REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778203861
RESUMO
O objetivo deste estudo é identificar os fatores que influenciam a ocorrência de suicídio em populações indígenas, faixa etária de risco e estados com maior frequência, bem como as estratégias preventivas para diminuir sua incidência. Utilizando a metodologia de Revisão Integrativa de Literatura, foram analisados 57 estudos por meio das principais bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde, National Library of Medicine, a Scientific Electronic Library Online, a partir da associação (AND) entre os Descritores em Ciências da Saúde em inglês, Suicide, "Indigenous People" e Brazil. Aplicando-se os critérios de inclusão e exclusão, 29 artigos constituíram a amostra final. Os resultados revelam que a marginalização social, a desestruturação familiar, a perda da identidade cultural, o consumo de álcool e invasão de territórios são fatores que aumentaram o risco de suicídio, reforçando a importância de políticas de saúde adaptadas à realidade indígena. Foi observado que a faixa etária mais afetada inclui jovens de 10 a 34 anos, especialmente em regiões como Mato Grosso do Sul e Amazonas. Ademais, como estratégias preventivas destaque para a integração de práticas culturais nas políticas de saúde mental e o fortalecimento de redes de apoio comunitário. Diante disso, torna-se evidente que é necessário adotar uma abordagem culturalmente sensível e adaptada às especificidades das comunidades indígenas, considerando suas tradições e valores. As políticas de saúde mental no Brasil devem ser reformuladas para integrar essas realidades, respeitando a autonomia dos povos indígenas na construção de soluções para o problema.
Palavras-chave: Suicídio indígena; Identidade cultural; Saúde pública.
ABSTRACT
The objective of this study is to identify the factors that influence the occurrence of suicide in indigenous populations, the age group at risk and states with the highest frequency, as well as preventive strategies to reduce its incidence. Using the Integrative Literature Review methodology, 57 studies were analyzed through the main databases: Virtual Health Library, National Library of Medicine, the Scientific Electronic Library Online, based on the association (AND) between the Descriptors in Health Sciences Health in English, Suicide, "Indigenous People" and Brazil. Applying the inclusion and exclusion criteria, 29 articles constituted the final sample. The results reveal that social marginalization, family disruption, loss of cultural identity, alcohol consumption and invasion of territories are factors that increased the risk of suicide, reinforcing the importance of health policies adapted to the indigenous reality. It was observed that the most affected age group includes young people aged 10 to 34, especially in regions such as Mato Grosso do Sul and Amazonas. Furthermore, as preventive strategies, emphasis is placed on the integration of cultural practices into mental health policies and the strengthening of community support networks. Given this, it becomes clear that it is necessary to adopt a culturally sensitive approach adapted to the specificities of indigenous communities, considering their traditions and values. Mental health policies in Brazil must be reformulated to integrate these realities, respecting the autonomy of indigenous peoples in building solutions to the problem.
Keywords: Indigenous suicide; Cultural identity; Public health.
INTRODUÇÃO
O suicídio é um fenômeno, que ao longo da história da humanidade, tem afetado todas as culturas. Trata-se de um ato executado pelo próprio indivíduo de forma consciente e intencional e tem como objetivo cessar com a vida. Está intimamente relacionado com o adoecimento mental que pode ter causas diversas. Apesar de não ser um assunto novo, ainda é um tabu na sociedade, pois vai de encontro com várias crenças religiosas (André, 2017).
O suicídio em povos indígenas é uma questão alarmante de saúde pública que tem apresentado uma crescente nas últimas décadas. Estes povos que são habitantes originários do território brasileiro viviam aqui antes da chegada dos colonizadores. Existem atualmente cerca de 1,7 milhão de indígenas autodeclarados no Brasil, de acordo com dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023).
A taxa de suicídio entre indígenas é mais que o dobro da observada na população brasileira. E tem afetado sobretudo a faixa etária de 15 aos 24 anos (Araújo et al., 2023). Não há como confirmar que o contato com a sociedade não nativa seja o fator determinante para este evento. No entanto tem-se observado que a precariedade na comunidade indígena tornou-se evidente após contato com os não indígenas e este fato parece contribuir com a crescente taxa de suicídio nestes povos.
Neste sentido, há fatores que influenciam o aumento da taxa de suicídio entre os povos nativos. Dentre eles pode-se citar aspectos culturais e conflitos geracionais e familiares devido modos de interpretação distintos do que seria um comportamento adequado às tradições (Coloma, 2010). Ainda de acordo com o autor, o rompimento com os laços culturais e as dificuldades de adaptação às mudanças impostas pelo contato com outros povos gera um sentimento de desamparo, causando vulnerabilidade social e psicológica com um ambiente propício para o surgimento de doenças mentais que podem culminar com o suicídio. O abuso de álcool e drogas também reflete de forma negativa no modo de vida e na saúde mental destes indivíduos.
É possível observar que esforços têm sido feitos para tentar reduzir a dificuldade de acesso à saúde dos indígenas. No âmbito de Sistema Único de Saúde (SUS) foram criados o Subsistema de Saúde Indígena (SASI) e a Política de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) como estratégias para contemplar a diversidade cultural e as particularidades epidemiológicas e logísticas destes povos, garantindo o cuidado integral dos usuários. (Mendes et al., 2018).
Pesquisas recentes sugerem que o aumento das taxas de suicídio entre povos indígenas no Brasil está profundamente ligado a questões de desestruturação comunitária e perda de identidade cultural. Conforme Silva, Palha Junior e Feitosa (2019), a marginalização e a perda de território, aliadas à exclusão das práticas de saúde tradicionais, têm resultado em desafios significativos para a saúde mental dessas populações. Esses estudos indicam que os jovens indígenas, em particular, enfrentam um conflito de identidade, muitas vezes sem espaço para manter suas tradições enquanto são excluídos do "mundo branco".
O objetivo deste estudo é identificar os fatores que influenciam a ocorrência de suicídio em populações indígenas, faixa etária de risco e estados com maior frequência, bem como as estratégias preventivas para diminuir sua incidência. A importância deste artigo é justificada pela preocupação diante das crescentes taxas de suicídios nestes povos.
Sendo assim, deve-se ter maior atenção para formulação de políticas públicas que contemplem a prevenção deste fenômeno nesta população, considerando suas particularidades, identidade e crenças para garantir um acesso integral à saúde. Para isto é crucial assegurar que as tradições e as perspectivas dos povos nativos sejam incorporadas nas estratégias de prevenção ao suicídio.
MÉTODO
Para a elaboração do presente artigo, adotou-se a metodologia descrita por Dantas et al. (2021), que apresenta um modelo sistematizado do método científico para a elaboração de uma Revisão Integrativa de Literatura (RIL). A RIL é uma ferramenta amplamente utilizada para compilar e sintetizar o conhecimento existente sobre determinado tema, garantindo rigor científico e confiabilidade nas conclusões. Esse método permite a análise detalhada de estudos prévios, visando proporcionar uma visão abrangente sobre o tema investigado.
A condução desta pesquisa seguiu as seguintes etapas preconizadas pelos autores supracitados: 1) identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa; 2) amostragem ou busca na literatura; 3) extração de dados ou categorização; 4) análise crítica dos estudos incluídos; e 5) interpretação de dados; 6) apresentação da revisão integrativa.
Inicialmente, referente à identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa foram formuladas as seguintes questões direcionadoras: "Quais os fatores que influenciam a ocorrência de suicídio em populações indígenas?; Quais estratégias preventivas podem ser implementadas para diminuir a incidência do suicídio nas populações indígenas? ; Em qual faixa etária há maior prevalência do suicídio nesta população?; Em quais estados do Brasil isto é mais recorrente?”.
Posteriormente, a busca por artigos científicos foi realizada nas seguintes bases de dados eletrônicas: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), National Library of Medicine (PubMed) e a Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) combinados <<“Indigenous Peoples” AND Suicide AND Brazil>>, resultando em uma amostra inicial de 57 artigos.
A análise dos estudos ocorreu nos meses de agosto e setembro de 2024, resultando na seleção final descrita na figura 1, que detalha os critérios de inclusão e exclusão de forma clara e objetiva. A importância dos artigos foi classificada com base na abrangência e especificidade, desconsiderando duplicatas das bases de dados e eliminando estudos que não respondiam diretamente às questões direcionadoras e que não correspondessem aos idiomas: português e inglês. Após esse processo, uma amostra final de 29 artigos foi selecionada para o estudo.
Figura 1: Fluxograma de seleção dos estudos
Em relação à extração de dados ou categorização foram utilizados os seguintes delimitadores: fatores de risco que incluem gênero, faixa etária, fatores culturais, alcoolismo e aspectos financeiros; além de considerar os estados onde foram feitos os estudos; como também faixa etária e taxa de suicídio foram fatores avaliados na pesquisa.
Ademais, foi realizada a análise crítica dos estudos avaliados na pesquisa com base em literaturas diversas que tenham relevância sobre o tema. Referente à interpretação de dados baseou-se na incidência do conteúdo e nas características presentes nos estudos selecionados. Concluindo, foi apresentada a síntese das evidências desta revisão integrativa.
RESULTADOS
No quadro 1, verifica-se que os autores Orellana e Souza são os que mais dissertam sobre o assunto, e os periódicos mais prevalentes que abordaram a temática são as revistas: Brazilian Journal Of Psychiatry, Cadernos de Saúde Pública, Revista Colombiana de Psiquiatria, e Saúde e Sociedade, cada um com percentual de 10,7%.
Quadro 1: Caracterização geral dos artigos selecionados para compor a RIL.
Autores (Ano) | Título | Idioma | Periódico | Tipo de Estudo |
Adsuara et al. (2019) | Nas fronteiras dos impactos expansionistas do capital sobre a saúde dos povos indígenas no Brasil: questões para a compreensão do suicídio. | Português | Saúde em Redes | Revisão Sistemática |
Almeida et al. (2024) | Challenges and Concerns in Assisting Indigenous People with Suicide Attempts | Inglês | Integrative Psychological and Behavioral Science | Estudo de campo |
Azuero et al. (2017) | Suicide in the Indigenous Population of Latin America: A Systematic Review | Inglês | Revista colombiana de psiquiatria | Revisão Sistemática |
Baniwa e Calegare (2024) | Fatores explicativos do suicídio pela visão indígena: uma revisão de literatura | Inglês | Estudos de Psicologia (Campinas) | Revisão de Literatura |
Braga et al. (2020) | Suicide in indigenous and non-indigenous population: a contribution to health management. | Inglês | Revista Brasileira de Enfermagem | Epidemiológico e descritivo |
Castelo Branco e De Vargas. (2023) | Alcohol use patterns and associated variables among the Karipuna indigenous people in the extreme Northern Brazilian Amazon. | Inglês | Journal of Ethnicity in Substance Abuse | Pesquisa de campo |
Coloma, Hoffman e Crosby. (2006) | Suicide among Guaraní Kaiowá and Nandeva youth in Mato Grosso do Sul, Brazil | Inglês | Archives of Suicide Research | Epidemiológico e descritivo |
Da Cunha et al. (2021) | Mortalidade por suicídio: um estudo comparativo do Amapá com a região Norte do Brasil (2008-2017) | Português | O Mundo da Saúde | Ecológico e analítico |
De Araujo et al. (2023) | Suicide among Indigenous peoples in Brazil from 2000 to 2020 | Inglês | The Lancet Regional Health–Americas | Revisão literária |
Faria e Martins (2023) | Terra é Vida, Despejo é Morte”: Saúde e Luta Kaiowá e Guarani. | Português | Psicologia: Ciência e profissão | Pesquisa Qualitativa |
Ferreira, Matsuo e Souza (2011) | Aspectos demográficos e mortalidade de populações indígenas do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. | Português | Cadernos de Saúde pública | Pesquisa de campo |
Ferreira, Matsuo e Souza (2011) | Demographic characteristics and mortality among indigenous peoples in Mato Grosso do Sul State, Brazil | Inglês | Cadernos de Saúde Pública | Análise descritiva |
Grande et al. (2022) | Mental health interventions for suicide prevention among indigenous adolescents: a systematic review | Inglês | São Paulo Medical Journal | Revisão Sistemática |
Lazzarini et al. (2018) | Suicide in Brazilian indigenous communities: clustering of cases in children and adolescents by household | Inglês | Revista de Saúde Pública | Epidemiológico e análitico |
Leenaars (2006) | Suicide among indigenous peoples: introduction and call to action. | Inglês | Archives of suicide research | Revisão literária |
Lima et al. (2022) | Violação dos direitos humanos dos pacientes com tentativa de suicídio no Brasil | Português | Saúde e Sociedade | Pesquisa de campo |
Marín-Leon, Oliveira e Botega. (2012) | Suicide in Brazil, 2004-2010: the importance of small counties | Inglês | Revista Panamericana de Salud Publica | Ecológico e descritivo |
Orellana Basta e Souza. (2013) | Mortality by suicide: a focus on municipalities with a high proportion of self-reported indigenous people in the state of Amazonas, Brazil | Inglês | Revista Brasileira de Epidemiologia | Estudo descritivo e retrospectivo |
Orellana e Souza (2012) | Suicide among the indigenous people in Brazil: a hidden public health issue | Inglês | Brazilian Journal of Psychiatry | Revisão Sistemática |
Orellana et al. (2016) | Spatial-temporal trends and risk of suicide in Central Brazil: an ecological study contrasting indigenous and non-indigenous populations | Inglês | Brazilian Journal of Psychiatry | Estudo de Campo |
Orellana, Souza e Souza (2019) | Hidden suicides of the indigenous people of the Brazilian Amazon: gender, alcohol and familial clustering | Inglês | Revista colombiana de psiquiatria | Análise Descritiva |
Orellana, Souza e Souza Maximiliano. (2019) | Hidden Suicides of the Indigenous People of the Brazilian Amazon: Gender, Alcohol and Familial Clustering. | Inglês | Revista colombiana de psiquiatria | Análise descritiva |
Pereira, Goldim e De Bitencourt (2021) | O suicídio em indígenas da Amazônia Brasileira: revisão sistemática da literatura. | Português | Revista da AMRIGS | Revisão Sistemática |
Souza (2016) | Narrativas indígenas sobre suicídio no Alto Rio Negro, Brasil: tecendo sentidos. | Português | Saúde e Sociedade | Analítico |
Souza (2019) | Mortality from suicide in indigenous children in Brazil | Inglês | Cadernos de Saúde Pública | Estudo descritivo |
Souza E Ferreira (2014) | Jurupari se suicidou?: notas para investigação do suicídio no contexto indígena. | Português | Saúde e Sociedade | Revisão literária |
Souza e Onety (2017) | Characteristics of suicide mortality among indigenous and non-indigenous people in Roraima, Brazil, 2009-2013. | Inglês | Epidemiologia e Serviços de Saúde | Estudo descritivo |
Souza e Orellana. (2012) | Suicide mortality in São Gabriel da Cachoeira, a predominantly indigenous Brazilian municipality | Inglês | Brazilian Journal of Psychiatry | Estudo descritivo e retrospectivo |
Souza et al. (2020) | Suicídio e povos indígenas brasileiros: revisão sistemática. | Português | Revista Panamericana de Salud Pública | Revisão Sistemática |
Fonte: Dados de pesquisa, 2024.
De acordo com o quadro 2, constatou-se que os fatores de risco mais prevalentes nos estudos estão relacionados à cultura, aqui incluído a vulnerabilidade social e a perda de identidade e territórios, tendo sido citada por 44,8% das pesquisas, como também a faixa etária de jovens e adultos entre 15 e 24 anos, na qual foi observada como mais afetada por este fenômeno, em 44,8% dos estudos. Estas categorias retratam como se caracteriza o suicídio entre os indígenas.
Quadro 2: Categorização dos estudos selecionados na pesquisa
Categorias | Subcategorias | Autores (Ano) | N | % |
Fatores de Risco | Gênero | Colama, Hoffman e Croby (2006) Ferreira,Matsuo e Souza (2011) Lazzarine et al (2018) Orellana, Pereira, Goldin e Bitencourt (2021) Souza (2016) Souza (2019) | 6 | 20,6 |
Faixa Etária | Araújo et al (2023) Azuero et al (2017) Ferreira e Souza (2011); Souza e Orellana (2012); Orellana, Souza e Souza (2018); Colama, Hoffman e Croby (2006) Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Beniwa e Calegare (2024) Orellana et al (2016) Souza e Orellana. (2012) Lazzarine et al (2018) Leenaars (2006) Souza e Júnior (2017) Braga et al (2020) Souza (2019) Branco e Vargas (2021) Souza et al. (2020) Orellana, Souza e Souza (2019) | 10 | 34,4 | |
Cultural – vulnerabilidade, perda de territórios | Adsuara et al. (2019) Ferreira,Matsuo e Souza (2011) Beniwa e Calegare (2024) Souza e Ferreira (2014) Souza (2016) Grande (2022) Orellana et al (2016) Souza e Orellana. (2012) Lazzarine et al (2018) Almeida et al (2024) Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Araújo et al (2023) Leenaars (2006) Souza e Júnior (2017) Braga et al (2020) Azuero et al (2017) Souza (2019) Pereira, Goldin e Bitencourt (2021) Souza et al (2020) Orellana, Souza e Souza (2019) Adsuara et al. (2019) | 13 | 44,8 | |
Alcoolismo | Pereira, Goldim e De Bitencourt (2021) Orellana, Souza e Souza (2019) Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Beniwa e Calegare (2024) Souza (2016) Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Araújo et al (2023) Leenaars (2006) Braga et al (2020) Azuero et al (2017) Souza (2019) Branco e Vargas (2021) Orellana, Souza e Souza (2019) | 6 | 20,6 | |
Aspectos Financeiros | Da Cunha et al. (2021) Faria e Martins (2023) Souza et al. (2020) Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Souza (2016) Grande (2022) Orellana et al (2016) Souza e Orellana. (2012) León, Oliveira e Botega (2012) Araújo et al (2023) Leenaars (2006) Souza et al (2020) | 10 | 34,4 | |
Estados | Amazonas | Orellana, Souza e Souza (2019); Orellana, Basta e Souza (2013) Souza e Orellana (2012) Orellana et al (2016) Araújo et al (2023) Souza e Júnior (2017) Azuero et al (2017) Souza (2019) Pereira, Goldin e Bitencourt (2021) Orellana, Souza e Souza Maximiliano (2019) | 6 | 20,6 |
Mato Grosso do Sul | Colama, Hoffman e Croby (2006) Ferreira e Souza (2011) Orellana et al (2016) Lazzarine et al (2018) Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Araújo et al (2023) Leenaars (2006) Souza e Júnior (2017) Braga et al (2020) Azuero et al (2017) Souza (2019) | 4 | 13,7 | |
Mato Grosso | Azuero et al (2017) | 1 | 3,44 | |
Roraima | Souza e Júnior (2017) | 1 | 6,8 | |
Pará | Braga et al (2020) | 1 | 3,44 | |
Amapá | Branco e Vargas (2021) | 1 | 3,44 | |
Faixa Etária | 15-24 | Souza et al. (2020) Colama, Hoffman e Croby (2006) Orellana, Souza e Souza (2018); Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Orellana et al (2016) Leenaars (2006) Souza (2019) Braga et al (2020) León, Oliveira e Botega (2012) Souza e Orellana (2012) Lazzarine et al (2018) Araújo et al (2023) Azuero et al (2017) | 13 | 44,8 |
Taxa de Suicídio | Homens 73,3% Jovens 47,7% Solteiros79,5% | Pereira, Goldin e Bitencourt (2021) Orellana, Souza e Souza (2019) | 2 | 6,8 |
Fonte: Dados de pesquisa, 2024.
Sobre as intervenções propostas pelos autores pesquisados, a que mais foi citada diz respeito a ampliar os serviços de saúde mental nas comunidades indígenas para garantir a equidade no acesso à saúde deste grupo de indivíduos que vive de maneira solada, e, por isto, é considerado como vulnerável. Nesse contexto, 62,5% dos artigos sugeriram a ampliação dos serviços de saúde mental como uma medida para atender melhor essa população.
Quadro 3: Intervenções propostas
Intervenção | Autores (ano) | n | % |
Ampliar serviços de saúde mental | Grande et al (2022) Orellana et al (2016) Souza e Orellana. (2012) Almeida et al (2024) León, Oliveira e Botega (2012) Lazzarine et al (2018) Araújo et al (2023) Braga et al (2020) Collama, Hoffman e Crosby (2006) Souza e Orellana (2012) | 10 | 62,5 |
Melhorar acesso à saúde – acesso aos serviços de saúde e a tratamentos e medicamentos, respeitando as crendices deste povo | Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Araújo et al (2023) | 2 | 12,5 |
Proteção ou expansão das terras indígenas | Ferreira, Matsuo e Souza (2011) Araújo et al (2023) | 2 | 12,5 |
Fortalecimento da identidade cultural | Leenaars (2006) Braga et al (2020) Azuero et al (2017) Ferreira e Souza (2011) | 4 | |
Políticas voltadas para prevenção de abusos infantil | Souza (2019) | 1 | 6,25 |
Estratégias implementadas pelas escolas para prevenção do consumo de álcool | Branco e Vargas (2021) Souza (2019) | 2 | 12,5 |
Estratégias de educação em saúde | Collama, Hoffman e Crosby (2006) Souza e Orellana (2012) Ferreira e Souza (2011) | 3 | 18,75 |
Cuidado político reconhecendo os transtornos a que foram acometidos. | Adsuara et al. (2019) | 1 | 6,25 |
Capacitação das equipes de saúde, informação para a sociedade. Além de politicas e legislação específicas sobre direitos humanos e prevenção ao suicídio. | Lima et al (2019) | 1 | 6,25 |
Fonte: Dados de pesquisa, 2024.
DISCUSSÃO
A questão do suicídio entre os indígenas brasileiros é intrincada, englobando diversos elementos sociais, culturais e históricos que afetam diretamente a saúde mental desses grupos. Entender os fatores de risco que influenciam sua ocorrência é fundamental para a elaboração de estratégias de prevenção efetivas.
Dentre esses elementos, a marginalização social se sobressai como um dos fatores mais relevantes. Numerosas comunidades indígenas lidam com um passado de exclusão e preconceito que leva a condições de vida deploráveis, que incluem acesso restrito a serviços de saúde, educação e trabalho. Braga et al. (2020), Adsura et al. (2019), Grande (2022), Almeida et al. (2024), Pereira, Goldin e Bitencourt (2021) destacaram que a marginalização não só prejudica a qualidade de vida, como também provoca um sentimento de impotência e desespero, criando um cenário favorável para o aparecimento de atitudes suicidas.
Outra questão importante que requer atenção é a desestruturação familiar e comunitária (Souza et al., 2020). A remoção compulsória, a perda de propriedades e o rompimento de vínculos familiares desestabilizam as estruturas familiares, resultando na desintegração do apoio emocional que essas comunidades historicamente proporcionaram. A violência intracomunitária, intensificada por tensões externas, tem um papel relevante no crescimento dos índices de suicídio, particularmente entre a população jovem. Esta violência pode abranger não só disputas internas, mas também violência policial e exploração econômica, que geram um ambiente de incerteza e temor ( Ferreira, Matuso e Souza, 2011, Orellana et al., 2016, Souza, 2019, Lazzarine et al., 2018, Orellana, 2012).
Além disso, o consumo de substâncias psicoativas é um dos aspectos que precisa ser observado, pois frequentemente funciona como um meio de enfrentar o sofrimento emocional e as pressões externas. Em busca de alívio para a dor psicológica, a juventude indígena pode recorrer ao álcool e a outras substâncias, tornando-se mais suscetível a atitudes autodestrutivas. Guimarães e Grubits (2007) indicaram que, em diversas comunidades, o uso de substâncias externas tem intensificado a vulnerabilidade emocional dos jovens. Portanto, é necessário abordar o uso de substâncias psicoativas nas intervenções preventivas, incorporando educação em saúde mental e dependência em programas de prevenção. Proporcionar opções saudáveis, como atividades culturais e esportivas, pode ser um método eficiente para diminuir o consumo de drogas e fomentar o bem-estar (Beniwa e Calegare, 2024, Branco e Vargas, 2021, Grubits et al., 2011, Orellana, Souza e Souza, 2019).
Outrossim, o suicídio é mais frequente entre os indígenas na faixa etária de 15 a 24 anos, uma etapa caracterizada por mudanças significativas e pela procura de identidade. Colama, Hoffman e Crosby (2006) sugeriram que muitos jovens se sentem pressionados a atender às expectativas de suas comunidades, enquanto enfrentam as influências da cultura ocidental. Esta dualidade pode levar a um estado de inquietação e aflição, criando um cenário favorável para o surgimento de questões de saúde mental. Assim, as estratégias de prevenção devem ser direcionadas para essa população, proporcionando apoio emocional e fomentando a saúde mental de forma proativa. (Araújo et al, 2023, Souza e Júnior, 2017, Souza e Orellana, 2012, Orellana, Souza e Souza, 2018.)
Além disso, homens indígenas são mais suscetíveis ao fenômeno do suicídio, em decorrência de uma combinação de fatores como conflitos relacionados à sexualidade, como também com os pais, de identidade, inter étnicos, maior propensão ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas. (Ferreira e Souza, 2011, Souza, 2016) De mais a mais, suas crenças sobre o entendimento da vida e da morte, representam uma problemática que envolve toda a comunidade, a medida que ela entende que o suicídio pode ser visto como uma espécie de ritual, faz parte da manifestação cultural de algumas etnias indígenas. (Ramírez et. al., 2018, Staliano et al., 2019, Staliano, Mondardo e Lopes, 2019).
As estratégias de prevenção devem ser integradas e adaptadas à cultura local. Programas que prestigiam as práticas e conhecimentos ancestrais, possibilitando que as comunidades indígenas tenham um papel ativo na criação e execução de projetos de saúde mental são relevantes. Leenaars (2006) propusera que o reforço das tradições regionais e a valorização da cultura podem atuar como elementos de proteção, auxiliando na resiliência e no fortalecimento da identidade dos povos indígenas. Estabelecer locais de escuta e acolhimento, onde os jovens possam expressar suas experiências e emoções sem receio de serem julgados, é uma estratégia eficiente para desmistificar as questões de saúde mental.
Azueiro et al. (2017) afirmaram que é crucial entender que a taxa de suicídio em comunidades indígenas não é uniforme e oscila conforme a região. Os altos índices de suicídio em estados como Mato Grosso do Sul, Amazonas e Roraima refletem as condições socioeconômicas e as características culturais específicas dessas regiões. Orellana, Souza e Souza Maxiliano (2019) defenderam que as políticas governamentais devem ser ajustadas às particularidades regionais, levando em conta as características de cada comunidade. A ausência de serviços de saúde mental apropriados e a falta de recursos destinados às comunidades indígenas intensificam o problema, tornando essencial a cooperação entre o governo e as entidades não governamentais para formular e colocar em prática políticas efetivas.
A relação entre os aspectos financeiros e a elevação dos casos de suicídio entre os povos indígenas mostrou uma conexão complexa entre fatores econômicos e socioculturais. A deficiência de recursos nas comunidades indígenas geralmente está associada à dificuldade de acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e infraestrutura, o que piora as condições de vida e intensifica sentimentos de estresse, culpa e desânimo. A exclusão econômica dessas populações, somada ao enfraquecimento de suas tradições culturais e ao deslocamento forçado, tem se mostrado um fator importante na elevação das taxas de suicídio. (Da Cunha et al., 2021, Faria e Martins, 2023, Ruckert, Frizzoi e Rigoli, 2019)
É crucial estabelecer redes de suporte que envolvam profissionais de saúde mental e integrantes da comunidade para promover a saúde mental de forma eficiente. Diehl e Pellegrini (2014) propuseram que a capacitação de agentes comunitários de saúde mental, que entendam as condições e obstáculos que as comunidades indígenas enfrentam, pode simplificar o acesso a serviços e potencializar a efetividade das ações. Esta estratégia colaborativa não só aprimora o acesso a recursos, como também intensifica as relações sociais na comunidade, fomentando um sentimento de pertencimento e suporte recíproco.
Em última análise, a prevenção do suicídio entre os indígenas demanda um empenho constante e uma estratégia unificada que leve em conta as origens históricas, sociais e culturais do problema. As comunidades indígenas precisam ter suas vozes ouvidas nas discussões sobre políticas de saúde mental, garantindo que as intervenções respeitem suas tradições e estilos de vida. Promover a saúde mental deve ser vista como uma questão de direitos humanos, em que o respeito à cultura e a apreciação da identidade indígena sejam fundamentais nas medidas preventivas. Apenas dessa forma poderemos edificar um futuro mais promissor e sustentável para as comunidades indígenas no Brasil. (Léon, Oliveira e Botega, 2012, Lima et al., 2019)
Por último, a análise de dados sobre a temática apresentou algumas limitações, em virtude de ser um assunto pouco pesquisado e apresentar, portanto, uma base de dados restrita. Apesar de o Brasil ter um número significativo representando a população indígena, observou-se uma deficiência no interesse pelo tema, tanto por parte de pesquisadores, como também em relação ao Estado.
CONCLUSÃO
O estudo sobre o suicídio entre indígenas no Brasil destaca fatores determinantes, como a marginalização social, perda de identidade cultural, alcoolismo e desestruturação familiar, que contribuem para o aumento das taxas de suicídio nesse grupo. A faixa etária mais afetada é especialmente jovens de 15 a 24 anos, principalmente do sexo masculino. Esse fenômeno exige uma resposta urgente das políticas de saúde pública, visando dirimir esta problemática. A revisão de literatura permitiu identificar que práticas culturais devem ser incorporadas nas estratégias de prevenção, pois por meio delas é possível fortalecer redes de apoio comunitário e promover a saúde mental nas comunidades indígenas.
Diante disso, torna-se evidente que é necessário adotar uma abordagem culturalmente sensível e adaptada às especificidades das comunidades indígenas, considerando suas tradições e valores. As políticas de saúde mental no Brasil devem ser reformuladas para integrar essas realidades, respeitando a autonomia dos povos indígenas na construção de soluções para o problema. A valorização da identidade cultural e o fortalecimento dos vínculos sociais são fundamentais para a redução das taxas de suicídio. Além disso, é crucial que haja respeito pela delimitação dos territórios indígenas, garantido pela Constituição Federal de 1988.
Por fim, recomenda-se a ampliação da pesquisa, com foco nas particularidades de diferentes etnias e a criação de políticas públicas mais inclusivas, que envolvam setores como saúde, educação, direitos humanos e a garantia da integridade dos seus territórios. Desta forma seria possível garantir a efetividade das intervenções e promover o bem-estar dessas populações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Estudante de Medicina do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Estudante de Medicina do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Estudante de Medicina do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Estudante de Medicina do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
5 Estudante de Medicina do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
6 Doutora e Pós-Doutora em Promoção da Saúde. Pró-Reitora de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão e Docente no Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8327-9147