TOPOFILIA COMO ELO DA SUSTENTABILIDADE: VÍNCULOS AFETIVOS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

TOPOPHILIA AS A LINK TO SUSTAINABILITY: AFFECTIVE BONDS AND ENVIRONMENTAL EDUCATION IN ENVIRONMENTAL CONSERVATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/788586314

RESUMO
O artigo busca analisar a topofilia como elemento central na relação afetiva entre pessoas e lugares, discutindo como esse vínculo influencia a sustentabilidade, a educação ambiental e a formação do pertencimento territorial. O estudo pretende demonstrar que o apego emocional ao ambiente é motor de práticas conservacionistas e de ética ecológica. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada em revisão sistemática da literatura. Foram selecionados estudos que articulam topofilia, educação ambiental crítica, sustentabilidade afetiva e práticas pedagógicas. A análise foi conduzida por meio de Análise Temática, permitindo identificar padrões conceituais relacionados ao vínculo pessoa-lugar. Os achados revelam que a topofilia atua como antídoto à alienação socioambiental, fortalecendo a consciência ecológica e motivando ações de cuidado. As evidências mostram que experiências sensoriais, memórias e vivências comunitárias reforçam o pertencimento e estimulam práticas sustentáveis. A Pedagogia do Lugar surge como estratégia efetiva para promover vínculos afetivos e integrar dimensões críticas, culturais e vivenciais da educação ambiental. Contudo, identifica-se o risco da “topofilia paroquial”, que restringe o cuidado ao local imediato. O estudo conclui que a topofilia constitui elo essencial entre afeto, educação e sustentabilidade. Quando articulada à educação ambiental crítica, converte pertencimento em responsabilidade ética, favorecendo uma “topofilia cosmopolita” capaz de unir cuidado local e consciência planetária.
Palavras-chave: Topofilia; Educação Ambiental; Pertencimento; Sustentabilidade; Pedagogia do Lugar.

ABSTRACT
This article analyzes topophilia as a central element in the affective relationship between people and places, discussing how this bond influences sustainability, environmental education, and the formation of a sense of territorial belonging. The study aims to demonstrate that emotional attachment to the environment drives conservationist practices and an ecological ethic. The research adopts a qualitative approach based on a systematic literature review. Studies linking topophilia, critical environmental education, affective sustainability, and pedagogical practices were selected. The analysis was conducted using Thematic Analysis, allowing for the identification of conceptual patterns related to the person-place bond. Findings reveal that topophilia acts as an antidote to socio-environmental alienation, strengthening ecological awareness and motivating acts of care. Evidence shows that sensory experiences, memories, and community life reinforce a sense of belonging and encourage sustainable practices. "Pedagogy of Place" emerges as an effective strategy for fostering affective bonds and integrating the critical, cultural, and experiential dimensions of environmental education. However, the study identifies the risk of "parochial topophilia," which limits care to the immediate local area. It concludes that topophilia constitutes an essential link between affect, education, and sustainability. When integrated with critical environmental education, it transforms a sense of belonging into ethical responsibility, fostering a "cosmopolitan topophilia" capable of uniting local care with planetary awareness.
Keywords: Topophilia; Environmental Education; Belonging; Sustainability; Pedagogy of Place.

1. INTRODUÇÃO

A topofilia surge como fenômeno central na compreensão das relações humanas com os ambientes que habitam, destacando-se como elemento sensível que transforma espaços físicos em lugares significativos. Ela revela a complexidade do apego afetivo, evidenciando como memórias, sensações e experiências se entrelaçam para conferir sentido e identidade aos territórios. O estudo da topofilia permite enxergar além da materialidade do espaço, compreendendo-o como construção cultural, emocional e simbólica que influencia práticas, hábitos e formas de habitar.

A topofilia atua como impulsionadora da sustentabilidade, uma vez que o vínculo afetivo com o lugar estimula comportamentos de cuidado e preservação ambiental. Quando as pessoas percebem o ambiente como extensão de si mesmas, suas ações ganham propósito ético e ecológico, fortalecendo a proteção dos ecossistemas. Esta relação afetiva constrói consciência crítica sobre o uso dos recursos naturais, promovendo a responsabilidade coletiva e a valorização dos territórios como patrimônios de vida.

A educação ambiental emerge como estratégia essencial para ensinar o pertencimento a um lugar, articulando o conhecimento, com a vivência sensível. Ao proporcionar experiências diretas com o ambiente, ela potencializa a percepção das qualidades estéticas, culturais e simbólicas do espaço, desenvolvendo sujeitos reflexivos e comprometidos com o agir responsável. A prática educativa transforma o entendimento do território em experiência pessoal, e segue consolidando o sentido de responsabilidade e conexão com o meio em que se insere.

A topofilia expressa, portanto, o vínculo afetivo entre pessoas e lugares, evidenciando como emoções, memórias e significados se entrelaçam na construção do pertencimento. Este laço além de definir a identidade espacial do indivíduo, apresenta vicissitudes que orientam atitudes éticas e comportamentos de cuidado. A intensidade da relação varia conforme a experiência sensorial, o contato cotidiano e a história vivida, revelando-se determinante para a valorização e conservação dos espaços habitados, e potencializa a percepção das qualidades estéticas, culturais e simbólicas, de uma local, que possui representatividade de pertencimento.

2. A TOPOFILIA E A CONSTRUÇÃO DO VÍNCULO COM O LUGAR

No estudo sobre a topofilia, evidencia-se que o vínculo afetivo com um lugar constitui uma das dimensões mais profundas da experiência humana. O termo, consagrado por Tuan (1974), designa o amor pelo lugar e “o vínculo afetivo entre as pessoas e o lugar ou o ambiente” (p. 4). Para o autor, o conceito de topofilia descreve um apego emocional ao espaço que ultrapassa qualquer percepção meramente utilitária do ambiente.

Este apego nasce de memórias pessoais, de práticas sensoriais, como: visão, tato, olfato e audição, bem como de rotinas cotidianas e de narrativas coletivas que transfiguram um espaço físico em um “lugar” impregnado de significados. A intensidade deste vínculo varia: manifesta-se como prazer estético fugaz diante de uma paisagem, como deleite tátil em um jardim ou como apego duradouro ao lar e à comunidade. Tais ligações afetivas orientam comportamentos, sustentam atitudes de cuidado e conservação ambiental, e explicam por que diferentes grupos valorizam e protegem determinados lugares de modos diversos.

O sentimento topofílico emerge da interação complexa entre afeto, percepção, memória e construção cultural do espaço. Tuan (1974), demonstra que o lugar ultrapassa a condição de localização física, configurando-se como entidade simbólica e emocional, edificada pela vivência encarnada no corpo e pela história inscrita na paisagem. Ao interiorizar este referencial, compreende-se que a topofilia não se reduz a simples sensação estética, ao contrário, constitui um modo de habitar o mundo, um regime existencial no qual o sujeito reconhece sua identidade e sua continuidade histórica.

A profundidade do vínculo com o lugar, decorre do modo como o indivíduo percebe e interpreta a paisagem em sua inteireza simbólica. Casey (1993) reforça esta compreensão, ao afirmar que o lugar funciona como arquivo de memória, orientando identidades individuais e coletivas. Na tradição antropológica, Ingold (2000) acrescenta que, habitar significa relacionar-se com a trama material e simbólica, que confere espessura ao território. Assim, constata-se que o vínculo topofílico nasce da inter-relação entre experiência, afeto e cultura, produzindo pertencimento e sentido.

A dimensão emocional e simbólica do espaço revela-se constitutiva deste vínculo, como demonstram pesquisas recentes no contexto amazônico. Oliveira (2019) evidencia que a construção do pertencimento ecológico, desenvolve-se a partir de vivências afetivas que fortalecem a identidade territorial. Seu estudo revela o quanto os moradores manifestam orgulho, por meio de memória partilhada, e senso de continuidade histórica, e envolvem-se de maneira mais intensa em ações de conservação ambiental. Neste sentido, observa-se que o enraizamento afetivo com o território, constitui força motivadora da prática socioecológica.

Na dimensão simbólica do lugar, verifica-se que memória, identidade e cultura estruturam a construção afetiva do espaço. Zeferino (2021) demonstra que narrativas orais, costumes, mitos e rituais inscritos no cotidiano das comunidades ribeirinhas, conferem densidade cultural ao território, atribuindo-lhe valor afetivo e convertendo a paisagem em depositária da memória coletiva. Seu estudo evidencia que a topofilia ultrapassa a afeição individual, configurando sentimento comunitário que resguarda modos de vida e expressa pertencimento ancestral.

Para Basquerote (2022), o pertencimento territorial consolida-se por meio da relação contínua entre práticas tradicionais, como pesca, manejo da terra, celebrações religiosas e a percepção de que a paisagem constitui extensão da identidade comunitária. Assim, observa-se que a topofilia emerge como forma de reconhecimento de si no mundo e como expressão sensível da territorialidade.

As pesquisas de Williams (2018), demonstram que práticas formativas, fundamentadas em vivências de campo, caminhadas ecológicas, diálogo com comunidades tradicionais e reconhecimento da biodiversidade, fortalecem o elo afetivo dos estudantes com a Amazônia, transformando o espaço em referência cultural e emocional. De modo singular, Puren, Roos, Coetzee (2018) evidencia que a experiência sensorial do ambiente, configura elemento estruturante para a formação ética, e afetiva do sujeito ecológico, ampliando sua consciência e sua responsabilidade ambiental.

Ademais, constata-se que manifestações topofílicas emergem tanto em contextos naturais quanto em dimensões culturais, ritualísticas e comunitárias. Hooks (2022), ao estudar o simbolismo dos nomes em assentamentos rurais, demonstra que a escolha toponímica expressa identidade, luta e pertencimento. De maneira semelhante, Porto (2014) comprova que, em comunidades extrativistas, a topofilia manifesta-se no manejo sustentável, nas narrativas coletivas e no reconhecimento da floresta como espaço de vida.

No âmbito da educação ambiental, experiências relatadas por Mora e Sales (2023) indicam que práticas pedagógicas realizadas em ambientes naturais intensificam o vínculo afetivo com o espaço, reafirmando a perspectiva de Tuan (1974) de que a experiência incorporada do lugar constitui a base da relação sujeito-ambiente. A vivência direta permite que estudantes apreendam a paisagem como território vivo e não como categoria abstrata, fortalecendo a sensibilidade ecológica.

Desta forma, a topofilia configura fenômeno multidimensional que abarca afeto, cultura, memória, identidade e experiência estética. Trata-se de categoria fundamental, para compreender como o ser humano atribui sentido ao lugar e como, a partir desta construção simbólica, desenvolve responsabilidade ética e pertencimento territorial. Assim, torna-se possível apreender as camadas subjetivas que constituem o vínculo afetivo com o lugar, e reconhecer a centralidade desta experiência na relação entre sociedade, cultura e ambiente.

3. EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SENTIMENTO DE PERTENCIMENTO

Ao examinar a história da educação ambiental no Brasil, constata-se que a institucionalização da temática, ocorre de modo decisivo com a promulgação da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), pela Lei n.º 9.795, de 27 de abril de 1999. Tal legislação consagra a educação ambiental como política pública, definindo-a como processo permanente, contínuo e interdisciplinar, destinado a todos os níveis e modalidades de ensino, cujo escopo consiste em sensibilizar, informar e formar cidadãos comprometidos com a sustentabilidade socioambiental.

Todavia, constata-se que o arcabouço jurídico, por si só, não garante uma educação ambiental transformadora. Neste sentido, analisa a emergência de uma educação ambiental crítica, cujos fundamentos se entrelaçam com o legado de Freire (1968) e Leff (2001). Em Freire (1968), a concepção de educação como prática da liberdade, como ato de consciência e de problematização da realidade, abre caminho para uma educação ambiental, que ultrapassa a transmissão de conteúdos técnicos ou comportamentais, e convoca os docentes a refletirem com criticidade sobre as estruturas socioambientais, que determinam e vulnerabilizam vidas e ecossistemas. Esta perspectiva instaura a possibilidade de uma educação emancipadora, na qual sujeitos historicamente subalternizados reconhecem-se como protagonistas da transformação social.

O pesquisador Leff (2001), por sua vez, amplia este horizonte ao situar a crise ambiental como expressão de uma crise civilizatória, marcada pela hegemonia de uma racionalidade econômica centrada no capital, na utilidade imediata e na exploração predatória da natureza, isto é, uma racionalidade ecológica, capaz de articular saberes científicos, tradicionais, culturais e territoriais, reconstruindo a relação entre sociedade e natureza em bases éticas, plurais e sustentáveis. Sob esta perspectiva, compreende-se que a educação ambiental crítica, se configura como uma estratégia de descolonização epistemológica, de valorização da diversidade de saberes, e de reestruturação das práticas socioculturais, que moldam a referência humana com a natureza.

Ao incorporar tais perspectivas, reconhece-se que a educação ambiental não pode restringir-se a práticas escolares meramente instrucionais, nem a campanhas pontuais de sensibilização. Esta educação ecológica, deve promover a formação de uma consciência histórica, ética e política que convide para a ação coletiva e para a transformação estrutural. No entanto, percebe-se que para a consolidação desta consciência, torna-se indispensável para a vivência sensível do ambiente, o envolvimento afetivo e o reconhecimento do lugar como espaço de vida, memória e identidade.

Nesta direção, Tuan (1974) argumenta que o vínculo afetivo entre pessoa e lugar, a topofilia, emerge da acumulação de experiências sensoriais, memórias, significados e valores atribuídos ao ambiente vivido. Este laço não se revela trivial: funda a identidade espacial do sujeito, desperta a sensibilidade das qualidades estéticas e simbólicas do ambiente, e alimenta valores e atitudes de cuidado e preservação. À luz desta perspectiva, compreende que: o sentir o lugar, converte o ambiente em território existencial, isto é, em espaço de pertencimento.

O olhar de Olliveira (2019), demonstra em sua pesquisa, que o vínculo afetivo com uma área de proteção ambiental, articula-se com mobilização social e ética ambiental. A estrutura desta análise, constitui-se na tríade: topofilia, mobilização e virtude. E comprova que o sentimento de pertença, motiva a defesa coletiva do território, fomenta a participação cidadã, e sustenta uma ética ambiental comprometida com a sustentabilidade, e com o dever de legado às futuras gerações. A medida em que Moura, Sales (2023), demonstram que aulas de campo estruturadas como trilhas interpretativas, favorecem a percepção estética e ecológica sobre a natureza, e estimulam o reconhecimento da biodiversidade e promovem o apego ao ambiente visitado. Por meio de roteiros orientados, informação contextualizada e experiência direta do ecossistema, os participantes tendem a desenvolver atitudes de valorização e cuidado, aproximando a educação ambiental do território vivido e convertendo o saber em sentimento de pertencimentoe responsabilidade.

A afetividade e a vivência sensível, se revelam essenciais para a formação de sujeitos ecológicos, comprometidos com o bem-estar socioambiental, e com a sustentabilidade das comunidades. A mobilização da sensibilidade, da memória e da emoção, por meio de caminhadas, observações, ações comunitárias, registros ambientais, cartografias mentais ou diálogos com moradores, propicia uma relação intensa e integradora com o ambiente, ultrapassando o âmbito cognitivo e alcançando o ético, o estético e o existencial.

Em consequência, o sentir o lugar, emerge como elemento estruturante da consciência ecológica. Quando o sujeito interioriza o ambiente como parte de si, como território de pertencimento e cuidado, deixa de concebê-lo como mero recurso explorável ou abstração distante, e passa a reconhecê-lo como lar, espaço de vida coletiva, herança e responsabilidade comum. Tal interiorização fomenta uma ética de cuidado que fundamenta atitudes sustentáveis, de preservação socioambiental.

A educação ambiental, aspira contribuir efetivamente para a sustentabilidade,e deve articular três dimensões fundamentais: (1) uma base crítica e emancipadora, inspirada em Freire (1968) e Leff (2001), (2) uma experiência vivencial e sensível, alicerçada na afetividade e no vínculo com o lugar, conforme os postulados da topofilia e (3) a articulação com contextos locais, urbanos, rurais, amazônicos, ribeirinhos ou comunitários, de modo a respeitar cultura, história, diversidade e modos de vida.

Reconhecer que o sentimento de pertencimento, constitui condição sem a qual, a educação ambiental realize seu potencial transformador. Quando, porém, se ancora na tríade crítica, vivencial e contextual, converte-se em instrumento de reescuta da natureza, de valorização dos territórios e de construção de comunidades comprometidas com a vida. Segundo Ribeiro (2009), é urgente uma redefinição da relação entre o ser humano e o ambiente, defendendo que para superar a crise socioambiental não bastam medidas técnicas ou pontuais, é necessário reformar a maneira de existir, de produzir e de viver, incorporando valores ecológicos a todos os níveis da vida social.

4. TOPOFILIA COMO ELO DA SUSTENTABILIDADE

Ao refletir sobre a sustentabilidade em uma perspectiva que ultrapassa o horizonte técnico-instrumental, percebo que se impõe reconhecer a centralidade das dimensões ética, estética e afetiva na relação entre seres humanos e ambiente. A sustentabilidade, quando compreendida apenas como manejo racional de recursos ou cumprimento de diretrizes normativas, revela-se insuficiente para responder a complexidade da crise civilizatória que vivemos.

Como afirmam Leff (2002), Freire (1996), em sua pedagogia emancipadora, a superação das contradições socioambientais exige a reconstrução de sentidos, valores, vínculos e modos de ser; exige, enfim, uma reorientação ética e cultural fundada na participação, no diálogo, na sensibilidade e na responsabilidade coletiva. Assim, ao aprofundar-se nestes fundamentos, reconhece-se que a ssustentabilidade para além da técnica, demanda a incorporação de experiências subjetivas, e vínculos afetivos que operam na constituição do sujeito ecológico.

Neste ponto, a topofilia oferece um eixo teórico e existencial decisivo. Tuan (1974), demonstra que o amor pelo lugar, a memória incorporada nos espaços, a experiência sensorial e estética da paisagem, estruturam o modo como se percebe e valoriza o ambiente. Este vínculo afetivo organiza representações, produz pertencimento e, sobretudo, motiva atitudes de cuidado e conservação. Assim, compreende-se que a sustentabilidade, quando nutrida pela topofilia, transforma-se em compromisso ético, e o cuidado não decorre apenas de normas, mas de relações afetivas com o lugar e com a comunidade que o habita.

Ao analisar este fenômeno em pesquisas contemporâneas, reconhe-se a consistência das evidências que indicam a topofilia como, promotora de práticas sustentáveis cotidianas. Berry, Jonsson, Elmenberg (2015) demonstram que o vínculo emocional com o ambiente, denominado conexão ambiental, fortalece a disposição para práticas de conservação, reduz comportamento de risco ambiental e favorece estilos de vida ecológicos.

Os autores argumentam que a topofilia cria uma gramática emocional capaz de orientar escolhas diárias, desde o uso da água até a mobilidade urbana, do manejo de resíduos até a proteção de áreas verdes. Ao debruçar-nos sobre estas conclusões, fica perceptível que o amor pelo lugar atua como motor interno das ações sustentáveis, conferindo-lhes coerência e continuidade.

Este entendimento adquire reforço, quando observa-se pesquisas que abordam a percepção ambiental, e a experiência vivida do espaço. O estudo de Braga (2024), determinam a forma como estudantes percebem e se relacionam com ambientes naturais urbanos. Para muitos, o igarapé do passarinho, localizado em uma via pública de Manaus, representava um espaço degradado e associado a topofobia, para outros, um espaço de memória e convivência, evocando topofilia. Este duplo movimento confirma que práticas de cuidado, só se enraízam quando o ambiente é internalizado como parte significativa da vida cotidiana.

Esta constatação intensifica-se com Oliveira (2019), a pesquisadora demonstra que a mobilização comunitária, pela preservação da área de proteção ambiental, nasce do entrelaçamento entre topofilia, identidade territorial e virtude cívica. Os moradores que expressavam forte pertencimento com a APA - Área de Proteção Ambiental, eram justamente aqueles que mais participavam de ações de conservação, monitoramento voluntário e reivindicação social. Ao apropriar-me destas conclusões, reconheço que a topofilia não é mero sentimento individual, ela constitui força coletiva que articula cidadania, memória e responsabilidade ecológica. Deste modo, reconheço que a relação entre pertencimento, responsabilidade ambiental e conservação, manifesta-se como eixo estruturante das pesquisas sobre topofilia. As pesquisas realizada por Duarte, Andrade, Souza e Santiago (2021) confirmam que o apego ao lugar está associado ao bem-estar subjetivo, ao fortalecimento da identidade e ao envolvimento ambiental. E demonstram que, seja em contextos urbanos, rurais ou naturais, o sentimento de pertencimentoemerge como fator preditivo de comportamentos ecológicos.

Compreende-se, então, que pertencer a um lugar não é apenas residir nele, mas reconhecer-se como parte integrante de sua história, cultura e paisagem. A partir desta internalização de filiação simbólica, a responsabilidade ambiental, não surge como imposição externa, mas como expressão de continuidade do vínculo afetivo.

A dimensão estética e simbólica desta integração, também se evidencia em estudos que analisam a construção cultural do lugar, onde Silva (2024), investiga a toponímia de assentamentos rurais, e percebe que o nome atribuído ao território reflete memória coletiva, afeto e luta social. Esta dimensão simbólica reforça a ideia de que a topofilia não se limita à beleza natural, mas incorpora valores, narrativas e identidades que vinculam o sujeito e a comunidade ao espaço. Ao reconhecer que o amor pelo lugar é força geradora de cuidado, entend-se que a topofilia constitui elo entre sensibilização ecológica, responsabilidade ambiental e práticas sustentáveis.

5. METODOLOGIA

Este estudo adota uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-analítico, operacionalizada mediante revisão sistemática da literatura. Odelineamento metodológico mostrou-se adequado para examinar conceitos subjetivos estruturantes como "afeto" e "pertencimento", essenciais para compreender a relação pessoa-ambiente (Rother, 2007). Esta abordagem permitiu sintetizar criticamente as contribuições acadêmicas nesta interface multidimensional entre topofilia e sustentabilidade.

Para a constituição do corpus documental, estabeleceram-se critérios sistemáticos de seleção baseados na pertinência temática aos eixos conceituais de topofilia, educação ambiental crítica e sustentabilidade afetiva. A curadoria priorizou investigações que articulavam, de forma explícita, a dimensão afetiva com práticas pedagógicas ou estratégias de conservação ambiental. Como critérios de exclusão, eliminaram-se abordagens estritamente técnicas ou economicistas da sustentabilidade, bem como estudos desprovidos de análises qualitativas sobre as dimensões simbólicas, culturais ou afetivas da relação ser humano-ambiente.

A seleção dos materiais foi conduzida por meio de buscas sistemáticas nas bases SciELO, Google Acadêmico, Portal de Periódicos CAPES e Repositório Institucional da UFAM. Utilizaram-se os descritores "topofilia", "educação ambiental crítica", "sustentabilidade afetiva" e "vínculo afetivo com o lugar", combinados de forma estratégica. Aplicaram-se como critérios de elegibilidade a articulação explícita entre afetividade e práticas educativas ou conservacionistas, excluindo-se estudos de viés exclusivamente técnico, economicista ou desprovidos de análise qualitativa da relação pessoa-lugar, garantindo assim a pertinência temática e consistência conceitual do corpus analítico.

O processo analítico seguiu os preceitos da Análise Temática (BRAUN; CLARKE, 2006), desenvolvido em três etapas sequenciais: leitura flutuante e imersiva no acervo bibliográfico, codificação e identificação de padrões temáticos, e refinamento crítico dos temas emergentes. Esta abordagem permitiu examinar as interconexões conceituais entre os construtos investigados.

A fundamentação teórica articula a geografia humanista (Tuan, 1980; Relph, 1976) com a educação ambiental crítica (Carvalho, 2012; Sauvé, 2005) e a Pedagogia do Lugar (Gruenewald, 2003). Esta síntese demonstra a topofilia como lente interpretativa para compreender motivações para conservação, superando modelos descontextualizados em favor de abordagens afetivamente significativas que integram afeto, educação e sustentabilidade.

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A presente seção sintetiza os principais achados teóricos da análise do referencial, organizando a discussão em torno da tríade afeto-educação-conservação para cumprir o objetivo de demonstrar como a topofilia pode se configurar como um agente transformador das práticas sustentáveis. A delimitação dos quatro eixos conceituais evidencia a complexidade e o potencial dialético da topofilia, fornecendo um substrato robusto para uma sustentabilidade afetiva.

6.1. Topofilia e Alienação Socioambiental

O primeiro eixo de resultados estabelece a topofilia como um antídoto psicológico e cultural fundamental à alienação socioambiental, um fenômeno catalisado pelos modos de vida modernos. A literatura é uníssona ao descrever esta alienação não apenas como "transtorno do déficit de natureza" (Louv, 2016), mas como uma ruptura epistemológica que transforma o "habitar" engajado em um "estar" distanciado no mundo (Ingold, 2000, p. 40). O ser humano é reposicionado como espectador externo, tornando o conceito de "meio ambiente" uma abstração desprovida de significado visceral.

O principal achado neste eixo é que o vínculo afetivo com um lugar concreto funciona como uma âncora de significado, sendo a base mais elementar para a ética ambiental (Tuan, 1980, p. 96).A luta pela preservação do "nosso rio", palco de memórias e fonte de sustento, é profunda e imediata, o que contrapõe a abstração da "biodiversidade" global. Essa premissa é corroborada por estudos etnográficos com comunidades amazônicas, nos quais a relação com o território transcende a dependência material, configurando um vínculo afetivo e identitário (Altman & Low, 1992).

A experiência ribeirinha, com a internalização do "humor das águas" desde a infância, na relação com o rio e as práticas cotidianas conformam identidade e cuidado, no qual o apego ambiental estrutura-se por tais experiências e conhecimentos ecológicos (Zacarias, 2021). Essa relação gera uma ética espacial onde o ambiente é extensão da própria existência, fundamentando a "conservação relacional" (Corrêa, 2021; Silva, 2018) como decorrência natural do apego.

O principal avanço é que a topofilia opera uma mudança de paradigma na motivação para a sustentabilidade. Ela transforma a relação de “poder sobre” para uma relação de “cuidado com o lugar”, alinhando-se à ética do cuidado (Tronto, 1993). Este sentimento de pertencimento converte a conservação de uma obrigação externa, frágil e dependente de fiscalização, em um ato significativo, identitário e resiliente.

Tabela 1. Topofilia versus Alienação Socioambiental

Dimensão

Alienação Socioambiental

Topofilia como Antídoto

Relação com a Natureza

Instrumental, utilitarista, de distância e dominação.

Relacional, de cuidado, de proximidade e mutualidade.

Percepção do Ambiente

Abstrato, genérico, homogeneizado ("o meio ambiente").

Concreto, singular, vivido (o MEU lugar).

Base para a Ação

Regras externas, medo de sanções, conformidade instrumental.

Responsabilidade interna, afeto, identidade e dever moral.

Resultado na Conservação

Conformidade frágil, dependente de fiscalização e custosa.

Engajamento autêntico, resiliente, duradouro e culturalmente enraizado.

Fonte: Elaboração das autoras, 2025.

A Tabela 1 sintetiza esta contraposição dialética, demonstrando como a topofilia transita a base da ação conservacionista da lógica da imposição para a lógica do apego e do dever moral. Esta transição conceptual é fundamental, pois, como afirma Chawla (2020, p. 632), "a experiência de valor e significado em um lugar precede e motiva o desejo de protegê-lo". Dessa forma, a topofilia consolida-se como um operador teórico-prático crucial para a efetividade das ações de conservação.

6.2. A Pedagogia do Lugar com Estratégia Instrumental

Se a topofilia estabelece a base motivacional, sua tradução instrumental e sua aplicação no campo da educação ambiental ocorrem por meio da Pedagogia do Lugar (Gruenewald, 2003). Esta abordagem se constitui como a estratégia primordial para o cultivo intencional do vínculo afetivo e é uma resposta epistemológica à "lógica desterritorializante" da educação ambiental convencional (Sato, 2018), buscando ressignificar as relações de pertencimento através da "multiplicidade de territorialidades" (Haesbaert, 2020).

As potencialidades pedagógicas para o engajamento são evidentes nas técnicas revisadas. Os Mapas Afetivos (Tuan, 1974; Santos, 2019) e as Biografias do Lugar demonstram eficácia ao capturarem as dimensões subjetivas da paisagem, estabelecendo uma base fenomenológica do vínculo. Paralelamente, as Narrativas Locais e Histórias Orais (Oliveira, 2021) atuam como tecnologias de transmissão intergeracional de saberes ambientais codificados em formatos afetivamente significativos. Estas práticas dialogam profundamente com o conceito de "conscientização" de Freire (2005), pois partem da "leitura de mundo" do educando para construir conhecimento crítico. O estudo de Costa (2018) ilustra que a investigação da degradação local forja identidades ecológicas e constrói um repertório emocional positivo, base para um compromisso ético de longo prazo.

É precisamente na interface entre afeto, educação e ação que a topofilia adquire sua dimensão radicalmente política. Em comunidades tradicionais, o vínculo com o território é coletivo, espiritual e constitutivo da identidade cultural. A conservação da diversidade biológica é, assim, indissociável da preservação da diversidade cultural (Leff, 2001). A pesquisa de Santos et al. (2020) evidencia que o êxito conservacionista deriva diretamente do vínculo ontológico com os ecossistemas, que são compreendidos como entidades ancestrais.

Desta forma, as ameaças ao território, como desmatamento e garimpo, adquirem uma dimensão ontológica que ultrapassa o dano ecológico (Escobar, 2014), configurando-se como ataques aos fundamentos existenciais e mnêmicos (memorias coletivas). Neste cenário de conflito, a defesa do "lugar amado" se converte em ato de justiça socioambiental, transformando a topofilia em motor de mobilização coletiva e resiliência cultural, conformando um campo de lutas onde conservação ambiental e reprodução cultural manifestam-se como faces de uma mesma realidade.

6.3. A Crítica da Geograficidade e o Desafio da Escala Ética

O exame das limitações e aporias fundamentais inerentes à Pedagogia do Lugar revela o risco mais citado e discutido na literatura, o da "topofilia paroquial" ou do "amor pelo quintal" (Tuan, 2012). Trata-se da possibilidade de o vínculo afetivo se restringir a um espaço excessivamente delimitado, podendo gerar uma ética ambiental fragmentada, marcada pela indiferença ou hostilidade em relação a problemas de outras comunidades ou a questões globais, como as mudanças climáticas.

Esta limitação manifesta-se no plano metodológico pelo risco de essentialização do "local" e pela "ilusão metodologizante" (Acselrad, 2018), onde a ênfase em técnicas participativas a exemplo dos Mapas Afetivos, conforme Santos, (2019); ou Investigação-Ação Comunitária, conforme Carvalho (2017) pode substituir a análise estrutural dos conflitos ambientais por práticas desprovidas de potencial transformador.

Para superar essas aporias, a discussão aponta a imperatividade de que a pedagogia do lugar incorpore a "crítica da geograficidade" (Souza, 2017), uma reflexão sistemática sobre como as espacialidades são produzidas através de conflitos e negociações políticas. Este é um desafio pedagógico central: evitar a reprodução de fundamentalismos identitários e promover a reflexão estrutural, garantindo que o potencial de fomentar o "inédito viável" (Freire, 2005) seja atingido. A topofilia paroquial, portanto, não é vista como uma falha fatal do conceito, mas sim como um desafio de escalabilidade ética que a Educação Ambiental crítica deve mediar.

6.4. Limitações e Superações: Da Topofilia Paroquial à Cosmopolita

O desafio pedagógico delineado no eixo anterior culmina no achado mais crucial para a aplicação da topofilia em um contexto de sustentabilidade global: a necessidade de fomentar a "topofilia cosmopolita" ou uma "ética do cuidado escalonável." O papel da educação ambiental crítica é justamente expandir o círculo de cuidado e de responsabilidade, utilizando o afeto pelo lugar de pertença como alicerce experiencial para uma cidadania planetária.

A principal limitação do conceito de topofilia é o risco de sua restrição a uma "topofilia paroquial", conforme adverte Tuan (2012). Esta manifestação limitada do vínculo afetivo pode gerar um "provincianismo ecológico", caracterizado pela indiferença em relação a problemas de outras comunidades ou questões ecossistêmicas mais amplas, comprometendo a formação de uma consciência planetária necessária para os desafios contemporâneos.

A análise revela que o risco da topofilia paroquial representa um desafio pedagógico central para a educação ambiental crítica. Conforme Chawla (2020), a experiência de valor local pode fundamentar uma "cidadania biocêntrica", exigindo o cultivo do "sentimento global de lugar" proposto por Massey (2004). O desafio culmina na construção de uma "topofilia cosmopolita", onde o afeto local serve de alicerce para uma cidadania planetária, mediante estratégias que conectam escalas locais e globais através de uma ponte cognitivo-afetiva na educação ambiental.

As experiências analisadas por Sauvé (2005) demonstram que é possível cultivar uma "lealdade em cascata", estendendo o cuidado do âmbito local para esferas mais amplas. No contexto do Antropoceno, conforme propõe Latour (2020), desenvolve-se assim uma "consciência terráquea", onde a topofilia educada converte-se em fundamento afetivo para o enfrentamento dos complexos desafios socioambientais do século XXI.

Tabela 2. Da Topofilia Paroquial à Cosmopolita: O Papel da Educação Ambiental

Dimensão Analítica

Topofilia Paroquial (Limitação)

Topofilia Cosmopolita (Superação)

Papel da Educação Ambiental

Escala de Cuidado

Restrita ao local imediato

Do local ao global, reconhecendo interdependências

Mediação crítica entre escalas

Relação com o Outro

Potencial indiferença

Solidariedade e reconhecimento

Diálogo intercultural

Compreensão de Problemas

Fragmentada e desconectada

Sistêmica e interconectada

Pedagogia das redes

Engajamento Político

Localismo defensivo

Ação multiescalar articulada

Formação para cidadania planetária

Fonte: Elaboração das autoras, 2025.

Em síntese, este estudo consolida a topofilia como fundamento essencial para uma sustentabilidade afetiva, demonstrando que o vínculo emocional com o lugar constitui base motivacional crucial para a conservação ambiental. A Educação Ambiental, através da Pedagogia do Lugar, articula pertencimento local com responsabilidade global, superando a "topofilia paroquial" mediante a "crítica da geograficidade" (Souza, 2017) para desenvolver uma "topofilia cosmopolita". Como agenda futura, propõe-se a criação de métricas para avaliar esta abordagem em contextos urbanos e investigar modelos de "conservação relacional" (Corrêa, 2021) em políticas públicas, reforçando o papel central da educação na construção de sociedades sustentáveis.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise desenvolvida ao longo deste estudo evidencia que a topofilia constitui um eixo teórico e vivencial fundamental para compreender as relações afetivas entre pessoas e lugares, destacando sua relevância na construção de identidades territoriais, na formação da consciência ecológica e na promoção da sustentabilidade. Demonstrou-se que o vínculo afetivo não é mero adorno subjetivo, mas força estruturante das práticas de conservação, capaz de transformar a percepção ambiental e orientar comportamentos éticos e responsáveis.

Os resultados confirmam que a educação ambiental crítica, quando articulada à Pedagogia do Lugar, potencializa esse vínculo ao integrar vivências sensíveis, saberes tradicionais, experiências estéticas e reflexão política. Assim, o pertencimento deixa de ser apenas reconhecimento emocional do espaço vivido para tornar-se fundamento de engajamento socioambiental e de defesa coletiva do território.

Reconhece-se, contudo, a necessidade de superar os limites da “topofilia paroquial”, ampliando o círculo de cuidado para uma ética que considere as interdependências globais. Nesse sentido, propõe-se o desenvolvimento de uma “topofilia cosmopolita”, capaz de conectar afeto local, consciência planetária e responsabilidade compartilhada.

Conclui-se que fortalecer o vínculo afetivo com o lugar constitui estratégia indispensável para enfrentar a crise socioambiental contemporânea. A topofilia, compreendida como elo entre afeto, educação e sustentabilidade, oferece um caminho potente para a construção de sociedades mais justas, sensíveis e comprometidas com a preservação da vida em todas as suas formas.

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1 Doutoranda em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia. Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Endereço: Manaus - AM, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Doutoranda em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia. Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Endereço: Manaus – Amazonas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Mestranda em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia. Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Endereço: Manaus – Amazonas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia. Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Endereço: Manaus – Amazonas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Doutora em Sociologia. Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Endereço: Manaus – Amazonas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail