O PAPEL DO ENFERMEIRO NO CUIDADO HUMANIZADO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM FASE TERMINAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

THE ROLE OF THE NURSE IN THE HUMANIZED CARE OF TERMINALLY ILL ONCOLOGICAL PATIENTS: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789155667

RESUMO
O presente estudo teve como objetivo analisar o papel do enfermeiro no cuidado humanizado de pacientes oncológicos em fase terminal no contexto dos cuidados paliativos. Trata-se de um estudo descritivo, de natureza bibliográfica, desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Google Acadêmico e Biblioteca Virtual da FACSUR. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 10 artigos científicos para compor a amostra final. Os resultados evidenciaram que o enfermeiro exerce papel fundamental na assistência ao paciente oncológico em fase terminal, atuando no controle da dor e de outros sintomas, no suporte emocional, na comunicação terapêutica e no fortalecimento do vínculo entre paciente, família e equipe multiprofissional. Também foram identificados desafios relacionados ao desgaste emocional dos profissionais, à necessidade de capacitação contínua e à importância da humanização da assistência como estratégia para promoção do conforto, da dignidade e da qualidade de vida.
Palavras-chave: Enfermagem oncológica; Cuidados paliativos; Humanização da assistência; Doente terminal; Cuidado de enfermagem.

ABSTRACT
The present study aimed to analyze the role of nurses in the humanized care of terminally ill cancer patients within the context of palliative care. This is a descriptive study of bibliographic nature, developed through an integrative literature review conducted using searches in the PubMed, SciELO, LILACS, Google Scholar, and FACSUR Virtual Library databases. After applying the inclusion and exclusion criteria, 10 scientific articles were selected to compose the final sample. The results showed that nurses play a fundamental role in the care of terminally ill cancer patients, acting in pain and symptom management, emotional support, therapeutic communication, and strengthening the bond between patients, families, and the multidisciplinary team. Challenges related to emotional exhaustion among professionals, the need for continuous training, and the importance of humanized care as a strategy to promote comfort, dignity, and quality of life were also identified.
Keywords: Palliative Care; Oncology Nursing; Humanization of Care; Terminally Ill Patients; Nursing Care.

INTRODUÇÃO

O câncer é uma doença que se origina a partir de alterações no DNA das células. Quando esse material genético sofre algum tipo de dano, podem ocorrer diferentes desfechos: a célula pode morrer, seja em decorrência do próprio erro ou pela ativação da apoptose, regulada por genes supressores tumorais (gatekeepers); o dano pode ser identificado e corrigido por genes responsáveis pelo reparo do DNA (caretakers); ou, em situações menos frequentes, o erro não é corrigido e acaba sendo transmitido para as células filhas, dando início ao processo de formação das neoplasias (Rodrigues; Oliveira, 2024).

Trata-se, portanto, de um processo multifatorial, que envolve alterações genéticas e moleculares capazes de afetar diferentes órgãos e sistemas. Atualmente, o câncer representa um dos principais problemas de saúde pública mundial, estando entre as maiores causas de mortalidade. O aumento da incidência está relacionado a fatores como mudanças demográficas, hábitos de vida e maior exposição a agentes ambientais, refletindo transformações nas condições de vida das populações (Santos et al., 2023).

No cenário nacional, a estimativa para o triênio 2026–2028 aponta cerca de 781 mil novos casos, evidenciando a magnitude do problema e reforçando sua relevância como questão de saúde pública (INCA, 2026). A vigilância do câncer, articulada às ações de controle das doenças crônicas não transmissíveis, utiliza dados provenientes de registros populacionais e hospitalares, além do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Essas informações são fundamentais para o planejamento de políticas públicas, organização dos serviços de saúde e direcionamento de pesquisas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento da doença (Santos et al., 2023).

Com o avanço da doença, há uma fase de declínio que antecede a morte, conhecida como terminalidade da vida, caracterizada como um processo natural e comum a todos os seres vivos. Esse período é delicado e singular, pois cada indivíduo o vivencia de forma única. Quando a morte não ocorre de maneira súbita, o indivíduo passa a se confrontar mais diretamente com sua finitude, geralmente a partir do diagnóstico de uma doença grave ou do agravamento de uma condição já existente. Nessas circunstâncias, torna-se frequente a necessidade de internação hospitalar, o que reforça a importância de uma abordagem mais sensível e voltada ao cuidado nesse momento (Prata, 2017).

Nesse cenário, os cuidados paliativos (CP) surgem como uma abordagem fundamental voltada a pacientes com doenças graves e sem possibilidade de cura. Seu objetivo é promover a qualidade de vida do paciente e de seus familiares, minimizando a dor e outras formas de sofrimento físico, emocional e social (Carvalho; Belfort, 2023). Em consonância com a Política Nacional de Cuidados Paliativos, essa assistência deve ser ofertada de forma integral e humanizada (BRASIL, 2024). Além disso, o impacto do câncer é multidimensional, envolvendo alterações físicas e emocionais que exigem uma assistência ampla, individualizada e acolhedora (Santos et al., 2023).

Dentro desse contexto, a atuação na área de cuidados paliativos requer profissionais capacitados, capazes de oferecer uma assistência qualificada e centrada nas necessidades de cada paciente. Essa atuação envolve não apenas o domínio técnico-científico, mas também habilidades comunicacionais, sensibilidade e capacidade de lidar com situações de sofrimento e finitude. É importante destacar que os cuidados paliativos não devem ser iniciados apenas na fase final da vida, mas desde o diagnóstico de doenças crônicas e progressivas, acompanhando todo o percurso terapêutico e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares (Campos; Vilaça, 2021).

Nesse contexto, a enfermagem assume papel de destaque, uma vez que o enfermeiro atua diretamente no controle da dor e de outros sintomas físicos, além de oferecer suporte emocional, social e espiritual. Sua atuação contribui para que o paciente enfrente o processo de adoecimento com mais conforto e dignidade, além de prestar apoio à família por meio de orientações e acolhimento, favorecendo um cuidado contínuo e sensível às necessidades de cada indivíduo (Pereira; Martins; Silva, 2022).

Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes na implementação dos cuidados paliativos, como a escassez de recursos materiais e humanos, a capacitação insuficiente dos profissionais e a ausência de formação específica para lidar com as necessidades dos pacientes em fase terminal. Soma-se a isso a limitação de leitos especializados, a fragilidade na integração entre os níveis de atenção e a desigualdade na oferta de serviços, fatores que comprometem a qualidade da assistência (Abobreira; Dias, 2025). Essa realidade reforça a necessidade de investimentos em políticas públicas voltadas à qualificação profissional e à ampliação do acesso a cuidados mais humanizados.

Frente a essa realidade, o cuidado humanizado exige do profissional não apenas competência técnica, mas também sensibilidade, postura ética e atenção às dimensões sociais do paciente. De acordo com os princípios da Política Nacional de Humanização, a assistência deve estar pautada no acolhimento, na integralidade do cuidado e na valorização dos sujeitos envolvidos no processo de adoecimento (BRASIL, 2013). Dessa forma, torna-se possível reconhecer as singularidades de cada indivíduo e promover dignidade, conforto e qualidade de vida durante a terminalidade (Matos; Barros, 2024). Além disso, os profissionais de enfermagem convivem diariamente com situações de vida e morte, o que pode gerar desgaste emocional e exige equilíbrio entre sentimentos pessoais e demandas do trabalho, sem comprometer a qualidade da assistência (Costa, 2014).

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, o papel do enfermeiro na promoção do cuidado humanizado a pacientes oncológicos em fase terminal, destacando sua atuação no contexto dos cuidados paliativos, especialmente no controle de sintomas, no suporte emocional, na comunicação terapêutica e no apoio aos familiares, contribuindo para a promoção da dignidade, do conforto e da qualidade de vida durante o processo de terminalidade.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, de natureza bibliográfica, desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, com o objetivo de analisar as evidências científicas acerca do papel do enfermeiro no cuidado humanizado de pacientes oncológicos em fase terminal no contexto dos cuidados paliativos.

A revisão integrativa consiste em um método que permite reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas já publicadas sobre determinado tema, contribuindo para a ampliação do conhecimento científico e para a compreensão mais aprofundada do fenômeno investigado. Esse tipo de revisão possibilita a integração de diferentes estudos e abordagens metodológicas, favorecendo a sistematização do conhecimento disponível na literatura (Lozada; Nunes, 2019).

A pesquisa foi conduzida a partir de etapas estruturadas que incluíram: definição do tema e da questão norteadora, estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão, busca nas bases de dados, seleção dos estudos, extração das informações e síntese dos resultados. Essas etapas foram realizadas de forma sistemática, visando garantir rigor metodológico e transparência no processo de seleção dos estudos.

Para a elaboração da questão norteadora, utilizou-se a estratégia PICo, composta por P (População): pacientes oncológicos em fase terminal; I (Interesse): atuação do enfermeiro na promoção do cuidado humanizado; e Co (Contexto): cuidados paliativos, contribuindo para a delimitação do objeto de estudo e para a definição dos termos empregados na busca bibliográfica (Lockwood et al., 2020).

A questão norteadora desta revisão integrativa foi: Como o enfermeiro pode promover um cuidado humanizado a pacientes oncológicos em fase terminal no contexto dos cuidados paliativos?

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados United States National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Google Acadêmico e Biblioteca Virtual da FACSUR, considerando a relevância dessas fontes para a área da saúde e da Enfermagem.

Para a realização da busca foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes no Medical Subject Headings (MeSH), combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, utilizando os seguintes termos: “enfermagem oncológica”, “cuidados paliativos”, “humanização da assistência”, “doente terminal” e “cuidado de enfermagem”. Foram considerados estudos publicados nos idiomas português e inglês.

Foram adotados como critérios de inclusão: artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados no período de 2020 a abril de 2026, disponíveis gratuitamente e que abordassem diretamente a atuação do enfermeiro no cuidado humanizado de pacientes oncológicos em cuidados paliativos ou em fase terminal. Como critérios de exclusão, foram considerados: artigos duplicados nas bases de dados, estudos caracterizados como revisões de literatura, teses, dissertações, resumos de eventos científicos, artigos pagos e publicações que não apresentassem relação direta com a temática proposta.

Os dados extraídos dos artigos selecionados foram organizados em um instrumento de coleta contendo informações como: autores, ano de publicação, título do estudo, objetivo, tipo de estudo e principais resultados. Posteriormente, os dados foram analisados de forma descritiva e interpretativa, sendo organizados em categorias temáticas, com o objetivo de compreender as principais evidências científicas relacionadas às práticas de enfermagem no cuidado humanizado de pacientes oncológicos em fase terminal.

Durante a elaboração deste trabalho, ferramentas de inteligência artificial generativa foram utilizadas como apoio auxiliar na revisão ortográfica, adequação gramatical e melhoria da fluidez textual, sem substituição da autoria intelectual, análise crítica e interpretação científica desenvolvidas pelos autores.

A busca inicial nas bases de dados resultou em 325 estudos potencialmente relevantes. Ressalta-se que, no Google Acadêmico, devido ao elevado número de resultados encontrados, foram considerados os 30 primeiros estudos ordenados por relevância. Após a remoção de artigos duplicados e aplicação dos filtros iniciais, permaneceram 118 estudos para análise. Em seguida, realizou-se a leitura dos títulos e resumos, sendo selecionados 32 estudos que apresentavam relação com a temática da pesquisa. Posteriormente, procedeu-se à leitura na íntegra de 27 estudos, ocasião em que 17 estudos foram excluídos por abordarem tipos específicos de câncer, por não contemplarem pacientes em fase terminal ou por não enfocarem diretamente a atuação da enfermagem. Ao final do processo de seleção, a amostra final foi composta por 10 artigos científicos elegíveis para esta revisão integrativa.

O processo de seleção dos estudos incluídos nesta revisão integrativa foi organizado de forma sistemática e criteriosa, conforme demonstrado no fluxograma a seguir, o qual apresenta as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos selecionados.

Figura 1. Fluxograma de seleção dos estudos da revisão integrativa

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

RESULTADOS

A análise detalhada dos estudos selecionados permitiu identificar aspectos recorrentes e relevantes relacionados à atuação do enfermeiro no cuidado prestado a pacientes oncológicos inseridos em cuidados paliativos e em fase terminal. A leitura dos artigos evidenciou que a assistência de enfermagem nesse contexto envolve múltiplas dimensões, que abrangem desde o manejo de sintomas físicos até o suporte emocional, a comunicação terapêutica e o acolhimento familiar, demonstrando a complexidade e a importância desse cuidado no processo de terminalidade.

O Quadro 1 apresenta a caracterização dos estudos incluídos nesta revisão integrativa.

Quadro 1. Caracterização dos estudos incluídos na revisão

Autor/ Ano

Título do estudo

Objetivo do estudo

Tipo de estudo

Principais resultados

Kilgour et al., 2025

Advance care planning in oncology nursing: an interpretive description study

Investigar o planejamento antecipado de cuidados em oncologia

Estudo descritivo interpretativo

O estudo evidenciou que enfermeiros reconhecem a comunicação como elemento importante no planejamento antecipado de cuidados e na tomada de decisão compartilhada. Também foram identificadas dificuldades relacionadas ao tempo disponível, insegurança profissional e limitações organizacionais.

Lamare et al., 2024

Necessidades e perspectivas sobre educação em cuidados paliativos em oncologia: entrevistas com médicos e enfermeiros da atenção primária à saúde

Identificar necessidades de formação em cuidados paliativos em oncologia

Estudo qualitativo – entrevistas

O estudo identificou limitações na formação de profissionais da atenção primária relacionadas à comunicação, acolhimento e cuidados paliativos em oncologia. Os participantes destacaram a importância da educação permanente para qualificação da assistência.

Lyu et al., 2024

Oncology nurses’ experiences of providing emotional support for cancer patients: a qualitative study

Analisar experiências de enfermeiros ao oferecer suporte emocional a pacientes com câncer

Estudo qualitativo

O estudo demonstrou que enfermeiros utilizam estratégias como escuta ativa, empatia e acolhimento para oferecer suporte emocional a pacientes com câncer. Também foram relatadas dificuldades relacionadas à sobrecarga de trabalho e limitações na comunicação.

Oliveira et al., 2025

Behind the scenes of palliative care: qualitative study with oncology family caregivers

Analisar experiências de familiares no cuidado de pacientes oncológicos em fase terminal

Estudo qualitativo

O estudo evidenciou sofrimento emocional, sobrecarga assistencial e mudanças na rotina de cuidadores familiares de pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Os participantes relataram medo, desgaste psicológico e dificuldades relacionadas ao cuidado contínuo.

Omidi et al., 2025

A qualitative study on ICU nurses’ perceptions of palliative care

Compreender percepções de enfermeiros sobre cuidados paliativos em ambiente hospitalar

Estudo qualitativo

O estudo identificou desafios clínicos, éticos e organizacionais relacionados à assistência paliativa em ambiente hospitalar. Os participantes destacaram dificuldades na tomada de decisão e necessidade de preparo profissional para o cuidado no final da vida.

Phillips et al., 2026

Chemo chair conversations: a qualitative study of how life and death influence oncology nurses’ well-being and professional care

Explorar experiências de enfermeiros no cuidado a pacientes oncológicos

Estudo qualitativo

O estudo identificou impacto emocional relacionado ao contato frequente com sofrimento, perdas e vínculos estabelecidos com pacientes oncológicos. Também foram relatadas experiências relacionadas ao desgaste emocional e ao bem-estar profissional.

Ribeiro et al., 2023

Cuidadores de pacientes com câncer no final da vida: sofrimento psíquico e redução de bem-estar

Investigar sofrimento psíquico de cuidadores de pacientes com câncer

Estudo descritivo transversal

O estudo evidenciou elevados níveis de sofrimento psíquico, sintomas ansiosos e redução do bem-estar entre cuidadores familiares de pacientes com câncer em fase terminal. Os resultados indicaram maior vulnerabilidade emocional entre cuidadores do sexo feminino.

Sarikahya et al., 2023

Experiences and practices of nurses providing palliative and end-of-life care to oncology patients: a phenomenological study

Investigar experiências de enfermeiros no cuidado de pacientes oncológicos em fase terminal

Estudo fenomenológico – experiência vivida das pessoas

O estudo evidenciou que enfermeiros associam a assistência humanizada à promoção de conforto, dignidade e cuidado centrado nas necessidades do paciente. Também foram destacadas práticas relacionadas à empatia, escuta e presença contínua no cuidado.

Tan et al., 2025

Self-care practices among hospice nurses in general hospitals in China: a qualitative study

Analisar práticas de autocuidado de enfermeiros em cuidados paliativos

Estudo qualitativo

O estudo demonstrou que práticas de autocuidado estão relacionadas ao fortalecimento do bem-estar emocional e psicológico de enfermeiros que atuam em cuidados paliativos. Os participantes relataram estratégias voltadas à saúde física, emocional e espiritual.

Wallgren et al., 2024

Recognizing and acknowledging end – of - life for patients with cancer – a balancing act. A qualitative study of doctors’ and nurses’ experiences

Explorar as experiências de médicos e enfermeiros no reconhecimento do fim da vida em pacientes com câncer

Estudo qualitativo

O estudo identificou dificuldades no reconhecimento da terminalidade e desafios relacionados à tomada de decisão no final da vida. Os autores também destacaram a importância do suporte organizacional e da colaboração entre os profissionais envolvidos no cuidado paliativo.

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A partir da leitura crítica e comparativa dos estudos incluídos nesta revisão integrativa, emergiram cinco categorias temáticas principais, construídas com base nas convergências observadas entre os achados científicos analisados. Essas categorias possibilitam compreender de forma mais ampla e organizada as práticas de enfermagem voltadas ao cuidado humanizado de pacientes com câncer em fase terminal, além de evidenciar desafios profissionais, necessidades assistenciais e estratégias capazes de qualificar a atenção ofertada nesse cenário.

Comunicação e Apoio Emocional

A comunicação terapêutica se apresenta como elemento central na assistência ao paciente oncológico em fase terminal, especialmente nos cuidados paliativos, onde decisões relacionadas ao tratamento, à progressão da doença e à finitude da vida exigem sensibilidade profissional e escuta qualificada. Nesse cenário, a atuação do enfermeiro no planejamento antecipado de cuidados contribui para um cuidado mais centrado no paciente, possibilitando a compreensão de seus valores, preferências e expectativas. Dessa maneira, a comunicação favorece a tomada de decisão compartilhada e a organização do cuidado conforme as necessidades individuais (Kilgour et al., 2025).

Também se observa que as conversas antecipadas permitem alinhar a assistência aos desejos expressos pelo paciente ao longo do processo de adoecimento, promovendo maior autonomia nas decisões terapêuticas. Dessa maneira, a comunicação favorece a tomada de decisão compartilhada e a organização do cuidado conforme as necessidades individuais (Kilgour et al., 2025). Entretanto, a efetividade desse processo também depende da comunicação entre os membros da equipe multiprofissional, uma vez que limitações nesse aspecto podem comprometer o manejo de situações relacionadas ao final da vida. Nesse cenário, discussões clínicas e o planejamento assistencial integrado tornam-se essenciais para o manejo de casos mais complexos (Wallgren et al., 2024).

Em relação ao suporte emocional, percebe-se que os enfermeiros recorrem a estratégias como escuta ativa, acolhimento, empatia e observação contínua das alterações comportamentais para identificar sinais de sofrimento psíquico em pacientes oncológicos. Essas práticas favorecem a expressão de sentimentos como medo, ansiedade e insegurança diante do diagnóstico e da progressão da doença, além de contribuir para o fortalecimento do vínculo terapêutico e para um cuidado mais sensível, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade emocional (Lyu et al., 2024).

Mesmo diante da importância dessas estratégias, ainda existem limitações que dificultam a oferta de um cuidado emocional mais individualizado, como a sobrecarga de trabalho, as dificuldades na comunicação e a carência de conhecimentos em aspectos psicológicos. Assim, a comunicação e o apoio emocional não dependem apenas das habilidades interpessoais do enfermeiro, mas também do suporte institucional, da capacitação contínua e de condições adequadas de trabalho, sendo fundamentais para a promoção de conforto, dignidade e qualidade de vida no cuidado ao paciente em fase terminal (Kilgour et al., 2025; Lyu et al., 2024).

Impacto Emocional nos Familiares e Cuidadores

O processo de adoecimento oncológico em fase terminal repercute de forma significativa não apenas sobre o paciente, mas também sobre familiares e cuidadores, que passam a assumir responsabilidades físicas, emocionais e organizacionais no cuidado diário. Nesse cenário, a vivência do cuidado prolongado está associada a intenso desgaste emocional, marcado por sentimentos como medo, incerteza e tristeza diante da progressão da doença. Além disso, a sobrecarga assistencial pode comprometer a qualidade de vida desses cuidadores, especialmente quando há pouca rede de apoio disponível (Oliveira et al., 2025).

Para além do impacto emocional, também se observam dificuldades relacionadas ao processo de cuidado, como limitações na comunicação com os serviços de saúde, a presença constante da dor do paciente e o peso das responsabilidades cotidianas. Essas condições exigem reorganização de papéis familiares e, muitas vezes, a renúncia de atividades pessoais, contribuindo para o aumento do estresse e do desgaste psicológico. Dessa forma, o adoecimento oncológico em fase terminal afeta diretamente todo o núcleo familiar, exigindo suporte ampliado da equipe assistencial (Oliveira et al., 2025).

Em relação ao sofrimento psíquico, identifica-se a presença de sintomas de ansiedade, depressão e angústia emocional entre cuidadores de pacientes com câncer em fase terminal. Fatores como a convivência direta com o paciente e o vínculo afetivo contribuem para intensificar a vulnerabilidade ao adoecimento emocional, sobretudo entre cuidadores do sexo feminino e aqueles que residem com o paciente. Esses aspectos evidenciam o impacto psicológico significativo do cuidado prolongado (Ribeiro et al., 2023).

Diante desses achados, torna-se necessário reconhecer familiares e cuidadores como sujeitos que também demandam atenção no contexto dos cuidados paliativos. A inclusão da família no plano terapêutico, associada ao acolhimento, à comunicação efetiva e ao suporte psicológico, contribui para a redução da sobrecarga emocional. Nesse sentido, a enfermagem assume papel relevante ao oferecer escuta qualificada e favorecer uma assistência mais integral e sensível às necessidades desses indivíduos (Oliveira et al., 2025; Ribeiro et al., 2023).

Humanização da Assistência de Enfermagem

A humanização da assistência de enfermagem configura-se como elemento essencial no cuidado ao paciente oncológico em fase terminal, especialmente no contexto dos cuidados paliativos, em que as necessidades vão além da dimensão biológica e envolvem aspectos emocionais, sociais e espirituais. Nesse cenário, o cuidado não se limita às intervenções técnicas, incluindo também o alívio do sofrimento, o manejo de sintomas e o suporte contínuo ao paciente e à família. Assim, a atuação do enfermeiro torna-se fundamental para a promoção de conforto e dignidade durante a terminalidade (Sarikahya et al., 2023).

A prática assistencial exige sensibilidade, empatia e a capacidade de compreender as singularidades de cada indivíduo, considerando suas necessidades físicas e emocionais. Além disso, atitudes como presença constante, escuta atenta e respeito às preferências do paciente contribuem para maior segurança emocional e sensação de acolhimento. Essas condutas reforçam a importância de um cuidado individualizado e centrado na pessoa, voltado à manutenção da dignidade até o final da vida (Sarikahya et al., 2023).

No que diz respeito ao suporte emocional, percebe-se que estratégias como empatia, escuta ativa e atenção às necessidades psicológicas são fundamentais na prática assistencial. Essas ações fortalecem o vínculo entre enfermeiro e paciente, favorecem a expressão de sentimentos e ajudam a reduzir inseguranças diante do processo de adoecimento. Dessa forma, a humanização também se manifesta nas relações interpessoais construídas no cuidado diário (Lyu et al., 2024).

Outro aspecto relevante é a comunicação qualificada no planejamento antecipado de cuidados, que contribui para fortalecer a autonomia do paciente e ampliar sua participação nas decisões relacionadas ao tratamento. Nessa perspectiva, os princípios da Política Nacional de Humanização reforçam a importância do acolhimento, da valorização dos sujeitos e da construção de vínculos entre profissionais, pacientes e familiares, favorecendo uma assistência mais integral e centrada nas necessidades individuais (BRASIL, 2013). Assim, a humanização da assistência de enfermagem envolve a integração entre competência técnica, comunicação, empatia e respeito às escolhas individuais. Nesse sentido, o enfermeiro se destaca na construção de uma assistência acolhedora, ética e voltada à qualidade de vida do paciente em fase terminal (Sarikahya et al., 2023; Lyu et al., 2024; Kilgour et al., 2025).

Desafios Enfrentados Pelos Profissionais de Enfermagem

A atuação da enfermagem no cuidado ao paciente oncológico em fase terminal está associada a diversos desafios assistenciais, emocionais e organizacionais, evidenciando a complexidade do trabalho desenvolvido no contexto dos cuidados paliativos. Entre esses desafios, destaca-se a dificuldade em reconhecer o momento de transição para a terminalidade, que exige julgamento clínico criterioso e segurança profissional. Fatores como a incerteza prognóstica e o receio de decisões inadequadas tornam esse processo sensível, demandando experiência e apoio institucional adequado (Wallgren et al., 2024).

Também se observa que aspectos organizacionais interferem diretamente na tomada de decisão e na qualidade da assistência. Estruturas fragilizadas e ausência de alinhamento entre os membros da equipe podem comprometer o manejo de situações relacionadas ao final da vida. Além disso, a implementação dessas práticas ainda enfrenta obstáculos no cotidiano assistencial, como a falta de tempo, a ausência de ambientes adequados para diálogos sensíveis e a fragmentação dos modelos de cuidado. Esses fatores limitam a atuação do enfermeiro e impactam a qualidade da assistência, reduzindo a participação ativa do paciente e de seus familiares (Wallgren et al., 2024; Kilgour et al., 2025).

Em relação às condições de trabalho, percebe-se que fatores como escassez de profissionais, jornadas prolongadas e ausência de suporte institucional impactam negativamente a assistência prestada. Essas limitações exigem dos enfermeiros habilidades específicas, como paciência, ética profissional e competência comunicacional para lidar com situações de terminalidade. Assim, os desafios enfrentados pela enfermagem vão além do aspecto técnico e estão diretamente relacionados às condições estruturais de trabalho (Omidi et al., 2025).

Para além dos aspectos técnicos e institucionais, a atuação no cuidado paliativo envolve elevada carga emocional, decorrente da convivência contínua com o sofrimento, perdas e vínculos estabelecidos com pacientes e familiares. Esse cenário pode resultar em fadiga emocional, luto acumulado e risco de esgotamento profissional, embora também possa favorecer a construção de sentido e crescimento pessoal. Dessa maneira, os desafios enfrentados pela enfermagem abrangem dimensões clínicas, organizacionais e emocionais, exigindo preparo técnico e suporte adequado para a manutenção de uma assistência segura e humanizada (Wallgren et al., 2024; Omidi et al., 2025; Phillips et al., 2026).

Necessidade de Capacitação e Preparo Profissional em Cuidados Paliativos

A capacitação profissional constitui requisito essencial para uma atuação qualificada da enfermagem no contexto dos cuidados paliativos, especialmente diante da complexidade envolvida no cuidado ao paciente oncológico em fase terminal. Nesse cenário, identificam-se lacunas de conhecimento relacionadas a conceitos fundamentais, comunicação, acolhimento e condução do cuidado, o que evidencia a necessidade de maior preparo para atender pacientes e familiares de forma integral. Além disso, observa-se o interesse dos profissionais por programas de formação alinhados à realidade dos serviços de saúde (Lamare e Silva, 2024).

A qualificação em cuidados paliativos deve ir além da abordagem teórica, contemplando o desenvolvimento de competências práticas e relacionais voltadas ao cuidado centrado na pessoa e na família. Nesse sentido, processos educativos permanentes contribuem para maior segurança profissional, fortalecimento da atenção primária e melhor integração entre os níveis assistenciais. Assim, a formação continuada se apresenta como estratégia importante para ampliar o acesso e a qualidade da assistência paliativa (Lamare e Silva, 2024).

Em relação às competências comunicacionais e emocionais, percebe-se que enfermeiros apresentam dificuldades relacionadas à limitação de conhecimentos em psicologia e à comunicação com pacientes em sofrimento. Essas fragilidades comprometem o reconhecimento do sofrimento psíquico e a oferta de suporte emocional adequado. Além disso, a ausência de diretrizes claras e de formação específica pode gerar insegurança quanto ao papel do enfermeiro no planejamento antecipado de cuidados (Lyu et al., 2024; Kilgour et al., 2025).

Para além do preparo técnico-científico, destaca-se a importância do autocuidado para o fortalecimento do bem-estar e da resiliência psicológica dos profissionais que atuam com pacientes terminais. Estratégias relacionadas à saúde física, equilíbrio emocional e apoio social contribuem para a prevenção do desgaste ocupacional. Dessa maneira, a capacitação profissional envolve conhecimentos clínicos, habilidades comunicacionais e preparo emocional, sendo fundamental o investimento em educação permanente para qualificar a assistência e promover um cuidado paliativo ético e sensível às necessidades dos pacientes (Tan et al., 2025).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise dos estudos selecionados, foi possível compreender que a atuação do enfermeiro no cuidado humanizado ao paciente oncológico em fase terminal possui relevância central no contexto dos cuidados paliativos, considerando que esse profissional mantém contato direto e contínuo com o paciente e seus familiares ao longo de todo o processo de adoecimento. Essa proximidade facilita a identificação de necessidades físicas, emocionais e sociais, permitindo intervenções mais rápidas, individualizadas e adequadas à condição clínica apresentada.

Os estudos analisados evidenciaram que a enfermagem tem participação essencial no cuidado ao paciente oncológico em fase terminal, especialmente no controle da dor e de outros sintomas físicos, além do suporte emocional, da comunicação terapêutica e do acolhimento familiar. Nesse sentido, percebe-se que o cuidado prestado pelo enfermeiro ultrapassa procedimentos técnicos, envolvendo também dimensões emocionais e sociais importantes para a promoção do conforto, da dignidade e da qualidade de vida durante a terminalidade.

Assim, a atuação do enfermeiro nesse contexto está diretamente relacionada à oferta de uma assistência mais completa e individualizada, voltada ao alívio do sofrimento e à preservação da dignidade do paciente. Para isso, é necessário reconhecer necessidades físicas e emocionais, manter uma comunicação clara e sensível e fortalecer o vínculo entre paciente, família e equipe multiprofissional, contribuindo para um cuidado mais acolhedor e centrado na pessoa.

No entanto, os resultados também apontaram a existência de desafios que interferem diretamente na prática assistencial, como sobrecarga emocional, desgaste psicológico, limitações estruturais dos serviços, escassez de tempo e insuficiência de recursos humanos. Além disso, a necessidade de maior preparo técnico para lidar com situações de finitude e tomada de decisão no final da vida evidencia que a qualidade da assistência paliativa depende não apenas do profissional, mas também de condições institucionais adequadas e suporte organizacional contínuo.

Diante disso, destaca-se a importância de investimentos em educação permanente, no fortalecimento das políticas públicas voltadas aos cuidados paliativos e na implementação de estratégias institucionais que ofereçam suporte emocional aos profissionais de enfermagem. Além disso, recomenda-se a ampliação de estudos sobre a temática em diferentes contextos assistenciais, contribuindo para o aprimoramento das práticas de cuidado. Assim, reafirma-se que o enfermeiro exerce papel fundamental na promoção de uma assistência humanizada ao paciente oncológico em fase terminal, sendo sua atuação determinante para garantir conforto, respeito e qualidade de vida ao paciente e à sua família.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Enfermeiro. Especialista. Docente do curso de graduação de enfermagem da FACSUR. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail