REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780429945
RESUMO
A cannabis medicinal tem apresentado potencial terapêutico no tratamento da epilepsia, dor crônica e transtornos de ansiedade. Este estudo objetivou analisar os efeitos terapêuticos dos canabinoides por meio de revisão bibliográfica qualitativa realizada na base da PubMed. Foram encontrados 116 artigos, com 27 selecionados para fundamentação teórica e 7 utilizados na discussão principal. Os resultados indicaram propriedades anticonvulsivantes, analgésicas, anti-inflamatórias e ansiolíticas associadas principalmente ao canabidiol, apesar das limitações relacionadas à padronização terapêutica e segurança clínica.
Palavras-chave: Cannabis medicinal. Canabidiol. Epilepsia. Dor crônica. Transtornos de ansiedade.
ABSTRACT
Medicinal cannabis has shown therapeutic potential in the treatment of epilepsy, chronic pain, and anxiety disorders. This study aimed to analyze the therapeutic effects of cannabinoids through a qualitative literature review conducted in PubMed database. A total of 116 articles were identified, with 27 selected for theoretical foundation and 7 used in the main discussion. The findings indicated anticonvulsant, analgesic, anti-inflammatory, and anxiolytic properties mainly associated with cannabidiol, despite limitations related to therapeutic standardization and clinical safety.
Keywords: Medicinal cannabis; Cannabidiol; Epilepsy; Chronic pain; Anxiety disorders.
1. INTRODUÇÃO
A cannabis medicinal vem se consolidando como um importante objeto de investigação científica devido ao crescente interesse relacionado às suas propriedades terapêuticas em doenças neurológicas, psiquiátricas e dolorosas. Nas últimas décadas, o avanço das pesquisas sobre os fitocanabinoides e o sistema endocanabinoide humano permitiu uma nova compreensão acerca da utilização medicinal da Cannabis sativa, especialmente em condições clínicas que apresentam limitações terapêuticas nos tratamentos convencionais (Bandawe, 2022; Castillo-Arellano et al., 2023; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
A Cannabis sativa possui diversos compostos bioativos, destacando-se o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), considerados os principais responsáveis pelos efeitos farmacológicos da planta. Enquanto o THC apresenta ação psicoativa, o CBD possui propriedades terapêuticas sem provocar efeitos intoxicantes significativos, tornando-se um dos compostos mais investigados no contexto medicinal (Leen et al., 2024; Castillo-Arellano et al., 2023). Pesquisas recentes indicam que a interação entre canabinoides e outros compostos da planta pode potencializar seus efeitos terapêuticos (Weston-Green et al., 2021).
Os avanços relacionados ao sistema endocanabinoide humano ampliaram a compreensão sobre os mecanismos terapêuticos da cannabis medicinal. Esse sistema participa da modulação da dor, inflamação, humor, sono e excitabilidade neuronal, o que explica o crescente interesse científico relacionado ao uso terapêutico dos canabinoides em doenças neurológicas, dolorosas e psiquiátricas (Castillo-Arellano et al., 2023; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
Entre as principais aplicações terapêuticas da cannabis medicinal destaca-se o tratamento da epilepsia refratária. A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada pela ocorrência recorrente de crises convulsivas decorrentes de alterações na atividade elétrica cerebral, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Em muitos casos, os indivíduos apresentam resistência aos anticonvulsivantes tradicionais, o que impulsionou o desenvolvimento de estudos envolvendo o uso do canabidiol como terapia complementar (Jugl et al., 2021; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
Evidências recentes demonstram que produtos ricos em CBD podem contribuir para redução significativa da frequência e intensidade das crises epilépticas, especialmente em pacientes com síndromes graves e refratárias (Jugl et al., 2021; Kaur et al., 2025; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024). Além disso, estudos também apontam melhora da qualidade de vida, do sono e da funcionalidade dos pacientes submetidos ao tratamento com cannabis medicinal (Kaur et al., 2025).
A dor crônica também representa uma das principais áreas de interesse relacionadas ao uso medicinal da cannabis. Considerada um importante problema de saúde pública, a dor crônica está associada a limitações físicas, sofrimento emocional e comprometimento funcional. Pesquisas demonstram que os canabinoides apresentam potencial analgésico devido à modulação das vias nociceptivas e dos processos inflamatórios, contribuindo para redução da intensidade dolorosa em pacientes com dores neuropáticas, fibromialgia e doenças degenerativas (Leen et al., 2024; Solmi et al., 2023). Estudos clínicos apontam ainda melhora na qualidade de vida e redução do uso de opioides em determinados grupos de pacientes tratados com cannabis medicinal, embora ainda existam limitações relacionadas à padronização das doses, composição dos produtos e protocolos terapêuticos (Leen et al., 2024; O’Neill et al., 2023).
Os transtornos de ansiedade também têm sido amplamente discutidos nas pesquisas envolvendo cannabis medicinal. A ansiedade é uma condição que compromete aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais, afetando significativamente o bem-estar dos indivíduos. Estudos apontam que o CBD apresenta propriedades ansiolíticas relacionadas à modulação serotoninérgica, contribuindo para redução dos sintomas ansiosos e melhora do controle emocional (Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024; Weston-Green et al., 2021). Apesar dos benefícios terapêuticos associados à cannabis medicinal, ainda existem preocupações relacionadas aos efeitos adversos, à segurança clínica e à padronização das formulações terapêuticas utilizadas (Hoch et al., 2025; O’Neill et al., 2023).
Apesar do crescente número de estudos relacionados à cannabis medicinal, ainda existem importantes limitações científicas relacionadas à padronização das formulações, segurança terapêutica, dosagem e efeitos adversos de longo prazo. Estudos recentes demonstram que os principais efeitos adversos associados ao uso medicinal da cannabis incluem sedação, tontura, fadiga, náuseas, alterações cognitivas e prejuízo da atenção e memória, fatores que podem interferir diretamente nas atividades cotidianas e laborais dos pacientes (O’Neill et al., 2023; Leen et al., 2024). Além disso, as diferenças entre concentrações de THC e CBD, vias de administração e características individuais dos pacientes dificultam a consolidação de protocolos terapêuticos universais (Leen et al., 2024).
Diante desse contexto, observa-se a necessidade de aprofundar as discussões científicas relacionadas aos benefícios, limitações e mecanismos terapêuticos da cannabis medicinal, especialmente em doenças que apresentam resistência aos tratamentos convencionais. Nesse sentido, surge a seguinte problemática: quais são as evidências científicas acerca do potencial terapêutico da cannabis no tratamento da epilepsia, da dor crônica e dos transtornos de ansiedade?
A presente pesquisa justifica-se pela crescente expansão do uso medicinal da cannabis e pela necessidade de reunir evidências científicas atualizadas capazes de contribuir para a compreensão de seus efeitos terapêuticos, riscos e limitações clínicas. Além disso, a relevância social do estudo está relacionada à busca por alternativas terapêuticas que possam melhorar a qualidade de vida de pacientes acometidos por doenças crônicas, neurológicas e psiquiátricas refratárias aos tratamentos convencionais.
O presente estudo objetivou analisar o potencial terapêutico da cannabis no tratamento da epilepsia, dor crônica e transtornos de ansiedade por meio de revisão da literatura científica. Como objetivos específicos, compreender os mecanismos farmacológicos da cannabis medicinal e do sistema endocanabinoide; investigar os benefícios terapêuticos do canabidiol no tratamento das principais condições abordadas; e identificar limitações, efeitos adversos e desafios relacionados ao uso clínico da cannabis medicinal. A pesquisa reúne evidências científicas relacionadas aos benefícios, limitações e desafios terapêuticos da cannabis medicinal, contribuindo para ampliação das discussões sobre sua aplicabilidade clínica.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Cannabis Medicinal e Sistema Endocanabinoide
A utilização medicinal da Cannabis sativa vem sendo amplamente discutida na comunidade científica devido às propriedades farmacológicas de seus compostos bioativos, especialmente os canabinoides. Nas últimas décadas, os avanços relacionados à descoberta do sistema endocanabinoide humano possibilitaram maior compreensão acerca dos mecanismos fisiológicos e terapêuticos da cannabis medicinal, contribuindo para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas em doenças neurológicas, psiquiátricas e dolorosas (Bandawe, 2022; Castillo-Arellano et al., 2023; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
A Cannabis sativa apresenta composição química complexa, contendo mais de 500 compostos químicos identificados, incluindo fitocanabinoides, flavonoides, terpenos e compostos fenólicos. Entre os principais canabinoides destacam-se o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), considerados os compostos mais estudados no contexto terapêutico (Leen et al., 2024). O THC possui ação psicoativa relacionada aos efeitos eufóricos e cognitivos da cannabis, enquanto o CBD apresenta propriedades anticonvulsivantes, anti-inflamatórias, antioxidantes, ansiolíticas e neuroprotetoras sem produzir efeitos intoxicantes relevantes (Castillo-Arellano et al., 2023; Weston-Green et al., 2021).
O sistema endocanabinoide é constituído principalmente pelos receptores CB1 e CB2, endocanabinoides endógenos e enzimas responsáveis pela síntese e degradação desses mediadores. Os receptores CB1 estão predominantemente distribuídos no sistema nervoso central, especialmente em regiões cerebrais relacionadas ao controle da dor, memória, emoção, aprendizado e coordenação motora. Já os receptores CB2 encontram-se principalmente em células imunológicas e tecidos periféricos, desempenhando importante função na modulação inflamatória e imunológica (Castillo-Arellano et al., 2023; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
Além da interação com os receptores canabinoides clássicos, estudos demonstram que o CBD atua sobre diferentes vias neuroquímicas, incluindo receptores serotoninérgicos 5-HT1A, canais TRPV1, receptores GPR55 e mecanismos relacionados à adenosina. Essa ampla atuação farmacológica contribui para os efeitos ansiolíticos, anticonvulsivantes e anti-inflamatórios observados em diversos estudos clínicos e experimentais (Castillo-Arellano et al., 2023). A literatura também destaca o chamado “efeito entourage”, mecanismo no qual canabinoides, terpenos e outros compostos da planta atuam de forma sinérgica, potencializando os efeitos terapêuticos da cannabis medicinal (Weston-Green et al., 2021; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
O aumento das pesquisas relacionadas à cannabis medicinal reforça a necessidade de formulações terapêuticas mais seguras e padronizadas. Estudos demonstram que fatores como concentração dos canabinoides, via de administração e características individuais dos pacientes influenciam diretamente os efeitos terapêuticos e adversos da cannabis medicinal (Leen et al., 2024).
2.2. Potencial Terapêutico da Cannabis no Tratamento da Epilepsia
A epilepsia é uma doença neurológica crônica caracterizada pela ocorrência recorrente de crises epilépticas decorrentes de alterações anormais na atividade elétrica cerebral. Essa condição afeta milhões de pessoas em todo o mundo e apresenta impactos significativos na qualidade de vida, no desenvolvimento cognitivo, nas relações sociais e na funcionalidade dos indivíduos acometidos. Embora existam diversos medicamentos anticonvulsivantes disponíveis, uma parcela considerável dos pacientes apresenta resistência aos tratamentos convencionais, caracterizando a chamada epilepsia refratária, condição que impulsionou o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao uso terapêutico da cannabis medicinal (Jugl et al., 2021; Kaur et al., 2025; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
O interesse científico envolvendo cannabis medicinal e epilepsia aumentou significativamente após estudos demonstrarem que o canabidiol (CBD) apresenta propriedades anticonvulsivantes relevantes sem provocar efeitos psicoativos intensos. Diferentemente do delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), o CBD possui baixa afinidade direta pelos receptores CB1 e CB2, atuando principalmente através da modulação de canais iônicos, receptores serotoninérgicos e mecanismos relacionados à neuroinflamação e excitabilidade neuronal (Castillo-Arellano et al., 2023). Essa atuação multifatorial contribui para estabilização neuronal e redução da hiperexcitabilidade cerebral associada às crises convulsivas (Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
Estudos recentes demonstram resultados promissores do uso do CBD em pacientes com epilepsia refratária, especialmente em síndromes graves como Dravet e Lennox-Gastaut. Segundo Kaur et al. (2025), pacientes tratados com formulações ricas em CBD apresentaram redução significativa da frequência das crises epilépticas, além de melhora clínica relacionada ao sono, comportamento e qualidade de vida. Da mesma forma, Jugl et al. (2021) destacam que o uso medicinal da cannabis vem sendo associado à diminuição da intensidade das crises convulsivas e à melhora funcional de pacientes resistentes aos anticonvulsivantes tradicionais.
Além da redução das crises epilépticas, a literatura também aponta benefícios relacionados à neuroproteção e à modulação inflamatória promovidas pelos canabinoides. De acordo com Stasiłowicz-Krzemień et al. (2024), o CBD apresenta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias capazes de reduzir danos neuronais associados à atividade convulsiva prolongada. Os autores destacam ainda que o sistema endocanabinoide exerce importante papel na regulação da excitabilidade sináptica, contribuindo para o equilíbrio neurofisiológico e para a diminuição da propagação das crises epilépticas.
Outro aspecto relevante discutido na literatura refere-se à qualidade de vida dos pacientes submetidos ao tratamento com cannabis medicinal. Estudos indicam melhora relacionada ao sono, apetite, interação social, cognição e bem-estar geral em indivíduos que utilizam produtos ricos em CBD como terapia complementar (Kaur et al., 2025). Além disso, alguns pacientes apresentam redução da necessidade de múltiplos anticonvulsivantes, contribuindo para menor ocorrência de efeitos adversos relacionados à polifarmácia (Jugl et al., 2021).
Apesar dos resultados promissores, os estudos apontam limitações relacionadas à padronização das formulações, doses terapêuticas e segurança clínica em longo prazo. Além disso, efeitos adversos como sedação, fadiga e alterações gastrointestinais podem ocorrer durante o tratamento com cannabis medicinal, reforçando a necessidade de monitoramento clínico contínuo e de estudos mais robustos sobre eficácia e segurança terapêutica (Leen et al., 2024; O’Neill et al., 2023).
2.3. Uso da Cannabis Medicinal no Manejo da Dor Crônica
A dor crônica é considerada um importante problema de saúde pública, afetando milhões de pessoas e comprometendo significativamente aspectos físicos, emocionais e sociais dos indivíduos. Caracteriza-se pela persistência da dor por períodos superiores a três meses, frequentemente associada a doenças neurológicas, musculoesqueléticas, inflamatórias e degenerativas. Além do impacto funcional, a dor crônica está relacionada ao desenvolvimento de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e redução da qualidade de vida, tornando-se um desafio terapêutico relevante na prática clínica contemporânea (Leen et al., 2024; Solmi et al., 2023).
Nesse contexto, a cannabis medicinal vem sendo investigada como alternativa terapêutica para o manejo da dor crônica, especialmente em casos resistentes aos tratamentos convencionais. Os canabinoides presentes na Cannabis sativa, principalmente o THC e o CBD, atuam sobre o sistema endocanabinoide humano modulando vias nociceptivas e processos inflamatórios relacionados à percepção da dor (Castillo-Arellano et al., 2023; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024). Os receptores CB1, distribuídos predominantemente no sistema nervoso central, participam da modulação da transmissão dolorosa, enquanto os receptores CB2 estão relacionados à regulação imunológica e inflamatória em tecidos periféricos (Castillo-Arellano et al., 2023).
Os estudos clínicos recentes apontam resultados promissores relacionados ao uso da cannabis medicinal em diferentes tipos de dor crônica, principalmente dor neuropática, fibromialgia, dor oncológica e dores associadas a doenças degenerativas. Segundo Leen et al. (2024), pacientes submetidos ao tratamento com produtos padronizados de cannabis apresentaram redução significativa da intensidade dolorosa e melhora funcional, especialmente quando utilizadas formulações contendo proporções equilibradas entre THC e CBD. Além disso, os autores destacam que os efeitos terapêuticos variam conforme a dose administrada, composição do produto e histórico prévio de uso da cannabis pelos pacientes.
A literatura também evidencia que os canabinoides podem contribuir para redução do uso prolongado de opioides em pacientes com dor crônica. De acordo com Solmi et al. (2023), alguns estudos observacionais demonstraram diminuição da necessidade de analgésicos opioides após introdução da cannabis medicinal, contribuindo para menor risco de dependência, tolerância medicamentosa e efeitos adversos associados ao uso crônico desses fármacos. Além disso, os autores destacam melhora relacionada ao sono, humor e qualidade de vida em pacientes tratados com cannabis medicinal como terapia complementar.
Apesar dos benefícios terapêuticos observados, a utilização da cannabis medicinal no tratamento da dor crônica ainda apresenta limitações importantes. Segundo O’Neill et al. (2023), os principais efeitos adversos associados ao uso medicinal da cannabis incluem sedação, tontura, fadiga, alterações cognitivas, prejuízo da atenção e redução do tempo de reação, fatores que podem impactar diretamente a funcionalidade e segurança dos pacientes em atividades cotidianas e laborais. Além disso, os autores destacam a ausência de padronização universal sobre doses, formulações e vias de administração, dificultando a consolidação de protocolos terapêuticos amplamente estabelecidos.
Os estudos também destacam propriedades anti-inflamatórias e neuroprotetoras associadas aos canabinoides, contribuindo para redução da sensibilização relacionada à dor crônica. Entretanto, ainda existem limitações metodológicas envolvendo diferenças entre doses, formulações e tempo de acompanhamento clínico, dificultando a padronização terapêutica dos tratamentos baseados em cannabis medicinal (Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024; Leen et al., 2024).
Outro ponto frequentemente discutido refere-se aos riscos relacionados ao uso de formulações com altas concentrações de THC. Segundo Hoch et al. (2025), produtos ricos em THC podem desencadear efeitos adversos psiquiátricos e cognitivos, incluindo ansiedade, paranoia, alterações de memória e prejuízo funcional, especialmente em indivíduos predispostos ou submetidos a doses elevadas. Dessa forma, a literatura destaca a importância do desenvolvimento de formulações mais seguras e individualizadas, priorizando equilíbrio entre eficácia terapêutica e redução de riscos clínicos.
Assim, observa-se que a cannabis medicinal apresenta potencial terapêutico relevante no manejo da dor crônica, especialmente devido às propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e moduladoras do sistema endocanabinoide. Entretanto, embora os resultados clínicos sejam promissores, ainda existem desafios relacionados à padronização terapêutica, segurança clínica e necessidade de estudos longitudinais mais robustos capazes de consolidar protocolos terapêuticos seguros e eficazes para diferentes condições dolorosas.
2.4. Cannabis Medicinal e Transtornos de Ansiedade
Os transtornos de ansiedade estão entre as condições psiquiátricas mais prevalentes na população mundial, afetando significativamente a saúde mental, o comportamento e a qualidade de vida dos indivíduos. Essas condições caracterizam-se por medo excessivo, preocupação persistente, alterações cognitivas e sintomas físicos relacionados à hiperatividade do sistema nervoso autônomo, comprometendo atividades sociais, acadêmicas e profissionais. Além disso, os transtornos ansiosos frequentemente estão associados a outras condições psiquiátricas, como depressão, distúrbios do sono e abuso de substâncias, tornando-se um importante problema de saúde pública (Saiz et al., 2022; Hoch et al., 2025).
Nesse contexto, a cannabis medicinal passou a ser amplamente investigada devido ao potencial ansiolítico de alguns de seus compostos, especialmente o canabidiol (CBD). Diferentemente do delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis, o CBD apresenta propriedades terapêuticas relacionadas à modulação emocional sem provocar efeitos intoxicantes significativos (Castillo-Arellano et al., 2023; Weston-Green et al., 2021). Estudos demonstram que o CBD atua sobre receptores serotoninérgicos, principalmente o receptor 5-HT1A, além de interagir com mecanismos relacionados à neuroinflamação, estresse oxidativo e modulação do sistema endocanabinoide, contribuindo para redução da ansiedade e melhora da estabilidade emocional (Castillo-Arellano et al., 2023).
A literatura científica aponta resultados promissores relacionados ao uso do CBD em diferentes manifestações de ansiedade, incluindo transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade social e sintomas relacionados ao estresse. Weston-Green et al. (2021) destacam que o CBD apresenta potencial terapêutico relevante em transtornos psiquiátricos devido às suas propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias e neuroprotetoras. Além disso, os autores ressaltam que compostos terpênicos presentes na cannabis, como linalol e pineno, também podem contribuir para efeitos calmantes e moduladores do humor, reforçando a hipótese do “efeito entourage” entre os diferentes compostos da planta.
Entretanto, embora o CBD demonstre resultados terapêuticos promissores, os estudos também evidenciam importantes limitações relacionadas ao uso da cannabis medicinal em transtornos de ansiedade. Segundo Hoch et al. (2025), produtos ricos em THC podem desencadear efeitos adversos psiquiátricos, incluindo ansiedade exacerbada, paranoia, alterações cognitivas e sintomas psicóticos em indivíduos predispostos. Os autores destacam que os efeitos da cannabis sobre a saúde mental dependem diretamente da concentração dos canabinoides, da frequência de uso, da susceptibilidade individual e da presença de condições psiquiátricas prévias.
Além dos riscos psiquiátricos, a literatura também aponta efeitos adversos relacionados ao uso medicinal da cannabis, incluindo sedação, fadiga, alterações da memória, prejuízo da atenção e redução do tempo de reação. O’Neill et al. (2023) destacam que esses efeitos podem interferir significativamente no desempenho funcional e ocupacional dos pacientes, especialmente em atividades que exigem concentração e coordenação motora. Além disso, os autores ressaltam a necessidade de monitoramento clínico rigoroso durante o uso medicinal da cannabis, principalmente em indivíduos com histórico de transtornos psiquiátricos ou vulnerabilidade psicológica.
Os estudos demonstram que o sistema endocanabinoide exerce importante papel na regulação emocional e na resposta ao estresse, justificando o interesse científico relacionado ao uso do CBD em transtornos ansiosos (Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024). Entretanto, ainda existem limitações relacionadas à padronização terapêutica, diferenças metodológicas e ausência de estudos clínicos de longo prazo capazes de consolidar protocolos seguros e eficazes para o tratamento da ansiedade com cannabis medicinal (Leen et al., 2024).
Dessa forma, observa-se que a cannabis medicinal, especialmente através do canabidiol, apresenta potencial terapêutico relevante no manejo dos transtornos de ansiedade devido às propriedades ansiolíticas, neuroprotetoras e moduladoras do sistema endocanabinoide. Entretanto, apesar dos resultados promissores, ainda existem limitações relacionadas à segurança clínica, padronização das formulações e necessidade de estudos clínicos mais robustos capazes de consolidar protocolos terapêuticos seguros e eficazes para diferentes transtornos ansiosos.
2.5. Efeitos Adversos, Limitações Clínicas e Desafios Terapêuticos da Cannabis Medicinal
Embora a cannabis medicinal apresente resultados promissores no tratamento de diversas condições neurológicas, psiquiátricas e dolorosas, a literatura científica também evidencia importantes limitações relacionadas à segurança clínica, padronização terapêutica e ocorrência de efeitos adversos. O crescente aumento do uso medicinal da cannabis intensificou as discussões acerca dos riscos associados aos canabinoides, especialmente em tratamentos prolongados e em pacientes com maior vulnerabilidade neurológica ou psiquiátrica (O’Neill et al., 2023; Hoch et al., 2025).
Os efeitos adversos mais frequentemente relatados na literatura incluem sedação, tontura, fadiga, sonolência, náuseas, alterações gastrointestinais, prejuízo cognitivo e redução da atenção e do tempo de reação. Segundo O’Neill et al. (2023), estudos envolvendo cannabis medicinal demonstraram que sintomas como sedação, euforia, confusão mental e alterações da coordenação motora podem interferir diretamente no desempenho funcional e ocupacional dos pacientes, especialmente em atividades que exigem concentração e tomada rápida de decisões. Os autores destacam ainda que esses efeitos podem aumentar riscos relacionados à direção veicular, operação de máquinas e acidentes laborais.
Além dos efeitos físicos e cognitivos, a literatura também aponta riscos psiquiátricos relacionados ao uso de formulações ricas em delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). Hoch et al. (2025) destacam que concentrações elevadas de THC podem desencadear ansiedade exacerbada, paranoia, alterações perceptivas e sintomas psicóticos, especialmente em indivíduos predispostos ou com histórico psiquiátrico prévio. Da mesma forma, Solmi et al. (2023) ressaltam que os efeitos da cannabis sobre a saúde mental dependem de fatores como dose, frequência de uso, idade do paciente, predisposição genética e composição química do produto utilizado.
Outro aspecto importante discutido na literatura refere-se à ausência de padronização terapêutica entre os estudos clínicos envolvendo cannabis medicinal. Segundo Leen et al. (2024), existe ampla variabilidade entre concentrações de THC e CBD, vias de administração, tempo de tratamento e perfil clínico dos pacientes avaliados, dificultando comparações metodológicas e consolidação de protocolos terapêuticos universais. Além disso, a diversidade de formulações disponíveis no mercado contribui para diferenças significativas na biodisponibilidade e nos efeitos farmacológicos observados nos pacientes.
Além disso, estudos destacam a necessidade de maior cautela no uso medicinal da cannabis em populações específicas, incluindo idosos, pacientes com transtornos psiquiátricos e indivíduos em uso concomitante de múltiplos medicamentos. O’Neill et al. (2023) ressaltam que interações medicamentosas e condições clínicas preexistentes podem potencializar efeitos adversos e comprometer a segurança terapêutica, especialmente em tratamentos prolongados. Os autores também apontam que ainda existem limitações relacionadas à avaliação dos impactos neurocognitivos do uso contínuo da cannabis medicinal.
Apesar dessas limitações, os estudos demonstram que a cannabis medicinal apresenta potencial terapêutico relevante quando utilizada de forma criteriosa e supervisionada. Entretanto, a literatura reforça a necessidade de desenvolvimento de ensaios clínicos mais robustos, protocolos terapêuticos padronizados e monitoramento contínuo dos pacientes, visando ampliar a segurança, eficácia e individualização do tratamento baseado em canabinoides.
2.6. Perspectivas Científicas e Avanços da Cannabis Medicinal
O avanço das pesquisas relacionadas à cannabis medicinal vem promovendo importantes transformações científicas, clínicas e regulatórias nas últimas décadas. O crescente interesse acerca das propriedades terapêuticas dos canabinoides impulsionou o desenvolvimento de novos estudos voltados à compreensão dos mecanismos farmacológicos da Cannabis sativa, bem como à busca por formulações mais seguras, eficazes e padronizadas para diferentes condições clínicas (Leen et al., 2024; Hoch et al., 2025).
Entre os principais avanços científicos destaca-se o desenvolvimento de formulações padronizadas contendo concentrações específicas de THC e CBD. Segundo Leen et al. (2024), a padronização dos produtos medicinais à base de cannabis é considerada essencial para garantir maior previsibilidade terapêutica, segurança clínica e reprodutibilidade dos resultados obtidos nos estudos científicos. Os autores ressaltam ainda que produtos farmacêuticos padronizados permitem melhor controle da dose administrada e redução das variações relacionadas à composição química da planta.
Nesse sentido, as perspectivas científicas futuras relacionadas à cannabis medicinal dependem diretamente da realização de ensaios clínicos mais robustos, desenvolvimento de protocolos terapêuticos padronizados e ampliação das pesquisas translacionais envolvendo mecanismos farmacológicos dos canabinoides. Dessa forma, a literatura evidencia que a cannabis medicinal representa uma área em constante expansão científica, apresentando potencial terapêutico relevante e perspectivas promissoras para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas baseadas em evidências.
3. METODOLOGIA
O estudo consiste em uma revisão bibliográfica qualitativa, descritiva e exploratória, desenvolvida com o objetivo de analisar as evidências científicas relacionadas ao potencial terapêutico da cannabis no tratamento da epilepsia, da dor crônica e dos transtornos de ansiedade. A revisão de literatura foi utilizada como método de investigação por possibilitar levantamento, análise e interpretação crítica das produções científicas já publicadas sobre o tema, permitindo identificar avanços, limitações e perspectivas relacionadas ao uso medicinal da cannabis.
A pesquisa bibliográfica foi realizada na base de dados do PubMed, consideradas importantes fontes de produção científica nacional e internacional na área da saúde. Para realização das buscas foram utilizados descritores em português e inglês relacionados ao tema da pesquisa, incluindo os termos: “cannabis medicinal”, “canabidiol”, “CBD”, “THC”, “epilepsia”, “dor crônica”, “transtornos de ansiedade”, “medical cannabis”, “cannabidiol”, “epilepsy”, “chronic pain” e “anxiety disorders”. Os descritores foram combinados por meio de operadores booleanos AND e OR, visando ampliar a sensibilidade e especificidade das buscas.
Como critérios de inclusão foram considerados artigos científicos publicados preferencialmente entre os anos de 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, escritos em português ou inglês e relacionados às aplicações terapêuticas da cannabis medicinal em humanos. Foram incluídos estudos clínicos, revisões sistemáticas, revisões narrativas, umbrella reviews e artigos científicos que abordassem especificamente os efeitos terapêuticos da cannabis medicinal no tratamento da epilepsia, dor crônica e transtornos de ansiedade.
Foram excluídos artigos duplicados, materiais incompletos, publicações sem relação direta com os objetivos da pesquisa, estudos exclusivamente veterinários e pesquisas que abordassem predominantemente o uso recreativo da cannabis sem enfoque terapêutico. Trabalhos que apresentavam fragilidade metodológica ou ausência de fundamentação científica consistente também não foram incluídos na análise final.
Inicialmente foram encontrados 116 (cento e dezesseis) artigos científicos nas bases de dados pesquisadas. Após leitura dos títulos e resumos, 40 (quarenta) estudos foram selecionados para leitura na íntegra por apresentarem maior proximidade com a temática proposta. Posteriormente, 27 (vinte e sete) artigos atenderam integralmente aos critérios de inclusão e foram utilizados na construção da fundamentação teórica da pesquisa.
Dentre os 27 estudos selecionados, 7 (sete) artigos foram definidos como base principal para análise comparativa dos resultados e discussão, considerando critérios relacionados à robustez metodológica, atualização científica, profundidade analítica e relevância clínica para os objetivos do estudo. Esses artigos principais permitiram construção mais aprofundada das discussões relacionadas à eficácia terapêutica da cannabis medicinal, seus mecanismos farmacológicos, benefícios clínicos, efeitos adversos e limitações terapêuticas.
Os dados obtidos nos artigos selecionados foram organizados em categorias temáticas relacionadas à epilepsia, dor crônica, transtornos de ansiedade, sistema endocanabinoide, mecanismos farmacológicos, eficácia terapêutica, efeitos adversos e desafios clínicos da cannabis medicinal. Posteriormente, realizou-se análise interpretativa e comparativa dos resultados encontrados na literatura científica, buscando identificar convergências, divergências e lacunas existentes nos estudos publicados.
Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica baseada em dados secundários disponíveis em bases científicas públicas, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme as diretrizes éticas aplicáveis às revisões de literatura.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os estudos analisados indicam que a cannabis medicinal apresenta benefícios clínicos relevantes no tratamento da epilepsia, da dor crônica e dos transtornos de ansiedade (Castillo-Arellano et al., 2023; Weston-Green et al., 2021; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024). As evidências apontam benefícios principalmente relacionados ao uso do canabidiol (CBD) em condições clínicas resistentes aos tratamentos convencionais.
Os estudos convergem quanto à redução das crises convulsivas, melhora da dor crônica e controle de sintomas ansiosos em pacientes tratados com formulações ricas em CBD (Kaur et al., 2025; Jugl et al., 2021; Leen et al., 2024). Entretanto, a literatura também evidencia importantes limitações metodológicas relacionadas às doses administradas, composição das formulações, vias de administração e tempo de acompanhamento terapêutico, dificultando a padronização clínica dos tratamentos baseados em cannabis medicinal (Solmi et al., 2023; Leen et al., 2024).
Além disso, os estudos destacam preocupações relacionadas à segurança clínica, especialmente em formulações com elevadas concentrações de delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), associadas a efeitos adversos cognitivos e psiquiátricos, como ansiedade exacerbada, sedação e alterações perceptivas (Hoch et al., 2025; O’Neill et al., 2023). Dessa forma, os resultados analisados reforçam a necessidade de monitoramento clínico individualizado e maior padronização terapêutica para utilização segura da cannabis medicinal.
Dentre os 27 artigos selecionados para composição desta revisão bibliográfica, 7 estudos apresentaram maior robustez metodológica e relevância clínica para os objetivos da pesquisa, sendo utilizados como base principal para análise comparativa dos resultados e discussão.
4.1. Caracterização dos Estudos Selecionados
Quadro 1 – Caracterização dos principais estudos utilizados na análise dos resultados e discussão.
Autor (ano) | Tipo de estudo | Tema principal | Principais achados |
Leen et al. (2024) | Revisão sistemática | Produtos padronizados de cannabis medicinal | Redução da dor crônica, melhora funcional e identificação dos principais efeitos adversos relacionados ao uso medicinal da cannabis. |
Solmi et al. (2023) | Umbrella review | Benefícios e riscos da cannabis medicinal | Evidenciou potencial terapêutico da cannabis em condições neurológicas e dolorosas, além de limitações relacionadas à segurança clínica e efeitos psiquiátricos. |
Kaur et al. (2025) | Revisão científica | Cannabis medicinal e epilepsia | Demonstrou redução significativa das crises epilépticas em pacientes com epilepsia refratária tratados com CBD. |
Jugl et al. (2021) | Revisão científica | Cannabis medicinal em doenças neurológicas | Identificou benefícios terapêuticos da cannabis em epilepsia e melhora da qualidade de vida dos pacientes. |
Castillo-Arellano et al. (2023) | Revisão narrativa | Efeitos farmacológicos do CBD | Demonstrou atuação multifatorial do CBD em mecanismos anticonvulsivantes, anti-inflamatórios e ansiolíticos. |
O’Neill et al. (2023) | Scoping review | Segurança clínica e efeitos adversos | Evidenciou sedação, tontura, fadiga e prejuízo cognitivo como principais efeitos adversos da cannabis medicinal. |
Stasiłowicz-Krzemień et al. (2024) | Revisão científica | Aplicações terapêuticas da Cannabis sativa | Demonstrou potencial terapêutico da cannabis em epilepsia, dor crônica e transtornos neuropsiquiátricos. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
A literatura evidencia predominância de revisões sistemáticas, revisões narrativas e umbrella reviews, demonstrando tendência recente de consolidação científica acerca do uso medicinal da cannabis. Observou-se que a maior parte das pesquisas concentra-se principalmente na investigação do canabidiol (CBD), considerado o principal composto terapêutico da Cannabis sativa devido às suas propriedades anticonvulsivantes, ansiolíticas, anti-inflamatórias e neuroprotetoras, sem induzir efeitos psicoativos intensos associados ao delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) (Castillo-Arellano et al., 2023; Hoch et al., 2025).
Além disso, os estudos evidenciaram crescente preocupação científica relacionada à padronização das formulações terapêuticas, principalmente em relação às concentrações de THC e CBD, vias de administração e segurança clínica dos tratamentos baseados em cannabis medicinal. Nesse contexto, os resultados encontrados demonstram que, embora os benefícios terapêuticos sejam promissores, ainda existem importantes lacunas relacionadas aos efeitos neurocognitivos de longo prazo, individualização terapêutica e consolidação de protocolos clínicos seguros e padronizados (Leen et al., 2024; O’Neill et al., 2023).
4.2. Evidências Terapêuticas da Cannabis no Tratamento da Epilepsia
A literatura evidencia consenso quanto aos benefícios clínicos da cannabis medicinal no tratamento da epilepsia refratária, especialmente relacionados ao uso do canabidiol (CBD). A literatura científica evidenciou que pacientes resistentes aos anticonvulsivantes tradicionais apresentaram redução da frequência e intensidade das crises convulsivas após utilização de formulações ricas em CBD, indicando importante potencial terapêutico dos canabinoides em condições neurológicas de difícil controle clínico (Kaur et al., 2025; Jugl et al., 2021; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
Os resultados demonstram benefícios clínicos relevantes em pacientes tratados com formulações ricas em CBD, incluindo redução das crises epilépticas e melhora funcional (Kaur et al., 2025; Jugl et al., 2021). Os autores observaram redução significativa das crises epilépticas e melhora da qualidade de vida dos pacientes submetidos ao tratamento com cannabis medicinal, especialmente em relação ao sono, comportamento e funcionalidade geral. Esses resultados são semelhantes aos encontrados em outros estudos relacionados à utilização do CBD em epilepsias refratárias.
Os mecanismos farmacológicos relacionados aos efeitos anticonvulsivantes da cannabis medicinal também foram amplamente discutidos nos estudos analisados. Segundo Castillo-Arellano et al. (2023), o CBD atua em múltiplas vias neuroquímicas relacionadas à modulação da excitabilidade neuronal, neuroinflamação e equilíbrio sináptico, contribuindo para redução da hiperatividade elétrica cerebral associada às crises convulsivas. Diferentemente do THC, o CBD apresenta baixa afinidade direta pelos receptores CB1 e CB2, exercendo seus efeitos principalmente por meio da interação com receptores serotoninérgicos, canais TRPV1 e mecanismos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Stasiłowicz-Krzemień et al. (2024) reforçam que os efeitos terapêuticos observados na epilepsia não estão relacionados exclusivamente aos canabinoides isolados, mas também à interação sinérgica entre compostos da Cannabis sativa, incluindo terpenos e flavonoides. Essa interação, conhecida como “efeito entourage”, pode potencializar os efeitos anticonvulsivantes e neuroprotetores da cannabis medicinal, favorecendo maior estabilidade neuronal e redução dos danos associados à atividade convulsiva prolongada.
Outro aspecto relevante identificado nos estudos refere-se à melhora da qualidade de vida dos pacientes tratados com cannabis medicinal. Além da redução das crises epilépticas, os autores observaram benefícios relacionados ao sono, apetite, interação social e desempenho funcional dos indivíduos submetidos ao tratamento com CBD (Kaur et al., 2025). Em alguns casos, verificou-se ainda redução da necessidade de múltiplos anticonvulsivantes, contribuindo para diminuição dos efeitos adversos associados à polifarmácia e melhora da adesão terapêutica (Jugl et al., 2021).
Apesar dos resultados promissores, os estudos também evidenciaram limitações importantes relacionadas ao uso medicinal da cannabis na epilepsia. Leen et al. (2024) apontam grande variabilidade metodológica entre os estudos clínicos, principalmente em relação às doses administradas, proporções entre THC e CBD, vias de administração e tempo de acompanhamento terapêutico. Essa heterogeneidade dificulta a comparação direta entre os resultados e limita a consolidação de protocolos terapêuticos universalmente padronizados.
Além disso, os estudos analisados identificaram ocorrência de efeitos adversos associados ao uso medicinal da cannabis, incluindo sonolência, sedação, fadiga, tontura e alterações gastrointestinais, especialmente em pacientes submetidos a doses elevadas ou em associação com outros anticonvulsivantes (O’Neill et al., 2023). Embora esses efeitos tenham sido considerados predominantemente leves ou moderados, os autores ressaltam a necessidade de monitoramento clínico contínuo durante o tratamento com cannabis medicinal.
Outro ponto discutido na literatura refere-se à necessidade de estudos clínicos de longo prazo capazes de avaliar os efeitos neurocognitivos do uso contínuo da cannabis medicinal, principalmente em crianças e adolescentes com epilepsia refratária. Solmi et al. (2023) e Hoch et al. (2025) destacam que, embora as evidências atuais sejam promissoras, ainda existem lacunas relacionadas à segurança prolongada, interações medicamentosas e individualização terapêutica dos tratamentos baseados em canabinoides.
Assim, as evidências disponíveis reforçam a relevância clínica do CBD no manejo da epilepsia refratária, embora ainda existam limitações relacionadas à padronização terapêutica e segurança em longo prazo. Entretanto, a literatura científica evidencia que a consolidação dessa terapêutica ainda depende de maior padronização metodológica e do desenvolvimento de estudos clínicos mais robustos capazes de ampliar a segurança e eficácia dos tratamentos baseados em cannabis medicinal.
4.3. Evidências Terapêuticas da Cannabis no Manejo da Dor Crônica
A literatura analisada demonstra que a cannabis medicinal apresenta potencial terapêutico relevante no manejo da dor crônica, especialmente em condições associadas à dor neuropática, processos inflamatórios e doenças degenerativas. A literatura evidenciou que os canabinoides atuam diretamente na modulação das vias nociceptivas e dos mecanismos inflamatórios relacionados à percepção da dor, contribuindo para redução da intensidade dolorosa e melhora funcional dos pacientes (Leen et al., 2024; Stasiłowicz-Krzemień et al., 2024).
Leen et al. (2024), em revisão sistemática envolvendo produtos padronizados de cannabis medicinal, observaram melhora significativa da dor em pacientes submetidos ao tratamento com formulações contendo THC e CBD. Os autores identificaram resultados positivos principalmente em indivíduos com dores neuropáticas e condições dolorosas crônicas resistentes às terapias convencionais. Além da redução da dor, os estudos também demonstraram melhora relacionada ao sono, mobilidade e qualidade de vida dos pacientes tratados com cannabis medicinal.
Resultados semelhantes foram descritos por Stasiłowicz-Krzemień et al. (2024), que destacaram a atuação anti-inflamatória e neuroprotetora dos canabinoides como um dos principais mecanismos relacionados ao controle da dor crônica. Segundo os autores, o sistema endocanabinoide participa diretamente da modulação da resposta inflamatória e da transmissão nociceptiva, contribuindo para redução da sensibilização periférica e central associada às síndromes dolorosas crônicas. Além disso, o CBD demonstrou potencial antioxidante e modulador da neuroinflamação, favorecendo melhora clínica em pacientes com doenças neurológicas e inflamatórias.
A atuação farmacológica dos canabinoides também foi amplamente discutida por Castillo-Arellano et al. (2023), que ressaltaram a capacidade do CBD em modular múltiplas vias neuroquímicas relacionadas à dor, inflamação e excitabilidade neuronal. Os autores destacam que o CBD atua não apenas sobre os receptores CB1 e CB2, mas também em receptores serotoninérgicos, canais TRPV1 e mecanismos relacionados à adenosina, ampliando seu potencial terapêutico em diferentes condições dolorosas.
Observa-se ainda possível redução do uso prolongado de opioides em pacientes submetidos ao tratamento complementar com cannabis medicinal. Solmi et al. (2023) observaram que alguns estudos clínicos e observacionais relataram diminuição da necessidade de analgésicos opioides após introdução da cannabis medicinal como terapia complementar. Esse achado apresenta grande relevância clínica devido aos riscos relacionados à dependência, tolerância e efeitos adversos associados ao uso prolongado de opioides no tratamento da dor crônica.
Apesar dos benefícios observados, a literatura científica também demonstrou importantes limitações relacionadas ao uso medicinal da cannabis no manejo da dor crônica. Leen et al. (2024) destacam que existe elevada heterogeneidade metodológica entre os estudos analisados, principalmente em relação às doses administradas, formulações utilizadas, vias de administração e perfil clínico dos pacientes. Essas diferenças dificultam comparações diretas entre os resultados encontrados e limitam a padronização terapêutica dos tratamentos baseados em cannabis medicinal.
Além disso, os estudos analisados identificaram ocorrência de efeitos adversos relacionados ao uso medicinal da cannabis, incluindo tontura, sonolência, fadiga, alterações cognitivas e prejuízo da atenção. Segundo O’Neill et al. (2023), esses efeitos podem interferir diretamente nas atividades funcionais e ocupacionais dos pacientes, principalmente em indivíduos submetidos a tratamentos prolongados ou formulações com maiores concentrações de THC.
Hoch et al. (2025) destacam que formulações com elevadas concentrações de THC podem desencadear alterações cognitivas e psiquiátricas, principalmente em indivíduos vulneráveis ou submetidos a doses elevadas. Dessa forma, os autores destacam a importância do desenvolvimento de formulações terapêuticas mais seguras e individualizadas, priorizando equilíbrio entre eficácia clínica e minimização dos riscos associados ao tratamento.
Outro ponto frequentemente discutido refere-se à necessidade de estudos clínicos mais robustos e de longo prazo envolvendo cannabis medicinal e dor crônica. Embora os resultados atuais demonstrem benefícios promissores, Solmi et al. (2023) ressaltam que muitos estudos ainda apresentam amostras reduzidas, curto período de acompanhamento e limitações metodológicas que dificultam conclusões definitivas acerca da eficácia e segurança dos tratamentos baseados em canabinoides.
Portanto, as evidências sugerem que a cannabis medicinal representa alternativa promissora para o manejo da dor crônica, apesar das limitações metodológicas ainda presentes na literatura científica. Entretanto, a literatura científica evidencia que ainda existem desafios relacionados à padronização terapêutica, segurança clínica e necessidade de ensaios clínicos mais robustos capazes de consolidar protocolos seguros e eficazes para utilização medicinal da cannabis em condições dolorosas crônicas.
4.4. Evidências Terapêuticas da Cannabis nos Transtornos de Ansiedade
Nos últimos anos, aumentou o interesse científico relacionado ao uso da cannabis medicinal nos transtornos de ansiedade, principalmente em relação ao CBD. A literatura evidenciou que o CBD apresenta propriedades ansiolíticas relacionadas à modulação do sistema endocanabinoide e de diferentes vias neuroquímicas envolvidas no processamento emocional, contribuindo para redução dos sintomas ansiosos e melhora da estabilidade emocional dos pacientes (Castillo-Arellano et al., 2023; Weston-Green et al., 2021).
Segundo Weston-Green et al. (2021), os compostos presentes na Cannabis sativa, especialmente o CBD e determinados terpenos, apresentam propriedades neuroprotetoras, anti-inflamatórias e ansiolíticas capazes de influenciar diretamente mecanismos relacionados ao estresse, humor e comportamento emocional. Os autores destacam que substâncias como linalol e pineno podem potencializar os efeitos terapêuticos dos canabinoides através do chamado “efeito entourage”, favorecendo melhora dos sintomas ansiosos e maior equilíbrio neuroquímico.
Os mecanismos farmacológicos relacionados à ação ansiolítica do CBD também foram amplamente discutidos por Castillo-Arellano et al. (2023). Segundo os autores, o CBD atua sobre receptores serotoninérgicos, especialmente o receptor 5-HT1A, além de modular canais TRPV1 e mecanismos relacionados à neuroinflamação e ao estresse oxidativo. Essa atuação multifatorial contribui para redução da hiperatividade neuronal e da resposta exagerada ao estresse, fatores frequentemente associados aos transtornos ansiosos.
Stasiłowicz-Krzemień et al. (2024) reforçam que o sistema endocanabinoide exerce importante função na regulação emocional e na resposta ao estresse, principalmente através dos receptores CB1 presentes em regiões cerebrais relacionadas ao medo, ansiedade e processamento emocional, como amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal. Os autores destacam que a modulação desses receptores pelos canabinoides pode contribuir para estabilização emocional e redução dos sintomas ansiosos observados em diferentes transtornos psiquiátricos.
Entretanto, formulações com elevadas concentrações de THC apresentam maiores riscos psiquiátricos e cognitivos, especialmente em indivíduos vulneráveis. Hoch et al. (2025) destacam que formulações ricas em delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) podem desencadear efeitos adversos psiquiátricos, incluindo ansiedade exacerbada, paranoia, alterações perceptivas e sintomas psicóticos, especialmente em indivíduos predispostos ou submetidos a doses elevadas. Esses resultados demonstram que os efeitos terapêuticos da cannabis dependem diretamente da composição química das formulações utilizadas e do perfil clínico individual dos pacientes.
Resultados semelhantes foram observados por Solmi et al. (2023), que identificaram benefícios terapêuticos relacionados ao CBD, mas também ressaltaram riscos psiquiátricos associados ao uso inadequado da cannabis medicinal, principalmente em tratamentos sem monitoramento clínico adequado. Os autores destacam que fatores como frequência de uso, concentração de THC, predisposição genética e histórico psiquiátrico prévio podem influenciar significativamente os efeitos da cannabis sobre os transtornos de ansiedade.
Outro aspecto importante identificado na literatura refere-se à limitação metodológica dos estudos envolvendo cannabis medicinal e ansiedade. Leen et al. (2024) destacam grande variabilidade entre doses administradas, vias de administração, composição dos produtos e duração dos tratamentos avaliados nos estudos clínicos, dificultando comparações diretas entre os resultados encontrados. Além disso, muitos estudos ainda apresentam amostras reduzidas e curto período de acompanhamento, limitando conclusões definitivas acerca da eficácia terapêutica da cannabis nos transtornos ansiosos.
Os efeitos adversos relacionados ao uso medicinal da cannabis também foram discutidos na literatura analisada. O’Neill et al. (2023) observaram que sedação, fadiga, alterações cognitivas e prejuízo da atenção representam os principais efeitos associados ao tratamento com cannabis medicinal, podendo interferir diretamente no desempenho funcional e ocupacional dos pacientes. Os autores ressaltam ainda a necessidade de cautela no uso terapêutico da cannabis em indivíduos com histórico de transtornos psiquiátricos ou maior vulnerabilidade psicológica.
Assim, embora o CBD apresente efeitos ansiolíticos relevantes, ainda existem limitações relacionadas à segurança clínica e à padronização dos protocolos terapêuticos. Entretanto, a literatura científica evidencia que os efeitos da cannabis sobre a saúde mental ainda apresentam limitações importantes relacionadas à segurança clínica, padronização terapêutica e necessidade de estudos clínicos mais robustos capazes de consolidar protocolos seguros e eficazes para diferentes transtornos ansiosos.
4.5. Limitações Clínicas e Desafios Terapêuticos da Cannabis Medicinal
Embora os estudos demonstrem benefícios clínicos relevantes, ainda persistem limitações relacionadas à segurança terapêutica e à padronização dos tratamentos baseados em cannabis medicinal. Os estudos demonstram que fatores relacionados à padronização das formulações, segurança clínica, heterogeneidade metodológica e efeitos adversos representam obstáculos relevantes para ampliação do uso terapêutico da cannabis em diferentes condições clínicas (Leen et al., 2024; Solmi et al., 2023).
Um dos principais desafios identificados refere-se à ausência de padronização entre os produtos derivados da Cannabis sativa. Segundo Leen et al. (2024), existe grande variabilidade nas concentrações de delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), além de diferenças relacionadas às vias de administração, biodisponibilidade e tempo de ação dos compostos utilizados nos estudos clínicos. Essas diferenças dificultam comparações diretas entre os resultados encontrados e limitam o desenvolvimento de protocolos terapêuticos universalmente padronizados.
Outro aspecto amplamente discutido na literatura refere-se à ocorrência de efeitos adversos associados ao uso medicinal da cannabis. O’Neill et al. (2023) identificaram sedação, tontura, fadiga, náuseas, sonolência, alterações cognitivas e prejuízo da atenção como os principais efeitos adversos observados nos pacientes tratados com cannabis medicinal. Os autores ressaltam que esses sintomas podem interferir diretamente nas atividades cotidianas, laborais e funcionais dos indivíduos, especialmente em tratamentos prolongados ou envolvendo formulações com maiores concentrações de THC.
Os riscos psiquiátricos relacionados ao uso da cannabis também foram frequentemente abordados nos estudos analisados. Hoch et al. (2025) destacam que formulações ricas em THC podem desencadear ansiedade exacerbada, paranoia, alterações perceptivas e sintomas psicóticos, principalmente em indivíduos predispostos ou com histórico de transtornos psiquiátricos. Solmi et al. (2023) reforçam que os efeitos da cannabis sobre a saúde mental dependem diretamente da composição química dos produtos utilizados, da frequência de uso, da dose administrada e da susceptibilidade individual dos pacientes.
Além disso, a literatura demonstra que ainda existem importantes limitações metodológicas nos estudos envolvendo cannabis medicinal. Muitos artigos apresentam amostras reduzidas, curto período de acompanhamento clínico e diferenças significativas relacionadas aos critérios de inclusão, protocolos terapêuticos e métodos de avaliação dos resultados. Segundo Solmi et al. (2023), essa heterogeneidade metodológica dificulta a consolidação de evidências definitivas acerca da eficácia e segurança dos tratamentos baseados em canabinoides.
Outro desafio importante refere-se à necessidade de monitoramento clínico individualizado durante o tratamento com cannabis medicinal. Leen et al. (2024) destacam que fatores como idade, metabolismo, uso concomitante de medicamentos, predisposição genética e condições clínicas pré-existentes podem influenciar significativamente os efeitos terapêuticos e adversos da cannabis. Dessa forma, a individualização terapêutica torna-se essencial para maximizar os benefícios clínicos e reduzir riscos associados ao tratamento.
Os estudos também evidenciaram limitações relacionadas à regulamentação e ao acesso seguro aos tratamentos baseados em cannabis medicinal. Bandawe (2022) ressalta que, embora diversos países tenham ampliado as regulamentações relacionadas ao uso medicinal da cannabis, ainda existem barreiras econômicas, sociais e políticas que dificultam o acesso da população aos tratamentos. Além disso, o estigma historicamente associado à cannabis continua influenciando debates científicos e regulatórios relacionados à sua utilização terapêutica.
Outro ponto frequentemente discutido refere-se à escassez de estudos longitudinais capazes de avaliar os efeitos neurocognitivos e psiquiátricos do uso contínuo da cannabis medicinal em longo prazo. Hoch et al. (2025) destacam que ainda existem lacunas importantes relacionadas à segurança prolongada dos tratamentos baseados em canabinoides, principalmente em crianças, adolescentes, idosos e indivíduos com maior vulnerabilidade neurológica ou psiquiátrica.
Apesar dessas limitações, os estudos analisados demonstram que a cannabis medicinal apresenta potencial terapêutico relevante quando utilizada de forma supervisionada e individualizada. Entretanto, a literatura científica evidencia a necessidade de desenvolvimento de ensaios clínicos mais robustos, padronização das formulações terapêuticas e ampliação das pesquisas relacionadas à segurança e eficácia dos canabinoides. Dessa forma, observa-se que os desafios atuais da cannabis medicinal estão diretamente relacionados à consolidação científica, regulatória e clínica dessa abordagem terapêutica.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo demonstra que a cannabis medicinal apresenta potencial terapêutico relevante no tratamento da epilepsia, da dor crônica e dos transtornos de ansiedade, especialmente por meio do canabidiol (CBD). As evidências analisadas indicam que os canabinoides contribuem para redução das crises epilépticas, diminuição da intensidade da dor, melhora da qualidade de vida e controle de sintomas ansiosos, demonstrando benefícios clínicos associados ao uso do CBD nas condições analisadas.
Os objetivos do estudo foram atingidos, uma vez que foi possível compreender os mecanismos farmacológicos da cannabis medicinal e do sistema endocanabinoide, identificar os benefícios terapêuticos do CBD nas principais condições analisadas e reconhecer as limitações clínicas relacionadas ao uso medicinal da cannabis. A análise dos estudos demonstrou que o sistema endocanabinoide exerce importante papel na modulação da dor, da excitabilidade neuronal, da resposta inflamatória e do equilíbrio emocional, justificando o interesse científico crescente relacionado aos tratamentos baseados em canabinoides.
Os resultados evidenciam que o CBD apresenta perfil terapêutico mais seguro quando comparado às formulações com elevadas concentrações de THC, principalmente devido à menor ocorrência de efeitos psicoativos e psiquiátricos. Entretanto, os estudos também demonstram que o uso medicinal da cannabis ainda apresenta desafios importantes relacionados à padronização das formulações, definição das doses terapêuticas, segurança clínica e individualização do tratamento.
Conclui-se que a cannabis medicinal representa alternativa terapêutica promissora, embora sua consolidação clínica ainda dependa de estudos metodologicamente mais robustos e protocolos terapêuticos padronizados.
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