REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781065422
RESUMO
Na educação contemporânea, há uma constante busca por estratégias que promovam uma aprendizagem mais significativa, motivadora, envolvente e contínua. Desse modo, este artigo teve como objetivo geral descrever o uso de metodologias ativas no Ensino Fundamental Anos Iniciais. Tendo como questão norteadora: quais são as principais contribuições e desafios das Metodologias Ativas no Ensino Fundamental anos iniciais? A metodologia consistiu em uma revisão bibliográfica sistemática, utilizando Google Scholar, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Foram empregadas palavras-chave específicas e operadores booleanos, considerando o período de 2020 a 2025, aplicando critérios de inclusão e exclusão na seleção dos materiais. Após a coleta dos dados, a análise seguiu uma metodologia organizada para a síntese e apresentação dos resultados. Os achados indicam que as metodologias ativas, especialmente quando integradas às tecnologias digitais e práticas participativas, representam estratégias eficazes para aprimorar o ensino. Recursos como jogos digitais, projetos investigativos e dinâmicas colaborativas aumentam a motivação, o engajamento e a autonomia dos estudantes, favorecendo uma compreensão mais profunda dos conteúdos e o desenvolvimento de habilidades críticas, criativas e sociais. Contudo, também foram apontados desafios na implementação dessas práticas, como a necessidade de formação contínua para os professores, melhorias na infraestrutura escolar e adaptações nos ambientes pedagógicos às novas metodologias. Dessa forma, a pesquisa reforça a importância de investir na formação docente contínua, na melhoria da infraestrutura escolar e no planejamento de estratégias que promovam o protagonismo estudantil, com o objetivo de transformar o ambiente escolar e potencializar os resultados educacionais por meio de abordagens mais inovadoras e participativas.
Palavras-chave: Ensino-aprendizagem; Ensino Fundamental; Metodologias Ativas.
ABSTRACT
In contemporary education, there is a constant search for strategies that promote more meaningful, motivating, engaging, and continuous learning. Thus, the overall objective of this article was to describe the use of active methodologies in early elementary school. The guiding question was: What are the main contributions and challenges of active methodologies in early elementary school? The methodology consisted of a systematic literature review using Google Scholar, the Scientific Electronic Library Online (SciELO), and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD). Specific keywords and Boolean operators were employed, covering the period from 2020 to 2025, with inclusion and exclusion criteria applied in the selection of materials. After data collection, the analysis followed a structured methodology for synthesizing and presenting the results. The findings indicate that active methodologies, especially when integrated with digital technologies and participatory practices, represent effective strategies for improving teaching. Resources such as digital games, investigative projects, and collaborative activities increase student motivation, engagement, and autonomy, fostering a deeper understanding of the content and the development of critical, creative, and social skills. However, challenges in implementing these practices were also identified, such as the need for ongoing professional development for teachers, improvements in school infrastructure, and adaptations of learning environments to accommodate new methodologies. Thus, the research reinforces the importance of investing in ongoing teacher training, improving school infrastructure, and planning strategies that promote student agency, with the goal of transforming the school environment and enhancing educational outcomes through more innovative and participatory approaches.
Keywords: Teaching-learning; Elementary School; Active Methodologies.
1. INTRODUÇÃO
A educação tradicional tem gradualmente perdido espaço, pois seus processos ainda são mecânicos, rígidos, centrados no professor e com pouca ou nenhuma conexão com o ambiente externo à sala de aula. Nesse modelo de ensino-aprendizagem, os estudantes são avaliados de forma homogênea, sem considerar suas habilidades individuais, resultando em resultados previsíveis e padronizados, além de estudantes desmotivados, apáticos e, frequentemente, com dificuldades de aprendizagem (MARTINS; FERNANDES; PEREIRA, 2020).
Nesse contexto, Castagnaro (2021) cita que Paulo Freire destacou a necessidade de superar a educação bancária, tradicional e mecanicista. Propôs uma educação como ato político-pedagógico, fundamentada na liberdade, no diálogo, na reflexão e na ação. Sua abordagem problematizava a realidade e buscava ir além do modelo tradicional de ensino, caracterizado por uma aprendizagem superficial e pela postura passiva do estudante (CASTAGNARO, 2021).
Assim, diante de inúmeras transformações, os profissionais da educação enfrentam uma grande disparidade entre o progresso e os retrocessos. Qual será o modelo de ensino mais eficiente nesse novo cenário? Tanto professores quanto alunos devem compreender e aceitar métodos mais inovadores e criativos para a absorção do conhecimento. É fundamental que estejam dispostos a reinventar o modo de aprender e ensinar de forma colaborativa, substituindo a abordagem unilateral, sem participação e interação, por processos mais engajados e interativos (CASTAGNARO, 2021).
Assim, surge as Metodologias Ativas, que representam uma resposta às transformações necessárias no ensino, especialmente considerando as demandas do século XXI, em que a tecnologia e as múltiplas formas de aprendizagem contribuem para construir uma educação mais crítica, participativa e centrada no estudante. Contudo, é importante reconhecer que essas metodologias não são uma invenção recente, mas sim evoluções de práticas tradicionais ajustadas às novas realidades (CUNHA et al., 2024).
Porém, embora sejam vistas como alternativas promissoras para melhorar os resultados de ensino, há uma necessidade de mais estudos que investiguem as potencialidades e obstáculos na aplicação prática das Metodologias Ativas, de modo a orientar estratégias mais eficazes e contextualizadas para o sistema educacional brasileiro. Desse modo, aponta-se para o crescimento do interesse na temática, ressaltando a importância de avanços na pesquisa e na formação para que essas metodologias possam ser plenamente adotadas e produtivas na realidade do país (LOTÚMOLO JÚNIOR; MILL, 2020).
Dessa forma, este trabalho possui como objetivo geral descrever sobre o uso de Metodologias Ativas Ensino Fundamental anos iniciais e como estas podem ser uma estratégia eficaz para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Tendo como objetivos específicos: (1) descrever estudos que abordam o uso de Metodologias Ativas no ensino fundamental anos iniciais; (2) identificar as dificuldades para a incorporação de Metodologias Ativas no ensino fundamental anos iniciais; (3) discutir os benefícios que as Metodologias Ativas proporcionam para processo de ensino e aprendizagem dos alunos do ensino fundamental anos iniciais.
Diante desse cenário, apresenta-se a seguinte questão de pesquisa: quais são as principais contribuições, dificuldades e benefícios das Metodologias Ativas no Ensino Fundamental anos iniciais, conforme a literatura publicada entre 2020 e 2024? A investigação dessa questão é fundamental para entender de que forma essas práticas pedagógicas podem transformar o ambiente escolar e promover melhorias no processo de ensino-aprendizagem.
Assim, esta pesquisa é fundamentada na necessidade premente de inovar as práticas de ensino, com o objetivo de preparar os estudantes para os desafios do século XXI. Assim, busca-se superar obstáculos práticos e ampliar o impacto positivo dessas práticas. Ao reunir e sintetizar as principais evidências relacionadas ao tema, o estudo pretende fornecer subsídios relevantes para educadores e pesquisadores interessados em promover uma educação mais inclusiva e transformadora (PINHEIRO; VALENTE, 2024).
2. METODOLOGIA
2.1. Métodos e Instrumento
Esta pesquisa é uma revisão sistemática da literatura, caracterizada, segundo Marques et al. (2025), por uma busca rigorosa em bancos de dados científicos. Seu processo envolve a definição clara de uma pergunta, busca abrangente, avaliação por critérios de inclusão/exclusão, e análise crítica para garantir rigor e confiabilidade.
Quanto à finalidade, é classificada como básica, buscando aprofundamento teórico e produção de conhecimento científico sem aplicação prática imediata. Adota uma abordagem qualitativa, pois implica interpretar, analisar criticamente e comparar resultados existentes para identificar padrões, divergências e lacunas, conforme Snyder (2019) e Creswell & Creswell (2023).
2.2. Fontes de Pesquisa e Estratégia de Busca
Como fonte de pesquisa foram utilizadas as bases de dados: Google Scholar, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). E para desenvolver uma estratégia de busca sistemática foram utilizadas as palavras-chave como “metodologia ativa”, “Metodologias Ativas”, “ensino fundamental I”, “anos iniciais”, “séries iniciais”, “alfabetização”, utilizando os operadores booleanos (and, or, not) para refinar os resultados.
2.3. Critérios de Inclusão e Exclusão
Os critérios de inclusão foram: 1) disponibilidade e completude dos trabalhos; 2) publicação em idioma português; 3) publicação no período de 2015 a 2025; 4) formato dos trabalhos como artigo, monografia, tese e/ou dissertação; 5) Estudos que abordem sobre Metodologias Ativas no ensino fundamental anos iniciais. Por outro lado, os critérios de exclusão foram: 1) trabalhos duplicados; 2) trabalhos não alinhados com a temática do estudo; 3) trabalhos de revisão da literatura; e 3) trabalhos incompletos ou indisponíveis.
2.4. Análise e Síntese dos Dados
Após a coleta de dados, a pesquisa seguiu um processo sistemático para a análise e síntese das informações, dividida em 4 fases, descritas a seguir:
Busca nas fontes de pesquisa: foi feita a busca nas fontes de pesquisa e os trabalhos foram selecionados com base no título e leitura do resumo, aplicando os critérios de inclusão e exclusão para filtrar os trabalhos que seriam lidos na íntegra.
Leitura aprofundada e analítica: fez-se a leitura completa dos trabalhos selecionados, reiterando os critérios de inclusão e exclusão.
Ficha de dados: criada uma planilha no programa Microsoft Excel para organizar os resultados da fase 2, que ajudou na identificação dos materiais e no registro dos dados fundamentais, com informações relevantes dos estudos selecionados, visando alcançar o objetivo proposto, reiterando os critérios de inclusão e exclusão.
Análise dos dados: com base no fichamento na planilha do Excel, foram realizadas análises qualitativas. E foram feitos quadros para melhor visualizar os resultados.
Na busca inicial nas fontes de pesquisa, foram identificados 135 estudos. Após uma leitura detalhada e analítica, 99 trabalhos foram excluídos, restando 36 selecionados. Durante o preenchimento das fichas de dados, foi efetuada uma nova exclusão de 15 estudos devido não estarem devidamente alinhados com a temática do estudo, resultando um total de 21 trabalhos que compuseram a amostra final da revisão sistemática. Para ilustrar o procedimento de seleção, a Figura 1 apresenta o processo adotado na delimitação dos estudos que compuseram a amostra.
Figura 1 – Fluxograma de seleção dos trabalhos
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1. Apresentação dos Trabalhos Selecionados
Os 21 trabalhos selecionados estão exibidos no Quadro 1, o qual fornece informações sobre o título, autores, ano de publicação, tipo de pesquisa, tipo de estudo e o objetivo de cada pesquisa, organizados em ordem decrescente de ano de publicação.
Quadro 1 – Resumo das pesquisas encontradas nas fontes de busca
N | TITULO | AUTOR(ES)/ANO | OBJETIVO |
1 | Uso do software Tux Paint como ferramenta de ensino e aprendizagem no ensino fundamental na cidade de Coari-AM | Silva et al. (2020) | Investigar a aplicação do software livre Tux Paint como instrumento no processo de ensino e aprendizagem de crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental. |
2 | Compostagem aplicada ao cultivo orgânico de pimentas do gênero Capsicum como recurso para o ensino de Ciências Ambientais no 5º ano do ensino fundamental | Damiano (2020) | O estudo buscou usar a compostagem como recurso didático para ensinar ciências ambientais a alunos do 5º ano, promovendo conhecimentos sobre resíduos, desperdício e reciclagem. |
3 | O uso do laboratório de informática como metodologia de ensino nos anos iniciais do Ensino Fundamental | Cunha (2020) | Verificar como o uso da tecnologia, especificamente do laboratório de informática, pode auxiliar os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental a implementar metodologias de ensino inovadoras. |
4 | O processo de reflexão da prática docente no uso de metodologias ativas: narrativas de experiências nos anos iniciais do Ensino Fundamental | Almeida (2020) | Apresentar narrativas autobiográficas que descrevem experiências docentes no cotidiano de uma escola, evidenciando a importância das múltiplas linguagens e Metodologias Ativas. |
5 | Análise de uma experiência em metodologias ativas, blended learning, e seus impactos em uma escola da rede privada de Belo Horizonte | Silva (2021) | Investigar a implementação de Metodologias Ativas e do ensino híbrido em uma escola particular. |
6 | A educação científica nos anos iniciais do ensino fundamental: olhares e reflexões sobre o letramento científico | Silva e Nobre (2021) | Analisar como se desenvolve o processo de letramento científico dos estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental. |
7 | Contribuições do Design Thinking no ensino fundamental – anos iniciais em um contexto de aprendizagem por projeto | Di Licosa (2021) | Refletir sobre uma experiência de utilização do Design Thinking, apontando caminhos para integrar essa abordagem, com ênfase na Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). |
8 | Design Thinking e Astronomia: articulações possíveis nos anos iniciais do Ensino Fundamental | Carruba (2021) | Analisar a aplicação do Design Thinking como metodologia ativa no ensino de Astronomia. |
9 | Aprendizagem ativa: a educação STEAM e o uso das tecnologias digitais | Silva (2022) | Compreender e analisar como a educação STEAM, aliada às Metodologias Ativas e às tecnologias digitais. |
10 | Utilizando o software Stellarium no ensino de astronomia nas séries iniciais do Ensino Fundamental | Garratini (2022) | Investigar as potencialidades do software Stellarium para facilitar o ensino de conceitos de astronomia. |
11 | Tecnologias educacionais na aprendizagem baseada em projetos no contexto das classes multisseriadas | Wollmann (2023) | Investigar de que maneira as tecnologias digitais potencializam a ABP. |
12 | As toadas dos bois-bumbás de Parintins como proposta de prática pedagógica interdisciplinar no ensino de Artes nos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental no Amazonas | Santos (2023) | Analisar a prática pedagógica do ensino de Arte nas turmas de 4º e 5º anos do Ensino Fundamental. |
13 | Ciências nos anos iniciais do ensino fundamental e o movimento maker: uma panorâmica da sociologia das associações | Santana (2023) | Analisar como o movimento Maker pode contribuir para o ensino de ciências na educação fundamental. |
14 | Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação nas Práticas Educativas das Séries Iniciais do Ensino Fundamental | Prestes (2023) | Compreender as implicações do uso das TDICs nas práticas educativas das séries iniciais do Ensino Fundamental. |
15 | A estratégia ativa da gamificação e a motivação para leitura no componente curricular da Língua Portuguesa. | Nakashima (2023) | Investigar como a implementação de estratégias de gamificação pode motivar a leitura, melhorar o engajamento dos estudantes na língua portuguesa e promover uma aprendizagem mais significativa. |
16 | Alfabetização baseada em evidências com uso do jogo digital GraphoGame Brasil nos anos iniciais do ensino fundamental | Bezerra (2023) | Analisar a aplicação do jogo digital GraphoGame Brasil como uma estratégia de alfabetização baseada em evidências, buscando aprimorar o processo de aquisição da leitura e escrita. |
17 | A necessidade das metodologias ativas na pós-pandemia | Lopes e Pinho (2024) | Demonstrar como as Metodologias Ativas, desenvolvidas após o contexto pandêmico de COVID-19, podem melhorar a atenção, concentração e funções executivas dos alunos. |
18 | Uso de estratégias de gamificação na disciplina de Língua Portuguesa do 1° ano do Ensino Fundamental I | Linhares (2024) | Investigar o uso de estratégias de gamificação na disciplina de Língua Portuguesa no 1º ano do Ensino Fundamental anos iniciais. |
19 | Rotação por estações: possibilidades e desafios no ensino de história para o ensino fundamental – anos iniciais | Carvalho (2024) | Ampliar as possibilidades de atividades no modelo Rotaçao por Estações, aumentando a participação e a motivação dos alunos ao utilizar jogos digitais em aulas de História. |
20 | O ensino de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental a partir da metodologia investigativa: análise das contribuições de uma sequência didática para o ciclo da água em uma proposta experimental | Bomfim (2024) | Desenvolver e avaliar uma sequência didática baseada na metodologia investigativa para o ensino do ciclo da água, promovendo a participação ativa dos alunos. |
21 | A utilização da metodologia ativa: aprendizagem baseada em projetos para a alfabetização ecológica nos anos iniciais | Backes (2024) | Analisar as contribuições da relação entre a ABP e a interdisciplinaridade no processo de alfabetização ecológica. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2026)
Nota-se que número de estudos sobre Metodologias Ativas nos anos iniciais do Ensino Fundamental tem crescido entre 2020 e 2024, demonstrando um interesse acadêmico contínuo e crescente valorização sobre o tema. E a variedade de abordagens evidencia a diversidade de metodologias utilizadas para investigar o tema, contribuindo para uma compreensão abrangente sobre os benefícios e desafios dessas práticas no Ensino Fundamental anos iniciais.
3.2. Principais Metodologias Ativas Citadas nos Trabalhos Analisados
O Quadro 2, apresenta as principais Metodologias Ativas citadas nos trabalhos analisados, acompanhadas de uma breve descrição de cada uma. Este quadro fornece uma visão clara e consolidada das estratégias pedagógicas utilizadas na pesquisa, facilitando a compreensão sobre as abordagens adotadas no contexto do Ensino Fundamental anos iniciais.
Quadro 2 – Metodologias Ativas citadas nos trabalhos e uma breve descrição
Autor(es) / Ano | Metodologias Ativas | Descrição |
Lopes e Pinho (2024) | Jogos, pinturas, tracejamento de letras e números, atividades de coordenação motora, desenhos e músicas | Essas estratégias visam estimular a atenção, concentração e funções executivas das crianças, promovendo uma aprendizagem mais interativa e significativa. |
Bomfim (2024) | Metodologia investigativa | Refere-se a um enfoque de ensino que prioriza a exploração, a descoberta e a construção ativa do conhecimento pelos próprios estudantes, por meio de atividades que estimulam a investigação, a experimentação e a análise de fenômenos. |
Almeida (2020) | Múltiplas linguagens, blogs, atividades lúdicas e projetos reflexivos | O estudo destaca a importância de trabalhar com múltiplas linguagens, uso de blogs, atividades lúdicas e projetos reflexivos para promover uma aprendizagem significativa, inclusiva e participativa, estimulando a autonomia e o envolvimento das crianças na escola. |
Cunha (2020) | Uso do laboratório de informática | Ao integrar o laboratório às práticas pedagógicas inovadoras, é possível desenvolver competências importantes nos alunos, aprimorando seu desempenho e interesse, além de favorecer uma aprendizagem mais significativa e contextualizada. |
Damiano (2020) | Práticas de compostagem | Essas práticas promovem a educação ambiental, estimulando a conscientização sobre sustentabilidade e manejo de resíduos, além de favorecer a aprendizagem prática e interdisciplinar. |
Garratini (2022) | Uso do Stellarium | Se caracteriza por sua função de ferramenta de visualização do céu que replica o universo de forma precisa, similar a um planetário digital. Ele possibilita a observação e a análise dos movimentos celestes, como a rotação e translação da Terra, além de facilitar o desenvolvimento de hipóteses e o entendimento de fenômenos astronômicos por parte dos alunos. |
Prestes (2023) | Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) | As TDICs desempenham papel fundamental na transformação dos ambientes educativos, promovendo experiências de aprendizagem mais criativas, interativas e colaborativas. Elas também envolvem aspectos críticos, éticos e políticos, ao mesmo tempo em que requerem uma reflexão constante sobre seu uso, propósito e implicações na formação de sujeitos críticos e autônomos. |
Linhares (2024) | Gamificação | No contexto do estudo, a gamificação envolveu diferentes tipos de estratégias, como jogos de cartas, jogos digitais e dinâmicas específicas, incluindo atividades como “rodas de conversa” com músicas, dinâmicas de listening com recompensas e pontos para alunos que completavam certas tarefas, entre outras formas lúdicas que mobilizam elementos dos jogos para engajar e facilitar a aprendizagem dos alunos. |
Nakashima (2023) | WebQuest, quizzes, missões na biblioteca, criação de avatares, dinâmicas colaborativas e projetos de leitura. | Foram integradas à intervenção pedagógica para promover a motivação e o engajamento dos estudantes na leitura. Essas ações utilizam elementos de gamificação, recursos digitais e atividades colaborativas, alinhando-se às abordagens de ensino ativo e participativo, favorecendo o desenvolvimento de habilidades leitoras e o interesse pela literatura e o ambiente virtual. |
Santana (2023) | Movimento Maker | É uma abordagem educacional que incentiva a aprendizagem prática por meio da criação, inovação e experimentação. Ele valoriza a construção de produtos, o uso de recursos tecnológicos e a participação ativa dos estudantes em processos de investigação, resolução de problemas e desenvolvimento de projetos. |
Santos (2023) | Manifestações culturais | As manifestações culturais são essenciais para formar identidades, transmitir valores entre gerações, fortalecer o pertencimento e promover a diversidade cultural. Elas também podem ser utilizadas pedagògicamente, enriquecendo o ensino de Artes e outras áreas ao envolver experiências, memórias e contextos sociais e históricos das comunidades. |
Silva et al. (2020) | Uso do Software Tux Paint | O software Tux Paint é uma ferramenta de desenho simples e atraente, voltada para crianças de 3 a 12 anos, que facilita o desenvolvimento do letramento digital, a criatividade e a autonomia dos alunos. Sua interface lúdica e de fácil manuseio estimula a experimentação, colaborando para práticas pedagógicas mais dinâmicas e inclusivas. |
Silva (2021) Backes (2024) Wollmann (2023) | Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) | É uma metodologia que envolve os estudantes na resolução de problemas do mundo real por meio de projetos colaborativos, promovendo aprendizado ativo, autonomia e o desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico e criatividade. |
Silva e Nobre (2021) | Metodologias Ativas de Aprendizagem (MAA) | São estratégias que colocam o estudante no centro do processo, promovendo sua participação, reflexão e protagonismo por meio de ações como resolução de problemas, projetos, debates e experimentos, sempre com orientação do professor. |
Bezerra (2023) | Uso do Jogo digital GraphoGame | O GraphoGame é utilizado como uma ferramenta educativa para promover a alfabetização de forma lúdica e baseada em evidências científicas. Ele ajuda no desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, tornando o aprendizado mais motivador e eficaz para crianças nos anos iniciais do ensino fundamental. |
Carvalho (2024) | Rotaçao por Estações aliado ao uso de jogos digitais | A combinação da Rotação por Estações com jogos digitais é uma estratégia que torna o ensino de História mais lúdico e participativo. Os jogos reforçam conteúdos de forma interativa, motivando os alunos e promovendo uma aprendizagem mais significativa e colaborativa. Essa abordagem aproveita recursos tecnológicos para envolver os estudantes, tornando as aulas mais dinâmicas e alinhadas ao cotidiano digital deles. |
Carruba (2021) Di Licosa (2021) | Design Thinking | O Design Thinking é uma abordagem centrada no usuário que promove a criatividade e a inovação por meio de etapas como empatia, ideação, prototipagem e testes. Na educação, especialmente no ensino de ciências, ele estimula a participação ativa dos estudantes, desenvolvendo habilidades como pensamento crítico, criatividade e colaboração. Essa metodologia torna o processo de aprendizagem mais significativo, participativo e voltado para a solução de problemas reais. |
Silva (2022) | Educação STEAM | A Educação STEAM integra Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática para desenvolver habilidades multidisciplinares, criatividade e pensamento crítico por meio de projetos e situações reais. Sua implementação eficaz requer mudança na cultura pedagógica, planejamento colaborativo e formação de professores capacitados, utilizando estratégias como aprendizagem por projetos, Design Thinking e tecnologia, com o objetivo de transformar a educação, promover inclusão social e preparar os alunos para os desafios atuais. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2026)
A análise do Quadro 2 demonstra a diversidade das Metodologias Ativas utilizadas nos estudos, as quais não se limitam a um único modelo, mas a um conjunto de estratégias pedagógicas. Essa pluralidade permite adaptar as metodologias às particularidades de cada contexto educacional, cultural e estrutural da escola, promovendo inovação pedagógica e uma aprendizagem mais significativa e contextualizada.
Lopes e Pinho (2024) afirmam que as Metodologias Ativas, por meio de práticas participativas e inovadoras, ativam funções executivas, atenção e concentração, resultando em melhor desempenho, maior motivação e aprendizagem mais significativa. De forma semelhante, Bomfim (2024) concluiu que a metodologia investigativa, bem aplicada, contribui significativamente para a aprendizagem nos anos iniciais, aprofundando a compreensão do conteúdo, aumentando a motivação e desenvolvendo atitudes científicas, além de promover o protagonismo estudantil.
O estudo de Almeida (2020) apresenta narrativas autobiográficas de uma professora que destaca o uso de Metodologias Ativas, como múltiplas linguagens, blogs, atividades lúdicas e projetos reflexivos. Os resultados indicam que essas práticas promovem aprendizagem significativa, maior envolvimento, autonomia, um ambiente escolar mais acolhedor e fortalecimento dos laços escola-família, além de reforçar a participação e o interesse dos estudantes.
Sobre o uso do laboratório de informática, de acordo com Cunha (2020), o uso amplia as Metodologias Ativas, aumentando o interesse, a motivação e a participação dos alunos. Utilizado adequadamente, o laboratório contribui para o desenvolvimento de habilidades críticas e reflexivas. Nos anos iniciais do ensino fundamental, sua incorporação potencializa o processo de aprendizagem, tornando-o mais significativo e motivador
O uso do Stellarium para explorar os movimentos celestes possibilitou que os estudantes demonstrassem uma compreensão dos fenômenos relacionados aos movimentos do céu e do planeta Terra. Além disso, evidenciaram maior envolvimento e curiosidade acerca do tema. Destaca-se que, quando utilizado dentro de uma metodologia estruturada, o Stellarium potencializa a compreensão dos fenômenos astronômicos e contribui para uma aprendizagem mais significativa (GARRATINI, 2022).
A pesquisa de Damiano (2020) analisou atividades de compostagem como metodologia ativa, destacando seu impacto positivo no processo criativo das crianças, na resolução de problemas, na cooperação em equipe e na construção do conhecimento. O estudo ressalta que abordagens como projetos interdisciplinares e atividades práticas aumentam a motivação, promovem maior engajamento e favorecem uma aprendizagem mais significativa ao estimular a participação, a resolução de desafios e a reflexão crítica.
Na pesquisa de Linhares (2024), muitos professores reconhecem os benefícios da gamificação, como aumento da motivação, do engajamento, da compreensão e da assimilação do conteúdo, além de estimular a autonomia nas atividades. A investigação também aponta que há um potencial significativo na aplicação de estratégias de gamificação na Educação em Língua Portuguesa, as quais podem contribuir para o sucesso do aprendizado. Do mesmo modo Prestes (2023) aborda que a integração eficaz das TDICs com Metodologias Ativas pode transformar positivamente o processo de ensino, aumentando o engajamento, a autonomia e a profundidade da aprendizagem.
O reconhecimento do papel dessas metodologias no contexto atual também está alinhado com as demandas do mundo globalizado, pois preparam os estudantes para desafios futuros através do uso eficaz da tecnologia. Elas promovem a participação, protagonismo e autonomia dos alunos, resultando em um aprendizado mais significativo que vai além da memorização. Incentivam a reflexão, a colaboração e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais (CUNHA et al., 2024).
Desse modo, as Metodologias Ativas, quando bem planejadas, contribuem para uma aprendizagem mais significativa, promovendo autonomia, criatividade e colaboração. Recursos como WebQuest, quizzes, missões na biblioteca, criação de avatares, dinâmicas colaborativas e projetos de leitura, resultam em aumento do interesse, motivação e engajamento dos estudantes, além do fortalecimento das habilidades de leitura e cooperação (NAKASHIMA, 2023).
Os estudos revisados na pesquisa de Pinheiro e Valente (2024) corroboram que as Metodologias Ativas promovem a autonomia, o pensamento crítico e a colaboração entre os estudantes. Ademais, evidenciam que essas abordagens têm o potencial de tornar o ensino mais interativo, resultando em benefícios como o aumento da motivação e do engajamento dos alunos.
Se tratando do Movimento Maker, ao ser integrado às práticas escolares, favorece a compreensão de conteúdos científicos, estimula a investigação e promove o protagonismo estudantil. Com abordagens investigativas e recursos sociotécnicos, contribui para uma aprendizagem contextualizada e significativa. Quando articulada a questões sociocientíficas, essa abordagem fortalece o aprendizado relevante, aumenta a motivação e forma cidadãos críticos e investigativos (SANTANA, 2023).
Silva et al. (2020) destacaram que o uso do software Tux Paint melhorou a coordenação motora, a criatividade e a autonomia dos estudantes, além de aumentar seu interesse por leitura, escrita e desenho. O estudo conclui que a ferramenta favorece a integração às mídias digitais, estimulando a aprendizagem significativa, a criatividade e o letramento digital, ressaltando a importância de estratégias inovadoras com TIC no ensino fundamental.
A investigação do uso do jogo digital GraphoGame Brasil como estratégia de alfabetização, constatou que ele melhora a compreensão fonológica, ortográfica e aumenta o engajamento dos alunos. A pesquisa indica que essa metodologia ativa potencializa a alfabetização, tornando o aprendizado mais motivador e eficaz (BEZERRA, 2023).
Carvalho (2024) concluiu que a intervenção com o modelo de Rotaçao por Estações, especialmente ao usar jogos digitais, aumenta o envolvimento, a motivação e o aprendizado dos estudantes. A abordagem promove participação colaborativa e lúdica, estimulando o diálogo, a troca de ideias e o interesse pelo conteúdo, o que melhora o desempenho acadêmico.
Segundo Silva (2022), a integração da educação STEAM com Metodologias Ativas e tecnologias digitais aumenta a motivação, autonomia e criatividade dos estudantes, promovendo uma aprendizagem mais contextualizada e relevante. Essa abordagem tem potencial de transformar o ensino de ciências na Amazônia, tornando-o mais atrativo, participativo e alinhado ao contexto local, além de melhorar o desempenho e contribuir para a formação de cidadãos críticos e autônomos.
A Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), especialmente com o ensino híbrido, aumenta a autonomia, participação e engajamento dos alunos. Isso resulta em aprendizagem mais significativa, desenvolvimento de habilidades e maior motivação (Silva, 2021). Além disso, a ABP, quando focada na interdisciplinaridade e alfabetização ecológica, desenvolve competências ambientais, estimula a reflexão sobre questões ecológicas e promove a adoção de práticas sustentáveis. Essa metodologia ativa impulsiona a motivação e o engajamento, levando a um aprendizado mais duradouro e maior consciência ecológica nos estudantes (BACKES, 2024).
A integração de tecnologias digitais na Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) promove uma aprendizagem mais ativa, engajada e significativa, melhorando o acesso à informação, a comunicação e a colaboração. Essa abordagem, reforçada por Metodologias Ativas, desenvolve competências socioemocionais, ambientais e digitais, incentivando o protagonismo, a autonomia e o engajamento dos estudantes para os desafios do século XXI (WOLLMANN, 2023; SOUZA et al., 2024).
Sobre o Design Thinking, Carruba (2021) analisou sua aplicação como metodologia ativa no ensino de Astronomia. Essa abordagem, que valoriza a participação ativa, empatia, colaboração, criatividade e resolução de problemas, revelou-se eficiente em promover maior autonomia, motivação e aprendizagem significativa dos estudantes. O estudo evidencia que o uso do Design Thinking favorece o desenvolvimento de competências essenciais do século XXI, além de ampliar o envolvimento dos alunos com o conteúdo.
Segundo Di Licosa (2021), ao refletir sobre a experiência com o uso do Design Thinking na Educação Básica, especialmente na ABP, revela que essa abordagem inovadora promove a participação ativa, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e criativas, além de incentivar a integração curricular e a construção de uma cultura escolar colaborativa. Essa metodologia eleva a motivação e o engajamento dos estudantes, facilitando uma aprendizagem mais significativa ao resolver problemas reais com maior autonomia e protagonismo.
A pesquisa de Santos (2023) investigou a inclusão de manifestações culturais amazônicas, como as toadas do Boi-Bumbá, nas aulas de arte. Essa abordagem potencializa a aprendizagem significativa, promove o senso de pertencimento cultural e alinha a prática pedagógica à realidade dos alunos. Favorece maior motivação, autonomia, criatividade, fortalece a identidade cultural e facilita a construção do conhecimento por meio da participação ativa dos estudantes.
Nesse sentindo, Castagnaro (2021) reforça a ideia de que as atividades e estratégias adotadas enfatizam o protagonismo dos alunos e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, ao promover momentos de reflexão e de envolvimento ativo dos estudantes. Conforme mencionado na análise, o uso de Metodologias Ativas impacta positivamente na postura autônoma e colaborativa, contribuindo para o aumento da motivação e favorecendo uma aprendizagem mais significativa.
Porém, apesar dos benefícios mencionados, a mudança para práticas de Metodologias Ativas requer reflexão, comprometimento do professor e apoio institucional, além de uma mudança de cultura escolar, o que pode representar desafios (ALMEIDA, 2020).
3.3. Desafios na Implementação de Metodologias Ativas no Ensino Fundamental Anos Iniciais
O Quadro 3 apresenta uma síntese dos desafios mais frequentemente mencionados pelos autores ao abordar a implementação de Metodologias Ativas no Ensino Fundamental anos iniciais. Esses desafios incluem, por exemplo, a resistência por parte de professores e alunos à mudança de práticas tradicionais, a necessidade de formação continuada e adequada para os docentes, além da infraestrutura insuficiente que impede a aplicação efetiva dessas estratégias.
Quadro 3 – Desafios comuns citados pelos autores e sua descrição geral
DIFICULDADES COMUNS | AUTORES | DESCRIÇÃO GERAL |
Formação e aperfeiçoamento docente | Bomfim (2024), Damiano (2020), Cunha (2020), Lopes e Pinho (2024), Nakashima (2023), Prestes (2023), Silva e Nobre (2021), Silva (2017), Bezerra (2023), Corruba (2021), Carvalho (2024), Di Licosa (2021), Wollmann (2023). | Os autores destacam a necessidade de formação contínua dos professores e o aperfeiçoamento adequado para o uso de Metodologias Ativas, além de ressaltar a importância de compreender as condições da escola e o contexto socioeconômico dos alunos. |
Resistência à mudança e adaptação ao novo | Bomfim (2024), Damiano (2020), Garratini (2022), Linhares (2024), Lopes e Pinho (2024), Prestes (2023), Silva (2017), Bezerra (2023), Corruba (2021), Carvalho (2024), Di Licosa (2021), Wollmann (2023). | A resistência dos professores e alunos à mudança das práticas tradicionais de ensino é um tema comum, com ênfase na adaptação de estratégias e na resistência a inovações pedagógicas, muitas vezes por causa de culturas escolares estabelecidas. |
Limitações de recursos tecnológicos e infraestrutura | Bomfim (2024), Garratini (2022), Linhares (2024), Lopes e Pinho (2024), Prestes (2023), Silva (2017), Silva e Nobre (2021), Bezerra (2023), Corruba (2021), Carvalho (2024), Di Licosa (2021), Wollmann (2023). | As dificuldades relacionadas à falta de infraestrutura tecnológica, recursos insuficientes e o impacto disso nas Metodologias Ativas foram abordadas, apontando a necessidade de um melhor suporte em termos de dispositivos, conectividade e recursos pedagógicos. |
Adaptação curricular e estratégias de implementação | Bomfim (2024), Damiano (2020), Cunha (2020), Linhares (2024), Lopes e Pinho (2024), Nakashima (2023), Prestes (2023), Silva e Nobre (2021), Bezerra (2023), Corruba (2021), Carvalho (2024), Di Licosa (2021), Wollmann (2023). | Os autores mencionam a necessidade de adaptar o currículo e as abordagens pedagógicas para incluir Metodologias Ativas, considerando as particularidades da escola, a resistência a mudanças e a necessidade de um planejamento detalhado e adaptado às condições específicas. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2026)
A descrição geral desses desafios evidencia que, apesar dos benefícios apontados pelas Metodologias Ativas, sua adoção enfrenta obstáculos ligados à cultura escolar, às demandas por recursos e à adaptação às novas metodologias, o que demanda esforços estruturais e de formação para promover uma transformação efetiva no ambiente educacional.
Após a análise dos desafios identificados pelos autores, fica evidente que a implementação das Metodologias Ativas no Ensino Fundamental anos iniciais ainda enfrenta obstáculos significativos. A resistência de docentes e discentes às mudanças nas práticas tradicionais, aliada à necessidade de uma formação continuada e especializada para os professores, representa um entrave para a adoção efetiva dessas estratégias pedagógicas.
Além disso, a insuficiência de recursos e infraestrutura adequada contribuem para dificultar a realização de atividades que promovam maior protagonismo estudantil. Dessa forma, superar esses desafios exige uma intervenção integrada, que envolva a formação profissional, melhorias na estrutura escolar e uma mudança na cultura educacional, visando criar um ambiente propício à inovação pedagógica e ao desenvolvimento de práticas mais participativas e reflexivas.
Martins, Fernandes e Pereira (2020) destacam que a principal dificuldade para a implementação efetiva das Metodologias Ativas na educação básica é a insuficiência de capacitações específicas para os professores. A maioria deles possui formação tradicional e, muitas vezes, precisa buscar recursos e treinamentos em outros espaços, muitas vezes com recursos próprios. Além disso, há resistência à mudança de paradigmas pedagógicos, pois muitos professores continuam a utilizar práticas tradicionais, dificultando a adoção dessas metodologias inovadoras.
Pinheiro e Valente (2024) também reforçam que as principais barreiras incluem a insuficiência de formação adequada para os professores, dificuldades estruturais como a falta de infraestrutura nas escolas, e resistência à mudança de paradigmas tradicionais de ensino. Além disso, destaca-se que esses obstáculos dificultam a adoção efetiva dessas metodologias, o que impede que os beneficios potenciais sejam plenamente alcançados.
Entre os desafios destacados por Souza et al. (2020) estão a resistência por parte de alguns educadores à mudança de metodologias tradicionais, a necessidade de formação adequada dos professores, o acesso desigual às tecnologias digitais e a infraestrutura limitada em algumas escolas e comunidades. Essas barreiras podem restringir as oportunidades de aprendizagem ativa e engajada, além de ampliar as desigualdades educacionais.
Faria (2021) evidencia que um dos principais desafios na implementação da gamificação no contexto educacional é o medo e a resistência a enfrentar o novo e o desconhecido. Muitos professores e educadores podem sentir-se inseguros quanto à eficácia dessa metodologia, especialmente por se depararem com instrumentos e conceitos inovadores que exigem uma adaptação significativa de suas práticas tradicionais.
O estudo de Souza et al. (2020) sobre a resistência à mudança de paradigmas pedagógicos e o medo de enfrentar o desconhecido descrito por Faria (2021) podem ser melhor compreendidos à luz da Teoria da Mudança de Paradigmas de Kuhn, que descreve como as inovações educativas, como as Metodologias Ativas e a gamificação, desafiam os paradigmas tradicionais e provocam resistência até que o novo paradigma seja aceito.
As evidências demonstram que, embora as Metodologias Ativas tenham promovido avanços significativos no desenvolvimento dos alunos, também revelam a presença de obstáculos e dificuldades que precisam ser enfrentados. Isso evidencia a complexidade do processo de aprendizagem e reforça a importância de ajustes contínuos nas estratégias pedagógicas, a fim de aprimorar a eficácia do ensino e assegurar uma formação mais inclusiva e diferenciada (CASTAGNARO, 2021).
Superar esses desafios, como bem apontado, exige uma intervenção integrada. Não basta apenas fornecer a formação; é preciso que essa formação esteja alinhada com as condições reais das escolas e que haja um apoio institucional contínuo para a mudança de cultura. Isso implica em um esforço conjunto de gestores, comunidade e docentes para transformar o ambiente educacional e criar um ecossistema propício à inovação pedagógica e ao desenvolvimento de práticas mais participativas e reflexivas. Somente assim, as Metodologias Ativas poderão atingir seu potencial máximo de transformar a experiência de ensino-aprendizagem, preparando os alunos para os desafios do século XXI.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo geral deste artigo foi alcançado ao confirmar que as Metodologias Ativas representam uma abordagem inovadora capaz de transformar o ambiente escolar, tornando-o mais dinâmico, participativo e alinhado às demandas contemporâneas, o que favorece a construção de aprendizagens mais profundas e estimula o interesse dos alunos.
Ao longo da pesquisa, explorou-se a literatura publicada entre 2020 e 2024, evidenciando que essas abordagens estimulam maior protagonismo dos estudantes, promovem aprendizagens mais significativas e contribuem para o desenvolvimento de habilidades críticas, reflexivas e colaborativas. Assim alcançando primeiro objetivo específico da pesquisa.
Entretanto, o estudo também evidenciou diversas dificuldades na incorporação das Metodologias Ativas nesse nível de ensino, entre elas, a falta de formação adequada dos professores, limitações estruturais das escolas e resistência cultural à mudança. Essas barreiras comprometem a implementação plena e efetiva dessas práticas pedagógicas, sendo necessário um esforço conjunto de gestores, comunidade e docentes para superá-las. Assim, respondendo ao segundo objetivo específico da pesquisa.
Por outro lado, os benefícios claramente identificados na literatura confirmam que as Metodologias Ativas representam uma estratégia inovadora capaz de transformar o ambiente escolar, tornando-o mais dinâmico, participativo e alinhado às demandas do mundo contemporâneo. Elas favorecem a construção de aprendizagens mais profundas, estimulam o interesse dos alunos e fortalecem vínculos entre escola e comunidade. Portanto, respondendo ao terceiro objetivo específico da pesquisa.
Diante do exposto, fica evidente que o investimento na formação de professores e na melhoria das condições físicas das escolas é fundamental para potencializar os benefícios das Metodologias Ativas. Assim, a investigação reforça que a adoção dessas práticas pedagógicas pode promover mudanças significativas nas escolas do Ensino Fundamental anos iniciais, contribuindo para a formação de alunos mais críticos, autônomos e preparados para os desafios do século XXI.
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1 Mestranda do Curso de Pós-Graduação Internacional em Ciências da Educação da Ivy Enber Christian. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Pedagoga e Doutora em Educação. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail