STORYTELLING MULTIMÍDIA COMO POTENCIALIDADES PARA A ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
PDF: Clique aqui
REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18675844
Joana de Lourdes Evangelista1
RESUMO
Esta pesquisa aborda o uso do storytelling multimídia no processo de alfabetização na Educação Infantil, com ênfase na diferenciação entre letras imprensas (de fôrma/bastão) e cursivas (manuscritas), vogais e consoantes, maiúsculas e minúsculas. O estudo tem como objetivo analisar como narrativas multimodais podem favorecer a aprendizagem inicial da leitura e da escrita, promovendo maior engajamento, compreensão e retenção dos grafemas nesta etapa da educação. A metodologia adotada caracteriza-se como pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa, exploratória e aplicada, fundamentada na análise de livros e artigos científicos publicados em periódicos indexados em bases de dados reconhecidas como SciELO e Google Acadêmico. O referencial teórico dialoga com autores como Ohler, Stocchetti, Soares, Bortolazzo, Soares e Mara, e Vygotsky, abordando conceitos de storytelling multimídia educacional, multimodalidade, alfabetização e aprendizagem mediada por tecnologias. Espera- se evidenciar que o uso intencional de narrativas multimídia contribui para a discriminação visual, a motivação e a construção significativa do conhecimento. Conclui-se que o storytelling multimídia apresenta potencial pedagógico relevante para inovar práticas alfabetizadoras.
Palavras-chave: Storytelling Multimídia. Alfabetização. Educação Infantil. Multimodalidade. Grafemas. Tecnologias Educacionais.
ABSTRACT
This research addresses the use of multimedia storytelling in the literacy process in early childhood education, with an emphasis on the differentiation between printed (block/print) and cursive (handwritten) letters, vowels and consonants, uppercase and lowercase letters. The study aims to analyze how multimodal narratives can favor the initial learning of reading and writing, promoting greater engagement, comprehension, and retention of graphemes at this stage of education. The methodology adopted is characterized as bibliographic research, of a qualitative, exploratory and applied nature, based on the analysis of books and scientific articles published in journals indexed in recognized databases such as SciELO and Google Scholar. The theoretical framework engages with authors such as Ohler, Stocchetti, Soares, Bortolazzo, Soares and Mara, and Vygotsky, addressing concepts of educational multimedia storytelling, multimodality, literacy, and technology-mediated learning. It is expected to demonstrate that the intentional use of multimedia narratives contributes to visual discrimination, motivation, and the meaningful construction of knowledge. It is concluded that multimedia storytelling presents significant pedagogical potential for innovating literacy practices.
Keywords: Multimedia Storytelling. Literacy. Early Childhood Education. Multimodality. Graphemes. Educational Technologies.
1. INTRODUÇÃO
A alfabetização na Educação Infantil constitui um processo complexo que envolve dimensões cognitivas, linguísticas, afetivas e perceptivas, exigindo estratégias pedagógicas capazes de promover aprendizagens significativas. Nesse contexto, o uso do storytelling associado aos recursos multimídia tem se destacado como abordagem inovadora, ao articular narrativas, imagens, sons e interatividade para favorecer o engajamento e a compreensão dos conteúdos iniciais da linguagem escrita.
A relevância deste estudo reside na necessidade de ampliar práticas pedagógicas que auxiliem a diferenciação entre tipos de letras (imprensa ou de fôrma/bastão e cursivas ou manuscritas, vogais e consoantes, maiúsculas e minúsculas) aspecto recorrente no processo de alfabetização infantil. Justifica-se, ainda, pela escassez de investigações que explorem o storytelling multimídia como estratégia específica para o ensino de grafemas, alinhada às demandas da educação contemporânea.
O objetivo dessa pesquisa consiste em analisar como o storytelling, enquanto recurso de instrução multimídia, pode contribuir para a aprendizagem e diferenciação de grafemas na Educação Infantil, considerando perspectivas teóricas e pedagógicas relevantes. O estudo fundamenta-se em conceitos como storytelling educacional, multimodalidade, alfabetização e aprendizagem mediada, dialogando com teorias cognitivas e socioculturais.
A metodologia adotada nesse estudo caracteriza-se como pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa, exploratória e aplicada. Conforme Gil (2021), esse tipo de investigação permite compreender fenômenos educacionais a partir da análise sistemática de produções científicas, possibilitando a construção de um quadro teórico consistente e interpretativo sobre o tema estudado.
Foram consultadas obras acadêmicas, incluindo livros, artigos científicos publicados em periódicos, de autores como Ohler, Stocchetti, Soares, Bortolazzo, Soares e Mara, e Vygotsky. Os dados pesquisados são de natureza teórica e conceitual, envolvendo definições, modelos explicativos e evidências empíricas relacionadas ao storytelling multimídia, à multimodalidade e à alfabetização infantil.
Este estudo está organizado em três seções principais. A primeira corresponde à Introdução. A segunda seção contempla a Revisão da Literatura, abordando os fundamentos do storytelling educacional, o processo de alfabetização e a diferenciação de grafemas, bem como a interseção entre narrativas multimodais e instrução de letras. Em seguida, nas Considerações Finais, são sintetizados os principais achados teóricos, destacadas as contribuições do estudo e indicadas possibilidades para pesquisas futuras.
2. STORYTELLING E ALFABETIZAÇÃO: FUNDAMENTOS, DESAFIOS E ESTRATÉGIAS MULTIMODAIS
2.1. Storytelling na Educação: Fundamentos e Aplicações como Recurso Multimídia
Bortolazzo (2024) define o storytelling educacional como uma estratégia pedagógica que utiliza narrativas estruturadas para promover aprendizagens significativas, articulando cognição, emoção e contexto sociocultural. Nessa perspectiva, o storytelling ultrapassa o simples ato de contar histórias, assumindo uma dimensão didático-metodológica orientada à construção ativa do conhecimento e ao engajamento do aprendiz em situações de aprendizagem contextualizadas.
Segundo Stocchetti (2016) a origem do storytelling como prática pedagógica está relacionada às tradições orais e aos processos culturais de transmissão de saberes, os quais foram ressignificados no contexto educacional contemporâneo. Com a incorporação das tecnologias digitais, as narrativas passaram a assumir novas formas, ampliando suas possibilidades expressivas e seu potencial formativo em ambientes educacionais mediados por recursos multimídia.
De acordo com Ohler (2013) os elementos constituintes do storytelling educacional incluem enredo, personagens, conflito, moral e contexto, os quais devem ser organizados de maneira intencional para atender a objetivos pedagógicos específicos. A articulação desses elementos favorece a coerência narrativa e contribui para a compreensão dos conteúdos, especialmente quando associados a linguagens visuais, sonoras e interativas.
A estrutura narrativa proposta no storytelling educacional permite que o aprendiz atribua sentido ao conteúdo, relacionando-o às suas experiências prévias. Ao integrar personagens e conflitos, as narrativas criam situações-problema que estimulam a reflexão, a imaginação e a resolução de desafios, favorecendo processos cognitivos complexos e o desenvolvimento de habilidades interpretativas desde a Educação Infantil.
Vygotsky (2007) fundamenta a relevância do storytelling ao afirmar que a aprendizagem ocorre por meio da mediação simbólica e da interação social. As narrativas funcionam como instrumentos culturais que possibilitam a internalização de significados, promovendo o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores e reforçando a importância do contexto e da linguagem no processo educativo.
As práticas pedagógicas contextualizadas favorecem a aprendizagem da linguagem escrita, especialmente nos anos iniciais (Soares, 2017). Nesse sentido, o storytelling apresenta-se como alternativa metodológica capaz de superar abordagens mecânicas, ao integrar significado, função social da linguagem e participação ativa da criança no processo de alfabetização.
Ohler (2013) estabelece uma interface direta entre storytelling e teorias da aprendizagem, como o construtivismo e o cognitivismo, ao enfatizar o papel do aprendiz como sujeito ativo. As narrativas estimulam a construção do conhecimento a partir da resolução de conflitos narrativos, ao mesmo tempo em que reduzem a carga cognitiva ao organizar informações de forma significativa.
A multimodalidade constitui um dos principais diferenciais do storytelling como recurso educacional. A integração de imagens, sons, textos, gestos e elementos táteis amplia as possibilidades de representação do conhecimento, atendendo a diferentes estilos de aprendizagem e promovendo maior engajamento dos estudantes, especialmente no contexto da Educação Infantil.
O envolvimento emocional proporcionado pelas narrativas contribui significativamente para a fixação de conceitos (Bortolazzo, 2024). A identificação com personagens e situações narradas desperta empatia e curiosidade, fatores que potencializam a atenção, a memória e a motivação para aprender, elementos essenciais no processo de alfabetização inicial.
Soares e Mara (2024) apresentam evidências de aplicações bem-sucedidas do storytelling na Educação Infantil, demonstrando que o uso de histórias mediadas por recursos multimídia favorece a participação ativa das crianças. Os autores destacam ganhos no desenvolvimento da linguagem, na compreensão de conceitos e no interesse pelas atividades pedagógicas propostas.
O impacto das tecnologias emergentes no storytelling educacional, enfatizando o uso de aplicativos, animações e recursos interativos. Essas tecnologias permitem a personalização das narrativas, adequando-as às necessidades pedagógicas e ao ritmo de aprendizagem dos estudantes, ampliando o potencial inclusivo das práticas educativas (Stocchetti, 2016).
A personalização das narrativas possibilita que o storytelling seja direcionado a objetivos específicos, como a alfabetização e o reconhecimento de grafemas. Ao adaptar personagens, enredos e elementos multimodais, o professor pode enfatizar conteúdos específicos, tornando a aprendizagem mais significativa. A eficácia da estratégia depende do planejamento pedagógico, da intencionalidade didática e da mediação docente.
2.2. O Processo de Alfabetização e a Diferenciação de Grafemas
Soares (2017) concebe a alfabetização como um processo complexo que envolve a apropriação do sistema de escrita alfabética em articulação com práticas sociais de uso da linguagem. Na Educação Infantil, esse processo exige estratégias que respeitem o desenvolvimento cognitivo e perceptivo da criança, considerando que a aprendizagem das letras não se limita à memorização, mas envolve compreensão funcional e contextualizada.
O desenvolvimento cognitivo infantil ocorre por meio da interação social e da mediação simbólica, sendo a linguagem um instrumento central nesse processo (Vygotsky, 2007). No contexto da alfabetização, a mediação pedagógica é fundamental para apoiar a criança na construção de significados, especialmente quando enfrenta desafios relacionados à percepção, à atenção e à discriminação de símbolos gráficos.
O desenvolvimento perceptivo e cognitivo na Educação Infantil está diretamente relacionado às habilidades visomotoras, necessárias para o reconhecimento e a diferenciação de grafemas. A coordenação entre percepção visual e motricidade fina permite que a criança identifique formas, direções e traços, aspectos essenciais para distinguir letras semelhantes e avançar no processo de aquisição da escrita.
A discriminação visual de formas gráficas constitui uma das principais dificuldades iniciais da alfabetização. Letras com traços semelhantes, como “b” e “d” ou “p” e “q”, demandam intervenções pedagógicas sistemáticas que auxiliem a criança a perceber diferenças sutis, evitando abordagens exclusivamente repetitivas e descontextualizadas (Soares, 2017).
As dificuldades na distinção entre letras não devem ser interpretadas como falhas individuais, mas como parte do processo de desenvolvimento (Vygotsky, 2007). A atuação do professor, como mediador, torna-se essencial para criar situações de aprendizagem que favoreçam a superação dessas dificuldades por meio de interações significativas.
O ensino diferenciado de tipos de letras, como a letra imprensa e cursivas, constitui um debate recorrente na alfabetização. A escolha do tipo de letra a ser introduzido inicialmente envolve critérios pedagógicos relacionados à legibilidade, à simplicidade gráfica e à adequação ao estágio de desenvolvimento da criança.
Soares (2017) aponta que a letra imprensa tende a ser introduzida primeiro por apresentar formas mais simples e estáveis, facilitando o reconhecimento visual. Por outro lado, a letra cursiva é defendida por alguns autores como promotora da fluidez da escrita e da coordenação motora, exigindo, contudo, maior maturidade perceptiva e motora.
A sequência didática de introdução de letras geralmente prioriza vogais, seguidas de consoantes, bem como o uso inicial de letras maiúsculas. Essa progressão busca reduzir a complexidade cognitiva e apoiar a construção gradual do sistema alfabético, respeitando o ritmo de aprendizagem das crianças e suas capacidades perceptivas.
Soares (2017) destaca a estreita relação entre reconhecimento de letras e consciência fonológica, enfatizando que a identificação dos grafemas deve estar articulada aos sons da fala. Essa relação é fundamental para que a criança compreenda o princípio alfabético e avance na leitura e na escrita de forma significativa.
Os materiais didáticos tradicionalmente utilizados na alfabetização, como cartilhas e exercícios repetitivos, têm sido alvo de críticas por privilegiar a memorização mecânica. Embora possam contribuir para a fixação de formas gráficas, tais materiais frequentemente desconsideram o contexto, o significado e o engajamento da criança no processo de aprendizagem.
Ao criticar abordagens tradicionais que enfatizam a repetição em detrimento da contextualização significativa, Bortolazzo (2024) defende práticas pedagógicas que integrem emoção, narrativa e sentido, favorecendo aprendizagens mais profundas e alinhadas às necessidades cognitivas da infância.
2.3. Interseção Entre Storytelling e Instrução de Grafemas: Potenciais e Estratégias
Vygotsky (2007) compreende que a aprendizagem infantil ocorre por meio de mediações simbólicas, sendo a linguagem um instrumento central do desenvolvimento cognitivo. Nesse sentido, o storytelling possibilita a personificação das letras, transformando grafemas em elementos culturalmente significativos. Essa estratégia favorece a internalização de conceitos abstratos, pois atribui sentido social às letras e amplia as possibilidades de compreensão no processo inicial de alfabetização na educação infantil.
A personificação de letras por meio de narrativas pedagógicas contribui para que a criança estabeleça vínculos afetivos com os grafemas, percebendo-os como personagens dotados de identidade e função. Essa abordagem rompe com a lógica mecânica de memorização, estimulando a curiosidade, a imaginação e o envolvimento ativo, elementos essenciais para a consolidação da aprendizagem e para a superação de dificuldades recorrentes no reconhecimento das letras.
Bortolazzo (2024) destaca que narrativas educativas bem estruturadas favorecem aprendizagens significativas ao integrar emoção, cognição e contexto. Quando aplicadas à alfabetização, essas narrativas permitem associar letras a histórias, ações e características específicas, facilitando a retenção mnêmica. A atribuição de personalidades às letras amplia a compreensão funcional dos grafemas e fortalece o engajamento das crianças no processo de aprendizagem.
A organização de vogais e consoantes em “famílias” narrativas constitui uma estratégia didática eficaz para evidenciar diferenças e semelhanças entre grafemas. Ao inserir letras em grupos com funções específicas dentro de uma história, o professor cria estruturas cognitivas que auxiliam a criança a categorizar informações, promovendo maior clareza conceitual e reduzindo confusões frequentes durante o processo de alfabetização inicial.
Ohler (2013) argumenta que o uso de analogias e metáforas no storytelling educacional potencializa a compreensão de conceitos abstratos. No ensino das letras, metáforas narrativas podem ser utilizadas para diferenciar maiúsculas e minúsculas, atribuindo-lhes papéis simbólicos distintos. Essa estratégia facilita a discriminação visual e conceitual, tornando o aprendizado mais acessível e significativo para crianças pequenas.
O impacto motivacional das narrativas no processo de alfabetização é amplamente reconhecido. Histórias envolventes despertam interesse e curiosidade, elementos que favorecem a atenção sustentada e a participação ativa. Quando as letras são apresentadas em contextos narrativos, a aprendizagem deixa de ser fragmentada, passando a integrar experiências lúdicas que reforçam a memória e o prazer em aprender.
Soares e Mara (2024) evidenciam que o storytelling, quando utilizado na Educação Infantil, contribui para o aumento do engajamento e da motivação das crianças. Os autores destacam que narrativas mediadas por recursos multimídia favorecem a participação ativa, estimulam a linguagem oral e ampliam a compreensão dos conteúdos, incluindo o reconhecimento e a diferenciação de letras no processo de alfabetização.
O design instrucional orientado por narrativas constitui um elemento central na diferenciação visual de grafemas. A estruturação de enredos que enfatizam contrastes entre letras imprensas e cursivas permite destacar características gráficas específicas, auxiliando a criança a perceber diferenças formais. Essa abordagem contribui para a organização cognitiva das informações e para a consolidação do reconhecimento visual.
Ohler (2013) ressalta que a integração de pistas multimodais potencializa o efeito do storytelling educacional. Elementos sonoros, gestuais e cromáticos, quando associados às letras em narrativas, ampliam os canais de percepção e favorecem múltiplas formas de representação do conhecimento. Essa integração atende a diferentes estilos de aprendizagem e fortalece o processo de alfabetização.
O uso de cores específicas para diferenciar grafemas, aliado a gestos e sons característicos, contribui para a construção de associações mentais duradouras. Essas pistas multimodais auxiliam a criança a identificar padrões visuais e sonoros, reduzindo erros de confusão entre letras semelhantes e promovendo maior segurança no reconhecimento e na utilização dos grafemas.
Stocchetti (2016) enfatiza que o storytelling educacional deve ser planejado à luz de princípios pedagógicos consistentes. A aplicação dos princípios do Design Universal para a Aprendizagem (UDL) ao storytelling permite criar narrativas acessíveis, flexíveis e inclusivas, capazes de atender às diferentes necessidades e ritmos de aprendizagem das crianças no processo de alfabetização.
A adoção do Design Universal para a Aprendizagem no storytelling favorece a diversificação de estratégias, materiais e formas de engajamento. Ao oferecer múltiplos meios de representação e expressão, o professor amplia as possibilidades de participação e aprendizagem, garantindo que todas as crianças tenham acesso significativo ao conteúdo, independentemente de suas diferenças individuais ou estilos cognitivos.
Soares (2017) contribui ao destacar que práticas pedagógicas contextualizadas são mais eficazes do que abordagens baseadas exclusivamente na repetição. Nesse sentido, o storytelling multimídia surge como alternativa metodológica inovadora, capaz de articular significado, função social da escrita e desenvolvimento da consciência fonológica, aspectos fundamentais para a alfabetização significativa.
As evidências empíricas sobre o uso do storytelling na diferenciação de grafemas ainda são incipientes. Estudos de caso e investigações experimentais apontam resultados promissores, mas revelam limitações metodológicas, como amostras reduzidas e ausência de acompanhamento longitudinal. Tais lacunas indicam a necessidade de pesquisas mais robustas e sistemáticas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo teve como objetivo analisar como o storytelling, enquanto recurso de instrução multimídia, pode contribuir para a aprendizagem e a diferenciação de grafemas na Educação Infantil. A revisão da literatura evidenciou que narrativas multimodais, quando planejadas pedagogicamente, favorecem a motivação, a discriminação visual, a retenção mnêmica e a compreensão funcional das letras, tornando o processo de alfabetização mais significativo.
Conclui-se que o storytelling apresenta potencial relevante para inovar práticas alfabetizadoras, ao integrar elementos narrativos, cognitivos e tecnológicos de forma contextualizada. O estudo aponta a necessidade de ampliar investigações empíricas que avaliem a eficácia dessas estratégias em diferentes contextos educacionais. Recomenda-se, portanto, o desenvolvimento de pesquisas aplicadas e experimentais que aprofundem o uso de narrativas multimídia customizadas no ensino inicial da leitura e da escrita.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bortolazzo, S. F. (2024). Storytelling: entre usos, benefícios e aprendizagens. Ensino em Re- Vista, 31(Contínua), 1-24. DOI: https://doi.org/10.14393/ER-v31e2024-33
Gil, A. C. (2021). Como fazer pesquisa qualitativa. São Paulo, SP: Atlas.
Ohler, J. B. (2013). Digital storytelling in the classroom: New media pathways to literacy, learning, and creativity (2nd ed.). Thousand Oaks, CA: Corwin Press.
Soares, G. C. A.; & Mara, A. L. de B. (2024). A ferramenta Storytelling como estratégia no processo de ensino e aprendizagem na educação infantil. Revista Inteligência Empresarial, 49(1), 1-16. Disponível em: https://inteligenciaempresarial.emnuvens.com.br/rie/article/view/142. Acesso em: 16 de janeiro de 2026.
Soares, M. (2017). Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo, SP: Editora Contexto. Stocchetti, M. (Ed.). (2016). Storytelling and education in the digital age: Experiences and criticisms. Bern: Peter Lang.
Vygotsky, L. S. (2007). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo, SP: Martins Fontes.
1 Graduada em Pedagogia. Especialista em Educação Inclusiva. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail [email protected].