REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789281026
RESUMO
Este estudo consiste em analisar a relação entre Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e desempenho empresarial, por meio da mensuração do efeito da RSC no desempenho, na capacidade absortiva e na capacidade de gestão de mudanças, assim como avaliar como essas capacidades influenciam o desempenho e a relação entre a RSC e o desempenho. Os conceitos-chave que sustentam a conexão entre RSC e desempenho empresarial foram abordados, tendo como foco principal a análise das principais teorias e modelos conceituais que fundamentam essa relação. Combinaram-se métodos qualitativos e quantitativos a fim de proporcionar uma visão da relação entre a RSC e o desempenho empresarial. Realizaram-se análises estatísticas, incluindo regressões e análises de correlação, além de entrevistas com gerentes e líderes corporativos, para investigar a natureza e a intensidade dessa relação. A partir dessa análise, evidenciou-se que a capacidade absortiva tem um efeito mediador na proporção entre RSC e desempenho financeiro, no entanto, esta mediação foi ignorada na proporção entre capacidade absortiva e o desempenho operacional. Os resultados empíricos mostraram a RSC como pregressa de capacidade absortiva e capacidade de gestão de mudanças. Este estudo possibilitou novos entendimentos acerca da combinação entre RSC, capacidade absortiva, capacidade de gestão de mudanças e o desempenho.
Palavras-chave: Responsabilidade social corporativa; Desempenho empresarial; Capacidade absortiva; Gestão de mudanças.
ABSTRACT
This study analyzes the relationship between Corporate Social Responsibility (CSR) and business performance by measuring the effect of CSR on performance, absorptive capacity, and change management capacity, as well as evaluating how these capacities influence performance and the relationship between CSR and performance. Key concepts underpinning the connection between CSR and business performance were addressed, focusing primarily on the analysis of the main theories and conceptual models that ground this relationship. Qualitative and quantitative methods were combined to provide insight into the relationship between CSR and business performance. Statistical analyses—including regressions and correlation analyses—were conducted alongside interviews with managers and corporate leaders to investigate the nature and intensity of this relationship. The analysis revealed that absorptive capacity has a mediating effect on the relationship between CSR and financial performance; however, this mediation was not observed in the relationship between absorptive capacity and operational performance. Empirical results indicated that CSR acts as an antecedent to absorptive capacity and change management capacity. This study offers new insights into the interplay among CSR, absorptive capacity, change management capacity, and performance.
Keywords: Corporate social responsibility; Business performance; Absorptive capacity; Change management.
1. INTRODUÇÃO
As iniciativas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) são fundamentais para preservar o valor das empresas em tempos de incerteza, beneficiando os negócios, desde que suas premissas sejam bem definidas e implementadas através de uma governança corporativa sólida. A imagem e a reputação das empresas são cruciais para atrair consumidores e investidores, que exigem cada vez mais responsabilidade social das marcas. A RSC desempenha um papel vital na gestão empresarial, impactando diretamente o sucesso dos negócios, ao atender às crescentes demandas dos stakeholders por práticas socialmente responsáveis.
Segundo Waldman e Bowen (2016), as empresas enfrentam paradoxos complexos na gestão da RSC, como equilibrar identidade e humildade ou controle e flexibilidade. Estudos de Bartley e Egels-Zandén (2016) e Scaringella e Burtschell (2017) indicam que a RSC pode proporcionar ganhos modestos, mas os desafios de segurança e planejamento são significativos em projetos de inovação. Neri et al. (2019) destacam a importância da responsabilidade global para a qualidade dos negócios, e Zisook et al. (2020) associam a RSC à transição para o teletrabalho durante a pandemia de COVID-19, evidenciando seu impacto na saúde e segurança ocupacional. Faria (2017) ressalta a complexidade da divulgação de informações de RSC, especialmente em crises financeiras, e a importância de comunicar essas práticas de forma que melhore a percepção dos stakeholders.
A pesquisa proposta visa explorar o papel mediador da capacidade absortiva e da gestão de mudanças na relação entre RSC e desempenho das empresas brasileiras, buscando entender como essas capacidades podem otimizar o impacto da RSC no sucesso organizacional. Estudos sugerem que a eficácia da RSC é amplificada quando mediada por variáveis relacionadas à imagem e à estratégia corporativa, o que pode influenciar positivamente o desempenho empresarial.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E HIPÓTESES
Após a revisão da literatura sobre RSC, capacidade absortiva e capacidade de gestão de mudanças, apresentam-se as hipóteses de pesquisa e o framework teórico proposto.
A responsabilidade social corporativa é destacada por seu impacto positivo durante crises financeiras. Durante a crise financeira de 2008-2009, empresas com alto capital social, medido pela intensidade da RSC, tiveram retornos de ações mais elevados em comparação com aquelas com baixo capital social. Essas empresas também mostraram maior lucratividade, crescimento e vendas por colaborador, mesmo aumentando o seu endividamento (Lins; Servaes; Tamayo, 2017). Segundo estes autores, a confiança entre empresas e seus acionistas é fortalecida através de investimentos em capital social.
Divulgações ambientais e sociais envolvem custos, sendo mais frequentes e detalhadas em grandes empresas. Estas divulgações, principalmente sociais, são valorizadas pelos investidores, aumentando o valor de mercado das empresas que as praticam. A lucratividade passada impulsiona as divulgações sociais, enquanto não há relação clara entre divulgações ambientais e lucratividade. Geralmente é a lucratividade o retorno que mais importa aos investidores, quando se voltam para a divulgação social. Qiu, Shaukat e Tharyan (2016) colocam que as empresas que têm por base recursos sociais aliados à teoria da divulgação voluntária e com maiores recursos econômicos fazem divulgações mais extensas, gerando benefícios econômicos positivos líquidos ao longo do tempo.
Por outro lado, estudos indicam que o envolvimento dos funcionários em iniciativas de RSC ainda permanece limitado. Um modelo teórico desenvolvido por Opoku-Dakwa, Chen e Rupp (2018), sendo os funcionários potenciais agentes de mudança, sugere como a RSC pode engajar os funcionários, transformando-os em agentes de mudança social. O engajamento depende do apoio organizacional para a RSC, que molda as crenças dos funcionários sobre a eficácia coletiva da organização para atingir os objetivos desta última, bem como das identidades dos funcionários, que determinam os tipos mais significativos de impactos da RSC e, portanto, mais propícios ao engajamento.
No contexto de sustentabilidade corporativa, Appelbaum et al. (2016) argumentam que a sustentabilidade deve ser vista como uma iniciativa de mudança organizacional, impactando a cultura empresarial e o relacionamento com a comunidade. Radovic (2016) destacou a necessidade de comportamento responsável na indústria para reduzir riscos ambientais, especialmente em contextos vulneráveis, tomando a Sérvia como exemplo.
Assim, uma vez que a RSC é relevante para a imagem e reputação das empresas, contribuindo para a vantagem competitiva ao influenciar o capital humano, empresas com práticas robustas de RSC são vistas de forma mais positiva pelos stakeholders, o que pode resultar em um desempenho superior.
Appelbaum et al. (2016) afirmam que a sustentabilidade corporativa molda as relações das corporações com a sociedade e a interpretação das mudanças pelos líderes empresariais. A sustentabilidade, uma mudança transformacional, deve considerar o "como" e o "porquê". Muitas iniciativas de mudança falham devido à discordância entre a iniciativa e os executores.
Para entender as implicações das iniciativas de sustentabilidade, é essencial examinar a relação empresa-sociedade. Isso envolve estabelecer uma base para a sustentabilidade corporativa, identificar as partes interessadas, definir as razões para aplicar a sustentabilidade em termos de criação de valor, e considerar a implementação, incluindo cultura, identidade e apego.
Outro aspecto da RSC é a redução de risco em relação aos desastres e ameaças globais. Tomando a Sérvia como exemplo para avaliar as ameaças globais, Radovic (2016) destaca que estas últimas representam riscos significativos para o desenvolvimento sustentável. A pesquisa aponta que a Sérvia enfrentou riscos ambientais, necessitando de ajuda internacional devido às limitações dos serviços de emergência e do setor empresarial, incluindo seguros. A vulnerabilidade decorre do comportamento irresponsável de alguns setores industriais que não aplicam a RSC adequadamente.
No que diz respeito à relação entre a RSC e atividades políticas corporativas, Kamasak, James e Yavuz (2019) identificaram que elas se complementam, e resultam em um melhor desempenho da empresa. A flexibilidade estratégica desempenha um papel crucial, permitindo que as empresas se adaptem rapidamente às mudanças no ambiente externo.
A RSC é crucial para a imagem, reputação e vantagem competitiva, influenciando significativamente o negócio através do capital humano. A revisão de literatura mostra que a vantagem competitiva está ligada ao tipo de competição e ao preparo do capital humano, essencial para a formação de modelos de gerenciamento eficazes. A literatura destaca que para existir a competição antes é necessário preparar o capital humano presente nas empresas, ou seja, formar este capital, e isto se dá por meio do conhecimento (Scaringella; Burtschell, 2017; Bhatti et al., 2021; Srinivasan; Thangaraj, 2021).
A capacidade absortiva, sendo a habilidade de uma organização de reconhecer, assimilar e aplicar novos conhecimentos, se torna, assim, um construto relevante para as mensurações de desempenho. Esta capacidade é composta por quatro dimensões: aquisição, assimilação, transformação e exploração. Mariano e Al-Arrayed (2018) mostraram que interrupções organizacionais e restrições de tempo influenciam negativamente as metarrotinas da capacidade absortiva.
A capacidade absortiva é crítica para a inovação, como demonstrado por Forés e Camisón (2016), que associaram a capacidade absortiva ao desempenho de inovação incremental e radical. Empresas com alta capacidade de absorção são mais adaptáveis e capazes de implementar inovações de maneira eficaz.
Já a capacidade de gestão de mudanças é validada através do treinamento e desenvolvimento de habilidades dos colaboradores, líderes e equipes de projetos. Wirtz et al. (2018) argumentam que a robótica e tecnologias emergentes podem transformar o setor de serviços, exigindo uma gestão eficaz das mudanças organizacionais.
A agilidade organizacional, uma forma de capacidade de gestão de mudanças, é essencial para detectar e responder eficientemente a mudanças ambientais. Felipe, Roldán e Leal-Rodríguez (2016) identificaram que sistemas de informação desempenham um papel importante como antecedente da agilidade organizacional.
A partir dessas considerações, hipóteses de pesquisa foram desenvolvidas para testar as relações entre RSC, capacidade absortiva, capacidade de gestão de mudanças e desempenho. As hipóteses incluem a influência positiva da RSC no desempenho, a mediação da capacidade absortiva e da capacidade de gestão de mudanças, e o efeito positivo dessas capacidades no desempenho organizacional.
As hipóteses de pesquisa foram formuladas segundo o Quadro 1.
Quadro 1. Hipóteses de pesquisa
H1 - A RSC tem um efeito positivo e significativo no desempenho das empresas. |
H2a - A RSC tem um efeito positivo e significativo na capacidade absortiva das empresas. |
H2b - A capacidade absortiva tem um efeito positivo e significativo no desempenho das empresas. |
H2c - A capacidade absortiva tem um efeito mediador positivo e significativo na relação entre RSC e o desempenho das empresas. |
H3a - A RSC tem um efeito positivo e significativo na capacidade de gestão de mudanças das empresas. |
H3b - A capacidade de gestão de mudanças tem um efeito positivo e significativo no desempenho das empresas. |
H3c - A capacidade de gestão de mudanças tem um efeito mediador positivo e significativo na relação entre RSC e o desempenho das empresas. |
H4a - A capacidade absortiva tem um efeito positivo e significativo na capacidade de gestão de mudanças das empresas. |
H4b - A capacidade absortiva e a capacidade de gestão de mudanças têm um efeito mediador duplo positivo e significativo na relação entre RSC e o desempenho das empresas. |
Fonte: Elaborado pelo autor
A capacidade absortiva é considerada mediadora na relação entre RSC e desempenho, sugerindo que empresas com alta capacidade de absorção são mais eficazes na implementação de práticas de RSC e, consequentemente, têm melhor desempenho. Estudos mostram que a capacidade absortiva permite que as empresas adquiram e utilizem conhecimento de maneira mais eficiente, impulsionando a inovação e a adaptação às mudanças.
A capacidade de gestão de mudanças também é mediadora, influenciando positivamente a relação entre RSC e desempenho. Empresas que gerenciam mudanças de maneira eficaz são mais capazes de implementar práticas de RSC e adaptar-se às demandas dos stakeholders, resultando em melhor desempenho.
A fundamentação teórica estabelece que a RSC, a capacidade absortiva e a capacidade de gestão de mudanças são inter-relacionadas e influenciam significativamente o desempenho organizacional. A pesquisa busca testar essas relações e fornecer evidências empíricas sobre a importância dessas capacidades na implementação de práticas de RSC e no sucesso organizacional.
3. METODOLOGIA
Quanto ao modelo conceitual utilizado na pesquisa, que propõe que a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) influencia o desempenho operacional e financeiro das empresas, mediada pela capacidade absortiva e pela capacidade de gestão de mudanças, ele foi especificado com base na literatura e foi validado por meio de um questionário aplicado a 305 empresas brasileiras.
Para medir as variáveis do estudo, foram utilizadas definições constitutivas e operacionais. A RSC foi avaliada em quatro dimensões: econômica, legal, ética e filantrópica, usando uma escala Likert de sete pontos. A capacidade absortiva foi medida em quatro dimensões: aquisição, assimilação, transformação e exploração, utilizando a escala de Flatten et al. (2011). A capacidade de gestão de mudanças foi avaliada por três questões que abordam a atuação dos funcionários como agentes de mudança, a receptividade às correções durante a implementação de soluções e a disposição para experimentar novas ideias.
A pesquisa foi delimitada como descritiva, com corte transversal, utilizando um levantamento (survey) para coletar os dados. O questionário foi elaborado com base em escalas previamente validadas, traduzidas para o português e ajustadas após um pré-teste. Para minimizar o viés do método comum (VMC), foram adotadas várias estratégias, como a separação das variáveis dependentes e independentes em diferentes seções do questionário.
A análise dos dados foi realizada por meio de técnicas estatísticas, incluindo a modelagem de equações estruturais (SEM), que permite a avaliação simultânea de múltiplas relações de dependência entre as variáveis latentes. O software WarpPLS 8.0 foi utilizado para realizar as análises, escolhendo a abordagem PLS-SEM devido à sua capacidade de lidar com amostras pequenas e a ausência de pressupostos de normalidade.
O modelo de mensuração foi validado por meio de análise fatorial confirmatória, que verificou a validade e confiabilidade dos construtos. Em seguida, foi avaliado o modelo estrutural, testando as hipóteses propostas sobre as relações entre RSC, capacidade absortiva, capacidade de gestão de mudanças e desempenho organizacional.
4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
A pesquisa utilizou uma amostra de 305 empresas, classificadas com base no número de funcionários segundo critérios do SEBRAE. Conforme Tabela 1, a maioria (53,78%) eram empresas de grande porte, enquanto empresas de pequeno porte representaram 38,36% e as de médio porte, 7,86%. Não houve participação de microempresas na amostra.
Tabela 1. Porte
Porte da Empresa | Frequência | % de respostas | % acumulado |
Pequeno Porte | 117 | 38,36 | 38,36 |
Médio Porte | 24 | 07,86 | 46,22 |
Grande Porte | 164 | 53,78 | 100,00 |
Total | 305 | 100,00 |
|
Fonte: Dados da pesquisa.
A análise revelou que 1,63% das empresas têm até 5 anos no mercado, 3,93% têm entre 6 e 10 anos, 18,03% de 11 a 25 anos, 38,38% de 26 a 50 anos, e 38,03% têm mais de 50 anos, indicando uma predominância de empresas consolidadas. Os dados constam na Tabela 2:
Tabela 2. Tempo de atuação
Tempo de atuação | Frequência | % de respostas | % acumulado |
Até 5 anos | 5 | 1,63 | 1,63 |
Entre 6 e 10 anos | 12 | 3,93 | 5,56 |
Entre 11 e 25 anos | 55 | 18,03 | 23,59 |
Entre 26 e 50 anos | 117 | 38,38 | 61,97 |
Mais de 50 anos | 116 | 38,03 | 100,00 |
Total | 305 | 100,00 |
|
Fonte: Dados da pesquisa.
Quanto ao tempo de empresa dos colaboradores, 27,55% possuem até 5 anos de empresa, 40,98%, de 5 a 10 anos e 31,47%, mais de 10 anos, conforme Tabela 3. As empresas predominantemente grandes e médias têm colaboradores com experiência significativa.
Tabela 3. Tempo de empresa
Tempo de empresa | Frequência | % de respostas | % acumulado |
Até 5 anos | 084 | 27,55 | 27,55 |
5 a 10 anos | 125 | 40,98 | 68,53 |
Mais de 10 anos | 096 | 31,47 | 100,00 |
Total | 305 | 100,00 |
|
Fonte: Dados da pesquisa.
A análise dos construtos e seus indicadores mostrou altos níveis de concordância com os indicadores de RSC. As médias para os indicadores de RSC econômica variaram de 3,84 a 4,37, indicando um compromisso com a qualidade e satisfação do cliente, conforme Tabela 4.
Tabela 4. Indicadores de RSC Econômica
RSC Econômica | Média | Desvio Padrão |
CSR_EC_1. Nosso negócio tem um procedimento específico para responder a cada reclamação do cliente. | 3,84 | 1,083864 |
CSR_EC_2. Nós melhoramos continuamente a qualidade de nossos produtos. | 4,29 | 0,502002 |
CSR_EC_3. Nós usamos a satisfação do cliente como um indicador de nosso desempenho do negócio. | 4,37 | 0,548293 |
CSR_EC_4. Temos sido bem-sucedidos em maximizar os nossos lucros. | 4,27 | 0,521292 |
CSR_EC_5. Esforçamo-nos por reduzir os custos operacionais. | 4,25 | 0,589471 |
CSR_EC_6. Monitoramos de perto a produtividade do funcionário. | 4,30 | 0,691686 |
CSR_EC_7. Gestores de topo estabelecem estratégias de longo prazo para o nosso negócio. | 4,15 | 0,381999 |
Fonte: Dados da pesquisa
A RSC legal teve médias de 4,15 a 4,37, destacando o cumprimento de leis e normas, conforme Tabela 5.
Tabela 5. Indicadores de RSC Legal
RSC Legal | Média | Desvio Padrão |
CSR_LE_1. Os gestores são informados sobre as leis ambientais pertinentes. | 4,37 | 0,51103 |
CSR_LE _2. Todos os nossos produtos cumprem os padrões legais. | 4,20 | 0,411179 |
CSR_LE _3. Nossas obrigações contratuais são sempre honradas. | 4,18 | 0,390847 |
CSR_LE _4. Os gestores desta organização tentam cumprir a lei. | 4,15 | 0,390515 |
CSR_LE _5. Nossa empresa procura cumprir com todas as leis que regulam a contratação e os benefícios dos funcionários. | 4,20 | 0,462308 |
CSR_LE _6. Temos programas que incentivam a diversidade do nosso local de trabalho (em termos de idade, sexo ou raça). | 4,29 | 0,614008 |
CSR_LE _7. As políticas internas impedem a discriminação na remuneração e na promoção dos funcionários. | 4,23 | 0,508728 |
Fonte: Dados da pesquisa.
Indicadores de RSC ética apresentaram médias entre 4,13 e 4,40, e RSC filantrópica entre 4,19 e 4,44, demonstrando um forte compromisso com práticas éticas e filantrópicas. Os parâmetros estão nas Tabelas 6 e 7.
Tabela 6. Indicadores de RSC Ética
RSC Ética | Média | Desvio Padrão |
CSR_ET_1. Nosso negócio tem um código de conduta abrangente. | 4,40 | 0,547723 |
CSR_ET _2. Os membros de nossa organização seguem padrões profissionais. | 4,27 | 0,511347 |
CSR_ET _3. Os principais gerentes monitoram os possíveis impactos negativos de nossas atividades em nossa comunidade. | 4,15 | 0,396909 |
CSR_ET _4. Somos reconhecidos como uma empresa confiável. | 4,20 | 0,429951 |
CSR_ET_5. A imparcialidade em relação aos colegas de trabalho e parceiros de negócios é parte integrante do nosso processo de avaliação de funcionários. | 4,29 | 0,519943 |
CSR_ET_7. Nossos vendedores e funcionários devem fornecer informações completas e precisas a todos os clientes. | 4,13 | 0,386825 |
Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 7. Indicadores de RSC filantrópica
RSC Filantrópica | Média | Desvio Padrão |
CSR_PH _1. A empresa busca melhorar a imagem de seu produto. | 4,44 | 0,58244 |
CSR_PH _2. A empresa busca melhorar a percepção de sua conduta empresarial | 4,30 | 0,511199 |
CSR_PH _3. A empresa busca melhorar a sua imagem corporativa. | 4,19 | 0,422818 |
CSR_PH _5. A empresa procura contribuir para melhorar a comunidade local. | 4,26 | 0,527337 |
CSR_PH _6. A empresa tenta cumprir sua responsabilidade social. | 4,37 | 0,657423 |
CSR_PH _7. A empresa tenta atender as solicitações governamentais. | 4,19 | 0,453488 |
CSR_PH _8. A empresa tenta atender os pedidos de ONGs. | 4,35 | 0,636425 |
Fonte: Dados da pesquisa.
Para mensurar o desempenho, utilizou-se a definição com duas grandezas, a operacional (Delaney; Huselid, 1996; Birasnav, 2014) e a financeira (García-Morales, Jiménez-Barrionuevo; Gutiérrez-Gutiérrez, 2012). A grandeza operacional classifica a compreensão do gestor no que diz respeito à qualidade dos produtos e/ou serviços, o desenvolvimento de novos produtos e/ou serviços, a capacidade de atração de colaboradores vitais e preservar / manter estes colaboradores, o contentamento dos clientes e a relação entre os colaboradores. A grandeza financeira classifica o entendimento dos gestores no que diz respeito ao retorno em relação ao ativo, o retorno sobre o investimento, a lucratividade, a participação de mercado e o volume de vendas. Foi questionado aos gestores o seu nível de satisfação em relação aos itens do desempenho organizacional e financeiro de sua empresa, organização há 3 anos, quando confrontados com os seus concorrentes.
Para o desempenho operacional, os indicadores variaram de 3,56 a 4,98, com altos níveis de satisfação em qualidade, desenvolvimento de produtos, atração e manutenção de funcionários, e satisfação do cliente. Os parâmetros encontram-se na Tabela 8.
Tabela 8. Indicadores de desempenho operacional
Desempenho operacional | Média | Desvio Padrão |
OP_1. Qualidade de produtos, serviços ou programas. | 3,56 | 1,17171 |
OP_2. Desenvolvimento de novos produtos, serviços ou programas. | 4,89 | 0,52499 |
OP_3. Capacidade de atrair funcionários essenciais. | 4,94 | 0,23551 |
OP_4. Capacidade para manter os funcionários essenciais. | 4,95 | 0,22563 |
OP_5. Satisfação de consumidores ou clientes. | 4,63 | 0,01124 |
OP_6. Relações entre gestores e outros funcionários. | 4,95 | 0,11669 |
OP_7. Relações entre os funcionários em geral. | 4,98 | 0,17863 |
Fonte: Dados da pesquisa.
O desempenho financeiro teve indicadores variando de 2,19 a 4,94, com retornos positivos sobre ativos e investimentos, conforme Tabela 9.
Tabela 9. Indicadores de desempenho financeiro
Desempenho financeiro | Média | Desvio Padrão |
FP_1. Retorno sobre o ativo. | 4,94 | 0,402597 |
FP_2. Retorno sobre o investimento. | 2,19 | 0,406818 |
FP_3. Lucratividade. | 3,82 | 0,042579 |
FP_4. Participação de mercado. | 4,83 | 0,090917 |
FP_5. Volume de vendas. | 4,80 | 0,075133 |
Fonte: Dados da pesquisa.
A capacidade absortiva foi avaliada em quatro dimensões: aquisição, assimilação, transformação e exploração. A média dos indicadores de aquisição variou de 4,42 a 4,73, indicando uma forte busca por informações relevantes, conforme Tabela 10.
Tabela 10. Indicadores de Capacidade Absortiva – Aquisição
Capacidade Absortiva - Aquisição | Média | Desvio Padrão |
A busca por informações relevantes do nosso setor faz parte do dia a dia da empresa | 4,73 | 0,841413 |
Nossos gestores incentivam os funcionários a buscar informação do nosso setor | 4,63 | 0,866892 |
Nossos gestores esperam que os funcionários utilizem informações de outros setores | 4,42 | 0,713178 |
Fonte: Dados da pesquisa.
A assimilação teve médias entre 4,47 e 4,70, com boa comunicação e apoio entre áreas, conforme Tabela 11.
Tabela 11. Indicadores de Capacidade Absortiva – Assimilação
Capacidade Absortiva - Assimilação | Média | Desvio Padrão |
Em nossa empresa as ideias e conceitos são comunicados entre as diversas áreas | 4,70 | 0,764873 |
Nossos gestores incentivam o apoio entre as áreas da empresa para resolver problemas; | 4,53 | 0,752969 |
Em nossa empresa há um fluxo rápido de informações entre as áreas | 4,47 | 0,806814 |
Nossos gestores promovem encontros periódicos entre as áreas para o intercâmbio de novos desenvolvimentos, problemas e conquistas; | 4,64 | 0,18938 |
Fonte: Dados da pesquisa.
A transformação apresentou médias de 4,41 a 4,68, revelando que as respostas se concentraram em sua maior parte entre as alternativas 4 (concordo parcialmente) e 5 (concordo totalmente), conforme Tabela 12.
Tabela 12. Indicadores de Capacidade Absortiva – Transformação
Capacidade Absortiva – Transformação | Média | Desvio Padrão |
Nossos funcionários têm habilidade para estruturar e utilizar os conhecimentos adquiridos externamente | 4,68 | 0,803631 |
Nossos funcionários preparam os novos conhecimentos adquiridos externamente para outros fins e para torná-los disponíveis | 4,56 | 0,798202 |
Nossos funcionários são bem-sucedidos em articular o conhecimento existente com novas ideias | 4,52 | 0,843145 |
Nossos funcionários são capazes de aplicar os novos conhecimentos em seu trabalho | 4,41 | 0,719985 |
Fonte: Dados da pesquisa.
Já o quesito exploração apresentou médias de 4,28 a 4,82, destacando a habilidade de aplicar novos conhecimentos e tecnologias, conforme Tabela 13.
Tabela 13. Indicadores de Capacidade Absortiva – Exploração
Capacidade Absortiva - Exploração | Média | Desvio Padrão |
Nossos gestores apoiam o desenvolvimento de protótipos | 4,82 | 0,92137 |
Nossa empresa regularmente reconsidera as tecnologias utilizadas e as adapta de acordo com novos conhecimentos | 4,56 | 0,88163 |
Nossa empresa tem habilidade de trabalhar melhor quando adota novas tecnologias | 4,28 | 0,60787 |
Fonte: Dados da pesquisa.
A capacidade de gestão de mudanças teve indicadores variando de 4,55 a 4,96, mostrando que os funcionários atuam regularmente como agentes de mudança e são receptivos a novas ideias, de acordo com os parâmetros da Tabela 14.
Tabela 14. Indicadores de Capacidade de Gestão de Mudanças
Capacidade de Gestão de Mudanças | Média | Desvio Padrão |
Nossos funcionários atuam regularmente como agentes de mudança. | 4,96 | 1,00416 |
Nossos funcionários são geralmente receptivos a correções de meio de curso para soluções à medida que os resultados se desdobram. | 4,56 | 0,78431 |
Nossos funcionários gostam de brincar com novas ideias e possibilidades | 4,55 | 0,95879 |
Fonte: Dados da pesquisa.
De acordo com Hair Junior et al. (2014), a análise fatorial confirmatória (CFA) é utilizada para testar se as variáveis mensuradas representam adequadamente seus construtos latentes. Essa análise é essencial para verificar a validade do modelo de mensuração, que define as relações entre variáveis observáveis e os construtos latentes subjacentes (Hair Junior et al., 2014).
O software WarpPLS 8.0 facilita a análise das cargas cruzadas dos indicadores, garantindo que as cargas associadas a seus respectivos construtos sejam superiores às cargas em relação a outros construtos. Hair Junior et al. (2014) recomendam que essas cargas sejam iguais ou superiores a 0,70, mas indicadores com cargas entre 0,40 e 0,70 devem ser removidos apenas se sua eliminação melhorar a confiabilidade composta ou a média da variância extraída (AVE). Indicadores com cargas inferiores a 0,40 devem ser excluídos da escala.
Essa abordagem garante que o modelo de mensuração seja robusto e que os construtos latentes sejam medidos de forma confiável, proporcionando uma base sólida para a análise subsequente e a interpretação dos resultados. A cuidadosa avaliação das cargas cruzadas e da validade convergente e discriminante assegura que os indicadores utilizados sejam eficazes na representação dos construtos teóricos subjacentes, o que é fundamental para a integridade e a credibilidade do estudo. Nesse sentido, a Tabela 15 ilustra as cargas cruzadas das variáveis deste estudo.
Tabela 15. Cross Loadings de variáveis latentes
CSR_ EC | CSR_ LE | CSR_ ET | CSR_ PH | OP | FP | ABS_ AQ | ABS_ ASS | ABS_TRAN SF | ABS_ EXPL | Chmc | P Value | |
CSR_E C_1 | 0,693 | -0,133 | - 0,027 | -0,198 | 0,163 | 0,049 | 0,164 | 0,178 | 0,187 | 0,161 | 0,143 | <0,001 |
CSR_E C_2 | 0,713 | -0,226 | 0,144 | 0,167 | 0,421 | 0,134 | 0,348 | 0,412 | 0,345 | 0,378 | 0,347 | <0,001 |
CSR_E C_3 | 0,711 | 0,051 | 0,137 | 0,174 | 0,147 | 0,178 | 0,362 | 0,487 | 0,377 | 0,398 | 0,245 | <0,001 |
CSR_E C_5 | 0,589 | 0,113 | -0,029 | 0,169 | 0,645 | 0,178 | 0,207 | 0,356 | 0,415 | 0,315 | 0,422 | <0,001 |
CSR_EC_6 | 0,617 | 0,043 | 0,092 | 0,134 | 0,187 | 0,177 | 0,312 | 0,265 | 0,188 | 0,412 | 0,401 | <0,001 |
CSR_E C_7 | 0,636 | 0,041 | 0,164 | 0,178 | 0,462 | 0,418 | 0,178 | 0,478 | 0,234 | 0,312 | 0,312 | <0,001 |
CSR_L E_1 | 0,039 | 0,597 | 0,177 | 0,312 | 0,323 | 0,128 | 0,195 | 0,251 | 0,145 | 0,321 | 0,475 | <0,001 |
CSR_L E_2 | -0,021 | 0,723 | 0,198 | 0,145 | 0,425 | 0,410 | 0,674 | 0,197 | 0,164 | 0,213 | 0,326 | <0,001 |
CSR_L E_3 | 0,128 | 0,621 | 0,365 | 0,303 | 0,123 | 0,187 | 0,189 | 0,349 | 0,267 | 0,349 | 0,377 | <0,001 |
CSR_L E_5 | -0,018 | 0,629 | 0,344 | 0,178 | 0,298 | 0,312 | 0,346 | 0,334 | 0,244 | 0,378 | 0,244 | <0,001 |
CSR_L E_6 | -0,123 | 0,698 | 0,216 | 0,264 | 0,345 | 0,265 | 0,310 | 0,378 | 0,316 | 0,389 | 0,241 | <0,001 |
CSR_L E_7 | 0,037 | 0,687 | 0,245 | 0,384 | 0,345 | 0,279 | 0,299 | 0,399 | 0,277 | 0,377 | 0,377 | <0,001 |
CSR_E T_1 | -0,017 | 0,377 | 0,689 | 0,315 | 0,311 | 0,433 | 0,313 | 0,247 | 0,288 | 0,346 | 0,213 | <0,001 |
CSR_E T_2 | -0,014 | 0,278 | 0,722 | 0,266 | 0,344 | 0,361 | 0,410 | 0,313 | 0,344 | 0,355 | 0,362 | <0,001 |
CSR_E T_3 | 0,029 | 0,344 | 0,799 | 0,411 | 0,413 | 0,477 | 0,431 | 0,444 | 0,145 | 0,388 | 0,389 | <0,001 |
CSR_E T_4 | -0,139 | 0,265 | 0,678 | 0,347 | 0,123 | 0,347 | 0,244 | 0,356 | 0,298 | 0,215 | 0,377 | <0,001 |
CSR_E T_5 | 0,009 | 0,266 | 0,689 | 0,266 | 0,147 | 0,216 | 0,214 | 0,211 | 0,333 | 0,344 | 0,311 | <0,001 |
CSR_E T_6 | 0,244 | 0,261 | 0,698 | 0,244 | 0,412 | 0,277 | 0,164 | 0,389 | 0,317 | 0,215 | 0,125 | <0,001 |
CSR_P H_4 | 0,269 | 0,256 | 0,378 | 0,875 | 0,258 | 0,299 | 0,195 | 0,177 | 0,366 | 0,162 | 0,378 | <0,001 |
CSR_P H_5 | 0,299 | 0,364 | 0,371 | 0,897 | 0,279 | 0,277 | 0,188 | 0,266 | 0,288 | 0,274 | 0,263 | <0,001 |
CSR_P H_6 | 0,387 | 0,366 | 0,421 | 0,567 | 0,263 | 0,245 | 0,312 | 0,377 | 0,333 | 0,289 | 0,244 | <0,001 |
CSR_P H_7 | 0,344 | 0,288 | 0,169 | 0,748 | 0,31 | 0,162 | 0,277 | 0,364 | 0,289 | 0,266 | 0,317 | <0,001 |
OP_2 | 0,264 | 0,319 | 0,210 | 0,678 | 0,721 | 0,145 | 0,299 | 0,346 | 0,216 | 0,164 | 0,096 | <0,001 |
OP_3 | 0,064 | 0,079 | 0,079 | 0,088 | 0,678 | 0,311 | 0,061 | 0,079 | 0,061 | 0,042 | 0,061 | <0,001 |
OP_4 | 0,087 | 0,312 | 0,028 | 0,084 | 0,798 | 0,412 | 0,031 | 0,088 | 0,087 | 0,064 | 0,031 | <0,001 |
OP_5 | 0,094 | 0,341 | 0,344 | 0,098 | 0,745 | 0,464 | 0,063 | 0,077 | 0,377 | 0,078 | 0,353 | <0,001 |
OP_6 | 0,356 | 0,244 | 0,364 | 0,079 | 0,745 | 0,722 | 0,0975 | 0,098 | 0,345 | 0,387 | 0,248 | <0,001 |
OP_7 | 0,347 | 0,311 | 0,096 | 0,0832 | 0,731 | 0,745 | 0,0942 | 0,349 | 0,368 | 0,264 | 0,348 | <0,001 |
FP_ 1 | 0,389 | 0,377 | 0,258 | 0,085 | 0,084 | 0,741 | 0,0875 | 0,379 | 0,261 | 0,248 | 0,344 | <0,001 |
FP_ 2 | 0,311 | 0,266 | 0,132 | 0,094 | 0,088 | 0,789 | 0,368 | 0,333 | 0,425 | 0,169 | 0,296 | <0,001 |
FP_ 3 | 0,377 | 0,345 | 0,322 | 0,346 | 0,319 | 0,762 | 0,314 | 0,389 | 0,287 | 0,388 | 0,374 | <0,001 |
FP_ 4 | 0,268 | 0,378 | 0,344 | 0,322 | 0,269 | 0,764 | 0,346 | 0,311 | 0,412 | 0,346 | 0,234 | <0,001 |
FP_ 5 | 0,267 | 0,264 | 0,371 | 0,344 | 0,389 | 0,788 | 0,379 | 0,345 | 0,269 | 0,344 | 0,398 | <0,001 |
ABS_A Q_1 | 0,278 | 0,377 | 0,364 | 0,269 | 0,379 | 0,227 | 0,692 | 0,297 | 0,311 | 0,279 | 0,288 | <0,001 |
ABS_A Q_2 | 0,096 | 0,299 | 0,286 | 0,302 | 0,294 | 0,347 | 0,762 | 0,267 | 0,289 | 0,271 | 0,346 | <0,001 |
ABS_A Q_3 | 0,268 | 0,311 | 0,241 | 0,289 | 0,288 | 0,274 | 0,841 | 0,334 | 0,298 | 0,264 | 0,290 | <0,001 |
ABS_A Q_4 | 0,378 | 0,344 | 0,340 | 0,312 | 0,374 | 0,269 | 0,732 | 0,371 | 0,297 | 0,288 | 0,311 | <0,001 |
ABS_A Q_5 | 0,309 | 0,346 | 0,399 | 0,374 | 0,247 | 0,311 | 0,761 | 0,389 | 0,299 | 0,374 | 0,346 | <0,001 |
ABS_A Q_6 | 0,278 | 0,297 | 0,261 | 0,312 | 0,249 | 0,344 | 0,798 | 0,245 | 0,349 | 0,385 | 0,317 | <0,001 |
ABS_A Q_7 | 0,319 | 0,264 | 0,248 | 0,344 | 0,260 | 0,316 | 0,812 | 0,371 | 0,378 | 0,399 | 0,384 | <0,001 |
ABS_AS S_1 | 0,299 | 0,397 | 0,317 | 0,319 | 0,287 | 0,377 | 0,394 | 0,812 | 0,318 | 0,388 | 0,346 | <0,001 |
ABS_A SS_2 | 0,318 | 0,284 | 0,347 | 0,377 | 0,355 | 0,318 | 0,379 | 0,794 | 0,374 | 0,362 | 0,399 | <0,001 |
ABS_A | 0,379 | 0,267 | 0,399 | 0,344 | 0,369 | 0,340 | 0,394 | 0,847 | 0,374 | 0,388 | 0,318 | <0,001 |
ABS_A | 0,296 | 0,284 | 0,269 | 0,311 | 0,378 | 0,382 | 0,365 | 0,781 | 0,361 | 0,394 | 0,382 | <0,001 |
ABS_A | 0,284 | 0,264 | 0,282 | 0,308 | 0,215 | 0,378 | 0,363 | 0,844 | 0,264 | 0,377 | 0,369 | <0,001 |
ABS_A SS_ 6 | 0,378 | 0,349 | 0,362 | 0,347 | 0,148 | 0,381 | 0,377 | 0,863 | 0,346 | 0,344 | 0,361 | <0,001 |
ABS_A SS_ 7 | 0,319 | 0,297 | 0,263 | 0,277 | 0,378 | 0,344 | 0,314 | 0,787 | 0,384 | 0,316 | 0,210 | <0,001 |
ABS_T R_1 | 0,278 | 0,345 | 0,287 | 0,296 | 0,299 | 0,361 | 0,886 | 0,301 | 0,312 | 0,347 | 0,398 | <0,001 |
ABS_T R_2 | 0,278 | 0,264 | 0,303 | 0,274 | 0,262 | 0,378 | 0,779 | 0,315 | 0,348 | 0,313 | 0,378 | <0,001 |
ABS_TR_3 | 0,210 | 0,316 | 0,276 | 0,313 | 0,291 | 0,367 | 0,864 | 0,347 | 0,302 | 0,320 | 0,249 | <0,001 |
ABS_ TR_4 | 0,289 | 0,315 | 0,243 | 0,312 | 0,346 | 0,299 | 0,890 | 0,378 | 0,298 | 0,349 | 0,294 | <0,001 |
ABS_T R_5 | 0,312 | 0,316 | 0,298 | 2,0398 | 0,247 | 0,371 | 0,754 | 0,278 | 0,249 | 0,378 | 0,274 | <0,001 |
ABS_T R_6 | 0,213 | 0,313 | 0,261 | 0,267 | 0,363 | 0,322 | 0,791 | 0,310 | 0,346 | 0,216 | 0,298 | <0,001 |
ABS_T R_7 | 0,302 | 0,301 | 0,216 | 0,316 | 0,315 | 0,216 | 0,888 | 0,379 | 0,268 | 0,394 | 0,325 | <0,001 |
ABS_E XPL_1 | 0,311 | 0,309 | 0,316 | 0,348 | 0,264 | 0,232 | 0,316 | 0,879 | 0,316 | 0,264 | 0,346 | <0,001 |
ABS_E XPL_2 | 0,136 | 0,279 | 0,316 | 0,345 | 0,264 | 0,261 | 0,2643 | 0,765 | 0,216 | 0,315 | 0,231 | <0,001 |
ABS_E XPL_3 | 0,361 | 0,241 | 0,264 | 0,333 | 0,316 | 0,132 | 0,216 | 0,833 | 0,222 | 0,264 | 0,316 | <0,001 |
ABS_E XPL_4 | 0,248 | 0,264 | 0,316 | 0,260 | 0,245 | 0,216 | 0,301 | 0,748 | 0,316 | 0,165 | 0,264 | <0,001 |
ABS_E XPL_5 | 0,169 | 0,298 | 0,378 | 0,217 | 0,313 | 0164 | 0,253 | 0,891 | 0,210 | 0,317 | 0,261 | <0,001 |
ABS_E XPL_6 | 0,261 | 0,258 | 0,269 | 0,246 | 0,223 | 0,378 | 0,261 | 0,786 | 0,316 | 0,268 | 0,319 | <0,001 |
ABS_E XPL_7 | 0,248 | 0,346 | 0,261 | 0,234 | 0,325 | ,0,341 | 0,244 | 0,842 | 0,264 | 0,209 | 0,301 | <0,001 |
Ch mc | 0,0364 | 0,0485 | 0,041 | 0,032 | 0,264 | 0,321 | 0,267 | 0,344 | 0,839 | 0,243 | 0,345 | <0,001 |
Nota: CSR_EC=RSC Econômica, CSR_LE-RSC Legal, CSR_ET=RSC ética, CSR_PH=RSC Filantrópica, ABS_AQ=Capacidade Absortiva Aquisição, ABS_ASS=Capacidade Absortiva Assimilação, ABS_TR=Capacidade Absortiva Transformação, ABS EXPL=Capacidade Absortiva Exploração, Chmc=Capacidade de Gestão de Mudanças
Fonte: Dados da pesquisa.
A confiabilidade do modelo de mensuração, confirmada pelos valores do Alfa de Cronbach, está dentro dos padrões recomendados, enquanto a confiabilidade composta apresenta valores elevados (Hair Junior et al., 2016). Após ajustes nas variáveis latentes, foi realizada a avaliação das validades convergente e discriminante.
A avaliação do modelo de mensuração através da análise fatorial confirmatória (CFA) confirmou a validade e confiabilidade dos construtos. O modelo estrutural foi avaliado usando SEM, com indicadores de ajuste mostrando bons resultados (APC=0,362, ARS=0,485, AARS=0,482). O coeficiente médio de caminho (APC), média do R-quadrado (ARS) e média do R-quadrado ajustado (AARS) indicam a qualidade preditiva e explicativa do modelo. AVIF e AFVIF revelaram que não há problemas de colinearidade. O índice GoF (0,536) foi considerado grande, validando o modelo PLS globalmente.
As hipóteses de pesquisa foram testadas. A RSC tem um efeito positivo e significativo no desempenho operacional (H1), com um coeficiente de 0,27 e p<0,001. A RSC também influencia positivamente a capacidade absortiva (H2a) e a capacidade de gestão de mudanças (H3a), com coeficientes de 0,51 e 0,03, respectivamente. A capacidade absortiva tem um efeito significativo no desempenho (H2b), com um coeficiente de 0,71.
A capacidade absortiva mostrou um efeito mediador na relação entre RSC e desempenho (H2c), com um coeficiente de 0,599, indicando mediação parcial. A capacidade de gestão de mudanças, no entanto, não mostrou efeito mediador significativo (H3c), sendo esta hipótese refutada. A capacidade absortiva mostrou influência significativa na capacidade de gestão de mudanças (H4a), com um coeficiente de 0,89, mas a mediação dupla de ambas as capacidades na relação entre RSC e desempenho foi refutada (H4b).
Os resultados indicam que práticas de RSC, combinadas com capacidades organizacionais internas como capacidade absortiva e de gestão de mudanças, são fundamentais para o desempenho superior das empresas. Empresas que desenvolvem estas capacidades internas conseguem melhor adaptar-se às demandas do mercado e dos stakeholders, alcançando maior desempenho operacional e financeiro.
A metodologia combinou análise descritiva, CFA e SEM, proporcionando uma compreensão detalhada das relações entre RSC, capacidades organizacionais e desempenho. Esses insights são valiosos tanto para a literatura acadêmica quanto para gestores e praticantes de negócios, reforçando a importância da RSC para o sucesso organizacional sustentável.
4.1. Discussão
O estudo revisou a literatura sobre a Responsabilidade Social Corporativa (RSC), destacando sua relevância estratégica além das preocupações com sustentabilidade e ética. Diversas pesquisas indicaram que a RSC pode melhorar o desempenho financeiro e operacional das empresas, influenciando positivamente a relação entre a empresa e seus stakeholders (Cheema et al., 2020; Vyas; Jain, 2020; Giang; Dung, 2022). Neste contexto, a pesquisa propôs explorar como a capacidade absortiva e a capacidade de gestão de mudanças atuam como mediadoras na relação entre RSC e desempenho organizacional.
A análise dos dados confirmou que a RSC tem um impacto positivo indireto no desempenho organizacional, corroborando estudos anteriores (Callan; Thomas, 2009; Cheung et al., 2013; Arouri; Pijourlet, 2017). A RSC se mostrou um precursor significativo tanto da capacidade absortiva quanto da capacidade de gestão de mudanças. Esses resultados indicam que empresas que investem em RSC também desenvolvem habilidades críticas para se adaptar e inovar, o que pode ser essencial para enfrentar mudanças no mercado (Nybakk; Panwar, 2015).
O estudo dividiu o desempenho organizacional em operacional e financeiro, demonstrando que a RSC, mediada pela capacidade absortiva, influencia positivamente o desempenho financeiro. A capacidade absortiva mostrou-se mais relevante para o desempenho financeiro, enquanto a capacidade de gestão de mudanças teve um impacto mais pronunciado no desempenho operacional, sugerindo que diferentes capacidades organizacionais influenciam distintas dimensões do desempenho (Aguinis, 2009; Swanson, 2007).
Os resultados revelaram que a capacidade de gestão de mudanças pode levar a uma maior competitividade, permitindo que as empresas superem concorrentes através de inovações em produtos, serviços e sistemas de gestão (Calantone; Cavusgil; Zhao, 2002; Narver; Slater, 1990). A capacidade absortiva, ao facilitar o compartilhamento e a utilização do conhecimento, teve um impacto superior no desempenho operacional, enquanto seu efeito no desempenho financeiro foi total, conforme sugerido por Tajeddini, Altinay e Ratten (2017).
Apesar dos avanços, o estudo reconhece algumas limitações. A pesquisa utilizou dados transversais, o que pode não capturar totalmente os efeitos dinâmicos da capacidade absortiva e de gestão de mudanças ao longo do tempo. Dados longitudinais poderiam oferecer insights mais profundos sobre o desenvolvimento dessas capacidades e sua relação com a RSC em diferentes contextos (Eisenhardt; Martin, 2000; Teece; Pisano; Shuen, 1997). Além disso, a amostra focada em empresas brasileiras pode limitar a generalização dos resultados. Estudos futuros poderiam expandir a análise para diferentes setores e regiões, explorando como as capacidades organizacionais influenciam o desempenho de maneiras distintas.
A pesquisa também contribuiu teoricamente ao demonstrar que a RSC pode ser uma vantagem competitiva, não apenas por melhorar os resultados, mas também por estar alinhada às competências organizacionais (Wu; Zumbo, 2008). A capacidade absortiva, em particular, mostrou-se crucial para absorver, disseminar e multiplicar conhecimento dentro das corporações, o que é essencial para a inovação contínua e a adaptação às mudanças.
Gerencialmente, a pesquisa sugere que os gestores devem integrar a RSC em suas estratégias corporativas, alocando recursos para fortalecer as capacidades absortiva e de gestão de mudanças. A RSC pode ser uma ferramenta poderosa para distinguir as empresas da concorrência, especialmente quando utilizada para fomentar inovação e aprendizagem (Bhatti et al., 2021; Srinivasan; Thangaraj, 2021). Os gestores também precisam estar cientes das implicações internas da RSC, monitorando seus efeitos para garantir que essas práticas estão alinhadas com os objetivos organizacionais e contribuem para o desenvolvimento de vantagens competitivas.
Finalmente, a pesquisa sugere que a RSC pode facilitar a exploração de novas oportunidades, proporcionando uma base para ações estratégicas que permitem às empresas se adaptarem a um ambiente de negócios em constante mudança. A integração eficaz da RSC com as capacidades internas de uma organização pode, portanto, ser um motor poderoso para o sucesso organizacional a longo prazo.
5. CONCLUSÃO
A pesquisa teve como objetivo principal verificar o efeito mediador da capacidade absortiva e da capacidade de gestão de mudanças na relação entre RSC e desempenho nas empresas brasileiras. As revelações trazidas proporcionam novas compreensões sobre a associação entre RSC, capacidade absortiva, capacidade de gestão de mudanças e desempenho organizacional, contribuindo significativamente para essas vertentes da literatura.
O estudo encontrou que a capacidade absortiva tem um efeito mediador na relação entre RSC e desempenho financeiro, porém não na relação entre capacidade absortiva e desempenho operacional. Já a capacidade de gestão de mudanças mostrou efeito mediador na relação entre RSC e desempenho operacional, mas não entre RSC e desempenho financeiro. Esses resultados destacam certos mecanismos estratégicos que auxiliam na relação entre RSC e desempenho.
Este trabalho preenche lacunas importantes na pesquisa acadêmica sobre o efeito mediador da capacidade absortiva e da capacidade de gestão de mudanças na relação entre RSC e desempenho nas empresas. A capacidade absortiva é mediadora parcial na relação entre RSC e desempenho, enquanto a capacidade de gestão de mudanças não atua como mediadora parcial. Além disso, não foi identificado efeito de dupla mediação.
A RSC se configura como uma vantagem competitiva não apenas por melhores resultados, mas pela competência acumulada nas habilidades relevantes. A capacidade absortiva, que envolve a absorção, disseminação e multiplicação do conhecimento dentro das corporações, tem maior evidência, pois os demais constructos variam e impactam diretamente em função desta. As capacidades de gestão de mudanças devem ser orientadas pelo capital social, que tem o maior impacto sobre a RSC, abrangendo itens internos e externos que contribuem para sua formação.
Os constructos têm forte relação entre si, com a RSC aderindo à capacidade absortiva e à capacidade de gestão de mudanças. Pensar em RSC é também considerar mudanças sociais e corporativas, pois as responsabilidades sociais organizacionais têm forte aderência a esse item. A competitividade e a busca pelo desempenho operacional, estratégico e tático, traduzido pela competência, sempre proporcionaram discussão científica, seja no âmbito acadêmico ou profissional. Novas metodologias e formas de gerenciamento surgiram para elucidar e solucionar lacunas nos processos, visando a salvaguarda dos ativos empresariais.
A pesquisa colaborou academicamente ao oferecer novas perspectivas sobre como a RSC interfere no comportamento competitivo estratégico interno da organização. As análises empíricas mostraram que a RSC é predecessora da capacidade absortiva e de gestão de mudanças. A capacidade absortiva tem influência no desempenho financeiro. A pesquisa também indica que a RSC pode trazer inovação e aprendizagem, proporcionando uma compreensão mais ampla da RSC e revelando aos gestores uma vantagem plausível para se envolverem com a RSC, visto que os efeitos positivos podem ajudar as empresas a se distinguirem da concorrência, alcançando uma vantagem competitiva.
As implicações gerenciais da pesquisa mostram que capacidades absortivas e capacidades de gestão de mudanças são relevantes e podem estimular o desempenho organizacional através de ações de responsabilidade corporativa. Utilizar essas capacidades para favorecer a relação entre atividades de RSC e desempenho pode diminuir a veemência dos investimentos em sustentabilidade e ações éticas e socialmente responsáveis. As análises indicam que a RSC pode facilitar a inovação e a aprendizagem, trazendo vantagens competitivas ao permitir que empresas com conhecimento para criar vantagem competitiva aumentem seus propósitos investindo na RSC.
As limitações da pesquisa incluem o uso de dados transversais em vez de dados longitudinais, o que pode trazer novas compreensões sobre o desenvolvimento dinâmico das orientações estratégicas e seu relacionamento com a RSC. Além disso, a amostra reflete uma limitação em relação à quantidade de empresas no Brasil. Uma amostra maior poderia permitir uma análise mais detalhada entre os setores em que as empresas operam. As consequências da pandemia de COVID-19 também foram um entrave na coleta de dados, possivelmente gerando viés nos feedbacks dos gestores.
Estudos futuros poderiam explorar o papel de outras variáveis além da capacidade absortiva e da capacidade de gestão de mudanças na relação entre RSC e desempenho organizacional.
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1 Doutor em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail