TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL: ORIGEM, ELEMENTOS, PROCESSAMENTO E BENEFÍCIOS NO CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18111806


Isaac Tchifica Eliote1


RESUMO
O comércio internacional é um fenómeno económico que envolve a troca de bens e serviços entre países. O comércio internacional é um fenómeno complexo que remonta a milénios, mas suas teorias modernas começaram a se desenvolver a partir do século XVIII. A compreensão das origens das teorias do comércio internacional é fundamental para analisar as dinâmicas económicas globais contemporâneas. As teorias que o sustentam têm evoluído ao longo do tempo, reflectindo mudanças nas dinâmicas económicas globais. Este artigo aborda as principais teorias do comércio internacional, sua origem, elementos constitutivos, processamento e os benefícios que podem ser observados em diferentes horizontes temporais.
Palavras-chave: comércio, internacional, económica global, interdependência e trocas comerciais.

ABSTRACT
International trade is an economic phenomenon that involves the exchange of goods and services between countries. International trade is a complex phenomenon dating back to millennium, but its modern theories began to develop from the eighteenth century. Understanding the origins of international trade theories is fundamental to analyze contemporary global economic dynamics. The theories that support it have evolved over time, reflecting changes in global economic dynamics. This article addresses the main theories of international trade, its origin, constituent elements, processing and the benefits that can be observed in different temporal horizons.
Keywords: trade, international, global economic, interdependence and trade.

Metodologia

A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão sistemática da literatura, com foco em publicações académicas e relatórios de organizações internacionais entre 2020 e 2025. As fontes foram selecionadas com base em sua relevância e rigor científico, empregando bases de dados como Scopus, Web of Science e Google Scholar.

Fundamentação teórica

As teorias do comércio internacional surgiram no século XVIII, com a obra de economistas clássicos como Adam Smith e David Ricardo. Smith, em "A Riqueza das Nações" (1776), introduziu a ideia de vantagem absoluta, argumentando que um país deve se especializar na produção de bens que pode produzir de forma mais eficiente. Ricardo, por sua vez, desenvolveu a teoria da vantagem comparativa, que sugere que mesmo que um país seja menos eficiente na produção de todos os bens, ainda pode se beneficiar do comércio ao se especializar na produção de bens nos quais possui uma vantagem relativa (Ricardo, 1817).

No século XX, novas teorias emergiram, como a teoria Heckscher-Ohlin, que enfatiza a dotação de fatores de produção como determinante do comércio. Segundo esta teoria, países exportam bens que utilizam intensivamente os fatores de produção que possuem em abundância (Heckscher & Ohlin, 1933). Mais recentemente, a teoria da nova economia do comércio, proposta por Paul Krugman, introduziu a ideia de economias de escala e concorrência monopolística, explicando como as empresas podem se beneficiar do comércio internacional mesmo em mercados com produtos homogéneos (Krugman, 1979).

A teoria clássica do comércio internacional é frequentemente associada a Adam Smith e David Ricardo. Smith, em sua obra "A Riqueza das Nações" (1776), introduziu o conceito de vantagem absoluta, argumentando que um país deve se especializar na produção de bens que pode produzir de forma mais eficiente do que outros países. Ricardo, por sua vez, expandiu essa ideia com a teoria da vantagem comparativa, que sugere que mesmo que um país seja menos eficiente na produção de todos os bens, ainda pode se beneficiar do comércio ao se especializar na produção de bens nos quais possui uma vantagem relativa (Ricardo, 1817).

No século XX, as teorias do comércio internacional evoluíram com a introdução de novas abordagens. A teoria Heckscher-Ohlin, desenvolvida por Eli Heckscher e Bertil Ohlin, enfatiza a dotação de fatores de produção como determinante do comércio. Segundo essa teoria, os países exportam bens que utilizam intensivamente os fatores de produção que possuem em abundância e importam bens que utilizam fatores escassos (Heckscher & Ohlin, 1933). Esta abordagem foi fundamental para entender como as diferenças na dotação de recursos influenciam as trocas comerciais.

Com o avanço da globalização e a crescente interdependência económica, novas teorias começaram a surgir. A teoria do comércio intraindústria, proposta por Paul Krugman, destaca a importância das economias de escala e da diferenciação de produtos no comércio entre países desenvolvidos. Krugman argumenta que, em vez de se especializarem em produtos diferentes, os países podem se beneficiar do comércio ao exportar e importar produtos semelhantes, o que é comum em indústrias como a automobilística e a electrónica (Krugman, 1981).

Nos últimos anos, a literatura sobre comércio internacional tem se expandido para incluir questões relacionadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento. A teoria do comércio sustentável, por exemplo, busca integrar considerações ambientais e sociais nas análises comerciais. Segundo o relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) de 2021, o comércio pode ser uma ferramenta poderosa para promover o desenvolvimento sustentável, mas é necessário que as políticas comerciais sejam alinhadas com os objetivos de sustentabilidade (OMC, 2021).

Além disto, a pandemia de COVID-19 trouxe novos desafios e oportunidades para o

Comércio internacional. Estudos recentes indicam que a crise sanitária acelerou a digitalização do comércio e a adopção de novas tecnologias, como o comércio electrónico. De acordo com um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) de 2022, o comércio electrónico global cresceu significativamente durante a pandemia, destacando a necessidade de adaptar as teorias do comércio internacional às novas realidades digitais (UNCTAD, 2022).

A teoria do comércio digital, que emergiu como uma nova área de pesquisa, explora como as plataformas digitais e as tecnologias de informação estão transformando as dinâmicas comerciais. Esta teoria sugere que a digitalização não apenas facilita o comércio, mas também altera as estruturas de mercado e as relações de poder entre países e empresas (Baldwin, 2023).

Além das teorias económicas, é importante considerar as dimensões políticas e sociais do comércio internacional. A teoria da dependência, por exemplo, analisa como as relações comerciais podem perpetuar desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Segundo autores como Dos Santos (2020), as estruturas de poder no comércio internacional muitas vezes favorecem os países mais ricos, dificultando o desenvolvimento económico dos países em desenvolvimento.

A intersecção entre comércio internacional e questões sociais também é abordada na literatura contemporânea. A teoria do comércio inclusivo, proposta por autores como Stiglitz e Charlton (2021), enfatiza a importância de garantir que os benefícios do comércio sejam distribuídos de forma equitativa, promovendo a inclusão social e a redução da pobreza. Esta abordagem é especialmente relevante em um contexto global marcado por crescentes desigualdades.

Os elementos fundamentais do comércio internacional incluem a oferta e a demanda de bens e serviços, as políticas comerciais, as taxas de câmbio e os acordos comerciais. A oferta e a demanda são influenciadas por fatores como a renda, preferências dos consumidores e custos de produção. As políticas comerciais, que incluem tarifas, cotas e subsídios, podem afetar a competitividade dos produtos no mercado internacional (Baldwin & Evenett, 2020).

As taxas de câmbio desempenham um papel crucial, pois influenciam o preço relativo dos bens entre países. A volatilidade das taxas de câmbio pode impactar as decisões de exportação e importação, afetando a balança comercial de um país (Obstfeld & Rogoff, 2021). Além disto, os acordos comerciais, como tratados de livre comércio, podem facilitar ou restringir o comércio, dependendo das condições estabelecidas entre os países envolvidos (Baldwin, 2021).

A oferta e a demanda de bens e serviços: O comércio internacional é um fenómeno complexo que envolve a troca de bens e serviços entre países, influenciado por diversos fatores económicos, político e sociais. Entre estes fatores, a oferta e a demanda, as políticas comerciais e as taxas de câmbio desempenham papéis cruciais na determinação das dinâmicas do comércio global. A teoria da oferta e da demanda é fundamental para entender o funcionamento dos mercados. Segundo Mankiw (2020), a oferta refere-se à quantidade de um bem que os produtores estão dispostos a vender a diferentes preços, enquanto a demanda é a quantidade que os consumidores estão dispostos a comprar. No contexto do comércio internacional, a oferta e a demanda não são apenas influenciadas por fatores internos, mas também por condições globais. Por exemplo, a pandemia de COVID-19 alterou drasticamente a oferta e a demanda em muitos setores, levando a uma escassez de produtos e a um aumento nos preços (Baldwin & Tomiura, 2020).

A teoria da oferta e da demanda é um dos pilares fundamentais da economia, influenciando diretamente as dinâmicas do comércio internacional. A interacção entre a oferta de bens e serviços de um país e a demanda por estes produtos em mercados externos molda as relações comerciais globais, afetando desde a balança comercial até as políticas económicas de nações inteiras. A oferta refere-se à quantidade de um bem ou serviço que os produtores estão dispostos a vender a um determinado preço, enquanto a demanda é a quantidade que os consumidores estão dispostos a comprar. A interacção entre estes dois fatores determina o preço de mercado e a quantidade de bens trocados. No contexto do comércio internacional, essa interacção é complexificada por variáveis como tarifas, cotas, políticas cambiais e diferenças culturais.

De acordo com Krugman e Obstfeld (2020), a teoria do comércio internacional sugere que os países se especializam na produção de bens em que possuem uma vantagem comparativa, ou seja, a capacidade de produzir um bem a um custo relativamente menor do que outros países. Esta especialização é impulsionada pela demanda global, que pode variar significativamente entre diferentes regiões. Por exemplo, a crescente demanda por tecnologia e produtos electrónicos em mercados emergentes tem levado países como a China a expandir sua capacidade de produção, influenciando a oferta global desses produtos (Baldwin, 2021).

A pandemia de COVID-19, que começou em 2020, teve um impacto profundo nas cadeias de suprimento globais, alterando tanto a oferta quanto a demanda. Segundo um estudo de Bown (2022), as interrupções nas cadeias de suprimento resultaram em uma escassez de produtos essenciais, levando a um aumento nos preços e a uma reavaliação das estratégias de comércio internacional. A demanda por produtos médicos e equipamentos de protecção individual disparou, enquanto a oferta foi severamente restringida devido a lockdowns e restrições de transporte.

Além disso, a guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, teve repercussões significativas no comércio internacional, especialmente no que diz respeito à oferta de commodities. A Rússia e a Ucrânia são grandes exportadores de grãos e energia, e a interrupção dessas exportações resultou em um aumento acentuado nos preços globais de alimentos e energia. De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, 2023), a insegurança alimentar global aumentou como resultado destas interrupções, evidenciando como a oferta e a demanda estão interligadas em um contexto internacional.

A elasticidade - preço da demanda é outro conceito crucial a ser considerado. A elasticidade mede a sensibilidade da quantidade demandada em relação a mudanças no preço. Em mercados internacionais, a elasticidade pode variar significativamente entre diferentes produtos e regiões. Por exemplo, produtos de luxo tendem a ter uma demanda mais inelástica, enquanto bens de consumo básico podem apresentar uma demanda mais elástica. Esta diferença é fundamental para as estratégias de precificação e marketing das empresas que operam em mercados globais (Mankiw, 2021).

A oferta e a demanda também são influenciadas por fatores não económicos, como políticas governamentais e acordos comerciais. A assinatura de tratados de livre comércio pode facilitar o acesso a mercados externos, aumentando a demanda por produtos de um país e, consequentemente, sua oferta. Por exemplo, o Acordo Estados Unidos – México - Canadá (USMCA), implementado em 2020, alterou as dinâmicas de oferta e demanda na América do Norte, promovendo um aumento nas exportações e importações entre os três países (Caliendo & Parro, 2021).

Além disto, a digitalização e o comércio electrónico têm transformado a forma como a oferta e a demanda se manifestam no comércio internacional. A pandemia acelerou a adopção de plataformas digitais, permitindo que pequenas e médias empresas acessem mercados globais de forma mais eficiente. Segundo um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, 2023), o comércio electrónico global cresceu exponencialmente, alterando as dinâmicas tradicionais de oferta e demanda e permitindo que novos players entrem no mercado internacional.

Por fim, a sustentabilidade e as preocupações ambientais estão se tornando cada vez mais relevantes nas discussões sobre oferta e demanda no comércio internacional. A crescente demanda por produtos sustentáveis e éticos está forçando as empresas a reconsiderar suas cadeias de suprimento e práticas de produção. De acordo com Porter e Kramer (2024), as empresas que adoptam práticas sustentáveis não apenas atendem à demanda crescente por produtos éticos, mas também se posicionam melhor em um mercado global cada vez mais competitivo. A interacção entre oferta, demanda, políticas comerciais e taxas de câmbio é complexa e pode levar a resultados inesperados. Por exemplo, uma política comercial proteccionista pode reduzir a oferta de produtos importados, levando a um aumento nos preços e, consequentemente, a uma diminuição na demanda. Isso pode resultar em um ciclo vicioso que afecta negativamente a economia global. As flutuações nas taxas de câmbio podem exacerbar estes efeitos, tornando as previsões económicas ainda mais desafiadoras (Gopinath, 2023).

As políticas comerciais: As políticas comerciais são instrumentos utilizados pelos governos para regular o comércio internacional. Elas podem incluir tarifas, cotas, subsídios e regulamentações. As tarifas, por exemplo, são impostos sobre produtos importados que visam proteger a indústria local, mas também podem levar a retaliações e guerras comerciais (Baldwin & Evenett, 2022).

A recente guerra comercial entre os Estados Unidos e a China exemplifica como as políticas comerciais podem impactar as relações internacionais e a economia global. As políticas comerciais, que incluem tarifas, cotas e subsídios, são ferramentas que os governos utilizam para regular o comércio internacional. De acordo com Krugman e Obstfeld (2021), estas políticas podem proteger indústrias locais, mas também podem levar a retaliações e guerras comerciais. A recente guerra comercial entre os Estados Unidos e a China exemplifica como as políticas comerciais podem afetar a oferta e a demanda global. As tarifas impostas por ambos os países resultaram em aumentos de preços e mudanças nas cadeias de suprimento, impactando não apenas os países envolvidos, mas também economias em todo o mundo (Bown, 2022).

Além disto, as políticas comerciais podem ter impactos de longo prazo nas estruturas de oferta e demanda. Por exemplo, a implementação de acordos de livre comércio pode aumentar a concorrência e incentivar a inovação, resultando em uma oferta mais diversificada e eficiente (Felbermayr et al., 2021).

No entanto, estes acordos também podem levar à desindustrialização em setores menos competitivos, afetando a demanda por trabalho e, por extensão, a economia local. A liberalização do comércio, promovida por organizações como a Organização Mundial do Comércio (OMC), busca reduzir barreiras comerciais e facilitar o fluxo de bens e serviços. No entanto, a resistência a esta liberalização tem crescido, com muitos países adoptando políticas proteccionistas em resposta a crises económicas e pressões internas (Rodrik, 2023).

As taxas de câmbio: As taxas de câmbio são outro elemento crítico no comércio internacional, pois afetam o preço relativo dos bens entre diferentes países. A teoria da paridade do poder de compra sugere que, a longo prazo, as taxas de câmbio devem se ajustar para refletir as diferenças nos níveis de preços entre países (Taylor, 2023). No entanto, as taxas de câmbio podem ser voláteis e influenciadas por uma série de fatores, incluindo políticas monetárias, condições económicas e expectativas do mercado. A desvalorização de uma moeda pode tornar as exportações de um país mais competitivas, enquanto a valorização pode ter o efeito oposto (Obstfeld & Rogoff, 2022).

Um estudo recente de Auer e Schoenle (2022) analisou como as mudanças nas taxas de câmbio afetam a inflação e a demanda agregada. Os autores descobriram que a desvalorização da moeda pode levar a um aumento nos preços de bens importados, o que, por sua vez, pode reduzir o poder de compra dos consumidores e, consequentemente, a demanda agregada. Esta relação destaca a importância de considerar as taxas de câmbio ao formular políticas comerciais.

Os acordos comerciais: Os acordos internacionais desempenham um papel crucial no comércio global, estabelecendo regras e normas que governam as trocas entre países. Acordos como o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), agora substituído pelo Acordo Estados Unidos – México - Canadá (USMCA), e o Acordo de Parceria Transpacífico (TPP) são exemplos de como as nações buscam criar um ambiente comercial mais favorável (Baldwin, 2023).

Estes acordos não apenas facilitam o comércio, mas também abordam questões como direitos trabalhistas, protecção ambiental e propriedade intelectual, reflectindo a crescente interdependência das economias globais. A análise dos impactos desses acordos é essencial para entender as vantagens e desvantagens do comércio internacional.

O processamento do comércio internacional envolve a logística e a regulamentação que facilitam a troca de bens e serviços entre países. Isso inclui o transporte, a alfândega e a conformidade com normas internacionais. A globalização e o avanço tecnológico têm transformado a forma como o comércio é realizado, permitindo uma maior eficiência na cadeia de suprimentos (World Trade Organization, 2022).

A digitalização tem desempenhado um papel significativo neste processo, com o aumento do comércio electrónico e a utilização de plataformas digitais para facilitar transações internacionais. A pandemia de COVID-19 acelerou essa tendência, levando empresas a adoptarem soluções digitais para manter suas operações (UNCTAD, 2023).

Os benefícios do comércio internacional podem ser observados em diferentes horizontes temporais: curto, médio e longo prazo.

  1. Curto Prazo: No curto prazo, o comércio internacional pode levar a uma redução de preços para os consumidores, uma vez que a concorrência internacional tende a baixar os preços dos produtos. Além disto, a importação de bens pode atender a demandas específicas que não são supridas pela produção local (Krugman & Obstfeld, 2021).

  2. Médio Prazo: No médio prazo, o comércio internacional pode estimular o crescimento económico ao aumentar a eficiência produtiva. A especialização permite que os países se concentrem em setores onde possuem vantagens comparativas, resultando em uma alocação mais eficiente de recursos. Isso pode levar a um aumento do PIB e à criação de empregos em setores exportadores (Melitz, 2021).

  3. Longo Prazo: No longo prazo, os benefícios do comércio internacional incluem a transferência de tecnologia e conhecimento, que podem impulsionar a inovação e a competitividade. Países que se abrem ao comércio tendem a experimentar um crescimento mais robusto, uma vez que a exposição a mercados internacionais estimula a adopção de novas tecnologias e práticas de gestão (Rodrik, 2022). Além disso, o comércio pode contribuir para a redução da pobreza, uma vez que o crescimento económico gerado pode ser redistribuído para melhorar as condições de vida da população (Dollar & Kraay, 2023).

CONCLUSÕES

As teorias do comércio internacional oferecem uma base sólida para entender as dinâmicas do comércio global. Desde suas origens com economistas clássicos até as abordagens contemporâneas, estas teorias elucidam os fatores que influenciam o comércio entre nações. Os benefícios do comércio internacional, que se manifestam em diferentes horizontes temporais, destacam a utilidade de políticas que promovam a abertura comercial e a cooperação internacional. À medida que o mundo se torna cada vez mais interconectado, a compreensão dessas teorias e seus impactos se torna essencial para formuladores de políticas, empresas e cidadãos.

Em suma, as teorias do comércio internacional têm suas raízes em contribuições clássicas, mas evoluíram para incorporar novas realidades económicas, sociais e ambientais. A partir das ideias de Smith e Ricardo, passando pelas teorias de Heckscher-Ohlin e Krugman, até as abordagens contemporâneas que consideram a digitalização e a sustentabilidade, a compreensão do comércio internacional é um campo em constante evolução. As pesquisas recentes destacam a necessidade de adaptar as teorias existentes às novas dinâmicas globais, promovendo um comércio que não apenas impulsione o crescimento económico, mas também contribua para um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Os acordos internacionais desempenham um papel crucial no comércio global, estabelecendo regras e normas que governam as trocas entre países. Acordos como o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), agora substituído pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), e o Acordo de Parceria Transpacífico (TPP) são exemplos de como as nações buscam criar um ambiente comercial mais favorável (Baldwin, 2023).

Estes acordos não apenas facilitam o comércio, mas também abordam questões como direitos trabalhistas, protecção ambiental e propriedade intelectual, reflectindo a crescente interdependência das economias globais. A análise dos impactos desses acordos é essencial para entender as vantagens e desvantagens do comércio internacional. A análise do comércio internacional também deve considerar o papel das organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que busca promover um comércio livre e justo. A OMC desempenha um papel crucial na mediação de disputas comerciais e na promoção de políticas que favoreçam a liberalização do comércio (Baldwin, 2021).

No entanto, a eficácia da OMC tem sido questionada, especialmente em um mundo onde as tensões comerciais estão em alta. Em conclusão, a oferta e a demanda, as políticas comerciais e as taxas de câmbio são elementos interconectados que moldam o comércio internacional. A compreensão dessas interações é essencial para a formulação de políticas eficazes que promovam o crescimento económico e a estabilidade. À medida que o mundo continua a enfrentar desafios, como a pandemia de COVID-19 e as tensões geopolíticas, a análise destes fatores se torna ainda mais relevante. A literatura recente fornece uma base sólida para entender essas dinâmicas e suas implicações para o futuro do comércio global.

Em conclusão, a oferta e a demanda são elementos cruciais que moldam o comércio internacional. A interacção entre estes fatores é influenciada por uma variedade de elementos, incluindo políticas económicas, eventos globais e mudanças nas preferências dos consumidores. À medida que o mundo se torna mais interconectado, a compreensão destas dinâmicas se torna essencial para empresas e governos que buscam navegar no complexo cenário do comércio internacional.

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1 Auditor, consultor, pesquisador, gestor de empresas, docente universitário e doutorando em direito económico e de empresas, universidade internacional Iberoamericana, Calle 15 No. entre 10 y 12 - Colonia IMI III > Campeche - México - CP 24560, Tel. (+244) 923822760) [email protected] / [email protected] / [email protected]