USO DE CANABIDIOL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO TRATAMENTO COM TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA (TEA)

USE OF CANNABIDIOL IN CHILDREN AND ADOLESCENTS WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER (ASD)

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783363123

RESUMO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. As manifestações do TEA são variadas e podem incluir dificuldades na linguagem, padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos. O objetivo do estudo visa demostrar o uso terapêutico do Canabidiol (CBD) no manejo dos sintomas comportamentais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) melhorando a qualidade de vida. Trata-se de uma revisão de literatura sistematizada por meio de pesquisas nas bases de dados do site do BVS – Biblioteca Virtual de Saúde, PubMed, Scielo – Scientific Electronic Libray On Line e Medline, no período de 2019 a 2026. Os resultados demostram que a terapêutica com Canabidiol pode ajudar na redução da agressividade, da irritabilidade, das crises de ansiedade e na melhoria da qualidade do sono em indivíduos com TEA. Além disso, a qualidade de vida dos pacientes com TEA e de seus familiares pode ser significativamente impactada pelo manejo mais eficaz dos sintomas comportamentais e emocionais. No entanto, é fundamental aprofundamento de estudos que avaliem a eficácia, a segurança e os efeitos a longo prazo do uso.
Palavras-chave: Transtorno de Espectro Autista; Canabidiol; Terapia Alternativa.

ABSTRACT
Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental condition that affects communication, social interaction, and behavior. ASD manifestations vary and may include language difficulties, repetitive behavioral patterns, and restricted interests. This study aims to demonstrate the therapeutic use of Cannabidiol (CBD) in managing the behavioral symptoms of ASD, thereby improving quality of life. It is a systematic literature review based on searches conducted in the databases of the Virtual Health Library (VHL/BVS), PubMed, SciELO (Scientific Electronic Library Online), and MEDLINE, covering the period from 2019 to 2026. The results indicate that Cannabidiol therapy can help reduce aggression, irritability, and anxiety attacks, as well as improve sleep quality in individuals with ASD. Furthermore, the quality of life of ASD patients and their families can be significantly impacted by more effective management of behavioral and emotional symptoms. However, further studies are essential to evaluate the efficacy, safety, and long-term effects of its use.
Keywords: Autism Spectrum Disorder; Cannabidiol; Alternative Therapy.

1. INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. As manifestações do TEA são variadas e podem incluir dificuldades na linguagem, padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos. Devido à sua natureza complexa e multifatorial, o TEA é considerado um espectro, ou seja, apresenta diferentes graus de intensidade e formas de manifestação, o que exige abordagens terapêuticas individualizadas (HOTIS; MUGHAL; SAADABADI, 2025).

Nesse sentindo, os desafios frente os indivíduos com o TEA destacam-se os déficits na comunicação verbal e não verbal, a dificuldade em estabelecer e manter interações sociais e a presença de comportamentos estereotipados ou repetitivos. Algumas crianças e adultos com TEA possuem déficits de atenção, dificuldades na regulação emocional e episódios frequentes de agitação e agressividade o que pode impactar negativamente sua qualidade de vida e a de suas famílias e cuidadores. Por esse motivo, muitas vezes, são necessárias intervenções multidisciplinares, envolvendo profissionais da saúde, da educação e da assistência social (BARCHEL et al., 2019).

Nos últimos anos, o Canabidiol (CBD), um dos principais compostos presentes na planta Cannabis sativa, tem despertado o interesse da comunidade científica e médica por seu potencial terapêutico em diferentes condições neurológicas e psiquiátricas. O CBD é um composto não psicoativo, ou seja, não produz os efeitos intoxicantes associados ao tetrahidrocanabinol (THC), o outro principal canabinoide da planta. Sua utilização tem sido explorada principalmente em casos de epilepsia refratária, ansiedade, distúrbios do sono e, mais recentemente, no TEA (KIRKLAND et al., 2023)

O Canabidiol pode ter efeitos positivos na redução de sintomas associados ao TEA, como a agressividade, a hiperatividade, as crises de irritabilidade e os distúrbios do sono. Os mecanismos de ação do CBD envolvem a modulação do sistema endocanabinoide, que desempenha um papel importante na regulação de diversas funções neurológicas, incluindo o humor, o sono e o comportamento social (JÚNIOR et al., 2021).

Diante desse cenário, o uso do Canabidiol como uma alternativa terapêutica para o TEA ainda é um campo em expansão e em constante estudo. Apesar dos resultados promissores, é fundamental que a prescrição e o acompanhamento do tratamento com CBD sejam realizados por profissionais especializados, considerando as particularidades de cada paciente e os possíveis efeitos colaterais.

Desse modo, busca responder o seguinte questionamento: “quais os benefícios associados à administração de canabinoides como terapia adjuvante em pacientes com TEA?”. Assim, a introdução do Canabidiol como terapia complementar reduz significativamente os episódios de agressividade e ansiedade, promovendo uma melhor regulação emocional, melhora da qualidade do sono e facilita a socialização da criança.

O objetivo do artigo é demostrar o uso terapêutico do Canabidiol (CBD) no manejo dos sintomas comportamentais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) melhorando a qualidade de vida. O objetivo específico envolve apresentar os principais sintomas do TEA que podem ser beneficiados com o uso do Canabidiol e apontar os efeitos do CBD em pacientes com TEA em relação aos benefícios, riscos e limitações.

Portanto, justifica-se a realização deste trabalho se baseia não apenas na necessidade de novas abordagens terapêuticas, mas também no compromisso de contribuir com evidências científicas que possam auxiliar profissionais da saúde e familiares na tomada de decisão clínica.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão de literatura sistematizada por meio de pesquisas nas bases de dados do site do BVS – Biblioteca Virtual de Saúde, PubMed, Scielo – Scientific Electronic Libray On Line e Medline, posteriormente submetidos aos critérios de seleção. Os descritores utilizados na pesquisa incluem “transtorno do espectro autista”, “canabidiol” e “autismo”.

Os critérios de inclusão foram: artigos nos idiomas português, inglês e espanhol; publicados no período de 2019 a 2026 e que abordavam as temáticas propostas para esta pesquisa, disponibilizados na íntegra. O processo de seleção também incluiu a leitura criteriosa dos títulos, resumos e textos completos para assegurar a pertinência do conteúdo em relação aos objetivos da pesquisa. Os critérios de exclusão foram: artigos duplicados, disponibilizados na forma de resumo, que não abordavam diretamente a proposta estudada e que não atendiam aos demais critérios de inclusão.

A análise dos dados coletados foi realizada por meio da comparação dos resultados apresentados nos diferentes estudos selecionados, focando na eficácia do Canabidiol para a melhora dos sintomas comportamentais, cognitivos e emocionais do TEA. Também foram avaliadas informações referentes à segurança e à tolerabilidade do CBD, considerando os efeitos colaterais relatados e o perfil de risco-benefício apontado pela literatura.

Por fim, os dados foram interpretados considerando o contexto clínico e social do TEA, com o intuito de destacar as implicações práticas e os potenciais benefícios do CBD como terapia complementar ou alternativa. A análise crítica também abrangeu a identificação de lacunas e sugestões para futuros estudos que possam aprofundar o conhecimento e otimizar o uso do Canabidiol nessa população. Os resultados foram apresentados em tabela demostrando os resultados de cada artigo selecionado e a discussão abordando em categorias temáticas descrito em subtítulo.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados da revisão encontram-se na tabela 1 apresentando os materiais selecionados para compor este trabalho. Desse modo, observa que o TEA é uma condição com incidência no Brasil e no mundo que requer atenção, principalmente na terapêutica, visto que a melhora da qualidade de vida e dos sintomas comportamentais abarca em conjuntura a terapia com medicamento e não medicamentoso. E nesse ponto esse estudo destaca-se e mostra os estudos relevantes acerca da utilização do canabidiol no tratamento do TEA devendo ser acompanhado ´por uma equipe multidisciplinar.

Tabela 1. Análise dos materiais utilizados para compor a pesquisa

Título

Ano

Metodologia

Síntese do Resultado

An update on safety and side effects of cannabidiol: A review of clinical data and relevant animal studies.

2017

Revisão de Dados clínicos.

Nesse estudo mostra-se que o perfil de segurança do canabidiol em humanos foi satisfatório no tratamento de epilepsia e transtornos psicóticos.

Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 327/2019.

2019

Revisão de Literatura

Essa resolução aborda sobre o uso de cannabis para fins medicinais tanto na importação quanto na comercialização.

Cannabis-based medicinal product reduces autistic core symptoms: a retrospective analysis of 60 children with autism spectrum disorder.

2019

Pesquisa realizada em Israel, avaliou 60 crianças com transtorno do espectro autista (TEA) que foram tratadas com cannabis medicinal rica em canabidiol (CBD).

O estudo encontrou melhorias em múltiplos sintomas centrais e coexistentes, incluindo comportamentos disruptivos (33% dos pacientes), problemas de comunicação (47%), ansiedade (39%) e surtos comportamentais (61%).

Effectiveness and tolerability of cannabidiol in children and adolescents with autism spectrum disorder: An exploratory study.

2019

Trata-se um estudo de coorte inicial incluiu 18 pacientes e no final 3 pacienets desistiram da pesquisa.

O estudo com canabidiol apresenta-se promissor, principalmente, na redução de comportamentos desadaptativos (agressividade, hiperatividade e irritabilidade), ansiedade e distúrbios do sono, todavia, com efeitos colaterais leves a moderados como sonolência e mudanças no apetite.

Data & Statistics on Autism Spectrum Disorder.

2021

Revisão de estatística.

Este estudo atenta-se para o aumento da incidência e prevalência do autismo nos últimos 20 anos afetando diversos níveis socioeconômicos e mais meninos.

Uma Revisão Detalhada do Uso do Canabidiol em Transtornos Psiquiátricos.

2021

Revisão de Literatura.

Os achados mais promissores estão relacionados ao uso do canabidiol em sintomas psicóticos e ansiedade.

Uso de cannabis e canabinoides no transtorno do espectro autista: uma revisão sistemática.

2021

Revisão sistemática

A pesquisa investigou que os itens derivados da cannabis diminuíram a frequência e/ou a gravidade de uma variedade de sintomas, como hiperatividade, episódios de automutilação e raiva, dificuldades no sono, ansiedade, agitação, inquietação, irritabilidade, comportamentos agressivos, persistência e sintomas depressivos. Ademais, notaram-se melhorias na função cognitiva, sensibilidade sensorial, foco, interação social e comunicação verbal. Os efeitos colaterais mais frequentes incluem distúrbios do sono, inquietação, ansiedade e mudanças nos hábitos alimentares.

The Use of Cannabidiol in the Treatment of Psychiatric Disorders: A Systematic Review

2022

Revisão sistemática de ensaios clínicos e ensaios clínicos randomizados que usaram canabidiol como tratamento para transtornos psiquiátricos.

O canabidiol apresenta um bom perfil de segurança mesmo em doses mais altas, mas os resultados são inconclusivos quanto às melhorias na gravidade da doença.

Autism spectrum disorders: Key facts.

2022

Revisão estatística.

Aborda sobre a importância na intervenção do TEA em níveis comunitário e social para maior acessibilidade, inclusão e apoio melhorando a qualidade de vida e reduzindo o fator estressor nos pais e nos cuidadores.

Transtorno do Espectro Autista: Diagnóstico e intervenção psicopedagógica clínica.

2024

Trata-se de uma pesquisa básica exploratório e descritivo. 

Os achados indicam que a intervenção psicopedagógica clínica no suporte a crianças com TEA deve incluir a identificação e as ações necessárias para promover o progresso na aprendizagem, incluindo a alfabetização.

Transtorno do Espectro Autista: benefícios da intervenção precoce para o desenvolvimento cognitivo e adaptativo da criança

2023

Revisão Bibliográfica

O resultado demostra que quanto mais precoce for o diagnóstico e intervenção na vida da criança autista, melhor será seu prognóstico e qualidade de vida. Já que utiliza da plasticidade cerebral como janela de oportunidade para amenização de sintomas e recuperação de habilidade.

O uso do canabidiol no tratamento do transtorno do espectro autista: revisão das evidências existentes

2023

Revisão integrativa e não sistemática da literatura.

O uso do canabidiol no tratamento do TEA exerce efeitos promissores nos sintomas comportamentais associados, como alterações comportamentais, agressividade, irritabilidade.

Transtorno do espectro autista: aspectos clínicos e epidemiológicos

2024

Revisão Integrativa da Literatura.

Aborda que para melhoria das condições do TEA é necessário a intervenção de uma equipe multidisciplinar.

Transtorno do Espectro Autista: Uma revisão sistemática da literatura

2024

Revisão Sistemática de literatura.

Os resultados mostram a importância da atuação de uma equipe multiprofissional, bem como, intervenções para reduzir a sobrecarga dos cuidadores e pais.

Transtorno do Espectro Autista: uma revisão psiquiátrica sobre epidemiologia, etiopatogenia e intervenção.

2024

Revisão Sistemática.

O estudo mostra a eficácia das intervenções ao TEA, e ressalta a importância de pesquisas para aprimorar as estratégias de tratamento e a abordagem personalizada.

Evaluation of the efficacy and safety of cannabidiol-rich Cannabis extract in children with autism spectrum disorder: randomized, double-blind, and placebo-controlled clinical trial.

2024

Este é um estudo clínico randomizado, duplo-cego e com controle placebo, onde 60 crianças com idades variando de 5 a 11 anos.

O extrato de cannabis rico em CBD foi encontrado como melhorando um dos critérios diagnósticos para o TEA (interação social), além de características que frequentemente coexistem com o TEA, e que apresentam poucos efeitos adversos graves.

Transtorno do Espectro Autista

2025

Revisão de literatura.

Esse estudo aborda sobre o contexto do TEA e suas principais características e tratamento.

Uso de Cannabis como tratamento alternativo do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

2025

Revisão integrativa da literatura

O uso de cannabis como terapêutica no TEA destaca-se a importância de pesquisas adicionais para elucidar o mecanismo de ação, dosagem e avaliação dos efeitos a longo prazo visando garantir segurança e eficácia em seu uso.

Efficacy and Safety of Second-Generation Antipsychotics for Irritability Associated With Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review and Network Meta-Analysis

2026

Revisão de Literatura.

O uso de medicamentos no tratamento do TEA como a risperidona e aripiprazol reduzem a irritabilidade no autismo pediátrico, mas aumentam a sedação, a sonolência e o tremor.

3.1. Transtorno do Espectro Autista (TEA): Definição e Características Clínicas do TEA

O transtorno do espectro autista (TEA) é caracterizado por um neurodesenvolvimento que segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS-5) os critérios de diagnóstico envolvem: dificuldades na comunicação social; déficits na reciprocidade socioemocional, nos comportamentos comunicativos verbais e não-verbais, no desenvolvimento, manutenção e compreensão de relacionamentos. Além de padrões restritos e repetitivos de comportamento e interesse manifestado em pelo menos dois critérios: movimentos estereotipados ou repetitivos, adesão a rotina ou padrões rituais, interesse restritos e fixos; hiper ou hiperreatividade à estímulos sensoriais (HODIS; SAADABADI, 2025).

Esses sintomas incluem alterações sensoriais, como hipersensibilidade ou baixa responsividade a estímulos sonoros, táteis ou visuais. Essas alterações podem dificultar a adaptação do indivíduo a diferentes ambientes, como a escola ou locais públicos, interferindo diretamente em seu processo de aprendizagem e socialização (ROCHA et al., 2020).

As manifestações do TEA variam de indivíduo, porém relaciona como o desenvolvimento e a idade. O atraso é percebido em pelo menos uma das áreas seguintes: interação social, jogos simbólicos ou imaginários ou linguagem (SOARES et al., 2024). Ademais, é notório perceber que as crianças podem ter diferentes estímulos sensoriais como, resistência à dor, hipersensibilidade ao toque ou auditiva, entusiasmo aos estímulos visuais. Também apresenta dificuldade em vínculo social com amigos ou com parentes (FILHO et al., 2024).

Além disso, o TEA pode estar associado a comorbidades como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos de ansiedade, distúrbios do sono, epilepsia e déficits intelectuais, o que torna o diagnóstico e o tratamento ainda mais complexos (PEREIRA et al., 2021).

Diante desses aspectos, o TEA representa uma condição que afeta a criança e o adolescente na socialização e que pode influenciar o processo de aprendizagem ao longo da vida adulta. Nesse sentindo, as dificuldades e interações constantes com ambiente social como por exemplo a escola torna-se um obstáculo na aprendizagem e convivência (RESENDE; CAMPOS, 2024).

A prevalência do TEA tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que, em 2020, cerca de 1 em cada 44 crianças foi diagnosticada com TEA, o que representa um aumento expressivo em comparação com décadas anteriores (CDC, 2021). Esse crescimento pode ser atribuído a uma maior conscientização, aprimoramento dos critérios diagnósticos e melhores ferramentas de rastreamento.

Além disso, pesquisas têm demonstrado que prematuridade extrema e baixo peso ao nascer podem aumentar o risco de desenvolvimento de TEA. Contudo, é importante ressaltar que, até o momento, não há evidências científicas que sustentem a hipótese de que vacinas estejam relacionadas ao surgimento do transtorno (WHO, 2022).

Os fatores de risco associado ao desenvolvimento do TEA incluem exposição no período pré-natal à rubéola, gripe ou infecção do citomegalovírus durante a gestação; diabetes gestacional e obesidade materna; uso de inibidores de recaptação de serotonina, antidepressivos; antibióticos; exposição de substâncias de metais pesados, pesticidas (HODIS; SAADABADI, 2025).

Segundo Soares et al. (2024) reforça que os fatores como idade parenteral avançada, exposição fetal ao ácido valpróico contribuem para o desenvolvimento do TEA. Estimativas de fator genético variam de 37% até 90% para gestação gemelar. Desse modo, é evidente que o TEA se caracteriza por condições que interferem as atividades diárias e na qualidade de vida sendo necessário abordagem terapêuticas que reduzem esses comportamentos e promova melhoria ao seu redor.

3.2. Tratamento e Intervenções de Enfrentamento

Os tratamentos tradicionais para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) incluem, principalmente, intervenções farmacológicas para controle dos sintomas comportamentais, além de terapias comportamentais e psicopedagógicas. Entre os medicamentos, destacam-se os antipsicóticos atípicos, como a risperidona e o aripiprazol, que são aprovados para uso em crianças com TEA para o manejo da irritabilidade, agressividade e crises comportamentais. No entanto, esses fármacos apresentam efeitos colaterais relevantes, como ganho de peso, sedação excessiva e alterações metabólicas, que podem impactar negativamente a qualidade de vida dos pacientes (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2019).

Para Lopes et al. (2017) as duas medicações citadas reduzem significamente a irritabilidade, no entanto, deve ser monitorada pelos seus efeitos colaterais. Além dos medicamentos, as intervenções psicopedagógicas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das habilidades cognitivas e de aprendizagem da criança com TEA. Planos educacionais individualizados, com adaptações curriculares e apoio especializado, são importantes para garantir a inclusão e o desenvolvimento acadêmico desses alunos.

Soares et al. (2024) em seu estudo corrobora que o desenvolvimento de terapias estruturadas e com uma equipe multidisciplinar trazem melhorias para as crianças e adolescentes com TEA como, fonoaudiólogo, métodos para linguagem não verbal – Picture exchang e communications system (PECS) e Applied Behavior Analysis (ABA).

No estudo de Fiúsa e Azevedo (2023) ressalta que quanto mais cedo for realizada a intervenção, maior será aos ganhos ao longo da vida. Isso acontece pela neuroplasticidade em que o cérebro reorganiza e adapta-se as mudanças restabelecendo as respostas diante aos estímulos. É diante isso, destaca-se a ABA sendo um método eficaz e promissor pela redução dos comportamentos motores e verbais e sensorial melhorando a qualidade de vida.

Além dos antipsicóticos, outros medicamentos são usados para tratar comorbidades associadas ao TEA, como ansiolíticos, antidepressivos e estimulantes para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) (OLIVEIRA et al., 2024). Contudo, a eficácia dessas drogas varia e muitas vezes os efeitos colaterais limitam seu uso prolongado, especialmente em crianças e adolescentes. Essas limitações estimulam a busca por alternativas terapêuticas com melhor perfil de segurança, como o Canabidiol (CBD). verificou-se que o CBD pode ser um medicamento promissor no tratamento de sintomas associados a pessoas com autismo, como sintomas comportamentais, agitação, hiperatividade e dificuldades do sono, com melhoras reportadas que variaram entre 20 e 70% dos casos. (LIN et al., 2023).

3.3. O Uso de Canabidiol Como Coadjuvante no Manejo do TEA

O Canabidiol (CBD) é um dos principais compostos bioativos encontrados na planta Cannabis sativa. É classificado como um fitocanabinoide e, diferentemente de outras substâncias da mesma planta, como o tetrahidrocanabinol (THC), o CBD não possui efeitos psicoativos, ou seja, não provoca alterações cognitivas ou comportamentais relacionadas ao estado de consciência. O CBD apresenta um mecanismo de ação mais complexo e indireto, modulando os receptores canabinoides e interagindo com outros sistemas neuroquímicos, como os receptores de serotonina (5-HT1A) e adenosina (PAVEL et al., 2021).

Além disso, o CBD atua nos receptores serotoninérgicos 5-HT1A, relacionados ao controle da ansiedade e da regulação emocional, e nos canais TRPV1, que participam da modulação da dor e da inflamação. Tais interações explicam, em parte, os efeitos calmantes e ansiolíticos observados em diversos estudos clínicos (IFFLAND; GROTELOH, 2017).

O processo de extração do CBD geralmente envolve o uso de solventes como o etanol, o CO₂ supercrítico ou técnicas de destilação, com o objetivo de isolar o composto de outras substâncias presentes na planta. Após a extração, o CBD pode ser formulado em diferentes apresentações farmacêuticas, como óleos, cápsulas, sprays e soluções orais, o que facilita sua administração em diferentes populações, incluindo crianças (ANVISA, 2019).

As propriedades terapêuticas do CBD têm sido amplamente estudadas nos últimos anos. Pesquisas indicam que o composto possui ação ansiolítica, anticonvulsivante, anti-inflamatória, antipsicótica e neuroprotetora (IFFLAND; GROTELOH, 2017). Essas características têm despertado o interesse da comunidade científica para o uso do CBD em uma variedade de condições clínicas, incluindo epilepsia refratária, transtornos de ansiedade, esquizofrenia, distúrbios do sono e, mais recentemente, o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O CBD tem seus efeitos atuantes no sistema inibitórios e excitatórios do Sistema Nervoso Central (SNC), que por sua vez, reduz os níveis de neurotransmissores inibitórios (ácido gama-amino butírico – GABA), especialmente nas regiões corticais e subcorticais de indivíduos com TEA. Ademais, modula a atividade cerebral no córtex cerebral (LIN et al., 2023).

Do ponto de vista terapêutico, o CBD tem sido preferido para aplicações médicas justamente por sua ausência de efeitos psicoativos. Em muitos países, incluindo o Brasil, sua comercialização para fins medicinais foi regulamentada para tratamentos de condições neurológicas (ANVISA, 2019).

Além disso, alguns medicamentos disponíveis no mercado são produzidos com formulações purificadas de CBD, como o Epidiolex®, aprovado pelo FDA para o tratamento de epilepsia em síndromes específicas. Essa diferença regulatória reforça a distinção entre os dois compostos, sendo o CBD considerado seguro para uso pediátrico quando prescrito e monitorado adequadamente (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2019).

Outra vantagem do Canabidiol é a sua ação multifacetada no sistema nervoso, que inclui a modulação do sistema endocanabinoide e a interação com receptores serotoninérgicos e canais iônicos, o que pode levar a um efeito terapêutico mais amplo e menos focado apenas no alívio de sintomas isolados. Essa característica diferencia o CBD de medicamentos tradicionais que atuam em mecanismos específicos e podem causar mais efeitos adversos (IFFLAND; GROTELOH, 2017; PAVEL et al., 2021).

O crescente interesse pelo uso do Canabidiol (CBD) no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem motivado a realização de estudos clínicos e experimentais, com o objetivo de avaliar a eficácia e a segurança dessa substância em diferentes faixas etárias. Pesquisas iniciais apontam que o CBD pode atuar de forma positiva sobre sintomas como irritabilidade, agressividade, distúrbios do sono e ansiedade, que são frequentemente observados em indivíduos com TEA (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2019).

Barchel et al. (2019) realizaram um estudo retrospectivo com 60 crianças diagnosticadas com TEA, utilizando uma formulação de Cannabis rica em CBD e com baixo teor de THC, na proporção de 20:1. Os resultados mostraram que, após o tratamento, houve uma redução significativa nos episódios de agressividade, hiperatividade, crises de autoagressão e distúrbios de sono. Além disso, os pais relataram melhora na comunicação e no contato visual, aspectos fundamentais para o desenvolvimento social de crianças com TEA.

Outro estudo relevante foi conduzido por Fleury-Teixeira et al. (2019), com uma amostra de 18 crianças e adolescentes com diagnóstico de TEA, submetidos ao uso contínuo de CBD por um período de seis meses. Os autores observaram melhora significativa em sintomas como irritabilidade, agitação psicomotora e problemas relacionados ao sono. Além disso, os cuidadores relataram um aumento da interação social e redução dos comportamentos desafiadores durante o período de acompanhamento.

No estudo de Silva Júnior et al. (2024) demostra que o extrato de cannabis rico em CBD utilizado em 31 crianças como dose de seis a setenta gotas foi considerado seguro, destas apenas três crianças apresentaram sintomas leves como tontura, insônia e cólicas que corrobora com os demais estudos quanto aos efeitos colaterais. Evidencia melhora na interação social, ansiedade e comportamentos motores. Ressalta ainda, que menos em doses pequenas os efeitos de melhora foram observados principalmente na concentração, ansiedade e agitação psicomotora e os efeitos foram leves.

No estudo de Júnior et al. (2021) os benefícios do Canabidiol ao TEA incluem melhoras no sono, na ansiedade, na agitação psicomotora, na irritabilidade, na agressividade, na sensibilidade sensorial, na cognição, na atenção, na interação social e nas alterações de linguagem e na inquietação.

Entretanto, apesar das vantagens potenciais, o uso do Canabidiol ainda enfrenta desafios, principalmente devido à falta de ensaios clínicos amplos e padronizados que comprovem sua eficácia e segurança a longo prazo. Também há questões regulatórias e éticas a serem consideradas, especialmente na administração para crianças. Dessa forma, o CBD deve ser visto como uma terapia complementar ou alternativa que necessita de maior investigação antes de se tornar um tratamento de primeira linha para o TEA.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo sobre o uso do Canabidiol (CBD) na terapêutica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é de grande relevância, especialmente diante da crescente demanda por tratamentos alternativos que possam complementar ou, em alguns casos, substituir as abordagens farmacológicas tradicionais. O TEA é um transtorno complexo e multifacetado, que exige intervenções multidimensionais para manejo de seus diversos sintomas. Entretanto, muitas das opções terapêuticas atualmente disponíveis apresentam efeitos colaterais significativos ou têm eficácia limitada em certos pacientes, o que impulsiona a busca por novas alternativas terapêuticas.

O objetivo do artigo demonstra a relevância do uso do Canabidiol pode ajudar na redução da agressividade, da irritabilidade, das crises de ansiedade e na melhoria da qualidade do sono em indivíduos com TEA. Além disso, a qualidade de vida dos pacientes com TEA e de seus familiares pode ser significativamente impactada pelo manejo mais eficaz dos sintomas comportamentais e emocionais.

A possibilidade de redução das crises de agitação e melhora da interação social contribui diretamente para o bem-estar da criança e para a diminuição do estresse familiar. Tais aspectos reforçam a importância de explorar o potencial terapêutico do Canabidiol, especialmente considerando que muitos pacientes não respondem de forma satisfatória aos medicamentos convencionais, como antipsicóticos e estabilizadores de humor.

Ademais, o tema é atual e apresenta grande interesse social e científico, pois envolve questões relacionadas à qualidade de vida, inclusão social e direitos de acesso a tratamentos seguros e eficazes. A popularização do uso medicinal da Cannabis e seus derivados têm impulsionado mudanças na legislação de diversos países, incluindo o Brasil, ampliando as possibilidades de pesquisa e de acesso terapêutico ao Canabidiol. Essa conjuntura torna ainda mais urgente o aprofundamento de estudos que avaliem a eficácia, a segurança e os efeitos a longo prazo do uso do CBD em indivíduos com TEA.

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1 Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade de Medicina de Açailândia-FAMEAC/IDOMED Campus Maranhão E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade de Medicina de Açailândia- FAMEAC/IDOMED Campus Maranhão E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade de Medicina de Açailândia-FAMEAC/IDOMED Campus Maranhão E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade de Medicina de Açailândia -FAMEAC/IDOMED Campus Maranhão E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Orientadora do Curso Superior de Medicina da Faculdade de Medicina de Açailândia-FAMEAC/IDOMED Campus Maranhão E-mail:[clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail