematização dos dados obtidos. Os resultados indicam que a prostituição se manifesta de forma dispersa em diferentes pontos da cidade, tanto em espaços públicos quanto privados, contribuindo significativamente para a configuração socioespacial local.
Palavras-chave: Prostituição. Socioespacial. Cidade de Colíder-MT.
ABSTRACT
This study aimed to analyze prostitution from a geographical perspective, investigating its spatial distribution in the city of Colíder, Mato Grosso, the socioeconomic conditions of sex workers, and their perceptions of the activity they perform. The theoretical framework was based on the concept of the urban patch, developed by Magnani (2002), which allows for understanding the organization and functioning of informal spaces in the city. The research adopted a qualitative-quantitative approach, beginning with a bibliographic review on the subject, followed by fieldwork to identify the areas where prostitution occurs within the urban space of Colíder, Mato Grosso. Interviews were conducted and questionnaires were administered to 14 sex workers, in addition to the analysis and systematization of the collected data. The results indicate that prostitution is manifested in a dispersed manner across different parts of the city, both in public and private spaces, significantly contributing to the local socio-spatial configuration.
Keywords: Prostitution. Socio-spatial. City of Colíder, Mato Grosso.
1. INTRODUÇÃO
Ao longo da história, a sexualidade humana foi relegada ao espaço doméstico, moldada pelos padrões da família tradicional e orientada para a utilidade e a reprodução. Sexualidades consideradas “ilegítimas” passaram a ser vistas como incômodas, especialmente em contextos que fugiam da normatividade social, como os espaços de aceitação nos quais prostitutas ou mulheres que exercem o trabalho sexual oferecem prazeres que rompem com os padrões estabelecidos.
O estudo em apreço propôs-se a examinar a sexualidade e os múltiplos papéis desempenhados pelas prostitutas em áreas urbanas, adotando uma abordagem crítica e afastando-se de visões estereotipadas que as classificam como destruidoras de lares ou ameaças à ordem social. Parte-se do reconhecimento de que essas mulheres são profissionais que cuidam de si mesmas, de suas redes de apoio e que contribuem para a reconstrução de mentalidades em torno do desejo e da autonomia.
Com base em uma perspectiva geográfica, buscou-se compreender, por meio de narrativas de vida, as percepções de mundo das profissionais do sexo em Colíder-MT, revelando múltiplas interpretações da realidade socioespacial em que vivem. O estudo fundamenta-se em teorias que tratam do espaço urbano e seus recortes sociais, com ênfase nas zonas de prostituição, nas condições socioeconômicas vividas por essas mulheres e em como elas compreendem sua própria profissão.
Portanto, foi realizada uma análise dos espaços cotidianos vivenciados nas ruas de Colíder-MT, especialmente nas áreas marcadas por bares, cabarés e boates. O estudo permitiu compreender as estratégias de resistência utilizadas por essas mulheres diante da marginalização social, destacando a dinâmica socioespacial que permeia suas experiências e formas de existência.
2. PROSTITUIÇÃO: UM BREVE HISTÓRICO NO BRASIL
Roberts (1998) esclarece que a origem da prostituição remonta à Mesopotâmia, tendo início com as divindades femininas, especialmente Ishtar, deusa do amor, da sexualidade, da fertilidade e da guerra. Na mitologia mesopotâmica, as deusas eram adoradas e respeitadas, pois, por meio delas, reis e nobres dirigiam-se aos templos sagrados para legitimar seu poder através de rituais sexuais realizados com as sacerdotisas (ROBERTS, 1998).
A partir desse núcleo de ideias, é importante compreender a perspectiva histórica da prostituição. No Brasil, essa prática começou a se manifestar durante o período colonial, uma vez que os colonizadores, ao chegarem ao território, não traziam suas famílias. Como estratégia de aproximação com os nativos, buscavam atender às suas necessidades sexuais com mulheres indígenas (RIBEIRO, 1995).
No início da década de 1850, as primeiras ondas de imigrantes chegaram à cidade do Rio de Janeiro, compostas predominantemente por homens vindos da Itália, Alemanha e Portugal. Com a proibição do tráfico de escravos no século XIX, tornou-se necessário importar imigrantes para suprir a demanda por mão de obra. Com o aumento do número de homens na cidade, houve também um crescimento na procura por mulheres que atendessem aos desejos sexuais desses imigrantes.
Diante dessa crescente demanda e da escassez de mulheres disponíveis para atendê-la, a Coroa Portuguesa passou a negociar a importação de prostitutas da Europa (CAVOUR, 2011). Assim, consolidou-se um mercado em ascensão da prostituição, composto por escravas, mulheres brasileiras livres e estrangeiras, que logo foram agrupadas em diferentes categorias: as prostitutas aristocráticas, sustentadas principalmente por políticos e fazendeiros; as prostitutas de sobradinho, que atuavam em hotéis e aguardavam clientes nas praças; e as meretrizes que viviam em cortiços e casebres (PRIORE, 2005).
Embora a prostituição assuma diferentes perspectivas na sociedade, no século XIX, para a Coroa Portuguesa, essa atividade apresentava múltiplas formas. De acordo com Lima (2011), havia uma clara distinção entre mulheres brancas e negras. É importante lembrar que esse período foi marcado pela escravidão no Brasil. Como forma de obter lucro, os senhores forçavam as escravas a se prostituírem e a satisfazer seus desejos sexuais.
É fundamental destacar que, antes de qualquer julgamento, as profissionais do sexo são indivíduos como quaisquer outros, com suas particularidades, necessidades e aspirações, e que buscam respeito, autonomia e inclusão justa na sociedade. Para Comparato (2007), mesmo diante de grandes diferenças culturais ou biológicas, todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade.
3. ÁREA DE ESTUDO: O MUNICÍPIO DE COLÍDER-MT
O município de Colíder-MT localiza-se na Mesorregião Norte do estado de Mato Grosso, na região conhecida como Portal da Amazônia, distante a 650 km da capital Cuiabá, nas coordenadas geográficas 10°48’19’’ Latitude Sul, 55°27’27’’ Longitude Oeste (IBGE, 2010). A localização de Colíder em relação ao estado de Mato Grosso pode ser observada na Figura 1.
Figura 1: Município de Colíder em relação a Mato Grosso
O município encontra-se em média, a 180 km da divisa com o estado do Pará e abriga uma população de 30.766 habitantes, segundo dados do IBGE (2010). A área urbana do município fica às margens da MT 320 e a 32 km da margem esquerda da BR-163, no Norte mato-grossense.
3.1. Materiais e Métodos: A Operacionalidade Técnica
Segundo Ludke e André (1986), a qualiquantitativa envolve a obtenção de dados simbólicos e descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza o processo e o produto, e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes”.
Com base na metodologia adotada, a pesquisa seguiu as seguintes etapas: levantamento bibliográfico, pesquisa de campo, aplicação de questionários, realização de entrevistas, organização e análise dos dados coletados, além da elaboração de material cartográfico com a delimitação das manchas de prostituição na área urbana de Colíder-MT.
A partir da pesquisa de campo, foram identificadas as manchas de prostituição na área urbana do município. O conceito de “mancha” é proposto pelo antropólogo Magnani (2002) e se mostra relevante para o estudo de fenômenos que se manifestam em espaços urbanos, como é o caso da prostituição.
A aplicação dos questionários ocorreu em dois dias da semana, quinta-feira e sábado, fora do horário de expediente das colaboradoras, e incluiu perguntas abertas e fechadas. Essa etapa permitiu obter uma visão mais precisa da realidade dos espaços frequentados pelas profissionais do sexo, bem como de suas condições socioeconômicas e da percepção que têm sobre a própria profissão.
Os dados obtidos foram analisados e tabulados manualmente. Para a apresentação dos resultados, optou-se pela construção de gráficos. O mapa com a localização das manchas de prostituição na área urbana de Colíder-MT foi elaborado em ambiente virtual (ArcMap GIS 10.1), utilizando-se da base cartográfica disponível nos sistemas da ESRI. Os pontos foram determinados com base na pesquisa de campo e, posteriormente, lançados sobre a base cartográfica.
Figura 2: Mapa das Manchas de prostituição na área urbana de Colíder-MT
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1. Condições Socioeconômicas das Profissionais do Sexo
Esta pesquisa é fruto de investigações realizadas com 14 profissionais e teve como objetivo inicial conhecer as condições de trabalho enfrentadas por essas mulheres, bem como a percepção que possuem sobre a própria profissão. Contudo, contrariando a expectativa descrita por Silva e Sampaio (2014), na realidade investigada, o comportamento das profissionais do sexo mostrou-se distinto: elas se mostraram bastante receptivas e demonstraram abertura para falar tanto sobre suas condições de trabalho, quanto sobre a própria profissão.
Utilizou-se o conceito de “mancha”, oriundo da Antropologia, como base para compreender a dinâmica da prostituição. A mancha pode ser compreendida como áreas contíguas do espaço urbano dotadas de equipamentos que marcam seus limites e viabilizam, cada qual com sua especificidade, competindo ou complementando, uma atividade ou prática predominante (Magnani, 2002). Foram identificadas duas manchas que apresentam características específicas da prática da prostituição: o entorno da rodoviária, localizada no centro da cidade, e os bares e boates situados às margens da MT-320.
Em relação à faixa etária das entrevistadas, a Figura 3 apresenta a seguinte distribuição: 43% estão entre 21 e 25 anos; 36% entre 26 e 30 anos; 7% entre 31 e 35 anos; e 14% acima de 41 anos de idade. A análise revela que a maioria das entrevistadas é composta por mulheres jovens. Das 14 participantes, 10 estão na faixa etária entre 21 e 30 anos, uma tem entre 31 e 35 anos e apenas duas têm mais de 41 anos.
Figura 3: Distribuição das entrevistadas por faixa etária
Ao serem questionadas sobre a baixa idade, algumas destacaram que, embora jovens, já acumulam ampla experiência na profissão. Isso indica que muitas ingressaram na prostituição ainda muito cedo, o que é confirmado pela Figura 4 (gráfico), que apresenta a idade de início na atividade entre as entrevistadas.
Figura 4: Idade que iniciou na prostituição
As análises revelaram que a idade de ingresso na prostituição entre as entrevistadas varia entre 14 e 27 anos. De acordo com Ferreira et al; (2010), a prostituição não impõe barreiras intelectuais, físicas ou financeiras; não há exigência de pré-requisitos para iniciar nessa prática. Tudo o que é necessário pode ser aprendido na vivência cotidiana. Duas das 14 entrevistadas afirmaram ter começado a se prostituir antes de atingirem a maioridade.
A Figura 5 apresenta a distribuição das entrevistadas quanto ao tempo de atuação na prostituição. Nove delas exercem a atividade há mais de cinco anos. Entre as duas mulheres que informaram ter mais de 41 anos, uma atua como profissional do sexo há 24 anos e a outra há 25 anos. Uma entrevistada declarou estar na profissão há apenas um mês, outra há dois meses, e duas optaram por não responder.
Figura 5: Há quanto tempo trabalha nessa profissão
Em relação ao grau de escolaridade das entrevistadas, a Figura 6 revela que cinco concluíram o Ensino Fundamental, sete o Ensino Médio e apenas duas têm formação superior, nos cursos de Farmácia e Odontologia. Também foi questionado se já haviam exercido outra profissão além da prostituição: nove responderam afirmativamente, enquanto cinco afirmaram que essa é a única atividade profissional que conhecem.
Figura 6: Grau de instrução das entrevistadas
É importante destacar que, no contexto da prostituição, a formação escolar não possui o mesmo peso que em outras profissões consideradas “normais” pela sociedade. Na visão das entrevistadas, para atuar como profissional do sexo não é necessário apresentar currículo, basta saber praticar o ato sexual. Todavia, “no submundo da prostituição, a remuneração obtida pelas mulheres não está, necessariamente, vinculada ao nível educacional.” (FILHO, 2005, p. 47)
Das entrevistadas, apenas 7 relataram ter filhos, conforme apresentado na Figura 08. Todas foram unânimes ao afirmar que o dinheiro obtido é utilizado para o sustento dos filhos e da família. Algumas manifestaram o desejo de oferecer melhores condições de vida para seus filhos e esperam que eles sigam caminhos diferentes. Uma delas relatou: Não quero essa vida para um filho meu.
Figura 7: Possui filhos
Das participantes da pesquisa, 64% afirmaram que a família tem conhecimento sobre sua profissão, enquanto 36% relataram que a família não sabe, justificando essa omissão por respeito aos filhos e aos pais. Entre os relatos, destacaram-se frases como: “Meus pais não ficariam felizes em saber que sou prostituta”; “Minha família não me criou para isso”; “Não tenho coragem de dizer aos meus filhos sobre o meu trabalho”. Esses depoimentos evidenciam que, para alguns profissionais do sexo, a prostituição ainda é vista como algo vergonhoso perante a família, gerando receio de rejeição. Por outro lado, aquelas que disseram contar com o conhecimento familiar destacaram o respeito recebido, especialmente por parte de pais e filhos. Entre as declarações positivas, ressaltam-se: “Minha família me respeita muito”; “Minha família sabe do meu trabalho”; “É um trabalho como outro qualquer”.
A pergunta sobre o local de origem das entrevistadas permitiu identificar as cidades onde atualmente residem. Oito moram em Colíder, duas em Sinop, duas em Alta Floresta, e as demais em Nova Mutum e Cuiabá. O local de residência contribuiu para compreender o papel da prostituição como fator de mobilidade espacial, já que nenhuma das entrevistadas é natural de Colíder. Segundo uma entrevistada, há uma preferência por mulheres de outras cidades, pois geralmente residem ou se hospedam no próprio local de trabalho, o que dificulta o exercício da atividade fora do estabelecimento.
Sobre o tempo de atuação na cidade de Colíder-MT, as respostas foram diversas. Um grupo de três mulheres relatou estar na cidade há pouco tempo, duas delas há apenas dois dias e uma há 11 meses. Outras sete mulheres afirmaram exercer a profissão em Colíder entre 1 e 5 anos. Três entrevistadas atuam no município há mais tempo: uma há 10 anos, outra há 23 anos e a terceira há 24 anos, conforme apresentado na Figura 8.
Figura 8: Há quanto tempo que trabalha nessa cidade
Em relação ao campo de trabalho voltado à prostituição, questionou-se as entrevistadas sobre como avaliam a cidade de Colíder-MT. Do total, 22% consideraram a cidade “excelente”, 57% a classificaram como “boa” e 21% como “regular”. A opção “ruim” não recebeu nenhuma menção, conforme mostra a Figura 9. Assim, Colíder pode ser considerada uma cidade promissora para o exercício da prostituição, já que 79% das entrevistadas a consideram um bom local para a prática dessa atividade.
Figura 9: Para sua profissão a cidade de Colíder-MT pode ser considerada
Esse cenário pode ser explicado por diversos fatores. Um deles é a presença de muitas fazendas na região. Segundo relataram, os trabalhadores rurais, ao receberem seus salários e virem à cidade, frequentemente buscam satisfazer seus desejos sexuais com essas profissionais. Outro fator relevante é a localização estratégica de Colíder, situada às margens de uma importante via de escoamento rodoviário que conecta diferentes regiões do estado, o que garante à cidade um fluxo constante de caminhoneiros e viajantes.
Além disso, há uma clientela fixa e fiel. Algumas entrevistadas relataram ter clientes especiais que as procuram com frequência, incluindo empresários, fazendeiros, políticos e membros da alta sociedade local. A diversidade socioeconômica dos clientes está relacionada às diferentes “manchas” estudadas na pesquisa: a área da rodoviária, por exemplo, é frequentada por homens de menor poder aquisitivo, enquanto os estabelecimentos localizados às margens da MT-320 recebem clientes com melhores condições financeiras, o que se reflete nos valores mais elevados cobrados pelos programas.
No universo pesquisado, os valores cobrados pelos programas variam entre R$ 100,00 e R$ 450,00. Ao analisar a Figura 11, observa-se que o preço do programa está diretamente relacionado ao espaço de atuação. As profissionais que trabalham na chamada “mancha da rodoviária”, composta por pequenos bares, costumam receber menos, valores que, segundo relatos, variam de R$ 100,00 a R$ 250,00. No entanto, essa faixa de preço não se aplica a todas as profissionais dessa região. Uma entrevistada relatou: Tem meninas aqui que se prostituem por R$ 10,00.
Dando continuidade à análise, observa-se que as profissionais que atuam em estabelecimentos localizados às margens da MT-320 cobram valores mais elevados, que variam de R$ 250,00 a R$ 450,00. Isso indica que o valor do programa está vinculado à infraestrutura dos espaços e à localização dos pontos de prostituição.
Essas distinções também se refletem no comportamento e na aparência das entrevistadas. As profissionais da MT-320 demonstram maior elegância, utilizam roupas de marca e muitas relataram possuir bens como casas e automóveis. Em contrapartida, as entrevistadas da região da rodoviária apresentam um estilo mais simples e afirmam não possuir bens próprios.
Figura 10: O valor cobrado por programa
Quando questionadas sobre o faturamento mensal, as entrevistadas relataram ganhos líquidos que variam entre R$ 1.500,00 e R$ 7.000,00. Esses valores foram distribuídos da seguinte forma: duas profissionais afirmaram faturar entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00; outras duas relataram ganhos entre R$ 2.500,00 e R$ 3.000,00; uma entrevistada afirmou faturar de R$ 3.500,00 a R$ 4.000,00; outra, entre R$ 4.500,00 e R$ 5.000,00; duas disseram faturar entre R$ 5.500,00 e R$ 6.000,00; e uma afirmou ganhar de R$ 6.500,00 a R$ 7.000,00 por mês. Cinco mulheres optaram por não responder à pergunta. É possível que o faturamento de algumas dessas profissionais seja ainda maior, uma vez que, conforme observado na pesquisa, são justamente aquelas que cobram os valores mais altos pelos programas que preferiram não revelar seus rendimentos. Esses dados estão representados na Figura 12.
Figura 11: Renda mensal
Portanto, as informações apresentadas no texto discutido até aqui resultam de análises realizadas sobre as condições socioeconômicas de 14 profissionais do sexo que atuam na cidade de Colíder-MT. As entrevistadas exercem suas atividades em duas áreas urbanas distintas: cinco delas trabalham na região da rodoviária, localizada no centro da cidade, enquanto as outras nove atuam em estabelecimentos situados às margens da rodovia MT-320. Essas análises contribuíram para desmistificar muitos preconceitos em torno da prostituição, além de possibilitar uma compreensão mais aprofundada sobre essa prática dentro da dinâmica urbana de Colíder-MT. Ao longo do estudo, ficou evidente que a prostituição mantém uma estreita relação com a organização socioespacial da cidade.
4.2. Prostituição: a Percepção das Entrevistadas em Relação à Profissão
Muitas vezes, desmistificar a prostituição implica transformar crenças profundamente arraigadas na cultura social. Ainda assim, trata-se de um tema que continua a atrair a atenção de pesquisadores, especialmente porque a prostituição tem ganhado proporções imensuráveis, levando milhares de mulheres a buscarem nessa atividade uma forma de sobrevivência (SOARES et al., 2015). Dessa forma, a pesquisa, além de buscar compreender as condições socioeconômicas, também se propôs a entender, de forma eficaz, as vicissitudes de uma das profissões mais antigas da história. Nesse sentido, considerar a percepção de quem vivencia cotidianamente a prostituição é fundamental, uma vez que são essas mulheres o foco central da pesquisa.
Na segunda parte das entrevistas, abordaram-se questões de cunho mais pessoal, que subsidiaram uma compreensão mais aprofundada sobre a percepção das entrevistadas a respeito da prostituição, os motivos que as levaram a ingressar na atividade, as razões para permanecerem na profissão, as situações de risco enfrentadas, os períodos de maior faturamento, o uso de preservativos e a importância dessa atividade para a cidade de Colíder-MT.
Na questão apresentada na Figura 13, buscou-se identificar os motivos e circunstâncias que levaram as entrevistadas a ingressarem na prostituição. Observa-se que a necessidade foi mencionada por nove delas como o principal. Vale destacar que muitas relataram ter iniciado na prostituição ainda muito jovens; duas, inclusive, antes de completarem a maioridade. Segundo Gomes (1996), a maioria das mulheres que ingressa nessa profissão pertence aos segmentos mais pobres da sociedade
Figura 12: Por que ingressou nessa profissão
Entre os relatos, algumas histórias chamaram a atenção: Já passei fome na vida; Não tinha nada para comer em casa; As dificuldades eram grandes, ver a família passando necessidade e não poder ajudar; Só entrei, porque era muito pobre, não tinha condições de ter uma vida melhor".
Duas entrevistadas relataram ter iniciado na prostituição em busca de uma renda extra: O que eu ganhava na época não dava para me sustentar, era difícil arrumar serviço, não tinha estudo, o jeito foi me prostituir; Precisava arrumar dinheiro rápido, as condições eram difíceis, entrei nesse mundo e estou até hoje. Uma das participantes mencionou que uma desilusão amorosa foi o motivo que a levou à prostituição. Ela narrou: Quando jovem fui abandonada por uma pessoa e me desiludi de tudo, acabei buscando refúgio na prostituição.
Outra participante afirmou ter começado por curiosidade: Tinha muita curiosidade de conhecer esse mundo, despertava algo em mim; decidi iniciar, gostei e não parei mai”. Houve ainda quem relatasse ter ingressado e permanecido na atividade por falta de oportunidades de emprego.
Diante das diversas respostas obtidas na pergunta anterior, procurou-se saber das entrevistadas porque ainda atuam nessa profissão. Sete respostas citaram o dinheiro como o principal motivador para permanece. O prazer recebeu 4 menções, duas entrevistadas afirmam permanecer nessa profissão porque gosta e uma menciona a diversão como responsável por mantê-la na prostituição. Das 14 mulheres pesquisadas sete continuam na prostituição não apenas pelo dinheiro, mais porque sentem prazer, se divertem e porque gostam do que fazem. Essas respostas foram mencionadas principalmente pelas entrevistadas que não possuem filhos, apenas uma mãe afirma que continua por prazer,
Também buscou-se compreender de que modo a violência física, moral, simbólica e sexual é enfrentada por essas mulheres em Colíder-MT. Buscou-se subsídio em Severino (2004), a autora menciona que a Violência e a prostituição são fenômenos indissociáveis.
Em consenso com a ideia de Severino (2004), das 14 inquiridas, 10 afirmaram já ter enfrentado algumas situações de perigo, outras quatro afirmaram que não. Seis entrevistadas narraram que já sofreram agressões físicas, e quatro afirmaram que sofrem constantemente algum tipo de ameaças. Narrativas: Já fui agredida por clientes, por não querer fazer o que ele queria; Alguns clientes acham porque estão pagando são donos chegam a agredir; Alguns clientes não aceita que atendemos outros, querem exclusividade e por isso agridem; Eu tive um cliente que começou me agredir, quando resolvi não atendê-lo mais, ele começou-me a ameaçar de morte; Na prostituição encontramos de tudo, alguns sentem prazer em nos bater e ameaçar; Sai de minha cidade por ameaça de um cliente.
Ao considerar a percepção das profissionais do sexo que atuam na cidade de Colíder-MT, sobre as condições de trabalho enfrentadas, percebe-se que 12 respostas consideraram as condições de trabalho adequadas para desenvolver suas atividades, apenas duas respostas frisam ser as condições de trabalho inadequadas, elas foram proferidas por duas entrevistadas que trabalham na região da rodoviária. As profissionais que trabalham nos estabelecimentos as margens da MT 320, consideram as condições de trabalho adequadas, haja vista que elas têm a sua disposição apartamentos com boa infraestrutura camas, ar-condicionados. As respondentes que afirmaram não serem adequadas às condições de trabalho, afirmaram: Durante o dia o calor é insuportável, os apartamentos não possuem ar-condicionados, os banheiros são precários; Já trabalhei em lugar melhor, o ambiente é feio e mal arrumado.
Foi questionado qual o período do mês de maior faturamento, duas respostas citaram o período do dia 30 ao dia 05 do mês, seis profissionais faturam mais durante o dia 01 ao dia 05 do mês e seis afirmaram que do dia 01 ao dia 10 do mês o faturamento é maior, conforme a Figura 14. Este fato mantém estreita relação com a dinâmica econômica do município, pois é possível perceber que o comércio em geral é aquecido no início do mês, devido ao dinheiro que é injetado na econômica por meio do recebimento dos salários dos trabalhadores locais.
Figura 13: Período do mês de maior faturamento
Perguntou-se as profissionais do sexo em quais dias da semana o movimento é maior. Os dias que receberam maiores destaques foram sexta-feira com cinco menções, sábado com quatro, quinta com três e segunda com duas, respectivamente. Isso, não quer dizer que nos outros dias da semana esses ambientes não são frequentados, a pergunta procurou sabre o dia de maior movimento.
Questionaram-se algumas das entrevistadas sobre o baixo movimento nos dias de domingo, relataram: É o dia dos homens saírem com a família, pois tenho vários clientes cassados; O domingo é mais parado, já os outros dias é mais tranquilo, pois os clientes inventam uma mentira qualquer como jogar “bola” para escapar da esposa; A partir de quinta-feira o movimento começa a melhorar, por que se aproxima do final de semana. Sobre as respondentes que citaram a segunda-feira, uma relatou: Muitos homens preferem à segunda, principalmente os casados, porque suas mulheres pensam que estão no trabalho até mais tarde, sempre a segunda é o dia mais corrido.
Uma das questões contidas no questionário da entrevista foi inerente aos desafios enfrentados pelas profissionais do sexo, pois como foi demonstrado em várias partes do texto esses são muitos e variados, podendo chegar até em agressões físicas e ameaças de morte. Cunha (s. d) menciona que a violência física e psicológica é presença constante na vida das prostitutas e se expressa nas relações com clientes, gerentes dos estabelecimentos e entre elas mesmas. Assim, as doenças sexualmente transmissíveis figuram-se como o maior desafio, citado por sete entrevistadas, relacionar com desconhecido recebeu cinco menções e o desrespeito foi mencionado por duas mulheres. Aludi-se que as profissionais do sexo envolvidas na pesquisa se preocupam com as (DSTs) Doenças Sexualmente Transmissíveis, isso leva a entender que elas adotam medidas e métodos de prevenção, haja vista que, muitas pesquisas realizadas no Brasil dão conta que, o uso de preservativos com os clientes ainda não é prática natural ((CUNHA, s.d).
Nas respostas, sobre os maiores desafios enfrentados pelas entrevistadas percebe-se, que a prostituição acaba por torná-las vulneráveis diante de variadas circunstancias, o relacionamento com desconhecidos pode ser um fator de vulnerabilidade, pois cinco mulheres o colocam como o principal desafio da profissão. O desrespeito enfrentado na prostituição também se configura como um grande desafio, pois a própria sociedade ainda mantém estigmas enraizados de preconceitos sobre essa profissão. De acordo com Saraiva (2013), as prostitutas merecem respeito, pois são seres humanos como os demais e se dedicam a atividade cuja necessidade é comprovada pela sua própria longevidade.
Portanto, nessa parte do trabalho procurou-se sistematizar a percepção das entrevistadas sobre a prostituição, uma vez que esse universo é abarcado por curiosidades, estereótipos e preconceitos. Espera-se com essa discussão levar a sociedade especialmente a acadêmica refletir sobre o papel dessas profissionais na configuração socioespacial de um determinado lugar. Assim, reforça-se o papel da universidade não é apenas em construir conhecimento, mas também proporcionar transformação e mudanças de atitudes individuais e coletivas.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tratar da prostituição constitui uma tarefa árdua, tema este já discutido por inúmeros estudiosos de diferentes áreas do conhecimento. No entanto, o foco da presente pesquisa é abordar a temática no âmbito da Geografia. Inicialmente, buscou-se compreender o percurso histórico da prostituição e as formas pelas quais foi tratada ao longo do tempo. A análise volta-se especificamente ao município de Colíder-MT, considerando a prostituição como agente contribuinte na dinâmica e na configuração do espaço geográfico.
No caso de Colíder-MT, a prostituição não se diferencia substancialmente do que ocorre em outros contextos, sendo ainda considerada, por grande parte da sociedade, como um trabalho “anormal”. O processo histórico de constituição do município, somado à sua atual estrutura urbana, permite observar a espacialidade dessa atividade em diferentes pontos do território, manifestando-se tanto em áreas privadas quanto em espaços públicos. Esses locais, ocupados e ressignificados, configuram-se como territórios que possuem diferentes significados, singularidades e escalas.
A partir da Geografia, torna-se possível compreender o lugar e a espacialidade da prostituição. Como afirma Santos (2008, p. 67), “Sempre que a sociedade (a totalidade social) sofre uma mudança, as formas ou objetos geográficos (tanto os novos como os velhos) assumem novas funções; a totalidade da mutação cria uma nova organização espacial”. Nesse sentido, observa-se que os territórios da prostituição acompanham a dinâmica da cidade, podendo tanto se expandir quanto se fragmentar.
Atualmente, em Colíder-MT, esses territórios se estabelecem em diferentes contextos. Em áreas privadas, destacam-se boates, lanchonetes e residências; já em espaços públicos, a prostituição concentra-se principalmente no entorno da rodoviária, em vias e ruas específicas.
Considera-se, portanto, que a prostituição, mesmo sendo historicamente vista como uma atividade marginalizada pela sociedade, constitui parte integrante da dinâmica espacial urbana. Insere-se, assim, na análise geográfica como prática social que se manifesta em diferentes escalas e territorialidades, revelando-se como componente significativo da produção do espaço.
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1 Graduada em Geografia pela Universidade do Estado de mato Grosso. E-mail: [email protected]
2 Professor Doutor do curso de Geografia da Universidade do Estado de Mato Grosso. E-mail: [email protected]