RELATO DE EXPERIÊNCIA: AÇÕES EDUCATIVAS VOLTADAS A EDUCAÇÃO ESPECIAL REALIZADAS PELA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA JORNALISTA ÉDSON REGIS – ARCOVERDE (PE)

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18363915


Christyanne Ventura Galvão1


RESUMO
Este artigo visa demonstrar o trabalho desenvolvido pela Coordenação Pedagógica da Escola Jornalista Edson Régis, em Arcoverde (PE). A escola atualmente possui 860 estudantes, distribuídos em 26 salas, funcionando em três turnos com Ensino Fundamental – Anos Finais e Novo Ensino Médio. O objetivo principal é elencar as melhores práticas educacionais desenvolvidas na escola, diante da realidade da comunidade ao qual está inserida, levando em consideração os materiais disponíveis e a força de trabalho na unidade escolar para o atendimento dos alunos da Educação Especial, bem como relatar as ações exitosas coordenadas pela Equipe da Coordenação Pedagógica e Coordenação do AEE. Esta análise se apoia nos documentos bibliográficos, no PP escolar, documentos relacionados à temática. O trabalho em tela permite que possamos ter um panorama das ações escolares que possibilitam o desenvolvimento das habilidades e dos conhecimentos dos estudantes com deficiência nas atividades escolares, na melhora do relacionamento familiar, na busca pelo crescimento individual de modo compatível com a sua especificidade. Ainda pretende descrever sobre as questões estruturais e pedagógicas mais adequadas para o atendimento dos estudantes da escola para que este atinja o seu máximo desenvolvimento. Por esta perspectiva podemos considerar um espaço pedagógico ideal, com materiais, métodos e profissionais capacitados ao trabalho e gerenciamento das necessidades dos estudantes com deficiência gera impactos positivos para o cotidiano da escola uma vez que o estudante consegue perceber que a escola e a sala de AEE é um lugar de segurança onde ele pode estar usufruindo dos direitos de aprender que possui.
Palavras-chave: Educação Especial. Ações Educativas. Escola. Atendimento Individualizado.

ABSTRACT
This article aims to demonstrate the work developed by the pedagogical coordination of Escola Jornalista Edson Régis, in Arcoverde (PE). The school currently has 860 students distributed across 26 classrooms, operating in three shifts with Middle School (final years) and the New High School curriculum. The main objective is to list the best educational practices developed at the school, considering the reality of the community in which it is inserted, the available materials, and the workforce within the school unit for the assistance of Special Education students. Furthermore, it reports the successful actions managed by the pedagogical coordination team and the AEE (Specialized Educational Service) coordination. This analysis is supported by bibliographic documents, the school’s Pedagogical Political Project (PPP), and articles related to the theme. The present work provides an overview of school actions that enable the development of skills and knowledge of students with disabilities in school activities, the improvement of family relationships, and the pursuit of individual growth compatible with their specificities. It also intends to describe the most appropriate structural and pedagogical issues for serving the school's students so they can reach their maximum development. From this perspective, it is considered that an ideal pedagogical space—with materials, methods, and professionals trained to work and manage the needs of students with disabilities—generates positive impacts on the school's daily routine, as students are able to perceive that the school and the AEE room are safe places where they can exercise their right to learn.
Keywords: Special Education. Educational Actions. School. Individualized Service.

1. INTRODUÇÃO

Até meados da década de 90, o contexto educacional brasileiro se dividia em dois tipos de educação: a educação regular, para alunos considerados “normais” e a educação especial voltada às pessoas com deficiência. A educação especial ficava à parte do sistema regular, tinha metodologias específicas e ficava sob os cuidados de instituições especializadas. Com a universalização da educação, a partir da constituição de 1988, considerou-se a possibilidade de inserção de pessoas com deficiência nas escolas regulares de ensino; a responsabilidade dessa implementação ficou a cargo dos estados e municípios.

Com as alterações da LDB 9394/96, que versam sobre a educação no Brasil, a educação especial passou a ser integrada ao sistema regular de ensino. De acordo com dados da UNICEF - United Nations International Children's Emergency Fund, metade das 93 milhões de crianças deficientes estão excluídas da escola. Até pouco tempo, grande parte as famílias se comportavam de maneira pouco ativa com relação à educação de seus filhos.

Hoje percebe-se um número considerável de famílias que têm crianças e adolescentes em idade estudantil com necessidades especiais e entende a responsabilidade do poder público para com estas crianças e adolescentes no dever do atendimento e da assistência especializada, além de também direcionamento destas a serviços públicos que favoreçam seu desenvolvimento ou minimização de suas limitações.

Fávero (2004), escreve sobre o direito da criança com deficiência estar na escola e afirma que “Cada vez mais cresce a consciência de que os alunos com deficiência não são apenas titulares do direito a uma educação especial”. Eles têm direito de estar na mesma escola e sala de aula que todos frequentam.

Ainda Fávero (2004) afirma que: “as dificuldades devem ser enfrentadas de forma que criança alguma fique à margem do desenvolvimento de sua geração, em respeito ao seu direito de igualdade, à cidadania e à dignidade”. Tudo isto perpassa pela ação de todas as pessoas que estão nos diversos setores da escola, não apenas em quem trabalha com o estudante do AEE. Ter uma Gestão com um olhar sensível é um grande passo inicial para o sucesso dos estudantes com deficiência. Outro fator, não menos importante, é ter uma equipe de professores que esteja aberta a compreensão da sua importante colaboração para que o estudante seja efetivamente incluído nos trabalhos do cotidiano escolar de forma ativa e adaptada.

A educação especial na Escola Jornalista Édson Régis é vista como uma das prioridades, uma vez que a demanda cresce de maneira substancial nos últimos anos, por isso, o planejamento escolar da escola coloca o estudante do AEE numa posição de inclusão e de vivência ativa no ambiente escolar. O PP escolar descreve as ações e práticas desenvolvidas para os estudantes na escola de maneira que os alunos do AEE participem na medida que sua condição permita.

A prática de atividades que inserem estes estudantes fortalece o seu desenvolvimento, os sentimentos de empatia e de amizade entre os estudantes. Encontrar segurança no espaço escolar garante o desenvolvimento de autonomia que este jovem não alcançaria caso não estivesse integrado ao sistema regular de ensino. A convivência com pessoas além daquelas do seio familiar promove aprendizagens significativas e possibilidades de desenvolvimento de protagonismo, facilitando que ele aprenda a conviver e a resolver pequenos entraves de seu cotidiano de forma mais independente.

Avaliar a dinâmica do funcionamento escolar permite que sejam identificadas as ações exitosas da escola e também identificar as fragilidades. Essa análise permite o (re)ordenamento das ações e práticas para o atendimento às crianças com necessidades especiais.

2. DESENVOLVIMENTO3.1. CAMINHO DA MELHORA ESTRUTURAL

2.1. Caminho da Melhora Estrutural

Neste trabalho será demonstrado o trabalho da Coordenação Pedagógica da Escola Jornalista Édson Régis na cidade de Arcoverde apoiado na reflexão desenvolvida por Mantoan (2011), que leva em consideração questões relevantes e urgentes da “escola que temos e a escola que queremos ter”, avaliando as necessidades e as urgências escolares encontradas. Afine-se ainda a discussão sobre o direito de todos, em idade escolar ou não, de ter o acesso às políticas educacionais apropriadas.

Fez-se necessário um debate entre a Equipe Gestora e a Coordenação Escolar, em virtude do aumento substancial do número de estudantes matriculados na Educação Especial. Até o ano de 2023, os 32 estudantes do AEE não tinham um espaço apropriado às suas necessidades. Observa-se também o número de professores que procuram ajuda na coordenação escolar para tirar dúvidas sobre como atender este estudante e também se visualizava que o estudante especial precisava de um espaço onde ele pudesse se sentir à vontade e pudesse ser atendido de forma personalizada em sua diferença. Era o que faltava na escola.

Muitos meses se passaram e uma reorganização interna foi realizada em 2023 onde gestão escolar desapropriou uma sala que estava tomada por materiais inservíveis e em desuso e providenciou a montagem de uma sala de recursos multifuncionais.

A ideia original era criar um espaço de prezasse pelo atendimento dos estudantes da Educação Especial Inclusiva no contra turno. Este atendimento seria realizado pelas duas professoras recém-chegadas à instituição Especialistas em Educação Especial Inclusiva.

A implementação desse “lugar ideal”, foi direcionada através de um planejamento da Gestão Escolar e a Coordenação Pedagógica, tendo o Educador de Apoio como incentivador da criação desse espaço ao identificar uma necessidade extrema dos estudantes com necessidades especiais. Participam desta construção também as Coordenadoras de AEE, os Professores de Apoio Especializado, a Intérprete de Libras, o Professor de Libras, Professores da Escola e os demais colaboradores da instituição.

3. DESCRIÇÃO DA EQUIPE DE PROFISSIONAIS DO AEE ESCOLAR

A equipe do AEE da escola Jornalista Edson Régis contava no ano de 2023 era composta por dois Coordenadores de AEE, 1 Professora Intérprete de Libras, 1 Professor Instrutor de Libras e 4 professores de Apoio especializado; juntos estes acompanhavam 9 estudantes em sala de aula e as professoras de AEE atendiam mais 23 na sala de AEE.

A força de trabalho desta equipe foi de substancial importância para o início do funcionamento dos trabalhos da sala de AEE e impulsionam a visibilidade do trabalho na comunidade escolar. Após a implementação desta sala, ano após ano percebeu-se que o número de estudantes continuou a se elevar advindo de várias escolas, inclusive de egressos da rede particular de ensino.

É notório que não apenas nesta, mas grande parte das escolas apresenta um déficit de profissionais de apoio especializado em várias unidades da rede estadual de Pernambuco. Na Escola Edson Régis, no segundo semestre de 2023 (Dados do SIEPE) existiam 23 estudantes com laudo no AEE que estavam sem acompanhamento de profissional de apoio especializado dentro de sala de aula.

Em 2025 o Sistema de Informações Educacionais indica que a escola tem 860 estudantes em 26 salas de aula regulares. De acordo com dados do SIEPE, foi levantado que a escola tem neste ano citado 56 estudantes com necessidades especiais. O quadro de funcionários da escola tem 8 Profissionais de Apoio Especializado que atendem 33 alunos. Os demais estudantes estão matriculados na turma de AEE estão com acompanhamento na sala de AEE e sem profissional de apoio em sala no horário regular.

4. QUEM SÃO OS ESTUDANTES DO AEE E SEUS CAMINHOS

Para FÁVERO (2004), todo ser humano é titular do direito à educação que compreende, para crianças e adolescentes, o acesso e a permanência em ambiente escolar oficial e não separado por grupo de pessoas, que vise o pleno desenvolvimento humano e o preparo para o exercício da cidadania.

Diante do pensamento expresso por FÁVERO (1999) não pode o estudante especial estar separado do grupo de alunos das salas regulares. E ainda, MANTOAN (2011), observa questões de urgência “sobre a escola que temos e a escola que queremos construir”, claramente relacionado como o ensino deve ser ofertado às pessoas com deficiência dentro do sistema regular, acrescido por ferramentas e profissionais que ajudem o estudante a formalizar seu aprendizado com métodos próprios. Aprender com método personalizado traz a construção do saber significativo e o alcance dos direitos de igualdade, cidadania e dignidade.

Algumas vezes os caminhos percorridos pelos alunos especiais nas escolas públicas e privadas são excludentes e muitas vezes segregam os saberes elementares dos níveis básicos de ensino, mas é percebido nos últimos anos, interesse em elencar nos Projetos Políticos Pedagógicos escolares espaços importantes para o desenvolvimento de um plano educacional para os estudantes de AEE mais cuidadosos e direcionado de forma personalizada.

Para MANTOAN (1999), “A inclusão implica uma mudança de paradigma educacional, que gera uma reorganização das práticas escolares”. Devem ser inseridas no planejamento, no cuidado da formação das turmas, nos métodos de avaliação e gerenciamento dos processos educativos. A

Ainda para MANTOAN (1999) já se tem feito no sentido do convencimento das vantagens da inclusão escolar para todo e qualquer aluno. Embora não pareçam, as perspectivas são animadoras, pois as experiências inclusivas vigentes têm resistido às críticas, ao pessimismo, ao conservadorismo e às resistências.

5. PANORAMA ESCOLAR E ANÁLISE DAS NECESSIDADES

No início do segundo semestre de 2023, a Escola Jornalista Edson Régis estavam matriculados 32 estudantes com algum tipo de necessidade especial, temos elencadas as principais: Deficiência Auditiva Profunda, Deficiência Física, Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista, Transtornos Globais do Desenvolvimento, TDAH, Tetraplegia e Deficiência Intelectual, Síndrome de Down, Dislexia, Discalculia, Déficits Aprendizagem e Retardo Mental.

O número real de estudantes com alguma deficiência na escola é maior que o expresso no SIEPE, uma vez que existem estudantes sob investigação médica para fechamento de laudo e também temos observância de outros, levados pelos professores à Coordenação Pedagógica por apresentar sinais clássicos de conhecimento comum de algum adoecer psicológico ou deficiência. As famílias desses estudantes são encaminhadas ao Pedagogo escolar para um trabalho de sensibilização e orientadas a levar seu filho ao médico da área para avaliação.

Mesmo dada a não obrigatoriedade do laudo para a escola, este documento é de muita importância, pois, norteia a ação da escola. Partir de um parecer de um profissional de saúde com competência de fazer esta análise permite que a equipe de Coordenação escolar e Coordenação de AEE tenham possibilidade de estudar a situação do estudante e verificar diante daquela individualidade qual ação melhor desenvolve seu aprendizado. O que observamos que compromete o serviço da escola para com o atendimento de todos os estudantes é que nem todos tem o profissional de apoio especializado. Existe uma demora nos encaminhamentos para que esta pessoa de fato chegue a unidade escolar. Mesmo assim percebemos que a equipe é muito empenhada em atender os estudantes da educação inclusiva.

Apesar do déficit de profissionais de apoio escolar, a Coordenação Escolar e a Coordenação de AEE constrói o PDI – Plano de desenvolvimento Individual - e tenta executá-lo na medida do possível na sala de aula e na sala de AEE. A equipe durante todo o ano articula ações junto aos professores para que o educando supere as suas dificuldades, não somente de sua vida escolar, mas também desenvolva mais autonomia em sua vida diária e prática.

Durante o ano muitas atividades escolares são oferecidas na escola tem a participação dos estudantes do Atendimento Educacional Especializado. A exemplo temos as atividades comemorativas, culturais e esportivas como o Carnaval, Páscoa, São João, Jogos Inter classe, Semana da Consciência Negra, Semana da Pessoa com Deficiência, Trabalhos de Conclusão de Curso – TCF, Monitoria de Aprendizagens, Mostra de Robótica, Festivais de Cultura Locais, Passeios, Feiras Literárias, Festa das Crianças e Palestras dentro e fora da escola.

6. COTIDIANO DAS FAMILIAS E DA ESCOLA

Cotidianamente nos deparamos com relatos de familiares que embaraçam o bom andamento dos trabalhos escolares. Algumas famílias socializam que enfrentam obstáculos para conseguir acompanhamento médico, terapêutico, psicológico ou de reabilitação do filho na rede pública de saúde por diversos fatores como a demora de meses em conseguir consulta ou relata que o médico atestou “a criança não tem problema algum”, fazendo com que a família necessite recomeçar nova investigação a procura de uma segunda opinião.

A insuficiência econômica da maior parte das famílias dos estudantes também é um fator muito citado. Existem relatos de famílias que estão à espera da concessão do BPC a anos, este benefício de direito certo muitas vezes é negado e a criança tem seu tratamento medicamentoso dificultado, pois a medicação que a criança necessita não está disponível na rede pública de saúde. Todos estes empecilhos refletem na qualidade do trabalho escolar, pois uma criança especial sem o devido acompanhamento médico tem prejudicado seu bem-estar e consequentemente tem comprometido seus progressos de aprendizagem.

A coordenação escolar ainda precisa, em alguns casos, desenvolver um trabalho de sensibilização para que algumas famílias percebam a necessidade de conduzir de forma contínua o filho aos acompanhamentos médicos e terapêuticos. A continuidade desses tratamentos terapêuticos permite que o estudante fique mais tranquilo em relação a seu comportamento na escola e diante das situações adversas do dia a dia e possa estar mais independente nos ambientes que o desafiam. Essas novas posturas tomadas por ele e acompanhadas pela família ajudam muito o serviço da escola.

Para Alves (2012), as interações sociais e familiares com a escola, as afetividades, a boa comunicação entre os personagens da escola e o aluno, a possibilidade de uma boa vivencia social entre todos, tudo isso cria um desempenho importante na formação da personalidade da criança. O sucesso da aprendizagem dos estudantes da educação especial depende do preparo profissional das pessoas da escola, mas também depende que a família acompanhe o filho aos atendimentos médicos e terapêuticos que ela necessite para que ela possa estar bem de saúde e estar bem em sala de aula. Todos esses agentes precisam desempenhar seu papel com responsabilidade pelo bem-estar do aluno.

O resultado desse acompanhamento familiar chega na escola de forma muito positiva e assim a escola pode desempenhar melhor o seu trabalho sabendo que essa parceria ajuda na construção dos planos de ação e do PDI deste aluno.

A partir da construção do PDI, não se tem dúvida que o educando vai progredir de forma mais eficiente, com seu direito resguardado, com minimização de suas dificuldades, pois este instrumento aumenta a possibilidade de oferecer ao estudante um atendimento personalizado e permite o tracejo de novas rotas a serem percorridas pelo discente e pelo seu professor de apoio, além de forma periódica avaliar o seu progresso.

De acordo com a demanda existente, seria necessário a escola receber mais 4 profissionais de apoio para acompanhar os estudantes que ainda estão sem auxílio em sala, número que impacta significativamente o cotidiano escolar, uma vez que as salas são bem numerosas e não pode um professor em regência sozinho dar conta de seu trabalho de forma eficiente a mais de 30, 35 estudantes e atender de forma adequada estudantes especiais na mesma sala sem profissional de apoio.

7. COTIDIANO DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

A Coordenação Pedagógica da escola atuam conjuntamente com a Coordenação de AEE planejando atividades, auxiliando no gerenciamento do cotidiano dos estudantes que “desregulam” durante o tempo de aula, orienta o professor de apoio especializado, agenda e media capacitação na escola por profissionais de saúde mental com a finalidade de aprofundar o conhecimento da equipe de professores, organiza a compra de materiais para o desenvolvimento das atividades adaptadas, atende os estudantes e suas famílias, encaminha os discentes atendidos pela coordenação do AEE para avaliação médica nos postos de saúde, serviços de assistência social e CAPS – Centro de Atenção Psicossocial - bem como outras atividades correlatas à sua função.

Durante o ano, o trabalho do Educador de Apoio é a pessoa próxima dos estudantes que continuamente e diariamente os acompanha, pois, a frequência escolar desses estudantes é bastante significativa - sobretudo nos turnos da manhã e tarde - e um projeto de apoio educacional bem planejado, supervisionado, executado por toda a equipe desperta o prazer do estudante estar no ambiente escolar.

A grande maioria dos estudantes do AEE demonstra o gosto de estar na escola e não falta, exceto que esteja em atendimento médico. O trabalho integrativo desenvolvido na escola pelos professores e profissionais de apoio colabora para que a permanência destes seja assegurada através das adaptações razoáveis assegurada pelas normativas e na Lei brasileira de Inclusão.

Há cinco anos a escola tem a Semana da Pessoa com Deficiência que acontece no mês de agosto, esta ação surgiu de uma necessidade de ter um momento de atividades específicas para a socialização entre os estudantes de diversas séries do Ensino Fundamental dos Anos Finais. O grupo contava na época com poucos alunos, 1 Coordenadora, 1 professor de Libras e 1 intérprete de libras. Alguns outros funcionários da escola são claramente simpatizantes desta causa, atuando sempre na colaboração das atividades. Os estudantes do AEE junto aos colegas de sala participam de projetos culturais, recreativos e científicos junto aos demais estudantes durante o ano com a finalidade de sociabilização, desenvolvimento de habilidades e crescimento individual e melhor socialização com seu grupo de sala.

8. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS9.2. NOVA SALA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

8.1. Nova Sala de Educação Especial

O atendimento do AEE até dezembro de 2023 sempre foi em uma sala pequena de 2,75m2, que não atendia as necessidades básicas dos estudantes e profissionais da Educação Especial. A partir daí foi realizado um planejamento de ações da Coordenação Escolar junto a Gestão para a desocupação de uma sala de 36 m² com materiais obsoletos e a implementação de um espaço para atender os estudantes, famílias e Curso de Libras da escola. A transferência da sala do AEE antiga para a nova esteve em curso entre setembro e dezembro de 2023. No início de 2024 a sala foi inaugurada e iniciou seu funcionamento aos 39 estudantes matriculados no ano de 2024. Atualmente, a escola encerrou o ano de 2025 com 56 alunos com necessidades especiais, 2 professoras de AEE e 8 Profissionais de apoio especializado. Não resta dúvida que esta SRM - Sala de Recursos Multifuncionais - é de fundamental importância para atender a demanda tão substancial que a escola tem.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muitos são os desafios enfrentados diariamente por todos os profissionais de sala de aula ou que oferecem suporte pedagógico às crianças e adolescentes com necessidades especiais. Prioritariamente é preciso que o debate se aprofunde, no sentido de promover sentimentos de empatia e de cumprimento de direitos legais assegurados a estas pessoas que não devem estar à margem das possibilidades educacionais oferecidas a todos.

Ter um espaço apropriado de acolhimento ao estudante, uma Gestão Escolar sensível as especificidades do AEE, ter utensílios e equipamentos próprios, metodologias específicas e atendimento personalizado, ter Projeto Político Pedagógico com espaço direcionado às ações que devem ser executadas de forma pontual e formação profissional da equipe escolar no âmbito da educação Especial Inclusiva possibilita o fortalecimento da escola como um todo, mas resulta sobretudo na consolidação das aprendizagens significativas e respeitosas às crianças e adolescentes com necessidades especiais.

É necessária a eficiência de muitas ações articuladas entre os principais atores que estão em torno do cotidiano das pessoas especiais, sem tirar em nenhum momento a importância da família no acompanhamento do filho para que se sinta seguro e confiante, da rede pública de saúde e do sistema previdenciário desburocratizado para as famílias possam melhorar as condições de acesso ao atendimento de necessidades que os serviços públicos não oferecem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. LDB – Lei 9394/96. Estabelece as diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996.

BRASIL. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Lei nº 13.146, de 5 de julho de 2015. Brasília, DF: Presidência da República, 2015.

FÁVERO, E. A. G. Direito das Pessoas com Deficiência: Garantia de igualdade e diversidade. Rio de Janeiro: WVA, 2004.

FREITAS, M. C. O Aluno-Problema: Forma Social, Ética e Inclusão. São Paulo: Ed. Cortez, 2011.

Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996. BRASIL.

MANTOAN, M. T E. O Desafio das Diferenças nas Escolas. Petrópolis: Ed.Vozes, 2011.

MEIRIEU, P. Aprender Sim...Mas Como?. Porto Alegre: Artes médicas, 1998.

PERREROUD, P. Dez Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Escola Jornalista Edson Régis, Arcoverde, 2025.

SEBER, M. G. Construção da Inteligência pela Criança: Atividades do Período Pré-Operatório. São Paulo: Ed. Scipione, 1991.


1 Professora Licenciada em Geografia pela UPE-FFPG. Especialista em Gestão Ambiental pela UPE-FFPG. Especialista em Educação Especial e Inclusiva. Coordenadora Pedagógica do CAEE - Centro de Atendimento Educacional Especializado de Arcoverde. Atuou na escola Edson Régis de fevereiro de 2020 a julho de 2025. Lattes: https://lattes.cnpq.br/8540821993041394. E-mail: [email protected]